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NO SEIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Com tantos anos de sacerdócio, só agora reparava que, na Santa Missa, não oferecia o Sacrifício de Cristo a Deus – mas ao Pai!

Esta descoberta íntima de um idoso e venerável Sacerdote, que o Senhor já tem consigo, pode e deve ser nossa também: devíamos tomar consciência de que somos Cristo; e de que, portanto, ao celebrarmos a Sagrada Eucaristia, nos estamos oferecendo, com o Filho, ao Pai, por virtude do Espírito Santo. Ou seja: que estamos actuando no seio da Santíssima Trindade, «dentro» das divinas Processões. Porque Nosso Senhor se identificou connosco e nos entregou o seu Sacrifício Redentor. E, mais do que seus «proprietários», passámos a ser o próprio Sacrificado: «Isto é o meu Corpo», dizemos. Não é uma simples recordação da Última Ceia; é uma afirmação rotunda. E eficaz: realiza a autêntica Transubstanciação.

Por mais profundo e inefável que seja este mistério, é nele que acreditamos e dele vivemos. E acreditamos tanto mais, quanto mais própria de Deus é a imensidão do seu Amor.

«Saber que me queres tanto, meu Deus, e… não enlouqueci?», exclama S. Josemaria em «Caminho» (425). Sim: porque não enlouquecemos? Porque, uma vez revelado o mistério, compreendemos que tudo era de esperar do seu Amor infinito. Nada mais razoável do que unir-nos a Si eternamente.

Até uma criança o aceita com a maior simplicidade: pois, se Ele é nosso Amigo! E até um menino é capaz de distinguir Jesus do Pai, sabendo que é um só Deus. Já a familiaridade com o Espírito Santo lhe será mais difícil, por não encontrar imagem humana que o ajude nesse sentido. Não sabe que é precisamente o Espírito Santo quem o torna tão familiar com Deus-Pai e Deus-Filho. Mas também O aceita, pois, pela sua experiência familiar, «Alguém» lhe falta «entre» o Pai e o Filho…

«Começa com orações vocais, simples, encantadoras (…) A oração que começou com essa ingenuidade pueril, desenvolve-se (…) O coração sente então a necessidade de distinguir e adorar cada uma das Pessoas divinas», como descreve S. Josemaria o itinerário normal da vida interior do cristão: «Não me refiro a situações extraordinárias. São, podem muito bem ser, fenómenos ordinários da nossa alma (…) Ascética? Mística? Não me interessa. Seja o que for, ascética ou mística, que importa? É mercê de Deus» («Amigos de Deus», 306-308).

 

Neste século de preocupações terrenas, económicas, sociais, de igualdade e justiça, a contemplação amorosa de Deus, Uno e Trino, soa a algo etéreo e distante… Como a um cego e surdo perdido numa feira lhe soam longínquas as vozes de orientação. Sem contemplarmos o imenso amor de Deus, que sabemos de nós e dos outros?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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