aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

DIRECTÓRIO HOMILÉTICO

 

No passado dia 10 de Fevereiro, a Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos, apresentou um novo Directório para ajudar sacerdotes e seminaristas a prepararem as suas homilias, pedindo que estas evitem a improvisação.

 

“A homilia não pode ser improvisada, é preciso que quem a pronuncia saiba e reavive em si sem cessar a consciência do que a Igreja lhe pede”, declarou Mons. Arthur Roche, secretário da Congregação.

O Directório homilético pretende fornecer um conjunto de “linhas mestras” que ajudem a inspirar quer os membros do clero quer os futuros padres para o desempenho da sua missão.

Nesse sentido, recomenda que a homilia seja preparada com estudo, não seja demasiado longa e se mostre atenta à actualidade e à vida da comunidade concreta em que é pronunciada.

Articulado em duas partes, o documento debruça-se sobre “a natureza, a função e o contexto peculiar da homilia”, ao mesmo tempo que enuncia “as coordenadas metodológicas e de conteúdo que o sacerdote deve conhecer” e “levar em consideração ao preparar e pronunciar a homilia”.

A obra vai ao encontro da preocupação manifestada pelo Papa Francisco acerca desta matéria, na sua exortação apostólica A alegria do Evangelho, onde refere que “a pregação dentro da liturgia requer uma séria avaliação por parte dos pastores”.

O prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Robert Sarah, disse aos jornalistas que a homilia exige “formação espiritual”, que vai para lá da "eloquência" ou da “técnica”, porque é preciso falar “daquilo que se vive”.

Este responsável admitiu que, em relação à duração das homilias, há diferenças culturais, porque 10 ou 15 minutos de intervenção na Europa podem ser muito e na África podem ser insuficientes, embora o Directório proponha como orientação de base uma maior brevidade.

A homilia, que se pronuncia durante a Missa, após a proclamação do Evangelho, está reservada aos “ministros ordenados” (bispos, sacerdotes e diáconos), como um “serviço litúrgico”, segundo “a fé da Igreja e não de forma pessoal”.

“Frequentemente, para muitos fiéis, é precisamente o momento da homilia, tida como bela ou feia, interessante ou aborrecida, que decide da bondade de toda a celebração”, advertiu o cardeal Sarah.

Após o Sínodo dos Bispos de 2008, dedicado à Palavra de Deus, o Papa Bento XVI sublinhou a necessidade de melhorar a qualidade das homilias, uma preocupação retomada pelo Papa Francisco, seu sucessor.

A edição em português do Directório está a cargo do Secretariado Nacional de Liturgia e a conferência episcopal revelou que a obra se encontra "em fase de revisão final".

 

 

DIA MUNDIAL DO DOENTE

 

A Igreja Católica celebrou nom passado dia 11 de Fevereiro, Memória de Nossa Senhora de Lourdes, o Dia Mundial do Doente, partindo da mensagem do Papa que denuncia como “grande mentira” confundir o direito a viver com a chamada “qualidade de vida”.

 

“Que grande mentira se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade de vida» para fazer crer que as vidas gravemente afectadas pela doença não mereceriam ser vividas”, escreve na Mensagem.

O 23.º Dia Mundial do Doente tem como tema «Sapientia cordis [sabedoria do coração]. “Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Job 29, 15)»

Segundo o Papa, a experiência do sofrimento pode tornar-se “lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a «sapientia cordis»”, mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor.

“Sabedoria do coração é servir o irmão” e “sair de si ao encontro do irmão”, sublinha o Santo Padre, recordando os cristãos que dão testemunho com “a sua vida radicada numa fé genuína” e as pessoas que “permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar”.

“Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo”, acrescenta.

A mensagem realça o valor do acompanhamento, “muitas vezes silencioso”, que leva a dedicar tempo aos doentes, os quais se sentem assim “mais amados e confortados”.

“Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesim do fazer e do produzir, se esquece da dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro”, lamenta o Papa.

O Papa observa que “também as pessoas imersas no mistério do sofrimento e da dor” podem tornar-se “testemunhas vivas duma fé que permite abraçar o próprio sofrimento”.

A mensagem para o Dia Mundial do Doente de 2015 conclui-se com uma oração do Papa à Virgem Maria:

“Ó Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa Mãe por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no serviço ao próximo sofredor e através da própria experiência do sofrimento, acolher e fazer crescer em nós a verdadeira sabedoria do coração”.

 

 

REFORMA DA CÚRIA ROMANA

 

O Papa Francisco deu início no passado dia 12 de Fevereiro a uma reunião de dois dias com 160 cardeais de todo o mundo para debater a reforma da Cúria Romana, os organismos centrais de governo da Igreja Católica, defendendo “transparência absoluta” neste processo.

 

“A meta a atingir é sempre a de favorecer uma maior harmonia no trabalho dos vários dicastérios e organismos para conseguir uma colaboração mais eficaz, naquela transparência absoluta que edifica a verdadeira sinodalidade e colegialidade”, declarou no seu discurso.

O Papa afirmou que a reforma em curso não é “um fim em si mesmo”, mas um meio para “dar um forte testemunho cristão”, promover uma “evangelização mais eficaz” e promover o espírito ecuménico e um “diálogo mais construtivo com todos”.

“Com certeza que não é fácil chegar a uma tal meta: exige tempo, determinação e, sobretudo, a colaboração de todos”, sublinhou.

O encontro decorre depois da oitava reunião do Conselho dos Cardeais – conhecido como C 9 – que o Papa criou para o auxiliarem na reforma da Cúria Romana, e que teve lugar nos dias 9 e 10.

O C 9 apresentou em Setembro de 2013 um esboço de nova Constituição para a Cúria Romana, que foi discutido com os responsáveis dos organismos centrais do governo da Igreja, dois meses depois.

O trabalho está mais avançado no que diz respeito às questões económicas e administrativas e às questões relacionadas com os departamentos de economia, após a instituição do Conselho e da Secretaria para a Economia, liderada pelo cardeal australiano George Pell.

O documento que regulamenta actualmente a Cúria Romana é a constituição Pastor Bonus, assinada por São João Paulo II a 28 de Junho de 1988.

O Papa Francisco recordou que nas reuniões gerais de cardeais antes do Conclave de Março de 2013, no qual foi eleito, a maioria dos participantes desejava esta “reforma”, para “aperfeiçoar ainda mais a identidade da própria Cúria Romana”, ou seja, ajudar o Papa no exercício do seu ministério.

 

 

CRIAÇÃO DE NOVOS CARDEAIS

 

No passado dia 14 de Fevereiro, o Papa Francisco procedeu à criação de 19 novos cardeais, entre os quais D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, pedindo-lhes que sejam exemplo de caridade e de justiça.

 

“Nós, seres humanos (todos, e em todas as idades da vida), sentimo-nos inclinados à inveja e ao orgulho por causa da nossa natureza ferida pelo pecado. E as próprias dignidades eclesiásticas não estão imunes desta tentação”, assinalou na homilia do consistório depois da criação dos novos cardeais.

Segundo o Papa, quem tem responsabilidades de governo na Igreja Católica “deve ter um sentido tão forte da justiça que veja toda e qualquer injustiça como inaceitável, incluindo aquela que possa ser vantajosa para si mesmo ou para a Igreja”.

O Papa argentino explicou que a “dignidade cardinalícia” não é “honorífica” e que, na Igreja, “toda a presidência provém da caridade, deve ser exercida na caridade e tem como fim a caridade”.

“A caridade, dom de Deus, cresce onde há humildade e ternura”, acrescentou.

O Santo Padre admitiu que quem vive em contacto com as pessoas tem sempre “ocasiões para se irritar”, mas advertiu contra o “risco mortal da ira retida, aninhada no interior”.

“Não. Isto não é aceitável no homem de Igreja. Se é possível desculpar uma indignação momentânea e imediatamente moderada, não se pode dizer o mesmo do rancor. Que Deus nos preserve e livre dele”, declarou.

O Papa convidou os presentes a “saber amar sem limites”, com atenção às situações particulares, através de gestos concretos, com a “capacidade de ter em conta o outro, a sua dignidade, a sua condição, as suas necessidades”.

“A benevolência é a intenção firme e constante de querer o bem sempre e para todos, incluindo aqueles que não nos amam”, prosseguiu.

Em conclusão, o Papa apresentou aos novos cardeais um “programa de vida”, pedindo-lhes que sejam “pessoas capazes de perdoar sempre; de dar sempre confiança, porque cheias de fé em Deus; capazes de infundir sempre esperança, porque cheias de esperança em Deus; pessoas que sabem suportar com paciência todas as situações e cada irmão e irmã, em união com Jesus”.

O Papa Francisco anunciara no passado dia 4 de Janeiro a criação de 15 cardeais eleitores, provenientes de 14 países, além de cinco cardeais com mais de 80 anos de idade (sem direito a participar num eventual Conclave).

O mais velho dos novos cardeais, D. José de Jesús Pimiento Rodríguez, arcebispo emérito de Manizales (Colômbia), de 95 anos, não pôde deslocar-se ao Vaticano, pelo que vai receber o anel e o barrete vermelho na sua diocese.

 

 

PAPA OFERECE A MISSA PELOS

CRISTÃOS COPTAS ASSASSINADOS

 

No passado dia 17 de Fevereiro, o Papa Francisco celebrou a Missa na capela da Casa de Santa Marta, no Vaticano, pelos 21 cristãos coptas que foram assassinados na Líbia por fundamentalistas islâmicos, no domingo dia 15.

 

“Oferecemos esta Missa pelos nossos irmãos coptas, degolados somente por serem cristãos. Rezemos por eles, para que o Senhor os acolha como mártires, pelas suas famílias e pelo meu irmão Tawadros que sofre muito”, disse o Papa Francisco, no início da celebração.

Na tarde anterior, o Papa telefonara ao Patriarca da Igreja Copta Ortodoxa do Egipto, Tawadros II, manifestando a sua “participação na dor da Igreja Copta”.

Horas antes, o Santo Padre tinha condenado o assassinato de cristãos egípcios às mãos de jihadistas que alegam fazer parte do autoproclamado “Estado Islâmico”.

 

 

MINICOMPÊNDIO PARA

VIVER MELHOR A QUARESMA

 

No passado domingo dia 22 de Fevereiro, o Papa Francisco ofereceu aos peregrinos que se reuniram na Praça de São Pedro um pequeno compêndio de doutrina para viver melhor a Quaresma, distribuído com a ajuda de vários sem-abrigo.

 

“A Quaresma é um caminho de conversão que tem como centro o coração, por isso, neste primeiro domingo, pensei oferecer-vos a vós, que estais aqui na praça, um pequeno livro de bolso intitulado Guarda o coração”, revelou, desde a janela do apartamento pontifício, a milhares de pessoas que se tinham reunido para a recitação do Angelus.

O livro com “alguns ensinamentos de Jesus e conteúdos essenciais da fé”, como os sete Sacramentos, os dons do Espírito Santo, os dez mandamentos ou as obras de misericórdia, foi distribuído por voluntários, entre os quais vários sem-abrigo “que vieram em peregrinação”, explicou o Papa.

“E como sempre, também hoje aqui na praça, aqueles que vivem em necessidade são os mesmos que nos trazem uma grande riqueza, a riqueza da nossa doutrina, para guardar o coração”, acrescentou.

O Santo Padre convidou todos a levar um exemplar de como “ajudar para a conversão e o crescimento espiritual, que parte sempre do coração, onde se joga o desafio das escolhas quotidianas entre bem e mal, entre mundanidade e Evangelho, entre indiferença e partilha”.

 

 

PRÉMIOS DE

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

 

No passado dia 26 de Fevereiro, a Fundação Centesimus Annus fez um balanço da sua actividade, dos programas desenvolvidos e divulgou o nome dos vencedores do prémio “Economia e Sociedade”, um concurso internacional bienal.

 

“Muitos acreditam que a economia pode assumir o papel de produtor absoluto de objectivos e de valores e apresentá-los a qualquer dimensão humana, justificando que vivemos na era da pós-ideologia e pós-político”, disse o secretário do júri do prémio “Economia e Sociedade”.

Contudo, Michael Konrad alerta que também se pode “analisar a cultura atual” a partir da Palavra de Deus, uma vez que o concurso internacional bienal premeia autores que desejam apresentar uma forma de “reaprender a olhar com sabedoria para o presente e para o uso do dinheiro”.

Neste contexto foi anunciado o vencedor do prémio, Pierre de Lauzun, pelo trabalho “Finanças: uma perspectiva cristã. Da banca Medieval à globalização financeira”.

Neste trabalho o autor francês reflecte sobre a “moralidade das pessoas” que trabalham nos mercados financeiros e observa que “não há nenhuma transacção financeira” que possa ser separada da realidade social e das exigências morais.

Na secção especial dedicada a jovens investigadores de Doutrina Social da Igreja (DSI) foi anunciado Alexandre Stumvoll, de 32 anos, pela tese ''Uma tradição viva. A Santa Sé, Doutrina Social da Igreja e Global Politics 1965-2000'', defendida em 2012 no Instituto Universitário Europeu de Florença, Itália.

Este estudo analisa a DSI através de quatro relações internacionais concretas: a Guerra do Vietname comparando-a com o compromisso da Santa Sé para a paz; a crise polaca de 1989 e a política da Santa Sé em relação ao comunismo; as Conferências do Cairo (1994) e de Pequim (1995), que foram o ponto de partida para abordar a posição da Santa Sé sobre bioética; e, por último, a crítica contra o capitalismo selvagem no contexto da campanha contra a dívida do Terceiro Mundo no Jubileu do ano 2000.

Os prémios vão ser entregues pelo cardeal presidente do júri, o arcebispo de Munique Reinhard Marx, na conferência internacional da fundação – “Repensar os factores-chave da vida económica e social” – de 25 a 27 de Maio na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, e no Palácio da Chancelaria.

O presidente da Fundação Centesimus Annus, Domingo Sugranyes Bickel, recordou que a sua principal finalidade é promover a difusão da Doutrina Social da Igreja e desta forma convidar empresários e profissionais para que se reconheçam nestes princípios, no magistério do Papa, e que contribuam para a criação de uma nova cultura económica e social.

A Fundação Centesimus Annus, criada por São João Paulo II em 1993, é dirigida por um conselho formado por nove leigos que informa o presidente da Administração do Património Apostólico da Santa Sé, actualmente o cardeal Domenico Calcagno.

 

 

ANTE-ESTREIA DE

FILME SOBRE PIO XII

 

No passado dia 2 de Março fez-se a ante-estreia no Vaticano do filme Shades of Truth (Sombras da verdade) sobre Pio XII, Papa entre 1939 e 1958, e a sua relação com os judeus, da realizadora Liana Marabini.

 

“O filme foi realizado com testemunhos inéditos de alguns judeus salvos por Pacelli, cujo processo de beatificação está em curso, e tem por objectivo mostrar a inconsistência da lenda negra sobre o silêncio de Pio XII diante da tragédia da Shoah”, adianta a Rádio Vaticano.

Esta primeira exibição é na data de aniversário do nascimento e da eleição pontifícia de Eugenio Pacelli (1876-1958).

Em Maio, o filme será apresentado no Festival de Cinema de Cannes e em Setembro na cidade norte-americana de Filadélfia, por ocasião do Encontro Mundial das Famílias.

Segundo a realizadora Liana Marabini, Pio XII pode ser considerado como “o Schindler do Vaticano”, tendo ajudado a salvar “mais de 800 mil judeus” na Europa.

O Papa italiano foi declarado “Venerável” por Bento XVI em Dezembro de 2009, o primeiro passo rumo à beatificação.

Pio XII, assegurou o Papa emérito Bento XVI, "agiu muitas vezes de forma secreta e silenciosa, porque, à luz das situações concretas daquele complexo momento histórico, ele intuía que só desta forma podia evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus".

Segundo Bento XVI, o Papa Pacelli percebeu desde o início "o perigo constituído pela monstruosa ideologia nacional-socialista (nazi), com as suas perniciosas raízes anti-semitas e anticatólicas".

Na radiomensagem do Natal de 1942, Pio XII alertou para a situação de “centenas de milhares de pessoas que sem culpa nenhuma da sua parte, às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo”.

Bento XVI citou os "numerosos e unânimes atestados de gratidão" dirigidos a Pio XII no final da guerra e no momento da sua morte, destacando as que chegaram das mais altas autoridades do mundo judaico, como por exemplo de Golda Meir: "Quando o martírio mais terrível se abateu sobre o nosso povo, durante os dez anos do terror nazi, a voz do Pontífice levantou-se em favor das vítimas".      

Em Julho de 2012, o memorial Yad Vashem de Jerusalém, que evoca as vítimas do Holocausto durante a II Guerra Mundial, modificou um texto que acusava o Papa Pio XII de não ter feito o suficiente pelos judeus.

 

 

CAMINHO NEOCATECUMENAL:

FAMÍLIAS ENVIADAS EM MISSÃO

 

No passado dia 6 de Março, o Papa Francisco encontrou-se com milhares de membros do Caminho Neocatecumenal, na Sala Paulo VI, ocasião em que foram apresentadas mais de 200 famílias que iam partir em missão para países dos cinco continentes.

 

“Saúdo os iniciadores do Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello e Carmen Hernández, juntamente com o padre Mario Pezzi: a eles expresso o meu apreço e encorajamento por quanto, através do Caminho, estão a fazer em benefício da Igreja. Eu digo sempre que o Caminho Neocatecumenal faz um grande bem à Igreja” – começou por dizer o Papa.

E continuou: “Sinto-me particularmente contente porque esta vossa missão se realiza graças às famílias cristãs que, reunidas numa comunidade, têm a missão de dar sinais da fé que atraem os homens para a beleza do Evangelho, segundo as palavras de Cristo: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei; nisto saberão que sois meus discípulos» (cf. Jo13, 34), e «sede um só e o mundo acreditará» (cf. Jo17, 21). Estas comunidades, chamadas pelos Bispos, são formadas por um presbítero e por quatro ou cinco famílias, com filhos até grandes, e constituem uma «missio ad gentes», com um mandato para evangelizar os não-cristãos. Os não-cristãos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo, e os muitos não-cristãos que se esqueceram de quem era Jesus Cristo, de quem é Jesus Cristo: não-cristãos baptizados, mas aos quais a secularização, a mundanidade e muitas outras coisas fizeram esquecer a fé. Despertai aquela fé!”

Um dom de Deus: “Vós recebestes a força de deixar tudo e de partir para terras distantes graças a um caminho de iniciação cristã, vivido em pequenas comunidades, nas quais redescobristes as imensas riquezas do vosso Baptismo. Este é o Caminho Neocatecumenal, um verdadeiro dom da Providência à Igreja do nosso tempo, como já afirmaram os meus Predecessores; sobretudo São João Paulo II, quando vos disse: «Reconheço o Caminho Neocatecumenal como um itinerário de formação católica, válido para a sociedade e para os tempos actuais» (Epist.  Ogniqualvolta, 30 de Agosto de 1990: AAS 82 [1990], 1515).

“O Caminho baseia-se naquelas três dimensões da Igreja que são a Palavra, a Liturgia e a Comunidade. Por isso, a escuta obediente e constante da Palavra de Deus, a celebração eucarística em pequenas comunidades depois das primeiras vésperas do domingo, a celebração das laudes em família aos domingos com todos os filhos e a partilha da própria fé com outros irmãos estão na origem de tantos dons que o Senhor vos concedeu, assim como as numerosas vocações ao presbiterado e à vida consagrada. Ver tudo isto é de grande consolação, porque confirma que o Espírito de Deus está vivo e activo na sua Igreja, também hoje, e que corresponde às necessidades do homem moderno”.

O Papa entregou crucifixos a 33 sacerdotes que vão liderar as missões em vários países, pedindo que todos sejam capazes de ajudar a Igreja a avançar para uma “pastoral decididamente missionária”.

O encontro decorreu ao som de cânticos característicos do Caminho Neocatecumenal e encerrou-se com o habitual pedido de orações por parte de Francisco a todas as famílias.

O Caminho Neocatecumenal nasceu há 50 anos em Espanha, por iniciativa do pintor e músico Kiko Argüello e da missionária Carmen Hernández, e é reconhecido pela Igreja Católica como um itinerário católico de formação para os dias de hoje.

 

 

60 ANOS DE

COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO

 

No passado dia 7 de Março, o Papa Francisco reuniu-se na Praça de São Pedro com mais de 80 mil pessoas do movimento Comunhão e Libertação (CL), para assinalar os 60 anos do Movimento e o décimo aniversário da morte do fundador,  Mons. Luigi Giussani.

 

“Dirijo o meu pensamento ao vosso Fundador, Mons. Luigi Giussani, recordando o décimo aniversário do seu nascimento para o Céu. Estou grato ao padre Giussani por vários motivos. O primeiro, mais pessoal, é o bem que este homem me fez, assim como à minha vida sacerdotal, através da leitura dos seus livros e artigos. O outro motivo é que o seu pensamento é profundamente humano e chega ao mais íntimo do anseio do homem. Vós sabeis como a experiência do encontro era importante para o padre Giussani: encontro não com uma ideia, mas com uma Pessoa, com Jesus Cristo. Foi assim que ele educou para a liberdade, guiando ao encontro com Cristo, porque é Cristo quem nos confere a liberdade autêntica”.

E acrescentou:

“Hoje vós recordais também o sexagésimo aniversário do vosso Movimento, «que nasceu na Igreja – como vos disse Bento XVI –, não de uma vontade organizativa da Hierarquia, mas originada por um encontro renovado com Cristo e, assim, podemos dizer, por um impulso que em última análise derivou do Espírito Santo» (Discurso à peregrinação de Comunhão e Libertação, 24 de Março de 2007, em: Insegnamenti III, 1 [2007], 557).

“Depois de sessenta anos, o carisma originário nada perdeu do seu vigor e vitalidade. No entanto, recordai que o cerne não é o carisma, o centro é um só, é Jesus, Jesus Cristo! Quando insiro no âmago o meu método espiritual, o meu caminho espiritual, o meu modo de o pôr em prática, saio do caminho. Na Igreja toda a espiritualidade, todos os carismas devem ser «descentralizados»: no cerne só está o Senhor!”

E concluiu:

“Assim, centrados em Cristo e no Evangelho, vós podeis ser braços, mãos, pés, mente e coração de uma Igreja «em saída». O caminho da Igreja consiste em sair, para ir à procura dos que estão longe nas periferias, para servir Jesus em cada pessoa marginalizada, abandonada e sem fé, decepcionada com a Igreja, prisioneira do seu próprio egoísmo”.

 

Comunhão e Libertação é um movimento eclesial cujo objectivo é a educação cristã dos seus membros no sentido da colaboração com a missão da Igreja em todos os âmbitos da sociedade.

Nasceu em Milão (Itália), em 1954, quando Dom Luigi Giussani (1922-2005) deu início, no Liceu “Berchet” de Milão, a uma iniciativa de presença cristã.

O nome actual, Comunhão e Libertação (CL), apareceu pela primeira vez em 1969. Ele sintetiza a convicção de que o acontecimento cristão, vivido na comunhão, é a base da verdadeira libertação do homem. Como afirmou Bento XVI, Comunhão e Libertação “oferece-se hoje como possibilidade de viver de modo profundo e actualizado a fé cristã, por um lado com uma total fidelidade e comunhão com o Sucessor de Pedro e com os Pastores que garantem o governo da Igreja; por outro lado, com uma espontaneidade e uma liberdade que permitem novas e proféticas realizações apostólicas e missionárias” (Audiência ao CL, 24 de Março de 2007).

Actualmente, Comunhão e Libertação está presente em cerca de 80 países em todos os continentes, e é guiado por padre Julián Carrón, sucessor de Dom Giussani, depois de sua morte em 2005.

 

 

NOVO CAMERLENGO

DA SANTA SÉ

 

No passado dia 9 de Março, o cardeal francês Jean-Louis Tauran prestou juramento como novo camerlengo da Igreja Católica, cargo para o qual fora nomeado pelo Papa Francisco a 20 de Dezembro de 2014.

 

O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso foi quem anunciou publicamente o nome de Francisco, após o Conclave de 2013, na sua qualidade de cardeal proto-diácono.

O cardeal francês sucede no cargo ao cardeal Tarcisio Bertone, que completou 80 anos no início de Dezembro de 2014 e desempenhava estas funções desde 2007.

O camerlengo tem duas responsabilidades essenciais: a administração dos bens e direitos temporais da Santa Sé, enquanto o Papa está em viagem, e, a mais conhecida, a presidência do período de Sé Vacante, que se segue à morte ou renúncia do pontífice.

O Papa Francisco nomeou ainda como vice-camerlengo Mons. Giampiero Gloder, núncio apostólico que preside à Pontifícia Academia Eclesiástica, onde se preparam os diplomatas da Santa Sé.

 

 

PAPA FRANCISCO COMENTA

DOIS ANOS DE PONTIFICADO

 

No passado dia 13 de Março, quando se completavam dois anos desde a sua eleição como Sumo Pontífice, o Papa Francisco aceitou responder às perguntas da jornalista e escritora mexicana Valentina Alazraki, correspondente de Televisa. Foi uma amena conversa, sentados ante um quadro de Nossa Senhora de Guadalupe. A entrevista, que durou hora e meia, foi realizada tecnicamente pelo Centro Televisivo Vaticano e pela Rádio Vaticano.

 

O Papa Francisco não se furtou a responder a perguntas que lhe afectavam pessoalmente. Damos alguns exemplos.

A jornalista mexicana questionou o Papa sobre a polémica surgida após a divulgação de uma mensagem privada em que Francisco aludia à “mexicanização” da Argentina, por causa do narcotráfico.

– “Evidentemente, é um termo «técnico». Não tem nada a ver com a dignidade do México, é como quando falamos de «balcanização»”, explicou.

Insistindo, a jornalista perguntou se não seria de dizer às pessoas que recebem as suas cartas ou telefonemas privados que se abstenham de divulgar.

– “Costumo fazê-lo, normalmente; mas, às vezes, a gente não aguenta. (…) Há gente a quem telefono e nunca abre a boca; ou a quem mandei uma carta e nunca a publicaram; outros, sim. Mas, se sinto que devo fazer algo, faço-o e corro o risco”.

 

A jornalista quis saber pormenores da eleição.

– “Foi muito simples. Eu vim com uma maleta pequena, porque fiz um cálculo: o Papa não vai tomar posse na Semana Santa. Portanto, eu posso regressar tranquilamente e estar no Domingo de Ramos em Buenos Aires. Deixei preparada a homilia no meu escritório e vim com o necessário para esses dias, embora pensasse que poderia ser um conclave muito curto. De todos os modos, preparei-me o melhor possível, para o caso de ser longo, de tal forma que tinha o bilhete de volta: podia alterar ou adiantar. Tinha isso assegurado. Além disso, não estava em nenhuma lista de papáveis, graças a Deus, nem me passou pela cabeça. Quero ser sincero, para evitar histórias. (…)     

“Bom, e assim começou o conclave. (…) O fenómeno das votações, sempre, não só no conclave, nestes grupos, é um fenómeno interessante. Há candidatos, fortes. Mas muita gente não sabe a quem dar o voto. Então, escolhem seis, sete, que são os votos de depósito. Eu deposito o voto neste e, quando veja quem vai ser, dou-lho. É como uma «provisoriedade». Isto é geral nas votações de grupos grandes. Portanto, eu tinha alguns votos, mas de depósito. (…)

“Realmente, até ao meio dia, nada. Depois passou-se algo. Ao almoço, vi um sinal esquisito. Perguntam-me pela saúde …, e quando regressámos à tarde, cozinhou-se o pastel. Em duas votações, acabou-se tudo. Portanto, para mim também foi surpresa.

“O que aconteceu comigo? Na primeira votação da tarde, quando vi que podia ser irreversível, tinha ao meu lado – e quero contar, por amizade – o cardeal Hummes, que para mim é um grande homem. (…) E, a meio da primeira votação da tarde, (…) aproximou-se de mim e disse-me: «Não te preocupes, assim actua o Espírito Santo». Teve graça.

“Depois, na segunda votação, quando se alcançaram os dois terços, aplaude-se sempre. Em todos os conclaves, aplaude-se. E ele então abraçou-me e disse-me: «Não te esqueças dos pobres». Isso começou a dar-me voltas na cabeça e foi o que provocou a escolha do nome. Eu, durante a votação, rezava o Terço, costumava rezar os três Terços diários, tinha muita paz. Diria mesmo inconsciência. Também quando terminou. Para mim, foi um sinal de que Deus queria isso. A paz. Até hoje não a perdi. É algo interior, como um presente. Depois, o que fiz, não sei. Fizeram-me parar. Perguntaram-me se aceitava. Disse que sim. Não sei se me fizeram jurar algo, não me lembro.

“Estava em paz. Fui, mudei de batina. Saí e quis primeiro ir cumprimentar o cardeal Dias, que estavaa ali na sua cadeira de rodas, e depois cumprimentei os cardeais. Depois pedi ao Vigário de Roma e ao cardeal Hummes, por ser amigo, que me acompanhassem. Não estava previsto no protocolo.

“E fomos rezar à capela Paulina, enquanto o cardeal Taurán anunciava o nome. Depois saí e não sabia o que ia dizer. Bom, do resto vocês são testemunhas.

“Senti profundamente que um ministro necessita da bênção de Deus, mas também da do seu povo. Não me atrevi a dizer que o povo me abençoasse. Disse simplesmente: «Povo, rezem para que Deus, através de vós, me abençoe». Tudo me foi saindo espontaneamente. Igualmente ao rezar por Bento. Não preparei nada, saiu por si”.

 

A jornalista perguntou se gostava de estar em Santa Marta.

–  “É simplesmente porque há gente. Sozinho lá [no Palácio apostólico], não teria suportado. Não porque seja luxuoso, como alguns dizem. Não é luxuoso. O apartamento não é luxuoso. É grande. Mas essa solidão, não a teria tolerado. Vir aqui, comer na sala de jantar, onde está toda a gente, ter a Missa em que quatro dias por semana vem gente de fora, das paróquias, dá-me um poucochinho de folga espiritual. Gosto muito disto”.

Fazendo referência a comentários do Papa – por exemplo, “Bom, em dois ou três anos, regresso à casa do Pai” –, a jornalista quis saber por que dava a impressão de que tinha pressa em actuar, como se visse um pontificado breve.

–  “Eu tenho a sensação de que o meu pontificado vai ser breve. Quatro ou cinco anos. Não sei, ou dois, três. Bom, já passaram dois. É como uma sensação um pouco vaga. Sou eu que digo, se calhar, não. (…) Tenho a sensação de que o Senhor me colocou para uma coisa breve, nada mais. Mas é uma sensação”.   

A jornalista perguntou-lhe se pensava seguir o exemplo de Bento XVI.

– “Eu penso que o que fez o Papa Bento foi abrir uma porta. Há 70 anos, não existiam os Bispos eméritos. Hoje temos mil e quatrocentos. Isto é, chegou-se à ideia de que um homem depois dos 75 anos, ao redor dessa idade, não pode levar o peso de uma Igreja particular, em geral. Acho que o que fez Bento, com muita valentia, foi abrir a porta aos Papas eméritos. Bento não deve ser considerado como uma excepção, mas como uma instituição. Pode ser o único durante muito tempo, pode não ser o único. Mas é uma porta aberta institucional. Hoje o Papa emérito não é uma coisa esquisita, abriu-se a porta, pode haver.

À hipótese da jornalista de o Papa poder renunciar aos 80 anos, respondeu:

– “Eu não gosto muito disso, fixar uma idade. Porque acho que o Papado tem algo de última instância. É uma graça especial. (…) Dizer: este está até aos 80 anos, cria uma sensação de fim de pontificado, que não faria bem. Não sou da ideia de fixar uma idade, mas sou da ideia do que fez Bento. Vi-o no outro dia no Consistório. Estava feliz, contente. Respeitado por todos. Eu vou visitá-lo. Às vezes falo-lhe por telefone. Como disse, é como ter o avô sábio em casa. Pode-se-lhe pedir conselho. É leal até à morte”.

 

A jornalista fez referência à discussão levantada no Sínodo dos Bispos de 2014, em particular à hipótese de os divorciados recasados poderem comungar, e perguntou se estes não ficariam frustrados com o Sínodo de Outubro próximo.

– “Acho que há expectativas irrealistas. O Sínodo da Família, não fui eu que quis. Foi o Senhor. (…) Porque a família está em crise. (…) Há uma crise familiar dentro da família, e acho que o Senhor quer que enfrentemos isso: preparação para o matrimónio, acompanhamento dos que convivem, acompanhamento dos que se casam e levam bem a sua família, acompanhamento dos que fracassaram na família e fizeram uma nova união, preparação para o sacramento do matrimónio pois nem todos estão preparados. Quantos matrimónios que são factos sociais, são nulos! Por falta de fé. (…)

“Como integrar na vida da Igreja as famílias, isto é, as de segunda união, que às vezes são fenomenais? (…) Aí simplificam e dizem que se vai dar a Comunhão aos divorciados. Com isto não se resolve nada. O que a Igreja quer é que se integrem na vida da Igreja. (…)

“Há sete coisas que não podem fazer, segundo a legislação actual, os que estão em segunda união. Não me lembro de todas, mas uma é ser padrinhos de Baptismo. Porquê? Que testemunho vai dar ao afilhado? O testemunho de lhe dizer: «Olha, querido, eu errei na minha vida, agora estou nesta situação. Sou católico. Os princípios são estes. Faço isto e acompanho-te». Um verdadeiro testemunho. Mas vem um mafioso, um delinquente, que matou alguém, mas como está casado pela Igreja pode ser padrinho. Há estas contradições. Outra coisa: não pode dar catequese. Por que não? Se têm fé, embora estejam numa situação dita irregular, e reconhecem isto e o aceitam, e saibam o que a Igreja pensa dessas coisas, não é impedimento. Quando falamos de integrar é meter tudo isto e depois acompanhar os processos interiores”. 

 

 

ANO SANTO:

JUBILEU DA MISERICÓRDIA

 

O Papa Francisco anunciou no passado dia 13 de Março, segundo aniversário da sua eleição pontifícia, a realização do 29.º jubileu na história da Igreja Católica, um Ano Santo extraordinário centrado no tema da Misericórdia, entre 8 de Dezembro de 2015 e 20 de Novembro de 2016.

 

A abertura do próximo jubileu, o primeiro desde 2000, vai decorrer no 50.º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II e, segundo explica a Santa Sé, “adquire um significado particular, impelindo a Igreja a continuar a obra começada com o Vaticano II”.

O Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, responsável pela organização das celebrações deste jubileu, recorda que o Papa tinha afirmado no início de 2015 que se vivia “o tempo da misericórdia”.

“Com o Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco coloca no centro das atenções o Deus misericordioso que convida todos a voltar para Ele”, continua.

A nota de imprensa realça que este é um tema muito presente no actual pontificado e que, já como bispo, Jorge Mario Bergolgio tinha escolhido como lema Miserando atque eligendo, que evoca uma passagem do Evangelho segundo São Mateus: “olhou-o com misericórdia e escolheu-o”.

No primeiro Angelus após a sua eleição, há dois anos, o Papa Francisco falou da misericórdia como a palavra que “muda o mundo”.

Em Novembro de 2013, o Papa surpreendeu dezenas de milhares de pessoas reunidas no Vaticano com a sugestão de um “medicamento espiritual” para as suas vidas, distribuído numa caixa própria, a Misericordina.

O Papa Francisco propôs assim a recitação do chamado “terço da Divina Misericórdia”, uma devoção católica baseada nas visões de Santa Faustina Kowalska (1905-1938), canonizada por João Paulo II em 2000.

Na sua mensagem para a Quaresma 2015, o Papa deixou votos de que as paróquias e comunidades católicas se tornem “ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença”.

A palavra “misericórdia” aparece mais de 30 vezes na primeira exortação apostólica do pontificado, Evangelii gaudium.

 

O Jubileu da Misericórdia vai ter início com a abertura da porta santa da Basílica de São Pedro. Esta porta é aberta apenas durante o Ano Santo, permanecendo fechada no resto do tempo, e existem portas santas nas quatro basílicas papais: São Pedro, São João de Latrão, São Paulo fora de muros e Santa Maria Maior.

O rito inicial quer mostrar simbolicamente que aos fiéis é oferecido, no jubileu, um “percurso extraordinário” para a salvação.

O anúncio solene do Ano Santo vai ter lugar com a leitura e publicação da bula pontifícia, junto da porta de São Pedro, no Domingo da Divina Misericórdia (12 de Abril), uma festa instituída por São João Paulo II e celebrada no domingo a seguir à Páscoa.

 

 

PAQUISTÃO:

ATENTADO CONTRA CRISTÃOS

 

No passado domingo dia 15 de Março, o Papa Francisco condenou o duplo atentado que atingiu igrejas cristãs num bairro cristão em Lahore, a segunda cidade do Paquistão, provocando pelo menos 11 mortos e 50 feridos, e pediu o fim desta perseguição.

 

“Que esta perseguição contra os cristãos, que o mundo procura esconder, acabe e haja paz”, declarou, após a recitação da oração do Angelus, perante milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

O Papa disse ter recebido “com dor, com muita dor”, a notícia dos atentados terroristas contra duas igrejas na cidade de Lahore, “que provocaram numerosos mortos e feridos”.

“São igrejas cristãs, os cristãos são perseguidos, os nossos irmãos derramam o seu sangue apenas por serem cristãos”, denunciou.

O Papa deixou a sua oração “pelas vítimas e as suas famílias”.

“Peço ao Senhor, imploro ao Senhor, fonte de todo o bem, o dom da paz e da concórdia naquele país”, apelou.

 


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