DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

VIAGEM APOSTÓLICA AO SRI LANKA E ÀS FILIPINAS

 

 

De 13 a 15 de Janeiro passado, o Papa Francisco realizou uma Viagem apostólica ao Sri Lanka, seguindo daí para as Filipinas, onde esteve até ao dia 19 de Janeiro.

Damos a seguir o comentário que o próprio Santo Padre fez na audiência geral da quarta-feira, em 21 de Janeiro seguinte.

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 

Hoje falarei acerca da Viagem apostólica ao Sri Lanka e às Filipinas, que realizei na semana passada. Depois da visita à Coreia, há alguns meses, fui de novo à Ásia, continente de ricas tradições culturais e espirituais. A viagem foi sobretudo um encontro jubiloso com as comunidades eclesiais que, naqueles países, dão testemunho de Cristo: confirmei-as na fé e na missionariedade. Conservarei sempre no coração a recordação do caloroso acolhimento por parte das multidões – nalguns casos até oceânicas – que acompanharam os momentos marcantes da viagem. Além disso, encorajei o diálogo inter-religioso ao serviço da paz, assim como o caminho daqueles povos rumo à unidade e ao progresso social, sobretudo com o protagonismo das famílias e dos jovens.

O momento culminante da minha estadia no Sri Lanka foi a canonização do grande missionário José Vaz. Este santo sacerdote administrava os Sacramentos, muitas vezes em segredo, aos fiéis, mas ajudava indistintamente todos os necessitados, de qualquer religião e condição social. O seu exemplo de santidade e amor ao próximo continua a inspirar a Igreja no Sri Lanka no seu apostolado de caridade e de educação. Indiquei São José Vaz como modelo para todos os cristãos, chamados hoje a propor a verdade salvífica do Evangelho num contexto multirreligioso, com respeito pelos outros, com perseverança e com humildade.

O Sri Lanka é um país de grande beleza natural, cujo povo está a procurar reconstruir a unidade depois de um longo e dramático conflito civil. No meu encontro com as Autoridades governamentais, frisei a importância do diálogo, do respeito pela dignidade humana, do esforço por empenhar todos para encontrarem soluções adequadas em vista da reconciliação e do bem comum.

As diversas religiões desempenham a este propósito um papel significativo. O meu encontro com os expoentes religiosos foi uma confirmação das boas relações que já existem entre as várias comunidades. Neste contexto quis encorajar a cooperação já empreendida entre os seguidores das diferentes tradições religiosas, também com a finalidade de poder curar com o bálsamo do perdão quantos ainda estão aflitos pelos sofrimentos dos últimos anos. O tema da reconciliação caracterizou também a minha visita ao santuário de Nossa Senhora de Madhu, muito venerada pelas populações tâmil e cingalesa e meta de peregrinação de membros de outras religiões. Naquele lugar sagrado pedimos a Maria nossa Mãe que obtivesse para todo o povo cingalês o dom da unidade e da paz.

 

Do Sri Lanka parti para as Filipinas, onde a Igreja se prepara para celebrar o quinto centenário da chegada do Evangelho. É o principal país católico da Ásia, e o povo filipino é muito conhecido pela sua fé profunda, pela sua religiosidade e pelo seu entusiasmo, até na diáspora. No meu encontro com as Autoridades nacionais, assim como nos momentos de oração e durante a Missa conclusiva com uma grande afluência de pessoas, frisei a fecundidade constante do Evangelho e a sua capacidade de inspirar uma sociedade digna do homem, na qual há lugar para a dignidade de cada um e as aspirações do povo filipino.

Finalidade principal da visita e motivo pelo qual decidi ir às Filipinas – este foi o motivo principal – era poder expressar a minha proximidade aos nossos irmãos e irmãs que sofreram a devastação do furacão Yolanda. Fui a Tacloban, na região mais gravemente atingida, onde prestei homenagem à fé e à capacidade de recomeçar da população local. Infelizmente, em Tacloban as más condições climáticas causaram outra vítima inocente: a jovem voluntária Kristel, atingida e morta por uma estrutura que o vento deitou abaixo. Depois agradeci a quantos, de todas as partes do mundo, responderam às necessidades com uma generosa profusão de ajudas. O poder do amor de Deus, revelado no mistério da Cruz, tornou-se evidente no espírito de solidariedade demonstrada pelos múltiplos gestos de caridade e de sacrifício que marcaram aqueles dias escuros.

Os encontros com as famílias e com os jovens, em Manila, foram momentos marcantes da visita às Filipinas. As famílias sadias são essenciais para a vida da sociedade. Dá consolação e esperança ver tantas famílias numerosas que acolhem os filhos como um verdadeiro dom de Deus. Eles sabem que cada filho é uma bênção. Ouvi alguém dizer que as famílias com muitos filhos e o nascimento de tantas crianças são uma das causas da pobreza. Parece-me uma opinião simplista. Posso dizer, todos podemos dizer, que a causa principal da pobreza é um sistema económico que tirou a pessoa do centro e colocou aí o deus dinheiro; um sistema económico que exclui, exclui sempre: exclui as crianças, os anciãos, os jovens, os sem trabalho... e cria a cultura do descarte em que vivemos. Habituámo-nos a ver pessoas descartadas. Este é o motivo principal da pobreza, não as famílias numerosas. Evocando a figura de São José, que protegeu a vida do «Santo Niño», tão venerado naquele país, recordei que é preciso proteger as famílias, que enfrentam diversas ameaças, para que possam testemunhar a beleza da família no projecto de Deus. É preciso também defender as famílias das novas colonizações ideológicas, que atentam contra a sua identidade e a sua missão.

E foi para mim uma alegria estar com os jovens das Filipinas, para escutar as suas esperanças e as suas preocupações. Quis oferecer a eles o meu encorajamento pelos esforços para contribuir para a renovação da sociedade, sobretudo através do serviço aos pobres e a protecção do ambiente natural.

O cuidado dos pobres é um elemento essencial da nossa vida e testemunho cristão – mencionei isto também na visita; comporta a rejeição de qualquer forma de corrupção, porque a corrupção rouba aos pobres e requer uma cultura de honestidade.

Agradeço ao Senhor por esta visita pastoral ao Sri Lanka e às Filipinas. Peço-lhe que abençoe sempre estes dois países e que confirme a fidelidade dos cristãos à mensagem evangélica da nossa redenção, reconciliação e comunhão com Cristo.

 


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