Ascensão do Senhor

DIa MUndial Das comunicações sociais

17 de Maio de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Recebereis a força do Espírito Santo, Az. Oliveira, NRMS 85

cf. Actos 1, 11

Antífona de entrada: Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Como vistes Jesus subir ao céu, assim há-de vir na sua glória. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja celebra hoje a solenidade da Ascensão do Senhor e, como parte dela, o 49.º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Mais do que uma partida que exige preparação e nos enche de saudade, a Ascensão fala-nos da presença amiga, mas invisível aos olhos humanos, do nosso Salvador.

Ir e permanecer junto dos que amamos, impossível para o comum dos mortais, é a grande promessa que Jesus nos faz.

Transportemo-nos em espírito ao Monte das Oliveiras de onde, há quase dois mil anos, Jesus Cristo Ressuscitado subiu gloriosamente ao Céu.

 

Acto penitencial

 

(Em vez do Acto penitencial, a Liturgia prevê que se faça a aspersão da Assembleia, especialmente no Tempo Pascal).

 

O Senhor convida-nos hoje a um pertinente exame de consciência sobre o uso que fazemos dos Meio de Comunicação Social e ainda sobre a presença amiga que fomentamos junto das outras pessoas.

Com um desejo ardente de recomeçarmos uma vez mais, recolhamo-nos diante do Senhor, e peçamos luz e arrependimento para os nossos erros.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Vivemos de olhos voltados exclusivamente para a terra

    e encontramos, como fruto, uma profunda desilusão.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Esquecemos que o Senhor está habitualmente connosco,

    e sentimo-nos, depois, oprimidos por uma grande solidão.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Vivemos distraídos e afastados da presença do Senhor,

    e fechamos os olhos às dificuldades dos nossos irmãos.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial acção de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. Lucas descreve com todo o pormenor, na primeira página dos Actos dos Apóstolos, o que se passou à volta do momento da Ascensão do Senhor.

Jesus entrou na vida definitiva e entrega-nos a condução do mundo pelos caminhos de Deus.

 

Actos 1, 1-11

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio 2até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. 3Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. 4Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. 5Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». 6Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» 7Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; 8mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». 9Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. 10E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, 11que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

Lucas começa o livro de Actos com a referência ao mesmo facto com que tinha terminado o seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel de charneira, pois assinala tanto a ligação como a distinção entre a história de Jesus que se realiza aqui na terra (o Evangelho) e a história da Igreja que então tem o seu início (Actos).

3 «Aparecendo-lhes durante 40 dias». Esta precisão do historiador Lucas permite-nos esclarecer algo que no seu Evangelho não tinha ficado claro quanto ao dia da Ascensão, pois o leitor poderia ter ficado a pensar que se tinha dado no dia da Ressurreição. A verdade é que a Ascensão faz parte da glorificação e exaltação de Jesus; por isso S. João parece pretender uni-la à Ressurreição, nas palavras de Jesus a Madalena (Jo 20, 17), podendo falar-se duma ascensão invisível na Páscoa de Jesus, sem que em nada se diminua o valor do facto sucedido 40 dias depois e aqui relatado: a Ascensão visível de Jesus, que marca um fim das manifestações visíveis aos discípulos, «testemunhas da Ressurreição estabelecidas por Deus»; ela engloba também uma certa glorificação acidental do Senhor ressuscitado, «pela dignidade do lugar a que ascendia», como diz S. Tomás de Aquino (Sum. Theol., III, q. 57, a. 1). Há numerosas referências à Ascensão no Novo Testamento: Jo 6, 62; 20, 17; 1 Tim 3, 26; 1 Pe 3, 22; Ef 4, 9-10; Hbr 9, 24; etc.. Mas a Ascensão tem, além disso, um valor existencial excepcional, pois nos atinge hoje em cheio: Cristo, ao colocar à direita da glória do Pai a nossa frágil natureza humana unida à Sua Divindade (Cânon Romano da Missa de hoje), enche-nos de esperança em que também nós havemos de chegar ao Céu e diz-nos que é lá a nossa morada, onde, desde já, devem estar os nossos corações, pois ali está a nossa Cabeça, Cristo.

4 «A Promessa do Pai, da qual Me ouvistes falar». Na despedida da Última Ceia, Jesus não se cansou de falar aos discípulos do Espírito Santo: Jo 14, 16-17.26; 16, 7-15.

5 «Baptizados no Espírito Santo», isto é, inundados de enorme força e luz do Espírito Santo, cheio dos seus dons, dez dias depois (cf. Act 2, 1-4).

8 «Minhas Testemunha em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra». Estas Palavras do Senhor são apresentadas por S. Lucas para servirem de resumo temático e estruturante do seu livro; o que nos vai contar ilustrará como a fé cristã se vai desenvolver progressivamente seguindo estas 3 etapas geográficas: Jerusalém (Act 2 – 7); Judeia e Samaria (8 – 12); até aos confins da Terra (13 – 28).

 

Salmo Responsorial    Sl 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R. 6)

 

Monição: O Salmo que a liturgia nos convida a entoar é um cântico de louvor em honra de Cristo vitorioso sobre a morte e o pecado.

Escrito alguns séculos antes da vinda de Cristo, este salmo é uma visão profética do mistério da Ascensão do Senhor. Façamos dele a oração de louvor pela leitura da Palavra de Deus que acabamos de escutar.

 

Refrão:        Por entre aclamações e ao som da trombeta,

                     ergue-Se Deus, o Senhor.

 

Ou:               Ergue-Se Deus, o Senhor,

                     em júbilo e ao som da trombeta.

 

Ou:               Aleluia

 

Povos todos, batei palmas,

aclamai a Deus com brados de alegria,

porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,

o Rei soberano de toda a terra.

 

Deus subiu entre aclamações,

o Senhor subiu ao som da trombeta.

Cantai hinos a Deus, cantai,

cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

 

Deus é Rei do universo:

cantai os hinos mais belos.

Deus reina sobre os povos,

Deus está sentado no seu trono sagrado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Num cântico emocionado de esperança. S. Paulo canta, na epístola aos cristãos de Éfeso, a grandeza da vocação cristã.

E uma aventura de amor à qual Deus nos desafia, começada na terra e continuada para sempre no Céu, com Jesus Cristo glorioso.

 

Efésios 1, 17-23

Irmãos: 17O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente 18e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos 19e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força 20que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, 21acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. 22Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

 

Neste texto temos um dos principais temas da epístola: a Igreja como Corpo (místico) de Cristo. A Igreja é a plenitude de Cristo, «o Cristo total» (S. Agostinho). A Igreja recebe da sua Cabeça, Cristo, não só a chefia, mas o influxo vital, a graça; vive a vida de Cristo. Jesus sobe ao Céu, mas fica presente no mundo, na sua Igreja.

17 «O Deus de N. S. J. Cristo». «O Pai é para o Filho fonte da natureza divina e o criador da sua natureza humana: assim Ele é, com toda a verdade, o Deus de N. S. J. C.» (Médebielle). «O Pai da glória», isto é, o Pai a quem pertence toda a glória, toda a honra intrínseca à sua soberana majestade. «Um espírito», o mesmo que um dom espiritual. Não se trata do próprio Espírito Santo; dado que não tem artigo em grego, trata-se pois de uma graça sua.

20-23 Temos aqui a referência a um tema central já tratado em Colossenses: a supremacia absoluta de Cristo, tendo em conta a sua SS. Humanidade, uma vez que pela divindade é igual ao Pai. A sua supremacia coloca-O «acima de todo o nome», isto é, acima de todo e qualquer ser, qualquer que seja a sua natureza e qualquer mundo a que pertença. Mas agora a atenção centra-se num domínio particular de Cristo, a saber, na sua Igreja, da qual Ele é não apenas o Senhor, mas a Cabeça. A Igreja é o «Corpo de Cristo»; ela é o plêrôma de Cristo (v. 23), isto é, o seu complemento ou plenitude: a igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. (Alguns autores preferem entender o termo plêrôma no sentido passivo: a Igreja seria plenitude de Cristo, enquanto reservatório das suas graças e merecimentos que ela faz chegar aos homens).

23 «Aquele que preenche tudo em todos». A acção de Cristo é sem limites, especialmente na ordem salvífica; a todos faz chegar a sua graça, sem a qual ninguém se pode salvar. No entanto, é mais corrente preferir, com a Vulgata, outro sentido a que se presta o original grego: a Igreja é a plenitude daquele que se vai completando inteiramente em todos os seus membros. Assim, a Igreja completa a Cristo, e Cristo é completado pelos seus membros (é uma questão de entender como passivo, e não médio, o particípio grego plêrouménou, de acordo com o que acontece em outros 87 casos do N. T.).

 

Pode utilizar-se outra, como 2ª leitura:

 

Hebreus 9, 24-28; 10, 19-23

24Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. 25E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no santuário, com sangue alheio; 26nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. 27E como está determinado que os homens morram uma só vez – e a seguir haja o julgamento –, 28assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem aparência de pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam. 19Tendo nós plena confiança de entrar no santuário por meio do sangue de Jesus, 20por este caminho novo e vivo que Ele nos inaugurou através do véu, isto é, o caminho da sua carne, 21e tendo tão grande sacerdote à frente da casa de Deus, 22aproximemo-nos de coração sincero, na plenitude da fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado na água pura. 23Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel.

 

A leitura é respigada do final da primeira parte de Hebreus, em que o autor sagrado expõe a superioridade do sacrifício de Cristo sobre todos os sacrifícios da Lei antiga (8, 1 – 10, 18). Aqui Jesus é apresentado como o novo Sumo Sacerdote da Nova Aliança, em contraste com o da Antiga, que precisava de entrar cada ano – «com sangue alheio» –, no dia da expiação (o Yom Kippur: cf. Ex 16) «num santuário feito por mãos humanas», ao passo que Jesus entra «no próprio Céu» (v. 24), não precisando de o fazer cada ano – «muitas vezes» (v. 25-26) –, pois, «uma só vez» bastou «para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo» (v. 26), por meio do seu próprio sangue. Como habitualmente, o autor, aproveitando a exposição doutrinal para fazer ricas exortações práticas; apela, um pouco mais adiante (10, 19-23), para a virtude da «esperança», uma esperança de que também nós podemos chegar ao Céu, apoiados na certeza das promessas de Cristo. A «água pura» do v. 22 é certamente a do Baptismo (cf. 1 Pe 3, 21), que não pode ser encarado à margem da e da pureza da consciência. Notar como a SS. Humanidade de Jesus – «o caminho da sua carne» (v. 20) – é focada como o «véu» do Templo, o que bem pode evocar a nuvem da Ascensão, que ao mesmo tempo esconde e revela a presença invisível de Cristo ressuscitado.

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 28, l9a.20b

 

Monição: Jesus Cristo, antes de subir gloriosamente aos Céus, entrega-nos um testamento que devemos cumprir. Somos enviados a evangelizar todos os povos, conduzindo-os à salvação.

Alegremo-nos e manifestemos a nossa disponibilidade para fazer a vontade do nosso Mestre, aclamando o Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 28, 16–20

Naquele tempo, 16os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. 17Quando O viram, adoraram–n'O; mas alguns ainda duvidaram. 18Jesus aproximou–Se e disse–lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. 19Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

O texto da leitura são os versículos finais de S. Mateus, o único evangelista que não fala das aparições do Ressuscitado em Jerusalém, excepto às mulheres (os vv. 9-10 serão uma generalização da aparição a Maria Madalena? Cf. Jo 20, 11-18). Ele apenas regista esta única aparição aos discípulos, na Galileia (há quem goste de a identificar com a de 1 Cor 15, 6, «a mais de 500 irmãos»). O nosso evangelista também não refere a Ascensão de Jesus, um mistério de glorificação, de algum modo já incluído na sua Ressurreição. Agora as palavras de Jesus revestem-se duma solenidade singular, própria de quem tem consciência de ser o Senhor e o Salvador universal, evocando a célebre visão de Daniel 7, 14: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.» (v. 18). Benedict Viviano observa que «este breve final é tão rico que seria difícil dizer mais e melhor com o mesmo número de palavras» (The new Jerome Biblical Commentary, p. 674).

19 «Ide e ensinai todas as nações». É o mandato missionário universal, bem em contraste com a orientação para o tempo da vida terrena de Jesus (cf. Mt 10, 6; 15, 24). Uma tradução mais de acordo com o original grego – e bem mais expressiva – não é simplesmente «ensinai todos os povos», mas «fazei discípulos todos os povos». A evangelização é para se estender a todas as raças e culturas, em todos os tempos, sem distinção, como lembra a recente nota doutrinal da Santa Sé sobre alguns aspectos da evangelização (03.12.2007): Os relativismos e irenismos de hoje em âmbito religioso não são um motivo válido para descurar este trabalhoso, mas um fascinante compromisso, que pertence à própria natureza da Igreja e é sua tarefa primária. Oferecer a uma pessoa, com pleno respeito da sua liberdade, a possibilidade de que conheça e ame a Cristo, não é uma intromissão indevida, mas uma oferta legítima e um serviço que pode tornar mais fecundas as relações entre os homens. A incorporação de novos membros à Igreja não é a extensão de um grupo de poder, mas o ingresso na rede da amizade com Cristo. Ao direito que todos têm de ouvir a Boa Nova, corresponde o dever de a anunciar, um dever que não se restringe à hierarquia, mas é de todos os baptizados.

«Baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Este é um texto de suma importância para a Teologia trinitária, pois a unidade divina está posta em relevo pelo singular, «em nome», a par da trindade das pessoas. Por outro lado, o original grego com a preposição dinâmica «eis» deixa ver um certo sentido de consagração própria do Sacramento do Baptismo; com efeito, baptizar é mergulhar para dentro (eis) de Deus (=o Nome), que é Pai, Filho e Espírito Santo (as hipóstases divinas expressas por um genitivo epexegético, que explica quem é Deus); com efeito, pelo Baptismo somos introduzidos na vida trinitária.

20 «Estou sempre convosco…» Jesus é o Deus connosco (Imánu-El). Esta expressão aparece com uma força especial ao constituir uma espécie de inclusão que encerra todo o Evangelho de S. Mateus (Mt 1, 23 – 28, 20). A presença de Jesus na Igreja (cf. Mt 18, 20) não se perde com a Ascensão, mas torna-se mais abrangente. Santo Agostinho observa: «Ele não deixou o Céu quando desceu de lá até nós, nem se afastou de nós quando voltou a subir ao Céu».

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus subiu glorioso aos Céus

Começou por fazer e ensinar

Confirmou-nos na fé da Ressurreição

Entrega-nos agora ao Espírito Santo

• E confiou-nos uma missão

Somos testemunhas de Jesus Cristo

Convida-nos ao silêncio

Meditando na esperança que nos anima

 

1. Jesus subiu glorioso aos Céus

a) Começou por fazer e ensinar. «No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu

Com divina pedagogia, Jesus prepara a fundação da Sua Igreja, instrumento universal de salvação.

• Durante os trinta anos de vida oculta em Nazaré, inteiramente entregue ao trabalho profissional, ensina-nos o valor da vida corrente – caminho de santidade para a esmagadora maioria das pessoas.

• Nos três anos de vida pública difundiu a luz da Revelação e sensibilizou as pessoas do Seu tempo para a Sua passagem por meio de muitos milagres. Ensinou-nos que é Deus vindo ao mundo para nos salvar.

Culminando com a Sua Paixão e Morte esta fase da vida, demonstrou-nos o Seu amor infinito por nós.

• Agora, uma vez ressuscitado, torna forte a nossa fé na Sua Ressurreição e a confiança n’Ele. Se Cristo não ressuscitasse, que sentido teria a nossa vida?

Este é o drama de todos os que não esperam mais nada para além desta vida. Depois de terem corrido atrás de banalidades, construindo o próprio trono, partem da terra desiludidos.

Jesus Cristo é o “Deus connosco”, o Emanuel. Começou a sê-lo pelo mistério da Incarnação.

Apareceu fisicamente no meio de nós, com um corpo como o nosso, submetido às mesmas leis físicas que Ele instituiu para nós. Aceitou as suas limitações.

Preparou, depois, os Doze e todos os discípulos para a Sua presença invisível na terra, acompanhada da certeza de que Ele está vivo e glorioso e nunca mais morrerá. Podemos contar com Ele.

 

b) Confirmou-nos na fé da Ressurreição. «Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus

Submeteu-se ao capricho e teimosia dos Apóstolos que sentiam muita dificuldade em acreditar na Sua Ressurreição.

Mas esta verdade é fundamental para o nosso caminho de filhos de Deus na Igreja. Nós não seguimos umas ideias louváveis, mas uma Pessoa viva, por Quem nos enamoramos a Quem chamamos Jesus Cristo.

Jesus ressuscitado continua a ser Alguém com Quem nos podemos encontrar, dialogar com Ele, pedir a Sua ajuda e estabelecer amizade crescente que há-de durar para sempre.

Pela instituição a Santíssima Eucaristia, na noite de Quinta-feira Santa, garantiu a Sua presença amiga e acolhedora e sempre disponível em todos os lugares da terra.

Foi esta certeza e esta divina companhia que deu força aos apóstolos e mártires de todos os tempos. Eles não procuravam vender um produto qualquer, arranjar modos de arrecadar dinheiro ou ganhar fama, mas apenas dar a conhecer um Amigo indispensável para a nossa vida.

Como consequência da Ressurreição de Jesus aparece também toda a exigência moral. Ela é uma consequência da nossa amizade com Cristo.

Por isso, a primeira preocupação dos Doze era proclamar a fé na Ressurreição do Mestre. Sobre este alicerce é construída a Igreja.

 

c) Entrega-nos agora ao Espírito Santo. «Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai. [...]. “Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias”».

Neste caminho para a interiorização da verdade revelada, entregou-nos à acção do Espírito Santo. «Nele vivemos, nos movemos e existimos.» (Actos 17, 28).

Dóceis à recomendação de Jesus, Maria e as santas mulheres, os Apóstolos e alguns discípulos recolheram-se no Cenáculo rezando e meditando, até que Ele veio com toda a solenidade na manhã do Pentecostes.

Só depois se entregam corajosamente à conquista do mundo para Jesus Cristo.

Receberemos a ajuda imprescindível do Espírito Santo na medida em que procurarmos cultivar o silêncio, para ouvir o Senhor.

Para que a terceira Pessoa da Santíssima Trindade nos possa ajudar, devemos colaborar da nossa parte:

• Vivendo sempre na graça de Deus. Sem esta disposição fundamental, a nossa vida cristã não tem sentido.

• Usando os meios humanos para conhecer a Doutrina de Jesus Cristo. A isto nos podem a ajudar os Meios de Comunicação Social: a Bíblia, os bons livros, as transmissões da Rádio e da TV, etc.

2. E confiou-nos uma missão

a) Somos testemunhas de Jesus Cristo. «recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra».

Durante três anos, o divino Mestre evangelizou todas as pessoas que encontrou nas Sua andanças pela Terra Santa. A partir da Sua Ascensão, a evangelização continua, agora com o nosso rosto, mas com o Espírito de Cristo.

Por isso nos proclama Suas testemunhas da Boa Nova da Salvação. Deus enamorou-Se de nós e deseja partilhar connosco a Sua felicidade.

A testemunha garante uma verdade porque esteve presente quando ela aconteceu e viveu-a na sua experiência terrena. S. Pedro há-de declarar: “nós vimos!” Nós estivemos presentes!”

E S. João: “Aquele que os nossos olhos viram e as nossas mãos tocaram”.

A testemunha faz uma afirmação especialmente rica, porque ela mesma experimentou e agora procura viver aquilo que anuncia.

Mais do que professores, Jesus quer testemunhas da sua vida e doutrina, pessoas que não só a proclamem, mas garantam com a sua vida que vale a pena segui-la. Por isso, Paulo VI diz que vale mais uma só testemunha do que muitos doutores. (cf, EA Evangeli nuntiandi).

O Senhor quer que sejamos Suas testemunhas, isto é, que façamos um esforço sincero para praticar aquilo mesmo que anunciamos.

• Testemunhas da Sua doutrina. Anunciamos a verdade que Jesus Cristo nos entregou e guiamos por ela a nossa vida. O apóstolo é, antes do mais, uma pessoa que resplandece a sua fé.

• Testemunhas do Seu Amor por nós. Acreditamos no Seu amor e, por isso, confiamos nas Suas promessas e por elas jogamos toda a nossa vida.

 

b) Convida-nos ao silêncio. «E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu?”»

Em silêncio ficaram os Apóstolos, a olhar para o Céu e procurando encontrar o significado deste acontecimento. Para O encontrarmos e continuarmos o diálogo com Ele, temos necessidade de fazer silêncio. Assim fez o pequeno Samuel: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta!»

O ruído esvazia-nos e esteriliza a mente e o coração e aliena-nos. O silêncio leva-nos a clamar, como Saulo às portas de Damasco: «Senhor, que quereis que eu faça?»

O silêncio regenera-nos, porque nos faz encontrar com Ele e connosco mesmos.

«O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório.» (Bento XVI, Mensagem de 2012).

 

c) Meditando na esperança que nos anima. «Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus

Os dois anjos que se dirigiram aos Apóstolos no Monte das Oliveiras, quando eles estavam a olhar para o Céu, talvez à espera de que Jesus se arrependesse e voltasse para trás, parecem querer dizer-lhes: Este Jesus quer agora actuar no mundo por meio de vós. Só no fim virá julgar o nosso trabalho.

Deus actua no mundo por meio de nós e confirma a nossa acção. Quer sorrir com o nosso rosto, falar pela nossa boca, acarinhar com as nossas mãos.

Seguir Cristo ressuscitado não é apenas esforçar-se por levar uma vida limpa, digna, mas ainda ser um incendiário de Amor na terra.

A marcar o ritmo da nossa vida, Ele encontra-se connosco todas as semanas, numa celebração a que ele mesmo preside. Dirige-nos a Palavra e dá-nos o Seu Corpo e Sangue como Alimento.

Envia-nos, depois, ao encontro dos outros homens, para lhes dizer que Jesus Cristo ressuscitou e vive, e ama-nos infinitamente. As nossas acções serão a demonstração visível do Seu Amor.

Maria anima a nossa esperança, orando connosco, como fez no Cenáculo depois da Ascensão.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

PARA O XLIX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Comunicar a família:

ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor

[17 de Maio de 2015]

O tema da família encontra-se no centro duma profunda reflexão eclesial e dum processo sinodal que prevê dois Sínodos, um extraordinário – acabado de celebrar – e outro ordinário, convocado para o próximo mês de Outubro. Neste contexto, considerei  oportuno que o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais tivesse como ponto de referência a família. Aliás, a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista.

Podemos deixar-nos inspirar pelo ícone evangélico da visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-56). «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”» (vv. 41-42).

Este episódio mostra-nos, antes de mais nada, a comunicação como um diálogo que tece com a linguagem do corpo. Com efeito, a primeira resposta à saudação de Maria é dada pelo menino, que salta de alegria no ventre de Isabel. Exultar pela alegria do encontro é, em certo sentido, o arquétipo e o símbolo de qualquer outra comunicação, que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo. O ventre que nos abriga é a primeira «escola» de comunicação, feita de escuta e contacto corporal, onde começamos a familiarizar-nos com o mundo exterior num ambiente protegido e ao som tranquilizador do pulsar do coração da mãe. Este encontro entre dois seres simultaneamente tão íntimos e ainda tão alheios um ao outro, um encontro cheio de promessas, é a nossa primeira experiência de comunicação. E é uma experiência que nos irmana a todos, pois cada um de nós nasceu de uma mãe.

Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num «ventre», que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é «o espaço onde se aprende a conviver na diferença» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66). Diferenças de géneros e de gerações, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um vínculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas relações, tanto mais diversas são as idades e mais rico é o nosso ambiente de vida. O vínculo está na base da palavra, e esta, por sua vez, revigora o vínculo. Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las, porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na «língua materna», ou seja, a língua dos nossos antepassados (cf. 2 Mac 7, 21.27). Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar, porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, mais em geral, é o paradigma de toda a comunicação.

A experiência do vínculo que nos «precede» faz com que a família seja também o contexto onde se transmite aquela forma fundamental de comunicação que é a oração. Muitas vezes, ao adormecerem os filhos recém-nascidos, a mãe e o pai entregam-nos a Deus, para que vele por eles; e, quando se tornam um pouco maiores, põem-se a recitar juntamente com eles orações simples, recordando carinhosamente outras pessoas: os avós, outros parentes, os doentes e atribulados, todos aqueles que mais precisam da ajuda de Deus. Assim a maioria de nós aprendeu, em família, a dimensão religiosa da comunicação, que, no cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros.

Na família, é sobretudo a capacidade de se abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e todavia são tão importantes uma para a outra… é sobretudo esta capacidade que nos faz compreender o que é verdadeiramente a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade. Reduzir as distâncias, saindo mutuamente ao encontro e acolhendo-se, é motivo de gratidão e alegria: da saudação de Maria e do saltar de alegria do menino deriva a bênção de Isabel, seguindo-se-lhe o belíssimo cântico do Magnificat, no qual Maria louva o amoroso desígnio que Deus tem sobre Ela e o seu povo. De um «sim» pronunciado com fé, derivam consequências que se estendem muito para além de nós mesmos e se expandem no mundo. «Visitar» supõe abrir as portas, não encerrar-se no próprio apartamento, sair, ir ter com o outro. A própria família é viva, se respira abrindo-se para além de si mesma; e as famílias que assim procedem, podem comunicar a sua mensagem de vida e comunhão, podem dar conforto e esperança às famílias mais feridas, e fazer crescer a própria Igreja, que é uma família de famílias.

Mais do que em qualquer outro lugar, é na família que, vivendo juntos no dia-a-dia, se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência e do pôr-se de acordo. Não existe a família perfeita, mas não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; preciso é aprender a enfrentá-los de forma construtiva. Por isso, a família onde as pessoas, apesar das próprias limitações e pecados, se amam, torna-se uma escola de perdão. O perdão é uma dinâmica de comunicação: uma comunicação que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, é possível reatá-la e fazê-la crescer. Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade.

Muito têm para nos ensinar, a propósito de limitações e comunicação, as famílias com filhos marcados por uma ou mais deficiências. A deficiência motora, sensorial ou intelectual sempre constitui uma tentação a fechar-se; mas pode tornar-se, graças ao amor dos pais, dos irmãos e doutras pessoas amigas, um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo; e pode ajudar a escola, a paróquia, as associações a tornarem-se mais acolhedoras para com todos, a não excluírem ninguém.

Além disso, num mundo onde frequentemente se amaldiçoa, insulta, semeia discórdia, polui com as murmurações o nosso ambiente humano, a família pode ser uma escola de comunicação feita de bênção. E isto, mesmo nos lugares onde parecem prevalecer como inevitáveis o ódio e a violência, quando as famílias estão separadas entre si por muros de pedras ou pelos muros mais impenetráveis do preconceito e do ressentimento, quando parece haver boas razões para dizer «agora basta»; na realidade, abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem é sempre possível, para educar os filhos na fraternidade.

Os meios mais modernos de hoje, irrenunciáveis sobretudo para os mais jovens, tanto podem dificultar como ajudar a comunicação em família e entre as famílias. Podem-na dificultar, se se tornam uma forma de se subtrair à escuta, de se isolar apesar da presença física, de saturar todo o momento de silêncio e de espera, ignorando que «o silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras ricas de conteúdo» (Bento XVI, Mensagem do XLVI Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24/1/2012); e podem-na favorecer, se ajudam a narrar e compartilhar, a permanecer em contacto com os de longe, a agradecer e pedir perdão, a tornar possível sem cessar o encontro. Descobrindo diariamente este centro vital que é o encontro, este «início vivo», saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas. Também neste campo, os primeiros educadores são os pais. Mas não devem ser deixados sozinhos; a comunidade cristã é chamada a colocar-se ao seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver, no ambiente da comunicação, segundo os critérios da dignidade da pessoa humana e do bem comum.

Assim o desafio que hoje se nos apresenta, é aprender de novo a narrar, não nos limitando a produzir e consumir informação, embora esta seja a direcção para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunicação contemporânea. A informação é importante, mas não é suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrapõe as diferenças e as visões diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto.

No fim de contas, a própria família não é um objecto acerca do qual se comunicam opiniões nem um terreno onde se combatem batalhas ideológicas, mas um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma «comunidade comunicadora». Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar. Neste sentido, é possível recuperar um olhar capaz de reconhecer que a família continua a ser um grande recurso, e não apenas um problema ou uma instituição em crise. Às vezes os meios de comunicação social tendem a apresentar a família como se fosse um modelo abstracto que se há-de aceitar ou rejeitar, defender ou atacar, em vez duma realidade concreta que se há-de viver; ou como se fosse uma ideologia de alguém contra outro, em vez de ser o lugar onde todos aprendemos o que significa comunicar no amor recebido e dado. Ao contrário, narrar significa compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível.

A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.

Papa Francisco, Vaticano, 23 de Janeiro – Vigília da Festa de São Francisco de Sales – de 2015.

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Jesus Cristo prometeu-nos solenemente

que estaria para sempre junto de nós.

Com esta certeza que a fé nos dá,

apresentemos-Lhe as necessidades

de todos os que precisam da Sua ajuda.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

1. Para que a mensagem do Santo Padre para este dia

    seja acolhida  por todas as pessoas de boa vontade,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

2. Para que todos os agentes da comunicação Social

    ajudem a Igreja na difusão da Verdade e do amor,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

3. Para que os nossos cristãos saibam fazer a escolha

    dos programas que a Comunicação Social oferece,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

4. Para que o Senhor nos ensine o valor do silêncio

    que nos ajuda ao encontro com Ele na nossa vida,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

5. Para que, pelos meios de Comunicação Social

    se fortaleça a comunhão entre todas as gentes,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

6. Para que todos os comunicadores já falecidos

    sejam recompensados pelo trabalho na terra,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

Senhor que nos instruís na luz da Verdade

pelos muitos Meios de Comunicação Social:

ensinai-nos a usá-los com sábia prudência,

para nos identificarmos no Vosso Amor.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Nos quarenta dias em que apareceu glorioso aos Apóstolos, Jesus Cristo sentou-Se à mesa com eles, partilhando a refeição.

Ele mesmo vai agora preparar para nós, por meio do ministério do sacerdote, a refeição eucarística que nos vai servir.

 

Cântico do ofertório: O Pai vos enviará o Espírito Santo, F. da Silva, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, o sacrifício que Vos oferecemos ao celebrar a admirável ascensão do vosso Filho e, por esta sagrada permuta de dons, fazei que nos elevemos às realidades do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Saudação da Paz

 

Quando chegava junto dos Apóstolos, depois de ressuscitado, Jesus saudava-os dando-lhes a paz. Era como que entregar-Se a eles, porque Ele mesmo é a paz.

Imitemos o Seu gesto, entregando-nos aos nossos irmãos, especialmente aos que nos ofenderam ou foram ofendidos por nós, dando-lhes a paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Sagrada Comunhão dá-nos a maravilhosa possibilidade de recebermos o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, vivo e glorioso como estava no momento da Ascensão e agora se encontra no Céu.

Avivemos a nossa fé e procuremos comungar com as disposições que Ele estabeleceu para O podermos receber.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor enviou os seus apóstolos, F. da Silva, NRMS 66

Mt 28, 20

Antífona da comunhão: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, louvai o Senhor, F. da Silva, NRMS 85

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que durante a nossa vida sobre a terra nos fazeis saborear os mistérios divinos, despertai em nós os desejos da pátria celeste, onde já se encontra convosco, em Cristo, a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que nos caminhos da vida nos anime a consoladora certeza de que o Mestre vai connosco a caminho e nunca nos deixa desamparados.

Levemos esta mesma certeza da fé aos nossos irmãos, companheiros de caminho nesta vida.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo e proclamai, J. Santos, NRMS 59

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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