5º Domingo da Páscoa

3 de Maio de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantemos, cantemos, M. Faria, NRMS 6 (II) ou 68

Salmo 97, 1-2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste quinto Domingo do Tempo Pascal, a Igreja convida os seus filhos a permanecerem unidos a Cristo que é, antes mais, um convite a uma adesão incondicional ao Amor. É frequente que, quando falamos de Amor ao referirmo-nos a Deus, possamos não estar a olhar correctamente para o sentido e o significado dessa mesma palavra, reduzindo-a meramente aos critérios de relações humanas interpessoais.

Deste modo, hoje a Palavra de Deus convidar-nos-á a enveredar por caminhos ousados de descoberta do Amor de Deus e da forma como ele se traduz na nossa história. A descoberta e vivência do Amor de Deus na nossa vida permitem que cada cristão, na sua missão dentro da Igreja, procure fazer da experiência da Fé um lugar que ultrapassa as simpatias e, por vezes, mentalidades odientas, numa sincera busca da abertura total para aceitar o irmão.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Estamos habituados a ver S. Paulo como o grande homem da Igreja que anunciou destemidamente o Evangelho de Cristo. Hoje, a leitura que iremos escutar, revela-nos os primeiros passos dados por S. Paulo rumo à adesão a Cristo. A desconfiança, o medo e a rejeição foram atitudes de alguns cristãos que receavam o contributo dado por aquele que antes perseguira a Fé. Este é o testemunho próprio da graça de Deus que transforma quem chega e quem acolhe.

 

Actos dos Apóstolos 9, 26-31

Naqueles dias, Saulo 27chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos o temiam, por não acreditarem que fosse discípulo. 28Então, Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado, e como em Damasco tinha pregado com firmeza em nome de Jesus. 29A partir desse dia, Saulo ficou com eles em Jerusalém e falava com firmeza no nome do Senhor. Conversava e discutia também com os helenistas, mas estes procuravam dar-lhe a morte. 30Ao saberem disto, os irmãos levaram-no para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso. 31Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e vivendo no temor do Senhor e ia crescendo com a assistência do Espírito Santo.

 

A leitura relata a primeira visita do cristão Saulo a Jerusalém, após a fuga de Damasco, onde a sua vida corria perigo. Há uma correspondência perfeita com os dados que o próprio S. Paulo fornece no início da sua Carta aos Gálatas (Gal 1, 19-19). Também a vida do convertido, que não se calava, não estava segura em Jerusalém (v. 30).

27 «Barnabé». Era levita e cipriota; o seu nome de origem aramaica, «bar-nahmá», podia significar «filho da consolação», isto é, o amigo de consolar (também se pode entender como «filho da profecia», isto é, profeta). Foi ele que apresentou Saulo aos Apóstolos, concretamente a Pedro (cf. Gal 1, 18) acabando-se assim com o receio de que ele fosse um falso irmão, um espião. Havia de ser o mesmo Barnabé que, passados bastantes anos, após a retirada de Saulo para a sua terra natal, Tarso na Cilícia, o vai buscar para o trabalho apostólico em Antioquia da Síria (Act 11, 22-26), grande centro helenista, onde os cristãos tomam este nome e a fé se expande extraordinariamente. Daqui sairá Paulo e Barnabé para a primeira grande viagem missionária

29 «Helenistas». Judeus provenientes da diáspora, isto é, emigrantes de passagem para Jerusalém ou mesmo já retornados que falavam grego e nesta mesma língua liam a Bíblia, em sinagogas próprias.

 

Salmo Responsorial    Salmo 21 (22), 26b-27.28.30.31-32

 

Monição: A experiência de São Paulo traduz a experiência de quem está bem longe de Deus. A conversão do coração leva-o a prostrar a vida diante de Deus e permanecer o resto da sua vida em adoração permanente ao Senhor. Essa mesma experiência reflecte o salmo que iremos rezar.

 

Refrão:        Eu Vos louvo, Senhor, na assembleia dos justos.

 

Ou:               Eu Vos louvo, Senhor, no meio da multidão.

 

Cumprirei a minha promessa na presença dos vossos fiéis.

Os pobres hão-de comer e serão saciados,

louvarão o Senhor os que O procuram:

vivam para sempre os seus corações.

 

Hão-de lembrar-se do Senhor e converter-se a Ele

todos os confins da terra;

e diante d’Ele virão prostrar-se

todas as famílias das nações

 

Só a Ele hão-de adorar

todos os grandes do mundo,

diante d’Ele se hão-de prostrar

todos os que descem ao pó da terra.

 

Para Ele viverá a minha alma,

há-de servi-l’O a minha descendência.

Falar-se-á do Senhor às gerações vindouras

e a sua justiça será revelada ao povo que há-de vir: «Eis o que fez o Senhor».

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo São João é a testemunha que, com a mais firme proximidade, pôde testemunhar o acontecimento da Paixão de Jesus. O acontecimento salvífico lido à luz do Amor de Deus revelado no abandono da Cruz leva o apóstolo a sublinhar aquilo que deverá ser o paradigma do cristão: permanecer em Cristo.

 

1 São João 3, 18-24

Meus filhos, 18não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. 19Deste modo saberemos que somos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante de Deus; porque, se o nosso coração nos acusar, 20Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. 21Caríssimos, se o coração não nos acusa, tenhamos confiança diante de Deus 22e receberemos d’Ele tudo o que Lhe pedirmos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável. 23É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. 24Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu.

 

19-20 A ideia central é a de uma absoluta confiança em Deus, consequência da nossa filiação divina de que falava o texto do passado Domingo (1 Jo 3, 1-3). É assim que, embora a consciência nos possa acusar de pecado, o cristão nunca tem motivo para deixar abalar a sua confiança em Deus, pois o amor de Deus é maior, isto é, supera toda a miséria humana; e, mesmo que não tivéssemos consciência de ter pecado, Ele, que «conhece todas as coisas», não deixaria de nos perdoar, pois despacha favoravelmente «tudo o que Lhe pedirmos» (v. 22; cf Jo 16, 26-27); e «a pedra de toque da aceitação da parte de Deus é a boa vontade para «fazer o que Lhe é agradável» (cf. Jo 8, 29)» (Ph. Perkins).

23 «Este é o seu mandamento: acreditar… em Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros». A expressão aparece aqui como uma fórmula joanina correspondente ao amar a Deus e ao próximo nos Sinópticos (cf. Mc 12, 28-31 par). Há mesmo quem veja nesta fórmula uma síntese da essência do cristianismo, a saber, a fé em Jesus Cristo e o amor fraterno; também podemos ver outra síntese que define o cristianismo como amor, em 1 Jo 4, 21: «Quem ama a Deus, ame também o seu irmão». O Papa Bento XVI desenvolve este tema que escolheu para a sua primeira encíclica.

24 «Permanece em Deus e Deus nele». A imanência mútua é uma noção típica joanina, que aparece muitas vezes para indicar, mais que uma adesão firme de alma e coração, uma íntima comunhão, uma união vital; daí o aparecer por vezes em contextos eucarísticos (Jo 6, 56; cf. 15,4.5.6.7.9.10). Permanecer é uma das palavras-chave tanto no IV Evangelho (cf. Evangelho de hoje: Jo 15, 1-8), como nesta Carta (cf. 1 Jo 2, 6.10.14.24.28; 3, 6.17.24; 4, 12.13.15.16. Mais ainda, se temos em conta o lugar paralelo do Evangelho de hoje: «Permanecei em Mim e Eu… em vós» (Jo 15, 3), pode-se pensar numa actualização destas palavras de Jesus feita na Carta (certamente posterior, por aparecer mais elaborada), constituindo assim o que penso poder classificar-se como um «deraxe cristológico intraneotestamentário», isto é, uma actualização (dentro do N. T.) alusiva à divindade de Cristo, ao actualizar as palavras de Cristo apontando-o como Deus. A permanência no amor implica uma observância dos mandamentos (cf. tb. 1 Jo 2, 3-8; 5, 2-3; Jo 15, 9-17; 13, 34; 14, 15.21). «E sabemos… pelo Espírito…»: O Espírito Santo também aparece como garantia nos Escritos Paulinos (cf. Rom 8, 14; 2 Cor 1, 22); como nota Muñoz-León, «o dom do Espírito é sinal da Comunhão divina».

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 15, 4a.5b

 

Monição: Através de uma linguagem muito simples e simbólica, Jesus apresenta a dinâmica da Igreja. A vida da Igreja e, consequentemente, a vida dos crentes não se pode pautar por uma vida de auto-suficiência ou de sentido humano de pertença à Igreja. Assim sendo, há uma cumplicidade e um vínculo que leva a um esforço zeloso por manter íntima a relação de cada um de nós com Aquele que é a Cabeça e o princípio da própria Igreja, Jesus Cristo Nosso Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Diz o Senhor: «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós;

quem permanece em Mim dá muito fruto».

 

 

Evangelho

 

São João 15, 1-8

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. 2Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. 3Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. 4Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. 5Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. 6Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. 7Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. 8A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

 

O pano de fundo para esta solene afirmação de Jesus – Eu sou a videira autêntica! – bem poderia ser a representação de uma videira de ouro com ramos e cachos, que, segundo conta Flávio Josefo, estava representada sobre a porta principal do Templo.

1-8 A imagem bíblica da «videira» designava o povo escolhido e tantas vezes infiel (cf. Os 10, 1; Is 5, 1-7; Jer 2, 21; Ez 15, 1-8; 19, 10-14; Salm 80, 9-17). Jesus inaugura um novo povo de Deus, por isso diz que Ele é «a verdadeira» (no sentido de autêntica, em grego, alêthinê) «videira» (cf. Sir 24, 17-21), que com os seus discípulos forma uma unidade vital e não uma simples comunidade, como a de Israel, pois nela se vive a própria vida de Cristo (cf. Ef 4, 16; 1 Cor 12, 27; Gal 2, 20), em ordem a dar «fruto» para a vida eterna. Esta íntima comunhão exprime-se com o insistente apelo «permanecei em Mim» (vv. 4.5.6.7). Pode-se mesmo vislumbrar uma alusão à Eucaristia (cf. Jo 6, 56); o melhor fruto desta videira seria o vinho eucarístico, que prefigura e antecipa o do banquete escatológico do Reino de Deus (cf. Mc 14, 15; 1 Cor 11, 26). Mas uma tão profunda união pressupõe a purificação, a «poda» (cf. v. 2: o verbo grego katháirei tanto significa podar como purificar). O termo traduzido por vide, ou videira, tanto designa a árvore toda (v. 1), como a cepa ou o tronco (vv. 4-5). Permanecer em Cristo aparece com toda a radicalidade evangélica, como um questão de vida ou morte: «sem Mim, nada podeis fazer» (v. 5); caso contrário, é-se ramo seco, que não pode dar fruto (v. 4); só serve para ser cortado, ser laçado fora, ser lançado ao fogo (v. 6).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     PROCURAVA JUNTAR-SE AOS DISCÍPULOS

Diante do acontecimento da Páscoa do Senhor, sobretudo no que respeita à Ressurreição de Cristo, houve, desde os primeiros tempos, a experiência da perseguição e a experiência do fascínio. Cristo foi e continua a ser elemento de contradição, que leva uns a experiências macabras e outros a experiências de grande santidade. São Paulo foi um dos homens que passou de perseguidor a perseguido. Aquele a quem perseguia na pessoa dos discípulos passou a ser o único motivo da credibilidade da sua fé. Por isso, a descoberta de Jesus leva-o a procurar aqueles que eram os seus seguidores. Com curiosidade, na leitura dos Actos dos Apóstolos, compreendemos a dificuldade dos cristãos confiarem e acreditarem na conversão de Paulo. A essa curiosidade acresce o facto do Apóstolo desejar ardentemente juntar-se aos discípulos, ou seja, à Igreja, para assim fazer a experiência de quem é salvo por acreditar no nome de Jesus. A experiência da Igreja nos nossos dias também é revestida muitas das vezes destas ambiguidades: quem procura encontrar Jesus na Igreja e de quem, pertencendo à Igreja, desconfia de quem procura entrar. Diz a primeira leitura que “entretanto a Igreja gozava de Paz”; isto só é possível quando os irmãos estão dispostos a viver isso mesmo: a fraternidade baptismal à luz da Paternidade de Deus.

 

2.     DEUS É MAIOR QUE O NOSSO CORAÇÃO

Reduzir a vida de fé às experiências do coração poderá ser um risco de quem acredita apenas em si mesmo. Por isso, na experiência do Apóstolo São João, tem de haver a verdadeira consciência da grandeza de Deus, capaz de chamar o homem a uma experiência cada vez mais radical e profunda, sem que ela mesma se esgote. Colocar a nossa consciência diante de Deus e aferir a forma como n’Ele permanecemos poderá ser a medida para compreendermos o alcance do que significa acreditar em Jesus e as consequências de viver no Seu Amor.

 

3.     SE ALGUÉM PERMANECE EM MIM… ESSE DARÁ MUITO FRUTO

Nos tempos que vivemos, fruto de mentalidades que podem roçar o egocentrismo, deparamo-nos com um mundo que se move em função do simples mérito pessoal. Os louvores dados são atribuídos a quem se destaca, a quem é visto e a quem tem as maiores responsabilidades. Uma visão detalhada da realidade leva-nos a estar longe de milhares de pessoas que asseguram o mundo e o seu progresso com o silêncio e o contributo inequívoco da sua vida e dos seus esforços. De igual modo, há uma certa tendência para anular o poder condutor de Deus, ou seja, a beleza do modo com que Deus nos surpreende na edificação do que é visível e invisível nas nossas vidas. Assim sendo, a narração do Evangelho que escutámos revelava a raiz dos frutos do homem, nomeadamente daqueles que dedicam a sua consciência a uma atenção redobrada para que gerem frutos bons e em abundância. O segredo de uma vida frutuosa e frutificante é a união que temos ao próprio Deus. Por um lado, a necessidade existencial que temos de não nos desvincularmos da Vida. Por outro lado, o deixamo-nos ser cuidados por Deus, onde o Pai é o agricultor. Ser cuidados por Deus não é uma experiência de sentimentalismos, mas de uma permissão constante aos cuidados próprios que a vida merece, mesmo que com isso estejamos implicados numa profunda limpeza daquilo que somos.

 

Fala o Santo Padre

 

«A vinha verdadeira de Deus, é Jesus que, com o seu sacrifício de amor, nos oferece a salvação.»

O Evangelho de hoje, quinto domingo do Tempo Pascal, abre-se com a imagem da vinha. «Jesus disse aos seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o agricultor”» (Jo 15, 1). Na Bíblia, Israel é muitas vezes comparado com a vinha fecunda, quando é fiel a Deus; mas, se se afasta d’Ele, torna-se estéril, incapaz de produzir aquele «vinho que alegra o coração do homem», como canta o Salmo 104 (v. 15). A vinha verdadeira de Deus, a videira verdadeira é Jesus que, com o seu sacrifício de amor, nos oferece a salvação, nos abre o caminho para fazermos parte desta vinha. E do mesmo modo como Cristo permanece no amor de Deus Pai, assim também os discípulos, sabiamente podados pela Palavra do Mestre (cf. Jo 15, 2-4), se estiveram unidos de modo profundo a Ele, tornam-se ramos fecundos, que produzem uma colheita abundante. São Francisco de Sales escreve: «O ramo unido e vinculado ao tronco produz fruto não pela sua própria virtude, mas em virtude do cepo: pois bem, nós fomos unidos pela caridade ao nosso Redentor, como os membros à cabeça; eis por que motivo... as boas obras, haurindo o seu valor d’Ele, merecem a vida eterna» (Tratado do amor de Deus, XI, 6, Roma 2011, 601).

No dia do nosso Baptismo, a Igreja enxerta-nos como ramos no Mistério Pascal de Jesus, na sua própria Pessoa. Desta raiz nós recebemos a linfa preciosa para participar na vida divina. Como discípulos, também nós, com a ajuda dos Pastores da Igreja, crescemos na vinha do Senhor, vinculados pelo seu amor. «Se o fruto que devemos produzir é o amor, o seu pressuposto consiste precisamente neste “permanecer”, que tem profundamente a ver com aquela fé que não deixa o Senhor» (Jesus de Nazaré, 2007, 305). É indispensável permanecermos sempre unidos a Jesus, dependermos d’Ele, porque sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5). Numa carta escrita a João, o Profeta, que viveu no deserto de Gaza no século v, um fiel formula a seguinte pergunta: como é possível manter unidos a liberdade do homem e o facto de nada podemos fazer sem Deus? E o monge responde: se o homem inclina o seu coração para o bem, e pede ajuda a Deus, recebe a força necessária para realizar a própria obra. Por isso, a liberdade do homem e o poder de Deus procedem juntos. Isto é possível, porque o bem provém do Senhor, mas ele é levado a cabo graças aos seus fiéis (cf. Ep. 763, SC 468, Paris 2002, 206). O verdadeiro «permanecer» em Cristo garante a eficácia da oração, como diz o beato cisterciense Guerrico d’Igny: «Ó Senhor Jesus... sem ti nada podemos fazer. Com efeito, Tu és o verdadeiro jardineiro, criador, cultivador e guardião do seu jardim, que plantas com a tua palavra, irrigas com o teu espírito e fazes crescer com o teu poder» (Sermo ad excitandam devotionem in psalmodia, SC 202, 1973, 522).

Estimados amigos, cada um de nós é um ramo, que só vive se fizer crescer cada dia na oração, na participação nos Sacramentos e na caridade a sua união com o Senhor. E quem ama Jesus, videira verdadeira, produz frutos de fé para uma abundante espiritual. Supliquemos à Mãe de Deus, a fim de permanecermos solidamente enxertados em Jesus, e para que cada uma das nossas obras tenha n’Ele o seu início e o seu cumprimento.

Papa Bento XVI, Regina Caeli, Praça de São Pedro, 6 de Maio de 2012

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

O Senhor Jesus disse-nos hoje no Evangelho:

“Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós”.

Sabendo que Ele não nos engana,

digamos (ou: cantemos), cheios de esperança:

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Senhor, venha a nós o vosso reino.

Ou: Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

1.     Por todos os fiéis da santa Igreja,

para que permaneçam unidos a Jesus

e dêem frutos para glória de Deus Pai,

oremos.

 

2.     Por aqueles que proclamam o Evangelho

e procuram levá-lo a toda a parte,

para que aumente o número dos que os ouvem,

oremos.

 

3.     Pelos pais cristãos e pelos seus filhos,

para que creiam em Jesus e no que Ele disse

e se amem uns aos outros em verdade,

oremos.

 

4.     Pelas comunidades das irmãs contemplativas,

para que louvem sem cessar o nosso Deus

e Jesus as escute e multiplique,

oremos.

 

5.     Por todos nós aqui reunidos em assembleia,

para que a Ceia do Senhor que celebramos

nos recorde que sem Ele nada podemos,

oremos.

 

Senhor, nosso Deus,

que conheceis a vinha que nós somos

e cuidais dela como bom agricultor,

fazei-nos permanecer unidos a Cristo

e produzir muitos frutos em seu nome.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, nós vos oferecemos, B. Salgado, NRMS 5 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714]ou 470-473

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

O amor não pode ser manifestado apenas com palavras e a língua. O próprio exemplo de Jesus revela-nos o Seu silêncio no maior momento em que Ele manifestou o Seu Amor. Diante desse mesmo acontecimento, também nós silenciamos todo o nosso ser, confirmamo-nos diante da nossa consciência, e abeiramo-nos do dom do Seu santo Alimento.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou a videira, S. Marques, NRMS 57

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao sairmos da Igreja, após esta Eucaristia, corremos os riscos de sempre: relativizarmos de tal forma a fé que só nos recordaremos dos nossos compromissos cristãos no próximo Domingo. Uma mentalidade semelhante é desastrosa e impõe-nos o rompimento com a experiência de permanecermos unidos a Jesus. Assim sendo, saímos com duas certezas: a certeza da presença do Amor de Deus e a certeza de que só dará muito fruto aquele que permanecer nesse mesmo Amor.

 

Cântico final: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 57

 

 

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-V: Uma morada digna de Deus.

Act  14, 5-18 / Jo 14, 21-26

Quem me ama guardará as minhas palavras e meu Pai o amará; nós viremos a ele e faremos a nossa morada.

O fim da nossa vida é a união perfeita com a Santíssima Trindade no Céu. Mas Jesus revela-nos uma grande novidade: aqui na terra a Santíssima Trindade vem habitar dentro de nós: «nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada» (Ev.), prenúncio da união definitiva.

Paulo e Barnabé não quiseram aceitar os sacrifícios que lhes foram oferecidos pelo milagre realizado e pediram que abandonassem os ídolos (também temos os nossos), a fim de se voltarem para o Deus vivo (Leit.). Nª Senhora foi preparada por Deus para ser uma digna morada para o Filho de Deus, aqui na terra. Peçamos-lhe ajuda para afastar o que não agrada a Deus.

 

3ª Feira, 5-V: O sofrimento e a entrada no reino de Deus.

Act 14, 19-28 / Jo 14, 27-31

Paulo e Barnabé acrescentavam: Através de muitas tribulações é que temos de entrar no reino de Deus.

Paulo tinha acabado de ser apedrejado e deram-no como morto. Foi mais uma das muitas tribulações sofridas pelo Apóstolo. E diz que é necessário sofrer muito para entrar no reino dos Céus (Leit.).

O 'príncipe deste mundo' persegue-nos, mas nada pode contra Cristo. Não devemos temer nada, porque Cristo alcançou a vitória sobre ele (Ev.), de uma vez para sempre, quando se entregou à morte para nos dar a vida. Recorramos também a Nª Senhora, a cheia de graça, contra a qual o demónio também nada pode.

 

4ª Feira, 6-V: Comunhão de vida e de doutrina.

Act 16, 1-6 / Jo 15, 1-8

Se alguém permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.

Jesus revela-nos mais uma realidade misteriosa. Fala duma comunhão mais íntima entre Ele e os que o seguem: «permanecei em mim como eu em vós» (Ev.). É principalmente na Eucaristia que nos pomos em comunhão com Ele.

Esta comunhão com Ele há-de estender-se também ao campo doutrinal. Os Apóstolos, para decidirem o problema da circuncisão, «reuniram-se para examinar o assunto» (Leit.). É importante que conheçamos os ensinamentos do Senhor e dos seus sucessores. Nª Senhora aconselha-nos deste modo: «Fazei o que Ele vos disser».

 

5ª Feira, 7-V: Como permanecer no amor de Deus.

Act 15, 7-21 / JO 15. 9-11

Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei no meu amor.

Jesus convida-nos a permanecer no seu amor. Para o conseguirmos temos de imitar o amor de Cristo, que tem uma característica muito importante: a perseverança: «tendo amado os seus amou-os até ao fim».

Uma outra característica desse amor é guardar os seus mandamentos: «assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor» (Ev.). Os Apóstolos tomaram uma decisão sobre a circuncisão e pediram a todos os cristãos que seguisse essa decisão (Leit.). Nª Senhora permanece sempre ao lado do seu Filho, mesmo nos momentos mais difíceis.

 

6ª Feira, 8-V: A verdadeira amizade.

Act 15, 2-31 / Jo 15, 12-17

Não há maior amor do que dar a vida pelos outros. Jesus dá-nos um belo exemplo do que é a verdadeira amizade. Em primeiro lugar, a capacidade de viver uma entrega ao amigo (Ev.), com o nosso apoio e dedicação. Em segundo lugar, dar a conhecer aos outros o que sabemos de Deus: «porque tudo o que ouvi a meu Pai, vo-lo dei a conhecer» (Ev.) e também: mandámos Judas e Silas, que vão transmitir-vos as nossas decisões» (Leit.). E, em terceiro lugar, se fizermos tudo o que Cristo nos indica (Ev.).

Um bom conselho nos dá a nossa Mãe: fazei tudo o que Ele vos disser.

 

Sábado, 9-V: O desejo de evangelizar.

Act 16, 1-10 / Jo 15, 18-21

Paulo teve de noite uma visão. Um macedónio dirigia-lhe este pedido: Faz a travessia para a Macedónia e vem ajudar-nos.

Devemos sentir estas palavras dirigidas a cada um de nós. É uma súplica que sai do coração de muitas pessoas, que têm fome e sede de Deus, de uma esperança que não desiluda as suas vidas, tão enganadas por vãs promessas.

Não faltaram tentativas de calar e de perseguir Jesus (Ev.), e o mesmo aconteceu a S. Paulo. O ambiente secularizado tentará igualmente calar as vozes suplicantes, mas devemos estar convencidos de que Deus nos chama a anunciar a Boa Nova (Leit.). Unidos à nossa Mãe invoquemos o Espírito Santo para que nos ajude a cumprir este mandato do Senhor.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ricardo Cardoso

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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