3º Domingo da Páscoa

19 de Abril de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Aleluia! A Igreja, iluminada pela Luz de Cristo Ressuscitado, representado no círio pascal que se ergue solene e majestoso, celebra em cinquenta dias a páscoa do Senhor, como sendo um único e grande Domingo. Ainda sob o ciclo das aparições partimos para a descoberta do Ressuscitado como presença e pessoa na vida dos discípulos. Reunidos em Eucaristia, escutando a Palavra e celebrando a presença do Senhor, proclamamos a ressurreição e cantamos a alegria de vermos o Senhor Jesus ressuscitado. Este é o terceiro domingo da nossa Páscoa.

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Diante do auditório judaico, Pedro faz perceber o mistério pascal de Jesus à luz das promessas feitas por Deus a Israel. Deus ressuscitou Jesus de entre os mortos.

 

Actos dos Apóstolos 3, 13-15.17-19

Naqueles dias, Pedro disse ao povo: 13«O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-l’O. 14Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; 15matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso. 17Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes. 18Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer. 19Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados».

 

A leitura é extraída do segundo discurso de Pedro em Actos, após a cura do coxo que mendigava na Porta Formosa do Templo. O discurso obedece ao molde kerigmático do primeiro anúncio aos judeus, mas, na perspectiva de Lucas, visa também os seus leitores e também continua a falar-nos a nós.

13 «O seu Servo Jesus». O termo original grego é ambíguo – «pais» –, e tanto pode significar filho, como servo. A nossa tradução preferiu «servo» pela referência que parece haver a Jesus enquanto cumpre a figura messiânica do Servo de Yahwéh (cf. Is 42 – 53). Trata-se de um título cristológico de sabor primitivo, que se enquadra bem num discurso a ouvintes judeus.

15 «Autor». É mais outro título cristológico, raro no N. T. (em grego, arkhêgós; assim também em 5, 31; cf. Hebr 2, 10; 12, 2). Jesus não é apenas o chefe que conduz à vida, mas é quem comunica a vida aos que nele crêem. O paradoxo é impressionante: matar o Autor da vida, uma vez que Jesus é Deus. Nas traduções, como a primitiva litúrgica, «príncipe da Vida», deixa-se ver mais claramente o contraste estabelecido com «assassino» (v 14), isto é, aquele que tira a vida.

«E nós somos testemunhas disso» (da ressurreição). A Ressurreição de Jesus é um facto real que se comprova por testemunhas altissimamente verídicas! É certo que não é um simples facto histórico natural que tenha entrado no âmbito duma observação experimental comum, pois Jesus só Se manifestou ressuscitado quando quis, como quis e a quem quis e com um corpo glorioso (não como um cadáver reanimado); isto, porém, em nada diminui o valor histórico da sua Ressurreição. É um facto sobrenatural, mas um facto, embora não encaixe em acanhadas perspectivas historicistas.

 

Salmo Responsorial    Sl 4, 2.4.7.9 (R. 7a)

 

Monição: Seguindo Cristo vivo e ressuscitado, brilha em nosso rosto e na nossa vida a luz da Páscoa.

 

Refrão:        erguei, senhor, sobre nós a luz do vosso rosto.

                    

 

Escutai-me quando Vos invoco,

Ó Deu, meu defensor.

Vós que na tribulação me pusestes a salvo,

por piedade ouvi a minha oração.

 

Sabei que o Senhor me fez maravilhas.

Ele me ouve quando eu O chamo.

 

Há quem diga: «quem nos dará a felicidade?»

Fazei brilhar sobre nós a luz do Vosso rosto!

 

Em paz me deito e adormeço.

Só Vós, Senhor, me fazeis viver tranquilo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na primeira carta de S. João, escutamos advertências concretas para a verdade da nossa relação com Deus. Ama quem cumpre a Palavra.

 

1 São João 2, 1-5a

Meus filhos, 1escrevo-vos isto, para que não pequeis. Mas se alguém pecar, nós temos Jesus Cristo, o Justo, como advogado junto do Pai. 2Ele é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro. 3E nós sabemos que O conhecemos, se guardamos os seus mandamentos. 4Aquele que diz conhecê-l’O e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. 5aMas se alguém guardar a sua palavra, nesse o amor de Deus é perfeito.

 

Nestes domingos pascais continuamos a ler extractos da 1ª Carta de S. João. Prestam-se a apelar para os ensinamentos da encíclica de Bento XVI, Deus caritas est. Não presidiu à selecção litúrgica dos textos joaninos a ideia de pôr em evidência a estrutura da obra e todo o seu maravilhoso conteúdo, por isso algumas palavras-chave, como «comunhão», «vida eterna» e «luz/trevas» não chegam a aparecer nos versículos respigados para estes domingos. A escolha parece privilegiar as noções de «cumprir os mandamentos», «amor fraterno», «nascer de Deus», «filiação divina», «libertação do pecado», «conhecer/saber», «verdade», «permanecer em…»

1 «Mas, se alguém pecar…». Se bem que «todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado (...) não peca, mas o Filho de Deus o guarda, e o maligno não o apanha» (1 Jo 3, 9; 5, 18), a verdade é que a pecabilidade não está excluída, devido à nossa limitada liberdade. Mas, se alguém pecar, que não desespere da sua desgraçada situação, pois Jesus – como vítima de expiação – dá-nos a possibilidade de obter o perdão, «se confessamos os nossos pecados» (1, 9). Estas afirmações aparentemente contraditórias (confrontar 1, 8 – 2, 1; 3, 3; 5, 16-17 com 3, 6.9; 5, 18) não são um obstáculo para a unidade da Carta (negada por Bultmann), pois a contradição é apenas aparente, devendo-se ao estilo semítico do autor que gosta de afirmações absolutas e contundentes, sem se preocupar de as matizar devidamente; assim, «o cristão não pode pecar», corresponde a: «o cristão não deve pecar». De qualquer maneira, há autores que consideram que, assim como sucedeu no IV Evangelho, pode ter havido uma redacção sucessiva com a intervenção de um redactor final, discípulo e continuador fiel do Apóstolo (tendo em conta o pronome plural nós joanino), assim também poderia ter acontecido com esta epístola.

1-2 «Jesus Cristo, o Justo, como advogado… vítima de expiação…»: a insistência em que Jesus é justo (cf. 1, 9: justo e fiel) facilita compreender como Ele pode libertar do pecado os pecadores. Ele é intercessor perante Deus (paráklêtos, advogado, conselheiro, um termo exclusivo da tradição joanina: cf. Jo 14, 16), na linha da teologia desenvolvida na Epístola aos Hebreus (Hebr 9 – 10), onde Cristo aparece à direita de Deus, continuando a purificar-nos com o seu sangue derramado como num sacrifício expiatório oferecido pelos pecados (cf. Hebr 9, 14-28). Vítima de expiação corresponde à linguagem sacrificial do AT (cf. Ex 29, 36-37) e apresenta a morte de Jesus como um sacrifício voluntário, revelador do seu imenso amor (cf. 1 Jo 4, 19; Rm 3, 25; 5, 8-9; 2 Cor 5, 19; Ef 2, 4-5; Apoc 5, 9).

4 «Aquele que diz: Eu conheço-o, mas não guarda…». Esta linguagem parece ser uma crítica aos gnósticos que se ufanavam de possuir um conhecimento superior de Deus, que garantia a salvação e eximia do pecado, sem cuidar de «guardar os seus mandamentos»; quem assim fala é «mentiroso e a verdade não está nele».

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 24, 32

 

Monição: O ressuscitado não é um fantasma. É o Crucificado vivo e glorificado.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras,

falai-nos e inflamai o nosso coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 35-48

Naquele tempo, 35os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. 36Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 37Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. 38Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? 39Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». 40Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?» 42Deram-Lhe uma posta de peixe assado, 43que Ele tomou e começou a comer diante deles. 44Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». 45Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras 46e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, 47e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

 

O trecho evangélico de hoje contém uma primeira parte (vv. 35-43), que poderíamos chamar demonstrativa do facto da Ressurreição, centrada na afirmação de Jesus «Sou Eu mesmo (em pessoa)» (v. 39), e outra mais catequética (vv. 44-48): «Depois disse-lhes…».

35-43 A aparição aqui descrita corresponde à do Evangelho do Domingo passado, descrita em S. João (Jo 20, 19-23), mas a verdade é que nós temos dificuldade em estabelecer uma cronologia exacta das aparições, pois não era essa a preocupação dos evangelistas; o que acima de tudo lhes interessava a eles (e aos crentes) era mostrar que Jesus apareceu realmente aos seus, isto é, se deixou ver, muito cedo, logo a partir do terceiro dia, e não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus (Act 10, 41). No referido relato paralelo, João fixou-se sobretudo no dom do Espírito Santa em ordem à absolvição dos pecados; Lucas fixa-se na dificuldade que os Onze – Tomé especialmente (cf Jo 20, 24-29) – tiveram em acreditar na Ressurreição, apesar dos testemunhos que já havia naquele momento. Em ambos os Evangelistas se refere o pormenor surpreendente da entrada de Jesus com as portas fechadas: «apresentou-Se no meio deles» (v. 36), mas aqui também se mostra Jesus a tomar alimento, uma forma gráfica de pôr em evidência que não se tratava de uma alucinação, mas de verdadeiros encontros pessoais. Lucas, como bom observador psicológico, gosta de sublinhar aquilo que não podiam deixar de ser os sentimentos de uns discípulos que, tendo admirado e amado apaixonadamente o Mestre, vieram a abandoná-lo e a negá-lo miseravelmente; como podiam eles enfrentar-se com um encontro destes tão inesperado, sem experimentarem umas emoções extraordinariamente fortes, estonteantes e contraditórias? Por isso, Lucas não se limita a referir o sentimento de alegria, como João, mas fala de que ficaram «espantados e cheios de medo» (v. 37), «perturbados» (v. 38), e dominados por um misto de alegria, admiração e dúvida (cf. v. 41).

44-48 Estes vv. constituem uma densa síntese catequética, em se salientam elementos básicos da pregação primitiva, centrados no cumprimento das Escrituras, a desembocar na missão universal dos discípulos «a todas as nações» (v. 47), em ordem a pregar «o arrependimento e o perdão dos pecados». Note-se o valor dado ao testemunho dos discípulos (v. 48), «vós sois as testemunhas»: «o homem contemporâneo crê mais nas testemunhas do que nos mestres; crê mais na experiência do que na doutrina; na vida e nas acções, do que em teorias. O testemunho de vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão» (João Paulo II). E, para que o crente alcance uma correcta compreensão das Escrituras, é preciso que o Senhor lhe abra o entendimento (cf. v. 45).

 

Sugestões para a homilia

 

1. As testemunhas de Cristo ressuscitado

2. Nova vida de filhos de Deus

3. Na esperança da nossa própria ressurreição

 

1. As testemunhas de Cristo ressuscitado

«Deus ressuscitou-O dos mortos e nós somos testemunhas disso» (At 3, 15).

 

A Ressurreição de Cristo é a verdade culminante da nossa fé, sempre pregada e anunciada como parte essencial do Mistério Pascal. Jesus ressuscitado manifestou-se aos seus discípulos, «aos que tinham subido com Ele desde a Galileia até Jerusalém e que agora são suas testemunhas diante do povo» (Act 13, 31).

A Ressurreição constitui, antes de mais, a confirmação de tudo o que Cristo fez e ensinou: «Todas as verdades, até as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram a sua justificação se Cristo, ao ressuscitar, deu a prova definitiva da sua autoridade divina como o tinha prometido» (Catecismo da I. C., n.º 651).

«Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia...Vós sois testemunha disso» (Evangelho).

A Ressurreição de Cristo é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do mesmo Jesus durante a sua vida terrena. Pela sua Ressurreição, Ele demonstrou que é verdadeiramente o Filho de Deus. No rosto glorioso de Jesus Cristo, a Igreja, sua Esposa, contempla o seu tesouro, a sua alegria e...«retoma agora o seu caminho para anunciar Cristo ao mundo no início do terceiro milénio: Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb 13, 8) (João Paulo II, No Início do T. Milénio, n.º 28).

2. Nova vida de filhos de Deus

«Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que os vossos pecados vos sejam perdoados» (At 3, 19).

 

Os Apóstolos vão por todas as partes a pregar o arrependimento e o perdão dos pecados. A Ressurreição de Cristo abre o acesso a uma nova vida: «Assim como Cristo ressuscitou dos mortos, assim também nós devemos viver uma vida nova» (Rom 6, 4).

Parte importante desta vida nova consiste em «guardar os seus Mandamentos» (2.ª leitura), ser fiéis à graça da filiação adoptiva pela qual nos convertemos em irmãos de Jesus Cristo e participantes da sua própria natureza divina.

Para sermos testemunhas de Jesus Cristo ressuscitado, importa pois revestir-nos desta «renovada juventude da alma» de que nos fala a oração colecta e que é própria dos filhos de Deus. É o «primado de Cristo e, consequentemente, o primado da vida interior e da santidade», de que nos fala o Papa João Paulo II, na Carta Apostólica citada (n.º 38). «Quando não se respeita este primado, não há que maravilhar-se se os projecto pastorais se destinam ao fracasso e deixam na alma um deprimente sentido de frustração» (Idem, n.º 38).

3. Na esperança da nossa própria ressurreição

«Exulte sempre o vosso povo, Senhor, de modo que aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna» (Colecta).

 

A Ressurreição de Cristo é princípio e fonte da nossa ressurreição futura.

«Cristo é o primogénito de entre os mortos» (Col 1, 18), é o princípio da nossa própria ressurreição, já desde agora pela justificação da nossa alma (cfr. Rom 6, 4), mais tarde pela vivificação do nosso corpo (cfr. Rom 8, 11)» (Catec. da I. Cat., n.º 658).

Pedimos ao Senhor, na oração depois da Comunhão, que nos conceda a graça de «chegar à feliz ressurreição que tornará o nosso corpo incorruptível e glorioso».

Ser testemunhas de Cristo ressuscitado implica necessariamente uma maneira de viver neste mundo toda ela impregnada de esperança e de sentido de liberdade, «saboreando desde já os prodígios do mundo futuro» (Heb 6, 5), não vivendo já para nós mas deixando que Cristo viva nos nossos corações.

«Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20). Desta certeza de que Cristo está connosco «devemos auferir um novo impulso para a vida cristã...com a consciência desta presença do Ressuscitado entre nós...é todo um programa que se abre diante de nós: ...conhecer, amar, imitar a Jesus Cristo, para n'Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até à sua plenitude na Jerusalém celeste» (João Paulo II, Carta cit., n.º 29).

Connosco vai também a Virgem Santíssima, a «Estrela da nova evangelização», a aurora luminosa e guia segura do nosso caminho.

 

Fala o Santo Padre

 

«Tal como os discípulos de Emaús reconheceram Jesus ao partir o pão,

também nós encontramos o Senhor na Celebração eucarística.»

Hoje, terceiro Domingo de Páscoa, encontramos — no Evangelho segundo Lucas — Jesus ressuscitado que se apresenta no meio dos discípulos (cf. Lc 24, 36), os quais, dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito (cf. Lc 24, 37). Escreve Romano Guardini: «O Senhor mudou. Já não vive como antes. A sua existência... não é compreensível. No entanto, é corpórea, inclui... a sua vida inteira, o destino atravessado, a sua paixão e a sua morte. Tudo é realidade. Ainda que mudada, é sempre realidade tangível» (Il Signore. Meditazioni sulla persona e la vita di N. S. Gesù Cristo, Milão 1949, pág. 433). Visto que a ressurreição não cancela os sinais da crucifixão, Jesus mostra aos Apóstolos as mãos e os pés. E para os convencer, pede até algo para comer. Então os discípulos «deram-lhe um bocado de peixe assado; e, tomando-o, comeu diante deles» (Lc 24, 42-43). São Gregório Magno comenta que «o peixe assado nada mais é do que a paixão de Jesus, Mediador entre Deus e os homens. Com efeito, Ele dignou-se esconder-se nas águas do género humano, aceitou ser apertado com o laço estreito da nossa morte e foi como que posto no fogo pelas dores que sofreu no momento da paixão» (Hom. in Evang. XXIV, 5: CCL 141, Turnhout 1999, pág. 201).

Graças a estes sinais muito realísticos, os discípulos superam a dúvida inicial e abrem-se ao dom da fé; e esta fé permite-lhes compreender as coisas escritas sobre Cristo «na lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos» (Lc 24, 44). Com efeito, lemos que Jesus «abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: “Assim está escrito, que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados...! Vós sois as testemunhas destas coisas (Lc 24, 45-48). O Salvador garante-nos a sua presença real entre nós, por meio da Palavra e da Eucaristia. Por conseguinte, assim como os discípulos de Emaús reconheceram Jesus ao partir o pão (cf. Lc24, 35), também nós encontramos o Senhor na Celebração eucarística. Explica, a este propósito, são Tomás de Aquino que «é necessário reconhecer segundo a fé católica, que Cristo está inteiramente presente neste Sacramento,... porque a divindade deixou o corpo que adquiriu» (S. Tomás, III, q. 76, a. 1).

Queridos amigos, no tempo pascal a Igreja, de modo geral, administra a Primeira Comunhão às crianças. Portanto, exorto os párocos, os pais e os catequistas a prepararem bem esta festa da fé, com grande fervor mas também com sobriedade. «Este dia permanece, justamente, gravado na memória como o primeiro momento em que se percebeu... a importância do encontro pessoal com Jesus» (Exort. Apost. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 19). Que a Mãe de Deus nos ajude a escutar com atenção a Palavra do Senhor e a participar dignamente na Mesa do Sacrifício Eucarístico, para nos tornarmos testemunhas da humanidade nova.

Papa Bento XVI, Regina Caeli, Praça de São Pedro, 22 de Abril de 2012

 

Oração Universal

 

Por Jesus Cristo, nosso Advogado junto do Pai,

confiemos ao Pai as nossas preces e as do mundo inteiro, dizendo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor!

 

1.     Pela Igreja de Cristo,

para que responda e corresponda prontamente aos apelos de Deus,

na escuta obediente e humilde, e na pregação fiel da sua Palavra.

Oremos ao Senhor.

 

2.     Pela Igreja, para que seja dócil no acolhimento à Palavra,

e ousada no seu testemunho de fé, de esperança e de Amor.

Oremos irmãos.

 

3.     Pelos governantes das nações,

para que promovam uma justiça que não condene os inocentes.

Oremos irmãos.

 

4.     Pelos casais que se preparam para o Matrimónio:

para que descubram toda a riqueza do seu amor

como sentimento maravilhoso, vontade generosa e mandamento exigente.

Oremos irmãos.

 

5.     Pelos que se perderam ou desorientaram no caminho da vida e da fé:

para que se deixem interpelar pela palavra de Deus

e se abeirem da presença de Cristo, caminho, verdade e vida.

Oremos irmãos.

 

6.     Por todos nós, para que reconheçamos Cristo no meio de nós

e a sua presença ilumine os olhos do nosso coração.

Oremos irmãos.

 

Senhor, único Justo,

entregai ao Pai as nossas preces e sacrifícios

pela salvação de todos os homens.

Vós que sois Deus, com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: próprio da Oração Eucarística V/A (missal, pág. 1157)

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Monição da Comunhão

 

“O Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob, o Deus de nossos Pais, o Deus que ressuscitou Jesus de entre os mortos”, é o Deus a quem Jesus chamou “Pai”. É na comunhão com Jesus que fazemos a comunhão com os irmãos e “formamos um só Corpo todos nós que comemos do mesmo Pão e, por isso, somos membros uns dos outros!” (Rom 12, 15; 1 Cor 10, 15-17).

 

Cântico da Comunhão: O Pão de Deus, J. santos, NRMS 62

Lc 24, 46-47

Antífona da comunhão: Cristo tinha de sofrer a morte e ressuscitar ao terceiro dia, para ser proclamado, em seu nome, o arrependimento e o perdão dos pecados. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, com tudo, M. Simões, NRMS 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que a Eucaristia seja sempre o ponto de chegada, ponto de encontro e ponto de partida, de todos os nossos passos! E faça do nosso caminhar, de todos os dias, uma marcha de esperança, de Páscoa em Páscoa, até à Páscoa eterna!

Lembramos que a partir de hoje a comunidade cristã reza pelas vocações, quer dizer, reza para que cada fiel baptizado corresponda na vida à missão que Deus lhe reserva. Vocações de especial consagração são as religiosas, a dos ministérios ordenados e a dos institutos seculares. Vocações são apelos e respostas num diálogo de amor entre Deus que chama e o homem que responde.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 20-IV: O seguimento de Jesus.

Act 6, 8-15 / Jo 6, 22-29

Quando a multidão viu que Jesus não estava ali... Subiram todos para as embarcações e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus.

A multidão seguia Jesus, embora não fosse pelos melhores motivos: «Vós procurais-me porque comestes dos pães e vos saciastes» (Ev.). Mas a verdade é que conseguiram encontrá-lo. Pelo contrário, Estêvão seguia Jesus pela fé, o que lhe acarretou a prisão e o martírio (Leit.).

Procuremos seguir o Senhor, imitando o seu exemplo, levando à prática os seus ensinamentos. E rezemos nesta semana de orações pelas vocações consagradas, para que muitos se decidam dedicar-se ao seu serviço e ultrapassem as dificuldades inerentes a essa decisão. Estamos a viver um ano dedicado às vocações religiosas, proposto pelo Papa Francisco.

 

3ª Feira, 21-IV: Coerência de vida.

Act 7, 51-8,1 / Jo 6, 30-35

Depois atiraram-se a ele (Estêvão) todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.

Este ataque a Estêvão (Leit.), por manifestar publicamente a sua fé, reveste-se de grande actualidade. Os cristãos têm dificuldade em viver a sua fé num ambiente secularizado, assistem à divinização do homem, que quer ocupar o lugar de Deus, e são acusados de 'fanáticos'.

A maior revolução que podemos levar a cabo no nosso tempo é precisamente a coerência de vida (S. Josemaria). Ao vivermos de acordo com a nossa fé estamos a promover a dignidade e a liberdade de cada pessoa. Para isso, contamos com a força que recebemos na Eucaristia, pela qual Jesus deu sua vida para salvação do mundo: «Eu é que sou o pão da vida» (Ev.).

 

4ª Feira, 22-IV: A vontade do Pai revelada por Jesus.

Act 8, 1-8 / Jo 6, 35-40

Porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

Jesus apresenta-se como exemplo do cumprimento da vontade do Pai, ao mesmo tempo que nos revela a vontade do Pai: que Ele não perca nenhum de nós, que todo o que acreditar nEle se há-de salvar (Ev.).

Nos primeiros tempos «começou uma grande perseguição contra a Igreja» (Leit.). Como consequência os discípulos dispersaram-se por muitas terras e, assim, a semente do Evangelho chegou a muitos lugares. Deus serve-se deste acontecimento para dele tirar um grande bem, apesar das dificuldades e inconvenientes que causou: era a sua vontade.

 

5ª Feira, 23-IV: Os alimentos de vida divina.

Act 8, 26-40 / Jo 6, 44-51

Eu sou o Pão vivo que desci do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente.

Para conservarmos a saúde e ganharmos novas forças temos que tomar os alimentos em cada refeição. Para alcançarmos a vida eterna, precisamos igualmente de tomar os alimentos adequados, recomendados por Nosso Senhor.

O eunuco pede a Filipe que lhe administre o Baptismo (Leit.) e, assim, recebe uma vida nova, a vida divina. Esta precisa, para o seu desenvolvimento, do alimento da palavra de Deus: «Quem acredita (a fé é uma resposta à palavra de Deus), possui a vida eterna» (Ev.); e do Pão da vida: «Quem comer deste Pão viverá eternamente» (Ev.). Na Missa temos essa possibilidade.

 

6ª Feira, 24-IV: Uma comunhão misteriosa e real.

Act 9, 1-20 / Jo 6, 52-59

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

Um dos frutos principais da Comunhão eucarística é esta união mais íntima com Cristo (Ev.). Jesus quer associar a sua vida à nossa de um modo novo: é uma comunhão misteriosa e real, que perdura depois da Comunhão eucarística.

Mas também tem como efeito a unidade do Corpo Místico. Esta foi uma das verdades importantes, descoberta por S. Paulo, no momento da sua conversão: «Saulo, por que me persegues?» (Leit.). Podemos ser uma grande ajuda para os outros, vivendo com fidelidade os compromissos da nossa vocação cristã, rezando mais por todos, pedindo a conversão dos pecadores.

 

Sábado, 25-IV: S. Marcos: A transmissão da Boa Nova.

1 Ped 5, 5-14 / Mc 16, 15-20

Jesus apareceu aos Onze Apóstolos e disse-lhes: ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova.

S. Marcos acompanhou S. Paulo na sua primeira viagem apostólica e esteve a seu lado na hora da morte. Foi igualmente discípulo de S. Pedro em Roma (Leit.), e o seu Evangelho é uma reprodução fiel dos ensinamentos deste Apóstolo.

O Senhor confiou a S. Marcos esta transmissão da Boa Nova de um modo especial (Oração), e também a confiou a todos nós. Para isso, precisamos escutá-la, assimilá-la, meditando-a no nosso coração e, depois, comunicá-la aos outros, como fez S. Marcos com o que aprendeu junto de S. Pedro e S. Paulo.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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