DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

VIAGEM APOSTÓLICA À TURQUIA

 

 

De 28 a 30 de Novembro passado, o Papa Francisco realizou uma Viagem apostólica à Turquia, para reforçar as relações com os ortodoxos e os muçulmanos e fazer um apelo à paz.

Damos a seguir o comentário que o próprio Santo Padre fez na audiência geral da quarta-feira, em 3 de Dezembro seguinte.

 

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 

Não parece muito bom este dia, está um pouco feio... Mas vós sois corajosos e, a mau dia boa cara, e vamos para a frente! Esta audiência tem lugar em dois lugares diferentes, como fazemos quando chove: aqui na Praça, e os doentes que estão na Aula Paulo VI. Já me encontrei com eles, já os saudei, e agora eles acompanham a audiência através de uma grande tela, porque estão doentes e não podem estar debaixo da chuva. Saudemo-los daqui com um aplauso!

Hoje, gostaria de compartilhar convosco algumas coisas da peregrinação que realizei na Turquia, de sexta-feira passada ao domingo. Como tinha pedido para o prepararem e acompanharem com a oração, agora convido-vos a dar graças ao Senhor pela sua realização e para que possam surgir frutos de diálogo, quer nas nossas relações com os irmãos ortodoxos, quer com os muçulmanos, quer no caminho para a paz entre os povos.

Em primeiro lugar, sinto o dever de renovar a expressão do meu reconhecimento ao Presidente da República turca, ao Primeiro-Ministro, ao Presidente para os Assuntos Religiosos e às outras Autoridades, que me receberam com respeito e garantiram a boa ordem dos acontecimentos. Isto requer trabalho, e eles fizeram-no de boa vontade. Agradeço fraternalmente aos Bispos da Igreja católica na Turquia, ao Presidente da Conferência Episcopal, muito atento, e agradeço pelo seu empenho às comunidades católicas, como também agradeço ao Patriarca Ecuménico, Sua Santidade Bartolomeu I, pelo seu acolhimento cordial. O Beato Paulo VI e São João Paulo II, que visitaram ambos a Turquia, e São João XXIII, que foi Delegado Pontifício naquela Nação, protegeram do Céu a minha peregrinação, ocorrida oito anos depois da visita do meu predecessor Bento XVI. Aquela terra é querida a todos os cristãos, especialmente por ter dado à luz o apóstolo Paulo, por ter acolhido os primeiros sete Concílios e pela presença, perto de Éfeso, da “casa de Maria”. A tradição diz-nos que ali viveu Nossa Senhora, depois da vinda do Espírito Santo.

No primeiro dia da Viagem apostólica saudei as Autoridades do país, em grandíssima maioria muçulmano, mas em cuja Constituição se afirma a laicidade do Estado. Com as Autoridades falámos da violência. É precisamente o esquecimento de Deus, e não a sua glorificação, que gera a violência. Por isso, insisti sobre a importância de que cristãos e muçulmanos se comprometam juntos pela solidariedade, pela paz e pela justiça, afirmando que cada Estado deve garantir aos cidadãos e às comunidades religiosas uma real liberdade de culto.

Hoje, antes de ir saudar os doentes, estive com um grupo de cristãos e islâmicos que têm uma reunião organizada pela Congregação para o Diálogo Inter-Religioso, sob a guia do Cardeal Tauran, e também eles manifestaram este desejo de prosseguir neste diálogo fraterno entre católicos, cristãos e islâmicos.

No segundo dia visitei alguns lugares-símbolo das diferentes confissões religiosas presentes na Turquia. Fi-lo sentindo no coração a invocação ao Senhor, Deus do céu e da terra, Pai misericordioso de toda a humanidade. Centro desse dia foi a Celebração Eucarística, que viu reunidos na Catedral pastores e fiéis dos diversos Ritos católicos presentes na Turquia. Assistiram também o Patriarca Ecuménico, o Vigário Patriarcal Arménio Apostólico, o Metropolita Sírio-Ortodoxo e representantes protestantes. Juntos invocámos o Espírito Santo, Aquele que faz a unidade da Igreja: unidade na fé, unidade na caridade, unidade na coesão interior. O Povo de Deus, na riqueza das suas tradições e articulações, é chamado a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, em atitude constante de abertura, de docilidade e de obediência. No nosso caminho de diálogo ecuménico e também da nossa unidade, da nossa Igreja católica, quem faz tudo é o Espírito Santo. A nós compete deixá-lo fazer, recebê-lo e seguir as suas inspirações.

O terceiro e último dia, festa de Santo André Apóstolo, ofereceu o contexto ideal para consolidar as relações fraternas entre o Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, e o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Sucessor do Apóstolo André, irmão de Simão Pedro, que fundou aquela Igreja. Renovei com Sua Santidade Bartolomeu I o compromisso recíproco de prosseguir o caminho rumo ao restabelecimento da plena comunhão entre católicos e ortodoxos. Juntos subscrevemos uma Declaração conjunta, mais uma etapa deste caminho. Foi particularmente significativo que este acto tenha ocorrido no final da solene Liturgia da festa de Santo André, à qual assisti com grande alegria, e que foi seguida da dupla Bênção dada pelo Patriarca de Constantinopla e pelo Bispo de Roma. De facto, a oração é a base para todo o frutuoso diálogo ecuménico sob a guia do Espírito Santo que, como eu disse, é Ele quem faz a unidade.

O último encontro – belo e também doloroso – foi com um grupo de rapazes refugiados, hóspedes dos Salesianos. Era muito importante para mim encontrar alguns refugiados das zonas de guerra do Médio Oriente, quer para lhes manifestar a proximidade minha e da Igreja, quer para frisar o valor da hospitalidade, na qual também a Turquia muito se tem empenhado. Agradeço mais uma vez à Turquia pelo acolhimento de tantos refugiados, e agradeço de todo o coração aos Salesianos de Istambul. Estes Salesianos trabalham com os refugiados, parabéns! Encontrei também outros sacerdotes e um jesuíta alemão e outros, que trabalham com os refugiados, mas aquele oratório salesiano dos refugiados é algo belo, é um trabalho escondido. Agradeço muito por a todas as pessoas que trabalham com os refugiados. E rezemos por todos os refugiados e deslocados, e para que sejam eliminadas as causas deste flagelo doloroso.

Queridos irmãos e irmãs, Deus omnipotente e misericordioso continue a proteger o povo turco, os seus governantes e os representantes das diferentes religiões. Possam construir juntos um futuro de paz, de modo que a Turquia possa representar um lugar de coexistência pacífica entre diferentes religiões e culturas. Além disso, rezemos para que, por intercessão da Virgem Maria, o Espírito Santo torne fecunda esta Viagem apostólica e favoreça na Igreja o fervor missionário, para anunciar a todos os povos, com respeito e em diálogo fraterno, que o Senhor Jesus é verdade, paz e amor. Só Ele é o Senhor!

 


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