DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

DIa MUndial Da JUVENTUDE

29 de Março de 2014

 

Neste dia, a Igreja recorda a entrada de Cristo, o Senhor, em Jerusalém, para consumar o seu mistério pascal. Por isso, em todas as Missas se comemora esta entrada do Senhor na cidade santa: ou com a procissão, ou com a entrada solene antes da Missa principal, ou com a entrada simples antes das outras Missas. A entrada solene (mas sem procissão) pode repetir-se antes de outras Missas que se celebram com grande assistência de fiéis.

 

 

A. Comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém

 

 

Primeira forma: Procissão

 

À hora marcada, reúnem-se todos numa igreja secundária ou noutro lugar apropriado fora da igreja para a qual se dirige a procissão. Os fiéis levam ramos na mão.

O sacerdote e o diácono, revestidos de paramentos vermelhos próprios da Missa, dirigem-se para o lugar onde o povo está reunido. O sacerdote, em vez da casula, pode levar o pluvial, que deporá terminada a procissão.

Entretanto, canta-se a antífona seguinte ou outro cântico apropriado.

 

Mt 21, 9

Antífona: Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hossana nas alturas.

 

O sacerdote, ao chegar, saúda o povo na forma habitual. Depois exorta os fiéis a participarem activa e conscientemente na celebração deste dia, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:

 

Hoje inicia-se a Semana Santa com uma acção litúrgica algo perturbadora: nela relembramos, por um lado, o triunfo de Cristo, entre ramos de palmeira e hossanas, e, por outro, a Sua Paixão e Morte. Na procissão de ramos, celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém; na proclamação solene da Paixão, começamos já a celebrar o Mistério Pascal. Dois momentos da vida de Cristo: O Triunfo e a Humilhação...

 

Seguidamente, o sacerdote, de mãos juntas, diz uma das seguintes orações:

 

 

Oremos.

Deus eterno e omnipotente, santificai com a vossa bênção estes ramos, para que, acompanhando a Cristo nosso Rei nesta celebração festiva, mereçamos entrar com Ele na Jerusalém celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

 

Ou:

 

Aumentai, Senhor, a fé dos que esperam em Vós e ouvi com bondade as nossas humildes súplicas, para que, aclamando com estes ramos a Cristo vitorioso, permaneçamos unidos a Ele e dêmos fruto abundante de boas obras. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

 

Terminada a oração, asperge os ramos com água benta, sem dizer nada.

A seguir, faz-se a proclamação do Evangelho da entrada do Senhor, segundo o texto evangélico correspondente a cada um dos ciclos. Esta proclamação é feita do modo habitual pelo diácono, ou, na falta dele, pelo sacerdote.

 

Evangelho

 

São Marcos 11, 1-10

Naquele tempo, 1ao aproximarem-se de Jerusalém, cerca de Betfagé e de Betânia, junto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos 2e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, logo à entrada, vereis um jumentinho preso, que ninguém montou ainda. Soltai-o e trazei-o. 3E se alguém perguntar porque fazeis isso, respondei: ‘O Senhor precisa dele, mas não tardará em mandá-lo de volta’». 4Eles partiram e encontraram um jumentinho, preso a uma porta, cá fora na rua, e soltaram-no. 5Alguns dos que ali estavam perguntaram-lhes: «Porque estais a desprender o jumentinho?» 6Responderam-lhes como Jesus tinha dito e eles deixaram-nos ir. 7Levaram o jumentinho a Jesus, lançaram-lhe por cima as capas e Jesus montou nele. 8Muitos estenderam as suas capas no caminho e outros, ramos de verdura, que tinham cortado nos campos. 9E tanto os que iam à frente como os que vinham atrás clamavam: «Hossana! Bendito O que vem em nome do Senhor! 10Bendito o reino que vem, o reino do nosso pai David! Hossana nas alturas!»

 

ou

 

São João 12, 12-16

12Naquele tempo, a grande multidão que tinha vindo à festa da Páscoa, ao ouvir dizer que Jesus ia chegar a Jerusalém, 13apanhou ramos de palmeira e saiu ao seu encontro, clamando: «Hossana! Bendito O que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!» 14Jesus encontrou um jumentinho e montou nele, como está escrito: 15«Não temas, filha de Sião: Eis que vem o teu Rei, sentado sobre o filho de uma jumenta». 16Os discípulos não entenderam isto ao princípio, mas, quando Jesus foi glorificado, lembraram-se de que assim estava escrito acerca d’Ele e era isso mesmo que eles tinham feito.

 

Os quatro evangelistas referem a entrada de Jesus em Jerusalém, com algumas pequenas diferenças. Em S. João aparece mais como uma iniciativa da multidão, ao passo que nos Sinópticos é Jesus a preparar a sua entrada.

«Um jumentinho». Mateus fala também da jumenta, mãe do jumentinho para sublinhar o cumprimento da letra da profecia de Zacarias 9, 9. A entrada dos peregrinos em Jerusalém fazia-se a pé; Jesus, porém, quer entrar a cavalo, desta vez. Tendo evitado até então todas as aclamações messiânicas, mostrar-se agora como o Messias nesta última visita à cidade, entrando montado num humilde jumentinho, e não como um rei temporal, ou um general vitorioso, montado num corcel. Ele não é um rei dominador, em concorrência com os poderosos da terra, mas o rei cheio de mansidão, o príncipe da paz.

A aclamação é a do Salmo 118 (117), e dela se fazem eco todos os fiéis na Liturgia eucarística: «Bendito o que vem» (baruk habá é ainda hoje a saudação de boas-vindas em Israel). «Hossana» é uma palavra hebraica que aqui tem um sentido de aclamação, correspondente ao nosso «viva!», e não uma mera prece, como indicaria a tradução literal do hebraico: «salva, por favor, (ó Deus)». A saudação do Salmo era uma bênção com que se recebia o peregrino que subia a Jerusalém; aqui é uma aclamação do povo que acompanha Jesus no cortejo. Nos Sinópticos a aclamação, com distintos matizes, tem o carácter de aclamação messiânica, mas em João a entrada tem claramente o aspecto de um rito de entronização, com pormenores que não aparecem nos Sinópticos: a gente sai da cidade a recebê-Lo, e com ramos de palmeira (Jo 12, 13), como a um rei vitorioso.

 

Depois do Evangelho, conforme as circunstâncias, pode fazer-se uma breve homilia. A anunciar o começo da procissão, o sacerdote ou outro ministro idóneo pode fazer uma admonição, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:

 

Imitemos, irmãos caríssimos, a multidão que aclamava Jesus na cidade santa de Jerusalém, e caminhemos em paz.

 

Inicia-se a procissão em direcção à igreja onde é celebrada a Missa.

À frente vai o turiferário com o turíbulo aceso (se se usa o incenso); depois, no meio de dois ministros com velas acesas, o cruciferário com a cruz ornamentada; segue-se o sacerdote com os outros ministros: finalmente, os fiéis com os ramos na mão.

 

Cântico:    As crianças de Jerusalém, M. Faria, NRMS 25

Com ramos de vitória, Az. Oliveira, NRMS 117

 

Á entrada da procissão na igreja, canta-se o responsório seguinte ou outro cântico alusivo à entrada do Senhor.

 

V. Ao entrar o Senhor na cidade santa, as crianças de Jerusalém, com ramos de palmeira, anunciaram a ressurreição da vida, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.

 

V. Quando o povo ouviu dizer que Jesus vinha para Jerusalém, saiu ao seu encontro com ramos de palmeira, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.

 

Cântico de entrada: Hossana ao Filho de David, Az. Oliveira, NRMS 29

 

Ao chegar ao altar, o sacerdote faz-lhe a devida reverência e, conforme as circunstâncias, incensa-o. Seguidamente, dirige-se para a sua cadeira (depõe o pluvial e veste a casula) e, omitindo tudo o mais, diz, como conclusão da procissão, a oração colecta da Missa. Terminada esta oração, a Missa continua na forma habitual.

 

A Missa deste domingo é dotada de três leituras, que muito se recomendam, se não há um motivo pastoral que aconselhe outra coisa.

Dada a importância da leitura da Paixão do Senhor, compete ao sacerdote, tendo em conta a natureza de cada grupo de fiéis, a opção de ler apenas uma das duas leituras que precedem o Evangelho, ou apenas a história da Paixão, se for necessário, mesmo na forma breve.

Isto vigora apenas para as Missas celebradas com participação do povo.

 

B. Missa

 

Introdução ao espírito da Celebração Eucarística

 

A entrada apoteótica de Jesus em Jerusalém precede aquilo que Ele já sabia: Depois de ter passado pelo momento mais dramático da sua vida, quando pediu ao Pai para O poupar a uma prova tão difícil, atravessaria a cidade a caminho do Calvário. Ali, Deus manifestar-se-ia n’Ele revelando todo o seu amor pela Humanidade.

A atitude de Jesus ensina-nos que Deus nos ama de tal maneira que condivide connosco as experiências mais dramáticas da nossa vida.

 

Depois da procissão ou da entrada solene, o sacerdote começa a Missa com a oração colecta.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e padecesse o suplício da cruz, fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão, para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura que iremos escutar é tirada das profecias de Isaías. É uma passagem do chamado cântico do servo de Javé. Identificámo-lo facilmente com o sofrimento de Jesus.

 

Isaías 50, 4-7

 

4O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. 5O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. 6Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. 7Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e por isso não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.

 

O texto é tirado do II Isaías e corresponde aos primeiros 4 vv. do 3° poema do Servo de Yahwéh (Is 50, 4-9). Quem está a falar parece ser o próprio servo, embora não seja aqui nomeado, mas é o que se deduz do contexto imediato deste canto (v. 10). De qualquer modo, considera-se como a figura profética de Jesus Cristo. O texto consta de três estrofes iniciadas com a mesma fórmula (que a tradução não respeitou): «O Senhor Deus»; na primeira sublinha-se a docilidade de discípulo; na segunda, o sofrimento que esta docilidade acarreta; na terceira, a fortaleza no meio das dores.

4 Apresenta-se «a falar como um discípulo», embora não se trate de um discípulo qualquer; é um discípulo do Senhor (cf. Is 54, 13), instruído pelo próprio Deus, tal como dirá Jesus: «a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7, 16; cf. 14, 24).

5 «Não resisti nem recuei». Mesmo os maiores profetas e os maiores santos tiveram a consciência clara de opor alguma resistência, embora sem qualquer rebeldia, à acção de Deus, como Moisés e Jeremias (cf. Ex 3, 11; 4, 10; Jer 1, 6). Jesus, porém, identifica-se plenamente com a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; Lc 22, 42).

6 «Apresentei as costas àqueles que me batiam... não desviei o rosto daqueles que me insultavam e cuspiam». Os evangelistas hão-de deixar ver como o pleno cumprimento deste hino profético se deu no relato da Paixão do Senhor, particularmente Mt 26, 67; 27, 26-30; Mc 15, 19; Lc 22, 63-64…

 

Salmo Responsorial    Sl 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)

 

Monição: O salmo que vamos proclamar associa-se ao que Jesus rezou na cruz. Se atendermos bem, reconheceremos que se identifica com a história de cada homem que queira anunciar e pôr em prática a justiça.

 

Refrão:        Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?

 

Todos os que me vêem escarnecem de mim,

estendem os lábios e meneiam a cabeça:

«Confiou no Senhor, Ele que o livre,

Ele que o salve, se é seu amigo».

 

Matilhas de cães me rodearam,

cercou-me um bando de malfeitores.

Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,

posso contar todos os meus ossos.

 

Repartiram entre si as minhas vestes

e deitaram sortes sobre a minha túnica.

Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,

sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

 

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,

hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.

Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,

glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,

reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus é de condição divina, é o Senhor perante O qual se dobram todos os joelhos no céu, na terra e nos abismos. Ele é a Pessoa que dá a razão de ser à nossa vida de cristãos.

 

Filipenses 2, 6-11

 

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, um hino que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino; é a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». Há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão, segundo se considerar o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo), ou em sentido passivo (coisa roubada). A Vulgata traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo). Segundo a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossa tradução litúrgica (sentido passivo), teríamos: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón) … Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22), e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo n’Ele a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje. «Tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-11 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o humilhante desfecho dum história trágica com que tudo acabou. Temos em paralelo o sublime paradoxo da sua «exaltação»: «por isso Deus – não Ele próprio, mas o Pai – O exaltou» de modo singularíssimo, à letra, acima de tudo o que existe, como o sugere a preposição hypér na composição do verbo hypsóein (exaltar). Esta exaltação deu-se com a glorificação da humanidade de Jesus na sua Ressurreição e Ascensão. A esta sublime exaltação corresponde o «Nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes em todos os tempos. Com efeito, já não se trata do simples nome de Jesus, um nome corrente com que era tratado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, nem apenas o título da sua condição messiânica, «Cristo», pois o nome que agora Lhe compete é o mesmo nome com que o próprio Deus é designado no A. T.: «Kyrios-Senhor», nome divino, como consta da tradução grega de «Yahwéh». Desde agora, a todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo sem artigo, como no original grego) – e o seu domínio sobre toda a criação, a saber: «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente: «que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 55/56 (data mais provável), e, como dissemos, estes versículos fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho        Filip 2, 8-9

 

Monição: Obedecendo ao Pai, Jesus serve os homens doando a sua vida na cruz. Por isso, Deus o ressuscitou para ser o Senhor de toda a história e do universo.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.

Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.

 

 

 

Evangelho

 

*O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

*Forma longa: São Marcos 14, 1-15, 47                            Forma breve: São Marcos 15, 1-39

 

N   [1Faltavam dois dias para a festa da Páscoa e dos Ázimos e os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à traição para Lhe darem a morte. 2Mas diziam:

R   «Durante a festa, não, para que não haja algum tumulto entre o povo».

N   3Jesus encontrava-Se em Betânia, em casa de Simão o Leproso, e, estando à mesa, veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro com perfume de nardo puro de alto preço. Partiu o vaso de alabastro e derramou-o sobre a cabeça de Jesus. 4Alguns indignaram-se e diziam entre si:

R   «Para que foi esse desperdício de perfume? 5Podia vender-se por mais de duzentos denários e dar o dinheiro aos pobres».

N   E censuravam a mulher com aspereza. 6Mas Jesus disse:

J    «Deixai-a. Porque estais a importuná-la? Ela fez uma boa acção para comigo. 7Na verdade, sempre tereis os pobres convosco e, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem; mas a Mim, nem sempre Me tereis. 8Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura. 9Em verdade vos digo: Onde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro, dir-se-á também em sua memória, o que ela fez».

N   10Então, Judas Iscariotes um dos Doze, foi ter com os príncipes dos sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11Quando o ouviram, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

N   12No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus:

R   «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?»

N   13Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes:

J    «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o 14e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’ 15Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso».

N   16Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 17Ao cair da tarde, chegou Jesus com os Doze. 18Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse:

J    «Em verdade vos digo: Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me».

N   19Eles começaram a entristecer-se e a dizer um após outro:

R   «Serei eu?»

N   20Jesus respondeu-lhes:

J    «É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato. 21O Filho do homem vai partir, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser traído! Teria sido melhor para esse homem não ter nascido».

N   22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse:

J    «Tomai: isto é o meu Corpo».

N   23Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. 24Disse Jesus:

J    «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. 25Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».

N   26Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

N   27Disse-lhes Jesus:

J    «Todos vós Me abandonareis, como está escrito: ‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas’. 28Mas depois de ressuscitar, irei à vossa frente para a Galileia».

N   29Disse-Lhe Pedro:

R   «Embora todos Te abandonem, eu não».

N   30Jesus respondeu-lhe:

J    «Em verdade te digo: Hoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes, três vezes Me negarás».

N   31Mas Pedro continuava a insistir:

R   «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».

N   E todos afirmaram o mesmo. 32Entretanto, chegaram a uma propriedade chamada Getsémani e Jesus disse aos seus discípulos:

J    «Ficai aqui, enquanto Eu vou orar».

N   33Tomou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir pavor e angústia. 34Disse-lhes então:

J    «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai».

N   35Adiantando-Se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. 36Jesus dizia:

J    «Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres».

N   37Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os dormindo e disse a Pedro:

J    «Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora? 38Vigiai e orai, para não entrardes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».

N   39Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. 40Voltou novamente e encontrou-os dormindo, porque tinham os olhos pesados e não sabiam que responder. 41Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes:

J    «Dormi agora e descansai...Chegou a hora: o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. 42Levantai-vos. Vamos. Já se aproxima aquele que Me vai entregar».

N   43Ainda Jesus estava a falar, quando apareceu Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes, pelos escribas e os anciãos. 44O traidor tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O e levai-O bem seguro». 45Logo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo:

R   «Mestre».

N   46Então deitaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O. 47Um dos presentes puxou da espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. 48Jesus tomou a palavra e disse-lhes:

J    «Vós saístes com espadas e varapaus para Me prender, como se fosse um salteador. 49Todos os dias Eu estava no meio de vós, a ensinar no templo, e não Me prendestes! Mas é para se cumprirem as Escrituras».

N   50Então os discípulos deixaram-n’O e fugiram todos. 51Seguiu-O um jovem, envolto apenas num lençol. Agarraram-no, 52mas ele, largando o lençol, fugiu nu.

N   53Levaram então Jesus à presença do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os príncipes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas. 54Pedro, que O seguira de longe, até ao interior do palácio do sumo sacerdote, estava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume. 55Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para Lhe dar a morte, mas não o encontravam. 56Muitos testemunhavam falsamente contra Ele, mas os seus depoimentos não eram concordes. 57Levantaram-se então alguns, para proferir contra Ele este falso testemunho:

R   58«Ouvimo-l’O dizer: ‘Destruirei este templo feito pelos homens e em três dias construirei outro que não será feito pelos homens’».

N   59Mas nem assim o depoimento deles era concorde. 60Então o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos e perguntou a Jesus:

R   «Não respondes nada ao que eles depõem contra Ti?»

N   61Mas Jesus continuava calado e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O:

R   «És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?»

N   62Jesus respondeu:

J    «Eu Sou. E vós vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso vir sobre as nuvens do céu».

N   63O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse:

R   «Que necessidade temos ainda de testemunhas? 64Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?»

N   Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte. 65Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe, a tapar-Lhe o rosto com um véu e a dar-Lhe punhadas, dizendo:

R   «Adivinha».

N   E os guardas davam-Lhe bofetadas. 66Pedro estava em baixo, no pátio, quando chegou uma das criadas do sumo sacerdote. 67Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe:

R   «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno».

N   68Mas ele negou:

R   «Não sei nem entendo o que dizes».

N   Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou. 69A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes:

R   «Este é um deles».

N   70Mas ele negou segunda vez. Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro:

R   «Na verdade, tu és deles, pois também és galileu».

N   71Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar:

R   «Não conheço esse homem de quem falais».

N   72E logo o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito: «Antes do galo cantar duas vezes, três vezes Me negarás». E desatou a chorar.]

N   15, 1Logo de manhã, os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio. Depois de terem manietado Jesus, foram entregá-l’O a Pilatos. 2Pilatos perguntou-Lhe:

R   «Tu és o Rei dos judeus?»

N   Jesus respondeu:

J    «É como dizes».

N   3E os príncipes dos sacerdotes faziam muitas acusações contra Ele. 4Pilatos interrogou-O de novo:

R   «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam».

N   5Mas Jesus nada respondeu, de modo que Pilatos estava admirado. 6Pela festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha. 7Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos que numa revolta tinham cometido um assassínio. 8A multidão, subindo, começou a pedir o que era costume conceder-lhes. 9Pilatos respondeu:

R   «Quereis que vos solte o Rei dos judeus?»

N   10Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes O tinham entregado por inveja. 11Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes Barrabás. 12Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:

R   «Então que hei-de fazer d’Aquele que chamais o Rei dos judeus?»

N   13Eles gritaram de novo:

R   «Crucifica-O! 13»

N   14Pilatos insistiu:

R   «Que mal fez Ele?»

N   Mas eles gritaram ainda mais:

R   «Crucifica-O!»

N   15Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado. 16Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio, que era o pretório, e convocaram toda a corte. 17Revestiram-n’O com um manto de púrpura e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam tecido. 18Depois começaram a saudá-l’O:

R   «Salve, Rei dos judeus!»

N   19Batiam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele. 20Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem.

N   21Requisitaram, para Lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo. 22E levaram Jesus ao lugar do Gólgota, quer dizer, lugar do Calvário. 23Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não o quis beber. 24Depois crucificaram-n’O. E repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um. 25Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. 26O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito: «Rei dos Judeus». Crucificaram com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. (27) 28Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo:

R   «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, 30salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz».

N   31Os príncipes dos sacerdotes e os escribas troçavam uns com os outros, dizendo:

R   «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! 32Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos».

N   Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam. 33Quando chegou o meio-dia, as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. 34E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:

J    «Eloí, Eloí, lamá sabachtháni?»

N   que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?» 35Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:

R   «Está a chamar por Elias».

N   36Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse:

R   «Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali».

N   37Então Jesus, soltando um grande brado, expirou. 38O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. 39O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou:

R   «Na verdade, este homem era Filho de Deus».

N   [40Estavam também ali umas mulheres a observar de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé, 41que acompanhavam e serviam Jesus, quando estava na Galileia, e muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém. 42Ao cair da tarde – visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado – 43José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente à presença de Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 44Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se Jesus já tinha morrido. 45Informado pelo centurião, ordenou que o corpo fosse entregue a José. 46José comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol; depois depositou-O num sepulcro escavado na rocha e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro. 47Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde Jesus tinha sido depositado.]

 

A parte da vida de Jesus relatada mais pormenorizadamente por todos os Evangelistas é a sua Paixão, pois culmina a vida e a obra redentora de Cristo. Houve até quem chegou ao extremo de afirmar que os Evangelhos são «um relato da Paixão, com uma introdução desenvolvida» (M. Kähler). No entanto, os dados registados são muitíssimo parcos e concisos, pois o primeiro objectivo destas quatro narrações não era dar uma informação completa de tudo o que aconteceu; se fosse assim, seria imperdoável que não se diga nada dos sentimentos dos intervenientes na acção. Jesus também não é apresentado como um herói que sofre dores morais e físicas absolutamente indizíveis – a crucifixão era esse crudelissimum teterrimumque supplicium (Cícero) – com uma serenidade majestática. Os padecimentos colossais que o Senhor abraçou voluntariamente põem em evidência do modo mais significativo tanto o seu amor infinito para com todos e cada um de nós (cf. Gal 2, 20), como a tremenda gravidade dos nossos pecados (cf. Gál 1, 4). Não obstante, não se nota que esteja subjacente aos relatos qualquer intenção de mover o leitor à piedade, descrevendo a tragédia de uma forma comovedora. O que preside à intenção dos relatos é mostrar o sentido da Paixão do Senhor, o modo como, através de todos estes passos, se realiza e torna visível a nossa salvação, no pleno cumprimento das Escrituras, facilitando ao leitor entender o porquê de que tudo isto – tão assombrosamente paradoxal e escandaloso – tenha realmente acontecido. E é assim que todos os relatos da Paixão estão ligados aos da glória da Ressurreição, que acaba por oferecer a saída para tão misterioso enigma (J. M. Casciaro).

Os estudiosos pensam que foi a parte do Evangelho que tomou a forma definitiva escrita mais cedo. As quatro narrativas da Paixão não se contradizem, mas completam-se e deixam ver a focagem teológica própria de cada evangelista. Marcos é o que se apresenta como mais espontâneo e o que melhor apresenta, na sua crueza realista, o horror do sofrimento de Jesus. Na agonia do Getxemaní, só ele diz que Jesus «sentiu pavor» (Mc 14, 33), e não apenas angústia, e também o pedido de que se afaste o cálice de amargura aparece como mais urgente: «Abbá,… tudo te é possível. Afasta de mim este cálice» (v. 36). Por outro lado, só ele diz, na censura aos discípulos adormecidos, que eles «não sabiam o que Lhe haviam de responder» (Mc 14, 40) e já antes a censura aparecia mais directamente dirigida a Pedro: «não foste capaz…» (v. 37). Também é de notar o pormenor exclusivo do segundo canto do galo nas negações de Pedro (Mc 14, 72). Só Marcos diz que Simão Cireneu era «pai de Alexandre e Rufo» (pensa-se que este pormenor se deve a que estes vieram a ser cristãos bem conhecidos: cf. Rom 16, 13).

A parte da vida de Jesus relatada mais pormenorizadamente por todos os Evangelistas é a sua Paixão, pois culmina a vida e a obra redentora de Cristo. Houve até quem chegou ao extremo de afirmar que os Evangelhos são «um relato da Paixão, com uma introdução desenvolvida» (M. Kähler). No entanto, os dados registados são mutíssimo parcos e concisos, pois o primeiro objectivo destas quatro narrações não era dar uma informação completa de tudo o que aconteceu; se fosse assim, seria imperdoável que não se diga nada dos sentimentos dos intervenientes na acção. Jesus também não é apresentado como um herói que sofre dores morais e físicas absolutamente indizíveis – a crucifixão era esse crudelissimum teterrimumque supplicium (Cícero) – com uma serenidade majestática. Os padecimentos colossais que o Senhor abraçou voluntariamente põem em evidência do modo mais significativo tanto o seu amor infinito para com todos e cada um de nós (cf. Gál 2, 20), como a tremenda gravidade dos nossos pecados (cf. Gál 1, 4). Não obstante, não se nota que esteja subjacente aos relatos qualquer intenção de mover o leitor à piedade, descrevendo a tragédia de uma forma comovedora. O que preside à intenção dos relatos é mostrar o sentido da Paixão do Senhor, o modo como, através de todos estes passos, se realiza e torna visível a nossa salvação, no pleno cumprimento das Escrituras, facilitando ao leitor entender o porquê de que tudo isto, tão assombrosamente paradoxal e escandaloso, tenha realmente acontecido. E é assim que todos os relatos da Paixão estão ligados aos da glória da Ressurreição, que acaba por oferecer a saída para tão misterioso enigma.

Os estudiosos pensam que foi a parte do Evangelho que tomou a forma definitiva escrita mais cedo. As quatro narrativas da Paixão não se contradizem, mas completam-se e deixam ver a focagem teológica própria de cada evangelista. Marcos é o que se apresenta como mais espontâneo e o que melhor apresenta, na sua crueza realista, o horror do sofrimento de Jesus. Na agonia do Getxemani, só ele diz que Jesus «sentiu pavor» (Mc 14, 33), e não apenas angústia, e também o pedido de que se afaste o cálice de amargura aparece como mais urgente: «Abbá,… tudo te é possível. Afasta de mim este cálice» (v. 36). Por outro lado, só ele diz, na censura aos discípulos adormecidos, que eles «não sabiam o que Lhe haviam de responder» (Mc 14, 40) e já antes a censura aparecia mais directamente dirigida a Pedro: «não foste capaz…» (v. 37). Também é de notar o pormenor exclusivo do segundo canto do galo nas negações de Pedro (Mc 14, 72). Só Marcos diz que Simão Cireneu era «pai de Alexandre e Rufo» (pensa-se que este pormenor se deve a que estes vieram a ser cristãos bem conhecidos: cf. Rom 16, 13).

 

 

Sugestões para a homilia

 

Todo o homem está presente na Paixão

A Paixão continua ainda hoje

Ao assumirmos as cruzes de cada dia

 

Todo o homem está presente na Paixão

 

O texto que acabamos de ler do Evangelho de S. Marcos é a narrativa mais antiga da Paixão e Morte de Jesus. S. Marcos apresenta-nos um Jesus que aceita pacientemente tudo o que Lhe está a acontecer e que, no fim, conclui: «Cumpriram-se assim as Escrituras». O evangelista acentua, deste modo, que Jesus não se revolta contra os acontecimentos que não pode impedir, e que o Pai não quer operar milagres para Lhe evitar os dramas que se abatem sobre Ele.

Como reparamos na narração, não há ninguém que tome a defesa de Jesus. Ele é abandonado pelos discípulos, é traído pela multidão que prefere Barrabás, zombam d’Ele, é flagelado e humilhado pelos soldados, é insultado pelos que passam e pelos chefes do povo presentes no momento da crucifixão. À sua volta há somente trevas.

Jesus sente-se completamente só. Apenas algumas mulheres estavam a observar de longe...

Ainda hoje somos nós que continuamos essa Paixão, carregando os nossos ódios, raivas, mentiras, invejas, fanatismos, intransigências, liberdades mal direccionadas. Tudo isto provoca violência incontrolada e desnecessária. Seguimos a par e passo o Rei manso e obediente que, a nós e por nós, se entrega por amor, absorvendo, absolvendo e dissolvendo o nosso lado sombrio e pecaminoso.

 

A Paixão continua ainda hoje

 

Na nossa vida há momentos em que também experimentamos a impotência, o abandono, o falhanço, a mentira, a opressão. Quando nos empenhamos em viver de maneira coerente com aquilo em que cremos, quando queremos construir na comunidade civil ou eclesial uma relação de sinceridade e de concordância com o Evangelho, acabamos muitas vezes por nos encontrar isolados, reprovados por amigos, recusados pela própria família. Nesses momentos podemos ter a tentação de tudo abandonar e pensar que não vale a pena lutar e sofrer tanto. É altura, então, de olharmos para Cristo e procurarmos encontrar resposta para os pequenos ou grandes dramas da nossa vida e de assumirmos as cruzes de cada dia.

 

Ao assumirmos as cruzes de cada dia

 

Ao assumirmos, como Jesus, as nossas cruzes, não seremos fracos e sem audácia, não nos demitimos, não deixamos de lutar contra o mal, mas devemos procurar a verdade por todos os meios legítimos. O cristão é alguém que, como Jesus, se recusa a utilizar a falsidade usada pelos seus opositores através da difamação, da intrujice ou da violência. Não se amedronta com a derrota, não se preocupa com a vitória dos seus adversários, pois sabe que se trata de sucesso ilusório.

Porém, neste Dia Mundial da Juventude, recordamos os jovens cristãos que se envergonham da sua fé ou renunciam a ela. Que o Túmulo silencioso em que Jesus foi encerrado seja o "deserto", deles e nosso, para escutarmos mais fortemente a voz de Deus, e um estímulo para removermos todas as pedras que mantêm Cristo ainda trancado dentro do túmulo do nosso coração.

Rezemos, pois, por nós e por todos eles, para que tenhamos a coragem de ser arautos testemunhais de Cristo Redentor, em todas as circunstâncias da nossa vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«Somos chamados a seguir o nosso Rei que escolhe a cruz como trono;

somos chamados a seguir um Messias que não nos garante uma felicidade terrena fácil, mas a felicidade do céu.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

O Domingo de Ramos é o grande portal de entrada na Semana Santa, a semana em que o Senhor Jesus caminha até ao ponto culminante da sua existência terrena. Ele sobe a Jerusalém para dar pleno cumprimento às Escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará para sempre, atraindo a Si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos o dom da redenção. Sabemos, pelos Evangelhos, que Jesus Se encaminhara para Jerusalém juntamente com os Doze e que, pouco a pouco, se foi unindo a eles uma multidão cada vez maior de peregrinos. São Marcos refere que, já à saída de Jericó, havia uma «grande multidão» que seguia Jesus (cf. 10, 46).

Nesta última parte do percurso, tem lugar um acontecimento singular, que aumenta a expectativa sobre aquilo que está para suceder, fazendo com que a atenção geral se concentre ainda mais em Jesus. À saída de Jericó, na beira do caminho, está sentado pedindo esmola um cego, chamado Bartimeu. Quando ouve dizer que Jesus de Nazaré estava chegando, começa a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!» (Mc 10, 47). Procuram silenciá-lo, mas sem sucesso; por fim Jesus manda-o chamar, convidando-o a aproximar-se. «O que queres que Eu te faça?» - pergunta-lhe. E ele: «Mestre, que eu veja!» (v. 51). Jesus responde: «Vai, a tua fé te curou». Bartimeu recuperou a vista e começou a seguir Jesus pela estrada (cf. v. 52). Depois deste sinal prodigioso precedido pela invocação «Filho de David», de improviso levanta-se um frêmito de esperança messiânica no meio da multidão, fazendo com que muitos se perguntassem: Poderia este Jesus, que caminhava à sua frente para Jerusalém, ser o Messias, o novo David? Porventura teria chegado, com esta sua entrada já iminente na cidade santa, o momento em que Deus iria finalmente restaurar o reino de David?

Também a preparação da entrada, combinada por Jesus com os seus discípulos, ajuda a aumentar esta esperança. Como ouvimos no Evangelho de hoje (cf. Mc 11,1-10), Jesus chega a Jerusalém vindo de Betfagé e do Monte das Oliveiras, isto é, seguindo a estrada por onde deveria vir o Messias. De Betfagé, Ele envia à sua frente dois discípulos, com a ordem de Lhe trazerem um jumentinho que encontrarão no caminho. De fato encontram o jumentinho, soltam-no e levam-no a Jesus. Naquele momento, o entusiasmo apodera-se dos discípulos e também dos outros peregrinos: pegam nos seus mantos e colocam-nos uns sobre o jumentinho e outros estendidos no caminho por onde Jesus passa montado no jumento. Depois cortam ramos das árvores e começam a apregoar expressões do Salmo 118, antigas palavras de bênção dos peregrinos que, naquele contexto, se tornam uma proclamação messiânica: «Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai David! Hosana no mais alto dos céus!» (vv. 9-10). Esta aclamação festiva, transmitida pelos quatro evangelistas, é um brado de bênção, um hino de exultação: exprime a convicção unânime de que, em Jesus, Deus visitou o seu povo e que o Messias ansiado finalmente chegou. E todos permanecem lá, numa crescente expectativa da ação que Cristo realizará quando entrar na sua cidade.

Mas qual é o conteúdo, o sentido mais profundo deste grito de júbilo? A resposta é-nos dada pela Escritura no seu conjunto, quando nos lembra que no Messias se cumpre a promessa da bênção de Deus, a promessa feita por Deus originariamente a Abraão, o pai de todos os crentes: «Farei de ti um grande povo e te abençoarei (...). Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!» (Gn 12, 2-3). Trata-se de uma promessa que Israel mantivera sempre viva na oração, especialmente na oração dos Salmos. Por isso, Aquele que a multidão aclama como o Bendito é, ao mesmo tempo, Aquele em quem será abençoada a humanidade inteira. Assim, na luz de Cristo, a humanidade reconhece-se profundamente unida e, de certo modo, envolvida pelo manto da bênção divina, uma bênção que tudo permeia, tudo sustenta, tudo redime, tudo santifica.

E aqui podemos descobrir uma primeira grande incumbência que nos chega da festa de hoje: o convite a adotar a visão reta sobre a humanidade inteira, sobre os povos que formam o mundo, sobre suas diversas culturas e civilizações. A visão que o crente recebe de Cristo é um olhar de bênção: um olhar sapiencial e amoroso, capaz de captar a beleza do mundo e condoer-se da sua fragilidade. Nesta visão, manifesta-se o próprio olhar de Deus sobre os homens que Ele ama e sobre a criação, obra das suas mãos. Lemos no Livro da Sabedoria: «De todos tens compaixão, porque tudo podes, e fechas os olhos aos pecados dos mortais, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe e não desprezas nada do que fizeste; (...) a todos, porém, tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor amigo da vida» (Sb 11, 23-24.26).

Voltando à passagem do Evangelho de hoje, perguntemo-nos: Que pensavam, realmente, em seus corações aqueles que aclamam Cristo como Rei de Israel? Certamente tinham a sua idéia própria do Messias, uma idéia do modo como devia agir o Rei prometido pelos profetas e há muito esperado. Não foi por acaso que a multidão em Jerusalém, poucos dias depois, em vez de aclamar Jesus, grita para Pilatos: «Crucifica-O!», enquanto os próprios discípulos e os outros que O tinham visto e ouvido ficam mudos e confusos. Na realidade, a maioria ficara desapontada com o modo escolhido por Jesus para Se apresentar como Messias e Rei de Israel. É precisamente aqui que se situa o ponto fulcral da festa de hoje, mesmo para nós. Para nós, quem é Jesus de Nazaré? Que idéia temos do Messias, que idéia temos de Deus? Esta é uma questão crucial, que não podemos evitar, até porque, precisamente nesta semana, somos chamados a seguir o nosso Rei que escolhe a cruz como trono; somos chamados a seguir um Messias que não nos garante uma felicidade terrena fácil, mas a felicidade do céu, a bem-aventurança de Deus. Por isso devemos perguntar-nos: Quais são as nossas reais expectativas? Quais são os desejos mais profundos que nos animaram a vir aqui, hoje, celebrar o Domingo de Ramos e iniciar a Semana Santa?

Queridos jovens, aqui reunidos! Em todos os lugares da terra onde a Igreja está presente, este Dia é especialmente dedicado a vós. Por isso, vos saúdo com muito carinho! Que o Domingo de Ramos possa ser para vós o dia da decisão: a decisão de acolher o Senhor e segui-Lo até ao fim, a decisão de fazer da sua Páscoa de morte e ressurreição o sentido da vossa vida de cristãos. Tal é a decisão que leva à verdadeira alegria, como quis recordar na Mensagem aos Jovens para este seu Dia - «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Flp 4, 4) -, e como se vê na vida de Santa Clara de Assis, que há oitocentos anos – exatamente no Domingo de Ramos –, movida pelo exemplo de São Francisco e dos seus primeiros companheiros, deixou a casa paterna para consagrar-se totalmente ao Senhor: com dezoito anos, teve a coragem da fé e do amor para se decidir por Cristo, encontrando n’Ele a alegria e a paz.

Queridos irmãos e irmãs, dois sentimentos nos animem particularmente nestes dias: o louvor, como fizeram aqueles que acolheram Jesus em Jerusalém com o seu «Hosana»; e a gratidão, porque, nesta Semana Santa, o Senhor Jesus renovará o dom maior que se possa imaginar: dar-nos-á a sua vida, o seu corpo e o seu sangue, o seu amor. Mas um dom assim tão grande exige que o retribuamos adequadamente, ou seja, com o dom de nós mesmos, do nosso tempo, da nossa oração, do nosso viver em profunda comunhão de amor com Cristo que sofre, morre e ressuscita por nós. Os antigos Padres da Igreja viram um símbolo de tudo isso num gesto das pessoas que acompanhavam Jesus na sua entrada em Jerusalém: o gesto de estender os mantos diante do Senhor. O que devemos estender diante de Cristo – diziam os Padres - é a nossa vida, ou seja, a nós mesmos, em sinal de gratidão e adoração. Para concluir, escutemos o que diz um desses antigos Padres, Santo André, Bispo de Creta: «Em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de arbustos que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu vigor, prostremo-nos nós mesmos aos pés de Cristo, revestidos da sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele mesmo (…); sejamos como mantos estendidos a seus pés (…), para oferecermos ao vencedor da morte não já ramos de palmeira, mas os troféus da sua vitória. Agitando os ramos espirituais da alma, aclamemo-Lo todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel”» (PG 97, 994). Amém!

 

Papa Bento XVI, Homilia na Praça de São Pedro, 1 de Abril de 2012

 

Oração Universal

 

Neste Domingo de Ramos na Paixão do Senhor,

e dia Mundial da Juventude,

invoquemos a Deus Pai todo-poderoso

com toda a firmeza e confiança,

rezando com muita fé:

 

Senhor, atendei a nossa prece.

 

1.     Para que o Santo Padre, bispos, presbíteros e diáconos,

testemunhem vivencialmente, com toda a coragem,

a salvação operada em Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

2.     Para que todos os cristãos

se sintam com força para suportar as contrariedades

que venham a enfrentar na sua vida,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que todos os homens cheguem à fé em Jesus,

não por terem presenciado qualquer milagre,

mas por terem percebido o sentido

duma vida oferecida por amor,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que todos nós confiemos em Deus

que está muito próximo, acessível

e cheio de amor por todos nós,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que os jovens no seu ambiente,

ou deslocados para terras distantes,

nunca abandonem a sua intimidade com Deus,

nem se envergonhem de O testemunhar e glorificar,

oremos, irmãos.

 

6.     Para que todos os que passam pela experiência da impotência,

do abandono ou do falhanço sejam encorajados

pelo amor manifestado por Jesus Cristo.

oremos, irmãos.

 

Pai de amor infinito,

que na Paixão de vosso Filho Jesus

derrubastes todas as barreiras

que impediam a comunicação com o céu,

vossa morada, e na terra, casa dos homens,

ouvi a nossa oração e concedei-nos aquilo que vos pedimos.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Monição do ofertório

 

Cada um de nós, com as suas alegrias, dificuldades, sofrimentos e angústias está presente nas oferendas que se colocam sobre o altar. Que o Senhor as aceite como resposta ao seu grande amor por todos os homens.

 

Cântico do ofertório: Na hóstia sobre a patena, B. Salgado, NRMS 6 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Pela paixão do vosso Filho Unigénito, apressai, Senhor, a hora da nossa reconciliação: concedei-nos, por este único e admirável sacrifício, a misericórdia que nossos pecados não merecem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. E nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Sendo inocente, entregou-Se à morte pelos pecadores; não tendo culpas, deixou-Se condenar pelos culpados. A sua morte redimiu os nossos pecados e a sua ressurreição abriu-nos as portas da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão do Corpo e Sangue de Cristo identifica-nos com Ele. Saibamos, a partir desta íntima união, viver um cristianismo coerente, testemunhal e verdadeiramente responsável.

 

Cântico da Comunhão: Tomai e comei, diz o Senhor, F. da Silva, NRMS 25

Mt 26, 42

Antífona da comunhão: Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-Se a tua vontade.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor é clemente, M. Simões, NRMS 1 (I)

 

Oração depois da comunhão: Saciados com estes dons sagrados, nós Vos pedimos, Senhor: assim como, pela morte do vosso Filho, nos fizestes esperar o que a nossa fé nos promete, fazei-nos também chegar, pela sua ressurreição, às alegrias do reino que esperamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao reactualizarmos a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, saibamos manifestar a nossa firme vontade em vivermos sempre de acordo com o Mistério que hoje celebramos.

Procuremos revivê-lo mais profundamente durante toda esta Semana Santa.

 

Cântico final: Proclamai em toda a terra, M. Faria, NRMS 27-28

 

 

Homilias Feriais

 

SEMANA SANTA

 

2.ª Feira, 30-III: O cumprimento do plano de salvação.

Is 42, 1-7 / Jo 12, 1-11

Fui eu, o Senhor, quem te chamou, num projecto de salvação.

O Plano divino de salvação (Leit.) apoia-se na entrega à morte de Jesus. Ele próprio apresentou o plano da sua vida como cumprimento da vontade do Pai: o Filho age como servo de Deus: «Eis o meu servo, a quem protejo, o meu eleito» (Leit.).

No começo da Semana santa é-nos sugerido o exemplo da unção de Maria de Betânia, como modo de preparar a paixão do Senhor, derramando sobre Ele uma libra de perfume de elevado preço. Esta unção é também boa pauta para o ambiente das celebrações eucarísticas: para o Senhor, o melhor que pudermos preparar.

 

3.ª feira, 31-III: Darás a vida por mim?

Is 49, 1-6 / Jo 13, 21-33. 36-38

Não basta que sejas meu servo. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue aos confins da terra.

Pela sua obediência até à morte, Jesus leva a cabo a missão do servo sofredor, que ofereceu a sua vida em expiação, carregando sobre os seus ombros as nossas faltas e oferecendo ao Pai uma satisfação pelos nossos pecados.

Na Última Ceia, Jesus vê partir Judas, que o vai entregar e profetiza as negações de Pedro (Ev.). Também a nós nos pergunta: «darás a vida por mim?» (Ev.). Procuremos oferecer igualmente a nossa vida em expiação pelos nossos pecados; aceitemos as contrariedades, dores e sofrimentos que Ele nos enviar; arrependamo-nos das nossas faltas de fidelidade, etc.

 

4.ª Feira, 1-IV: Preparativos para a Última Ceia.

Is 50, 4-9 / Mt 26, 14-25

Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?

Jesus dá o encargo aos discípulos de levarem a cabo uma cuidadosa preparação da casa onde terá lugar a última ceia pascal (Ev.).

Façamos igualmente uma cuidadosa preparação para esta Páscoa: ofereçamos ao Senhor as indelicadezas que tiverem connosco; ajudemos os que andam extenuados; oiçamos melhor a palavra de Deus (Leit.). Tenhamos também um grande desejo de nos reunirmos com Ele e os discípulos para celebrarmos a instituição da Eucaristia nesta próxima 5.ª Feira, e todos os dias em que participarmos na Missa. Jesus deseja a nossa companhia, mas evitemos as nossas infidelidades (como Judas).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial