5.º Domingo dA QUARESMA

22 de Março de 2014

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Defendei-me Senhor, J. Santos, NRMS 105

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Quaresma que estamos a celebrar é um catecumenado de 40 dias, preparando os que não estão baptizados para a celebração do Baptismo e os que já receberam este sacramento, para renovar as promessas baptismais na noite de Sábado Santo.

Desde o princípio da Igreja, havia no catecumenado os chamados escrutínios, isto é, passos em frente no caminho do Evangelho, opções de vida, na conversão pessoal.

Neste 5.º Domingo da Quaresma a Igreja convida-nos a dar mais um passo a nós que já recebemos o Baptismo –, preparando uma confissão sacramental segundo o desígnio de Deus.

Não deixemos que a má rotina nas nossas confissões condene ao fracasso este momento quaresmal. Abramos o coração a uma conversão sincera que nos aproxime definitivamente de Jesus Cristo.

 

Acto penitencial

 

A nossa vida tem sido tecida de passos em frente e passos atrás. Nunca acabamos por nos decidir a tomar a nossa vocação cristã a sério. Queremos ser cristãos, mas teimamos em continuar pagãos, em muitas coisas da vida.

Peçamos ao Senhor um generoso sentimento de lealdade à Aliança baptismal que fizemos com Ele, e a ajuda para mudarmos de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Fazemos, por vezes as nossas confissões sacramentais

    sem aquela preparação e disposições que Vós quereis ver em nós.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Acusamo-nos as faltas com rotina, sem exame de consciência

    e não temos arrependimento nem firme propósito de emenda de vida.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Não temos procurado aproximar os familiares e amigos

    desta fonte de misericórdia e de graças que é a confissão sacramental.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor propõe, à casa de Israel – figura da Igreja –, por meio do profeta Jeremias, uma Nova Aliança.

Esta Aliança é feita com cada um de nós pelo Baptismo e renovada pela confissão sacramental bem feita.

 

Jeremias 31, 31-34

 

31Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. 32Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor. 33Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34Não terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.

 

O nosso texto insere-se num conjunto de anúncios de restauração, tanto política como religiosa, o chamado Livro da Consolação de Jeremias (Jer 30, 1 – 33, 26). Os versículos da leitura são fulcrais na obra do profeta de Anatot: os seus apelos para «uma aliança nova» são considerados como o pivot da reforma religiosa do piedoso rei Josias, por isso se pensa que foi pronunciado logo no início da sua actuação como profeta. Este oráculo, tem uma importância central na Teologia do Novo Testamento, como uma das grandes profecias messiânicas. O povo de Israel tinha violado a aliança, não observando a Lei de Deus que no Sinai solenemente se comprometera a observar (Ex 24), por isso Deus já não estava, por assim dizer, obrigado a proteger este povo que se negava a ser de Yahwéh. Mas Ele não volta atrás no seu amor misericordioso, e anuncia que vai oferecer aos homens uma aliança «nova», isto é, definitiva, interior, pois gravada «no íntimo da alma… no coração» (v. 33) e que estabelece uma nova relação afectiva, de sincero e fiel amor, como o amor perfeito entre os esposos: «Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (v. 33; cf Os 2, 21-22.25). Esta aliança de amor teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo que selou a nova, definitiva e universal aliança com o seu próprio sangue (Hebr 9, 12; Lc 22, 20), tornando antiquada a aliança do Sinai (Hebr 8, 6-13).

34 «Vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas». Trata-se de uma aliança que, além de nova, é renovadora, pois implica «a remissão dos pecados» (cf. Mt 26, 28). A Liturgia, ao propor este texto em pleno tempo da Quaresma, presta-se a lembrar-nos o perdão que Deus concede no Sacramento da Reconciliação.

 

Salmo Responsorial    Salmo 50 (51), 3-4.12-13.14-15 (R. 12a)

 

Monição: A renovação da Aliança baptismal, para que seja agradável ao Senhor, há-de realizar-se depois de uma generosa purificação da alma.

O salmista convida-nos a que nos reconheçamos humildemente pecadores e a que peçamos perdão das ofensas que temos feito ao Senhor.

Que este salmo nos ajude a viver mais generosamente esta caminhada quaresmal.

 

Refrão:        Dai-me, Senhor, um coração puro.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos

e os transviados hão-de voltar para Vós.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus Cristo, o sumo-sacerdote da nova Aliança, é-nos apresentado na Carta aos Hebreus como Alguém que Se solidariza com todos nós e nos ensina o caminho da salvação.

Este caminho do deserto quaresmal é o mesmo que Jesus seguiu na Sua passagem pela terra, especialmente na Sua Paixão e Morte

 

Hebreus 5, 7-9

 

7Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. 8Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento 9e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.

 

Este texto pequeno, mas deveras impressionante – há mesmo estudiosos que o consideram um extracto de um antigo hino a Cristo –, é tirado da parte central do célebre sermão, que é esta epístola (Hebr 4, 14 – 7, 28), onde se desenvolve o tema do sacerdócio de Cristo, o sumo sacerdote perfeito, que supera completamente o sacerdócio levítico.

7 Este versículo parece evocar o relato da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (cf. Mt 26, 36-44). «Preces e súplicas»: estas duas palavras sinónimas correspondem a uma expressão grega da época usada nos pedidos a uma alta autoridade; o uso do plural sugere a insistência na oração, segundo o «prolixius orabat» de Lc 22, 43. «Com um grande clamor e lágrimas»: os ensinos rabínicos sobre a oração referem três graus ascendentes: a prece (em silêncio), os gritos, e as lágrimas (como a forma mais elevada da oração). Os Evangelhos só falam de um forte brado de Jesus, na Cruz (Lc 23, 46), mas é de supor que se conhecessem pela tradição oral, pormenores da oração no horto que justificariam tão impressionante expressão.

«Foi atendido», em quê? É difícil de dizer, a tal ponto que Harnack pensa numa corrupção do texto original: «não foi atendido». Limitamo-nos a referir as explicações mais viáveis. Jesus não obteve a libertação do cálice de amargura, mas alcançou a coragem para enfrentar a sua Paixão identificando-se plenamente com a vontade do Pai. Ou então, como pensam outros, Jesus foi atendido ao ser livre da morte pela sua ressurreição, o que lhe permite exercer o seu sacerdócio eterno (cf. 7, 24; 10, 10), com efeito, «a sua morte era essencial para o seu sacerdócio, pois, se Ele não fosse salvo da morte pela ressurreição, não seria agora o sumo sacerdote do seu povo» (J. H. Neyrey).

8 «Aprendeu a obediência no sofrimento», ou, melhor, «por aquilo que sofreu», ou também, «aprendeu de quanto sofrera, o que é obedecer». Trata-se de uma aprendizagem não teórica, mas experimental, existencial. Aprender através do sofrimento era um lugar comum na literatura grega, e até havia esta máxima: «os sofrimentos são lições». O que aqui há de particular é a aplicação à aprendizagem da obediência. No entanto, a obediência de Jesus na sua Paixão só é referida em mais dois lugares do N. T.: Rom 5, 19 e Filp 2, 8. Não se pense que a Jesus, por ser Deus, Lhe custava menos o sofrimento, antes pelo contrário, pois o sofrimento é directamente proporcional à dignidade da pessoa que sofre.

9 «Tendo atingido a sua plenitude». Esta tradução não deixa ver uma das ideias centrais da epístola, que é a de «perfeição», pelo que seria preferível a tradução do Cón. Falcão, «tendo chegado à perfeição» ou a da Difusora Bíblica, «tornado perfeito». Note-se que a perfeição de que aqui se fala não é a do amadurecimento na virtude, mas a que advém a Jesus pelo exercício do seu sumo sacerdócio com a consumação da obra salvadora pela oferta do sacrifício da nova aliança: «a obediência de Jesus leva-o à sua consagração sacerdotal, que, por sua vez, O torna apto para salvar aqueles que Lhe obedecem» (The new Jerome Biblical Commentary, p. 929).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 12, 26

 

Monição: Queremos seguir Jesus nos caminhos da vida, e o Evangelho que vai ser proclamado ensina-nos a fazê-lo.

Aclamemo-lo jubilosamente, manifestando assim a nossa disponibilidade para o fazer.

 

(escolher um dos 7 refrães)

 

1. Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

2. Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

3. Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

4. Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

5. Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

6. Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

7. A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Se alguém Me quiser servir, que Me siga, diz o Senhor,

e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo.

 

 

Evangelho

 

São João 12, 20-33

 

Naquele tempo, 20alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, 21foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». 22Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. 23Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. 24Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. 25Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. 27Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». 29A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». 30Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. 31Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. 32E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». 33Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

 

Estamos na parte final da 1ª parte do IV Evangelho, do chamado «livro dos sinais». Ouvem-se os últimos apelos de Jesus à fé, mas a multidão permanece dividida (v. 29), e a sua entrega à morte está iminente (vv. 31-33).

20 «Gregos»: não deveriam ser judeus de língua grega, nem prosélitos, mas simples tementes a Deus ou adoradores de Deus, isto é, uns gentios convertidos ao único Deus de Israel, sem no entanto se sujeitarem aos ritos judaicos como o da circuncisão (cf. Act 10, 2; 13, 16.26.50; 16, 14; 17, 4.17; 18, 7).

21-22 «Filipe… André». Filipe é nome grego, bem como o de André, o que ajuda a explicar a mediação de ambos para um encontro com Jesus, pessoas mais acessíveis e compreensíveis para com os estrangeiros. Filipe, tendo em conta que Jesus só se dirigia aos judeus (cf. Mt 15, 24; Mc 7, 27), teve a prudência de tratar do assunto com o conselho de André. «Betsaida» não era rigorosamente da Galileia, mas da Gaulonítide, tetrarquia de Filipe, ficando a oriente da entrada do Jordão no lago de Genesaré. Alguns, para evitar que S. João pudesse ser acusado dum indesculpável erro geográfico, imaginam uma outra Betsaida ocidental. O mais natural é que os habitantes judeus de Betsaida se considerassem galileus, como o próprio Apóstolo Filipe, dando assim lugar a que se pudesse falar, impropriamente, de Betsaida da Galileia.

23-26 A «hora» da «glória» não é de modo nenhum a da glória humana, como poderia ser a da entrada triunfal em Jerusalém, mas a hora de dar a vida, de morrer para dar fruto; e, para o seguidor de Cristo, também já não lhe resta outra alternativa (cf. Jo 15, 18-20). O sentido da morte de Jesus fica esclarecido com a comparação do «grão de trigo», que deve morrer para dar fruto; nisto está a sua glória e a glória dos seus seguidores. «Desprezar a vida», à letra, odiar: de acordo com o uso semítico, odiar em oposição a amar, significa não dar grande valor ou amar menos (cf. Gn 29,31-33; Dt 21,15; Mt 6,24; Lc 14,26; 16,13).

27-28 «A minha alma está perturbada… Pai, salva-me…». Esta passagem faz pensar na agonia do Getxemaní relatada nos Sinópticos e a que S. João mal alude (18, 11), a fim de que o leitor não se fixe em tão grande humilhação do Senhor no momento em que Ele avança para a glória da Cruz. Tenha-se na devida conta que em S. João glorificar tem frequentemente um sentido «manifestativo» (cf. 17,1-6.24-26), e o nome equivale à pessoa, por isso «glorifica o teu nome» equivale a manifesta a tua glória. A voz vinda do Céu era um grande motivo de credibilidade na época, a chamada bat-qol; esta ilumina com o sentido optimista da fé a Paixão e Morte do Senhor.

30-31 «Agora, vai chegar a «hora» de Jesus, a hora da glória, que é ao mesmo tempo de vida e salvação e, simultaneamente, de julgamento e condenação (cf. Jo 16, 11). Ao terminar a primeira parte do Evangelho, esta alternativa, a que não se pode fugir, é posta em relevo (vv. 35-36.45-48): ninguém pode ficar na penumbra; tem de optar entre a Luz e as trevas. Mundo aqui identifica-se com os que rejeitam a fé e se situam no domínio tenebroso de Satanás (cf. Lc 4, 5-6).

32 «Erguido da terra, no sentido físico – na Cruz – encerra um segundo sentido espiritual de exaltação e glória, que S. João quer acentuar (cf. Jo 3, 14; 8, 28; 18, 32). Há manuscritos que têm atrairei tudo, em vez de todos: Jesus crucificado exerce um poderoso atractivo sobre todas as almas sinceras, provocando uma resposta de amor incondicional, até que Ele venha a tornar-se o centro de tudo, de todas as actividades humanas e de todo o universo criado por Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

• Renovar a Aliança Baptismal

Do Baptismo à Confissão

Romper as cadeias da escravidão

Frutos da confissão sacramental

• Queremos ver Jesus

Desejo de O ver

Seguir Jesus Cristo na vida

Na alegria da Páscoa

 

1. Renovar a Aliança Baptismal

 

Toda a liturgia da Quaresma está orientada em ordem a preparar a renovação das promessas do nosso Baptismo, na noite da Vigília Pascal.

Ao longo das cinco semanas da Quaresma, pela Sua Palavra, o Senhor foi-nos indicando quais os aspectos da nossa vida que era preciso renovar.

Um passo importante dentro desta caminhada quaresmal é, portanto uma confissão sacramental preparada com todo o cuidado e feita com generosidade.

 

a) Do Baptismo à Confissão. «Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova

Fizemos uma Aliança de Amor com o nosso Deus no Baptismo. Os nossos pais assumiram a responsabilidade de nos encaminhar para a fidelidade a esta Aliança, e nós quisemos considerá-la como própria, a quando começámos a compreender o sentido da vida.

Mas durante a vida caímos em muitas infidelidades a este compromisso de amor, cometendo pecados e faltas de generosidade.

Temos agora a necessidade urgente de reparar tudo o que nos desviou deste compromisso, deixando que o Senhor nos purifique numa confissão sacramental com as necessárias disposições.

A renovação da Aliança exige, portanto que seja preparada por uma confissão sacramental. Ela repara todos os estragos que o pecado causou em nós e fortalece-nos com graças para que possamos perseverar neste caminho do Céu.

Ela será ainda mais bem feita do que habitualmente:

• por uma maior delicadeza no exame de consciência e na sinceridade e humildade com que nos confessamos;

• por uma contrição mais profunda. Às vezes podemos dar a impressão de que somos tão santos que até merecemos que o Senhor nos peça desculpa de nos falar em confissão;

O Senhor já nos libertou da escravidão do Egipto do pecado, pelo Baptismo, fazendo-nos passar através das águas do Baptismo para a liberdade de filhos de Deus.

Manifestemos ao Senhor, com toda a sinceridade do coração, o desejo de regressar à “caridade primitiva”.

 

b) Romper as cadeias da escravidão. «Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram

Para curar uma doença, o doente tem de aceitar que está enfermo, e o médico tem necessidade de saber as causas que estiveram na sua origem.

Se não reconhecemos ainda que o pecado é um mal, e queremos fazer uma confissão rotineira para continuar como antes, ainda não estamos preparados para nos confessarmos.

O pecado é uma transgressão consciente e voluntária de um mandamento da Lei de Deus, por pensamentos, palavras, obras ou omissões.

Em geral, somos levados ao pecado dentro de determinadas circunstâncias que nos empurram para ele. As ocasiões de pecado são aquelas situações que nos colocam em perigo de ofender a Deus. Podem ser pessoas com quem andamos, programas de televisão ou internet que vemos, maus livros, maus lugares, etc.

Aceitemos com profunda humildade a nossa culpa, e não nos desculpemos com os outros, ao falar dos nossos pecados.

Também pode haver a desculpa ingénua de pensar que a nós não nos faz mal, pela idade que temos ou pela experiência vivida. O contacto com uma ocasião – uma má conversa, um mau olhar, um mau programa de TV é como uma semente que se lança à terra: naquele momento parece que fica tudo como antes; mas, passado o tempo, a planta aparecerá a sair da terra.

A confissão exige de nós, para que seja autêntica, uma determinação sincera de abandonar aquelas ocasiões que nos fazem tropeçar.

Para um bom exame de consciência havemos de pensar, com amor:

• em cada um dos Mandamentos da Lei de Deus; • Nos compromissos de trabalho; • Nos deveres de estado (pais, esposos, etc.)

 

c) Frutos da confissão sacramental. «Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo

São incontáveis os benefícios e dons recebidos por nós neste encontro com o Senhor:

• O perdão de todos os pecados, quaisquer que sejam. Não há pecados sem perdão.

• Recebemos a graça sacramental. Cada sacramento tem uma graça especial para nos ajudar a viver os compromissos assumidos: os casados, para viverem com generosa fidelidade a sua comunhão de vida, os sacerdotes, as graças para o exercício do seu ministério; a santa unção, para enfrentarmos as provações do sofrimento; a confissão dá-nos a ajuda necessária para defendermos a vida da graça que nela de aumenta ou recupera contra as tentações.

• Um robustecimento da fé. O pecado enfraquece a nossa fé e deforma a imagem que temos de Deus. Por isso diz o Senhor aos que se reconciliam com Ele: «Não terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: “Aprendei a conhecer o Senhor”. Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor

Quando se apresentava ao santo Cura d’Ars uma pessoa que se queixava de não ter fé, ele aconselhava a confissão como meio para a recuperar.

• Maior delicadeza de consciência. Por ela somos capazes de detectar os mais pequenos desvios da vontade de Deus. Uma pessoa que se confessa com frequência e bem, torna-se fina e delicada para com Deus. Uma pessoa que se confessa raramente e com rotina, pode ter os maiores pecados que garantirá que não os tem. A sua consciência tornou-se insensível às chagas que o pecado lhe causa. Pedimos no salmo: «Dai-me, Senhor, um coração puro

Testemunho de fé e de humildade. No princípio da santa Missa, proclamamos todos que somos pecadores; na confissão fazemos também este acto de humildade. É salutar que os filhos vejam os pais a confessar-se e as crianças os seus catequistas.

 

2. Queremos ver Jesus

 

Um grupo de prosélitos do judaísmo que tinham vindo de longe ao Templo de Jerusalém ouviram contar tais maravilhas acerca de Jesus que manifestaram o desejo de O verem.

Quando comunicaram a Jesus este desejo, o Mestre aproveitou a oportunidade para fazer uma linda catequese.

 

a) Desejo de O ver. «Naquele tempo, alguns gregos [...] foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: “Senhor, nós queríamos ver Jesus”.»

O Senhor manifesta-nos a Sua beleza, sabedoria infinita, omnipotência e bondade, pela fé que as verdades reveladas alimentam em nós.

Mas a fé não é uma ciência teórica. Quando uma pessoa não faz algum esforço para pôr em prática as verdades que via aprendendo, a fé apaga-se.

Pela confissão sacramental manifestamos este desejo de ver Jesus, de O conhecermos de cada vez melhor para O amarmos cada vez mais.

Em cada confissão temos, portanto, de retirar da vida o que nos estorva de seguir o Senhor. Ela é um encontro pessoal com Jesus Cristo. Nela somos tocados como os doentes que procuravam Jesus nos caminhos da Terra Santa, e cura-nos das nossas enfermidades espirituais.

• Temos de exercitar a fé para descobrirmos Jesus Cristo no sacramento da penitência. Se Ele tivesse confiado este ministério a um anjo, talvez tivéssemos receio de nos aproximar. Mas Ele confiou-o a uma pessoa humana frágil como nós, que nos pode dizer com toda a sinceridade: “eu também vou a caminho do Céu e tenho dificuldades como tu!”

É Cristo quem perdoa os pecados na confissão como também é Ele que consagra o pão e o vinho no altar, e nos dois casos, actua pelo ministério do sacerdote.

Peçamos a graça de O ver, de O reconhecer presente neste sacramento de misericórdia que nos restitui a vida de Deus.

 

b) Seguir Jesus Cristo na vida. «Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará

A confissão propõe-nos seguir a vida e Jesus Cristo, morrer, como Ele para, à semelhança do grão de trigo, dar frutos de santidade e de apostolado. «Jesus respondeu-lhes: [...] Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto

A confissão inclui um propósito firme de emenda.

Muitos jovens, levados por uma falsa sinceridade, dizem: “Eu prometo e volto a faltar. Portanto, não volto lá, porque não seria sincero.”

Quando nos confessamos, não prometemos nunca mais pecar, mas lutar generosamente para não voltar a cair em pecado. O ritual do sacramento da penitência emendou a antiga despedida – “vai em paz e não tornes a pecar – para outra mais realista: “podeis ir em paz!”

Mas, na verdade, temos de fomentar esta disposição interior de um corte radical com o pecado e com tudo o que nos pode levar a ele.

Por falta de uma séria preparação para este sacramento, as pessoas podem inutilizar este sacramento, porque não fazem propósito nenhum. Às vezes manifestam o contentamento de continuarem a ser como são, porque acham que já são demasiado boas.

Além disso, há o perigo de guardar pequenos “ídolos” que nos afastam de Deus. Judas Macabeu ficou muito admirado porque tinham morrido muitos israelitas num combate contra os pagãos, súbditos de Antíoco, que os queriam reduzir ao paganismo. Quando lhe foi possível, passou pelo acampamento para venerar os mortos e dar-lhes sepultura. Descobriram então que eles tinham guardados nos bolsos pequenos ídolos que estavam contra a sua fé num só Deus.

Não guardemos pequenos ídolos do pecado que nos podem impedir de receber a graça deste sacramento.

 

c) Preparar a alegria da Páscoa. «Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome

A confissão sacramental orienta-nos para uma intimidade crescente com Jesus e para a Sua glorificação em nossa vida.

Glorificamos a Jesus Cristo pela nossa vida à imitação da Sua vida na terra.

Depois de recebida a graça do sacramento da Comissão, temos necessidade de alimentar a vida de Deus em nós pela Santíssima Eucaristia.

Na Santa Missa de cada domingo preparou o Senhor um banquete para nós. Nele o próprio Jesus serve-nos em duas mesas:

Mesa da Palavra (de Deus). É constituída por três leituras e um salmo.

Na primeira – em geral do Antigo Testamento – somos iluminados pelas promessas feitas aos nossos pais.

Com o salmo responsorial ou de meditação, manifestamos ao Senhor os sentimentos que esta leitura despertou em nós.

No Evangelho temos a Palavra do próprio Jesus Cristo, última e definitiva Palavra do Pai.

Na segunda leitura recebemos o testemunho sobre o modo como os primeiros cristãos procuravam viver os ensinamentos do Divino mestre.

Mesa da Eucaristia. Em cada Missa o Senhor prepara um Banquete no qual nos serve o Seu Corpo e Sangue, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu.

Faltar a este convite, além de ser uma indelicadeza para com o Senhor, é também uma inconsciência que nos prejudica e empobrece.

Maria está connosco em cada missa do domingo, depois de nos ter conduzido, com a sua mão maternal, ao sacramento da confissão.

 

Fala o Santo Padre

 

«Nós queríamos ver Jesus.»

 

Amados irmãos e irmãs!

No Evangelho deste domingo, Jesus fala do grão de trigo que cai na terra, morre e se multiplica, respondendo a alguns gregos que se aproximam do apóstolo Filipe para lhe pedir: «Nós queríamos ver Jesus» (Jo 12, 21). Hoje nós, dirigindo-nos a Maria Santíssima, também Lhe suplicamos: «Mostrai-nos Jesus».

Com efeito, ao rezarmos agora o Angelus, que recorda a Anunciação do Senhor, em espírito também os nossos olhos se dirigem para a colina de Tepeyac, o lugar onde a Mãe de Deus, sob o título de «a sempre Virgem Santa Maria de Guadalupe», há séculos que é honrada fervorosamente como sinal de reconciliação e da infinita bondade de Deus pelo mundo. [...]

Papa Bento XVI, Angelus, Léon, México, 25 de Março de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com a certeza de que Deus nos ama infinitamente

e a todos quer ver participando na felicidade eterna,

apresentemos-Lhe humildemente as nossas preces

implorando a Sua ajuda para todas as pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, nós queremos ver Jesus.

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos e Presbíteros do mundo,

    para que nos ensinem os caminhos da misericórdia,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós queremos ver Jesus.

 

2. Pelos sacerdotes que se dedicam ao confessionário,

    para que o Senhor os encha de consolação e alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós queremos ver Jesus.

 

3.  Pelos que sentem muita dificuldade em confessar-se,

    para que o Deus da misericórdia os anime e conforte,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós queremos ver Jesus.

 

4. Por todos que se dedicam à formação da juventude,

    para que O Senhor os anime, recompense e alegre,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós queremos ver Jesus.

 

5. Por todas famílias da nossa comunidade paroquial,

    para que sejam lares luminosos, alegres e fecundos,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós queremos ver Jesus.

 

6. Pelos que nos precederam na confissão da mesma fé,

    para que o Senhor lhes conceda, o eterno descanso,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós queremos ver Jesus.

 

Senhor, que nos deixastes na Vossa Igreja

os auxílios para Vos amarmos e servirmos:

ajudai-nos a usá-los com amor e alegria,

para que um dia Vos contemplemos no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Neste encontro com Jesus Cristo a que Ele preside, na pessoa do sacerdote, recebemos os dons de que precisamos para caminhar até à vida eterna.

Depois de iluminados pela Palavra de Deus, receberemos o Corpo e Sangue do Senhor que o mesmo Jesus vai consagrar, pelo ministério sacerdotal.

 

Cântico do ofertório: Escutai a minha prece, A. Cartageno, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A paz é um dom de Deus que Ele concede às pessoas de boa vontade que procuram seguir na vida os seus ensinamentos.

Decidamo-nos a ser, pela vida de cada dia, verdadeiros construtores da paz entre os homens.

 

Monição da Comunhão

 

S. Paulo recomenda que cada fiel deve examinar-se cuidadosamente antes de se aproximar da Mesa da Comunhão, para verificar, uma vez mais, se estás nas condições devidas para comungar: na graça de Deus, com verdadeira fé na Presença Real de Jesus e com a reverência devida a tão augusto manjar.

 

Cântico da Comunhão: Amai como Eu vos amei, J. Santos, NRMS 87

Jo 12, 24-25

Antífona da comunhão: Em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará fruto abundante,

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ajudemos, com o bom exemplo, os nossos amigos a receber o Sacramento da Reconciliação e Penitência.

Dele depende o mundo melhor que todos nós desejamos ardentemente.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

5.ª SEMANA

 

2.ª Feira, 23-III: Conversão e poder de Deus.

Dan 13, 41-62 / Jo 8, 1-11

Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Também eu não te condeno. Vai e doravante não tornes a pecar.

 Susana foi acusada injustamente de um pecado de adultério e salva de morte certa graças à intervenção do profeta Daniel (Leit.). Jesus não só salva da morte uma mulher apanhada em adultério como também a salva da morte eterna, perdoando-lhe os pecados Ev.).

Apesar dos nossos pecados, procuremos aumentar a nossa esperança, porque Jesus ofereceu a sua vida para nos salvar da morte eterna. A contemplação da paixão do Senhor pode levar-nos ao arrependimento e a pôr em prática o conselho de Jesus: «Vai e doravante não tornes a pecar». Podemos ter absoluta confiança na misericórdia do Senhor.

 

3.ª Feira, 24-III: Olhar para o crucifixo.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de bronze e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Esta serpente é a imagem da Cruz de Cristo no Calvário. Já no Antigo Testamento Deus ordenou a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação, como, por exemplo a serpente de bronze.

É muito útil andarmos acompanhados por um crucifixo. Assim, ao aparecer alguma dificuldade, ou cansaço, poderemos olhar para o crucifixo e pensar que pequeno é o nosso sofrimento comparado com o dEle, ou pedir forças para continuar a nossa tarefa, ou unir-nos à paixão de Cristo, oferecendo os nossos sofrimentos pela salvação das almas.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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