4.º Domingo dA QUARESMA

15 de Março de 2014

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor que nos dais guarida, F. Silva, NRMS 90-91

cf. Is 66, 10-11

Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Quaresma é um tempo oportuno para purificarmos as nossas ideias e atitudes acerca da bondade de Deus. As leituras do Antigo Testamento lembram-nos a história da salvação, para melhor nos fazer compreender como tudo se encaminha para a Páscoa do Senhor. Hoje, 4º Domingo, o Livro das Crónicas, diz que Deus dá ao seu Povo a possibilidade de regressar a Jerusalém, servindo-se de Ciro, o novo rei. Em resumo: os pagãos invadiram a Terra Santa, destruíram o templo e levaram cativo o povo para Babilónia. Mas, por fim, o próprio rei serviu de instrumento de salvação, dando de novo a liberdade ao povo:

Deus inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar: «Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele».

 

Oração colecta: Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O autor sagrado faz um resumo da História da Salvação. O Povo de Deus pecou. O Templo de Jerusalém foi destruído. Os israelitas foram levados para o cativeiro de Babilónia.

Mas Deus não abandona o seu povo e suscitou o rei Ciro, que permitiu o regresso à pátria.

 

2 Crónicas 36, 14-16.19-23

 

Naqueles dias, 14odos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém. 15O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. 16Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo. 19Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém, lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. 20O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas. 21Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos». 22No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: 23«Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele».

 

Esta leitura, extraída do final das Crónicas, é grandemente apropriada ao tempo da Quaresma. Com efeito, os livros dos Paralipómenos («coisas omitidas», na designação dos LXX), ou Crónicas (título hebraico), são uma recapitulação de toda a história da Salvação desde Adão até ao edito de Ciro, em particular da dinastia davídica e da organização do culto. S. Jerónimo chamou-lhes «Chronicon totius divinæ historiæ». Esta recapitulação tem por fim fazer tomar consciência ao povo de que as promessas divinas não caíram no esquecimento de Deus e que as desgraças que se abateram sobre o povo não eram definitivas, mas o justo castigo pela infidelidade dos reis e do povo (vv. 14-16). Assim, o autor (talvez um levita) incitava a gente à conversão, a condição indispensável para de novo se beneficiar do favor divino. A reconstrução do templo favorecida pelo próprio Ciro era um grande sinal de esperança, a garantia de que, a seu tempo, viria o esperado «rebento de David», pois a sua linhagem não tinha sido destruída com o exílio, e ela ali estava no meio deles (1 Cr 3, 17-24).

Esta recapitulação provoca-nos hoje a também nós fazermos uma revisão da nossa vida e das nossas infidelidades, à luz do «grande amor que Deus nos consagrou». (2.ª leitura) a ponto de que por nós «entregou o seu Filho único» à morte e morte de cruz (Evangelho de hoje).

 

Salmo Responsorial    Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6 (R. 6a)

 

Monição: Este salmo é um lindo poema que nos recorda as saudades que o povo bíblico tinha da sua terra, da cidade santa de Jerusalém e do louvor divino oferecido no Templo: Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém, fique presa a minha língua.

 

Refrão:        Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém,

                     fique presa a minha língua.

 

Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,

com saudades de Sião.

Nos salgueiros das suas margens,

dependurámos nossas harpas.

 

Aqueles que nos levaram cativos

queriam ouvir os nossos cânticos

e os nossos opressores uma canção de alegria:

«Cantai-nos um cântico de Sião».

 

Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor

em terra estrangeira?

Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,

esquecida fique a minha mão direita.

 

Apegue-se-me a língua ao paladar,

se não me lembrar de ti,

se não fizer de Jerusalém

a maior das minhas alegrias.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo afirma que Deus é rico em misericórdia. À situação pecadora do homem, Deus responde com a sua graça. O amor de Deus não tem limites. Somos filhos muito amados, a quem Deus oferece a salvação. A salvação não vem de nós: é dom de Deus.

 

Efésios 2, 4-10

 

Irmãos: 4Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, 5a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com 6Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus, 7para mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Cristo Jesus. 8De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. 9A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. 10Na verdade, nós somos obra sua, criados em Cristo Jesus, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir.

 

A leitura é extraída da primeira parte do ensino doutrinal da Carta (capítulos 1 a 3), em que o autor se detém a expor o plano divino da salvação (1,3 – 2, 22). Nestes vv. 4-10, o autor sagrado põe em evidência «a grande caridade com que nos amou» Deus: a salvação deve-se pura e exclusivamente ao dom gratuito de Deus, por isso insiste «é pela graça que fostes salvos» (v.5), «a salvação não vem de vós, é dom de Deus» (v. 9). Nunca é demais insistir no primado absoluto da graça divina (cf. Carta Apostólica Novo millennio inneunte, nº 38).

5-6 A obra da salvação inclui a Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus, mistérios dos quais participamos, ao sermos «criados em Cristo Jesus» (v. 10) como membros seus (alusão ao Baptismo: cf. Rom 6); daí os três aoristos de verbos gregos do texto original compostos da preposição «com» (syn): «con-vivificou-nos» («restituiu-nos à vida com Cristo»), «con-ressuscitou-nos» («com Ele nos ressuscitou»), «con-sentou-nos» («nos fez sentar nos Céus com Cristo»), dificilmente traduzíveis em vernáculo.

8-10 «As boas obras… como caminho que devemos seguir»: A salvação não procede das nossas obras nem dos nossos esforços, mas são um caminho indispensável a seguir para que com elas corresponder livremente à graça de Deus. E as nossas boas obras são, antes de mais, obras de Deus, da sua graça que actua em nós.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 3, 16

 

Monição: No diálogo de Jesus com Nicodemos aparece esta revelação luminosa: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu próprio filho! Jesus não veio para condenar, mas para salvar o mundo.” (Jo 3,16-17).

Com alegria aclamemos Jesus, o nosso Salvador.

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 1 (I)

 

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito:

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 14-21

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14«Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. 19E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. 20Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. 21Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

 

Estamos no contexto do discurso (dialogado) de Jesus a Nicodemos (Jo 3, 1-21). As palavras de Jesus foram tão profundamente meditadas que não se pode distinguir onde acabam as palavras de Jesus e onde começa a reflexão do evangelista.

14 «A serpente no deserto». Desde os primeiros tempos da Igreja que a serpente de bronze erguida na haste (Nm 21, 4-9) foi considerada, a partir destas palavras de Jesus, como o «tipo», ou figura, da morte de Cristo na Cruz (Pseudo-Barnabé, 12, 5-7; S. Justino, Apol. I, 60; Dial. 91; 94; 112. Tertuliano, Adv. Marc. 3, 18). A serpente de bronze, que se diz que era venerada em Jerusalém, foi destruída por Ezequias (2 Re 18, 4), para evitar o perigo de idolatria. Note-se como o livro da Sabedoria (16, 6-7) sublinha que a serpente não era mais do que um «sinal de salvação», que salvava «não porque se contemplava», mas pela virtude de Deus, «Salvador Universal»: salvava através da fé em Deus. Também para que Cristo nos salve com a sua Morte é indispensável acreditar: Ter a fé vem a ser a condição de nos ser aplicado o efeito salvífico da Redenção realizada. «Também o Filho do Homem será elevado», na Cruz, entenda-se. S. João joga com os dois sentidos da elevação, na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é então que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13, 1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. Jo 7, 38; 12, 23-24; 17, 1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (Jo 12, 16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21, 4-9; Sb 16,5-15 e o Targum (tradução aramaica), que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus amou tanto o mundo…» Esta frase é um dos pontos culminantes de todo o Evangelho: a morte de Cristo é a suprema manifestação do amor que Deus nos tem; aqui o mundo aparece no sentido positivo de criatura de Deus, noutros lugares de S. João tem o sentido oposto, como obra do maligno (cf. 1 Jo 5, 19).

17-21 «Deus não enviou o Filho… para condenar o mundo…». O judaísmo dos tempos de Jesus concebia o Messias como um juiz que, antes de mais, vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus ou se lhe opunham. Jesus insiste no amor de Deus ao mundo e no envio do Filho para que este venha a ser salvo e não condenado: o Filho é o «Salvador do mundo» (Jo 4, 42). Se há quem se condene, isto só pode suceder porque esse se coloca numa situação de condenação, ao rejeitar o Único que pode salvar: «porque não acreditou no Nome (isto é, na Pessoa) do Filho Unigénito de Deus». Esta é uma situação verdadeiramente dramática – crítica (krisis=juízo) –, bem posta em evidência no IV Evangelho: «quem não acredita já está condenado» (v. 18): o amor de Deus revelado em Jesus é de tal ordem que o homem não se pode alhear, à espera do que possa vir a acontecer-lhe, mas a pessoa é colocada perante um dilema inevitável e urgente; daí que em S. João o juízo de condenação costuma aparecer como algo actual (ver vv. 36; 5, 24; 12, 31).

 

Sugestões para a homilia

 

Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado

 

Este episódio do livro dos Números é citado por Jesus a Nicodemos para explicar que o Messias tem de “ser levantado”, como “Moisés levantou a serpente” no deserto. Na caminhada pelo deserto, o povo pecou. Deus enviou umas serpentes venenosas que mordiam e muitos morreram. Arrependidos, suplicaram a Moisés. Deus ordenou: “Faz uma serpente, coloca-a num poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela viverá.” Quando os hebreus olhavam para a serpente de bronze levantada num poste, ficavam curados. (cf. Nm 21,8-9). Para serem salvos da mordedura da serpente venenosa, os hebreus olhavam para a serpente de bronze. Para sermos curados dos nossos pecados, olhemos para Jesus crucificado. O olhar não salva por si mesmo. É um sinal da fé. Segundo o Livro da Sabedoria não se trata de um gesto mágico ou automático:

Efetivamente, quando pereceram com a mordedura de sinuosas serpentes, vossa cólera não durou até o fim. Foram por pouco tempo atormentados, para sua correção: eles possuíram um sinal de salvação que lhes lembrava o preceito de vossa lei E quem se voltava para ele era salvo, não em vista do objeto que olhava, mas por vós, Senhor, que sois o salvador de todos. Com isso mostráveis a vossos inimigos, que sois vós que livrais de todo o mal.” (Sabedoria 16,5-8)

 

Quando Eu for levantado da Terra atrairei tudo a Mim

 

Há dois modos legítimos de apresentar Jesus crucificado. Um, muito próprio da Igreja católica, realça os sofrimentos do nosso Redentor. Outro, muito ao gosto dos orientais, contempla Jesus na Cruz, como rei messiânico, ornado de esplendor, na qualidade de Filho de Deus. Apresenta o Cristo da fé. S. João recorda-nos que a subida de Cristo à Cruz não é humilhação, mas exaltação. Pela Cruz Jesus obtém a glória que tinha junto do Pai. (Bíblia, Difusora bíblica, nota Jo 3, 15)

“Assim com Moisés elevou a serpente no deserto também o Filho do homem será elevado”. Somos convidados a olhar. Somos convidados a acreditar no “Filho Unigénito de Deus” levantado na cruz, para que não pereçamos, mas “tenhamos em Jesus a vida eterna.”

Para S. João a glória de Jesus começa com a Sua crucifixão: agora o Filho do homem foi glorificado (Jo 13, 31). Irmãos, em breve vai chegar a hora da Paixão, da Redenção. Jesus será crucificado, será exaltado, será glorificado. Será por nós adorado. Que Jesus veja o nosso amor coincidir com o seu ardente desejo, manifestado nesta afirmação: Quando Eu for levantado da Terra atrairei tudo a Mim (Jo 12,32)

 Jesus, autor e consumador da nossa fé, através da cruz uniu o Céu e a Terra. Olhar, acreditar, agradecer: “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho único” (Jo 3, 16). A atitude de Deus consiste em amar, consiste em dar. Com S. João lembremos mais uma vez o amor de Deus pelo mundo. Jesus não veio condenar, veio salvar.

Graças à Misericórdia de Deus somos salvos pela fé. A salvação é dom de Deus (conf  Ef 2,4-10)

 

Fala o Santo Padre

 

«Só abrindo-se à luz, só confessando sinceramente as suas culpas a Deus,

o homem encontrará a paz verdadeira, a alegria autêntica.»

 

Queridos irmãos e irmãs

No nosso itinerário rumo à Páscoa, chegamos ao quarto domingo de Quaresma. É um caminho com Jesus através do «deserto», ou seja, um tempo durante o qual ouvir em maior medida a voz de Deus e também desmascarar as tentações que falam dentro de nós. No horizonte deste deserto perfila-se a Cruz. Jesus sabe que ela é o ápice da sua missão: com efeito, a Cruz de Cristo é o auge do amor, que nos concede a salvação. É Ele mesmo que nos diz no Evangelho: «Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja elevado, a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna» (Jo 3, 14-15). A referência é ao episódio em que, durante o êxodo do Egipto, os judeus foram atacados por serpentes venenosas, e muitos morreram; então, Deus ordenou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e que a pusesse sobre um poste: se alguém fosse mordido pelas serpentes, olhando para a serpente de bronze, ficava curado (cf. Nm 21, 4-9). Também Jesus será elevado sobre a Cruz, para que quem quer que esteja em perigo de morte por causa do pecado, dirigindo-se com fé a Ele, que morreu por nós, seja salvo. «Com efeito, Deus – escreve são João – não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3, 17).

Santo Agostinho comenta: «O médico, na medida das suas possibilidades, vem para curar o doente. Se alguém não seguir as prescrições do médico, arruina-se sozinho. O Salvador veio ao mundo... Se tu não quiseres ser salvo por ele, julgar-te-ás sozinho» (Sobre o Evangelho de João, 12, 12: PL 35, 1190). Portanto, se é infinito o amor misericordioso de Deus, que chegou a ponto de dar o seu único Filho em resgate pela nossa vida, grande é inclusive a nossa responsabilidade: com efeito, cada um deve reconhecer que está enfermo, para poder ser curado; cada um deve confessar o próprio pecado, para que o perdão de Deus, já conferido na Cruz, possa ter efeito no seu coração e na sua vida. Santo Agostinho escreve ainda: «Deus condena os teus pecados; e se também tu os condenares, unir-te-ás a Deus... Quando começa a desagradar-te aquilo que fizeste, então têm início as tuas boas obras, porque condenas as tuas obras más. As obras boas têm início com o reconhecimento das obras más» (Ibid., 13: PL 35, 1191). Às vezes o homem gosta mais das trevas do que da luz, porque está apegados aos seus pecados. Mas só abrindo-se à luz, só confessando sinceramente as suas culpas a Deus, encontrará a paz verdadeira, a alegria autêntica. Então, é importante aproximar-se com regularidade do Sacramento da Penitência, em particular na Quaresma, para receber o perdão do Senhor e intensificar o nosso caminho de conversão.

Caros amigos, amanhã celebraremos a festa solene de são José. Agradeço de coração a todos aqueles que se recordarem de mim na oração, no dia do meu onomástico. Em particular, peço-vos que oreis pela viagem apostólica ao México e a Cuba, que realizarei a partir da próxima sexta-feira. Confiemo-la à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, tão amada e venerada nesses dois países, que me preparo para visitar.

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 11 de Março de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos,

Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito.

Apoiados no grande amor que Deus nos tem,

oremos pela Igreja e por todos os homens,

rezando confiadamente:

 

R: Iluminai, Senhor, o nosso coração.

 

1. Para que as Igrejas cristãs de todo o mundo

guiadas pelo Espírito do Senhor,

façam penitência e se convertam ao Evangelho,

oremos, irmãos.

 

2. Para que este mundo não rejeite os mensageiros,

que Deus lhe envia sem cessar,

e preste ouvidos às palavras dos profetas,

oremos, irmãos.

 

3. Para que neste tempo santo da Quaresma

os cristãos se aproximem mais da luz de Cristo

e pratiquem o que é bom aos olhos de Deus,

oremos, irmãos.

 

4. Para que os pobres, os doentes e os que estão tristes,

ponham toda a sua esperança no Senhor

e acreditem que Jesus veio salvar-nos,

oremos, irmãos.

 

5. Para que a nossa assembleia dominical

dê graças pelo dom da salvação,

que Deus nos oferece em Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

Oremos: Senhor, nosso Deus,

que ouvis as orações dos vossos servos,

afastai as trevas que nos cercam,

fazei brilhar a luz do vosso Filho

e dirigi os nossos corações para a luz da sua Páscoa.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Corri, Senhor, M. Carneiro, NRMS 13

 

Oração sobre as oblatas: Ao apresentarmos com alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

“ Deus amou tanto o mundo que nos deu o seu Filho Unigénito.” (Jo 3,16)

Deus Pai ama-nos. Deus Pai dá-nos Jesus.

Jesus ama-nos e dá-nos o seu corpo como alimento que permanece para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

Salmo 121, 3-4

Antífona da comunhão: Jerusalém, cidade de Deus, para ti sobem as tribos do Senhor, para celebrar o seu santo nome.

 

Cântico de acção de graças: Proclamai em toda a terra, M. Faria, NRMS 27-28

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“ Quem pratica a verdade aproxima-se da luz (Jo 3,21)

Sabemos que Jesus é a luz do mundo. Deixemo-nos atrair por Jesus!

 

Vamos todos guiados pela esperança,

Confiados no braço do Deus forte,

entre as luzes e sombras do caminho

Que nos conduz à terra prometida

 

 

No alto do Calvário a Cruz proclama

A nova lei do amor e da justiça

O lado do Senhor está aberto

Como fonte perene de água viva

 

Cântico final: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

 

 

Homilias Feriais

 

4.ª SEMANA

 

2.ª Feira, 16-III: A renovação pessoal e da sociedade.

Is 65, 17-21 / Jo 4, 43-54

Olhai que vou criar novos céus e nova terra... Vai haver alegria e júbilo sem fim.

A renovação face da terra é uma grande promessa (Leit.): nessa altura já não haverá mais coisas velhas, como as lágrimas, o pranto, as aflições, a morte. Jesus contribui para esta renovação ressuscitando o filho do funcionário real (Ev.).

Esta renovação consiste em sair do pecado e das suas consequências em que se encontra a humanidade; em abandonar as coisas velhas (Leit.). Na Quaresma temos um tempo adequado para cada um de nós levar a cabo esta renovação pessoal, saindo do pecado. E também para levarmos a cabo a renovação da sociedade.

 

3.ª feira, 17-III: Os poderes da água viva.

Ez47, 1-9. 12 / jo 5, 1-3. 6-16

É que, aonde chegar, a água tornará tudo são, e haverá vida em todo o lugar que o rio atingir.

Desde o princípio do mundo, a água, embora sendo uma criatura humilde, é fonte de vida e de fertilidade. A Sagrada Escritura, ao ver que o Espírito Santo paira sobre as águas, dá-lhe um novo relevo: é o que se verifica na profecia de Ezequiel (Leit.).

Com a vinda de Jesus a água adquire um poder medicinal curativo (Ev.). Passa a ser água viva, da qual Jesus fala à samaritana, com a paixão e morte de Cristo. «O sangue e a água, que manaram do lado aberto do Crucificado, são tipos do Baptismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova» (CIC, 1225).

 

4.ª Feira, 18-III: Manifestações do amor de Deus.

Is 49, 8-15 / Jo 5, 17-30

Tal como o Pai ressuscita dos mortos e os faz viver, assim o Filho faz viver aqueles que entende.

Deus está sempre disposto a ajudar-nos: «no dia da salvação, vou ajudar-te» (Leit.). E mais ainda, diz que nunca nos abandona, nem nos esquecerá, pois o seu amor é mais forte do que o de uma mãe para com seus filhos (Leit.).

O Filho comunica-nos a sua vida (Ev.), principalmente através dos sacramentos: «forças que saem do corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante; acções do Espírito Santo que opera no seu Corpo, que é a Igreja, os sacramentos são 'obras primas de Deus', na nova e eterna Aliança» (CIC, 1116).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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