3.º Domingo dA QUARESMA

8 de Março de 2014

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, e respondei-me, F. da Silva, NRMS 94

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na Santa Missa renova-se sobre o altar o sacrifício da Cruz. Cristo oferece-Se de novo por nós, Ele que se fez obediente até à morte e morte de cruz.

Também nós havemos de oferecer-nos com Ele, dispondo-nos a cumprir fielmente a vontade de Deus.

 

Examinemo-nos das nossas desobediências aos mandamentos e peçamos perdão cheios de humildade.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro do Êxodo apresenta-nos o Decálogo, os Dez Mandamentos, que Deus entrega ao povo de Israel no Sinai. O Senhor põe especial empenho nos três primeiros, que se referem aos deveres para com Deus.

 

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

*Forma longa: Êxodo 20, 1-17                           Forma breve: Êxodo 20, 1-3.7-8.12-17

1Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras: 2«Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão. 3Não terás outros deuses perante Mim. [4Não farás para ti qualquer imagem esculpida, nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. 5Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; 6mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos.] 7Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão. 8Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares. [9Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas. 10Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem os teus animais domésticos, nem o estrangeiro que vive na tua cidade. 11Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado.] Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. 12Não matarás. 13Não cometerás adultério. 14Não furtarás. 15Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 16Não cobiçarás a casa do teu próximo; 17não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença».

 

Temos na leitura o Decálogo, uma palavra grega – «Dez Palavras» – segundo o nome que é dado aos Dez Mandamentos (cf. Ex 34, 28; Dt 4, 13; 10, 4). Com efeito, na origem, seriam 10 breves sentenças lapidares (como: «não matarás», «não furtarás»…), que vieram a receber desenvolvimentos explicativos inspirados. Aparece no contexto da teofania do Monte Sinai, como Palavras da Aliança (Ex 34, 28). Em Dt 5, 6-21 temos uma formulação muito semelhante. O Decálogo constitui o núcleo de toda a moral bíblica, para o qual Jesus apela (Lc 18, 20) e que Ele completa e leva à perfeição (Mt 5, 17-48). Vem a ser a expressão revelada da Lei escrita no coração de todos os homens, a lei natural (cf. Rom 2, 12-15); todos os preceitos desta lei moral se podem ver incluídos mais ou menos claramente no Decálogo. A sua distribuição por 10 não tem sido feita sempre do mesmo modo: quando o 1º mandamento é desdobrado em dois («adorar um só Deus» e «não esculpir imagens»: vv. 3 e 4), então o 9º e o 10º são englobados num só; a divisão do 1º é a seguida pelos judeus e por algumas confissões cristãs (como os calvinistas), ao passo que a divisão do último é a adoptada pelos católicos e luteranos (desde Sto. Agostinho), tendo em conta o texto de Dt 5, 21, onde se usam dois verbos diferentes, um para «não desejarás» (ló thahmór) a mulher do próximo e outro para «não cobiçarás» (ló thith’avvéh) as suas coisas.

As várias formulações cristãs do Decálogo que há nos catecismos têm em conta, por um lado, o progresso da Revelação, que culminou nos ensinamentos do Novo Testamento; por outro, a caducidade daquilo que não passava de prescrições cultuais próprias dum povo e duma cultura. Assim, o 1º mandamento, que se limitava a proibir a idolatria – «não terás outros deuses» (v. 3) –, é formulado positivamente «amarás» –, segundo o ensino de Jesus (cf. Mt 22, 37par). No v. 4 nós suprimimos «não farás qualquer imagem…», pois a proibição de fazer imagens é considerada uma lei meramente ritual, própria da cultura daquele povo, com vistas a evitar o perigo de induzir à magia e idolatria (no entanto, para a própria Arca da Aliança, estavam prescritas duas imagens de Querubins: Ex 25, 18). Também a determinação do «Sábado» como o dia a guardar (v. 8) é actualizada, tendo em conta que o 1º dia da semana passou a ser «o dia do Senhor» (Apoc 1, 10), já celebrado nos tempos apostólicos (cf. Act 20, 7; 1 Cor 16, 2); com efeito, a determinação do dia da semana não pertence à lei moral, mas ao culto antigo, que foi abolido (cf. Hebr 10, 9-10) com o Sacrifício Redentor de Cristo, o novo Templo (cf. Evangelho de hoje: Jo 2, 19-21). Por outro lado, os nossos catecismos dizem, para o 6º mandamento: «guardar castidade nas palavras e nas obras» (os espanhóis dizem «não cometerás actos impuros»), em vez de «não cometerás adultério» (v. 13), pois Jesus Cristo não se limitou a condenar o adultério; a revelação cristã fala da castidade como a perfeita regulação da faculdade generativa (cf. Mt 5, 8. 27-32; 1 Tes 4, 3-5; 1 Cor 6, 5 19-20; 1 Tim 5, 22). Também para o 9º mandamento não dizemos «não desejarás a mulher do teu próximo» (v. 17), mas, de acordo com os ensinamentos de Jesus, que põe em pé de igualdade homem e mulher (cf. Mt 19, 9) e ensina a castidade como uma afirmação positiva e em toda a sua extensão, a partir da rectidão interior, do coração (cf. Mt 5, 8.28-30), nós dizemos «guardar castidade nos pensamentos e nos desejos».

2 «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei... dessa casa da escravidão». À maneira dos antigos pactos hititas (na época de Moisés os hititas acabavam de se afastar da Palestina), que começavam com um prólogo histórico, a justificar a imposição das obrigações ao povo vencido, também o Decálogo é introduzido com uma referência histórica. Mas aqui as cláusulas não se fundamentam na derrota do povo, mas num facto salvífico gratuito, procedente do amor do Senhor: a libertação da escravidão do Egipto. As prescrições da Lei aparecem como a expressão de uma aliança (cf. Dt 5,2-3), que não é um pacto para manter um vencido sob controlo e domínio despótico, mas é um vínculo de amor com que Deus assegura a união com Ele, a liberdade e a bênção (cf. Salmo responsorial), àqueles que constituiu em seu Povo (cf. Ex 19, 6). É por isso que transgredir a Lei não é uma mera indisciplina jurídica, é dizer não ao próprio Deus, ao seu Amor, é romper a Aliança, «pecar contra o Céu» (cf. Lc 15, 18). A Lei de Deus é, como diz a Carta de S. Tiago «a lei perfeita, a lei da liberdade» (Tg 1, 25), para que o homem possa encontrar o verdadeiro sentido da sua vida; orienta-o para a verdade e para o bem, fazendo render ao máximo as suas capacidades.

8-11 Note-se que o preceito sabático não inclui qualquer acto religioso de culto; é o próprio descanso que aparece com valor cultual. Neste preceito está implícita a obrigação de trabalhar, pois só o trabalho justifica que se imponha a lei do descanso; o apelo para o trabalho de Deus (v. 11) também sugere a dignidade do trabalho do homem como cooperação com a obra criadora de Deus.

 

Salmo Responsorial    Salmo 18 (19), 8.9.10.11 (R. Jo 6, 68c)

 

Monição: Este salmo é um hino de louvor aos mandamentos, manifestação da sabedoria e do amor de Deus por nós.

 

Refrão:        Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna.

 

A lei do Senhor é perfeita,

ela reconforta a alma;

as ordens do Senhor são firmes,

dão sabedoria aos simples.

 

Os preceitos do Senhor são rectos

e alegram o coração;

os mandamentos do Senhor são claros

e iluminam os olhos.

 

O temor do Senhor é puro

e permanece para sempre;

os juízos do Senhor são verdadeiros,

todos eles são rectos.

 

São mais preciosos que o ouro,

o ouro mais fino;

são mais doces que o mel,

o puro mel dos favos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo fala do caminho do cristão, muitas vezes em contradição com a pretensa sabedoria deste mundo.

 

1 Coríntios 1, 22-25

Irmãos: 22Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. 23Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; 24mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. 25Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

 

A leitura é um pequeno trecho da primeira parte da Carta (1 Cor 1, 10 – 6, 20) onde S. Paulo começa por corrigir as divisões que havia na comunidade (1, 10 – 4, 21), uns grupinhos à volta do prestígio e da eloquência dos diversos pregadores do Evangelho (Paulo, Apolo, Cefas…), havendo cristãos que, fascinados pela sabedoria humana – a dos «judeus» e a dos «gregos» –, corriam o risco de esquecer ou desvirtuar a autêntica sabedoria do Cristo, que os salvou pela Cruz. De facto, o centro da mensagem do cristianismo é particularmente chocante, porque é a pregação da salvação pela Cruz: Cristo crucificado era um «escândalo para os judeus», que esperavam um messias espectacular, glorioso e vencedor dos inimigos e, por outro lado, constituía uma «loucura para os gentios», ciosos de retórica empolada e lisonjeira das vis paixões. «A sabedoria de Deus» é a loucura do seu incompreensível infinito amor, incompatível com a soberba auto-suficiente tanto das expectativas messiânicas judaicas, como do racionalismo grego.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 3, 16

 

Monição: Neste evangelho Jesus ensina-nos a defender o ambiente sagrado da casa de Deus. Anuncia também a Sua ressurreição.

Aclamemo-Lo.

 

Cântico: M. Luís, 1 (I)

 

Deus amou tanto o mundo

que lhe deu o seu Filho Unigénito;

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 13-25

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; 16e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». 17Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». 18Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?» 19Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». 20Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?» 21Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. 22Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera. 24Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos 25e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.

 

Este episódio deverá ser o mesmo relatado pelos Sinópticos, mas com um profundo simbolismo. O actuar de Jesus é à maneira das acções simbólicas dos antigos profetas e não se destina tanto a punir transgressores (os vendilhões actuariam legalmente e de boa fé), como a mostrar a sua suprema autoridade na «Casa de meu Pai» (v. 16) e a veicular ensinamentos que ficassem gravados para sempre. Em S. João, Jesus aparece a cumprir o anunciado no Salmo 69, 11, e o seu gesto visa, mais que purificar, substituir o templo de Jerusalém com todo o seu complexo sistema de comunicação com Deus. Só João refere a expulsão de ovelhas e bois, deixando assim ver que os animais deixam de ter sentido no novo culto centrado, a partir de agora, na pessoa de Jesus. Também se pode ver neste episódio o cumprimento da célebre profecia de Malaquias (3, 1-3); e, se «o Mensageiro da Aliança» (v. 1) designa Yahwéh (como muitos pensam), então teríamos aqui um «deraxe cristológico», isto é, uma aplicação a Jesus do que se diz do próprio Deus no A. T., uma forma subtil de indicar a condição divina de Jesus.

13 «Subiu a Jerusalém». A ida a Jerusalém sempre se chamava uma subida, por a cidade se encontrar nas montanhas de Judá, a mais de 750 metros acima do nível do mar. Era a primeira ida de Jesus à capital, durante a sua vida pública por ocasião da Páscoa.

19 «Destruí este templo…» As palavras do Senhor encerram um sentido misterioso que só a reflexão posterior – «recordaram-se» (v. 22) instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo espírito da Verdade (Dei Verbum 19) – permitiu captar; contêm uma maneira de exprimir o mistério da Incarnação, ao designarem o Corpo de Jesus como um templo em que Deus habita (cf. Col 2, 9). Para os inimigos de Jesus esta afirmação era passível da pena de morte: Mt 26, 61; Mc 14, 58; ver Mt 27, 40; Mc 15, 29; Act 6, 14.

19 «Eu o levantarei». Dado o sentido figurado das palavras de Jesus, João não põe na boca de Jesus «o reconstruirei». Note-se que quem protesta da atitude de Jesus não são os comerciantes, mas «os judeus», aqui provavelmente dirigentes pertencentes ao sinédrio (cf. Mc 11, 28), que viam usurpada a sua autoridade de velar pela ordem do Templo; a verdade é que todos julgavam permitida a venda de animais para os sacrifícios no átrio exterior, o dos gentios (o nosso adro). Jesus mostra uma autoridade bem superior.

20 «Foram precisos 46 anos…» Esta referência é interessante para a cronologia evangélica. A primeira Páscoa da vida pública de Jesus corresponderia, de acordo com Lc 3, 1, ao ano 28 da nossa era, uma vez que o templo, ainda em obras, começara a ser reedificado por Herodes, o Grande, havia 46 anos. Ora, segundo Flávio Josefo, isto deu-se no ano 18 do seu reinado, isto é, no ano 20/19 a. C. Sendo assim, a Páscoa da Morte de Jesus teria sido a do ano 30, quando Ele andaria pelos 37 anos.

 

Sugestões para a homilia

 

1)     Eu sou o Senhor teu Deus

 

Os mandamentos são manifestação do amor e da sabedoria infinita de Deus. As crianças às vezes não entendem porque é que a mãe as não deixa brincar junto ao poço ou jogar a bola na estrada. Só quando sofrem as consequências da desobediência, é que descobrem que a mãe tinha razão.

Com os mandamentos o Senhor indica-nos o caminho da felicidade neste mundo e no outro. Quantos vezes os homens, quantas vezes cada um de nós achamos que Deus não tem razão ou que as Suas leis estão ultrapassadas. Eu é que sei ! – dizemos impantes de orgulho.

João Paulo I contava a propósito a história daquele homem, novo rico, que comprou um automóvel de preço muito elevado. Para fazer ver mandou encher-lhe o depósito de champanhe. A gasolina cheira mal - dizia ele. Em vez de óleo meteu-lhe compota porque para ele era mais saborosa. Mas o automóvel não passou dali.

Cumprir os mandamentos é uma questão de humildade mas também uma questão de esperteza. Quando se compra uma máquina, sobretudo alguma mais sofisticada, temos de seguir as instruções do fabricante. Doutro modo avaria a máquina ou avaria-nos ela a nós. Deus é o fabricante do homem, o seu Criador. Obedecer aos Seus mandamentos é garantir o nosso bom funcionamento e o de toda a Humanidade.

O Senhor insiste de modo especial nos três primeiros preceitos. São os mais importantes porque se referem a Deus. E são o fundamento dos outros sete, que se referem ao próximo. Sem amor de Deus o amor aos outros fica reduzido a filantropia, a ostentação da vaidade, a auto-satisfação pessoal, que não passam de egoísmo.

Quanto às imagens, no primeiro mandamento, o que Deus proíbe é a idolatria e não propriamente as imagens. Ele próprio mandou fazer imagens, como aconteceu com a serpente de bronze no deserto, que curava os que eram mordidos pelas serpentes venenosas, porque era figura de Jesus crucificado. E mandou também colocar imagens de querubins sobre a arca da Aliança -diz-nos a Bíblia.

Não podemos adorar falsos deuses nas imagens de pedra ou de madeira, como faziam os pagãos antigamente ou então como fazem os pagãos de hoje, adorando o dinheiro, as comodidades, a ciência, o progresso e outras idiotices.

Um dos aspectos importantes da adoração a Deus é o respeito pela Sua casa. Jesus pega nas cordas para expulsar os vendilhões, que faziam negócio no adro do templo de Jerusalém, perturbando o ambiente de oração que ali devia reinar.

Também hoje pegaria nas cordas para expulsar das nossas igrejas tantos que fazem delas uma feira, sobretudo em casamentos e baptizados.

Temos de aprender a fazer da casa de Deus lugar de oração e de silêncio, tão importante para podermos falar com Ele. Temos de dar exemplo e de chamar a atenção, sem papas na língua, aos que não sabem ser bem educados nesses lugares sagrados. A começar por aqueles que mais frequentam a igreja e que, a certa altura, estão já a tratar os santos por tu.

 

2) O que é loucura de Deus é mais sábio...

 O caminho que Jesus nos ensina contrasta muitas vezes com a mentalidade mundana, empoada por uma pretensa sabedoria e progresso.

O cristão não pode ter medo de chocar com essa mentalidade. S.Paulo escrevia aos cristãos de Corinto, embebidos da filosofia grega. "Os judeus pedem milagres e os gregos a sabedoria. Quanto a nós pregamos a Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios" (2ª leit.)

O cristianismo continua a parecer a muitos uma loucura. Até alguns pretensos teólogos vêm dar-lhes razão. É preciso adaptar o cristianismo aos novos tempos – dizem muitos. E criticam o Papa e os que pretendem ser fiéis à doutrina de Cristo e aos ensinamentos da Igreja.

Mas enganam-se. São os tempos e as mentalidades que têm de adaptar-se aos ensinamentos de Jesus, quando deles se afastaram.

Cristo tem razão e só Ele tem palavras de vida eterna ( Jo  6, 69). Os homens acabam sempre por reconhecê-lo.

Há anos muitos achavam a Igreja retrógrada por falar de jejum e penitência. Hoje são os médicos os grandes propagandistas do jejum nas suas variadas formas e também de muitas outras penitências.

Não tenhamos, pois, receio de ser generosos na mortificação sobretudo neste tempo da Quaresma.

Alguns acham que a castidade para os jovens e adultos é coisa obsoleta. Falou-se duma revolução sexual na segunda metade do século XX. Agora aparecem já muitas vozes de bom senso a dizer que a maneira eficaz de evitar a sida e outras doenças do nosso tempo é a castidade antes do casamento e a fidelidade depois.

Muitos pensam que o matrimónio não é para ter filhos mas para levar uma vida de prazer. Filhos, um ou dois para enfeitar a casa e tratar dos pais depois de velhos. Começam, porém, as pessoas de senso a dar conta que os países ricos estão a morrer por falta de natalidade, que os casamentos caminham rapidamente para o divórcio, e que os filhos já não estão dispostos a tratar dos pais velhinhos.

Não tenhamos medo de chocar com o ambiente paganizado que nos rodeia. Saibamos dar testemunho da nossa fé com a nossa conduta cristã. Na Carta a Diogneto dizia um cristão dos primeiros séculos: "Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo...A carne sem ser provocada odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres: o mundo sem ter razão para isso odeia os cristãos precisamente porque se opõem aos seus prazeres".

 

3) Pregamos Cristo crucificado

 

Quaresma, tempo para olhar para Jesus crucificado. Ele é nossa sabedoria e a nossa força.

Vamos celebrar dentro de dias a festa da Páscoa – a morte e a ressurreição de Cristo. É a festa grande dos cristãos. É a festa de cada semana, em cada domingo e que dá sentido à nossa vida.

A cruz de Cristo é um livro que todos até os mais ignorantes são capazes de ler. Os grandes mestres da teologia, S.Tomás de Aquino e S.Boaventura diziam que o crucifixo era o seu livro.

De que nos fala a cruz de Cristo?

1-fala-nos do amor de Deus " Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu próprio Filho" – diz Jesus no evangelho (Jo,16). E Ele próprio acrescentou: -"não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos" ( Jo 15,13 ).

Temos de nos convencer cada dia mais desse amor por cada um de nós e deixar-nos tocar por ele, para nos convertermos e nos enamorarmos de Deus.

2-fala-nos da maldade do pecado. Tantos se tornaram insensíveis à realidade terrível do mal. E podemos também nós cair nessa cegueira e dureza do coração. Foram os pecados dos homens, os teus e os meus, que fizeram sofrer a Cristo, que o esmagaram, como anunciava o profeta Isaías falando da Paixão de Jesus. Foram as maldades dos homens contempladas por Ele que o fizeram suar sangue no Jardim das Oliveiras.

3-A cruz fala-nos de vitória. A cruz é hoje o sinal mais e também sinal de multiplicar. Quando perdemos o medo das cruzes, dos sofrimentos é que a nossa vida ganha sentido. Saberemos gastá-la alegremente ao serviço de Deus e ao serviço dos outros. Fechados em nós, em nossa pobreza, em nosso egoísmo e comodismo a nossa vida será uma vida inútil e triste.

Vamos preparar-nos para a Páscoa, unindo-nos à Paixão e Morte de Jesus pela nossa penitência mais generosa e pela nossa caridade mais diligente. Contemplar a Jesus Crucificado é a chave para entender o Evangelho e para entender a nossa vida.

Uma devoção muito bonita da Quaresma – e de todo ano – é a Via-Sacra, que nos leva a acompanhar mais de perto a Paixão e morte de Cristo.

Peçamos à Virgem, corredentora com Seu Filho, que nos ajude a amar de verdade a Jesus, cumprindo fielmente a vontade de Deus e colaborando generosamente na salvação dos que nos rodeiam.

 

Fala o Santo Padre

 

«Com a Páscoa de Jesus começa um novo culto, o culto do amor,

e um novo templo que é Ele mesmo, Cristo ressuscitado.»

Amados irmãos e irmãs!

O Evangelho deste terceiro domingo de Quaresma narra – na revelação de são João – o célebre episódio de Jesus que expulsa do templo de Jerusalém os vendedores de animais e os cambistas (cf. Jo 2, 13-25). O episódio, referido por todos os Evangelistas, aconteceu nas proximidades da festa da Páscoa e suscitou grande impressão quer na multidão, quer nos discípulos. Como devemos interpretar este gesto de Jesus? Antes de tudo deve-se observar que Ele não provocou repressão alguma dos detentores da ordem pública, porque foi visto como uma típica acção profética: de facto, os profetas, em nome de Deus, denunciavam com frequência abusos, e por vezes faziam-no com gestos simbólicos. O problema, no máximo, era a sua autoridade. Eis por que os Judeus perguntaram a Jesus: «Que sinal nos apresentas para justificares o Teu proceder?» (Jo 2, 18), demonstra-nos que ages deveras em nome de Deus.

A expulsão dos comerciantes do templo foi interpretada também do ponto de vista político-revolucionário, colocando Jesus na linha do movimento dos zelotas. Eles eram, precisamente, «zelosos» da lei de Deus e dispostos a usar a violência para a fazer respeitar. Na época de Jesus aguardavam um Messias que libertasse Israel do domínio dos Romanos. Mas Jesus desiludiu esta expectativa, a tal ponto que alguns discípulos o abandonaram e Judas Iscariotes até o atraiçoou. Na realidade, é impossível interpretar Jesus como violento: a violência é contrária ao Reino de Deus, é um instrumento do anticristo. A violência nunca está ao serviço da humanidade, mas desumaniza-a.

Ouçamos então as palavras que Jesus disse, fazendo aquele gesto: «Tirai tudo isto daqui e não façais da casa de Meu Pai uma feira». E os discípulos então recordaram-se de que está escrito num Salmo: «Devora-me o zelo pela tua casa» (69, 10). Este salmo é uma invocação de ajuda numa situação de extremo perigo por causa do ódio dos inimigos: a situação que Jesus viverá na sua paixão: o seu zelo pelo amor que paga pessoalmente, não aquele que pretenderia servir Deus mediante a violência. Com efeito, o «sinal» que Jesus dará como prova da sua autoridade será precisamente a sua morte e ressurreição. «Destruí este templo – disse – e edificá-lo-ei em três dias». E são João escreve: «Ele falava do templo do seu corpo» (Jo 2, 20-21). Com a Páscoa de Jesus começa um novo culto, o culto do amor, e um novo templo que é Ele mesmo, Cristo ressuscitado, mediante o qual cada crente pode adorar Deus Pai «em espírito e verdade» (Jo 4, 23).

Queridos amigos, o Espírito Santo começou a construir este novo templo no seio da Virgem Maria. Por sua intercessão, rezemos a fim de que cada cristão se torne pedra viva deste edifício espiritual.

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 11 de Março de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos,

 apresentemos por Jesus ao Pai os nossos pedidos:

por nós, por toda a Igreja e por todos os homens

 

1.     Pelo Santo Padre Francisco

para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza,

para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

 

2.     Pelos bispos e sacerdotes

para que preguem com valentia a Jesus Crucificado

e nos animem a cumprir fielmente os mandamentos de Deus, oremos, irmãos.

 

3.     Por todos os cristãos

para que, nesta Quaresma, renovem a sua fé e o seu amor a Jesus,

com obras e em verdade, oremos, irmãos.

 

4.     Pelos irmãos separados

para que Deus lhes dê luz abundante

 na busca da unidade duma só Igreja e dum só pastor, oremos, irmãos.

 

5.     Por todos os homens afastados de Deus

para que conheçam e sigam a Jesus Salvador,

o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

 

6.     Para que nesta Quaresma

aumente o amor ao sacramento da Penitência em todos os sacerdotes

e também em todos os cristãos, oremos, irmãos.

 

 Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Quem beber da água, Az. Oliveira, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Rito da paz

Mais unidos a Jesus na Eucaristia temos de ficar mais unidos a todos à nossa volta.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus mostra-nos o Seu amor na Cruz. Mostra-o também na Eucaristia, dando-Se a nós como alimento. Acolhamo-Lo cheios de fé e gratidão.

 

Cântico da Comunhão: O cálice de bênção, F. Silva, NRMS 21

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Cântico de acção de graças: Bendiz minha alma o Senhor, M. Carneiro, NRMS 105

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Se cumprimos fielmente a vontade de Deus seremos felizes e tornaremos os outros felizes  ao nosso redor

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

Homilias Feriais

 

3.ª SEMANA

 

2.ª Feira, 9-III: O sim à vontade de Deus.

2 Reis 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado. Então ele (Naamã), desceu e mergulhou sete vezes no Jordão e ficou purificado.

As Leituras de hoje referem o milagre da cura de Naamã. E isto foi possível porque, embora ele ao princípio se tenha recusado a obedecer, depois rectificou e ficou curado (Leit.).

Não nos esqueçamos que todos nós fomos igualmente curados porque Cristo entregou a sua vida no Calvário para ficarmos limpos. S Paulo recorda que, no baptismo, mergulhamos na água, morremos para o pecado, saímos da água e ressuscitamos com Cristo. Na oração no Horto das Oliveiras, Jesus conforma-se totalmente com a vontade do Pai e é em virtude desta mesma vontade que fomos santificados.

 

3.ª Feira, 10-III: A misericórdia de Deus e o perdão do próximo.

Dan 3, 25, 34.43 / Mt 18, 21-25

Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa brandura e a vossa misericórdia.

Sabemos que os nossos pecados, por muito numerosos e grandes que sejam, recebem o perdão graças à misericórdia de Deus (Leit. e Ev.).

Mas também temos que ser misericordiosos e perdoar os pecados dos outros na vida familiar e social: «Como é grande a necessidade do perdão e da reconciliação no mundo de hoje, nas nossas comunidades e família, no nosso próprio coração! (João Paulo II). Além disso, se não perdoamos de todo o coração aos nossos irmãos, o nosso coração endurece e torna-se impenetrável ao amor misericordioso de Deus.

 

4.ª Feira, 11-III: A sabedoria e o cumprimento dos mandamentos.

Deut 4, 1. 5-9 / Mt 5, 17-19

Mas aquele que os praticar e ensinar (os mandamentos) será tido como grande no reino dos Céus.

Moisés pede igualmente ao povo, em nome de Deus, que cumpra as leis e os preceitos do Senhor, ao entrar na terra prometida, e que os ensinem aos seus descendentes (educação familiar). Assim darão um grande exemplo aos povos vizinhos (Leit.).

Quem cumpre os mandamentos adquire a sabedoria e encara os acontecimentos com os 'olhos de Deus', com visão sobrenatural. E, ao contrário do que muitos pensam, os preceitos de Deus são justos e muitos melhores do que quaisquer outros. E finalmente são a chave que abre a porta de entrada na vida eterna (Leit.).

 

5.ª feira, 12-III: A palavra de Deus e a nossa felicidade.

Jer 7, 23-28 / Lc 11, 14-23

Escutai a minha voz. Segui inteiramente o caminho que vou traçar-vos, a fim de serdes felizes. Mas eles não ouviram, nem prestaram atenção.

Jesus dirige a sua palavra aos homens, indicando-lhes o caminho da felicidade. E, para aqueles que se afastam do caminho, oferece a sua vida para resgatá-los.

Por vezes a nossa resposta à sua palavra consiste em fechar o nosso coração, arranjando as mais variadas desculpas. Pensemos que o Senhor nos fala através da sua Palavra, contida nas Escrituras, das pessoas e dos acontecimentos de cada dia. Procuremos estar mais atentos: «Escutai hoje a voz do Senhor» (S. Resp.). E imitemos Nossa Senhora, que meditava e conservava todas as coisas no seu coração.

 

6.ª Feira, 13-III: Aniversário da eleição do Papa Francisco.

Os 14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua mente e com todas as tuas forças.

O Profeta Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que não se alie a outros povos poderosos, que tenha confiança no Senhor (Leit.). Deus compromete-se a ajudar: «amá-los-ei generosamente». Rezemos para que novo povo de Deus oiça as palavras do Papa Francisco: «Escuta a minha voz» (S. Resp.).

Jesus confirma que é necessário amar a Deus sobre todas as coisas e com todo o empenho (Ev.). O nosso amor ao Papa, o vice-Cristo na terra, deve traduzir-se num maior empenho em rezar mais vezes por ele, em conhecer bem os seus escritos, a pô-los em prática e dá-los a conhecer.

 

Sábado, 14-III: Os sacrifícios agradáveis a Deus.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

As palavras do Profeta concordam inteiramente com as palavras de Jesus na parábola (Ev.). O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava humildemente o seu amor, através da contrição.

Não haverá sacrifícios agradáveis a Deus? «Todas as actividades (dos leigos), orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida, se pacientemente suportadas, tudo se transforma em sacrifício espiritual agradável a Deus» (CIC, 901).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino F. Correia

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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