acontecimentos eclesiais

DO PAÍS

 

 

LISBOA

 

O dia 22 de Janeiro de 2005 assinalou o final do «Ano Vicentino» proclamado pelas dioceses de Lisboa e do Algarve, para celebrarem os 1700 anos do martírio do seu patrono, o diácono São Vicente, ao longo destes 12 meses.

 

A Sé Patriarcal de Lisboa acolheu uma Exposição com perto de uma centena de peças e painéis ilustrativos, com os quais se procurava dar a conhecer a personalidade deste diácono e mártir, com influência histórica, política, social, cultural e religiosa na cidade de Lisboa e em Portugal. O «Ano Vicentino» foi no Patriarcado um tempo de graças jubilares, concedido pelo Papa João Paulo II.

No Algarve, este tempo ficou marcado pelas publicações «O Algarve e São Vicente» e «Peregrinar em Igreja», com a intenção de dar a conhecer melhor o seu perfil de homem, de diácono da Igreja e de santo, verdadeira testemunha da fé até à morte.

A Igreja algarvia deu um especial destaque aos seus lugares vicentinos: Vila do Bispo e Cabo de São Vicente, m Sagres. Neste último situa-se a igreja de São Vicente, assim chamada por causa das relíquias do mártir aí guardadas desde o séc. VIII até à sua transladação para Lisboa, no tempo de D. Afonso Henriques. O Mosteiro de São Vicente de Fora foi fundado em 1147 por este rei em cumprimento de um voto dirigido ao mártir, pelo sucesso da conquista de Lisboa aos mouros.

São Vicente era diácono de Saragoça (Espanha). Durante as perseguições de Maximiano e Diocleciano, foi levado com o seu Bispo para Valência, onde foram martirizados, no princípio do séc. IV.

 

 

LISBOA

 

MUNDO LABORAL:

COOPERAR E COMPETIR

 

Nos passados dias 25 e 26 de Janeiro, decorreram na Torre do Tombo as «Jornadas – Cooperar e Competir», promovidas pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

 

Ao longo desses dois dias foram debatidas as mudanças socio-económicas com implicações no mundo do trabalho e do emprego. Nas várias intervenções foram ainda avançadas propostas de criação de emprego e de dignificação do mundo laboral.

A necessidade de criar «uma frente de solidariedade» (avançada pelo Padre David Sampaio, na abertura das Jornadas) no combate ao desemprego, bem como uma intervenção mais activa da Igreja e da sociedade portuguesa na dignificação do mundo laboral, foram algumas das ideias fortes nas várias intervenções realizadas.

Um dos principais oradores, o padre jesuíta e filósofo francês, Jean-Yves Calvez, abordou as questões do «abono universal» e do direito ao rendimento dissociado do trabalho, defendendo também a criação de novas fontes de trabalho, como o desenvolvimento de novos serviços dirigidos às pessoas. Jean-Yves Calvez, tal como outros conferencistas, recordou a reflexão de João Paulo II sobre o «sentido ético» do trabalho na vida humana, na encíclica Laborem exercens (1981). O filósofo francês defendeu ainda que a Igreja se deve empenhar na busca de soluções para responder às alterações no mundo do trabalho, em prol da «justiça social».

Outros oradores deram também a sua contribuição. No final, o Pe. Jacinto Farias, assistente eclesiástico da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, referiu que «não compete à Igreja resolver os problemas sociais, mas sim iluminá-los» e recordou o espírito da caridade fraterna na comunidade cristã.

Paulo Bernardino, presidente do Conselho de Administração da Fundação, destacou «o debate elevado e participativo» nestas Jornadas onde «a Igreja Católica surge, mais uma vez, como a entidade mais idónea e responsável para tratar estes assuntos de forma séria, responsável e sem aproveitamentos políticos».

 

 

LISBOA

 

NOVOS BISPOS AUXILIARES

 

No dia 4 de Fevereiro passado, João Paulo II nomeou dois novos Bispos auxiliares para o Patriarcado, que vêm preencher os lugares deixados vagos por D. José Sanches Alves e D. Manuel da Rocha Felício, nomeados no decurso de 2004 para a diocese de Portalegre-Castelo Branco e da Guarda, respectivamente.

 

Um dos novos Bispos auxiliares é o Cón. Carlos Azevedo, de 53 anos de idade, nascido em Santa Maria da Feira e ordenado sacerdote em 1977, na diocese do Porto. Doutor em História Eclesiástica pela Universidade Gregoriana, é membro da Academia Portuguesa da História, entre outras. Professor da Universidade Católica no Porto, foi Vice-Reitor da UCP.

O outro Bispo auxiliar é o Pe. Anacleto de Oliveira, de 59 anos de idade, nascido em Cortes (Leiria) e ordenado sacerdote em 1970, na diocese de Leiria. Licenciado em Teologia Dogmática pela Universidade Gregoriana e em Ciências Bíblicas pelo Instituto Pontifício Bíblico, doutorou-se mais tarde em Ciências Bíblicas pela Universidade de Münster (Alemanha). Actualmente é Professor e Director do Instituto Superior de Estudos Teológicos, de Coimbra.

Aos novos Bispos, a Celebração Litúrgica deseja um trabalho pastoral fecundo no Patriarcado, na altura em que se prepara para o Congresso da Nova Evangelização.

 

 

COIMBRA

 

A MORTE DA IRMÃ LÚCIA

 

A figura e a vida da Irmã Lúcia, falecida aos 97 anos no Carmelo de Santa Teresa na tarde do domingo dia 13 de Fevereiro, são recordadas como um exemplo de fé, elogiado pela sua discrição, apesar do protagonismo na mensagem de Fátima.

 

Desde que se conheceu a sua morte, inúmeras pessoas de todo o país passaram pelo Carmelo e, mais tarde, pela Sé Nova, para rezarem diante dos restos mortais. Seguindo o seu desejo, o seu corpo foi colocado na clausura do Convento, velado pelas Irmãs; e ficou sepultado no claustro, depois das exéquias celebradas na tarde do dia 15, na Sé Nova, para onde fora levado o corpo (ver Secção «A Palavra do Papa»). Daqui a um ano poderá ser transladado para a Basílica de Fátima, ao lado do túmulo da Jacinta.

«Desde 21 de Novembro passado começou a queda maior da saúde dela», diz a Prioresa do Carmelo, Irmã Maria Celina de Jesus; «tornou-se então mais dependente de nós, e chamávamos-lhe a nossa menina».

Quando se agravou o seu estado de saúde, comunicou-se ao Papa, que enviou uma mensagem, recebida na noite do sábado. O Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, contou que a Irmã Lúcia «ouviu a leitura da mensagem na manhã de hoje (domingo) e, muito sensibilizada, quis ela própria ler o texto do fax»: o Papa, pedia a Deus que a Irmã soubesse viver este «momento de dor, de sofrimento e de oferecimento» com o espírito de Páscoa, de passagem, e dava-lhe a sua bênção apostólica.

D. Albino achava providencial ter ido visitá-la com a médica e chegarem a tempo de assistirem os últimos momentos da vida da Irmã Lúcia. Foi como «uma vela que se apaga», explicou a médica, que a atendia nos últimos 13 anos; a causa natural da morte foi uma falência cardio-respiratória, própria da idade avançada.

 

Fama de santidade

 

No Santuário de Fátima, o Bispo D. Serafim Ferreira e Silva lembrou aos peregrinos que a Irmã Lúcia gostaria de falecer num dia 13 ou num primeiro sábado. «A Lúcia, que viu a Senhora como numa penumbra que não soube bem explicar, desde ontem já viu na Bem-aventurança», disse. Também recordou que num dos primeiros interrogatórios, levados a cabo pelo pároco de Fátima em 1917, ela disse: «eu não sou santa, mas também não sou mentirosa; eu só digo o que vi».

O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, frisou que «a morte da Irmã Lúcia encerra um ciclo, de certo modo. A Irmã Lúcia viva tornava Fátima contemporânea. Com a morte da última vidente e praticamente da última testemunha das aparições, Fátima fica definitivamente no seu ritmo normal de uma tradição espiritual, a partir de uma mensagem».

Sobre os efeitos da sua morte na mensagem de Fátima, o Cardeal adverte que «Fátima há muito que vive da mensagem original, independentemente da Irmã Lúcia estar viva ou não».

Pela fama de santidade com que a Irmã Lúcia partiu deste mundo, tem-se perguntado pela sua beatificação, até porque os outros dois videntes de Fátima, Francisco e Jacinta, já foram beatificados em 2000 pelo Papa João Paulo II. O Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, explicou que a beatificação e canonização são pessoais, pelo que será preciso iniciar o processo de beatificação da Irmã Lúcia, o que é da competência do Bispo de Coimbra, onde ela morreu. (Sobre as normas para a canonização dos Santos, ver CL, 2002/03, 5, pp. 1125-1131).

O Presidente da República, Jorge Sampaio, enviou um telegrama de condolências ao Bispo de Coimbra: «Apresento sentidas condolências pelo falecimento da Irmã Lúcia, que era para tantas pessoas em todo o mundo um símbolo e uma referência». O Governo decretou luto nacional no dia das exéquias.


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