1.º DOMINGO DA QUARESMA

22 de Fevereiro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Acolhe Deus de bondade, F. da Silva, NRMS 13

Salmo 90, 15-16

Antífona de entrada: Quando me invocar, hei-de atendê-lo; hei-de libertá-lo e dar-lhe glória. Favorecê-lo-ei com longa vida e lhe mostrarei a minha salvação.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Costumam as pessoas e as que fizeram um compromisso com Deus trazer no dedo uma aliança. Supõe-se que a aliança é um compromisso de amor e julgavam os antigos que a veia do amor passava nesse dedo.

Chama-se assim ao pequenino aro de metal mais ou menos precioso, porque é o sinal visível da aliança que existe no coração.

Quando uma pessoa esconde maldosamente a aliança é porque se propõe um comportamento como se não tivesse qualquer compromisso de amor.

Como anda a nossa aliança de amor feita com Jesus no momento do nosso Baptismo?

Esta é a primeira pergunta que o Senhor nos faz ao começar esta Quaresma, ao mesmo tempo que nos convida a renová-la na Páscoa da Ressurreição.

 

Acto penitencial

 

Reconhecemos na presença do Senhor, dos Anjos e dos Santos do Paraíso, e na dos nossos irmãos que nos acompanham nesta peregrinação para o Céu que temos faltado muitas vezes, por pensamentos, palavras, obras e omissões à nossa aliança do Baptismo.

Proclamamos o nosso arrependimento e o propósito firme de nos emendarmos. Prometemos, com a ajuda do Senhor que vamos fazer esforço para emendar a nossa vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Temo-nos deixado vencer muitas vezes pelo orgulho

    que nos tem levado a recusar servir-Vos  e amar-Vos com amor filial.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: deixamo-nos escravizar facilmente pela gula e sensualidade,

    procurando no prazer dos sentidos uma felicidade que nos embrutece.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Desorientamo-nos com o uso racional dos bens da terra

    e procedemos com eles como se fôssemos donos e não administradores.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ao sair da Arca, depois do dilúvio, Noé ofereceu ao Senhor um sacrifício de acção de graças.

O Senhor gostou desta generosidade e fez toda a criação, na pessoa do Santo Patriarca, uma aliança constantemente recordada pelo arco-íris.

 

 

Génesis 9, 8-15

 

8Deus disse a Noé e a seus filhos: 9«Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência 10e com todos os seres vivos que vos acompanham: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens que estão convosco, todos quantos saíram da arca e agora vivem na terra. 11Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio e nunca mais um dilúvio devastará a terra». 12Deus disse ainda: «Este é o sinal da aliança que estabeleço convosco e com todos os animais que vivem entre vós, por todas as gerações futuras: 13farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra. 14Sempre que Eu cobrir a terra de nuvens e aparecer nas nuvens o arco, 15recordarei a minha aliança convosco e com todos os seres vivos e nunca mais as águas formarão um dilúvio para destruir todas as criaturas».

 

A aliança de que fala o texto não é ainda a que veio a ser feita com o povo escolhido, mas é a chamada «aliança cósmica», com toda a humanidade e com toda a obra da criação. Quando lemos o texto do dilúvio na Igreja – os estudiosos falam de duas fontes fundidas e entrelaçadas, a da tradição javista e a da tradição sacerdotal –, não devemos ficar parados ou perdidos nas questões histórico-literárias e nas interessantes semelhanças com outros relatos, ou mitos, de diversas culturas antigas que falam de cataclismos imemoriais do género. Como se lê em 2 Tim 3, 15-17, o que acima de tudo nos interessa no contacto com «toda a Escritura, inspirada por Deus», é alcançar «a sabedoria que conduz à salvação por meio da fé em Jesus Cristo». É fácil de detectar «o ensino» que no texto nos é oferecido. Quando a humanidade se perde no pecado, transgredindo a lei impressa na obra da criação, a harmonia da própria da natureza transtorna-se, voltando ao caos inicial (cf. Gn 1, 2), e corre sério risco a subsistência do ser humano (lembrar o muito que se tem dito a propósito da Sida, que não é a vingança de Deus, mas é a própria natureza a vingar-se). Na Sagrada Escritura o fenómeno do dilúvio tem a particularidade de não ser apresentado como fruto de caprichos maléficos e invejas dos deuses pagãos – assim era nos mitos sumérios e babilónicos –, mas como consequência do pecado e em ordem ao recomeço de uma nova era de regeneração e harmonia universal. A aliança a que dá lugar o dilúvio revela o verdadeiro interior de Deus para com a sua criatura: Ele é Pai providente que cuida carinhosamente de tudo o que criou, particularmente do homem; Deus, «mesmo quando castiga, não esquece a sua misericórdia» (cf. Habc 3, 2). O fundo mitológico do relato parece claro, mas também nos parece pouco, ao lermos este texto sagrado, deixarmo-nos ficar encerrados no acanhado horizonte do mito, quando o autor inspirado vai mais além: Yahwéh é um Deus ético e transcendente; o «castigo» do pecado (Gn 6, 6.12) não é resultante dum capricho, nem sequer duma ira desenfreada. Neste sentido, o autor já fez um primeiro trabalho de desmitização, apesar de manter a mesma linguagem antropomórfica do mito, chocante para a nossa mentalidade.

12-16 «O arco-íris» – fenómeno natural anterior ao dilúvio – adquire um significado simbólico. Ele é o sinal da benevolência divina, expressa em categorias de aliança, para com toda a criação; não é mais um tremendo arco de guerra (o termo hebraico, quéxet, é o mesmo), mas é sim o abraço de paz do Criador! Ainda que persistam na memória dos povos tremendas catástrofes, como o dilúvio, justo castigo do pecado, o ser humano não deve viver esmagado sob o pesadelo constante dos terrores que não podem deixar de sentir aqueles que ignoram a Revelação divina.

A Liturgia, ao apresentar este texto no começo da Quaresma, além de introduzir a 2.ª leitura, facilita-nos a animadora consideração da misericórdia divina, a qual permite que nos elevemos acima das nossas misérias e saiamos dos nossos pecados pela graça de Cristo, que nos chega particularmente através dos Sacramentos.

 

Salmo Responsorial    Salmo 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9 (R. cf. 10)

 

Monição: Para respondermos a interpelação que o Senhor nos fez na primeira leitura, o Espírito Santo coloca em nossos lábios um salmo de louvor.

Deus oferece-nos uma Aliança de amor, com toda a criação e nós proclamamos a felicidade dos que são felizes a essa aliança.

 

Refrão:        Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade

                     para os que são fiéis à vossa aliança.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,

ensinai-me as vossas veredas.

Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,

porque Vós sois Deus, meu Salvador.

 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias

e das vossas graças que são eternas.

Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,

por causa da vossa bondade, Senhor.

 

O Senhor é bom e recto,

ensina o caminho aos pecadores.

Orienta os humildes na justiça

e dá-lhes a conhecer a sua aliança.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro anuncia-nos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor que Ele ofereceu pelos nossos pecados.

Foi Ele que levou ao Paraíso todos os justos do Antigo testamento que se mantiveram fiéis à Aliança com Noé.

 

1 São Pedro 3, 18-22

 

Caríssimos: 18Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito. 19Foi por este Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam na prisão da morte 20e tinham sido outrora rebeldes, quando, nos dias de Noé, Deus esperava com paciência, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, oito apenas, se salvaram através da água. 21Esta água é figura do Baptismo que agora vos salva, que não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso para com Deus de uma boa consciência, pela ressurreição de Jesus Cristo, 22que subiu ao Céu e está à direita de Deus, tendo sob o seu domínio os Anjos, as Dominações e as Potestades.

 

A 1ª Carta de Pedro, donde é tirada a leitura, parece ter como base uma catequese baptismal; aparece na liturgia de hoje em relação com a 1ª leitura, que fala do dilúvio, o qual é apresentado aqui como figura do Baptismo.

18 «Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito (cf. 1 Pe 2, 21.24; Rom 6, 10; Hbr 9, 28). Foi por este (Espírito) que Ele foi pregar aos espíritos que estavam na prisão da morte…» A tradução procura oferecer aos fiéis que ouvem a leitura uma forma de entenderem um texto deveras difícil. O v. 18 pode entender-se: «morto» como homem, e «vivo» como Deus (cf. Rom 1, 4; 1 Tm 3, 16.), ou talvez se trate antes de uma formulação primitiva para exprimir que Jesus, ao morrer, abandonou de vez a sua condição mortal para passar a viver no seu estado glorioso e imortal.

19 «Pregar» sempre indica, no NT, a pregação da salvação. Esta pregação de Jesus «aos espíritos que estavam na prisão» é a referência bíblica mais clara à verdade professada no Credo acerca de Jesus que «desceu à mansão dos mortos» (cf. 1 Pe 4, 6; Rom 10, 6-7; Ef 4, 8-9; Apoc 1, 18; Mt 12, 40; Lc 23, 43; Act 2, 31) a anunciar-lhes a mensagem da salvação, segundo uns com a sua alma separada do corpo, segundo outros na sua nova condição gloriosa. Lembramos que a «mansão dos mortos» (o Xeol hebraico, o Hades grego, os Infernos em latim) representava o estado dos que tinham morrido, que se pensava ser num espaço interior da Terra. O autor, ao dizer que Jesus pregou (a salvação) também (kai, uma partícula a que o tradutor não valorizou) aos que… tinham sido outrora rebeldes … nos dias de Noé, parece querer dizer que até (kai) àquela gente, que na tradição bíblica era considerada como os maiores pecadores (cf. Gn 6, 5.11-12), chegou a salvação de Jesus. É o alcance universal da Redenção para todos os pecadores arrependidos (cf. 4, 6), por mais pecadores que tenham sido; a salvação é levada por Jesus a todos e não apenas à gente aqui nomeada dos tempos de Noé, como sendo o tipo da gente mais perversa, mas certamente arrependida dos seus pecados (argumentação a fortiore).

No entanto, esta passagem da pregação de Jesus aos espíritos cativos é muito obscura e, para além da interpretação tradicional, que a entende como a descida de Jesus aos Infernos, ou Mansão dos Mortos, para levar para o Céu todas as almas que aguardavam a hora da redenção, deu azo às mais diversas e desacertadas interpretações: a) para uns seria uma referência à salvação de certos condenados que se salvaram com a descida de Cristo ao Inferno (assim pensou Orígenes, mas a Igreja reprovou esta opinião); b) para Sto. Agostinho (fazendo uma violência inaceitável ao texto) refere-se ao Verbo, que, antes da Incarnação, através dos avisos de Noé, se dirigiu àqueles ímpios cativos da ignorância e da perversão; c) para uns poucos (em especial alguns protestantes), estes «espíritos cativos» seriam anjos caídos (cf. v. 22), a quem Cristo teria convencido da sua condenação definitiva; d) até houve quem conjecturasse, mas sem ter tido aceitação, que a expressão «neste também» (em grego: en ô kai), ao admitir a leitura «Henoc também» (em grego: Enôc kai), se referia ao patriarca anterior ao dilúvio, que, segundo Gn 5, 24, não morreu e, segundo a literatura apócrifa, proclamou a condenação aos anjos rebeldes. Na nossa tradução da Nova Bíblia da Difusora Bíblica traduzimos en ô como sendo uma expressão adverbial: «então» (e não «neste», referido a «espírito», como tem a tradução litúrgica).

20 «Se salvaram através da água»: Noé, a mulher, 3 filhos e 3 noras (8 pessoas, sem contar os netos: cf Gn 6 – 9). Como se vê, a água aqui não é tomada no seu aspecto de castigo e destruição, como uma água mortífera, mas como uma água salvadora, um meio de os sobreviventes se salvarem, navegando através da água. É de notar um deslizamento semântico na preposição grega diá do sentido local – através de – para o sentido instrumental – por meio de –, de maneira a pôr em evidência um simbolismo oculto: a água do dilúvio é a figura (o tipo) do «Baptismo», o qual é a autêntica realidade (em grego: o antitipo) «que agora vos salva». Com efeito, se o Baptismo salva, não é pelo facto de limpar a sujidade do corpo, mas é «pela ressurreição de Jesus» (v. 21), quando a Ele se adere pela fé concretizada nas promessas do Baptismo, isto é, «o compromisso para com Deus de uma boa consciência» (v. 22).

22: «Subiu ao Céu» é uma clara referência à Ascensão de Jesus, bem atestada no N. T., e frequente nos Escritos Paulinos (Mc 16, 19; Lc 24, 50-51; Jo 6, 62; Act 1, 33-34; Rom 8, 34; Ef 1, 20; Col 3, 1; Hebr 1, 3; 8, 1; 10, 12; 12, 2). «E está à direita de Deus» exprime a suma dignidade de Cristo, acima de todas as criaturas, bem como o seu domínio sobre todas elas, incluindo as criaturas mais elevadas e invisíveis, isto é, o mundo dos anjos, «Anjos, Dominações e Potestades», seres que também em S. Paulo englobam vagamente espíritos bons e maus, não sendo fácil estabelecer sempre a distinção. Tendo em conta sobretudo 1 Cor 15, 24 e Col 2, 15, Dominações e Potestades pode ser uma alusão a espíritos maus. As hierarquias angélicas, estabelecidas a partir destes nomes e outros que aparecem no N. T., oferecem pouca segurança e têm mais em conta a literatura apócrifa inter-testamentária do que os dados da Revelação divina.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: O Evangelho convida-nos a deixar de lado a preocupação excessiva sobre o que havemos de comer e a voltarmo-nos generosamente para o acolhimento da Palavra de Deus, alimento do nosso espírito.

Agradeçamos este ensinamento e aclamemos o Evangelho da nossa salvação.

 

(escolher um dos 7 refrães)

 

1. Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

2. Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

3. Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

4. Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

5. Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

6. Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

7. A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

Cântico: Não só de pão vive o homem, M. Luis, NCT 106

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 12-15

 

Naquele tempo, 12o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. 13Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. 14Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: 15«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

 

Todos os anos temos no 1º Domingo da Quaresma o texto evangélico das tentações de Jesus; neste ano B, temo-las na forma mais simples, desprovida de qualquer espécie de encenação, a do Evangelista do ano, S. Marcos.

13 «Esteve no deserto 40 dias». A nossa Quaresma recorda esses dias. S. Marcos não se refere ao jejum do Senhor, mas só ao deserto e às tentações, e apenas dum modo genérico: «Era tentado. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-no» (cf. Mt 4, 1-11). Assim observa Bento XVI o sentido profundo que encerram o deserto e as tentações de Jesus: «A acção (de Jesus) é precedida pelo recolhimento, e este é necessariamente também uma luta interior em prol da sua missão, uma luta contra as deturpações da mesma, que se apresentam como suas verdadeiras realizações. É uma descida aos perigos que ameaçam o homem, porque só assim o homem caído pode ser levantado. Permanecendo fiel ao núcleo originário da sua missão, Jesus deve entrar no drama da existência humana, atravessá-lo até ao fundo, para deste modo encontrar a «ovelha perdida», colocá-la aos seus ombros e reconduzi-la a casa» (Jesus de Nazaré, p. 56).

«Satanás» (em hebraico, «xatan») significa adversário, acusador (em grego, «diábolos», caluniador). As tentações do demónio visavam desviar Jesus da sua missão, com a sedução do protagonismo para vir a ser um messias milagreiro, espectacular e ambicioso. O Evangelho põe em evidência o maravilhoso exemplo do Senhor: um exemplo de humildade, ao sujeitar-se aos ataques do demónio, e de fortaleza, ao resistir decididamente, sem a mais pequena vacilação ou cedência. Vem a propósito mais este belo comentário de Sto. Agostinho, que se lê no Ofício de Leituras: «A nossa vida, enquanto somos peregrinos na terra, não pode estar livre de tentações, e o nosso aperfeiçoamento realiza-se precisamente através das provações. Ninguém se conhece a si mesmo, se não for provado; ninguém pode receber a coroa, se não tiver vencido; ninguém pode vencer, se não combate; e ninguém pode combater, se não tiver inimigos e tentações. Bem poderia Ele ter mantido o demónio longe de Si; mas se não fosse tentado, não nos teria ensinado a vencer a tentação» (Enar. in Ps. 60).

 

Sugestões para a homilia

 

• A nossa Aliança com Deus

A Aliança, sinal de Amor

Os compromissos da Aliança

Quaresma, tempo de revisão da Aliança

• A fidelidade à Aliança

Preparar-se para o combate

Vencer as tentações

Acolher a Boa Nova

 

1. A nossa Aliança com Deus

 

a) A Aliança, sinal de Amor. «Deus disse a Noé e a seus filhos: “Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência e com todos os seres vivos que vos acompanham.”»

A aliança é um pacto entre duas pessoas ou dois povos, pelo qual os dois se comprometem mutuamente. Se um deles faltar, o menos que pode acontecer é o outro ficar desobrigado de cumprir o estipulado.

O Senhor quis assumir esta linguagem humana, fazendo alianças com os homens.

Fez uma aliança com Noé. Depois do dilúvio, o santo patriarca ofereceu um sacrifício de acção de graças por ter sido salvo das águas com toda a sua família e bens.

O Senhor comprometeu-se – numa aliança cósmica – a que nunca mais um dilúvio destruiria a criação. A humanidade, representada por Noé, comprometia-se a viver segundo a vontade de Deus.

O sinal desta aliança seria o arco-íris que, depois da chuva, parece ligar o céu com a terra num grande abraço.

O amor de Deus para connosco é incondicional e abre-nos generosamente os braços; mas depende da nossa vontade aceitarmos ou não os Seus dons, este abraço de amor que Ele nos oferece.

Fez uma Aliança com Moisés. No monte Sinai, Moisés contempla uma sarça em chamas que arde sem se consumir. Era o sinal da Aliança que o Senhor iria fazer.

Deus compromete-Se a defender e cuidar do Seu Povo, conduzindo-o da escravidão no Egipto à liberdade na Terra da promissão, e o Povo comprometia-se, em Moisés, a observar o que estava escrito nas duas Tábuas da Lei.

• O Pai faz uma Aliança no Sangue de Jesus, no Calvário com a Sua Igreja, comprometendo-Se libertar-nos da escravidão do demónio, a guiar-nos com a Sua Lei nesta caminhada para o Céu, a alimentar-nos com os Sacramentos e crescer numa relação filial com Ele; enquanto nós nos comprometemos a viver as Promessas do nosso Baptismo.

Nós assumimos pessoalmente esta Aliança feita em Jesus Cristo pelo nosso Baptismo. Aceita, num primeiro momento, que os nossos pais se comprometam em nosso nome, mas espera que depois, já conscientes da vida, a tomemos como nossa.

O Sinal desta Aliança é o carácter indelevelmente impresso na nossa alma.

 

b) Os compromissos da Aliança. «Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio e nunca mais um dilúvio devastará a terra

Antes de administrar o Baptismo, o sacerdote interpela os pais – quando é baptizada uma criança – ou o próprio – no Baptismo de adultos – com solenidade sobre o corte definitivo nas relações com o demónio: “Renuncias a Satanás e às suas obras?” De nada adiantaria conseguir a liberdade para uma pessoa se ela não quisesse sair da cadeia; e sobre a fé: “Crês na Santíssima Trindade e em toda a doutrina que a Igreja nos ensina?”

O Baptismo é o grande acontecimento da nossa vida, a grande festa de uma família consciente da alegria de ser cristã, e momento de todos renovarem o seu compromisso baptismal.

Somos sepultados nas águas ainda pecadores – o homem velho de que nos fala S. Paulo – e saímos dela ressuscitados para a vida de filhos de Deus.

Esta é a razão pela qual o demónio tem um medo pavoroso à água benta. Dizia Santa Teresa de Jesus que, depois de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem, a nada o demónio tem tanto medo como à água benta, porque ela está ligada ao nosso Baptismo e este foi para o Inimigo um momento de terrível derrota. Pelo Baptismo cortamos definitivamente com Satanás, como sendo o nosso pior inimigo.

Os compromissos da nossa aliança baptismal são:

• Viver na graça de Deus, vida divina recebida no Baptismo. Isto exige evitar o pecado, especialmente o mortal, recuperando-o pelo Sacramento da Reconciliação.

• Acolher docilmente a Palavra de Deus e fazer dela oração – diálogo com o Senhor – caminhando para uma intimidade crescente com Ele.

• Alimentar-se com os Sacramentos da Igreja. A Confissão e Comunhão Pascal é um sinal da aceitação de que vamos frequentar estes sacramentos.

• Viver o mandamento novo do Amor, procurando ajudar as outras pessoas no caminho da salvação.

 

c) Quaresma, tempo de revisão da Aliança. «Caríssimos: Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus

Ensina o Concílio Vaticano II: «Ponham-se em maior realce, tanto na Liturgia como na catequese litúrgica, os dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação ou preparação do Baptismo e pela Penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com mais frequência a Palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal.» (SC, 109).

Na Quaresma a Igreja convida-nos a escutar mais e melhor a Palavra de Deus, a dedicarmo-nos à oração e a frequentar os sacramentos (SC). Recorda-nos a Paixão de Jesus Cristo para nos animar a uma renovação da nossa Aliança Baptismal na noite da Vigília Pascal.

Somos na vida, como os instrumentos de corda: estamos continuamente a baixar de tom e torna-se necessário subi-lo de vez em quando, para manter a afinação.

 O compromisso de santidade é pessoal, e não colectivo. No momento de prestar contas a Deus, aparecemos sós na Sua Presença. É certo que Deus nos salva dentro de uma comunidade – a família dos filhos de Deus que é a Igreja –, mas chama-nos e salva-nos um a um.

Não vale, portanto, refugiar-se no anonimato, na multidão, à hora de revermos a nossa Aliança Baptismal.

Perguntemo-nos com seriedade na presença do Senhor: Como temos vivido a nossa Aliança Baptismal? Vivemos habitualmente na graça de Deus? Procuramos ouvir a Palavra de Deus com espírito de Fé? Acolhemos o Alimento dos Sacramentos como o Senhor nos propõe?

 

2. A fidelidade à Aliança

 

a) Preparar-se para o combate. «Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás

Antes de começar a Sua vida pública, Jesus retirou-Se para o Monte da Quarentena – monte perto de Jericó, segundo a tradição – e aí jejuou e orou durante quarenta dias e quarenta noites.

Ao fim deste tempo foi tentado pelo demónio. Satanás não sabia que Jesus era o Filho de Deus e quis arrastá-l’O à desobediência ao Pai, com três tentações que resumem todas aquelas que sofremos nesta vida:

• Concupiscência da carne. «Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.» Jesus é tentado a pôr o Seu poder ao serviço das necessidades corporais.

• Soberba da vida. «Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.» A ostentação e procura da glória, o fazer um brilharete diante dos outros, é a tentação de vaidade e soberba humanas.

• Concupiscência dos olhos. «Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. (Mt 4:1-10).» Nunca nos contentamos com os bens materiais que temos. Queremos sempre mais, sejam quais forem, os meios para os adquirir. Foi esta a terceira tentação de Jesus.

A nossa vida é um combate, exigido pela nossa mesma fragilidade e pela tentativa de Satanás de nos passar para o lado dele. Não somos naturalmente bom e precisamos de lutar, manifestando continuamente ao Senhor a nossa fidelidade à Aliança do Baptismo.

 

b) Vencer as tentações. «Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O

A tentação não é um mal, uma desgraça, como não o é uma competição desportiva: Esta é uma oportunidade para o desportista conquistar os louros da vitória.

Assim também as tentações são uma oportunidade de manifestarmos a Jesus Cristo a nossa fidelidade às promessas do Baptismo.

As tentações podem ter origem muito diversa:

Em nós mesmos. Somos como aquele que brinca com o fogo, porque nos mais julgamos fortes do que os outros, incapazes de ofender a Deus. Outras vezes trata-se simplesmente de uma questão nervosa. A melhor solução será opor às tentações uma luta positiva: rezar, não dar importância aos pensamentos importunes que nos ocorrem.

No ambiente. Fazem parte do ambiente as pessoas com quem falamos e vivemos; a TV, livros, filmes, companhias… O melhor modo de lutar é fugir das ocasiões.

No demónio. Este actua por si ou por meio de pessoas que se poem ao serviço dele, vivendo em pecado. Devemos opor à tentação recorrendo ao Senhor humildemente e invocando a intercessão de Nossa Senhora.

Para vencermos as tentações temos de proceder como o desportista que procura melhorar a forma antes da competição. Melhoramos a forma exercitando a nossa vontade com mortificações voluntárias: levantar-se à hora marcada, não comer for a das refeições, trabalhar com seriedade e aproveitamento do tempo, etc. Muitas vezes cedemos facilmente às tentações porque enfraquecemos a vontade, cedendo naquilo que não é pecado grave.

 

c) Acolher a Boa Nova. «Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.»

Nesta pregação de Jesus há um magnífico programa para a Quaresma e nele se resume toda a vida cristã:

Arrependei-vos. A nossa conversão pessoal tem de ser contínua. Converter-se é voltar as costas ao pecado e voltar-se para Deus. Temos necessidade de estar continuamente a corrigir os desvios nos nossos pensamentos, palavras e obras.

e acreditai no Evangelho. O crescimento na fé consegue-se, com a ajuda de Deus, melhorando no conhecimento da doutrinal e fazendo esforço para pôr em prática aquilo em que acreditamos. Quando nos limitamos a um conhecimento teórico, sem procurar uma coerência de vida, a fé apaga-se. É por isso que muitas pessoas, tendo frequentado muitos meios de formação doutrinal e possuindo muitos conhecimentos de doutrina, caem na tibieza ou mesmo perdem a fé.

É para nos ajudar neste programa de vida que o Senhor nos convida em cada Domingo para a participação na Santa Missa.

A liturgia da Palavra ajuda-nos a melhorar na fé, porque nos anuncia a Palavra de Deus.

A Liturgia Eucarística dá-nos força, na Sagrada Comunhão, para pormos em prática os ensinamentos do Senhor.

Ninguém como Nossa Senhora acolheu em seu Coração Imaculado a Palavra de Deus e procurou levá-la na vida em cada dia. É o próprio Jesus que lhe faz este elogio.

Que Ela nos ensine e ajude a faze-lo também em cada dia e especialmente nesta Quaresma.

 

Fala o Santo Padre

 

«O tempo da Quaresma é o momento propício

para renovar e tornar mais sólida a nossa relação com Deus.»

Amados irmãos e irmãs

Neste primeiro domingo de Quaresma encontramos Jesus que, depois de ter recebido o baptismo de João Baptista no rio Jordão (cf. Mc 1, 9), padece a tentação no deserto (cf. Mc 1, 12-13). A narração de são Marcos é concisa, desprovida dos pormenores que lemos nos outros dois Evangelhos, de Mateus e Lucas. O deserto de que se fala tem vários significados. Pode indicar a situação de abandono e de solidão, o «lugar» da debilidade do homem, onde não existem ajudas nem seguranças, onde a tentação se faz mais forte. Mas ele pode indicar também um lugar de refúgio e de amparo, como foi para o povo de Israel que se livrou da escravidão egípcia, onde se pode experimentar de modo particular a presença de Deus. Jesus, «permaneceu quarenta dias no deserto, onde foi tentado pelo demónio» (Mc 1, 13). São Leão Magno comenta que «o Senhor quis padecer o ataque do tentador para nos defender com a sua ajuda e para nos instruir com o seu exemplo» (Tractatus XXXIX, 3 De ieiunio quadragesimae: CCL 138/a, Turnholti 1973, 214-215).

Que nos pode ensinar este episódio? Como lemos no Livro da Imitação de Cristo, «o homem nunca está totalmente isento da tentação, enquanto viver... mas é com a paciência e com a verdadeira humildade que nos tornaremos mais fortes do que todos os inimigos» (Liber I, c. XIII, Cidade do Vaticano 1982, 37), a paciência e a humildade de seguir o Senhor todos os dias, aprendendo a construir a nossa vida sem O excluir, ou como se Ele não existisse, mas nele e com Ele, porque é a fonte da vida verdadeira. A tentação de eliminar Deus, de pôr ordem sozinho em si mesmo e no mundo, contando unicamente com as próprias capacidades, está sempre presente na história do homem.

Jesus proclama que «se completou o tempo e o Reino de Deus está próximo» (Mc 1, 15), anuncia que nele acontece algo de novo: Deus dirige-se ao homem de modo inesperado, com uma proximidade singular, concreta, cheia de amor; Deus encarna-se e entra no mundo do homem para assumir sobre si o pecado, para vencer o mal e restituir o homem ao mundo de Deus. Mas este anúncio é acompanhado pelo pedido de corresponder a um dom muito grande. Com efeito, Jesus acrescenta: «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 15); é o convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias a nossa vida à sua vontade, orientando para o bem todas as nossas obras e pensamentos. O tempo da Quaresma é o momento propício para renovar e tornar mais sólida a nossa relação com Deus, através da oração quotidiana, dos gestos de penitência e das obras de caridade fraterna.

Supliquemos com fervor Maria Santíssima, a fim de que acompanhe o nosso caminho quaresmal com a sua tutela e nos ajude a imprimir no nosso coração e na nossa vida as palavras de Jesus Cristo, para nos convertermos a Ele. Além disso, confio à vossa oração a semana de Exercícios espirituais, que esta tarde começarei com os meus Colaboradores da Cúria Romana.

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 26 de Fevereiro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Agradecidos pela Aliança baptismal

que o Senhor fez com cada um de nós,

peçamos humildemente Sua ajuda

para a vivermos com a maior fidelidade.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade!

 

1. Pela santa Igreja, Mãe e Mestra da Verdade,

    para que a sirvamos com amor e alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade!

 

2. Pelo Santo Padre com o Colégio Episcopal,

    para que nos ajude a ser fieis ao Baptismo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade!

 

3. Pelos casais desta nossa comunidade cristã,

    para que sejam hoje modelos de fidelidade,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade!

 

4. Por todos nós que celebramos esta Quaresma,

    para que o façamos como se fosse a última,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade!

 

5. Pelos pais que pedem o Baptismo para os filhos,

    para que os ensinem a serrem fieis à Aliança,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade!

 

6. Pelos que faleceram desde a última Quaresma,

    para que o Senhor os receba na Sua mansão,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade!

 

Senhor, que fizestes connosco no Baptismo

uma Aliança de Amor para a eternidade:

ajudai-nos a ser fieis a este compromisso

para recebermos o prémio prometido.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Fiel à Sua Aliança connosco, o Senhor iluminou os nossos passos na Mesa da Palavra.

Propõe-nos agora participar na Mesa da Eucaristia que vai começar a ser preparada. Recolhidos os dons, o pão e o vinho vão ser transubstanciados no Corpo e no Sangue do Senhor, para ser nosso Alimento na Comunhão.

 

Cântico do ofertório: Sois, Jesus, o meu Deus, M. Borda, NRMS 107

 

Oração sobre as oblatas: Fazei que a nossa vida, Senhor, corresponda à oferta das nossas mãos, com a qual damos início à celebração do tempo santo da Quaresma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

As tentações do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Jejuando durante quarenta dias, Ele santificou a observância quaresmal e, triunfando das insídias da antiga serpente, ensinou-nos a vencer as tentações do pecado, para que, celebrando dignamente o mistério pascal, passemos um dia à Páscoa eterna.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Somos, por vocação, construtores da Paz no Amor. Foi o Senhor que lançou em nossos corações, no momento do Baptismo, esta vocação divina.

Examinemo-nos corajosamente para vermos se, de facto, temos cumprido esta missão.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Comunhão de cada dia torna mais forte a nossa Aliança do Baptismo, porque nela é o próprio Senhor que Se nos dá como Alimento.

Procuremos comungar com fé, amor e devoção, pedindo ao Senhor a graça da fidelidade em cada dia.

 

Cântico da Comunhão: Nem só de pão vive o homem, F. da Silva, NRMS 29

Mt 4, 4

Antífona da comunhão: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

 

ou

Salmo 90, 4

O Senhor te cobrirá com as suas penas, debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o pão do Céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade, nós Vos pedimos, Senhor: ensinai-nos a ter fome de Cristo, o verdadeiro pão da vida, e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos viver esta primeira semana da Quaresma com todo o entusiasmo e generosidade.

Atendamos com maior delicadeza as pessoas família, companheiros de trabalho e amigos com quem nos encontrarmos.

 

Cântico final: É dura a caminhada, M. Faria, NRMS 6 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

1ª SEMANA DA QUARESMA

 

2.ª Feira, 23-II: Amar os defeitos do próximo.

Lev 19, 1-2. 11-18 / Mt 25, 31-46

 Vinde benditos de meu pai, recebei como herança o reino, que vos está preparado desde a criação do mundo.

Quem quiser alcançar a santidade, há-de esforçar-se por cumprir os mandamentos (Leit.). São um caminho de vida, ajudam a libertar da escravidão do pecado.

E a sua segunda parte refere-se ao amor fraterno (Leit e Ev.). Jesus na cruz manifesta o seu amor, pedindo perdão por todos aqueles que o ofendem. Deu-nos uma magnífica lição de caridade para com próximo. E pede-nos que o saibamos descobrir em cada uma das pessoas que nos rodeiam: perdoando, desculpando, compreendendo. Temos que lhe pedir que, no nosso coração como no dEle, caibam não só as virtudes mas também os defeitos dos outros.

 

3.ª Feira, 24-II: A vontade de Deus e o perdão das ofensas.

Is 55, 10-11 / Mt 6, 7-15

Orai, pois deste modo: Pai nosso, que estais nos céus...

Devemos rezar confiadamente a oração que o Senhor nos ensinou, o Pai nosso  (Ev.), que contém tudo o que podemos pedir a Deus, e que é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho (CIC, 2761). As Leituras de hoje recordam-nos duas petições.

A primeira, «seja feita a vossa vontade», exige que acolhamos a palavra que sai da boca de Deus e que a cumpramos (Leit.). A segunda, «perdoai-nos as nossas ofensas», é resultado do seu sacrifício reparador na Cruz. Agradeçamos ao Senhor o que fez por nós, manifestemos uma contrição mais profunda pelos nossos pecados e reparemos pelas ofensas alheias.

 

4.ª Feira, 25-II: Uma resposta à mensagem divina para a Quaresma.

Jonas 3, 1-10 / Lc 11, 29-32

Ergue-te e vai à cidade de Nínive e proclama-lhe a mensagem que te direi.

Na Quaresma recebemos igualmente uma mensagem de Deus, que nos convida à conversão e ao arrependimento (Leit. e Ev.).

Reconheçamos os nossos pecados, pensando nos sofrimentos de Jesus. Peçamos perdão por todas as nossas ofensas e negligências; manifestemos o nosso arrependimento, fazendo um propósito de cumprir, mesmo que custe, o dever de cada momento; e preparemo-nos para receber o sacramento da penitência, que realiza de modo sacramental o apelo de Jesus à conversão e o esforço por regressar à casa do Pai, da qual nos afastamos pelo pecado (CIC, 1423).

 

5.ª Feira, 26-II: A conversão e a oração.

Est 14, 1. 3-5. 12-14 / Mt 7, 7-12

Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e, ao que bate, abrir-se-á.

A oração é uma das formas de vivermos a penitência quaresmal, juntamente com o jejum e a esmola. O coração, assim decidido, aprende a orar na fé, pois sendo Jesus a Porta diz-nos para batermos à porta (Ev.).

A rainha Ester é um bom exemplo desta oração: «Vinde socorrer-me, que eu estou só e só em vós tenho auxílio, pois sinto ao alcance da mão o perigo que me espreita» (Leit.). Peçamos também ao Senhor que nos socorra nos momentos de tentação. Na cruz, o ladrão arrependido atreve-se a pedir um lugar no paraíso. E Jesus abriu-lhe as portas do Céu nesse mesmo dia.

 

6.ª Feira, 27-II: A conversão pessoal e o bem da sociedade.

Ez 18, 21-28 / Mt 5, 20-26

Se o pecador se arrepender de todas as faltas que tiver cometido há-de viver e não morrerá.

A Quaresma é um tempo de conversão, tempo de arrependimento, que nos conduzirá de novo à vida (Leit.) e à reconciliação com Deus, através da reconciliação com o nosso irmão (Ev.).

A conversão interior de cada um de nós está igualmente ligada ao esforço por introduzir nas instituições e condições de vida as correcções convenientes. Este ano é um bom ano para tentarmos fazer isso na família. Mas sempre poderemos tentar fazer alguma coisa nas chamadas estruturas de pecado, denunciando-as, para que estejam conformes com a justiça e favoreçam o bem em vez de se lhe oporem. Assim a sociedade também se reconciliará com Deus.

 

Sábado, 28-II: Novas formas de caridade.

Deut 26, 16-19 / Mt 5, 43-48

Pois eu digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus.

Moisés lembrava ao povo que deveria pôr em prática os preceitos e sentenças do Senhor, cumprindo-os com todo o coração e com toda a alma (Leit.).

E Jesus pede aos seus discípulos uma nova forma de viver a caridade: amar os inimigos e rezar por eles (Ev.). Foi o que Ele próprio viveu, e assim no-lo pede para sermos bons filhos de Deus. No Sermão da Montanha já acrescenta a proibição da ira, do ódio e da vingança. E na Cruz pede ao Pai que perdoe aqueles que o insultam, porque não sabem o que fazem; oferece a sua vida por todos, incluídos os seus carrascos. Aprendamos a perdoar as pequenas ofensas que nos fazem.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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