qUARTA-FEIRA DE CINZAS

18 de Fevereiro de 2014

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o tempo favorável, M. Borda, NRMS 53

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Festa da Páscoa é chamada, com razão, a Festa das festas. Foi a primeira a ser celebrada pelos  cristãos e é a que dá sentido a todas as restantes, que ao longo do Ano Litúrgico se celebram. Inicialmente, os cristãos, preparavam-se para ela com três dias de oração e penitência. Pelo ano 350, percebendo que três dias eram muito poucos, aumentaram-nos para quarenta. Assim nasceu a Quaresma, que hoje iniciamos. Pretende-se que este tempo, seja tempo especial de conversão. Por isso, durante a imposição das cinzas sobre as nossas cabeças ouviremos um convite, que deveremos ter bem presente na nossa vida: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho” ou “recorda-te que és pó e em pó te hás-de tornar”. Vamos levar muito a sério estas palavras que pessoalmente nos são dirigidas e com essa seriedade estaremos não só, a prepararmo-nos para a Festa da Páscoa neste mundo, mas também para a Páscoa eterna do Céu, para a qual todos fomos criados.

 

 

Ato Penitencial

 

Porque nem sempre teremos vivido com a seriedade que o problema pessoal da salvação exige e o Senhor nos recomenda resolver, colaborando com a Sua graça, vamos, humildemente, pedir perdão ao Senhor de tão nefastos descuidos.

 

Omite-se o acto penitencial, porque é substituído pela imposição das cinzas.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor aguarda a nossa sincera conversão, que verdadeiramente só existirá no interior dos nossos corações. Façamos da vida uma constante oração e sacrifiquemo-nos uns pelos outros, porque “Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso”.

 

Joel 2, 12-18

 

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1, 2 – 2, 17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1, 13).

12-13 «Convertei-vos a Mim de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37, 29; Mt 26, 65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Neovulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36, 22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11, 29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus que, sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Com sincera humildade e convicção, digamos “Pecámos, Senhor, tende compaixão de nós”.

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                     porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Aceitemos o convite que S. Paulo faz aos Coríntios e a cada um de nós: “Reconciliai-vos com Deus. Este é tempo favorável, este é o dia da salvação.”

 

2 Coríntios 5, 20 – 6, 2

 

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5, 14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio». Os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de Cristo), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado, uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral. Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado; isto, que pode parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado»; com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6, 2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49, 8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo diz que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4, 4-5). A linguagem paulina é ainda mais expressiva e rica do que a da versão grega de Isaías (LXX): agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. Não há dúvida que a Liturgia pretende fazer uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: Escutemos os apelos do Senhor. Façamos todas as nossas obras com recta intenção, isto é, tudo seja realizado para maior honra e glória de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 1 (I)

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 1-6.16-18

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual, mas exige que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10, 3); daqui que são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14, 23; Mc 1, 35; Lc 5, 16; 6, 12; 9, 18; 11, 1.28-29), um exemplo que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10, 9-16). Também a experiência pessoal de todos os santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

2. Convertei-vos e acreditai no Evangelho.

3. Lembra-te ó homem que és pó e em pó te hás-de tornar.

 

 

1. Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós. Pedimos há momentos.

 Sabendo que Deus nos ama com Amor infinito e, como nos afirmou S. João Paulo II em Fátima, “jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor”, sabemos que temos acesso assegurado à Sua divina compaixão. Todavia, para que tal se verifique, é necessário que cada um, tome, por sua vez cada vez mais consciência, do Amor infinito que Ele é e da pouca correspondência dada por nós a esse Amor. De facto, como já lembrou o Beato Papa Paulo VI, o grande pecado da humanidade atual é ter perdido a própria noção de pecado. Por isso, talvez nunca na história do mundo se tenha pecado tanto e tão descaradamente, com tanto à vontade, como infelizmente nos tempos em que vivemos. Os filhos das trevas, mais prudentes que os filhos da luz, têm sabido lançar mão dos potentíssimos meios de comunicação social, para espalharem à vontade, caminhos de pecado, de degradação moral e mesmo erros teológicos, capazes de enganar tantos homens. Importa pois acordar e estar muito atento!

 

2. Convertei-vos e acreditai no Evangelho.

 

O Tempo que agora iniciamos é tempo particularmente favorável à conversão. Tal, só será real se nos voltarmos para o Senhor, que tanto nos ama, acreditando, com todo o coração, na Boa Nova do Evangelho. A Quaresma surge como um tempo de especial retiro para todos. Só no silêncio da nossa alma teremos oportunidade de saborear o Amor que Deus nos tem e refletir quão longe temos andado desse mesmo Amor. A esta conversão somos todos convidados, como nos recorda a primeira Leitura da Missa de hoje. Recorrendo concretamente ao jejum, à oração e à esmola, deveremos reparar o Senhor dos muitos pecados que, cada um e todos os homens têm cometido.

Pertencemos ao número daqueles que ainda estamos vivos no começo desta Quaresma, que é tempo de conversão. Para muitos será a última oportunidade que têm de acertar as suas contas com o Senhor, antes da partida deste mundo. Não desperdicemos este tempo favorável, que, como disse, para muitos, será o último.

Como membros da grande Família humana, peçamos pela conversão de todos aqueles que andam mais longe de Deus. Que todos, quanto antes, acordemos para o que de mais importante temos a cumprir nesta vida terrena e tão passageira.

 

3. Lembra-te ó homem que és pó e em pó te hás-de tornar.

 

À maneira que os anos vão passando, tomemos mais consciência da nossa fragilidade. As cinzas sobre nós impostas neste dia, lembram-nos esse nada que somos. É olhando para esse pó em que o nosso corpo se tornará, que importa trabalhar com entusiasmo pelo que tem dimensões de eternidade. É este o grande convite que a Quaresma, mais uma vez nos lança. Vamos fazê-lo com grande determinação desde hoje, primeiro dia da Quaresma de 2015. Importa traçarmos programas de vida, nos quais se concretize mais penitência, mais oração e esmolas aos que mais precisam. Estas serão as riquezas que nos acompanharão para a eternidade. A estes os meios, tão eficazes, recorreram os santos, que venceram as mesmas dificuldades com que nós nos debatemos. São também estes os caminhos que a Santa Igreja, nossa Mãe, com tanta insistência nos propõe de uma maneira especial nesta quadra litúrgica. Só assim nos prepararemos devidamente também para a grande Festa da Páscoa que se aproxima e para o encontro definitivo com Deus, nosso Pai, no reino dos Céus.

 

 

Bênção das cinzas

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

A Quaresma que hoje iniciamos

lança-nos um grande apelo à conversão.

Vamos corresponder-lhe

pedindo uns pelos outros, dizendo:

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

1.     Para que nesta Quaresma

ninguém fique sem fazer uma confissão bem preparada,

oremos, irmãos,

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

2.     Para que todos os membros da Igreja

se unam ao longo desta Quaresma

e dêem testemunho de uma vida com mais oração, jejum

e mais partilha de bens com os mais pobres,

oremos irmãos,

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

3.     Para que todos os governantes das Nações

enfrentem a crise mundial que continuamos a viver,

com todos os meios possíveis

e socorram sobretudo os mais pobres, desempregados e doentes,

oremos, irmãos,

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

4.     Para que a Santíssima Virgem, também nossa Mãe,

a todos mostre o Amor e misericórdia de Jesus

e assim os leve a frequentar a confissão e restantes Sacramentos,

e  nos preparemos devidamente para a vida eterna,

Oremos, irmãos,

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

5.     Pelos nossos irmãos que já partiram para a eternidade,

para que gozem da visão de Deus e nos ajudem a viver

o melhor possível, este santo tempo da Quaresma,

oremos irmãos,

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

 

Deus eterno e omnipotente, dignai-Vos ouvir as nossas súplicas e conduzir-nos, pelo vosso Espírito, para a bem-aventurança que a todos prometeis. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Amai como Eu vos amei, J. Santos, NRMS 87

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da paz

 

O pó que somos tem promessas de uma ressurreição eterna e feliz, na medida em que nestes sempre breves dias da vida tivermos sabido amar. Que o gesto que vamos ter, exprima essa vontade sincera de a todos verdadeiramente nos amarmos, como o Senhor deseja. Com esse propósito, saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Na Sagrada Comunhão está o verdadeiro Pão do Céu, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o penhor da vida eterna, em Quem encontramos também toda a força de que precisamos para seguir sempre com determinação e generosidade os caminhos de uma verdadeira conversão.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor me apontará o caminho, F. da Silva, NRMS 69

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com o propósito de levarmos muito a sério o convite que nos foi dirigido nesta quarta-feira de cinzas, de uma verdadeira conversão, ide em paz e Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Da morte e do pecado, J. Santos, NRMS 29

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

5.ª Feira de Cinzas, 19-II: A parábola dos dois caminhos: da vida e da perdição.

Deut 30, 15-20 / Lc 9, 22-25

E dizia a todos: Se alguém quiser vir após mim, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz todos os dias e siga-me.

Diante de nós temos dois caminhos: um que conduz à vida e outro que leva à perdição (Leit. e Ev.). Jesus deu-nos exemplo, pegando na sua cruz, com muito amor, a caminho do Calvário. Pede-nos que nos decidamos a seguir o mesmo caminho (Ev.).

Para isso, teremos que renunciar cada dia ao nosso eu, que provocar uma rotura com o pecado, ter aversão ao mal. E tenhamos desejo e propósito de mudar de vida; percamos o medo à pequena cruz de cada dia: às contrariedades, aos sofrimentos físicos ou morais; procuremos oferecer pequenos sacrifícios, sempre com um sorriso nos lábios e alegria interior na nossa alma.

 

6.ª Feira de Cinzas, 20-II: O jejum que agrada a Deus.

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-15

Será então jejum que me agrada mortificar-se um homem durante um dia? O jejum que me agrada não será antes este...

Que jejum agradará ao Senhor? O jejum é uma forma particular de oração dos sentidos, sobriedade nas comidas, bebidas e no uso da TV e da Internet, vencimento das nossas manifestações de comodismo e preguiça...

Para que o jejum seja autêntico deve ser sempre acompanhado pela caridade (Leit.). Procuremos pois viver as obras de misericórdia, que são acções caridosas, pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, das suas necessidades corporais e espirituais. Como consequência, haverá mais luz na nossa vida e o Senhor curará as feridas da nossa alma (Leit.).

 

Sábado de Cinzas, 21-II: Todos precisamos de salvação.

Is 58, 9-14 / Lc 5, 27-32

 Jesus: Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores.

Jesus apresenta-se como o médico divino (Ev.), para curar as feridas da nossa alma. Para isso, sofreu tantos padecimentos na sua paixão, até que o seu corpo ficou feito uma chaga.

Todos precisamos de salvação. Por isso, com a ajuda Deus, vamos reparar as brechas (Leit.) que há na nossa vida: as do egoísmo, da sensualidade, da preguiça, etc. Contamos com o sacramento do perdão, que Jesus nos oferece através do ministério da misericórdia. Aplica uns maravilhosos unguentos nas nossas feridas: a paixão de N. Senhor Jesus Cristo, os méritos de Nª Senhora e de todos os Santos, sirvam de proveito para aumento da graça e penhor da vida eterna.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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