aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

RENOVADA A

COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL   

 

A Comissão Teológica Internacional (CTI), organismo ligado à Santa Sé, foi renovada na sua constituição para o quinquénio 2014-2019, com representantes dos cinco continentes, incluindo cinco mulheres (eram duas em 2004-2009).

 

A Comissão Teológica Internacional, criada pelo Papa Paulo VI em 1969, tem como missão “coadjuvar a Santa Sé, e em particular a Congregação para a Doutrina da Fé, no exame das questões doutrinais de maior importância e actualidade”.

Nesse sentido, engloba teólogos de diversas escolas e nações, nomeados pelo Papa sob proposta do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e depois de uma consulta às Conferências episcopais.

Além dos 14 representantes da Europa, cinco são da América do Sul, quatro da Ásia, três da África, três da América do Norte e um da Austrália.

A primeira reunião dos novos membros está prevista na sessão plenária que vai ter lugar na Congregação para a Doutrina da Fé de 1 a 5 de Dezembro de 2014.

A Comissão Teológica Internacional renovou e actualizou a sua página Internet e agora, conservando a sua documentação no site oficial da Santa Sé, abre um novo acesso em www.cti.va, para uma consulta mais fácil.

 

 

PREPARAÇÃO DO

SÍNODO DOS BISPOS

 

O presidente do Conselho Pontifício para a Família, o arcebispo italiano Mons. Vincenzo Paglia, considerou que o maior desafio que se coloca à Igreja hoje é o “individualismo” que “se exalta” e concentra “todas as instituições em si mesmo, inclusive a família”.     

 

“Tudo é possível, qualquer relação estável torna-se muito pesada e então há crise no casamento religioso como no civil e nas uniões de facto. O que vemos crescer, especialmente nos países ocidentais, é o estar sozinho e agora esse (na minha opinião) é o grande desafio”, considera Mons. Vincenzo Paglia.

Na entrevista que antecedeu a terceira assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, Mons. Vincenzo Paglia frisou que este é um desafio espiritual, cultural e antropológico.

“Hoje diz-se que todas as formas de estar juntos podem ser família. Se ‘tudo’ pode ser família, nada é família e o que permanece é somente o ‘eu’ onde se sacrifica tudo, família, afectos, até mesmo a própria vida”, alerta o presidente do Conselho Pontifício para a Família.

Nesse sentido, o arcebispo assinalou à Rádio Vaticano que se vive “uma espécie de criação às avessas” onde pela primeira vez na história há uma “mudança radical de civilização”, porque o trinómio “matrimónio-família-vida” nunca tinha sido “destruído” e agora “cada indivíduo reconstrói-o como deseja”.

“O Senhor diz na criação: não é bom que o homem esteja só. Hoje vivemos sob a convicção oposta de que é bom que o homem esteja só, ou melhor, que todos pensem em si”, analisa o prelado italiano.

“A tarefa da Igreja é de dizer à sociedade que a união entre homem e mulher e a sua geração é um património da humanidade, que não pode ser atacado, caso contrário, teremos a decomposição da própria sociedade”, sustenta.

A terceira assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema os “desafios pastorais sobre a família”, começou no dia 5 de Outubro, com a Eucaristia presidida pelo Papa Francisco, e terminou no dia 19 de Outubro.

A reunião contava com a participação de mais de 250 participantes, entre presidentes de conferências episcopais, religiosos, responsáveis da Santa Sé, peritos e outros convidados que partiam de um documento de trabalho comum (Instrumentum laboris).

Esta assembleia consultiva vai ser seguida por uma assembleia geral ordinária de 4 a 25 de Outubro de 2015.

 

 

PRESENÇA DOS CRISTÃOS

NO MÉDIO ORIENTE

 

No Consistório de cardeais reunido para votar duas causas de canonização, o Papa Francisco afirmou no passado dia 20 de Outubro que não se pode pensar o Médio Oriente sem a presença dos cristãos e pediu aos participantes que façam “sugestões” para ajudar a resolver o conflito em curso.

 

“Não podemos resignar-nos a pensar o Médio Oriente sem os cristãos, onde durante dois mil anos confessaram o nome de Jesus”, afirmou o Papa.

Na abertura da reunião, Francisco recordou as preocupações de paz para região, particularmente no Iraque e na Síria onde o terrorismo atingiu dimensões “nunca imagináveis”.

“Parece que perdemos a consciência do valor da vida humana, parece que a pessoa não conta e pode sacrificar-se diante de outros interesses”, afirmou Francisco, denunciando também a “indiferença de tantos” que assistem á perseguição de muitos cidadãos, obrigados a abandonar as suas casas “de forma brutal”.

“Partilhamos o desejo de paz e de estabilidade no Médio Oriente e a vontade de facilitar a resolução dos conflitos através do diálogo, a reconciliação e o compromisso político. Ao mesmo tempo, queremos dar a maior ajuda possível à comunidade cristã para permanecer na região”, sublinhou o Papa.

O consistório é uma reunião de cardeais para tratar com o Papa assuntos de especial importância para a Igreja, podendo ser ordinário, e aberto também a outras pessoas, ou extraordinário, neste caso reservado ao colégio cardinalício.

 

 

PRIMEIRA CELEBRAÇÃO LITÚRGICA

DE S. JOÃO PAULO II

 

A Igreja Católica celebrou pela primeira vez, no passado dia 22 de Outubro, a memória litúrgica de São João Paulo II (1920-2005), Papa polaco que foi canonizado em Abril deste ano, no Vaticano, por Francisco.

 

“Hoje celebramos a memória litúrgica de São João Paulo II, o qual convidou todos a abrirem as portas a Cristo. Na sua primeira visita à vossa pátria, invocou o Espírito Santo para que descesse a renovar a terra da Polónia. Recordou em todo o mundo o mistério da Divina Misericórdia”, disse, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro, cumprimentando os peregrinos polacos.

“Que a sua herança espiritual não seja esquecida, mas nos leve à reflexão e ao agir concreto pelo bem da Igreja, da família e da sociedade. Seja louvado Jesus Cristo”, acrescentou.

A data assinala o início do pontificado de Karol Wojtyla, em 1978, pouco depois de ter sido eleito Papa.

Na habitual resenha biográfica que é apresentada no calendário dos santos e beatos, João Paulo II é lembrado pela “extraordinária solicitude apostólica, em particular para com as famílias, os jovens e os doentes, o que o levou a realizar numerosas visitas pastorais a todo o mundo”.

“Entre os muitos frutos mais significativos deixados em herança à Igreja, destaca-se o seu riquíssimo Magistério e a promulgação do Catecismo da Igreja Católica e do Código de Direito Canónico para a Igreja latina e oriental”, pode ler-se.

Aos fiéis é proposta ainda uma passagem da homilia de João Paulo II no início do seu pontificado, precisamente a 22 de Outubro de 1978, na qual afirmou: «Não tenhais medo! Abri as portas a Cristo!».

Karol Jozef Wojtyla, eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, nasceu em Wadowice (Polónia), a 18 de maio de 1920, e morreu no Vaticano, a 2 de Abril de 2005.

Entre os seus principais documentos, contam-se 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas e 45 cartas apostólicas.

 

 

PRÓXIMA VIAGEM DO PAPA

À TURQUIA

 

O Papa Francisco disse que na sua próxima viagem à Turquia, de 28 a 30 de Novembro, quer ajudar a superar os “obstáculos” que separam católicos e ortodoxos. 

 

“A visita do bispo de Roma ao Patriarcado Ecuménico, e este novo encontro, serão sinal da profunda relação que une as sedes de Roma e Constantinopla e do desejo de superar, no amor e na verdade, os obstáculos que ainda nos dividem”, declarou, ao receber uma delegação da Fundação Orientale Lumen, que reúne os cristãos de tradição oriental nos Estados Unidos da América.

Francisco destacou a “paixão ardente” dos Papas João XXIII e João Paulo II pela unidade dos cristãos.

“O exemplo destes dois santos, que sempre testemunharam uma ardente paixão pela unidade dos cristãos, é iluminador para nós”, disse.

O Papa Francisco e o patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu, reuniram-se a 25 de Maio deste ano para uma inédita celebração ecuménica na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém.

Nesse mesmo dia, assinaram uma declaração conjunta na qual assumem compromissos comuns em causas sociais e no diálogo entre religiões.

 

 

PAPA NO CENTENÁRIO DO

MOVIMENTO DE SCHOENSTATT

 

O Papa Francisco recebeu em audiência no passado dia 25 de Outubro a família internacional do Movimento de Schoenstatt, que está a celebrar o seu centenário, e disse que a família cristã e o matrimónio nunca foram “tão atacados” como hoje, considerando que a sociedade actual propõe um modelo de família entendida como forma de “associação”.

 

“Quantas famílias estão feridas, quantos casamentos partidos, quanto relativismo na concepção do Matrimónio. Neste momento, do ponto de vista sociológico e do ponto de vista dos valores humanos, como do ponto de vista do sacramento católico, há uma crise da família, crise porque lhe batem de todos os lados e a deixam muito ferida”, acrescentou.

Francisco afirmou também que “a Igreja sem Maria torna-se um orfanato” e a que “a sua renovação é a santidade”.

O Papa respondeu de forma espontânea a cinco questões sobras temáticas como a família, pedagogia, juventude, sociedade e Igreja.

Perante uma questão sobre a Igreja e a sua renovação, o Papa afirmou que os “únicos que renovaram a Igreja foram os santos”: “Não tenham medo da vida de santidade pois esse é o único caminho para renovar a Igreja”.

No acompanhamento que o Movimento faz às famílias e a forma como se pode ajudar, o Papa respondeu que a “única forma de ajudar esta crise da família é ser claro nas ideias e nos valores”.

Francisco terminou o encontro com a oração da consagração a Nossa Senhora com todos os participantes, entregou flores à imagem original peregrina e deu a bênção com uma cruz missionária oferecida.

O Movimento Apostólico de Schoenstatt celebra este ano o centenário da sua fundação, sendo que a origem do Movimento “é a Aliança de Amor com Nossa Senhora em 18 de Outubro de 1914, numa capelinha no lugar de Schoenstatt, Alemanha, hoje o santuário original”.

Em Portugal, o Movimento de Schoenstatt tem quatro santuários, nas dioceses de Aveiro, Braga, Lisboa e Porto, os quais são “centros de peregrinação, de formação e de fé”.

 

 

PAPA HOMENAGEIA

PAPA EMÉRITO

 

O Papa Francisco homenageou no passado dia 27 de Outubro no Vaticano o seu predecessor, Bento XVI, que apresentou como um “grande Papa”.

 

“Grande pela força e a acuidade da sua inteligência, grande pelo seu relevante contributo para a teologia, grande pelo seu amor à Igreja e aos seres humanos, grande pelas suas virtudes e a sua religiosidade”, declarou, após ter descerrado um busto em bronze do Papa emérito, associando-se à iniciativa da Academia Pontifícia das Ciências.

Francisco recordou que Bento XVI, Papa entre Abril de 2005 e Fevereiro de 2013, se destacou pela sua “solicitude” face aos cientistas, “sem distinção de raça, nacionalidade, cidadania ou religião”.

“Dele nunca se poderá dizer, certamente, que o estudo e a ciência tenham esmorecido a sua pessoa e o seu amor por Deus e pelo próximo, mas, pelo contrário, que a ciência, a sabedoria e a oração aumentaram o seu coração e o seu espírito”, acrescentou.

Francisco recordou que o Papa emérito foi o primeiro a convidar um presidente da Academia Pontifícia das Ciências a participar num Sínodo dos Bispos, “consciente da importância da ciência na cultura moderna”.

 

 

PRIMEIRO CONGRESSO INTERNACIONAL

DE EXORCISTAS

 

O Papa enviou uma mensagem à Associação Internacional de Exorcistas (AIE), que promoveu em Roma o seu primeiro congresso.

 

Francisco sublinhou que os exorcistas manifestam “o amor e o acolhimento da Igreja a quantos sofrem por causa da obra do maligno”, num ministério que deve ser exercido “em comunhão com os próprios bispos”.

A mensagem foi lida pelo padre Francesco Bamonte, presidente da AIE, perante cerca de 300 exorcistas de vários países, que abordaram o crescimento e as consequências de fenómenos como o ocultismo e o satanismo.

A Congregação para o Clero reconheceu juridicamente em Julho passado a Associação Internacional de Exorcistas e aprovou os seus estatutos.

A ideia de reunir os exorcistas numa associação surgiu com o sacerdote italiano Gabriele Amorth, nos anos 80 do século XX, quando “estavam em plena expansão práticas de ocultismo, o que levava um crescente número de fiéis a buscar a ajuda de sacerdotes”.

O exorcismo solene, também chamado “grande exorcismo”, é reservado aos casos de possessão diabólica e só pode ser feito por um presbítero com licença do bispo, no cumprimento das regras estabelecidas pelo Ritual da Celebração dos Exorcismos, sendo proibida qualquer interferência da comunicação social ou ajuntamento de pessoas.

 

 

PAPA RECEBE

BISPOS VETEROCATÓLICOS

 

O Papa Francisco recebeu no passado dia 30 de Outubro a inédita visita de uma delegação de bispos veterocatólicos da União de Utrecht e defendeu a necessidade de uma acção conjunta face a uma Europa “confusa”.

 

“Numa Europa tão confusa sobre a sua própria identidade e vocação, há muitas áreas em que católicos e veterocatólicos podem colaborar, tentando responder à profunda crise espiritual que atinge indivíduos e sociedade”, declarou.

A conferência internacional dos bispos veterocatólicos da União de Utrecht reúne membros de uma Igreja que se separou de Roma após o Concílio Vaticano I, em 1870, no qual se definiu o dogma da infalibilidade pontifícia.

Francisco elogiou o trabalho da Comissão internacional de diálogo tendo em vista o “entendimento recíproco e a colaboração prática”, mas admitiu a “crescente distância sobre temas relativos ao ministério e ao discernimento ético” entre as duas Igrejas.

Nesse sentido, convidou católicos e veterocatólicos a “perseverar num diálogo teológico substancial” e “continuar a caminhar, a rezar e a trabalhar juntos num espírito mais profundo de conversão”.

“Na nossa separação houve, de ambas as partes, graves pecados e faltas humanas”, reconheceu o Papa, o que deve reforçar o “desejo de reconciliação e paz”.

Só assim, concluiu, será possível levar por diante uma “viagem espiritual” que leve “do encontro à amizade, da amizade à fraternidade, da fraternidade à comunhão”.

 

 

APROVADA NOVA CONSTITUIÇÃO

DOS LEGIONÁRIOS DE CRISTO

 

Com data de 16 de Outubro passado, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica aprovou as novas constituições da congregação dos Legionários de Cristo.

 

Com este passo cumpre-se o objectivo principal do processo de renovação iniciado em 2010 por mandato do Papa Bento XVI e continuado pelo Papa Francisco, através de um Delegado Pontifício, o Card. Velasio De Paolis, C.S.

O texto é resultado de um trabalho de consulta e reflexão que durou praticamente três anos e no qual todos os Legionários tiveram a oportunidade de participar e colaborar, o que culminou com a celebração do Capítulo Geral Extraordinário de Janeiro a Fevereiro de 2014.

Entre as tarefas principais do processo de renovação estavam o esclarecimento do carisma, a simplificação e redução das normas, assegurar um exercício da autoridade mais participativo e conforme ao Direito Canónico e a formação dos Legionários, com especial atenção à responsabilidade de cada um de fazer o seu próprio discernimento vocacional e garantir a distinção entre o foro interno e o foro externo.

O director-geral da congregação é o mexicano Pe. Eduardo Robles-Gil.

 


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