acontecimentos eclesiais

DO MUNDO

 

 

FRANÇA

 

PERANTE A AMEAÇA

DO LAICISMO

 

João Paulo II exortou os Bispos da França a animar os católicos a participarem activamente na vida pública do país, assumindo firmemente as suas convicções, numa carta sobre o laicismo na França, na altura em que se celebra o centenário da Lei de separação entre o Estado e a Igreja, de 1905.

 

Esta Lei denunciava a Concordata de 1804 e regulava o modo de viver a laicidade na França: mantendo a liberdade de culto, relegava a religião para a esfera da vida privada, não reconhecendo à religião nem à Igreja um lugar no seio da sociedade, o que felizmente foi mitigado pelo Governo francês em 1920, iniciando-se uma etapa de maior entendimento mútuo.

«O princípio da laicidade – recorda o Papa na carta de 11 de Fevereiro dirigida ao Presidente da Conferência Episcopal Francesa, Mons. Jean-Pierre Ricard, arcebispo de Bordéus –, ao qual o vosso país está muito ligado, se for bem compreendido, pertence também à Doutrina social da Igreja. Ele lembra a necessidade de uma justa separação dos poderes (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nn. 571-572), que faz eco ao convite de Cristo aos seus discípulos: ‘Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus’ (Lc 20, 25)».

Ao mesmo tempo, o Papa anima os católicos a participarem activamente na vida pública. «Enquanto cidadãos, como os seus compatriotas, os católicos da França têm o dever de participar, segundo a suas competências e no respeito das suas convicções, nos vários domínios da vida pública». Diante dos seus olhos estão aqueles que, no séc. XX, foram grandes figuras nacionais: Jacques Maritain, Emmanuel Mounier, Robert Schuman, Georges Bernanos, paul Claudel, Jean Guitton, Jérôme Lejeune ...

João Paulo II faz notar que reconhecer a dimensão religiosa das pessoas e dos grupos da sociedade francesa evita que as religiões se refugiem num sectarismo que podia representar um perigo para o Estado. «A sociedade deve admitir que as pessoas, dentro do respeito pelos outros e das leis da República, possam manifestar a sua pertença religiosa. Caso contrário, corre-se sempre o risco de se fecharem em si mesmas e do aumento da intolerância».

 

 

FRANÇA

 

CARDEAL LUSTIGER

DEIXA PARIS

 

No dia 11 de Fevereiro passado, memória de Nossa de Lourdes, João Paulo II aceitou a renúncia do Cardeal Jean-Marie Lustiger como arcebispo de Paris, por razões de idade, e nomeou para o substituir Mons. André Vingt-Trois, até agora arcebispo de Tours.

 

O Cardeal Lustiger, de 78 anos de idade, nasceu num família judia de origem polaca (a sua mãe morreu em Auschwitz) e baptizou-se aos 14 anos. No seu ministério promoveu o diálogo da Igreja com os judeus. Nomeado arcebispo de Paris em 1981 por João Paulo II, foi nestas décadas o rosto da Igreja Católica para os meios de comunicação social, pelo seu grande carisma pessoal. Fundou a «Radio Notre-Dame» e o canal de TV católico KTO; também potenciou a «École Cathédrale» para a formação teológica do clero e dos leigos. (Entre nós, a Gráfica de Coimbra publicou um livro seu explicando a Missa, com ilustrações).

Mons. Vingt-Trois nasceu em Paris há 62 anos e é especialista em Teologia moral, particularmente em temas de respeito da vida e da família. Trabalhou com o Cardeal Lustiger de 1988 a 1999, como Bispo auxiliar de Paris, sendo depois nomeado para Tours. Desde 1998 é presidente da Comissão Episcopal da Família.

A arquidiocese de Paris, erigida no séc. III, conta com 2.116.000 habitantes, dos quais 60 % são católicos, atendidos por 1339 sacerdotes (576 diocesanos e 763 religiosos) e 951 diáconos permanentes.

 


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