DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

VIAGEM APOSTÓLICA À ALBÂNIA

 

 

 

No dia 21 de Setembro passado, o Papa Francisco realizou uma rápida Viagem apostólica à Albânia, primeiro país da Europa que visitou.

Damos a seguir o comentário que o próprio Santo Padre fez na audiência geral da quarta-feira, em 24 de Setembro seguinte.

 

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 

Hoje gostaria de falar da Viagem Apostólica que realizei à Albânia no domingo passado. Faço-o antes de tudo como acto de agradecimento a Deus, que me concedeu fazer esta Visita para demonstrar, também fisicamente e de modo tangível, a proximidade, minha e de toda a Igreja, a este povo. Desejo depois renovar o meu reconhecimento fraterno ao Episcopado albanês, aos sacerdotes e aos religiosos e religiosas que trabalham com tanto empenho. O meu pensamento grato dirige-se também às Autoridades que me receberam com tanta gentileza, assim como a quantos cooperaram para a realização da Visita.

Esta Visita surgiu do desejo de ir a um País que, depois de ter estado oprimido por muito tempo por um regime ateu e desumano, está a viver uma experiência de convivência pacífica entre as suas diversas componentes religiosas. Parecia-me importante encorajá-lo neste caminho, para que o prossiga com tenacidade e aprofunde todos os seus aspectos em benefício do bem comum. Por isso, no centro da Viagem esteve um encontro inter-religioso no qual pude constatar, com grande satisfação, que a convivência pacífica e frutuosa entre pessoas e comunidades pertencentes a diferentes religiões é não só desejável, mas possível e praticável em concreto. Eles praticam-na! Trata-se de um diálogo autêntico e frutuoso que evita o relativismo e tem em conta as identidades de cada um. Com efeito, o que une as várias expressões religiosas é o caminho da vida, a boa vontade de fazer o bem ao próximo, sem renegar nem diminuir a respectiva identidade.

O encontro com os sacerdotes, as pessoas consagradas, os seminaristas e os movimentos laicais foi a ocasião para recordar com gratidão, com momentos de particular emoção, os numerosos mártires da fé. Graças à presença de alguns anciãos, que viveram na sua pele as terríveis perseguições, ressoou a fé de tantas testemunhas heróicas do passado, as quais seguiram Cristo até às consequências extremas. É precisamente da união íntima com Jesus, da relação de amor com Ele, que brotou para estes mártires – como para qualquer mártir – a força para enfrentar os acontecimentos dolorosos que os levaram ao martírio. Também hoje, como ontem, a força da Igreja não provém tanto das capacidades organizativas ou das estruturas, que contudo são necessárias: a Igreja não encontra ali a sua força. A nossa força é o amor de Cristo! Uma força que nos ampara nos momentos de dificuldade e que inspira a hodierna acção apostólica para oferecer a todos bondade e perdão, testemunhando assim a misericórdia de Deus.

Percorrendo a avenida principal de Tirana que do aeroporto conduz à grande praça central, pude ver os retratos dos quarenta sacerdotes assassinados durante a ditadura comunista e para os quais já foi iniciada a causa de beatificação. Estes somam-se às centenas de religiosos cristãos e muçulmanos assassinados, torturados, encarcerados e deportados unicamente porque acreditavam em Deus. Foram anos obscuros, durante os quais foi arrasada a liberdade religiosa e era proibido crer em Deus, milhares de igrejas e mesquitas foram destruídas, transformadas em armazéns e cinemas que propagavam a ideologia marxista, os livros religiosos foram queimados e os pais foram proibidos de dar aos filhos os nomes religiosos dos antepassados. A recordação destes eventos dramáticos é essencial para o futuro de um povo. A memória dos mártires que resistiram na fé é garantia para o destino da Albânia; porque o seu sangue não foi derramado em vão, mas é uma semente que dará frutos de paz e de colaboração fraterna. Com efeito, hoje a Albânia é um exemplo não só de renascimento da Igreja, mas também de convivência pacífica entre as religiões. Por conseguinte, os mártires não são pessoas derrotadas, mas vitoriosas: no seu testemunho heróico resplandece a omnipotência de Deus que conforta sempre o seu povo, abrindo caminhos novos e horizontes de esperança.

Confiei esta mensagem de esperança, fundada na fé em Cristo e na memória do passado, a toda a população albanesa que vi entusiasta e jubilosa nos lugares dos encontros e das celebrações, assim como nas ruas de Tirana. A todos encorajei a alcançar energias sempre novas do Senhor ressuscitado, para poder ser fermento evangélico na sociedade e empenhar-se, como já acontece, em actividades caritativas e educativas.

Agradeço mais uma vez ao Senhor porque, com esta Viagem, concedeu-me encontrar um povo corajoso e forte, que não se deixou abater pela dor. Aos irmãos e irmãs da Albânia renovo o convite à coragem do bem, para construir o presente e o futuro do seu país e da Europa. Confio os frutos da minha visita a Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada no homónimo Santuário de Scútari, para que ela continue a guiar o caminho deste povo mártir. A dura experiência do passado o radique cada vez mais na abertura aos irmãos, sobretudo os mais débeis, e o torne protagonista daquele dinamismo da caridade tão necessário no actual contexto sociocultural. Gostaria que todos nós saudássemos hoje este povo corajoso, trabalhador, e que procura a unidade na paz.

 

 

 

 


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