6º Domingo Comum

15 de Fevereiro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ouçamos a palavra, M. Faria, NRMS 6 (II)

Salmo 30, 3-4

Antífona de entrada: Sede a rocha do meu refúgio, Senhor, e a fortaleza da minha salvação. Para glória do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Senhor fundou a Sua Igreja como uma grande família que abarcará toda a humanidade, e não quer que se exclua ninguém.

Não há uma Igreja para os justos e outra para os pecadores, para os ricos e para os pobres, mas nela têm lugar todas as pessoas, sem exclusão de raça, de cor ou condição social.

Mesmo quando as pessoas se auto-excluem pelo pecado, Ele reintegra-as amorosamente, se elas o desejarem.

A liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum fala-nos deste plano de misericórdia do Senhor para connosco e apresenta-nos o nosso Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que insistentemente convida todos os homens e todas as mulheres a fazer parte desta comunidade dos filhos muito amados de Deus. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização das pessoas.

 

Acto penitencial

 

As exclusões de pessoas são uma invenção dos homens, que as fazem segundo critérios que desconhecem a vocação de todos à santidade ao Céu.

Confessemos humildemente que também nós fazemos estas exclusões, negando a palavra e fechando o coração a determinadas pessoas.

Arrependamo-nos e prometamos emenda de vida, ajudados pelo Senhor.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Não tratamos todas as pessoas do mesmo modo,

    mas deixamo-nos guiar pela simpatia ou interesse humano.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Temos dificuldade em ver Jesus Cristo em cada pessoa

    e orientar por esta verdade de fé as nossas acções de cada dia.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Fechamo-nos no nosso pequeno mundo egoísta

    e desinteressamo-nos, tantas vezes, dos problemas dos outros.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Numa época em que os recursos da medicina para curar a doença da lepra eram muito escassos, a legislação de Israel tomava medidas drásticas para impedir o contágio desta doença terrível.

Estas drásticas medidas fazem-nos recordar os cuidados que é preciso ter para não se deixar contagiar pela imoralidade.

 

Levítico 13, 1-2.44-46

1O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: 2«Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos.44O leproso com a doença declarada 45usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’ 46Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».

 

Temos aqui uma pequena amostra da legislação judaica sobre a lepra, uma legislação mais religiosa do que profilática, englobando diversas doenças de pele. A lepra era considerada a pior de todas as doenças e como que uma maldição de Deus, constituindo a pessoa num estado de impureza legal. O leproso era um proscrito, impedido da convivência social, obrigado a guardar determinadas distâncias das pessoas e a avisar quando alguém se aproximava.

1 «O Senhor falou a Moisés e Aarão». Não se entende no sentido de as leis do Levítico, concretamente a chamada «Lei de pureza» (Lev 11 – 16), terem sido directamente reveladas por Deus a Moisés, mas no sentido de que Yahwéh guiou a Moisés na compilação, adaptação e adopção de leis, em grande parte comuns a outros povos; desta maneira elas se tornavam a vontade de Deus para aquele povo.

45 «Impuro». Sobre o conceito de pureza legal, ver supra, nota ao v. 24 do Evangelho da festa da Apresentação do Senhor.

 

Salmo Responsorial    Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R. 7)

 

Monição: O salmista canta a felicidade daquele que humildemente se reconhece como pecador e foi perdoado por Deus.

Façamos deste salmo a nossa oração, respondendo à interpelação que o Espírito Santo nos fez na primeira leitura.

 

Refrão:        Sois o meu refúgio, Senhor;

Dai-me a alegria da vossa salvação.

 

Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa

e absolvido o pecado.

Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade

e em cujo espírito não há engano.

 

Confessei-Vos o meu pecado

e não escondi a minha culpa.

Disse: Vou confessar ao Senhor a minha falta

e logo me perdoastes a culpa do pecado.

 

Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos,

fazei que à minha volta só haja hinos de vitória.

Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor,

exultai, vós todos os que sois rectos de coração.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na primeira Carta aos fiéis de Corinto, S. Paulo aponta-lhes uma regra de vida: «irmãos: Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus

Com os olhos postos em Deus, em tudo o que fazemos e dizemos, evitamos na vida a lepra do pecado.

 

1 Coríntios 10, 31 – 11, 1

Irmãos: 31Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. 32Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. 33Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. 1Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.

 

A leitura com que se concluem neste ano B os retalhos a ler da 1ª aos Coríntios é a conclusão final da longa discussão acerca de comer ou não comer os idolótitos, as carnes de animais que tinham sido imolados em honra dos ídolos. 

31 «Fazei tudo para glória de Deus». Como sucede mais vezes nesta epístola, S. Paulo, querendo resolver um caso particular (aqui o da comida das carnes imoladas nos cultos idolátricos e vendidas na praça), enuncia princípios de uma validade universal. Nesta passagem temos uma dessas maravilhosas regras de oiro que resumem toda a moral e espiritualidade cristã.

32 «A Igreja de Deus». S. Paulo designa como Igreja não apenas as comunidades locais, mas também, outras vezes, toda a Igreja universal, que parece ser a visada aqui, como o é no cap. 12, 28 e sobretudo nas epístolas do cativeiro.

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 7, 16

 

Monição: Quando Jesus iniciou a Sua vida pública, causou a admiração de todas as pessoas que O ouviam.

Nós somos felizes, porque essa mesma Palavra da salvação vai ser-nos dirigida nesta Celebração.

Aclamemo-la com todo o júbilo da nossa alma e guardemo-la no coração, para a transformar em vida e levá-la a todas as pessoas.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Apareceu entre nós um grande profeta:

Deus visitou o seu povo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 40-45

Naquele tempo, 40veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». 41Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». 42No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. 43Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: 44«Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». 45Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.

 

No relato da cura do leproso não se evidencia apenas o poder e a compaixão de Jesus, mas também a superação da lei antiga, que, como determinava o Lv 13 (cf. 1ª leitura de hoje), declarava impuro o contacto com um leproso. Com efeito, sem que fosse necessário, Jesus «estendeu a mão e tocou-lhe» (v. 41).

40 «Se quiseres, podes curar-me». A oração do leproso é um modelo acabado de oração no que se refere à fé no poder de Jesus e à confiança na sua bondade. Eis o comentário de S. João Crisóstomo: «Não disse: se Tu o pedires a Deus; mas apenas: se Tu o queres. E a Deus, que é misericordioso, não é preciso pedir-lhe, basta expor-lhe a nossa necessidade».

44 «Não digas nada a ninguém». Trata-se da já antes referida «disciplina do segredo messiânico», que Jesus recomendava, especialmente no princípio da vida pública. O povo devia-se ir convencendo pouco a pouco do carácter do messianismo de Jesus, que era espiritual, não político. Assim Jesus evitava ser instrumentalizado pelos nacionalistas exaltados, podendo vir a provocar uma intervenção romana, que impediria a missão do Senhor (cf. Mt 8, 4; 9, 30; 16, 20; 17, 19). Uma divulgação intensiva dos seus milagres acarretaria compreensíveis efervescências populares à volta de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

• O Senhor alerta-nos para a auto-exclusão

A Igreja e os excluídos da comunhão

A situação andrajosa de quem peca

O afastamento da comunidade

• Jesus reintegra-nos na família dos filhos de Deus

Procuremos Jesus Salvador

A confissão sacramental

Construir a unidade da Igreja

 

A lepra é uma doença contagiosa que vai destruindo irremediavelmente o corpo humano até à morte.

Começa com impigens – manchas esbranquiçadas da pele –, mas em breve todo o povo se cobre de úlceras e a carne começa a desfazer-se.

A lepra – até há pouco tempo sem esperanças de cura, pode agora ser curada, quando tratada a tempo.

No Antigo Testamento havia medidas severas para que esta doença sem remédio se não propagasse, ameaçando toda a gente.

 

1. O Senhor alerta-nos para a auto-exclusão

 

a) A Igreja e os excluídos da comunhão. «Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos

Costuma apresentar-se a lepra – doença física – como figura do pecado – lepra da alma.

A descrição dos efeitos da lepra ajuda-nos a conhecer os feitos do pecado.

Desfeia. A lepra desfigura o corpo da pessoa, tal como o pecado transforma a alma da pessoa que peca numa imagem do demónio.

Leva à morte. Uma vez contagiada a lepra, leva de dois a sete anos a manifestar-se. Começa então um trabalho de destruição que leva inevitavelmente à morte.

O pecado, se não for perdoado – porque a pessoa recusa a emenda de vida – leva à morte eterna.

Contagia. A lepra é facilmente contagiosa. Por isso mesmo, Moisés prescrevia regras duras para evitar o contágio (1.ª leitura).

Também uma vida de pecado é contagiosa, quer pelo mau exemplo que dá, quer mesmo pelo trabalho Malévolo de arrastar outras pessoas para esta desgraçada situação.

Isola da comunidade. Os leprosos nunca mais podiam viver nas próprias casas, mas iam morar para covas no monte. Ainda na Idade Média corriam-nos com pontas de ferro aquecidas em brasa.

Além de causar natural repugnância, a presença de um leproso é uma ameaça de contínua de contágio. Por isso, as regras de isolamento eram muito duras, antes de se encontrar a cura para esta doença, ainda hoje muito generalizada em certos países do Terceiro Mundo.

Quando uma pessoa permanece em pecado, vai-se isolando da Igreja: deixa de frequentar a Missa Dominical, os sacramentos e outras ajudas que o Senhor nos oferece. Não é a Igreja que afasta as pessoas; elas é que se afastam.

Insensibiliza. O leproso perde completamente as sensações. Foi assim que o Beato Padre Damião, tendo metido os pés em água a ferver, não experimentou qualquer dor, levando-o a concluir que tinha contraído este mal.

O pecado vai insensibilizando as pessoas para a situação desgraçada em que a pessoa se coloca. Daí que é frequente ouvirmos dizer a essas pessoas que isto ou aquilo não é pecado. Perderam a delicadeza de consciência e não sentem a doença que têm.

 

b) A situação andrajosa de quem peca. «O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’»

O leproso vestia-se mal: a sua doença não lhe tornava fácil cuidar-se higienicamente; além disso, a sua apresentação era preceituada de modo a afugentar qualquer pessoa que se encontrasse com ele.

Pelos males que provoca, o pecado reduz-nos a uma situação andrajosa, diante de Deus e diante dos homens.

Quem peca mortalmente perde a vida da graça, a vida divina, com todas as consequências: renuncia a ir para o Céu, e a viver como filho de Deus.

Se Deus permitisse que pudéssemos ver o aspecto de uma alma em pecado, fugiríamos de susto, porque o pecado retira-nos a beleza esplendorosa de filhos de Deus e torna-nos semelhantes ao demónio.

É lamentável que as pessoas cuidem muito da sua apresentação física e lutem para manter a beleza do corpo, e não se preocupem com andar cobertas de farrapos andrajosos.

Além disso, tal como no leproso a má apresentação é progressiva, de modo que ele se apresenta cada vez mais repelente, algo de semelhante acontece com o que se abandona à vida de pecado.

É com esta apresentação que o filho pródigo se apresenta na casa do pai, para matar a fome.

 

c) O afastamento da comunidade. «Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».

O leproso não se podia aproximar das pessoas, uma vez contraída a lepra. Era obrigado a abandonar a família e a casa em que vivia.

Quando se descobria a doença, afugentavam-no de casa com ferros aguçados e em brasa.

É comovente ler no Evangelho que os leprosos gritavam de longe a pedir a cura quando Jesus passava.

Uma pessoa que vive em pecado mortal exclui-se por si mesma da comunhão da igreja. Quando uma pessoa se queixa de que não se pode confessar nem comungar, não é verdade.

Não é a Igreja que exclui seja quem for. A pessoa em causa é que se coloca numa situação de não poder participar.

Quando, por exemplo, dois recasados vivem como se fossem casados, não podem receber estes sacramentos porque neles não há arrependimento – se o houvesse afastavam-se um do outro – nem propósito firme de emenda, porque estão decididos a continuar na mesma vida de pecado.

Mas a própria pessoa que vive habitualmente em pecado começa a sentir-se mal nas celebrações da Igreja: aborrece-se com a “demora” das celebrações e sente-se incomodada pela doutrina que lhe rouba a falsa paz.

Precisa de encontrar quanto antes um amigo que o aproxime de Jesus, presente no ministro do sacramento da reconciliação e Penitência, para recuperar a vida da graça.

 

2. Jesus reintegra-nos na família dos filhos de Deus

 

a) Procuremos Jesus Salvador. «Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: “Se quiseres, podes curar-me”.»

No Evangelho, um leproso implora de Jesus a sua cura. Várias vezes o Evangelho nos fala de leprosos curados. Só de uma vez foram dez os que Jesus mandou para casa completamente sãos.

Deve ter sido para eles uma sensação maravilhosa, depois de uma vida terrível poderem reintegra-se na família e no convívio normal da vida social.

O mesmo Jesus que curou estes leprosos na sua vida pública torna-Se presente nos Sacramentos da Sua Igreja. Só Ele tem poder para nos curar da lepra do pecado.

Quando ali nos apresentamos com a disposição de fazer esforço para mudar de vida, dirige-nos as mesmas palavras: «Quero: fica limpo». E no mesmo instante também nós ficamos livres da lepra do pecado.

Arrependimento. Os leprosos detestavam a sua doença e queriam ver-se livres dela. Também aquele que se confessa há-de detestar o pecado cometido.

Se estivesse contente com a sua situação, não se aproximaria de Jesus a pedir a sua cura.

Propósito. Não somos capazes de imaginar um leproso a aproximar-se de Jesus para Lhe pedir da cura e que, ao mesmo tempo, estivesse decidido a procurar um contágio para voltar a ficar doente.

Fugir do contágio exige afastar-se das más companhias, cortar com as ocasiões de pecado, orar mais e frequentar os sacramentos para evitar uma recaída.

 

b) A confissão sacramental. «Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: “Quero: fica limpo”. No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo

Quando nos confessamos com as necessárias disposições, Jesus Cristo toca-nos, abraça-nos, tornando-nos limpos, seja qual for os pecados que tivermos cometidos.

Para que a confissão seja bem feita é necessário que cada um de nós contribua com os chamados actos do penitente:

Confissão sincera, segundo o número e a espécie e as circunstâncias que mudam a espécie. Às vezes não se fala nos pecados reais, para não ter de mudar. Um homem dizia muito triste, quando lhe disseram que tinha de ir ao médico: “Não quero que ele saiba que bebo demasiado, porque iria proibir-me de beber.”

Não é possível que a confissão seja sincera se o penitente não se preparou com um exame de consciência.

Contrição. Concretiza-se na tristeza por ter ofendido a Deus. Se o motivo do arrependimento é o amor de Deus, a contrição é perfeita.

Se procede do medo de cair no inferno ou da fealdade do pecado, temos apenas a atrição.

 Basta para estar atrito para ser absolvido. Quando o filho pródigo procura a casa do pai, fá-lo porque está a morrer de fome.

Propósito firme de emenda. Concretiza-se no que temos de fazer para evitar um novo pecado.

 

c) Construir a unidade da Igreja. «Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, [...], não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se

Assim como o leproso tem de ter cuidado em não contagiar outras pessoas com a doença, com aquele que está afectado da sida ou de outras doenças contagiosas, de modo semelhante havemos de ser cuidadosos com os que vivem connosco, dando-lhes bom exemplo.

 Temos de construir a unidade da Igreja – para que seja cada vez mais uma família onde nos sintamos bem – dando bom exemplo, evitando tudo o que se para – murmuração, discussões violentas, etc. – e ajudando-nos mutuamente.

• Devemos procurar que os nossos amigos vivam em graça – limpos do mal da lepra! – e frequentem os sacramentos, para que tenham qualidade de vida espiritual.

Os pais, que tanto se preocupam com a saúde física dos filhos, devem procurar também que eles vivam na graça de Deus, afastando-os das más companhias e outras ocasiões de pecado e exortando-os amigavelmente a que frequentem os sacramentos e façam oração.

É um amor sem limites que os faz preocupar quando se encontram doentes fisicamente; que façam um esforço para levar à via espiritual esta preocupação pelo bem estar dos filhos.

• É na Santa Missa que construímos a unidade da Igreja. Nela professamos todos a mesma fé; cantamos os mesmos cânticos e comungamos o mesmo Senhor; e edificamo-nos mutuamente.

Quando partimos para as nossas casas sentimo-nos confortados com o que ouvimos e vivemos, com força para recomeçar a vida da semana de trabalho e de família. Devemos, durante a semana, tornar os nossos irmãos participantes desta mesma alegria.

 

Fala o Santo Padre

 

«Naquele contacto entre a mão de Jesus e o leproso

é abatida toda a barreira entre Deus e a impureza humana.»

No domingo passado vimos que, na sua vida pública, Jesus curou numerosos doentes, revelando que Deus quer para o homem a vida, a vida em plenitude. O Evangelho deste domingo (cf. Mc 1, 40-45) mostra-nos Jesus em contacto com a forma de doença nessa época considerada a mais grave, a ponto de tornar a pessoa «impura» e de a excluir dos relacionamentos sociais: falamos da lepra. Uma legislação especial (cf. Lv 13-14) reservava aos sacerdotes a tarefa de declarar a pessoa leprosa, ou seja, impura; e igualmente competia ao sacerdote constatar a sua cura e voltar a admitir na vida normal o enfermo curado.

Enquanto Jesus ia pregando pelos povoados da Galileia, um leproso foi ao seu encontro e disse-lhe: «Se quiseres, podes purificar-me!». Jesus não evitou o contacto com aquele homem mas, ao contrário, impelido pela participação íntima na sua condição, estendeu a mão e tocou-o – superando a proibição legal – e disse-lhe: «Sim, quero. Sê purificado!». Naquele gesto e nessas palavras de Cristo está toda a história da salvação, está encarnada a vontade de Deus de nos curar, de nos purificar do mal que nos desfigura e arruína os nossos relacionamentos. Naquele contacto entre a mão de Jesus e o leproso é abatida toda a barreira entre Deus e a impureza humana, entre o Sacro e o seu oposto, certamente não para negar o mal e a sua força negativa, mas para demonstrar que o amor de Deus é mais forte do que todo o mal, até do mais contagioso e horrível. Jesus assumiu sobre Si as nossas enfermidades, fez-se «leproso» a fim de que nós fôssemos purificados.

Um maravilhoso comentário existencial deste Evangelho é a célebre experiência de são Francisco de Assis, que ele resume no início do seu Testamento: «Assim o Senhor concedeu-me, a mim Frei Francisco, começar a fazer penitência: porque, quando eu vivia no pecado, parecia-me demais amargo ver os leprosos. E foi o próprio Senhor quem me levou para o meio deles, e fui misericordioso para com eles. E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo transformou-se para mim em doçura da alma e do corpo; e depois, detive-me um pouco e saí do século» (ff, 110). Naqueles leprosos, que Francisco encontrou quando ainda vivia «no pecado» – como ele mesmo diz – estava presente Jesus; e quando Francisco se aproximou de um deles e, vencendo a própria repugnância, abraçou-o, Jesus curou-o da sua lepra, ou seja do seu orgulho, convertendo-o ao amor de Deus. Eis a vitória de Cristo, que é a nossa cura profunda e a nossa ressurreição para a vida nova!

Caros amigos, dirijamo-nos em oração à Virgem Maria, que ontem celebrámos fazendo memória das suas aparições em Lourdes. A santa Bernadete, Nossa Senhora transmitiu uma mensagem sempre actual: o convite à oração e à penitência. Através da sua Mãe, é sempre Jesus que vem ao nosso encontro, para nos libertar de toda a enfermidade do corpo e da alma. Deixemo-nos tocar e purificar por Ele, e sejamos misericordiosos para com os nossos irmãos!

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 12 de Fevereiro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Jesus Cristo que preside à nossa Eucaristia

é o mesmo que atendeu a prece do leproso.

Com a certeza da fé de que Ele tem agora

a mesma disponibilidade dessa ocasião,

falemos-Lhe das necessidades de todos nós.

Oremos, (cantando):

 

    Senhor, Vós sois a ressurreição e a Vida!

 

1. Para que o Santo Padre, na missão de Bom Pastor,

    nos ajude a viver sempre a vida de filhos de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a ressurreição e a Vida!

 

2. Pelos doentes que perderam a esperança de cura,

    para que a certeza na felicidade eterna os conforte,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a ressurreição e a Vida!

 

3. Pelas pessoas que ajudam os doentes terminais,

    para que imitem Jesus Cristo  na Sua dedicação,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a ressurreição e a Vida!

 

4. Pelos pais cujos filhos se desencaminharam,

    para que o Divino Mestre os conforte e ajude,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a ressurreição e a Vida!

 

5. Por todos nós, para que sejamos mais sensíveis

    para com os que sofrem sem qualquer esperança,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a ressurreição e a Vida!

 

6. Pelos fieis que são purificados depois desta vida,

    para que misericórdia de Deus venha em sua ajuda,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a ressurreição e a Vida!

 

Senhor, que Vos compadeceis do sofrimento humano

e mostrais uma divina disponibilidade para com todos:

ajudai-nos a ser luz e amor para com os que sofrem

e a aceitar com amor as nossas cruzes de cada dia.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Palavra de Deus e Eucaristia são os dois tesouros postos ao nosso dispor em cada Missa em que participamos.

Acabamos de acolher dentro de nós a Palavra de Deus que ilumina o nosso caminhar até ao Céu. Preparemo-nos agora para testemunhar a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue do Senhor.

Depois, na Sua liberalidade divina, O Senhor vai oferecer-nos o Seu Corpo e Sangue como Alimento.

 

Cântico do ofertório: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1(II)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que estes dons sagrados nos purifiquem e renovem, para que, obedecendo sempre à vossa vontade, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Tal como a lepra corporal impede as pessoas de conviver, de modo semelhante, a lepra do pecado impede-nos de viver em verdadeira comunhão.

Eliminemos, pois, o pecado da nossa vida – todo o pecado é contra a caridade – para vivermos em verdadeira comunhão de amor.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Mais felizes que o leproso do Evangelho de hoje, nós podemos comungar o Senhor, e não ficar apenas à distância, implorando a nossa cura.

É o mesmo Senhor que curou o leproso, ressuscitou Lázaro e restituiu os movimentos ao paralítico.

Comunguemos na graça de Deus, com fé, amor e devoção, e Ele curará as nossas enfermidades da alma.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós, Senhor, está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 77, 24.29

Antífona da comunhão: O Senhor deu-lhes o pão do Céu: comeram e ficaram saciados.

 

Ou

Jo 3, 16

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito. Quem acredita n'Ele tem a vida eterna.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, concedei-nos a graça de buscarmos sempre aquelas realidades que nos dão a verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Recorramos humildemente ao Senhor para que nos limpe da lepra do pecado e dos nossos defeitos.

Ajudemos as pessoas que se cruzam connosco na vida e recorrer a Jesus Cristo, para que as limpe dos Seus pecados.

 

Cântico final: A fé em Deus, F. da Silva, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

 

2ª Feira, 16-II: Um sinal de vitória.

Gen 3, 9-24 / Mc 8, 1-10

Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta há-de atingir-te na cabeça.

Esta passagem do Génesis é conhecida como o 'Proto-Evangelho' por ser o primeiro anúncio do Messias Redentor, do combate entre a serpente e a Mulher, e da vitória final da descendência desta.

«Pediam a Jesus um sinal do céu» (Ev.). Esse sinal já tinha sido dado, e é um sinal de vitória, do triunfo final de Cristo sobre o demónio. Nossa Senhora está no amanhecer da Redenção e nos começos da Revelação. E também está nos momentos iniciais da nossa conversão a Cristo. Ela conduz-nos a Jesus e, através dEla, Deus derrama abundantes graças sobre a humanidade.

 

3ª Feira, 17-II: A fidelidade dos homens e a misericórdia de Deus.

Gen 6, 5-8; 7, 1-5. 10 / Mc 8, 14-21

O Senhor viu que era grande sobre a terra a malícia e que, do homem, os projectos do seu coração eram sempre e unicamente para o mal.

Depois do pecado original seguiu-se uma verdadeira 'invasão' do pecado, uma corrupção universal. E, dentro deste ambiente, há um homem fiel que atrai as graças de Deus: Noé (Leit.).

Esta 'invasão' do pecado continua a dar-se nos nossos dias, dando origem a autênticas 'estruturas do pecado', que são verdadeiras ocasiões de pecado. Agora temos a Jesus, que nos veio salvar: «Não entendeis ainda?» (Ev.). Se Deus encontrar homens e mulheres fiéis, como Noé, terá compaixão da humanidade. Em Fátima, o cumprimento da mensagem de penitência e conversão evitou grandes males para o mundo inteiro.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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