4º Domingo Comum

1 de Fevereiro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro de Deus é o nosso pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Sl 105, 47

Antífona de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e reuni-nos de todas as nações, para dar graças ao vosso santo nome e nos alegrarmos no vosso louvor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Vimos mais uma vez ao encontro de Jesus, que nos vai falar. Ele é o Filho de Deus que veio habitar entre nós, que é Deus connosco e que nos anima e guia pelos caminhos da vida.

 

Preparemo-nos, avivando a nossa fé e o nossos amor. Limpemos o nosso coração pelo arrependimento sincero.

 

oração colecta: Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor enviou os seus mensageiros na pessoa dos profetas e sobretudo de Seu Filho.

Todos temos obrigação de os escutar.

 

Deuteronómio 18, 15-20

Moisés falou ao povo, dizendo: 15«O Senhor teu Deus fará surgir no meio de ti, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deveis escutar. 16Foi isto mesmo que pediste ao Senhor teu Deus no Horeb, no dia da assembleia: 'Não ouvirei jamais a voz do Senhor meu Deus, nem verei este grande fogo, para não morrer'. 17O Senhor disse-me: 'Eles têm razão; 18farei surgir para eles, do meio dos seus irmãos, um profeta como tu. Porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que Eu lhe ordenar. 19Se alguém não escutar as minhas palavras que esse profeta disser em meu nome, Eu próprio lhe pedirei contas. 20Mas se um profeta tiver a ousadia de dizer em meu nome o que não lhe mandei, ou de falar em nome de outros deuses, tal profeta morrerá'».

 

Estamos perante um texto verdadeiramente institucional do profetismo em Israel. Moisés não é simplesmente o libertador da escravidão do Egipto e o legislador e organizador do povo, mas é tido como o primeiro e o modelo de todos os profetas (cf. Dt 34, 10). O contexto dos vv. 19-22 deixa ver que profeta tem aqui um sentido colectivo; alude-se à permanência do carisma profético ao longo da história do povo. Mas também se pode incluir aqui o próprio Messias, como reconhecia a tradição judaica no tempo de Jesus, concretamente os manuscritos de Qumrã (1 QS 9). O v. 18 é citado textualmente no discurso de Pedro no Templo (Act 3, 20-23) e em S. João Jesus é chamado «o Profeta» (Jo 6, 14; 7, 40; cf. 1, 21.45). Jesus cumpre esta profecia de modo eminente.

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)

 

Monição: O salmo convida-nos a escutar a voz do Senhor. Ele continua a falar-nos em cada missa. Não podemos fechar o nosso coração.

 

Refrão:        Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                     não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso Salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou;

pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras».

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo exalta o caminho da virgindade, que permite uma disponibilidade maior para servir ao Senhor e aos outros.

 

1 Coríntios 7, 32-35

Irmãos: 32Não queria que andásseis preocupados. Quem não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, com o modo de agradar ao Senhor. 33Mas aquele que se casou preocupa-se com as coisas do mundo, com a maneira de agradar à esposa, 34e encontra-se dividido. Da mesma forma, a mulher solteira e a virgem preocupam-se com os interesses do Senhor, para serem santas de corpo e espírito. Mas a mulher casada preocupa-se com as coisas do mundo, com a forma de agradar ao marido. 35Digo isto no vosso próprio interesse e não para vos armar uma cilada. Tenho em vista o que mais convém e vos pode unir ao Senhor sem desvios.

 

Na continuação do texto do passado Domingo, S. Paulo continua a fazer a apologia do celibato por amor do Senhor. Aqui recorre a outro argumento a favor: «aquele que se casou… encontra-se dividido» (v. 34). Mesmo que a pessoa casada ame o seu cônjuge por amor de Deus, com um amor recto e puro, sem mistura de egoísmo, a verdade é que nela se produz uma inevitável divisão afectiva, para além do facto de não dispor de tanto tempo para dedicar só a Deus. S. Paulo louva e encarece o celibato por amor do Reino, mas sem o impor (cfr. vv-25-26.38.40). O Magistério da Igreja definiu solenemente a superioridade do celibato apostólico sobre o matrimónio, mas isto não quer dizer que os casados não estejam chamados igualmente à santidade, nem que não possam vir a ser até mais santos do que muitos que vivem o celibato apostólico; o que sucede é que estes arrancam de um escalão mais elevado rumo à santidade – a entrega dum coração indiviso –, embora possa suceder que não cheguem tão alto como muitos casados podem chegar. Convém sublinhar que este ensinamento paulino é original e está ao arrepio da mentalidade da época, nada tendo que ver com o desprezo pelo corpo, pela mulher e pelo matrimónio, próprio do maniqueísmo posterior; a mentalidade da época era avessa à continência e até à castidade em geral; o celibato praticado pelo insignificante grupo dos essénios era um fenómeno isolado e sem qualquer impacto. O apreço de Paulo pela santidade do matrimónio leva-o a propô-lo como imagem da união entre Cristo e a Igreja (cf. 2 Cor 11, 2; Ef 5, 21-33).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 16

 

Monição: Jesus fala com autoridade porque é o Filho de Deus. Vamos escutá-Lo com fé e alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz;

para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 21-28

21Jesus chegou a Cafarnaúm e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, 22todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. 23Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: 24«Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus». 25Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». 26O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. 27Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!» 28E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

 

O final do texto da leitura evangélica de hoje (v. 27) põe em evidência dois aspectos notáveis: a autoridade de Jesus e o seu poder sobre os demónios. Jesus ensina uma «nova doutrina» – é a novidade do Evangelho – e «com que autoridade!». Não era «como os escribas» (v. 22); de facto, estes limitavam-se a repetir as lições que procediam da tradição rabínica, a lei oral atribuída a Moisés. Jesus não é um repetidor, ainda que frequentemente recorra aos ensinamentos dos mestres de Israel (cf. Strack-Billerbeck), nunca os cita e as suas palavras sempre estão iluminadas por um espírito novo. Nunca apela para os mestres rabínicos e, quando apela para Moisés, atreve-se a acrescentar: «Eu, porém, digo-vos».

O outro aspecto é o poder sobre os demónios. Que o demónio existe não se pode pôr em dúvida. Que as doenças eram então atribuídas ao demónio também é verdade. Que todas as vezes que Jesus cura um endemoninhado, o que faz é simplesmente curar algum tipo de doença psíquica era o que em 1779 escrevia o protestante J. S. Semler e alguns hoje repetem, sem que o possam provar. Recentemente a Igreja católica publicou o ritual dos exorcismos, onde aparecem orações que qualquer pessoa pode rezar para se livrar do demónio e onde estão os exorcismos propriamente ditos que só se podem fazer com autorização da autoridade diocesana e só depois de esgotados todos os recursos humanos de ciência médica.

24-25 «Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus» Não é uma confissão de fé do demónio, mas um expediente para captar o favor de Jesus, que o Evangelista regista para mostrar quem é Jesus. «Cala-te e sai desse homem» é a forma original que Jesus emprega para expulsar demónios, ao invés dos exorcistas tradicionais, que se serviam de várias técnicas complicadas e demoradas; a palavra de Jesus encerra um poder divino, pois para Deus basta dizer, para que se faça o que Ele quer (cf. Gen 1).

 

Sugestões para a homilia

 

Ensinava com autoridade

Cala-te e sai desse homem

Agradar ao Senhor

 

 Ensinava com autoridade

 

O evangelho de hoje mostra-nos Jesus a ensinar na sinagoga de Cafarnaúm. As pessoas estavam admiradas com a Sua doutrina e também porque ensinava com autoridade.

Na primeira leitura Moisés anunciava ao povo de Israel que Deus iria mandar-lhes um profeta como ele. O Senhor dar-lhe-ia toda a autoridade para falar em Seu nome e pediria contas a quem não o escutasse. Depois de Moisés Deus foi enviando muitos profetas para falarem em Seu nome, revelando os mistérios de Deus, anunciando a vinda do Messias, convidando o povo a arrepender-se dos seus pecados.

Jesus é esse profeta por excelência, anunciado por Moisés, porque é o próprio Filho de Deus que veio revelar-nos tudo o que o Pai queria que soubéssemos, para fazermos parte da Sua família cá na terra e um dia vivermos com Ele no Céu para sempre.

A Carta aos Hebreus diz, logo a começar: “Deus tendo falado antigamente a nossos pais pelos profetas nestes tempos que são os últimos falou-nos por Seu Filho, a quem conferiu o domínio de todas as coisas, tendo também por meio dele criado o Universo” (Heb.1,1-2).

Temos obrigação de escutar a Jesus, de guardar a Sua Palavra, de vivê-la em nossa vida diária. “Se guardardes a minha palavra – disse Ele – sereis verdadeiramente Meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres” (Jo 8,31-32). A Sua Palavra torna-nos verdadeiramente livres, senhores de nós mesmos e não seremos escravos das nossas más inclinações.

 

 

Cala-te e sai desse homem

 

Temos inimigos a desviar-nos de Jesus: as nossas más inclinações, resumidas nos sete vícios capitais. Temos a influência dos outros para o mal, com os seus maus exemplos e seus maus conselhos. Mas temos sobretudo os ataques dos demónios, que procuram enganar-nos e afastar-nos de Deus.

Jesus tem mais poder que todos eles, como ouvíamos no Evangelho. Temos de acudir a Jesus para vencer os seus enganos, guiados pelos Seus ensinamentos e apoiados na Sua graça, que não nos faltará se empregarmos os meios.

S. Pedro avisava os primeiros cristãos: “Irmãos sede sóbrios e vigiai, porque o demónio, o vosso adversário, anda à vossa volta como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé “ (1 Ped.5,8-9).O demónio é uma realidade e não um papão para meter medo aos meninos. Procura enganar-nos e perder-nos. Uma vitória muito importante para ele foi convencer muitos cristãos que ele não existia. Assim ficam à sua mercê.

O papa Francisco tem lembrado várias vezes a realidade do demónio.

“Não se pode pensar numa vida espiritual, uma vida cristã, – dizia há dias – sem resistir às tentações, sem lutar contra o diabo, sem vestir esta armadura de Deus, que nos dá força e nos defende. Mas a esta geração – e a tantas outras – fizeram acreditar que o diabo fosse um mito, uma figura, uma ideia, a ideia do mal. Mas o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. Di-lo Paulo, não o digo eu! A Palavra de Deus di-lo”. (Homilia em Santa Marta – 30-10-14, Rádio Vaticano)

 

 É significativo que o espírito impuro do evangelho de hoje estava a dizer verdades, proclamava que Jesus era o Messias. O Senhor manda-o calar e depois expulsa-o daquele homem. Ensina-nos que não podemos dar conversa a Satanás, que é o pai da mentira, que sabe enganar-nos facilmente se lhe abrirmos a porta.

Mesmo que viesse com a bíblia na mão a falar-nos de Deus, não devemos escutá-lo.

Mesmo que viesse a prometer-nos saúde, ou livrar-nos duma desgraça qualquer, não devíamos aceitar. Porque ele quer a nossa desgraça, servindo-se disso para nos afastar de Deus.

 Os que vão à bruxa, aos adivinhos e outras superstições hoje tão espalhadas cometem pecado grave acreditando em quem os engana e atribuindo poderes sobrenaturais a quem os não tem.

Mesmo que nos dessem coisas importantes só poderiam vir do demónio e não devemos aceitá-las. O demónio é sempre o grande inimigo que pretende levar-nos para a perdição eterna.

Vale a pena lembrar um caso que se passou com S. João da Cruz. Vivia no convento de Nossa Senhora da Graça, em Ávila, uma religiosa que tinha entrado muito jovem e espantava toda a gente pelo modo extraordinário como explicava a Sagrada Escritura. Não tinha estudado. As superioras estavam preocupadas com este facto estranho e procuraram que fosse examinada por alguns teólogos competentes, mas nada descobriram de suspeito.

Chamaram S. João da Cruz que pediu à religiosa que traduzisse as palavras do Evangelho de S. João: Verbum caro factum est et habitavit in nobis.

– O filho de Deus fez-se homem e viveu convosco – traduziu logo a religiosa.

– Mentes – replicou Fr. João. As palavras não dizem convosco mas sim connosco.

– É como digo – insistiu ela – porque não se fez homem para viver connosco mas convosco.

Não havia dúvida, o demónio falava pela boca da jovem. (Cfr.P.CRISÓGONO DE JESUS, Vida de S. João da Cruz).

O demónio é capaz de se transformar em anjo de luz. Temos de ter cuidado com os seus enganos.

Pode pecar-se contra o primeiro mandamento por superstição, atribuindo a pessoas ou coisas poderes que são de Deus. Pecam gravemente também os que se dedicam à adivinhação, à magia, à bruxaria, ao espiritismo e todos os que recorrem a essas pessoas.

A superstição provém dum falso sentimento religiosos e abunda entre pessoas ignorantes e incrédulos.

Há dias afirmava o porta voz da Associação Internacional de Exorcistas, reconhecida pela Santa Sé: “A luta contra o mal e o maligno é uma emergência cada vez maior. Isso é devido claramente, além da acção directa do inimigo de Deus, à diminuição da fé, à anomia, quer dizer, a falta de valores e o relativismo cultural.

Por outro lado, assistimos a um contínuo florescimento de mensagens dos meios de comunicação, livros, programas de televisão e cinematográficos que, de alguma forma, pelas vias do sensacionalismo e do espectáculo, incentivam especialmente às novas gerações a terem contacto com o ocultismo, o satanismo, e às vezes a praticá-lo”, lamentou. “A debilitação da fé afecta muito a incidência que estes fenómenos das actividades demoníacas paranormais têm, especialmente, nas gerações jovens e também sobre as famílias” (ACI/EWTN Noticias, 30 Out. 14 )

Temos de resistir ao demónio, como recomendava S. Pedro, fortes na fé, fiando-nos em Jesus, conhecendo bem os Seus ensinamentos e ajudando os outros à nossa volta.

 

Agradar ao Senhor

 

Temos de amar a Jesus na vida de cada dia, fiando-nos nEle, guardando a Sua palavra, vivendo como filhos de Deus cá terra. Cada um pelo seu caminho. Todos são chamados à santidade: solteiros e casados, jovens e velhos, sábios e ignorantes. Cada um no lugar, na profissão, no estado de vida em que Deus o colocou.

Na segunda leitura S. Paulo fala-nos do caminho da virgindade, da consagração total ao Senhor para viver mais inteiramente para Ele, como Nossa Senhora e S. José e como tantos homens e mulheres de todos os tempos. Esse caminho de renúncia ao matrimónio permite ao homem ou à mulher uma entrega mais completa ao serviço de Deus e ao serviço dos outros.

S. Paulo não condena o casamento. Também ele é caminho de santidade. Também os casados têm uma missão indispensável na vida da Igreja e do mundo. Mas isso não tira a superioridade da virgindade no serviço do Senhor. “Aquele que dá em casamento a sua filha procede bem e aquele que não a dá em casamento procede melhor” (1 Cor 7,38).

Peçamos a Nossa Senhora e a S. José muitas vocações religiosas e sacerdotais para servirem ao Senhor e as almas e a fidelidade a essa vocação. Peçamos também por todos os que foram chamados ao matrimónio para que saibam santificar-se na vida de casados, no amor generoso um ao outro e aos filhos, servindo fielmente a Deus e vivendo a chamada à santidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«Para Deus, a autoridade significa serviço, humildade e amor.»

O Evangelho deste domingo (cf. Mc 1, 21-28) apresenta-nos Jesus que, no dia de sábado, prega na sinagoga de Cafarnaum, a pequena cidade à margem do lago da Galileia, onde moravam Pedro e o seu irmão André. Ao seu ensinamento, que suscita a admiração das pessoas, segue-se a libertação de «um homem possuído por um espírito impuro» (v. 23), que reconhece em Jesus o «santo de Deus», ou seja o Messias. Em pouco tempo, a sua fama difunde-se em toda a região, que Ele percorre anunciando o Reino de Deus e curando os doentes de todos os tipos: palavra e obra. São João Crisóstomo observa como o Senhor «alterna o discurso em benefício dos ouvintes, procedendo dos prodígios às palavras e passando de novo do ensinamento da sua doutrina aos milagres» (Hom. in Matthaeum 25, 1: PG 57, 328).

A palavra que Jesus dirige aos homens abre imediatamente o acesso à vontade do Pai e à verdade de si mesmos. No entanto, não acontecia assim com os escribas, que deviam esforçar-se por interpretar as Sagradas Escrituras com inúmeras reflexões. Além disso, à eficácia da palavra Jesus acrescentava a dos sinais de libertação do mal. Santo Atanásio observa que «comandar os demónios e expulsá-los não é obra humana, mas divina»; com efeito, o Senhor «afastava dos homens todas as doenças e todas as enfermidades. Quem, vendo o seu poder... ainda duvidaria que Ele é o Filho, a Sabedoria e o Poder de Deus?» (Oratio de Incarnatione Verbi 18.19: PG 25, 128 bc.129 b). A autoridade divina não é uma força da natureza. É o poder do amor de Deus que cria o universo e, encarnando-se no Filho Unigénito, descendo à nossa humanidade, purifica o mundo corrompido pelo pecado. Romano Guardini escreve: «Toda a existência de Jesus é tradução do poder em humildade... é a soberania que se abaixa à forma de servo» (Il Potere, Brescia 1999, 141.142).

Muitas vezes, para o homem a autoridade significa posse, poder, domínio e sucesso. Para Deus, ao contrário, a autoridade significa serviço, humildade e amor; significa entrar na lógica de Jesus, que se inclina para lavar os pés aos discípulos (cf. Jo 13, 5), que procura o verdadeiro bem do homem, que cura as feridas, que é capaz de um amor tão grande que O leva a dar a sua vida, porque é Amor. Numa das suas Cartas, santa Catarina de Sena escreve: «É necessário que nós vejamos e conheçamos, na verdade, com a luz da fé, que Deus é o Amor supremo e eterno, e não pode desejar outra coisa, a não ser o nosso bem» (Ep. 13 in:Le Lettere, vol. 3, Bologna 1999, 206).

[…] Invoquemos com confiança Maria Santíssima, a fim de que guie os nossos corações para haurir sempre da misericórdia divina, que liberta e purifica a nossa humanidade, enchendo-a de todas as graças e benevolências, com o poder do amor.

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 29 de Janeiro de 2012

 

Oração Universal

 

Jesus fala-nos e reza connosco em cada missa. Um dos fins da Eucaristia é pedir. Na oração universal apresentamos com Jesus ao Pai as necessidades de todos os homens. Vamos fazê-lo cheios de fé e confiança:

 

1.  Pela Santa Igreja Católica,

para que todos vejam nela a Cristo presente entre os homens,

que nos convida a conhecer e amar a Deus cada dia mais, oremos ao Senhor

 

2.  Pelo Santo Padre,

para que seja instrumento dócil do Espírito Santo

na condução do Rebanho de Cristo e todos vejam nele a Jesus, oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que se gastem generosamente ao serviço das almas

e todos saibam acolhê-los com fé e visão sobrenatural, oremos ao Senhor.

 

4.  Por todos os cristãos,

para que vivam melhor a Eucaristia de cada domingo,

e nela se encham da força e da alegria de Cristo,

que nos convida à santidade, oremos ao Senhor.

 

5.  Para que aumentem em toda a Igreja

as vocações de entrega total ao Senhor

e os casados saibam viver o matrimónio como caminho de santidade, oremos ao Senhor.

 

6.  Pelos jovens de todo o mundo

e sobretudo da nossa comunidade paroquial para que, seguindo a Jesus,

se deixem guiar pelo Seu Espírito para renovarem o mundo, oremos ao Senhor.

 

7.  Para que todos os cristãos procurem com mais fé

e assiduidade o Sacramento da Confissão,

onde o Espírito Santo renova os corações pelo perdão de Deus, oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos encheis da Vossa graça em Cristo, presente na Eucaristia,

fazei-nos viver da vida nova em Cristo.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Louvai o nosso Deus, F. da Silva, NRMS 60

 

Oração sobre as oblatas: Apresentamos, Senhor, ao vosso altar os dons do vosso povo santo; aceitai-os benignamente e fazei deles o sacramento da nossa redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

Jesus vem até nós sobretudo na comunhão. Saibamos acolhê-Lo com a fé, a humildade e o amor de Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Sl 30, 17-18

Antífona da Comunhão: Fazei brilhar sobre mim o vosso rosto, salvai-me, Senhor, pela vossa bondade e não serei confundido por Vos ter invocado.

Ou:    Mt 5, 3-4

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra prometida.

 

Cântico de acção de graças: Exulta de alegria no Senhor, M. Carneio, NRMS 21

 

Oração depois da Comunhão: Fortalecidos pelo sacramento da nossa redenção, nós Vos suplicamos, Senhor, que, por este auxílio de salvação eterna, cresça sempre no mundo a verdadeira fé. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Queremos guardar a palavra de Jesus e guiar por ela o nosso viver, obedecendo fielmente à vontade do Pai como Ele fez. Servindo alegremente a Deus e os outros à nossa volta.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C: Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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