acontecimentos eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

ESTADO DE SAÚDE DO PAPA

PREOCUPA TODO O MUNDO

 

O mundo segue o evoluir do estado de saúde do Santo Padre, desde que foi internado no Policlínico Gemelli, na passada noite de 1 de Fevereiro, na sequência de uma laringo-traqueíte aguda e de complicações respiratórias decorrentes da gripe que o afectava.

 

No domingo seguinte, 6 de Fevereiro, João Paulo II assomou à janela do seu quarto no 10.º andar da Clínica e abençoou os fiéis no final da oração do Angelus. Na sua mensagem, lida pelo substituto do Secretário de Estado do Vaticano, o arcebispo argentino Leonardo Sandri, o Papa dizia que «vai continuar a servir a Igreja e a humanidade do mundo inteiro».

Depois de 10 dias de internamento, o Santo Padre regressou ao Vaticano, e no domingo dia 13 abençoou os fiéis da janela da Praça de São Pedro. Na sua mensagem antes do Angelus, lida pelo arcebispo Sandri, agradeceu a todos os que o acompanharam «a solidariedade, afecto e sobretudo as orações durante os dias em que estive hospitalizado», e reafirmou a sua vontade: «sinto necessidade da vossa ajuda para cumprir a missão que Jesus me confiou».

Nessa mesma tarde, começou com os seus colaboradores os exercícios espirituais da Quaresma; no entanto, pela primeira vez no seu longo pontificado, não participou na Missa conclusiva da manhã do sábado dia 19, que foi presidida pelo Cardeal Secretário de Estado Angelo Sodano. No domingo seguinte dia 20, leu sozinho a sua breve mensagem antes do Angelus, diante da Praça de São Pedro.

Inesperadamente, o Santo Padre teve de ser internado de novo no dia 23, por uma recaída da gripe, com a reaparição da insuficiência respiratória, obrigando à realização de uma traqueotomia nessa noite, com o consentimento prévio do Santo Padre.

No dia seguinte, suficientemente recuperado, mas sem poder falar, João Paulo II enviava uma carta ao Cardeal Secretário de Estado, encarregando-o de presidir o Consistório público para oficializar a canonização de cinco beatos.

 

 

NORMAS PARA OS

PROCESSOS MATRIMONIAIS

 

Acaba de ser publicada a Instrução «Dignitas connubii» sobre as normas que se devem observar nos tribunais eclesiásticos nas causas matrimoniais.

 

A Instrução foi preparada pelo Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, presidido pelo Cardeal Julián Herránz, em colaboração com outros Dicastérios da Santa Sé – a Congregação para a Doutrina da Fé, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o Tribunal Apostólico da Rota Romana –, por indicação explícita de João Paulo II em 1996.

Como explicava o Cardeal Herránz na apresentação no Vaticano no passado dia 8 de Fevereiro, pretende-se oferecer aos juizes eclesiásticos «um documento de índole prática, uma espécie de vademecum, que sirva de guia imediato para um melhor cumprimento do seu trabalho nos processos canónicos de nulidade matrimonial», à semelhança da Instrução Provida Mater em relação ao Código de 1917.

A Instrução Dignitas connubiiA Dignidade do matrimónio») não é um novo texto legislativo, mas quer simplesmente facilitar a consulta e aplicação do Código de 1983. «Por um lado, apresenta unido tudo o que diz respeito aos processos de nulidade matrimonial – normas que no Código estão espalhadas em diversos lugares –, e, por outro lado, integra os desenvolvimentos jurídicos verificados depois do Código: interpretações autênticas do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, respostas do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, jurisprudência do Tribunal Apostólico da Rota Romana». «A Instrução não se limita a repetir o texto dos cânones, mas contém interpretações, esclarecimentos sobre as disposições das leis e novas disposições sobre procedimentos para a sua execução».

Com este documento, a Santa Sé pretende encorajar a responsabilidade dos Bispos diocesanos, como juizes por direito divino das suas comunidades, cuidando a idoneidade dos membros do seu tribunal e assegurando a conformidade das sentenças com a recta doutrina – como recordava João Paulo II no seu último discurso à Rota Romana, em 29 de Janeiro passado.

O Cardeal Herránz terminava recordando que no actual contexto de mentalidade divorcista, «os processos canónicos de nulidade podem ser facilmente mal entendidos, como se fossem vias para obter um divórcio com o aparente beneplácito da Igreja». Através de uma hábil manipulação das causas de nulidade, qualquer matrimónio fracassado tornar-se-ia nulo. Pelo contrário, a declaração de nulidade não é a dissolução de um vínculo existente, mas a constatação da inexistência de verdadeiro matrimónio desde o início. Por isso, a Igreja favorece a convalidação dos matrimónios nulos, quando é possível.

 

 

CONCEPÇÕES EQUIVOCADAS

DE QUALIDADE DE VIDA

 

Na Mensagem aos participantes no Congresso sobre «Qualidade de vida e Ética da saúde», organizado pela Academia Pontifícia para a Vida nos dias 21 a 23 de Fevereiro passado, João Paulo II alerta para concepções equivocadas de saúde.

 

O Santo Padre afirma que, antes de mais, é necessário reconhecer a «qualidade essencial» que tem todo o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, desde a sua concepção até à sua morte natural. «Por isso, o ser humano deve ser reconhecido e respeitado em qualquer condição de saúde, de doença ou de deficiência».

Pressionados pela sociedade do bem-estar, «está-se a favorecer uma noção de qualidade de vida que é ao mesmo tempo redutora e selectiva, e que consistiria na capacidade de gozar e experimentar prazer, ou também na capacidade de autoconsciência e de participação na vida social. Como consequência, nega-se a qualidade de vida aos seres humanos que ainda não são ou nunca serão capazes de entender e de querer e àqueles que não podem gozar da vida como sensação e relação».

João Paulo II termina reconhecendo que «a saúde não é um bem absoluto, sobretudo quando se entende como simples bem-estar físico ou se eleva a mito até ao ponto de suplantar ou descuidar bens superiores, alegando razões de saúde para rejeitar o nascituro: é o que acontece com a chamada ‘saúde reprodutiva’». A saúde só pode ser sacrificada para alcançar bens superiores, como às vezes o exige o serviço a Deus, à família, ao próximo ou à sociedade. A saúde deve ser defendida e cuidada como «equilíbrio físico-psíquico e espiritual» do ser humano. «É uma grave responsabilidade ética e social dar cabo da saúde por desordens de todo o tipo, sobretudo relacionadas com a degradação da pessoa humana».

 

 

NOVA CARTA PONTIFÍCIA

SOBRE AS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

 

A Carta apostólica de João Paulo II «O rápido desenvolvimento» foi apresentada no Vaticano pelo Presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, no passado dia 21 de Fevereiro.

 

A Carta procede do desejo manifestado por João Paulo II de comemorar o 40.º aniversário do decreto sobre as comunicações sociais Inter mirifica, de 4-XII-1963, com um novo documento. «Emocionei-me muito – disse o Presidente do Conselho Pontifício arcebispo John Foley – ao ler as palavras do Papa; (...) o documento é para mim uma meditação pessoal, um desafio e um plano de acção».

A nova Carta de João Paulo II, segundo o arcebispo, «é uma obra-prima de intuição sobre o significado dos meios de comunicação social na nossa época». Por exemplo, no parágrafo 3, diz-se: «Os meios de comunicação social alcançaram tal importância que representam para muitos o principal meio de guia e de inspiração para o seu comportamento individual, familiar e social».

Pelo seu lado, o Secretário do mesmo Conselho Pontifício, Mons. Renato Boccardo, fez notar que «os media constroem modelos de percepção que amiúde obedecem a visões antropológicas que já não estão inspiradas pelo Cristianismo».

Referindo-se aos novos meios de comunicação, Mons. Boccardo comentou: «Internet dá uma nova definição radical da relação psicológica da pessoa com o espaço e o tempo. Atrai a atenção sobre o que é tangível, útil, imediatamente disponível», mas por vezes falta um processo de reflexão mais profunda. A pessoa «on line» é a pessoa do presente, da satisfação imediata que procura respostas, e a Net é o armazém de experiências sempre disponíveis.


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