3º Domingo Comum

25 de Janeiro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, Az. Oliveira, NRMS 94

Salmo 95, 1.6

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Glória e poder na sua presença, esplendor e majestade no seu templo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja, mergulhada no Mistério da Páscoa do Senhor, renova em cada Domingo a possibilidade de redimensionar a vida diante do acontecimento de Cristo morto e ressuscitado. Este mesmo acontecimento deixou de ser um dado adquirido pela sociedade, voltando a ser novidade e possibilidade. Por isto mesmo, a Eucaristia surge, em cada semana, como o lugar onde cada cristão se coloca diante de Jesus na atitude de discípulo, aceitando o desafio à conversão e a fixar o olhar no que realmente dá sentido ao tempo e à vida.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura que vamos escutar, retirada do livro do profeta Jonas, relata-nos a missão dada por Deus ao profeta. Um olhar apenas literário desta missão do profeta Jonas poderá desvalorizar todas as suas implicações. Mas, estando atentos à descrição do ambiente de Nínive, facilmente poderemos sentir em nós o ímpeto a desafios inóspitos que a Nova Evangelização nos possibilita e nos solicita também nos dias de hoje.

 

Jonas 3, 1-5.10

1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas nos seguintes termos: 2«Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi». 3Jonas levantou-se e foi a Nínive, conforme a palavra do Senhor. Nínive era uma grande cidade aos olhos de Deus; levava três dias a atravessar. 4Jonas entrou na cidade, caminhou durante um dia e começou a pregar nestes termos: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». 5Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. 10Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou. 

 

O pequeno livro de Jonas é uma grande parábola em acção para mostrar como Deus quer usar de misericórdia para com todo e qualquer pecador, mesmo estranho ao povo judeu, com a condição de que este se arrependa; para grandes males, grandes remédios, como é o caso do recurso a ameaças, que são uma pedagogia divina: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída» (v. 10). É deveras curioso, singular e significativo que um livro situado no cânone dos Profetas não registe mais do que esta frase da pregação de Jonas. A verdade é que o ensinamento da obra não reside em palavras pregadas, mas nos factos relatados. A grande lição do livro está aqui: Deus tem misericórdia de todos os pecadores e quer que todos se salvem (cf. 1 Tim 2, 4), mesmo os mais afastados e rebeldes, de quem Nínive, a capital da antiga Assíria, ficou como uma figura emblemática. Este Jonas faz a figura do «filho bom» – mas realmente o mau – da parábola do filho pródigo.

Tudo leva a crer que este livro é uma fina sátira contra a personagem central, um fictício profeta Jonas, que nada tem a ver com a figura histórica do profeta deste nome no séc. VIII (cf. 2 Re 14, 25-27). O facto de haver uma coincidência no nome – Jonas, filho de Amitai – levou a que a tradição judaica viesse a colocar a obra no grupo dos escritos proféticos. A verdade é que não se considera como uma obra histórica, mas sapiencial, como já S. Jerónimo gostava de imaginar. O Jonas deste livro inspirado materializa a mentalidade da dita habdaláh («separação»), que se difundiu após a reforma de Esdras e Neemias, uma mentalidade fechada e hostil a todo o estrangeiro. Esta maneira de pensar nacionalista e exclusivista é posta a ridículo na figura de Jonas; a obra tem, pois, um carácter de sátira. Com efeito, na primeira parte do livro (Jon 1 – 2) ele nega-se a ir a Nínive (não vá ela converter-se!) e na segunda (Jon 3 – 4), quando, após a sua pregação, a cidade se converte, ele entra em furor contra Deus, porque Ele se mostrou misericordioso perdoando à cidade arrependida.

 

Salmo Responsorial    Salmo 24 (25), 4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. 4a)

 

Monição: O anúncio da Fé e a conversão necessária para que a mesma Fé aconteça na nossa vida exige, da nossa parte, o desejo de ver os caminhos de Deus e querer trilhá-los. Com as palavras do salmista, deixemo-nos maravilhar com o dom que brota do Coração de Deus para o coração do homem.

 

Refrão:        Ensinai-me, Senhor, os vossos caminhos.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,

ensinai-me as vossas veredas.

Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,

porque Vós sois Deus, meu Salvador.

 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias

e das vossas graças, que são eternas.

Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,

por causa da vossa bondade, Senhor.

 

O Senhor é bom e recto,

ensina o caminho aos pecadores.

Orienta os humildes na justiça

e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A experiência da Fé requer um olhar atento a todos os fenómenos. A Fé não pode estar aprisionada a intelectualismos ou a afectividades, mas atenta à brevidade com que podemos voltar o nosso rosto para Deus, nomeadamente a partir das realidades mais habituais da própria vida e das quais podemos estar aprisionados.

 

1 Coríntios 7, 29-31

29O que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; 30os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; 31os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro.

 

O Apóstolo, no capítulo 7 da 1ª Coríntios, responde à pergunta que lhe tinha sido feita sobre a virgindade e o celibato. Pensa-se que a pergunta provinha de alguns que consideravam as relações matrimoniais como algo mau ou impróprio para um cristão. S. Paulo, depois de expor a doutrina sobre a legitimidade e indissolubilidade do matrimónio (vv. 1-16), recomenda que cada um siga a vocação a que foi chamado (vv. 17-24), passando a fazer a apologia do celibato e a dar razões da excelência da virgindade (vv. 25-38). Desta parte é que são extraídos os 3 versículos da leitura. S. Paulo tira partido da consideração da brevidade desta vida – «o tempo é breve!» –, para que, na hora de se tomar uma decisão, ninguém se deixe levar pelo apego às coisas passageiras e efémeras. Outras motivações são apresentadas a seguir e que pertencem à leitura do próximo Domingo.

 

Aclamação ao Evangelho        Mc 1, 15

 

Monição: O tempo é escasso na vida de Jesus, por isso o Seu anúncio revela que este mesmo tempo cumpre-se em Si e no anúncio que dele brota. Ainda que fosse próximo o martírio de S. João Baptista, Jesus não se amedronta com a missão que o Pai lhe confiara e da qual dependia a manifestação do Reino de Deus entre os homens.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Está próximo o reino de Deus;

arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 14-20

14Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: 15«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». 16Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. 17Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». 18Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. 19Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; 20e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

 

Começamos neste Domingo a leitura seguida e respigada do Evangelista do Ano B, S. Marcos. E tudo começa com o início da pregação de Jesus na «Galileia», a zona norte da Palestina, politicamente separada da Judeia, onde Jesus tinha mais liberdade de movimentos para a sua pregação, por estar mais ao abrigo da oposição das autoridades judaicas de Jerusalém (cf. Jo 4, 1-3).

14-15 «Depois de João ter sido preso», à letra, «entregue». Mais do que uma nota cronológica, parece que S. Marcos visa uma precisão teológica; com efeito, abre-se agora uma nova etapa da história da salvação. Às promessas de salvação vai seguir-se agora o seu cumprimento em Jesus – «cumpriu-se o tempo» anunciado. O v. 15 é como uma espécie de sumário ou síntese, diríamos, o «programa», do Evangelho de Jesus: o «Reino de Deus» está a chegar, e isto exige uma conversão interior, a metánoia, isto é, uma renovação do entendimento e da vontade – «arrependei-vos» – e uma atitude de fé – «acreditai no Evangelho».

16-20 Embora socialmente Jesus apareça a pregar em público com um mestre entre tantos outros que então havia, Marcos, desde o início, quer deixar bem claro que Jesus não é mais um rabi, em cuja escola qualquer candidato que o deseje se pode inscrever como discípulo, mas que, pelo contrario, é Jesus quem escolhe quem quer, chamando com autoridade; por isso a resposta é pronta, o que merece ser bem sublinhado: «e eles deixaram logo…» – tudo, as redes, o barco, o pai… – «e seguiram Jesus».

 

Sugestões para a homilia

 

1.     ARREPENDEI-VOS E ACREDITAI: O início do Tempo Comum, logo após o tempo de Natal, a Igreja convida os seus filhos a fazerem um itinerário verdadeiramente fiel ao desenvolvimento bíblico dos acontecimentos da vida de Jesus. O anúncio do Reino e o convite à conversão é o núcleo da mensagem evangélica e condição única para fazer parte do grupo dos discípulos de Jesus. Desta forma, estamos diante de uma atitude dinâmica, a qual entra em choque com algum conformismo e inércia que invade a atitude e a consciência de muitos cristãos que fazem parte das nossas comunidades paroquiais. O viver como discípulos de Cristo não pode partir de pressupostos de metas alcançadas ou de dados adquiridos, mas a consciência da tensão constante entre a conversão e o anúncio. O anúncio só é possível se há conversão e a conversão tem como base o anúncio. Por isso mesmo, a ousadia da fé tem de despertar na vida cristã a subtileza própria para anunciar e testemunhar a fé numa total unidade de vida, livre de discursos programados e de militância sociológica, permitindo assim a proposta única que é Jesus, presente na Igreja pela força dos Sacramentos.

 

2.     O TEMPO É BREVE: A noção do Tempo enquanto realidade determinante na vida do ser humano é, em primeira instância, um lugar de reflexão sobre a existência e o seu sentido. A vivência plena do tempo, os frutos que dele colhemos ou a forma como o vivemos têm sido premissas habituais no pensamento do homem. Da mesma forma, na vida do cristão, o tempo é lugar de meditação, não só pelas suas dimensões antropológicas, mas também porque o Tempo, criado por Deus, é o lugar dos acontecimentos salvíficos operados pelo mesmo Deus na História, nomeadamente a partir da Encarnação de Jesus. Assim sendo, o tempo eleva o homem para o desejo do eterno. Tanto mais se torna imperativo este desejo quanto mais se procura compreender, à luz da fé e da oração, as implicações da Santíssima Humanidade de Jesus, onde a eternidade entra no tempo para que o tempo projectasse o homem na eternidade. Saborear a eternidade leva o homem a desejar traduzi-la já na temporalidade, onde a presença de Deus é possível pela Sua acção e pelo nosso esforço de mantermos a alma viva e desperta para Deus. Manter firme a presença de Deus é possibilitar na vida um encontro constante com a essência da vida cristã, ou seja, a manifestação do amor agradecido e retribuído ao Amor que vem ao nosso encontro. Por estes motivos e compreendendo as palavras de São Paulo aos Coríntios, a temporalidade tem de ter sabor a Páscoa, a morte e ressurreição, a acontecimento salvífico de Cristo. Embora vivamos no mundo e possamos disfrutar de toda a bondade de Deus que nele reside, há que não esquecer que o mundo e as vivências do mundo experimentadas ao longo do tempo das nossas vidas não são fins em si mesmos, mas acontecimentos de encontro com Deus para manifestar amor e rendermo-nos à conversão que o Amor nos pede.

 

3.     NÍNIVE SERÁ DESTRUÍDA: Quando nos é apresentada uma visão de devastação ou destruição operada por Deus facilmente há a tentação de conceber uma imagem maquiavélica ou terrífica do próprio Deus. Na verdade, a pregação de Jonas chama a atenção para a possibilidade da destruição de Nínive enquanto a desobediência e o pecado predominarem os costumes e as consciências destes habitantes. No entanto, partindo da experiência que o mundo actual vive, é fácil compreender como a ausência de Deus e de valores cristãos se tem traduzido na degradação dos costumes e na falência de famílias, instituições e indivíduos. A crueldade do mundo e os submundos que predominam a nossa sociedade tornaram-se lugares de sofrimento e de desespero, que contribuem para a degradação das relações humanas, para o aumento de situações de delinquência e de violência, bem como para a inexistência de horizontes de futuro com esperança e de qualidade. Quer-se com isto dizer que a destruição de Nínive não é consequência da ira de Deus, mas da rebeldia dos homens, rebeldia essa que é primeiramente a renuncia a aceitarem a condição humana e a sua dignidade, chegando ao ponto da falência de todo o projecto que é possível para a humanidade, aos olhos de Deus. A cidade de Nínive é uma cidade de esperança sempre que a ela se unirem a fé como acto de acreditar e de conversão, e a caridade, como expressão máxima do reconhecimento de Deus e do semelhante no essencial da história.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Para que a nossa resposta ao Evangelho de Jesus

seja digna de tão grande chamamento,

dirijamos ao Pai a nossa oração, dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.     Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que, seguindo o caminho da fé́,

irradiem confiança, alegria e disponibilidade, oremos ao Senhor.

 

2.     Pelos jovens da nossa Diocese

que sentem o chamamento de Jesus,

para que escutem a sua voz e O sigam, oremos ao Senhor.

 

3.     Pelos responsáveis das nações em todo o mundo,

para que descubram no Evangelho de Cristo

o alicerce firme da justiça e da paz,

oremos ao Senhor.

 

4.     Pelos que se entregam ao serviço dos mais pobres, para que o Senhor lhes dê o seu Espírito

e a perseverança nas dificuldades,

oremos ao Senhor.

 

5.     Por nós que participamos nesta celebração,

para que tenhamos o desejo de viver na graça de Deus

e de a ela voltar, se a viermos a perder,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que, pela boca do vosso Filho, dissestes que o tempo se cumpriu

e está próximo o reino de Deus, dai-nos um coração que saiba responder

às surpresas inesperadas do Evangelho. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, e santificai os nossos dons, a fim de que se tornem para nós fonte de salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

É frequente escutarmos a expressão de Jesus: “Vinde”! Também hoje, no Evangelho, escutávamos o Senhor a usar esta expressão, a qual manifesta com elevada profundidade o convite do Senhor a ir ter com Ele e a abeirarmo-nos d’Ele. Ao contemplarmos o Seu Corpo e Sangue somos chamados a ir a Ele com a mesma intensidade com que Ele se digna a vir ao meio de nós.

 

Cântico da Comunhão: Comemos, ó Senhor, do mesmo pão, M. Borda, NRMS 43

Salmo 33, 6

Antífona da comunhão: Voltai-vos para o Senhor e sereis iluminados, o vosso rosto não será confundido.

 

Ou

Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Eu quero, Senhor amar-Te, H. Faria, NRMS 30

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, nós Vos pedimos que, tendo sido vivificados pela vossa graça, nos alegremos sempre nestes dons sagrados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

No Evangelho escutávamos o exemplo de Jesus: partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus. A Missa não termina em si mesma, mas é dom e acontecimento de Salvação que permanece no tempo. Esta salvação que aqui se realizou prolonga-se em nós no meio do mundo a partir do momento em que daqui sairmos. Procuremos, desta forma, viver esta semana com a noção de que o tempo é breve e que, deste mesmo tempo, urge o anúncio da Boa Nova da Fé e do seguimento de Jesus.

 

Cântico final: Somos testemunhas de Cristo, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

 

2ª Feira, 26-I: S. Timóteo e S. Tito: Comportamento num ambiente agressivo.

2 Tim 1,1-8 ou Tit 1, 1-5 / Lc 10, 1-9

Ide, e olhai que vos mando em missão como cordeiros para o meio dos lobos.

Timóteo e Tito foram dois discípulos e colaboradores de S. Paulo.

No cumprimento da sua missão encontraram o cenário profetizado por Cristo: «como cordeiros no meio de lobos» (Ev.). S. Paulo escreveu desde a sua prisão de Roma as chamadas Epístolas Pastorais, recomendando-lhes como cuidar dos pastores e dos fiéis, para se encontrarem firmes na fé que ele lhes ensinara. Cada um de nós também encontra a agressividade do ambiente paganizado (os lobos). Para isso, temos o conselho do Apóstolo: «Não te envergonhes do testemunho que dás de Nosso Senhor, nem de mim» (Leit.).

 

3ª Feira, 27-I: Uma nova família: a dos filhos de Deus.

Heb 10, 1-10 / Mc 3, 31-35

Quem fizer a vontade de Deus é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Jesus revela a existência de uma 'nova família', que tem como fonte de união entre os seus membros o cumprimento da vontade de Deus (Ev.), e que figura na oração do Pai nosso, que é a oração própria dos filhos de Deus.

Assim o fez também Cristo, o Primogénito entre muitos irmãos. Ao entrar no mundo, Jesus disse: «Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade» (Leit.). E na sua oração no Jardim das Oliveiras conformou-se totalmente com esta vontade: ´Não se faça a minha vontade, mas a tua'. Imitemos o Senhor fazendo a vontade do Pai, em vez de satisfazermos o nosso egoísmo.

 

4ª Feira, 28-I: Os frutos, a Missa e a meditação.

Heb 10, 11-18 / Mc 4, 1-20

O semeador saiu para semear. Quando semeava, parte da semente caiu à beira do caminho...

Uma boa parte das sementes não deu fruto e outra parte rendeu bastante (Ev.).

Alguma coisa de semelhante aconteceu com os sacerdotes da Antiga Aliança, que ofereciam inúmero sacrifícios, «que nunca podem destruir os pecados» (Leit.) Mas Cristo destruiu os pecados com um só sacrifício (Leit.). Se quisermos obter frutos mais abundantes, procuremos unir todas as nossas acções ao sacrifício de Cristo, deixando sobre o altar as nossas pequenas renúncias, que pouco valem. Por outro lado, para obtermos mais frutos devemos meditar com regularidade. De outro modo, não haverá frutos como os primeiros terrenos da parábola.

 

5ª feira, 29-I: Iluminar os caminhos da terra.

Heb 10, 19-25 / Mc 4, 21-25

Traz-se porventura a lâmpada para se pôr debaixo do alqueire ou leito? Não se traz para ser posta no candelabro?

Podemos queixar-nos de que o mundo está às escuras. Mas a culpa é nossa, pois cada um de nós há-de ser como uma lâmpada acesa (Ev.). Uma lâmpada para dar luz precisa de estar ligada à corrente, ou a uma bateria, isto é, ligados a Cristo, lembrando-nos d'Ele várias vezes durante o dia.

E, depois, deve ser colocada bem à vista, para servir de testemunho pessoal junto da nossa família, colegas de trabalho, ou amigos: «velemos uns pelos outros, para nos incitarmos à caridade e às boas obras» (Leit.). Procuremos ver se aqueles que convivem connosco recebem esta luz, que lhes serve de indicação dos caminhos de Deus.

 

6ª Feira, 30-I: Dificuldades: confiança e perseverança.

Heb 10, 32-39 / Mc 4, 26-34

O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas as sementes. Mas, depois de semeado, começa a crescer

Deus serve-se do que é pequeno para agir no mundo e nas almas (Ev.). Assim aconteceu com os Apóstolos e com os primeiros cristãos. Agora somos nós o 'grão de mostarda', em relação à tarefa da reevangelização.

Não devemos desanimar perante as dificuldades do ambiente. Encontraremos na Cruz e na Eucaristia a força, a confiança e a valentia que precisamos: «Não deixeis perder, portanto, a vossa confiança, que encerra uma grande recompensa» (Leit.). Sejamos igualmente perseverantes: «o que vós precisais é de perseverança» (Leit.), para levar as coisas até ao fim.

 

Sábado, 31-I: Que fé encontra em nós o Senhor?

Heb 11, 1-2. 8-19 / Mc 4, 35-41

Depois Jesus disse-lhes a eles: por que estais assim assustados? Como é que não tendes fé?

Jesus entristece-se por causa da pouca fé dos seus discípulos (Ev.).

Pelo contrário, a Leitura louva a fé de Abraão, que obedeceu ao chamamento de Deus, viveu num território estrangeiro, ofereceu Isaac para ser imolado, etc. (Leit.). A fé, de facto, é «a garantia dos bens que se esperam, e a prova de que existem as coisas que não se vêem» (Leit.). E é também uma grande ajuda para enfrentarmos 'as tempestades' da nossa vida diária: problemas profissionais, familiares, as incompreensões, etc. E é também indispensável para comermos com fruto o 'pão da vida', para preparamos melhor os encontros diários com o Senhor.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ricardo Cardoso

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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