2º Domingo Comum

18 de Janeiro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor é a força do seu povo, F. da Silva, NRMS 106

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Eis-nos, por algumas semanas, a caminhar com Jesus, ao ritmo do Tempo Comum. É o tempo de permanecer atento e de estar sereno com Cristo, no seguimento firme dos seus passos. Ele faz-Se encontrar dentro dos caminhos da existência quotidiana, como aconteceu com os discípulos nas margens do Jordão. Outros, como Samuel, encontraram-no no silêncio do Templo. Nós, reunidos em Eucaristia, encontramo-l’O no silêncio, na luz da Palavra e na intimidade da mesma mesa. Como templos vivos do Espírito Santo, acolhamo-l’O, de corpo e alma, de coração aberto, dizendo ao Senhor, que nos ama e nos chama pelo nome: “Aqui estou”!

 

 

Kyrie

 

Senhor, Palavra do Pai, tende piedade de nós!

 

Cristo, Mestre da Verdade, tende piedade de nós!

 

Senhor, Cordeiro de Deus, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura apresenta-nos a história da vocação de Samuel, deixando claro que o chamamento é sempre uma iniciativa de Deus, que vem ao encontro do homem e chama-o pelo nome. Ao homem é pedido que se coloque numa atitude de total disponibilidade para escutar a voz e os desafios de Deus.

 

1 Samuel 3, 3b-10.19

Naqueles dias, 3bSamuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou». 5E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se. 6O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: «Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te». 7Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor. 8O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem. 9Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’». Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se. 10O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel, Samuel!» E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». 19Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.

 

Esta leitura é uma selecção de versículos de 1 Sam 3, onde se relata a célebre vocação do profeta pregador que, no séc. XI a. C., havia de imprimir novo rumo ao povo de Israel. A escolha dos versículos deixa ver que a intenção da Liturgia não se centra nos pormenores da história, nem na infidelidade de Eli, mas na lição de obediência pronta do jovem Samuel, oferecido ao Senhor por sua mãe, Ana (cf. 1, 28), o qual vivia com o sacerdote Eli como servidor do santuário de Silo – «no templo do Senhor» (v. 3) –, onde se guardava a Arca da Aliança. Com Samuel inicia-se em Israel o profetismo como ministério constante e ininterrupto. Como veio a suceder com os grandes profetas, a sua missão aparece precedida dum chamamento sobrenatural e bem claro de Deus. A presente leitura é a história duma vocação e fala-nos da prontidão e disponibilidade para seguir a chamada divina.

 

Salmo Responsorial    Salmo 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10-11 (R. 8a.9a)

 

Monição: Chamados por Deus, mostremos a nossa prontidão e disponibilidade com as palavras do salmista.

 

Refrão:        Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança

e Ele atendeu-me.

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

«De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

«Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

Não escondi a justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa bondade e fidelidade».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a viverem de forma coerente com o chamamento que Deus lhes fez. No crente que vive em comunhão com Cristo deve manifestar-se sempre a vida nova de Deus.

 

1 Coríntios 6, 13c-15a.17-20

Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. 15aNão sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? 17Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. 18Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. 19Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, 20porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo.

 

Como em todos os anos, A, B e C, sempre se inicia o tempo comum tendo como 2ª leitura respigos da 1ª aos Coríntios; neste ano B, começa-se no cap. 6; no próximo ano C. no cap. 12.

A leitura é tirada do fim dia primeira parte de 1 Cor, na qual S. Paulo procura remediar vários abusos verificados naquela comunidade nascente. É bem conhecida a má fama da capital da província romana da Acaia: «viver em Corinto» – Korinthiázein – era sinónimo de levar vida libertina. O próprio vício era divinizado: no templo de Afrodite havia cerca de mil sacerdotisas dedicadas à prostituição sagrada. É, pois, fácil de compreender que, para alguns convertidos, fosse difícil abandonar uma mentalidade generalizada que legitimava a fornicação. E, para a justificarem, chegariam mesmo, segundo se depreende do v. 12, a torcer as próprias palavras de S. Paulo: «tudo me é permitido» (cf. 1 Cor 10, 23), e a dizer que se tratava duma simples necessidade corporal, como comer e beber (cf. v. 13), e não como algo que encerra um sentido superior que envolve toda a pessoa. O Apóstolo, para levar estes maus cristãos ao bom caminho e impedir que os outros se deixem perverter, não se detém a dar-lhes um curso de educação sexual, nem a insistir na fealdade do vício e das suas funestas consequências para o indivíduo e para a sociedade. Apela para os motivos da fé: «o corpo… é para o Senhor» (v. 13); ele há-de ressuscitar (v. 14); é membro de Cristo (v. 15); é «templo do Espírito Santo» (v. 19); «resgatados» por Cristo, já «não pertencemos a nós mesmos» (v. 20a); a castidade é uma afirmação cheia de alegria: «glorificai a Deus no vosso corpo» (v. 20b). S. Paulo não se limita a condenar a prostituição sagrada dos santuários idolátricos, pois não trata aqui da idolatria, mas da castidade; fala sem os eufemismos: «fornicação», traduzida pelo termo vago, «imoralidade» (v. 18), tendo-se omitido na leitura litúrgica os bem fortes versículos 15b-16: «como é possível tomar os membros de Cristo para fazer deles membros duma prostituta?…»

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 1, 41.17b

 

Monição: O Evangelho descreve a identidade de um discípulo de Cristo. Este é aquele que está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e da entrega, que aceita viver em comunhão com Ele, que é capaz de testemunhar Jesus e de anunciá-l’O aos outros irmãos.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Encontramos o Messias, que é Jesus Cristo.

Por Ele nos veio a graça e a verdade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 35-42

35Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos 36e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». 37Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. 38Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi que quer dizer ‘Mestre’ onde moras?» Disse-lhes Jesus: 39«Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. 40André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. 41Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» que quer dizer ‘Cristo’; 42e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» que quer dizer ‘Pedro’.

 

Os três Sinópticos apresentam os primeiros discípulos noutro contexto, o do chamamento (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11), ao passo que o IV Evangelho se limita a relatar um primeiro encontro, cheio de vivacidade e encanto.

35 «João». A tradução litúrgica, para desfazer equívocos, acrescentou: «Baptista». A verdade é que o 4.° Evangelho só conhece um João, por isso nunca o adjectiva de Baptista. Neste relato não se fala do nome do companheiro de André, que seria o próprio evangelista (cf. 13, 23; 18, 15; 19, 26.35; 20, 2; 21, 2.20.24), o qual, por humildade, nunca fala do seu próprio nome, o que é um sinal de que a ele se deve a autoria deste Evangelho.

36 «Eis o Cordeiro de Deus» (cf. Jo 1, 20). A Liturgia e a iconografia cristã dão grande relevo a este testemunho do Baptista. A expressão é muito rica de significado e faz referência não só ao cordeiro pascal (cf. 1 Cor 5, 7; Jo 19, 36), como também ao Servo de Yahwéh Sofredor, comparado em Is 57, a um manso cordeiro levado à morte (a própria palavra aramaica certamente usada pelo Baptista, «talyá», significa tanto cordeiro como servo).

37-40 O relato conserva a frescura e o encanto de quem viveu intensamente aquele momento único e decisivo da vida docemente subjugado pela atracção humana e o fascínio divino da pessoa de Jesus. Cerca de setenta anos depois, João recorda exactamente a hora e, em pormenor, aquela inolvidável e tímida troca de palavras. Eis o comentário de Santo Agostinho: «Não O seguiram para ficar definitivamente com Ele. (...) Quiseram somente ver onde habitava… O Mestre mostrou-lhes onde habitava e eles foram e permaneceram com Ele. Que dia feliz e que feliz noite passaram! Quem poderá dizer-nos o que eles ouviram da boca do Senhor? Façamos nós também uma habitação no nosso coração, e venha o Senhor até junto de nós para nos ensinar e falar connosco!» (In Ioh. tract. 7, 9).

41-42 «Encontrámos o Messias!» (Eurêkamen ...) O grande achado da vida, que os faz exclamar mais exultantes que o sábio grego Arquimedes ao descobrir o seu célebre princípio da Física: «êureka!». E não se pode conhecer Cristo sem transmitir a outros essa grande e feliz notícia. «Messias», é uma palavra hebraica (em grego «Cristo»), que significa aquele que foi ungido, designando-se assim um novo rei David esperado para restaurar o reino de Israel no fim dos tempos (cf. 2 Sam 7, 12-16.19.25.29; 1 Cr 17, 11-14; Is 11, 1-9; Act 2, 30; Lc 1, 32-33). Cefas não era um nome, mas um apelativo original, pedra (em aramaico), para indicar, neste caso, não uma característica pessoal (Simão não se distinguia pela firmeza da rocha: cf. 18, 17.25.27), mas a missão a que Deus o destinava de vir a ser a pedra em que Jesus assenta a sua Igreja (cf. Jo 21, 15-18; Mt 16, 18-19; Lc 22, 31-33).

 

Sugestões para a homilia

 

1. “Aqui estou” (1 Sam 3, 5)

2. “Templo do Espírito Santo” (1 Cor 3, 16)

3. "Não fechei os meus lábios" (Sl 40, 10)

 

 

1. “Aqui estou” (1 Sam 3, 5)

 

O jovem Samuel vivia no templo, ao serviço de Heli, mas a quem ele, de facto, servia, era ao Senhor. Disponível, humilde, sensato, recorreu a quem o podia ajudar para discernir a voz misteriosa que, de noite, o despertava. A resposta que lhe foi tão sabiamente ensinada: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta», permitiu-lhe ouvir o que Deus tinha para lhe comunicar. O Senhor precisa de nós. Chama-nos. Envia-nos. O salmista reconhece que Deus pôs, em seus lábios, «um cântico novo»; abriu-lhe «os ouvidos». Por isso, ele clamou: «Aqui estou». Docilidade, a verdadeira obediência, a que pratica a vontade do Senhor e proclama a fidelidade do seu amor.

 

 

2. “Templo do Espírito Santo” (1 Cor 3, 16)

 

A santidade, a vocação cristã, deve estimular sempre o nosso esforço quotidiano: constituir com Jesus «um só Espírito», viver em unidade, com Deus, connosco e com todos. São Paulo utiliza a expressão «templo do Espírito Santo», a propósito do corpo. É o Espírito Santo quem nos «une ao Senhor», incorporando-nos, cada vez mais, na Igreja, corpo de Cristo, templo de homens e mulheres «resgatados por grande preço». Libertos da imoralidade, não pertencemos a nós mesmos, somos do Senhor. Vivamos, pois, a Eucaristia, em Cristo ressuscitado, celebrando a alegria da fé, «num só coração e numa só alma» (oração depois da comunhão).

 

 

2. "Não fechei os meus lábios" (Sl 40, 10)

 

«Que procurais?», continua Jesus a questionar todos aqueles que O seguem. A resposta exprime um desejo: «Mestre, onde moras?». Ouviremos sempre, da parte do Senhor, o mesmo convite: «Vinde ver». O encontro com alguém, quando é verdadeiro, permanece gravado no tempo e no espaço. Cada um, em sua intimidade, nunca o pode esquecer. É a marca do amor, a presença da pessoa amada. Com Cristo, algo muda radicalmente em nós. “Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 1). O nosso nome, como o de Simão, transforma-se em pedra viva, em fogo de caridade. Mostramos esse Cristo? Levamos outros connosco a Jesus?

Tenhamos a ousadia de dizer como o salmista: «Não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis» (Sl 40, 10), acolhendo o apelo do Papa Francisco que, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, nos desafia: “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo!” (EG 49).

 

Fala o Santo Padre

 

«A fé cristã, em si, pressupõe o anúncio e o testemunho.»

Nas leituras bíblicas deste domingo – o segundo do Tempo Comum – sobressai o tema da vocação: no Evangelho é a chamada dos primeiros discípulos por parte de Jesus; na primeira Leitura é a chamada do profeta Samuel. Em ambas as narrações é evidenciada a importância da figura que desempenha o papel de mediador, ajudando as pessoas chamadas a reconhecer a voz de Deus e a segui-la. No caso de Samuel, trata-se de Eli, sacerdote do templo de Siló, onde antigamente estava conservada a arca da aliança, antes de ser transportada para Jerusalém. Uma noite Samuel, que ainda era jovem e vivia desde pequeno ao serviço do templo, ouviu-se chamar no sono três vezes consecutivas e foi ter com Eli. Mas não era ele quem o chamava. Na terceira vez Eli compreendeu, e disse a Samuel: se te voltar a chamar, responde: «Fala, Senhor, o teu servo ouve-te» (1 Sm 3, 9). Assim aconteceu, e a partir de então Samuel aprendeu a reconhecer as palavras de Deus e a tornar-se o seu profeta fiel. No caso dos discípulos de Jesus, a figura mediadora é João Baptista. Com efeito, João tinha um amplo círculo de discípulos, e entre eles também dois pares de irmãos, Simão e André, João e Tiago, pescadores da Galileia. Precisamente a dois deles João Baptista indicou Jesus, no dia seguinte ao seu baptismo no rio Jordão. Indicou-lho dizendo: «Eis o cordeiro de Deus!» (Jo 1, 36), que equivalia a dizer: «Eis o Messias». E os dois seguiram Jesus, permaneceram por muito tempo com Ele e convenceram-se de que Ele era deveras o Cristo. Imediatamente o disseram aos outros, e assim formou-se o primeiro núcleo daquele que se teria tornado o colégio dos Apóstolos.

À luz destes dois textos, gostaria de ressaltar o papel decisivo da guia espiritual no caminho de fé e, em particular, na resposta à vocação de especial consagração ao serviço de Deus e do seu povo. Já a própria fé cristã, em si, pressupõe o anúncio e o testemunho: de facto, ela consiste na adesão à boa nova que Jesus de Nazaré morreu e ressuscitou, que é Deus. E assim também a chamada a seguir Jesus mais de perto, renunciando a formar uma própria família para se dedicar à grande família da Igreja, passa normalmente através do testemunho e da proposta de um «irmão mais velho», normalmente um sacerdote. Sem esquecer o papel fundamental dos pais, que com a sua fé genuína e jubilosa e com o seu amor conjugal mostram aos filhos que é bom e possível construir toda a vida no amor de Deus.

Queridos amigos, rezemos à Virgem por todos os educadores, sobretudo pelos sacerdotes e pelos pais, para que tenham plena consciência da importância do seu papel espiritual, para favorecer nos jovens, além do crescimento humano, que a resposta à chamada de Deus, seja: «Fala, Senhor, o teu servo ouve-te».

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 15 de Janeiro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Por meio do Filho, Cordeiro e Senhor,

apresentemos as nossas preces, dizendo:

 

R. «Senhor, nosso Mestre e Salvador, ouvi-nos»!

 

1. Pela Igreja de Cristo,

para que responda e corresponda prontamente aos apelos de Deus,

na escuta obediente e humilde, e na pregação fiel da sua Palavra.

Oremos ao Senhor.

 

2. Pelos que governam os povos,

para que promovam e façam respeitar a vida humana,

a integridade do corpo humano e a sua dignidade mais sublime.

Oremos ao Senhor.

 

3. Por todos os cooperadores, na missão da Igreja,

para que anunciem, com desassombro, a presença de Cristo

que nos ama e liberta, para a comunhão com Ele.

Oremos ao Senhor.

 

4. Por todos os educadores cristãos,

para que saibam, através da palavra e do testemunho, guiar para Cristo,

todos os que procuram um Caminho para a Vida.

Oremos ao Senhor.

 

5. Por todos nós aqui presentes,

para que a nossa escuta fiel da Palavra e o dom das nossas vidas,

sejam o nosso verdadeiro sacrifício de louvor.

Oremos ao Senhor.

 

 

Senhor nosso Deus, de quem procede todo o dom perfeito,

concedei-nos em abundância o que nem sequer vos ousamos pedir.

Por Cristo, nosso Senhor.

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para Vós, Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele atendeu-me. Pôs em meus lábios um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus (Sal 40) que vem até nós na Eucaristia. Felizes…

 

Cântico da Comunhão: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Ide também vós e vereis!

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, 35

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-I: Oitavário: Fidelidade à doutrina da Igreja.

Heb 5, 1-10 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

Este tema de Cristo, Esposo da Igreja, já tinha sido preparado pelos Profetas. O próprio Senhor se apresenta como 'Esposo' (Ev.). E S. Paulo apresenta a Igreja, como uma 'esposa' 'desposada' com Cristo.

Nesta união não cabem 'remendos', que podem estragar todo o tecido. A Igreja é o 'vestido novo', sem rasgões, santa. Embora sejamos pecadores, esforcemo-nos neste Oitavário por viver de acordo com os ensinamentos do Senhor, que é nosso modelo: «Apesar de ser Filho aprendeu o que é obedecer» ( Leit.). Ele também se entregou à Igreja para a santificar. 

 

3ª Feira, 20-I: Oitavário: A esperança, âncora da alma, e a perseverança.

Heb 6, 10-20 / Mc 2, 23-38

E foi-lhes dizendo: O Sábado foi feito para o homem. Portanto, o Filho do homem é também Senhor do Sábado.

Durante o Oitavário, procuremos rezar mais intensamente pela unidade dos cristãos e descobrir o que está da nossa parte para contribuir para esta unidade.

O pouco que podemos fazer pode traduzir-se, em primeiro lugar, por ter mais esperança: «Nessa esperança, nós temos uma âncora da alma, inabalável e segura» (Leit.), que nos ajudará a rezar mais e a ter mais confiança nos meios de santificação, que o Senhor nos proporciona (os sacramentos); e depois a perseverança, imitando a perseverança de Abraão: «Por ter perseverado, Abraão obteve o que lhe fora prometido» (Leit.).

 

4ª Feira, 21-I: Oitavário: Estender a mão para Cristo.

Heb 7, 1-3. 15-17 / Mc 3, 1-6

Jesus disse ao homem: estende a mão. Ele estendeu-a e a mão ficou-lhe curada.

Jesus encontra a oposição dos fariseus na realização deste milagre, por causa da dureza dos seus corações (Ev.).

Para voltarmos à unidade dos cristãos é necessário que todos façamos o esforço de 'estender a mão', para tocar de novo em Cristo, que é o único que pode curar esta ferida da divisão. Para que Ele conceda este dom à sua Igreja é preciso que haja muitas conversões, com o fim de levar uma vida mais pura segundo o Evangelho; que cada um de nós vença a sua 'preguiça' de estender a mão para Cristo, mantendo um maior contacto com Ele (presença de Deus) ao longo do dia.

 

5ª Feira, 22-I: Oitavário: Sair ao encontro de Cristo.

Heb 7, 252- 8, 6 / Mc 3, 7-12

Jesus retirou-se para o mar com os discípulos, e acompanhou-o numerosa multidão, por ouvir contar tudo o que Ele fazia.

A sociedade actual precisa igualmente de ir ao encontro de Cristo (Ev.), porque os seus ensinamentos são o garante de vida eterna, do valor do sofrimento e da morte, do perdão dos pecados, do valor da vida normal e corrente. Neste Oitavário pensemos no modo de sermos cada dia mais fiéis à sua doutrina, para atrairmos os outros.

Procuremos, pois, aproximar-nos do Senhor com muita fé, porque Ele pode salvar aqueles, que, por seu intermédio, se aproximarem de Deus: ainda agora, Ele é o nosso advogado junto do Pai, 'sempre vivo para interceder por nós' (Leit.).

 

6ª Feira,  23-I: Oitavário: Uma nova Aliança para nos orientarmos bem.

Heb 8, 6-13 / Mc 3, 13-19

Estabeleceu doze para andarem com Ele e os enviar a pregar, com o poder de expulsarem os demónios.

Depois de uma noite em oração, Jesus escolheu os doze Apóstolos, que seriam as doze colunas da sua Igreja (Ev). São os bons pastores, que alimentam, orientam e governam o povo de Deus. Roguemos ao Senhor pelos Bispos de todo o mundo, em comunhão com o Papa, para que nos ajudem a manter firme a nossa fé: agora, especialmente os que dizem respeito à família.

Mas Ele quer estabelecer uma nova Aliança com o novo povo de Deus: «Hei-de imprimir as minhas leis no seu espírito e gravá-las-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo» (Leit.). Contamos com esta ajuda para não nos desorientarmos.

 

Sábado, 24-I: Oitavário: A Eucaristia e a unidade.

Heb 9, 2-3.11-14 / Mc 3, 20-21

Cristo é, pois, Mediador de uma Aliança nova: uma vez que morreu para remir as faltas cometidas durante a primeira Aliança.

Jesus quer estabelecer uma Aliança nova com o novo Povo de Deus (Leit.). Um dos passos que deu foi a instituição da Eucaristia.

«A aspiração para chegar à meta da unidade impele-nos a olhar para a Eucaristia, que é o sacramento supremo da unidade do povo de Deus, a sua condigna expressão e fonte insuperável. Na celebração do sacrifício eucarístico, a Igreja eleva a sua prece a Deus, Pai de misericórdia, para que conceda aos seus filhos a plenitude do Espírito Santo, de modo que se tornem em Cristo um só corpo e um só espírito» (S. João Paulo II, IvE).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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