Epifania do Senhor

4 de Janeiro de 2015

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vimos a sua estrela, F da Silva, NRMS 68

cf. Mal 3, 1; 1 Cr 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje o mistério da manifestação do Salvador do mundo aos gentios, isto é, aos que não pertenciam à família judaica, como verdadeiro e Deus e verdadeiro Homem.

Vieram das suas longínquas terras até Belém guiados por uma estrela, numa viagem que, para alguns deles, poderá ter durado cerca de dois anos.

Celebrar é tomar um acontecimento e trazê-lo para unto de nós, recebendo as graças dos que nele participaram. Façamo-nos peregrinos com eles e aproximemo-nos respeitosamente de Jesus menino, sentado no regaço da Virgem Mãe.

 

Acto penitencial

 

Distraídos por muitas coisas banais, não temos procurado o mais importante da vida que é o encontro com Deus na oração, nos Sacramentos da Reconciliação e Eucaristia, no trabalho e na vida de família.

Percorramos o caminho de regresso do filho pródigo, pedindo perdão dos nossos pecados e prometendo emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Descuidamo-nos e não rezamos as orações

    e tentamos desculpar-nos, às vezes, com a falta de tempo.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Afastamo-nos da Confissão e Comunhão frequentes,

    como se pudéssemos dispensar os auxílios que o Senhor dá.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Na vida de trabalho e no convívio da família

    deixamos de lado as exigências da fé  e da moral cristã.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia a chegada da luz salvadora de Jahwéh, que vai transfigurar Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.

Ele imagina a cidade Santa banhada pelos primeiros raios do sol nascente, enquanto toda a planície continua mergulhada na escuridão e os povos se dirigem para essa luz.

 

Isaías 60, 1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21, 2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

Salmo Responsorial    Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)

 

Monição: O salmo 72 aparece como uma resposta que o Espírito Santo coloca em nossos lábios, como resposta à interpelação feita pela profecia de Isaías.

Descreve o Reino de Deus como um reino de justiça para os pobres e humildes. Este Reino foi inaugurado pelo nascimento do Salvador, mas há-de chegar à sua plenitude, acolhendo povos de todas as nações.

 

 

Refrão:        Virão adorar-Vos, Senhor,

                     todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na carta aos Epístola ao cristãos de Éfeso, S. Paulo apresenta-nos o projecto salvador de Deus como uma realidade que vai inundar de graças toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.

 

Efésios 3, 2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser «co-herdeiros» («recebem a mesma herança que os judeus», traduz, parafraseando, o texto português oficial), «com-corpóreos» (isto é, «pertencem ao mesmo Corpo» Místico de Cristo, que é a Igreja una), e «com-participantes na Promessa» («beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 2, 2

 

Monição: Os homens generosos e valentes que foram ao encontro do Salvador, realizando uma grande e difícil viagem, convidam-nos também a irmos ao Presépio.

Manifestemos a nossa disponibilidade, aclamando o Evangelho que nos anuncia a Boa Nova do nascimento do Salvador.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc.. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos pagãos para Cristo, o simbolismo dos presentes, a fé e perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura e o sentido de procura do caminho, etc..

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém (Is 60 e Salm 72). Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8, 11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7, 42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento. Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma dita lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente improvável, fora o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados. Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Num 24, 17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio do Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Cristo. Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que a estrela se deslocava de Norte para Sul até parar sobre a casa.

 

Sugestões para a homilia

 

• A Epifania da Igreja

Jesus, a benevolência de Deus

A Igreja, Luz dos povos

A Igreja, comunhão de Amor

• À procura de Jesus

Viemos adorá-l’O

Fomentar a intenção recta

O encontro com Jesus

 

 

1. A Epifania da Igreja

 

Isaías imagina a cidade de Jerusalém situada no alto de um monte. Está iluminada pelos primeiros raios de sol da manhã, enquanto à sua volta tudo permanece mergulhado na escuridão. Por isso, os povos dirigem-se para essa luz.

A Liturgia aplica esta visão ao encontro dos gentios com a Luz dos povos que é Jesus Cristo.

 

a) Jesus, a benevolência de Deus. «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor

A Arca da Aliança acompanhou o Povo de Deus na travessia do deserto e era abrigada por uma tenda – a Tenda da Reunião.

Na Tenda da Reunião, Moisés encontrava-se com o Senhor e o seu rosto brilhava quando saía de lá, de modo que os israelitas não o podiam fitar.

Muitas vezes Deus manifestava a Sua presença por um clarão que se detinha sobre ela. Então, os israelitas ficavam respeitosamente à entrada das suas tendas até que a glória do Senhor – assim chamavam a este clarão – deixasse de se manifestar.

Isaías imagina assim a Cidade Santa. A glória do Senhor, sinal da Sua benevolência, pairava sobre ela.

Agora, nestes tempos que nos é dado viver, não se dá apenas uma manifestação divina, mas é o próprio Deus feito Homem que habita nos nossos Sacrários.

Deus está aqui, não para nos atemorizar, mas para se colocar ao nosso dispor. Não vem para nos julgar, mas para nos oferecer a Sua misericórdia. Está como Alimento, Médico, Conselheiro e Amigo de todas as horas. É a presença viva da benevolência de Deus para connosco.

Está ali para nos salvar. «Deus amou de tal modo o mundo (dos homens) que lhe deu o Seu Filho Unigénito, para que o mundo seja salvo por Ele.» (Jo 3, 16).

 

b) A Igreja, Luz dos povos. «As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora

Assim começa a constituição Conciliar sobre a Igreja: «A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar com a Sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (cfr. Mc. 16,15).» (Conc. Ec. Vaticano II, Lumen Gentium, 1).

A Luz de Cristo – luz da Verdade e do Amor) – brilha no rosto da Igreja e Ele actua por ela: ensina, alimenta e ama.

O quadro que a Liturgia nos apresenta tem nestes dias plena actualidade: vivemos num mundo às escuras, dominado pela insegurança e pelo medo, sem a luz e o amor de Deus. Neste mundo que mergulhou na noite, reina a lei da selva, de modo que ninguém se sente seguro. Vemos todos os dias que o mundo pertence ao que for mais violento, ao que não tiver sentimentos humanos, nem respeito pelos direitos dos outros. A lei que muitos seguem é ditada pelos instintos e paixões desgovernadas.

Tudo isto aconteceu porque a Europa aburguesada achou que podia viver sem Deus e sem a Sua Lei.

A luz da Igreja, que resplandece a luz de Cristo, deve brilhar na vida e no rosto de cada um dos seus filhos.

A festa da Epifania é um convite para recomeçarmos esta procura de Cristo, renovando os conhecimentos da doutrina da Igreja e procurando viver de acordo com eles.

 

c) A Igreja, comunhão de Amor. «Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços

Voltamos ao quadro que nos apresenta o profeta Isaías: Todos os povos, ainda mergulhados nas trevas da noite, caminham ao encontro da Cidade Santa de Jerusalém, banhada pela luz do Céu.

E como a Igreja aparece aos olhos das outras pessoas “incarnada” em cada um de nós, perguntemo-nos diante do Senhor:

• Como é o clima que fomentamos na família e no trabalho: de alegria e compreensão de verdadeiro amor, ou de conflitos?

• Reunimos as pessoas para praticar o bem, ou dispersamo-las com as nossas palavras críticas e atitudes sem amor?

• Iluminamos a vida das pessoas com a doutrina do Evangelho que a Igreja anuncia, ou damos conselhos e fazemos apreciações que deixam as pessoas ainda mais confundidas?

Não podemos iluminar os outros, se nós mesmos estamos mergulhados na escuridão da ignorância religiosa.

Muitas vezes, os cristãos que frequentam os sacramentos dão soluções pagãs às outras pessoas. Fazem uma separação completa entre a fé que professam e a vida. Bebem esses critérios pagãos nos programas da TV e noutros meios de comunicação social: o aborto, a contracepção, a união de facto, quer viva cada qual em sua casa quer levem um namoro cheio de sujidade; a desonestidade na aquisição do dinheiro e no gastá-lo em ostentação sem sentido, etc.

Nós não podemos ser cristãos “esquizofrénicos.”

Quando iluminamos assim, a Igreja, por meio de cada um de nós torna-se uma verdadeira comunhão na Verdade e no Amor.

 

2. À procura de Jesus

 

a) Viemos adorá-l’O. «Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O».

Um grupo de homens da ciência – não seriam propriamente reis, mas homens quer estudavam os astros e cujo número oscila entre 3 e 11 – abandonaram as suas terras, desafiados por uma estrela que apareceu no firmamento e vieram à procura do berço do Salvador do mundo.

Também no Evangelho aparecem cenas da procura de Jesus: Dois dos discípulos de João Baptista seguem Jesus e perguntam-Lhe: “Rabi, onde moras?” (Jo 1, 38); Filipe convidou Natanael a procurá-l’O, (Jo 1, 44 e ss); por ocasião da Última Ceia, uns gentios gregos pedem para ver a Jesus. Esta cena vai repetir-se em toda a história do cristianismo.

Quem procura hoje estar com Jesus para O conhecer e relacionar-se afectivamente com Ele?

2.500.000 vindos de todo o mundo, procuraram-n’O em Madrid, nas Jornadas Mundiais da Juventude.

• Encontraram-se com Ele no Sacramento da Reconciliação e Penitência. Foi preciso montar 200 confessionários numa grande avenida de Madrid, além dos que estavam nas igrejas desta grande cidade e os sacerdotes não tiveram tempo a perder.

• Estiveram com Ele na adoração eucarística. Disseminadas pela grande multidão, havia tendas-capelas onde o Santíssimo Sacramento estava solenemente exposto e onde os jovens se revezavam na adoração eucarística.

• Escutaram-no nos cinco minutos de silêncio impressionante pedidos para interiorizarem a mensagem.

Algo de novo está a acontecer entre os jovens. Eles querem um mundo novo e lutam por isso, desviando-se das armadilhas que os interesses inconfessáveis dos adultos lhes armam.

E nós? Onde O encontraremos? Nos mesmos lugares em que O encontraram os jovens das Jornadas Mundiais de Juventude.

 

b) Fomentar a intenção recta. «Então Herodes [...] enviou-os a Belém e disse-lhes: “Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O”.»

Ainda hoje há quem se perturbe com o nascimento de Jesus. Querem fazê-l’O desaparecer do coração dos mais novos:

• Pelo silêncio sobre Ele nas escolas. Até o Seu crucifixo querem tirar de lá, para que não seja lembrado.

• Pelas leis chamadas fracturantes. Casamentos de homossexuais, união de facto equiparada ao verdadeiro casamento, aborto e eutanásia.

• Por certos meios de comunicação social empenhados em ampliar escândalos verdadeiros ou fictícios de pessoas relacionadas com a Igreja.

Este grupo de homens valentes procura com toda a sinceridade encontrar-se com Jesus. Para o conseguirem, fizeram grandes sacrifícios e despesas. Tinham recta intenção.

Também os Sumos Sacerdotes esclareceram Herodes, respondendo á sua pergunta com a melhor das intenções.

Mas não foi com recta intenção que Herodes pediu aos magos lhe indicassem onde estava o Rei dos Judeus recém-nascido, para o ir adorar. A sua era maldosa, como veio a demonstrar depois.

Uma das tentações do cristão é servir-se da condição de cristão quando isso lhe pode trazer vantagem, e fingir que o não é, quando isto incomoda o seu respeito humano.

Examinemos a intenção com que procuramos Jesus. É realmente para O conhecer, servir e amar?

 

c) O encontro com Jesus. «Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes

O Evangelho descreve com pormenor o encontro destes homens com Jesus Menino, descansando nos braços de Maria, Sua Mãe.

Nós encontramo-l’O no Sacrário, na Sua Palavra e na Missa especialmente na dominical.

Prostraram-se em adoração. Ao fazê-lo, reconheceram-n’O como verdadeiro Deus e Senhor. É um gesto de humildade muito agradável ao Senhor que a Liturgia da Igreja nos convida a fazer e que só devemos fazer diante d’Ele.

Assim, ajoelhamos quando passamos diante do Sacrário onde Ele está verdadeira, real e substancialmente presente.

Os Pastorinhos de Fátima, ensinados pelo Anjo de Portugal, gostavam de rezar a oração que ele lhes ensinou prostrados totalmente por terra.

Adoramos o Senhor na Consagração da Missa, na Comunhão recebida com toda a reverência e amor.

Ofertaram ouro incenso e mirra como presentes. Todos os domingos trazemos uma pequena oferenda para depositar no cesto que recolhe os dons. É o sinal da nossa gratidão por uma semana de trabalho e o reconhecimento de que Deus é o Senhor da nossa vida.

Deus não precisa dos nossos dons – ele pode criar do nada todas as fortunas – mas nós precisamos de lhos ofertar: para agradecer, e para reconhecer que Ele é o nosso Deus e Senhor.

Regressaram por outro caminho. Este gesto é o símbolo da conversão pessoal. Nunca havemos de entrar em casa, vindos da missa, como saímos. É preciso converter-se. Seguindo o caminho que Deus nos indica pela Sua Palavra.

Encontraram-no com Maria. Nós também O encontramos com Maria e oferecemos-Lhe o ouro do nosso trabalho, o incenso das nossas orações e a mirra dos nossos sacrifícios, especialmente o do trabalho e o das nossas limitações de idade, de saúde, etc.

Devemos regressar a casa alegres e felizes, por termos estado com Ele.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus é o sol que apareceu no horizonte da humanidade,

para nos orientar todos juntos rumo à meta da nossa peregrinação.»

[…] A solenidade da Epifania é uma festa muito antiga, que tem a sua origem no Oriente cristão e põe em evidência o mistério da manifestação de Jesus Cristo a todos os povos, representados pelos Magos que vieram adorar o Rei dos judeus, recém-nascido em Belém, como narra o Evangelho de são Mateus (cf. 2, 1-12). Aquela «luz nova» que se acendeu na noite de Natal (cf. Prefácio de Natal I), hoje começa a resplandecer no mundo, como sugere a imagem da estrela, um sinal celeste que chamou a atenção dos Magos e que os orientou na sua viagem rumo à Judeia.

Todo o período do Natal e da Epifania é caracterizado pelo tema da luz, ligado também ao facto de que, no hemisfério norte, depois do solstício de Inverno, o dia recomeça a aumentar em relação à noite. Mas, para além da sua posição geográfica, para todos os povos vale a palavra de Cristo: «Eu sou a luz do mundo; quem me segue, não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8, 12). Jesus é o sol que apareceu no horizonte da humanidade para iluminar a existência pessoal de cada um de nós e para nos orientar todos juntos rumo à meta da nossa peregrinação, rumo à terra da liberdade e da paz, onde viveremos para sempre em plena comunhão com Deus e entre nós.

O anúncio deste mistério de salvação foi confiado por Cristo à sua Igreja. «Ele – escreve são Paulo – foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas, no Espírito: os gentios são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho» (Ef 3, 5-6). O convite que o profeta Isaías dirigia à cidade santa de Jerusalém pode ser aplicado à Igreja: «Levanta-te e resplandece, porque está a chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti! Olha, as trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos, mas sobre ti amanhecerá o Senhor. A sua glória vai aparecer sobre ti!» (Is 60, 1-2). É assim, como diz o Profeta: o mundo, com todos os seus recursos, não é capaz de dar à humanidade a luz para orientar o seu caminho. Vemos isto também nos nossos dias: a civilização ocidental parece ter perdido a orientação, navega à vista. Mas a Igreja, graças à Palavra de Deus, vê através destas trevas. Não possui soluções técnicas, mas mantém o olhar dirigido para a meta, e oferece a luz do Evangelho a todos os homens de boa vontade, de qualquer nação e cultura. […]

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 6 de Janeiro de 2012

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Aproximemo-nos de Jesus com humildade,

e peçamos, confiados, a Sua divina ajuda

para nós e para as pessoas de todo o mundo.

Oremos (cantando):

 

    Acolhei-nos, Senhor! Vós sois o nosso Deus!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e demais Pastores,

    para que, pelas suas vidas, nos mostrem o rosto de Jesus,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei-nos, Senhor! Vós sois o nosso Deus!

 

2. Pelos governantes das nações que povoam a face da terra,

    para que ponham as suas qualidades ao serviço de todos,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei-nos, Senhor! Vós sois o nosso Deus!

 

3. Pelo jovens que procuram um sentido para a sua vida,

    para que o Senhor lhes mostre a estrela da vocação,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei-nos, Senhor! Vós sois o nosso Deus!

 

4. Por todas as crianças, ameaçadas com a morte pelo aborto,

    para que o Senhor as liberte desta perseguição criminosa,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei-nos, Senhor! Vós sois o nosso Deus!

 

5. Pelos que procuram Jesus e ainda não O encontraram,

    para Ele se lhes manifeste como aos Magos em Belém,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei-nos, Senhor! Vós sois o nosso Deus!

 

6. Pelos que terminaram a sua vida na terra e já partiram,

    para que o nosso Deus os receba na felicidade sem fim,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei-nos, Senhor! Vós sois o nosso Deus!

 

Senhor, que Vos fizestes débil criança em Belém

a fim de que nos aproximemos de Vós sem receio:

dai-nos uma grande confiança no Vosso Amor

para que vivamos felizes na terra, a caminho do Céu,

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Deus transforma os dons que levamos ao altar em benefício para nosso proveito espiritual.

Servir-se-á, na consagração desta Missa, do pão e do vinho do nosso ofertório para o transubstanciar no Seu Corpo e Sangue que nos vai dar em Alimento.

Avivemos a fé e agradeçamos a magnanimidade e condescendência do Senhor para connosco.

 

Cântico do ofertório: Ó vós que andais buscando, M. Simões, NRMS 47

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Saudação da Paz

 

A paz é um dom que o Senhor nos concede quando nos esforçamos por caminhar ao Seu encontro, como fizeram os Magos.

Deus espera a nossa visita amiga presente nos nossos irmãos e dela faz depender a paz que nos dar.

Procuremo-l’O numa reconciliação sincera com os outros e exprimamo-la pelo gesto litúrgico da saudação.

 

Monição da Comunhão

 

Os Magos encontraram Jesus com Sua Mãe, não já na manjedoura, mas numa casa que S. José preparara.

Maria oferece Jesus a cada um de nós para ser recebido sacramentalmente e recomenda-nos que O recebamos com as devidas condições: com fé viva, sabendo e pensando o que vamos receber, com a nossa alma em estado de graça, e com um coração generoso, à semelhança destes a quem tratamos por Reis do Oriente.

Deus espera que lhe ofereçamos, nesta comunhão, o propósito de amar e servir mais e melhor em cada uma das pessoas com quem convivemos.

 

Cântico da Comunhão: Uns Magos vindo do além, F. da Silva, NRMS 76

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Tu és a Luz, Az. Oliveira, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Caminhemos alegremente em cada dia ao encontro do Senhor que nos espera, para nos cumular de graças.

Animemos os nossos irmãos a perseverar nesta caminhada ao encontro de Jesus Cristo.

 

Cântico final: Vamos cantar meu povo, F. da Silva, NRMS 47

 

 

Homilias Feriais

 

SEMANA DEPOIS DA EPIFANIA

 

2ª Feira, 5-I: Perspectivas de uma conversão.

1 Jo 3, 22- 4, 6 / Mt 4. 12-17. 23-25

A partir de então, Jesus começou a dizer: Arrependei-vos pois o reino de Deus está próximo.

É esta a primeira mensagem de Jesus, ao começo do seu ministério público, e que nos pode ajudar no começo de mais um ano.

Uma conversão que há-de estar dirigida para aquele que nos trouxe a luz. Infelizmente há muitos falsos profetas que semeiam a confusão: «Caríssimos, não acrediteis em todo e qualquer espírito» (Leit.). A má doutrina aparece-nos muitas vezes revestida de aparente bondade. Mas a conversão é uma alteração ao modo como estamos a viver: uma abertura à fé; o acreditar no Evangelho; uma passagem do comodismo à exigência, do pessimismo à esperança.

 

3ª Feira, 6-I: Concretizações do amor de Deus por nós.

1 Jo 4, 7-10 / Mc 6, 34-44

Assim se manifestou em nós o amor de Deus: Deus enviou ao mundo o seu Filho único, para nós vivermos por Ele.

Foi Deus quem nos amou primeiro (Leit.). Esta é uma verdade muito consoladora e muito importante.

E a plenitude amor de Deus para connosco manifesta-se na Encarnação do seu Filho (Leit.). Apesar das nossas misérias, Ele continua a procurar-nos (como o pastor o faz com a ovelha tresmalhada); vai ao encontro das nossas necessidades espirituais (instruía-os demoradamente: Ev) e também materiais («todos comeram e ficaram saciados»: Ev.). Voltemo-nos para Deus com o desejo de começarmos de novo.

 

4ª Feira, 7-I: O medo e as ansiedades.

1 Jo 4, 11-18 / Mc 6, 45-52

Ao verem Jesus andar sobre o mar, os discípulos julgaram que era um fantasma e começaram a gritar.

O medo é um fenómeno muito corrente no nosso tempo: o medo do fim do mundo, da morte, das doenças, dos assaltos, etc. Algumas vezes corresponde a uma realidade autêntica mas, na maior parte das vezes, é consequência da falta de Deus na nossa vida, de falta de confiança nEle.

 Os discípulos, ao verem a tempestade, pediram ajuda, e Jesus foi em seu auxílio (Ev.). O recurso a Deus nos momentos difíceis, nas circunstâncias dolorosas, é imprescindível para eliminarmos os medos que se apresentam, as tensões que se acumulam, as ansiedades. E recorramos também à protecção do nosso Anjo da Guarda.

 

5ª Feira, 8-I: Quem ama a Deus ame o seu irmão.

1 Jo 4, 19- 5,4 / Lc 4, 14-22

É este o mandamento que recebemos dEle: quem ama a Deus, ame igualmente o seu irmão.

«Deus é Amor», afirma S. João. E, ao enviar, na plenitude dos tempos, o seu Filho Unigénito, Deus revela este seu segredo mais íntimo. Jesus deu-nos um exemplo deste amor, ao dar a sua vida por nós. Por isso, nos pede que, como Ele, amemos os outros, incluindo os inimigos e os pobres : «Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres» (Ev.).

Ao não perdoarmos aos outros, o nosso coração endurece e torna-se também impermeável ao amor misericordioso do Pai. Procuremos pois compreender, desculpar os nossos irmãos, arranjando sempre uma desculpa amável, melhoremos o relacionamento com os que nos rodeiam.

 

6ª Feira, 9-I: Quem tem o Filho, tem a vida.

1 Jo 5, 5-6. 8-13 / Lc 5, 12-16

Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: Quero, fica curado.

Precisamos sempre de aumentar a nossa fé no Médico divino, que vem curar as doenças da nossa alma. Jesus vem à procura dos doentes espirituais, para os poder libertar da 'lepra' da alma, que é o pecado.

No Sacramento da Confissão, Ele diz-nos a cada um de nós: os teus pecados te são perdoados. Aproximemo-nos pois deste Sacramento, que nos devolve a vida sobrenatural (se cometemos um pecado mortal), ou nos fortifica (se há faltas leves), pois o que «tem o Filho, tem a vida, quem não tem o Filho não tem a vida» (Leit.).

 

Sábado, 10-I: Um duro combate contra o Maligno.

1 Jo 5, 14-21 / Jo 3, 22-30

Foi com os seus discípulos para o território da Judeia, onde se demorou com eles a baptizar.

Pelo Baptismo, são-nos perdoados todos os pecados. Mas, no entanto, em cada baptizado permanecem certas consequências, como os sofrimentos, a doença, a morte, as fraquezas do carácter. E também uma tendência para o pecado, chamada 'concupiscência', que quer dizer 'isca' ou 'aguilhão' do pecado (fomes peccati).

O Maligno, a «quem está sujeito o mundo inteiro» (Leit.) explora estas fraquezas, pelo que na nossa vida, precisamos travar cada dia muitos combates, para podermos aderir ao bem, pedindo ajuda a Deus para cumprirmos a sua vontade (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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