Sagrada Família de Jesus, Maria e José

28 de Dezembro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Reunidos em Igreja, M. Carneiro, NRMS 71-72

Lc 2, 16

Antífona de entrada: Os pastores vieram a toda a pressa e encontraram Maria, José e o Menino deitado no presépio.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Filho de Deus veio ao mundo numa família, e nela recebeu todo o amor de que eram capazes os corações de Maria Santíssima e São José. A eles confiamos, neste dia, as nossas famílias para que as guardem e as conduzam à Casa do Céu  

 

Oração colecta: Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A fé de Abraão é premiada com uma bênção divina generosíssima e imerecida. Também os esposos cristãos necessitam confiar em Deus e na sua graça para levar para frente a sua família. Deus nunca abandona, como não abandonou Abraão e Sara.

 

Ben-Sira 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

3Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. 4Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados 5e acumula um tesouro quem honra sua mãe. 6Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. 7Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. 14Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. 15Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, 16porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida 17ae converter-se-á em desconto dos teus pecados.

 

Esta leitura é extraída da Sabedoria de Jesus Ben Sira, título grego do livro do A.T. mais lido na Liturgia, depois do Saltério, o que lhe veio a merecer, na Igreja latina, o nome de Eclesiástico, como já lhe chama no séc. III S. Cipriano. O autor inspirado escreve pelo ano 180 a. C., quando a Palestina acabava de passar para o domínio dos Selêucidas (198). Então, a helenização, favorecida pelas classes dirigentes, começava a tornar-se uma sedução para o povo da Aliança, com a adopção de costumes totalmente alheios à pureza da religião. Perante tão perigosa ameaça, Ben Sira vê na família o mais poderoso baluarte contra o paganismo invasor. Assim, os seus ensinamentos vão insistentemente dirigidos aos filhos, e estes são continuamente exortados a prestar atenção às palavras do pai.

O nosso texto é um belíssimo comentário inspirado ao 4.º mandamento do Decálogo (Ex 20, 12; Dt 5, 16), concretizando alguns deveres: o cuidado com os pais na velhice (v. 14a); não lhes causar tristeza (v. 14b); ser indulgente para com eles, se vierem a perder a razão (15a); nunca os votar ao desprezo (15b).

ou

 

Génesis 15, 1-6; 21, 1-3

Naqueles dias, foi dirigida a Abrão a palavra do Senhor numa visão: «Não temas, Abrão: Eu sou o teu escudo; será grande a tua recompensa». Abraão respondeu: «Senhor, meu Deus, que me dareis? Vou partir desta vida sem descendência e o herdeiro da minha casa é Eliezer de Damasco». E continuou: «Vós não me destes descendência e um servo nascido na minha casa é que será o meu herdeiro». Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: «Não é ele que será o teu herdeiro; o teu herdeiro vai ser alguém nascido do teu sangue». Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência». Abrão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído em conta de justiça. O Senhor visitou Sara, como lhe tinha dito, e realizou nela o que prometera. Sara concebeu e deu um filho a Abraão, apesar da sua velhice, na data marcada por Deus. Ao filho que lhe nasceu de Sara deu Abraão o nome de Isaac.

 

«Abraão acreditou». «A fé de Abraão consiste em crer numa promessa humanamente irrealizável. Deus reconheceu-lhe o mérito deste acto (cf. Dt 24, 13; Salm 105, 31), o que lhe foi atribuído em conta de justiça, já que o «justo» é o homem a quem a sua rectidão e a sua submissão tornam agradável a Deus. S. Paulo utiliza este texto para provar que a justificação depende da fé e não das obras da Lei; mas a fé de Abraão determina a sua conduta, é princípio de acção, por isso S. Tiago pode invocar o mesmo texto para condenar a fé ‘morta’, sem as obras da fé» (Bíblia de Jerusalém); cf. Rom 4, 9-12 e Tg 2, 21-23. A fé de Abraão é posta em evidência não apenas aqui, ao crer na promessa de Deus, mas também ao obedecer para deixar a sua terra (Gn 12, 4) e para sacrificar o seu filho Isac (Gn 22, 1-4).

 

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

 

Monição: Recordemos, com palavras do livro dos salmos, que o maior bem para uma família é a sincera piedade dos pais.

 

Refrão:        Felizes os que esperam no Senhor,

                e seguem os seus caminhos.

Ou:               Ditosos os que temem o Senhor,

                ditosos os que seguem os seus caminhos.

 

Feliz de ti, que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem.

 

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos serão como ramos de oliveira

ao redor da tua mesa.

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião te abençoe o Senhor:

vejas a prosperidade de Jerusalém

todos os dias da tua vida.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo aconselha aos primeiros cristãos como devem viver as virtudes familiares para que reine no seu lar a paz de Cristo. Escutemos as suas palavras como dirigidas a nos próprios.

 

Colossenses 3, 12-21

Irmãos: 12Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. 13Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. 14Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. 16Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. 17E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 18Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. 19Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. 20Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. 21Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

 

A leitura é tirada da parte final da Carta, a parte parenética, ou de exortação moral, em que o autor fundamenta a vida moral do cristão na sua união com Cristo a partir do Baptismo: trata-se duma «vida nova em Cristo».

12-15 Temos aqui a enumeração de uma série de virtudes e de atitudes indispensáveis à vida doméstica, diríamos nós agora, para que ela se torne uma imitação da Sagrada Família de Nazaré. Estas virtudes são apresentadas com a alegoria do vestuário, como se fossem diversas peças de roupa, que, para se ajustarem bem à pessoa, têm de ser cingidas com um cinto, que é «a caridade, o vínculo da perfeição». Na linguagem bíblica, «revestir-se» não indica algo de meramente exterior, de aparências, mas assinala uma atitude interior, que implica uma conversão profunda.

18-21 O autor sagrado não pretende indicar aqui os deveres exclusivos de cada um dos membros da família, mas sim pôr o acento naqueles que cada um tem mais dificuldade em cumprir; com efeito, o marido também tem de «ser submisso» à mulher, e a mulher também tem de «amar» o seu marido.

 

 

 

Aclamação ao Evangelho        Col 3, 15a.16a

 

Monição: A diligência com que Maria e José cumprem a Santa lei de Deus deve ajudar-nos a cumprir, por amor, os pequenos e grandes mandamentos de Nosso Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação- 2, F da Silva, NRMS 50-51

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40      Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5, 34; 22, 3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» («se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem («muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

    1. A Sagrada Família e a família cristã

    2. Os filhos dom de Deus

    3. Rezar pela família

 

 

    1. A Sagrada Família e a família cristã

 

A Igreja celebra, na alegria própria do Natal, a solenidade da Santa Família de Nazaré. O Papa emérito Bento XVI lembrava, num dia como hoje, que “o contexto é o mais adequado, porque o Natal é por excelência a festa da família. […] Sem dúvida, a família é uma graça de Deus, que deixa transparecer o que Ele próprio é: Amor. Um amor totalmente gratuito, que sustenta a fidelidade ilimitada, mesmo nos momentos de dificuldade e desencorajamento. Estas qualidades encarnam-se de modo eminente na Sagrada Família, na qual Jesus veio ao mundo e foi crescendo e se foi enchendo de sabedoria, com os cuidados amorosos de Maria e com a tutela fiel de São José” (Angelus na Praça de S. Pedro, 28. 12.2008). De facto Deus é Amor e é Família (Pai, Filho e Espírito Santo) numa unidade perfeita e inseparável. Por isso a pessoa humana, imagem e semelhança de Deus, é criada para a auto-doação (amor) e para a família. A pessoa humana sem família estaria desenquadrada. Por isso compreendemos que Deus tenha querido dar-nos como modelo para todo homem o Filho de Deus encarnado e para toda família a Família Santa de Nazaré. Na Sagrada Família se realiza de modo único e irrepetível a imagem e semelhança com o Deus Família que Jesus nos deu a conhecer. Por isso toda família cristã deve rezar à Sagrada Família e meditar na Sagrada Família para descobrir a sua própria vocação.

Na passagem da Carta de S. Paulo aos Colossenses que escutamos há pouco, o Apóstolo exorta a viver uma variedade de comportamentos que são múltiplas manifestações da caridade. Este modo de vida cristão deve informar em especial a família, “igreja doméstica”, onde todos aprendem a praticar o “mandamento novo” nas mais variadas circunstâncias.

Hoje pedimos a Jesus, Maria e José, que abençoem os nossos lares, para que sejam, como aconteceu nos primeiros tempos da Igreja, focos de irradiação do Evangelho. A sociedade será o que forem as famílias cristãs. Famílias que não devem ficar fechadas em si próprias, mas devem abrir-se a todos; especialmente às pessoas que vivem sem família. O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que “não podem esquecer-se, também, certas pessoas que estão, em virtude das condições concretas em que tem de viver, muitas vezes sem assim o terem querido, particularmente próximas do coração de Cristo, e que merecem, portanto, a estima e a solicitude atenta da Igreja, particularmente dos pastores: o grande número de pessoas celibatárias. Muitas delas ficam sem família humana, frequentemente devido a condições de pobreza. Algumas vivem a sua situação no espírito das bem-aventuranças, servindo a Deus e ao próximo de modo exemplar. Mas a todas é necessário abrir as portas dos lares, «igrejas domésticas», e da grande família que é a Igreja. «Ninguém se sinta privado de família neste mundo: a Igreja é casa e família para todos, especialmente para quantos estão "cansados e oprimidos" (Mt 11, 28)»”(C.C.E. 1658).

A família cristã tem uma apaixonante missão a cumprir: informar com a caridade de Jesus Cristo a inteira sociedade. Não esqueçamos que para tal deve reinar nela o clima do lar de Nazaré. Por contraste, consideremos como está longe de esse ambiente a família onde reina o egoísmo, as discussões permanentes, o discurso agressivo e irónico, os rancores, as desavenças por causa das partilhas, e tudo o que é contrário aos conselhos que acabamos de ouvir na nossa segunda leitura.

 

 

    2. Os filhos dom de Deus

 

Na primeira leitura, que hoje foi proclamada, escutamos como Deus concede um filho a Abraão e a Sara, já idosos. Para aquela família, o filho era o dom mais precioso e desejado. Mas também hoje, e sempre, todo filho é um dom precioso de Deus. É um dom, em primeiro lugar, para o próprio filho, pois a vida é um dom; o filho é um dom, especialmente, para os pais; mas também para os irmãos e, de modo análogo, para toda a sociedade. Todo dom de Deus é manifestação do seu amor. Deus cria o Mundo por amor, e criou o homem com especial amor. O Génesis diz, com uma imagem muito expressiva, que Deus modelou o homem com as suas próprias mãos e comunicou-lhe a sua própria respiração, o Seu alento de vida, que o fez viver. Nada disso acontece com todos os outros seres, porque só o homem é feito a imagem e semelhança de Deus e é, por isso, especialmente amado por Deus.

O acto de amor com o qual Deus chamou à existência Adão e Eva, repete-se na concepção de cada pessoa humana. A procriação é um acto de amor de Deus que, por meio dos esposos, chama à vida um ser único e irrepetível, imagem e semelhança de Deus, a quem Deus ama com infinito amor de Pai. Por isso os actos próprios da transmissão da vida entre os esposos devem reflectir esse amor generoso e desinteressado. Um amor de benevolência que está na origem de cada filho, e que continua presente ao longo de toda a vida. É na experiência de esse amor que os filhos aprendem a conhecer Deus Pai, desde crianças.

Rezemos hoje à Sagrada Família de Nazaré por todos os esposos cristãos para que recebam, sempre, com agradecimento o dom dos filhos.

 

 

    3. Rezar pela família

 

Recordamos há pouco, na passagem do Evangelho, o momento em que o Simeão, homem justo e piedoso, recebe nos seus braços o Menino Jesus e dirige a Maria o que alguns autores designam como a segunda Anunciação. A primeira foi feita por separado a Maria e a José, e agora é profetizado, na presença dos dois, o modo doloroso como Jesus levará a cabo a sua Missão. Essa manifestação dos desígnios de Deus que envolve o Menino e os pais, é feita no templo, quando Jesus é levado, com ocasião da purificação da Mãe, para ser apresentado e oferecido a Deus.

O amor dos pais pelos seus filhos não se esgota na doação pela qual são chamados à existência nem nos mil cuidados materiais com que se dedicam a eles. Esse a mor deve ter como principal expressão a catequese familiar com que lhes vão ensinando as principais verdades da fé, e o cuidado para que recebam atempadamente os sacramentos, na igreja, com a catequese paroquial necessária.

Quando os pais levam os filhos à igreja, como Maria e José, são abençoados com muitas graças. Uma delas é a capacidade de discernir melhor os planos de Deus para esses seus filhos. Também de essa maneira saberão compreender melhor que os seus filhos são, em primeiro lugar, filhos de Deus e receberão como um dom os próprios filhos, e a eventual vocação com que Deus queira chamar algum deles.

Peçamos à Jesus, Maria e José, nesta celebração, que abençoem as famílias cristãs para que floresçam nelas abundantes vocações, e os pais as saibam acolher como um dom precioso e imerecido.

 

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Por intercessão de Maria e de José,

peçamos a Deus que faça crescer em sabedoria e em graça

os membros de todas as famílias deste mundo,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Protegei, Senhor, todas as famílias.

 

1. Para que os avós sejam profetas de Jesus

e, a exemplo de Ana e Simeão,

falem d’Ele a seus netos e a toda a gente,

oremos, irmãos.

 R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

2. Para que os pais consagrem ao Senhor

os seus filhos, os seus lares e as suas vidas,

como José e Maria, pais de Jesus,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

3. Para que as crianças pensem nos meninos abandonados,

cheios de fome, maltratados e sem amor,

e dêem graças a Jesus pelos pais que têm,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

4. Para que todos os jovens namorados

saibam amar-se e respeitar-se mutuamente

e opor-se ao paganismo que os rodeia,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

5. Para que todos os cristãos da nossa comunidade (paroquial)

pensem naqueles para quem o ano foi difícil

e se empenhem em acções de entreajuda,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

Pai de bondade e de amor,

fazei que, nas famílias deste mundo,

os maridos amem as esposas,

as esposas sejam o sol de cada lar

e os filhos imitem Jesus Cristo, vosso Filho.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A Virgem Imaculada, David Oliveira, NRMS 24

 

Oração sobre as oblatas: Nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de reconciliação e humildemente Vos suplicamos que, pela intercessão da Virgem, Mãe de Deus, e de São José, se confirmem as nossas famílias na vossa paz e na vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos a Nossa Senhora e a S. José que nos ajudem a receber Jesus na Sagrada Comunhão, com o amor com que eles O cuidaram na casa de Nazaré.

 

Cântico da Comunhão: Guardai, Senhor, nossas famílias, Az. Oliveira, NRMS 71-72

cf. Br 3, 38

Antífona da comunhão: Deus apareceu na terra e começou a viver no meio de nós.

 

Cântico de acção de graças: Quero bendizer-vos todos os dias, A. Cartageno, NRMS 71-72

 

Oração depois da comunhão: Pai de misericórdia, que nos alimentais neste divino sacramento, dai-nos a graça de imitar continuamente os exemplos da Sagrada Família, para que, depois das provações desta vida, vivamos na sua companhia por toda a eternidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A bênção conclusiva da Santa Missa é sinal da bênção com que a Santíssima Trindade, por intercessão da Sagrada Família de Nazaré, abençoa hoje as nossas famílias

 

Cântico final: Vamos a Belém, M. Faria, NRMS 4 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

2ª Feira, 29-XII: 5º dia da Oitava: A luz e as trevas do mundo.

1 Jo 2, 3-11 / Lc 2, 22-35

Porque os meus olhos viram a vossa salvação. Luz para se revelar aos pagãos e glória de Israel, vosso povo.

Quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levaram-no ao Templo, conforme previa a lei de Moisés (Ev.). E Simão profetizou o aparecimento de uma luz no mundo: «as trevas estão a passar, e já brilha a luz verdadeira» (Leit.). As trevas indicam a confusão, a desorientação. E a luz indica o caminho, manifesta a Verdade.

Para andarmos sempre com a luz aproximemo-nos mais do Menino: «os meus olhos viram a salvação»; meditemos no mistério da Encarnação; amemos mais os nossos irmãos: «quem ama seu irmão permanece na luz» (Leit.).

 

3ª Feira, 30-XII: 6º dia da Oitava: Valor passageiro e valor eterno.

1 Jo 2, 12-17 / Lc 2, 36-40

Estando Ana presente na mesma ocasião, começou por sua vez a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos.

Ana passava o tempo no templo, ao serviço do Senhor, e conseguiu ver o Menino. Foi grande a sua alegria, acompanhada de louvores e da transmissão aos outros da grande a novidade.

O Menino vem dizer-nos o valor das coisas deste mundo: «o que existe neste mundo -desejos da carne, desejos dos olhos, e orgulho da riqueza» (Leit.) – não vem do Pai, tem apenas um valor passageiro. Pelo contrário, o que vem do Pai para cumprir a sua vontade, permanece eternamente. Com esta avaliação, façamos um exame sobre aquilo que usamos e queremos. E não esqueçamos de falar aos outros deste ensinamento do Menino.

 

4ª Feira, 31-XII: 7º dia da Oitava: Uma vida nova em Deus.

1 Jo 2, 18-21 / Jo 1, 1-18

Mas a quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Estamos a acabar mais um ano: «Esta é a última hora» (Leit.). Ao longo do ano recebemos abundantes benefícios, que queremos agradecer ao Senhor; algumas provações, que não soubemos aproveitar, e também alguns desvios dos caminhos do Senhor, a quem pedimos perdão. E para o novo Ano pedimos uma maior ajuda para vencer os obstáculos.

O nascimento de Cristo é para nós sinal de vida nova. Ele estava junto de Deus (Ev.), e veio habitar entre nós para nos aproximarmos mais de Deus, para nos ensinar a viver como filhos de Deus, e para que Ele esteja mais presente em todas as nossas orações e obras.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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