3º Domingo do Advento

14 de Dezembro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

S. João Baptista anunciou a chegada de Jesus. Hoje Ele vem até nós através do ministério dos sacerdotes. Saibamos acolhê-Lo e escutá-Lo com fé e desejos de prepara bem a festa do Seu Nascimento.

 

Vamos, agora, pelo arrependimento preparar o nosso coração para acolher bem a Jesus.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia a vinda do Messias, cheio do Espírito Santo, que vem trazer a graça de Deus e a alegria.

 

Isaías 61, 1-2a.10-11

1O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, 2aa promulgar o ano da graça do Senhor. 10Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. 11Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.

 

O texto da leitura é tirado daquilo que poderíamos chamar o cerne do Terceiro Isaías (Is 60, 1 – 64, 11): no centro de Is 56 – 66 situa-se o anúncio da salvação para todas as nações a partir da nova Jerusalém (Sião) ideal (símbolo de uma nova ordem universal: cf. Apoc 21, 1 – 22, 5). E é em Is 61 que está o cume deste esplendoroso anúncio: o capítulo começa com os primeiros versículos que integram a leitura de hoje, em que aparece a falar, num denso monólogo, o mensageiro da boa nova libertadora. Por um lado, estes dois vv. têm grande afinidade com os poemas messiânicos do Servo de Yahwéh (cf. Is 49, 1-6 e 42, 1) e, por outro lado, o sentido profético destas palavras aparece realçado na parafraseada tradução aramaica (Targum), de que Jesus se teria servido na sinagoga de Nazaré. Com efeito, esta acrescentava no início deste texto: «Assim diz o profeta»; deste modo, o texto na boca de Jesus adquiria uma força surpreendente, ao pôr em evidência que Ele era o profeta-mensageiro de que falava Isaías – «hoje cumpriu-se esta Escritura…» (Lc 4, 21) – e o próprio Messias, isto é, o Ungido (Cristo) pelo Senhor.

«Anunciar a boa nova aos pobres». Estes pobres – em hebraico, anavim, um termo técnico do A. T. – não são propriamente os que sofrem de miséria material ou moral, mas os que vivem numa piedosa atitude de indigência e humildade diante de Deus, isto é, os que confiam na bondade e misericórdia de Deus e não nos seus próprios bens ou merecimentos. «Um ano de graça» encerra uma alusão ao ano sabático (cf. Ex 21, 2-11; Jer 34, 14; Ez 46, 17), ou antes ao ano jubilar, cada ano cinquenta, em que os escravos eram restituídos à liberdade e a propriedade regressava aos seus antigos donos (cf. Lv 25).

10-11 «Exulto de alegria»… O texto adapta-se bem ao tema tradicional da alegria para este «Domingo Gaudete». A alegria a que se refere – uma alegria comparável à dos noivos na sua festa nupcial e à do lavrador em face duma boa colheita – corresponde à maravilhosa restauração de Jerusalém; é a alegria messiânica, pois o horizonte do oráculo é claramente escatológico, isto é, o de uma intervenção de Deus em ordem à salvação definitiva. É, pois, coerente que a Liturgia veja nesta alegria a da Igreja pelo nascimento de Cristo.

 

Salmo Responsorial    Lc 1, 46-48.49-50.53-54 (R. Is 61, 10b)

 

Monição: O salmo de hoje apresenta-nos o cântico do Magnificat. Com Nossa Senhora vamos cantar as maravilhas que Deus realizou e realiza hoje para nos salvar. 

 

Refrão:        Exulto de alegria no Senhor.

Ou:               A minha alma exulta no Senhor.

 

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

 

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

 

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu-os de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo convida-nos a viver na alegria, afastando-nos de toda a espécie de pecado. 

 

1 Tessalonicenses  5, 16-24

Irmãos: 16Vivei sempre alegres, 17orai sem cessar, 18dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. 19Não apagueis o Espírito, 20não desprezeis os dons proféticos; 21mas avaliai tudo, conservando o que for bom. 22Afastai-vos de toda a espécie de mal. 23O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 24É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.

 

A leitura contém em parte recomendações finais da Carta. Entre os conselhos, S. Paulo insiste na alegria – «Vivei sempre alegres» – (v. 16), que é uma virtude profundamente cristã, consequência lógica da nossa condição de filhos de Deus. Daqui os apelos constantes do N. T. a viver a alegria: Filp 2, 18; 3, 1; 4, 4; 2 Cor 2, 11; 7, 4; Col 1, 24; Mt 5, 12; Jo 15, 11; 16, 22.24. 17, 13.

18 «É esta a vontade de Deus»: que estejamos sempre alegres, rezemos sem cessar e demos acções de graças sempre; e isto «em Cristo Jesus», pois a vontade de Deus comunicada a nós pela palavra e exemplos de Jesus torna-se coisa praticável mediante a obra redentora do Senhor que nos dá forças para tanto com a sua graça.

19-21 «Não apagueis o Espírito... mas avaliai tudo, conservando o que é bom». Há aqui uma referência aos dons carismáticos – atribuídos ao Espírito Santo –, dons concedidos aos fiéis para o bem espiritual dos outros, concretamente ao dom da profecia; mais do que para adivinhar, este servia para «edificar, exortar e consolar» (cf. 1 Cor 14, 1-15). Parece que esta exortação vai dirigida aos chefes da comunidade, para que não se oponham sistematicamente aos carismas suscitados por Deus nos fiéis, uma recomendação fortemente expressiva, pois o Espírito Santo é por excelência luz e fogo. Não é a Hierarquia quem programa a acção do Espírito Santo, «que sopra onde quer» (Jo 3, 8), mas ela tem a missão de avaliar e discernir a genuinidade dos carismas (cf. Lumen Gentium, n.º 12).

23 «O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível». A totalidade do ser da pessoa a tornar-se santa é expressa segundo uma concepção tricotómica do ser humano, como sendo composto de três princípios, à maneira da filosofia grega, a saber, o espírito, ou o princípio superior de vida intelectual (nous, que Filon substituiu por pneuma, a mesma designação que também Paulo adoptou), a alma, ou o princípio de vida sensitiva (psykhê), e o corpo, o elemento puramente material (sôma). Não é de excluir que aqui S. Paulo se tenha servido do modelo antropológico grego tripartido, mas fá-lo sem se comprometer com este modelo, pois não é um filósofo especulativo; o que lhe importa é utilizar a linguagem corrente, para se fazer entender; é assim que ele utiliza diversos modelos antropológicos, gregos ou semíticos, ao correr da pena.

24 «É fiel Aquele que vos chama». Aqui está a firme garantia da perseverança na graça e na vocação cristã. S. Paulo, na linha da doutrina já revelada no A. T., insiste frequentemente na fidelidade divina: 1 Cor 1, 9; 10, 13; 2 Cor 1, 18; Filp 1, 6; 2 Tes 3, 3; 2 Tim 1, 12…

 

Aclamação ao Evangelho        Is 61, 1

 

Monição: S. João Baptista não era a luz mas veio para dar testemunho da Luz, que é Cristo. Essa luz brilha hoje para nós. Aclamemo-Lo. Ele está aqui connosco.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 6-8.19-28

6Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» 20Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». 21Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?», «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». 22Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» 23Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». 24Entre os enviados havia fariseus 25que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: 27Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». 28Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

 

O texto evangélico é extraído das referências a João Baptista que aparecem no Prólogo do IV Evangelho e do início da narrativa joanina.

6-8 «Um homem… chamado João» O único João de que se fala no IV Evangelho é o Baptista, sem nunca contar a sua vida e pregação (como os Sinópticos: cf. Lc 3, 1-22 par.); apenas se refere o seu testemunho a favor de Jesus (1, 15.19-35; 3,27-30; 5,33), a fim de que todos acreditassem.

19-28 Nesta secção deixa-se ver o prestígio excepcional do Baptista e a sua humildade, bem como o ambiente de expectativa messiânica. É interessante notar como o IV Evangelho abre com o testemunho de João (Baptista), e termina com o do Evangelista (João), ambos apontando Cristo como o Cordeiro de Deus imolado: 19, 35-36.

A propósito de Elias, ver Mal 3, 23; Sir 48, 10-11; Mt 11, 14; 17, 19; e de o Profeta, ver Dt 18, 15; Jo 6, 14; Act 3, 22.

19 «Os judeus». S. João costuma designar assim os chefes judaicos, e geralmente com uma conotação de inimigos de Jesus. Isto explica-se por escrever para cristãos vindos da gentilidade e a muitos anos de distância dos acontecimentos (estamos perto do ano 100), por isso não implica anti-judaísmo. Os «levitas» pertencentes à tribo sacerdotal de Levi; eram os auxiliares dos sacerdotes, e não podiam oferecer os sacrifícios.

20 «Ele confessou a verdade e não negou. Confessou...» Esta insistência do Evangelista põe em evidência a hombridade e rectidão do Baptista, assim como a especial força do seu testemunho. É também de supor que esta insistência tenha por objectivo animar os fiéis a confessarem a sua fé em Cristo, apesar do furor das perseguições.

21 «Elias… o profeta». Segundo a crença popular, Elias, elevado ao céu sem morrer (cf. 2 Re 2, 11-12), deveria regressar no fim dos tempos: Mal 3, 23 (4, 5); Sir 48, 10; Mt 17, 10-13. Note-se que não perguntam a João se ele é um profeta, mas o profeta. Com efeito, os judeus esperavam um profeta distinto do Messias para introduzir os tempos messiânicos, apoiados em Dt 18, 15. Também a Regra da Comunidade, daquela época, achada nas grutas do Mar Morto, fala da chegada de um novo profeta que acompanhará os dois Messias esperados pelos essénios: um, sacerdote, da tribo de Levi, e outro, rei, da tribo de Judá.

26 «Eu baptizo em água». Baptizar era mergulhar na água. Tratava-se dum banho ritual que significava a purificação legal de alguma impureza prevista pela Torá escrita ou oral. Na época, existia também o baptismo dos prosélitos, para incorporar um gentio no judaísmo, e ainda o baptismo dos essénios, um rito de iniciação e purificação dos adeptos que entravam na seita de Qumrã. O baptismo de João não era um rito de incorporação ou de iniciação, mas de conversão interior; as palavras de exortação do Baptista e o reconhecimento público e humilde dos pecados dispunham o penitente para vir a receber a graça de Cristo, que já vivia entre o povo, mas que o povo não conhecia na sua qualidade de Messias. Os profetas tinham anunciado uma purificação com a água nos tempos messiânicos: Zac 13, 1; Jer 4, 14; Ez 36, 25; 37, 23. O baptismo de João dispunha para a limpeza da alma, mas o Baptismo de Jesus concede eficazmente o perdão dos pecados (cf. Mt 3, 11; Mc 1, 4). Dadas as circunstâncias da época, o simbolismo do rito de baptizar era então muito mais evidente do que nos nossos dias, mas a eficácia do Baptismo de Jesus só se pode captar pela fé.

28 «Em Betânia, além Jordão», em frente de Jericó, na margem esquerda do rio (cf. Jo 10, 39-40), é diferente da terra de Lázaro (cf. Jo 11, 1.18), a uns três quilómetros a leste de Jerusalém.

 

Sugestões para a homilia

 

A minha alma exulta no Senhor

 Apareceu um homem enviado por Deus

 O Senhor me ungiu

 

A minha alma exulta no Senhor

 

Celebrámos a festa da Imaculada Conceição. Nossa Senhora é para nós o grande modelo de preparação para o Natal. Ninguém como Ela viveu os dias antes da chegada do Salvador, que Ela trazia em Seu seio puríssimo.

O salmo de meditação é o Seu cântico em casa de Isabel, Sua prima. É cântico de alegria, de acção de graças, de humildade diante das maravilhas que Deus operou nEla e através dEla.

Vamos também nós encher-nos de alegria pelos dons que o Senhor derramou sobre nós com a vinda de Jesus ao mundo.

Na 2.ª leitura S. Paulo anima-nos a viver na alegria e em acção de graças. Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus.

 Para isso “afastai-vos de toda a espécie de mal” – diz-nos o Apóstolo. O pecado rouba a alegria porque nos afasta de Deus. Nossa Senhora tinha a Sua alma plena de alegria porque é a Imaculada, a criatura sempre fiel a Deus, a escrava do Senhor.

O Advento convida-nos a endireitar os caminhos do Senhor, a converter-nos de verdade, cumprindo fielmente a vontade de Deus e encontrar assim o caminho da verdadeira alegria.

 

 Apareceu um homem enviado por Deus

 

 A figura de S. João Baptista marca a liturgia deste 3º domingo do Advento como acontecia já no domingo passado.

Ele foi enviado por Deus. Veio para dar testemunho da luz. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz (Ev.).

Deus continua a enviar-nos os Seus mensageiros: os Apóstolos e os seus sucessores, os bispos e sacerdotes.

Eles não são a luz mas estão para dar testemunho da luz, que é Jesus. Têm de transmitir-nos não as suas ideias pessoais mas a doutrina de Cristo, que Ele confiou à Sua Igreja.

E temos obrigação de os escutar como enviados de Jesus. Quem vos ouve a Mim ouve – disse-lhes Jesus (Lc 10,16). Não podemos ser daqueles cristãos que dizem: – Cristo sim acredito, na Igreja e nos padres não. Acreditamos em Jesus que nos fala através dos Seus enviados.

Além de nos alimentar por meio deles com a Sua Palavra, Jesus dá-nos por eles a Sua graça, através dos sacramentos que Ele instituiu, sobretudo o baptismo no qual nos tornámos filhos de Deus. Na confissão perdoa-nos através deles os pecados cometidos e dá-nos a abundância da Sua graça para crescermos na santidade.

Na Eucaristia tornam Jesus presente no altar para Se oferecer de novo ao Pai pela redenção dos homens e para se dar a nós em alimento para a vida eterna.

O sacerdote tem mais poderes que João Baptista. Jesus disse dele que entre os nascidos de mulher não houve maior que João Batista. Mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele. (Mt 11,11).

João é o maior entre os profetas, mas Jesus deu aos Apóstolos e seus sucessores poderes maiores. João pregava um baptismo de penitência, os sacerdotes têm o poder de perdoar os pecados no baptismo e confissão. Ele anunciava a chegada de Jesus, o sacerdote torna-O presente no altar.

Temos de agradecera Deus o dom do sacerdócio. Havemos de ver Jesus por detrás de cada um deles. Apesar dos seus defeitos e até dos seus pecados.

Devemos estar atentos não apenas à sua pregação mas também obedecer às suas indicações. Eles têm a missão de nos guiarem em nome de Jesus, o Bom Pastor.

 

O Senhor me ungiu

 

 Jesus é apresentado na 1ª leitura como o Messias, o ungido de Deus. Ele foi ungido pelo Espírito Santo.

A Sua Santíssima Humanidade está unida à divindade. Ele é o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. O Espírito Santo unge a Sua natureza humana para operar a salvação de todos os homens.

Também os sacerdotes são ungidos no sacramento da Ordem, recebendo o Espírito Santo para serem na terra outros Cristos.

Devemos rezar por eles para serem fieis à missão que o Senhor lhes confiou. Para saberem defender-se dos ataques do demónio, para serem generosos nos trabalhos ao serviço das almas. E temos de animá-los na missão difícil que o Senhor lhes confiou.

Dizem que Portugal é um país de anticlericais. É triste se as pessoas passam a vida a falar mal dos padres. Revela falta de fé e uma vida cristã muito deficiente.

Os fieis têm obrigação também de cuidar do sustento do sacerdote. O padre deve estar desprendido dos bens terrenos mas necessita dos meios materiais para poder trabalhar ao serviço das almas. Foi isso que Jesus lembrou aos Apóstolos quando os enviou dois a dois.

As paróquias devem garantir ao sacerdote um salário digno. O Estado não contribui para isso. São os paroquianos que têm obrigação de contribuir com o mínimo de um dia de trabalho ou rendimento de um dia, como determinaram os nossos bispos.

Temos de rezar também para que haja muitas vocações ao sacerdócio. Há dias um sacerdote que trabalha no Peru dizia que na sua paróquia na capital daquele pais, Lima, tinha o lausperene dia e noite todo o ano e que noutras paróquias estavam a fazer o mesmo.

Quando lhe perguntavam pelos seminários naquela nação dizia que estavam cheios. Não faltavam seminaristas porque havia oração, piedade eucarística. Talvez Portugal tenha de aprender esta lição. Os nossos seminários estão quase vazios e não é só por causa da baixa natalidade. Mais importante é a baixa na fé e na oração. Peçamos a Nossa Senhora pelas vocações e pelos sacerdotes.

 

Fala o Santo Padre

 

«A verdadeira alegria não é algo que se alcança com os próprios esforços;

é um dom que nasce do encontro com a pessoa viva de Jesus.»

Os textos litúrgicos deste período de Advento renovam-nos o convite a viver à espera de Jesus, a não cessar de aguardar a sua vinda, de modo a manter-nos numa atitude de abertura e de disponibilidade ao encontro com Ele. A vigilância do coração, que o cristão é chamado a exercer sempre, na vida de todos os dias, caracteriza em particular este tempo em que nos preparamos com alegria para o mistério do Natal (cf. Prefácio do Advento II). O ambiente externo propõe as tradicionais mensagens de tipo comercial, embora talvez seja em menor medida por causa da crise económica. O cristão é convidado a viver o Advento sem se deixar distrair pelas luzes, mas sabendo dar o justo valor às coisas, para fixar o olhar interior em Cristo. Com efeito, se perseverarmos «vigilantes na oração e exultantes no louvor» (Ibid.), os nossos olhos poderão reconhecer nele a verdadeira luz do mundo, que vem iluminar as nossas trevas.

Em especial, a liturgia do domingo de hoje, chamado «Gaudete», convida-nos à alegria, a uma vigilância não triste, mas alegre. «Gaudete in Domino semper» – escreve são Paulo: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fl 4, 4). O verdadeiro júbilo não é fruto do divertir-se, entendido no sentido etimológico da palavra divertere, ou seja, isentar-se dos compromissos da vida e das suas responsabilidades. A verdadeira alegria está ligada a algo de mais profundo. Sem dúvida, nos ritmos diários, muitas vezes frenéticos, é importante encontrar espaços de tempo para o descanso, para a distensão, mas a alegria autêntica está ligada à relação com Deus. Quem encontrou Cristo na própria vida, sente no coração uma serenidade e uma alegria que ninguém e nenhuma situação podem tirar. Santo Agostinho compreendeu-o muito bem; na sua busca da verdade, da paz, da alegria, depois de ter procurado em vão em múltiplas situações, conclui com a célebre expressão, que o coração do homem está inquieto, não encontra tranquilidade e paz, enquanto não descansar em Deus (cf. Confissões, I, 1, 1). A verdadeira alegria não é um simples estado de espírito passageiro, nem algo que se alcança com os próprios esforços, mas é um dom, nasce do encontro com a pessoa viva de Jesus, do fazer-lhe espaço em nós, do acolher o Espírito Santo que guia a nossa vida. É o convite que faz o apóstolo Paulo, que diz: «O Deus da paz vos conceda a santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo» (1 Ts 5, 23). Neste tempo de Advento revigoremos a certeza de que o Senhor veio ao meio de nós e renova continuamente a sua presença de consolação, amor e alegria. Confiemos n’Ele; como ainda afirma santo Agostinho, à luz da sua experiência: o Senhor está mais próximo de nós, do que nós de nós mesmos – «interior intimo meo et superior summo meo» (Confissões, III, 6, 11).

Confiemos o nosso caminho à Virgem Imaculada, cujo espírito exultou em Deus Salvador. Ela guie os nossos corações na espera jubilosa da vinda de Jesus, uma expectativa rica de oração e de obras boas.

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 11 de Dezembro de 2011

 

Oração Universal

 

Unidos a toda a Igreja trazemos a Jesus, cheios de fé e confiança, os nossos pedidos.

Ele apresenta-os ao Pai, para que os atenda.

Unidos à Virgem Maria e a S. José, peçamos com fé e humildade. Digamos:

 Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

1-Pela Santa Igreja, para que proclame por toda a parte e

 sem medo as verdades do Evangelho, oremos ao Senhor

Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

2-Pelo Santo Padre, para que todos escutem os seus ensinamentos

e encontrem o caminho para Jesus, que tem palavras de vida eterna, oremos ao Senhor.

Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

3-Pelos bispos e sacerdotes, para que apontem com fé e valentia

a todos o caminho da verdadeira felicidade, oremos ao Senhor.

Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

4-Por todos os cristãos, para que saibam enfrentar as contradições da vida

e dar ao mundo o testemunho da sua fé, oremos ao Senhor.

Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

5-Por todos os que sofrem por causa da sua fé,

pelos cristãos perseguidos no Médio Oriente, oremos ao Senhor.

Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

6-Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e encontrem a alegria que procuram, oremos ao Senhor.

Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

7-Por todos os nossos irmãos que estão no Purgatório,

para que possam contemplar no Céu o rosto de Cristo, oremos ao Senhor.

Por intercessão da Virgem Maria ouvi-nos Senhor

 

 

Senhor, que nos ensinastes o caminho para ser felizes na terra e no céu,

fazei–nos crescer cada dia mais na fé, na esperança e na caridade, para vivermos mais unidos a Vós.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: F. Silva, NRMS99-100

 

 

Monição da Comunhão

 

Aprendamos com Nossa Senhora a tratar bem a Jesus que vem a nós na comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Povos que caminhais, J. Santos, NRMS 64

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Cântico de acção de graças: Desce o orvalho sobre a terra, M. Simões, NRMS 64

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus, neste dia, o dom do sacerdócio, que O torna presente no meio de nós.

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-XII: Jesus, a Luz do mundo.

Num 24, 2-7. 15-17 / Mt 21, 23-27

Balaão: Eu vejo, mas não para já, e avisto, mas não de perto: um Astro sai de Jacob e um ceptro se ergue de Israel.

Balaão, inspirado pelo Espírito de Deus, anuncia o aparecimento de um Astro (Leit.), que é a estrela vista pelos Magos e que os conduziu até Jesus.

Jesus é a Luz do mundo. Aproxima-se de cada um de nós para nos guiar pelos caminhos de Deus, para dar sentido a tudo o que fazemos: ao trabalhar, ao estar junto da família e dos amigos, etc. E ainda lhe perguntam, quando vai ao Templo: «Com que direito fazes tudo isto?» (Ev.). Ainda agora muitos se interrogam: Por que vem Jesus à Terra? Só vem trazer-nos complicações, preceitos morais, exigências elevadas. Mudemos a nossa perspectiva ante a próxima vinda de Jesus.

 

3ª feira, 16-XII: Os frutos do arrependimento.

Sof 3, 1-2. 9-13 / Mt 21, 28-32

Ai da cidade rebelde e impura! Não escutou nenhum apelo, nem aceitou qualquer aviso. Não teve confiança no Senhor.

O profeta Sofonias faz-nos chegar estas lamentações de Deus: não é escutado nem têm confiança n'Ele (Leit.). Aconteceu o mesmo com os sacerdotes e anciãos do povo, que não deram crédito a João Baptista. Pelo contrário, os publicanos e as mulheres de má vida recebem o baptismo de penitência (Ev.), isto é, arrependem-se e convertem-se.

É provável que muitas vezes tenhamos dito que sim a Deus e, com o aparecimento das dificuldades, não tenhamos levado a cabo o que tínhamos prometido. Pelo contrário, o arrependimento transforma o 'não' em 'sim', mesmo que exija mais sacrifício (Ev.: parábola).

 

4ª Feira, 17-XII: Alteração da História da humanidade.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-17

Jacob: O ceptro não há-de fugir a Judá, até que venha Aquele que lhe tem direito e a quem os povos hão-de obedecer.

Jacob anuncia aos seus filhos a vinda do Messias (Leit.). E é precisamente da sua descendência que o Messias foi gerado, muitos séculos depois: «José, esposo de Maria, do qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo» (Ev.).

Tenhamos presente como o Messias veio alterar a vida de toda a humanidade. E continua a querer meter-se na vida de cada um de nós. Procuremos pois abrir as portas ao Redentor. Haverá algum recanto da minha vida que seja necessário abrir: os meus pensamentos, as minhas obras, o meu trabalho, a minha vida familiar, o meu descanso, o meu carácter?

 

5ª Feira, 18-XII: A actuação de S. José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-24

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com sabedoria.

O profeta Jeremias anuncia a vinda o Salvador, como descendente messiânico de David (Leit.). Depois de Nª Senhora ter recebido a grande notícia de que ia ser a Mãe do Messias, é a vez de S. José receber a revelação do Anjo do Senhor: «José, Filho de David» (Ev.).

«Recebeu-a (a Nª Senhora) em todo o mistério da sua maternidade; recebeu-a junto com o Filho que havia de vir ao mundo por obra do Espírito Santo, e assim demonstrou uma disponibilidade da vontade semelhante à de Maria» (Redemptoris custos, 3). Se nos dispusermos a cumprir a vontade de Deus, como S. José, receberemos igualmente o Menino e sua Mãe.

 

6ª Feira, 19-XII: Disposições para receber o Messias.

Jz 13, 2-7. 24-25 / Lc 1, 5-25

Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Tua esposa, Isabel, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João.

Uma mulher estéril, esposa de Manoá, recebe a visita do Anjo do Senhor, que lhe anuncia o nascimento de um filho, Sansão (Leit.). O mesmo aconteceu com Isabel, esposa de Zacarias, que viria a dar à luz João Baptista (Ev.).

João Baptista será enviado «a fim de preparar para o Senhor um povo bem disposto (Ev.). Procuremos melhorar as nossas disposições para receber bem o Messias: com alegria, vigilantes na oração e celebrando os seus louvores (Prefácio II do Advento); e também com muita fé, que nos ajude a ultrapassar os nossos temores, como aconteceu a Zacarias.

 

Sábado, 20-XII: Advento com Maria (I).

Is 7, 10-14 / Lc , 26-38

O Anjo: Maria, não tenhas receio, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.

Vai cumprir-se uma profecia de Isaías: Uma Virgem vai conceber e dar à luz um filho, chamado Emanuel (Deus connosco) (Leit.). O Anjo Gabriel transmite a Nª Senhora a grande notícia. Assim começa Nª Senhora o seu Advento.

«A Terra e o paraíso esperam o teu sim, ó Virgem Puríssima» (S. Bernardo). Deus espera igualmente o nosso 'sim', que nos comprometa na execução dos seus planos: na vida familiar, no trabalho, no apostolado. Como o 'sim' de Maria, o nosso também se há-de prolongar por toda a vida, concretizando-se nos vários acontecimentos que nos toca viver.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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