DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

VIAGEM APOSTÓLICA À COREIA

 

 

 

De 13 a 18 de Agosto passado, o Papa Francisco realizou uma Viagem apostólica à Coreia do Sul, para participar no encerramento da VI Jornada da juventude asiática e para a beatificação de 124 mártires coreanos.

Damos a seguir o comentário que o próprio Santo Padre fez na audiência geral da quarta-feira, na Sala Paulo VI, em 20 de Agosto seguinte.

A homilia da Missa de Beatificação encontra-se na Secção “A Palavra do Papa” desta revista.

 

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 

Nos dias passados realizei uma viagem apostólica à Coreia e hoje, juntamente convosco, dou graças ao Senhor por este grande dom. Pude visitar uma Igreja jovem e dinâmica, fundada sobre o testemunho dos mártires e animada pelo espírito missionário, num país onde se encontram antigas culturas asiáticas e a novidade perene do Evangelho: encontram-se ambas.

Desejo manifestar novamente a minha gratidão aos caros irmãos Bispos da Coreia, à Senhora Presidente da República, às demais Autoridades e a todos aqueles que colaboraram para esta minha visita.

O significado desta viagem apostólica pode ser resumido em três palavras: memóriaesperança e testemunho.

A República da Coreia é um país que teve um notável e rápido desenvolvimento económico. Os seus habitantes são grandes trabalhadores, disciplinados, metódicos e devem conservar a força herdada dos seus antepassados.

Nesta situação, a Igreja é guardiã da memória e da esperança: é uma família espiritual na qual os adultos transmitem aos jovens a chama da fé recebida dos anciãos; a memória dos testemunhos do passado torna-se novo testemunho no presente e esperança de futuro. Nesta perspectiva podem ler-se os dois acontecimentos principais desta viagem: a beatificação de 124 Mártires coreanos, que se adicionam aos já canonizados há 30 anos por São João Paulo II; e o encontro com os jovens, por ocasião da Sexta Jornada Asiática da Juventude.

O jovem é sempre uma pessoa à procura de alguma coisa pela qual valha a pena viver, e o Mártir dá testemunho de algo, aliás, de Alguém por quem vale a pena dar a vida. Esta realidade é o Amor de Deus, que encarnou em Jesus, Testemunha do Pai. Nos dois momentos da viagem dedicados aos jovens, o Espírito do Senhor Ressuscitado encheu-nos de alegria e de esperança, que os jovens levarão aos seus diversos países e que farão muito bem!

A Igreja na Coreia conserva também a memória do papel primário desempenhado pelos leigos, quer nos alvores da fé, quer na obra de evangelização. Com efeito, nessa terra a comunidade cristã não foi fundada por missionários, mas por um grupo de jovens coreanos na segunda metade de 1700; fascinados por alguns textos cristãos, estudaram-nos a fundo e escolheram-nos como regra de vida. Um deles foi enviado a Pequim a fim de receber o Baptismo, e depois este leigo baptizou por sua vez os companheiros. Daquele primeiro núcleo desenvolveu-se uma grande comunidade, que desde o início e durante cerca de um século padeceu violentas perseguições, com milhares de mártires. Por conseguinte, a Igreja na Coreia está fundada na fé, no empenho missionário e no martírio dos fiéis leigos.

Os primeiros cristãos coreanos propuseram-se como modelo a comunidade apostólica de Jerusalém, praticando o amor fraterno que supera todas as diferenças sociais. Por isso, encorajei os cristãos de hoje a ser generosos na partilha com os mais pobres e excluídos, segundo o Evangelho de Mateus, no capítulo 25: «Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes» (v. 40).

Caros irmãos, na história da fé na Coreia vê-se como Cristo não anula as culturas, nem suprime o caminho dos povos que ao longo dos séculos e milénios procuram a verdade e praticam o amor a Deus e ao próximo. Cristo não extingue o que é bom, mas leva-o avante, completa-o.

Ao contrário, o que Cristo combate e vence é o maligno, que semeia joio entre os homens, entre os povos; que gera exclusão por causa da idolatria do dinheiro; que semeia o veneno do nada no coração dos jovens. Foi isto que Jesus Cristo combateu e venceu com o seu Sacrifício de amor. E se permanecermos nele, no seu amor, também nós, como os Mártires, podemos viver e testemunhar a sua vitória. Com esta fé rezámos, e também agora rezamos a fim de que todos os filhos da terra coreana, que sofrem as consequências de guerras e divisões, possam percorrer um caminho de fraternidade e de reconciliação.

Esta viagem foi iluminada pela festividade da Assunção de Maria ao Céu. Do alto, onde reina com Cristo, a Mãe da Igreja acompanha o caminho do povo de Deus, sustenta os passos mais cansativos, conforta quantos se encontram na prova e mantém aberto o horizonte da esperança. Pela sua materna intercessão, o Senhor abençoe sempre o povo coreano, concedendo-lhe paz e prosperidade; e abençoe a Igreja que vive naquela terra, para que seja sempre fecunda e cheia da alegria do Evangelho.

 

 


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