Solenidade de todos os santos

1 de Novembro de 2014

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os santos resplandecem como luz, J. Santos, NRMS 63

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na Solenidade de Todos os Santos, o nosso coração, superando os confins do tempo e do espaço, dilata-se às dimensões do Céu.

No início do Cristianismo, os membros da Igreja eram chamados também "os santos". De facto, o cristão já é santo, porque o Baptismo o une a Jesus e ao seu mistério pascal. Mas, o dom gera, por sua vez, um dever, que há de moldar a existência cristã inteira: «Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação» (1 Tes 4,3), diz-nos São Paulo. Diante do dom e da vocação a santidade, reconhecemos o nosso pecado. Por isso, confessamo-nos santos e pecadores e confiamo-nos à misericórdia do Senhor.

 

Ato penitencial

 

Cordeiro imolado e de pé, diante do qual a nossa vida se ergue e levanta,

Senhor, tende piedade de nós!

 

Meu Senhor, que tudo sabeis da nossa grandeza e da nossa miséria,

Cristo, tende piedade de nós!

 

Jesus, Mestre da Felicidade e Caminho da Vida,

Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “A multidão enorme, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7, 9), abarca os santos do Antigo Testamento, os do Novo Testamento, os numerosos mártires do início do cristianismo e também os santos dos séculos seguintes, até às testemunhas de Cristo da nossa época.

 

Apocalipse 7, 2-4.9-14

2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

 

Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.

2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.

11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante povo da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins se Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.

12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.

«Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

 

Salmo Responsorial         Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

 

Monição: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos cantam os louvores ao filho de Deus. Associemo-nos à geração dos que procuram e louvam o Senhor.

 

Refrão:          Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

o que não invocou o seu nome em vão.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face de Deus.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Somos amados por Ele de modo infinito, e isto impele-nos, por nossa vez, a amar os irmãos!

 

1 São João 3, 1-3

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

 

A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.

1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.

2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já; mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é», esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).

3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

 

Aclamação ao Evangelho              Mt 11, 28

 

Monição: Chegamos ao Evangelho desta festa. O Bem-Aventurado por excelência é somente Jesus. As Bem-Aventuranças revelam-nos a fisionomia espiritual de Jesus.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Vinde a Mim, vós todos os que andais cansados

e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. 4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas, pelo contrário, dum ideal de vida para almas fortes e generosas. As bem-aventuranças correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.

3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é» (não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.

«Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceita e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. Casciaro). Pode-se ver o belo comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.

4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.

5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.

6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.

8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela a ser referida aqui.

9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que os pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.

11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3 e 10), há uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

 

Sugestões para a homilia

 

1. “Uma multidão imensa que ninguém podia contar” (Ap 7, 9)

2. Uma santidade que não passa de moda

3. Santos e, por isso, evangelizadores

 

 

1. “Uma multidão imensa que ninguém podia contar” (Ap 7, 9)

 

Há santos com nome próprio, santos conhecidos em todo o mundo e com um dia próprio no calendário da Igreja. Mas existem outros que não se celebram porque são mais que os dias do ano. Além destes, há também uma multidão de santos anónimos, que são todos aqueles que agradaram a Deus através de uma vida honrada e digna, incluindo mesmo pessoas que não foram baptizadas. É esta «multidão imensa que ninguém podia contar» (Ap 7,9) que nos fala o livro do Apocalipse hoje. Para comemorar todos estes santos, estabeleceu-se a festa que celebramos.

 

 

2. Uma santidade que não passa de moda

 

Mas serão os santos e a santidade algo que passou de moda? Comecemos por reconhecer que muitos cristãos têm uma ideia falsa dos santos canonizados. Estávamos habituados a ver os santos ligados a lendas piedosas, a histórias deslumbrantes; eram vistos como heróis inatingíveis, pessoas mais dignas de elogio e admiração do que imitação. Todavia, os santos eram e são pessoas de carne e osso, com qualidades, defeitos e problemas como todos; distinguiram-se dos demais porque tomaram a sério o "Evangelho; quiseram ser discípulos de Cristo para se assemelharem a Ele o mais possível. O extraordinário da sua vida estava no seu interior: tiveram uma vivência intensa da fé, da esperança e do amor.

Os santos não foram pessoas que viveram fora da realidade. Não há santo possível sem valores humanos e sem grande maturidade pessoal; porque não pode haver santo sem amor a Deus e aos irmãos. E o amor não é passivo, mas activo, altruísta e, de certo modo, revolucionário.

Santos são todos aqueles que percorrem o caminho de santidade indicado pelas Bem-aventuranças que lemos hoje no Evangelho. Eles puseram em prática na sua vida o programa do Reino de Deus contido nas Bem-aventuranças. Foram cristãos de verdade pois mostraram-se totalmente disponíveis para o serviço de Deus.

A santidade cristã não está ligada a um estilo de vida ou a uma época e, por isso, nunca passará de moda. Há tantos tipos e vocações de santos, e de santidade quantas situações humanas existem. É que o Espírito do Senhor sopra onde quer e Deus está sempre presente no coração de todos aqueles que lhe respondem sem condições.

Olhemos para a Virgem Maria. Da sua vida sabemos muito pouco. Os Evangelhos quase nada nos falam dela. Em todo o caso, tornou-se a mais santa e a mais perfeita discípula de Jesus. A sua santidade não se fundamentou em milagres e coisas extraordinárias. A Virgem Maria é santíssima porque esteve sempre atenta à voz de Deus, sempre fiel ao Senhor e sempre disponível à vontade de Deus. É santa porque, tocada pelo amor de Deus, tornou-se uma pessoa simples, com um coração humilde, fiel e bom.

 

3. Santos e, por isso, evangelizadores

 

Na medida em que, como Maria, vivemos a santidade de Deus, vamo-nos transformando em discípulos missionários. Como nos recorda o Papa Francisco, na exortação Evangelii Gaudium, “em virtude do Baptismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito activo de evangelização” (EG 120).

O Santo Padre afirma mesmo que “esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização, porque, se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe dêem muitas lições ou longas instruções. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos «discípulos» e «missionários», mas sempre que somos «discípulos missionários». Se não estivermos convencidos disto, olhemos para os primeiros discípulos, que logo depois de terem conhecido o olhar de Jesus, saíram proclamando cheios de alegria: «Encontrámos o Messias» (Jo 1, 41). A Samaritana, logo que terminou o seu diálogo com Jesus, tornou-se missionária, e muitos samaritanos acreditaram em Jesus «devido às palavras da mulher» (Jo 4, 39). Também São Paulo, depois do seu encontro com Jesus Cristo, «começou imediatamente a proclamar (…) que Jesus era o Filho de Deus» (Act 9, 20). Porque esperamos nós?” (EG 120).

 

Fala o Santo Padre

 

«A santidade é a vocação originária de cada baptizado.»

 

Prezados irmãos e irmãs!

 

A Solenidade de Todos os Santos é uma ocasião propícia para elevar o olhar das realidades terrenas, cadenciadas pelo tempo, para a dimensão de Deus, a dimensão da eternidade e da santidade. A Liturgia recorda-nos hoje que a santidade é a vocação originária de cada baptizado (cf. Lumen gentium, 40). Cristo, com efeito, que com o Pai e com o Espírito é o único Santo (cf. Ap 15, 4), amou a Igreja como sua esposa e entregou-se por ela, com a finalidade de a santificar (cf. Ef 5, 25-26). Por este motivo, todos os membros do Povo de Deus são chamados a tornar-se santos, segundo a afirmação do apóstolo Paulo: «Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação» (1 Ts 4, 3). Portanto, somos convidados a olhar para a Igreja não no seu aspecto apenas temporal e humano, marcado pela fragilidade, mas como Cristo a quis, ou seja, «comunhão dos santos» (Catecismo da Igreja Católica, n. 946). No Credo professamos a Igreja «santa», santa porque é o Corpo de Cristo, é instrumento de participação nos santos Mistérios — em primeiro lugar, a Eucaristia — e família dos Santos, a cuja salvaguarda somos confiados no dia do Baptismo. Hoje veneramos precisamente esta inumerável comunidade de Todos os Santos que, através dos seus diferentes percursos de vida, nos indicam vários caminhos de santidade, associados por um único denominador comum: seguir Cristo e conformar-se com Ele, fim último da nossa vicissitude humana. Com efeito, todas as condições de vida podem tornar-se, mediante a obra da graça e com o compromisso e a perseverança de cada um, caminhos de santificação.

A Comemoração dos fiéis defuntos, à qual é dedicado o dia de amanhã, 2 de Novembro, ajuda-nos a recordar os nossos entes queridos que nos deixaram, e todas as almas a caminho rumo à plenitude da vida, precisamente no horizonte da Igreja celeste, para a qual a Solenidade hodierna nos elevou. Desde os primeiros tempos da fé cristã, a Igreja terrena, reconhecendo a comunhão de todo o Corpo místico de Jesus Cristo, cultivou com grande piedade a memória dos mortos e ofereceu sufrágios por eles. Portanto, a nossa oração pelos defuntos é não só útil mas também necessária, enquanto ela não só os pode ajudar, mas ao mesmo tempo torna eficaz a sua intercessão em nosso benefício (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 958). Também a visita aos cemitérios, enquanto conserva os vínculos de afecto com quantos nos amaram nesta vida, recordamos que todos tendemos para uma outra vida, para além da morte. Por isso o pranto, devido à separação terrena, não prevaleça sobre a certeza da ressurreição, sobre a esperança de alcançar a bem-aventurança da eternidade, «instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade» (Spe salvi, 12). Com efeito, o objecto da nossa esperança é o júbilo na presença de Deus na eternidade. Jesus prometeu-o aos seus discípulos, dizendo: «Hei-de ver-vos novamente, e o vosso coração alegrar-se-á, e ninguém vos privará da vossa alegria» (Jo 16, 22).

À Virgem Maria, Rainha de Todos os Santos, confiemos a nossa peregrinação rumo à Pátria celeste, enquanto invocamos para os irmãos e as irmãs defuntos a sua intercessão materna.

 

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 1 de Novembro de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

A Igreja, orgulhosa dos santos que a honraram ao longo de todos os séculos,

dirige-se a Deus, fonte de toda a santidade,

invocando o seu auxílio.

 

R. Ouvi-nos, Senhor!

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus:

para que apareça, no dia da manifestação de Jesus Cristo,

resplandecente de glória, em todos os seus membros.

Oremos, irmãos.

 

2.  Pelos que regem os destinos das nações:

para que se deixem transformar pelo amor de Deus

e dEle recebam os dons da sabedoria, da prudência, do desapego, e da verdade.

Oremos, irmãos.

 

3.  Pelos que choram e pelos que sofrem perseguição por amarem a justiça e a verdade:

para que se alegrem com todos os Santos no Céu.

Oremos, irmãos.

 

4.  Por todos nós que celebramos esta solenidade,

Neste tempo em que a Igreja os convida à nova evangelização,

para que o testemunho dos santos nos estimule a percorrer, na dor e no amor,

o caminho da santidade.

Oremos, irmãos.

 

Deus Santo, que, pela Páscoa de Cristo, vosso Filho,

nos alegrais com estes frutos de vida nova,

concedei que, imitando o exemplo dos santos,

caminhemos cheios de alegria e de confiança,

no serviço humilde a todos os homens.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cristo Verbo de Deus Pai, M. Simões, NRMS 59

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra de Todos os Santos e fazei-nos sentir a intercessão daqueles que já alcançaram a imortalidade. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da nova Jerusalém, nossa mãe

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Participar na sagrada comunhão é participar na plenitude de felicidade d’Aquele que é três vezes Santo. Bem-aventurados os convidados para a Ceia do Senhor!

 

Cântico da Comunhão: Louvai, nações do universo, M. Simões, NRMS 63

Mt 5, 8-10

Antífona da comunhão: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

 

Cântico de acção de graças: Bem- Aventuranças, B. Salgado, NRMS 7 (I)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os Santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Paulo lembra-nos a todos neste dia: «Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação» (1 Tes 4, 3)!

 

Cântico final: Nós vos louvamos, ó Deus, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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