28.º Domingo Comum

12 de Outubro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Como um pai que fala para um filho pequenino, o Senhor desce à nossa linguagem, mentalidade e costumes, para nos explicar as verdades eternas.

Neste 28º Domingo do tempo comum serve-Se da imagem da banquete para nos ajudar a compreender a felicidade que tem guardada para nós e a responsabilidade que temos na vida presente.

Com a alegria que somos convidados pelo Senhor para uma festa que vai durar por toda a eternidade, participemos nesta Celebração da Eucaristia.

 

Acto penitencial

 

Devemos fazer a nós próprios duas perguntas, antes de acolhermos a Palavra de Deus nesta Celebração: Com que delicadeza respondemos ao convite que o Senhor nos faz para que partilhemos eternamente da Sua felicidade? Como nos preparamos pela vida de cada dia para tomarmos parte neste banquete?

Reconheçamos a nossa rudeza indelicada para com o Senhor, e o desleixo com que temos vivido relativamente a esta preparação.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

• Senhor: temos resistido teimosamente à Vossa Vontade,

quando se trata de nos prepararmos para este Banquete,

procurando a santidade pelo trabalho, oração e apostolado.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

• Cristo: somos descuidados em comungar diariamente,

e não nos preparamos para Vos recebermos na Eucaristia,

porque nos deixamos manchar com os pecados diários.

Cristo, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

• Senhor: estamos surdos, distraídos e com falta de fé

quando a Palavra de Deus é proclamada para por nós

e, por isso, não nos convertemos a vós cada dia.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías anuncia o “banquete” que um dia o Senhor vai oferecer a todos os povos na Sua própria casa, um dia na sua própria casa. No horizonte desta profecia está o anúncio da Santíssima Eucaristia, penhor da felicidade eternal no Céu.

 Acolher o convite do Altíssimo e participar nesse “banquete” é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.

 

Isaías 25, 6-10a

6Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. 7Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; 8destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. 9Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. 10aA mão do Senhor pousará sobre este monte».

 

O texto é extraído do chamado Grande Apocalipse de Isaías (Is 24 – 27), uma colecção de oráculos escatológicos, cuja redacção actual é posterior ao exílio de Babilónia (Is 34 – 35 é o Pequeno Apocalipse). Isaías anuncia a salvação messiânica como extensiva a todos os povos e sob a imagem dum esplêndido banquete. Esta é a razão da escolha do texto, para introduzir a parábola do banquete nupcial do Evangelho de hoje. A tradição cristã viu nesta passagem a prefiguração do banquete eucarístico, as Bodas do Cordeiro (Apoc 19, 9).

10 «A mão do Senhor». Não é um simples antropomorfismo, mas uma expressiva imagem para indicar a bênção e a protecção de Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 6cd )

 

Monição: O salmo que a liturgia nos propõe como resposta ao convite do Senhor exprime uma feliz confiança em Deus, nosso Pastor solícito.

Cantamos a esperança de O amarmos na terra, preparando a nossa vida eterna em Sua Casa. Enchamo-nos, pois, de alegre esperança, porque o Senhor nos ama e nós queremos amá-l’O.

 

Refrão:        habitarei para sempre na casa do Senhor

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Carta aos Filipenses, S. Paulo apresenta-nos a comunidade cristã de Filipos, um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e se prepara diligentemente para o banquete. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em testemunhar o Evangelho diante de todos os homens.

 

Filipenses 4, 12-14.19-20

Irmãos: 12Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. 13Tudo posso n’Aquele que me conforta. 14No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. 19O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. 20Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos.

 

Autores há que pensam que a leitura faz parte de um bilhete de agradecimentos aos filipenses pela ajuda enviada (Filp 4, 10-23), escrito noutra ocasião, após a chegada de Epafrodito (v. 18), tendo vindo a ser integrado numa carta que corresponderia a duas ou três missivas de Paulo. O Apóstolo estava preso (tradicionalmente em Roma, mais recentemente pensa-se antes em Éfeso). Deixa-nos aqui uma lição de como se deve saber viver «tanto na pobreza como na abundância» (v. 12). Isto não significa desinteresse e alheamento pela justa promoção do bem estar material, evidentemente, embora pressuponha que não se lhe dê uma primazia absoluta. Paulo coloca toda a sua fortaleza – toda a sua auto-suficiência  – em Cristo, e não nos bens, que não passam de meios (cf. v. 13), com que Ele não falta aos que O servem.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: A promessa que o Senhor nos faz de nos acolher na Eucaristia e eternamente na Sua Casa enche-nos de alegria, na medida da nossa fé.

Que esta certeza nos anime a sermos cada dia mais generosos, preparando-nos a esta alegria que não tem fim. Aclamemos o Evangelho que nos ilumina sobre esta verdade.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 22, 1-14    Forma breve: São Mateus 22, 1-10

1Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: 2«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete para o seu filho. 3Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. 4Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. 5Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; 6os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. 7O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. 8Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. 9Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. 10Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.

[11O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: 12‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele ficou calado. 13O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».]

 

A parábola dos convidados para as bodas (com grande paralelo com a de Lc 14, 15-24) está na sequência das dos dois últimos domingos, a dos dois filhos e a dos vinhateiros homicidas, pois se insere nas controvérsias de Jesus com as autoridades judaicas de Jerusalém e visam apresentar a Igreja como o novo povo de Deus, que corresponde à chamada divina. Esta parábola completa as anteriores, ao apresentar claramente o chamamento para o «banquete» – imagem bíblica do Reino de Deus – dirigido a todos aqueles que os mensageiros encontrarem «nas encruzilhadas dos caminhos» (v. 9).

1-7 A primeira parte da parábola fala do convite feito, em primeiro lugar, aos mais dignos – os judeus – para entrarem no Reino de Deus inaugurado por Cristo (o filho). É um convite, por isso pode não ser aceite; mas, dado que é Deus quem convida, não há nenhuma escusa legítima: não podem prevalecer impunemente os mesquinhos interesses humanos ao maravilhoso plano divino.

8-13 A segunda parte refere-se à chamada dos gentios – os menos dignos – à fé. Mas também não é suficiente a fé; são necessárias as boas obras («o traje nupcial»: v. 12). A parábola também mostra como no Reino de Deus há bons e maus, mas, quando o Rei vier – para o juízo final (é claro o matiz escatológico da parábola) –, excluirá definitivamente todos os que não quiseram vestir o traje nupcial da graça.

 

Sugestões para a homilia

 

• A Esperança que não engana

A caminho do Céu

Um banquete festivo

Para sempre!

• Acolher a Esperança

O Rei convida-nos

Delicadeza na aceitação

Arautos deste convite

 

 

1. A Esperança que não engana

 

a) A caminho do Céu. «Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, [...]»

Quem vai de viagem tem de olhar para o chão, onde põe os pés, e levantar os olhos para longe, não vá dar-se o caso de se desorientar.

O Senhor ensina-nos que tem de ser esta a nossa atitude na vida: viver com espírito de responsabilidade a missão que o Senhor entregou — a família, a profissão, o cuidado dos amigos —, e erguer o olhar para o alto, para não perder o rumo e perseverar no caminho.

Começámos uma caminhada na Fonte do baptismo que nos deve levar ao Céu, pela santidade de vida. Deus quer tornar-nos participantes da Sua mesma felicidade.

Pelo caminho temos necessidade de alimento (os Sacramentos), de respirar (a oração) e de nos defendermos dos perigos (tentações).

Por vezes, as pessoas fazem planos para tudo — também os pais em relação aos filhos — mas não se preocupam com preparar uma morada eterna nos céus, como se fosse a coisa que menos interessa.

 

b) Um banquete festivo. «um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos

Deus faz-nos esta promessa sob a imagem dum banquete festivo. O banquete é para nós inseparável da festa, de tal modo que procuramos marcar os principais acontecimentos da nossa vida com ele. É sinal de comunhão nos sentimentos, de partilha de bens e estreita os laços de amizade que unem as pessoas, ao mesmo tempo que manifesta a grandeza do coração daquele que o oferece. Não é uma promessa vaga a que Ele nos faz, como se fosse para nos levar a aguentar as amarguras da vida presente. É uma verdade fundamental da nossa fé que dá sentido a toda a nossa vida na terra e que, portanto, nos leva a viver felizes.

Quando a esperança nos anima e sabemos que podemos ganhar uma fortuna, não nos poupamos a sacrifícios e fazemo-los com alegria: Esta esperança do Céu leva-nos a viver felizes já neste mundo. (É pensando nas colheitas que o lavrador canta durante os trabalhos; que o pescador parte para o mar a pensar na pesca, que o emigrante faz o sacrifício de se afastar temporariamente da sua família).

A esperança da Céu e a certeza de um Amor que nunca mais acaba é o segredo da alegria dos santos no meio dos sofrimentos; da coragem dos mártires.

Esta esperança supera de longe tudo o que possamos imaginar, em relação à felicidade eterna. Diz-nos S. Paulo: «Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o homem sonho o que Deus tem preparado para aqueles que O amam.» (I Cor 2, 9).

 

c) Para sempre! «Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para sempre

Sob a imagem do banquete, o Senhor fala-nos da felicidade eterna, e usa diversas figuras no texto de Isaías:

• «há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações».. Acaba o reinado da fé, porque já vemos a realidade que nos foi prometida. Veremos a Deus face a face.

• «destruirá a morte para sempre». A morte dos nossos familiares e amigos faz-nos sofrer e preocupam-nos as incertezas de que a nossa morte está rodeada. Esta incerteza acabará, quando entrarmos no Céu.

• «O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces». Quer dizer que todo o sofrimento físico e moral acabará. (cf. Apoc 7, 17; 21, 4). Temo-lo nesta vida, não como castigo, mas porque se pode tornar numa fonte de riqueza para nós e para os outros.

• «fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo.» Este opróbrio é, possivelmente, o pecado que faz sofrer quem o comete, depois de uma felicidade ilusória, e os outros que são afectados por ele.

Na Encíclica sobre a Esperança — Spe salvi —, o Santo Padre analisa as causas que nos fazem viver sem a virtude da Esperança.

No Céu poderemos cantar com toda a verdade: «Habitarei para sempre na casa do Senhor.»

 

2. Acolher a Esperança

 

a) O Rei convida-nos. «”O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, [...]»

No convite que o Senhor nos faz estão incluídas todas as graças para podermos participar. (Lembra um pai que convida um filho para uma festa de família e manda-lhe o bilhete para a viagem).

Ele instituiu na Igreja os sete Sacramentos, para nos alimentarmos, ensina-nos a fazer oração e reúne-nos para nos iluminar o caminho com a Sua Palavra. Este convite é-nos repetido constantemente pelo Senhor: pela voz da Igreja e no íntimo do nosso coração.

Há quem lute contra ele, procurando distrair-se no ruído e afastando-o do pensamento. Mas há, de facto, uma grande inquietação em nós, de tal modo que não nos sentimos tranquilos enquanto não aceitamos o convite e começamos a preparar-nos para este festim.

Não é por mera formalidade que Deus nos convida. É Seu desejo encher a Sua Casa — o Céu — com o maior número possível de filhos.

Ele quer significar isto mesmo ordenando aos servos: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.» É como se dissesse: Que não fique ninguém sem convite!

Ao recebermos este convite, devemos pensar que não temos outra alternativa: ou felizes ou infelizes para sempre, como aconteceu a este convidado que não se apresentou com a veste festiva.

 

b) Delicadeza na aceitação. «Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados

Todos os Domingos chega até nós o convite do Senhor para participarmos na celebração da Eucaristia, no qual Deus preparou duas mesas para nós: a da Palavra e a da Eucaristia.

Com que sentimentos de alma vimos à Santa Missa em cada Domingo, sabendo que o Senhor nos convida para que saiamos daqui mais felizes?

Para tomar parte na Mesa da Palavra, todos o podem e devem fazer. É mais uma oportunidade para ouvir e acolher o convite à conversão pessoal.

Mas para tomar parte no Banquete da Eucaristia é preciso ter veste própria, isto é, estar em graça, depois de uma confissão bem feita. Jesus ensina-nos, com frases carregadas de cores pesadas, a sorte do que se apresentou mal vestido.

Devemos formar a nossa consciência pelos ensinamentos da Igreja, e não pelo que diz esta ou aquela pessoa. A doutrina de Cristo não muda. Muitos deixam-se levar por falsas opiniões que podem levar à perdição (aborto, contracepção, falta de castidade no namoro ou na vida conjugal, negócios escuros, etc.).

A comunhão bem feita é penhor, garantia da vida eterna que nos está prometida, Alimento nesta caminhada para o Céu.

 

c) Arautos deste convite. «Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”.»

Na Missa Dominical ajudamo-nos uns aos outros testemunhando em comum a nossa fé e oração. Saímos do templo mais forte e confortados para a semana que nos espera.

Mas não nos podemos contentar com isto. Há muitas pessoas que ficaram lá fora e precisam e ajuda.

Não faz sentido o egoísmo — por mim já cumpri! — ou a insensibilidade perante os necessitados. (Se chegasse ao nosso conhecimento que havia pessoas a morrer à fome e ali ao lado, bem perto, havia comida em abundância e que eles desconheciam esta possibilidade, não seria cruel guardar silêncio, não os ajudando, só para não vencer a preguiça e o comodismo?).

Somos uma família solidária, e não podemos agradar a Deus se não vivermos como tal.

As pessoas que vão a Fátima ou a outro santuário mariano sentem-se bem ali, junto da Mãe, na sua casa, e voltam com saudade e desejo de lá voltar quanto antes. Alegre-nos o pensamento de que o Céu é também a Casa da nossa Mãe, de Maria Santíssima, e de que ali estaremos também com Ela para sempre.

 

Fala o Santo Padre

 

«O convite do rei encontra inclusive reacções hostis, agressivas.

Mas isto não faz diminuir a sua generosidade.»

 

Amados irmãos e irmãs!

 

[…] A liturgia deste domingo propõe-nos uma parábola que fala de um banquete de núpcias para o qual muitos são convidados. A primeira leitura, tirada do livro de Isaías, prepara este tema, porque fala do banquete de Deus. É uma imagem — do banquete — usada com frequência nas Escrituras para indicar a alegria na comunhão e na abundância dos dons do Senhor, e deixa intuir algo da festa de Deus com a humanidade, como descreve Isaías: «O Senhor dos Exércitos prepara para todos os povos sobre este monte um banquete de manjares suculentos, um festim de vinhos velhos... de vinhos velhos purificados» (Is 25, 6). O profeta acrescenta que a intenção de Deus é pôr fim à tristeza e à vergonha; quer que todos os homens vivam felizes no amor para com Ele e na comunhão recíproca; o seu projecto é, então, eliminar a morte para sempre, enxugar as lágrimas de cada rosto, fazer desaparecer a condição de desonra do seu povo, como ouvimos (cf. vv. 7-8). Tudo isto suscita profunda gratidão e esperança: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação» (v. 9).

No Evangelho Jesus fala-nos da resposta que é dada ao convite de Deus — representado por um rei — a participar neste seu banquete (cf. Mt 22, 1-14). Os convidados são muitos, mas algo de inesperado se verifica: recusam-se a participar na festa, têm outras coisas a fazer; aliás, alguns mostram desprezo pelo convite. Deus é generoso para connosco, oferece-nos a sua amizade, os seus dons, a sua alegria, mas muitas vezes nós não aceitamos as suas palavras, mostramos mais interesse por outras coisas, pomos no primeiro lugar as nossas preocupações materiais, os nossos interesses. O convite do rei encontra inclusive reacções hostis, agressivas. Mas isto não faz diminuir a sua generosidade. Ele não desanima, e envia os seus servos a convidar muitas outras pessoas. A recusa dos primeiros convidados tem como efeito a extensão do convite a todos, até aos mais pobres, abandonados e deserdados. Os servos reúnem todos os que encontram, e a sala enche-se: a bondade do rei não tem confins e a todos é dada a possibilidade de responder à sua chamada. Mas há uma condição para permanecer neste banquete de núpcias: vestir o hábito nupcial. E ao entrar na sala, o rei distingue alguém que não o quis vestir e, por esse motivo, é excluído da festa. Gostaria de meditar um momento sobre este aspecto com uma pergunta: como é que este comensal aceitou o convite do rei, entrou na sala do banquete, lhe foi aberta a porta, mas não vestiu o hábito nupcial? O que é este hábito nupcial? Na Missa in Coena Domini deste ano fiz referência a um bonito comentário de são Gregório Magno a esta parábola. Ele explica que aquele hóspede respondeu ao convite do Senhor para participar no seu banquete, de certa forma, tem a fé que lhe abriu a porta da sala, mas falta-lhe algo essencial: a veste nupcial, que é a caridade, o amor. E são Gregório acrescenta: «Portanto, cada um de vós que na Igreja tem fé em Deus já participou no banquete de núpcias, mas não pode dizer que vestiu o hábito nupcial se não conserva a graça da Caridade» (Homilia 38, 9; PL 76, 1287). E este hábito está ligado simbolicamente por dois madeiros, um em cima e o outro em baixo: o amor a Deus e o amor ao próximo (cf. ibid., 10: PL 76, 1288). Todos nós somos convidados a ser comensais do Senhor, a entrar com a fé no seu banquete, mas devemos vestir e guardar o hábito nupcial, a caridade, viver um profundo amor a Deus e ao próximo. […]

 

Papa Bento XVI, Homilia em Lamezia Terme, 9 de Outubro de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Conscientes das muitas dificuldades que encontramos,

para corresponder ao convite que o Senhor nos faz,

apresentemos-Lhe, cheios de filial confiança e amor,

os problemas e as necessidades do mundo e da Igreja.

Oremos (cantando):

 

Recebei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

1. Para que o Papa, com os Bispos, guiados pelo Espírito Santo,

faça ouvir a todos o convite para o banquete da santidade,

oremos, irmãos.

 

Recebei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

2. Para que todos os que nada esperam desta vida na terra

levantem os olhos para o Céu com esperança filial,

oremos, irmãos.

 

Recebei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

3. Para que os pais animem os seus filhos, desde o berço,

a procurar na vida a santidade que leva à Vida Eterna,

oremos, irmãos.

 

Recebei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

4. Para que todos os jovens se conservem sempre atentos,

 e não se deixem enganar por falsas promessas de felicidade,

oremos, irmãos.

 

Recebei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

5. Para que os desorientados e desiludidos desta vida

encontrem a felicidade e a alegria no amor a Cristo,

oremos, irmãos.

 

Recebei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

6. Para que os nossos familiares e amigos que partiram

e ainda se purificam das suas manchas no Purgatório,

entrem, quanto antes, no Banquete eterno do Céu,

oremos, irmãos.

 

Recebei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

Senhor, que nos tendes dado demasiadas provas

do Vosso Amor e liberalidade para connosco:

ajudai-nos a prepararmo-nos agora na terra

para o banquete que nos prometeis como prémio.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Guardamos em nosso coração a Luz da Verdade que O Senhor nos serviu na Mesa da Palavra.

Convida-nos agora a um recolhimento — se possível — mais intenso, para participarmos na Mesa da Eucaristia.

Pela visibilidade do Sacerdote, Jesus Cristo vai transubstanciar o pão e o vinho que levámos ao altar no Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, como no Cenáculo.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Saudação da Paz

 

Para vivermos em paz com Deus, temos de viver em paz com os irmãos. A felicidade eterna é uma vida em comunhão que deve começar já na vida na terra, de tal modo que não pode entrar no Banquete eterno quem estiver inimigo de quem quer que seja.

Façamos um acto de humildade generoso, perdoando as ofensas e aceitando ser perdoados.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor convida-nos agora para o Sagrado Banquete da Eucaristia, penhor da felicidade eterna e Alimento para a nossa caminhada na terra.

Vejamos, uma vez mais, se estamos revestidos com o trajo de festa — na graça de Deus – antes de nos aproximarmos deste divino Sacramento.

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

 

Ou

cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Assumimos, na Igreja esta dupla missão: somos convidados do Senhor para o Banquete da felicidade eterna e portadores deste mesmo convite para os nossos irmãos.

Que os planos do Senhor de encher o Céu de filhos bem-aventurados não fique sem efeito por causa do nosso descuido.

Digamos a todos que o Senhor nos ama e a todos nos quer felizes, na terra e no Céu.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 13-X: A  conversão e  a liberdade dos filhos de Deus.

Gal 4, 22-24. 26-27 / Lc 11, 29-32

Esta geração é uma geração perversa; pretende um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.

«Jesus fala deste acontecimento único, como o 'sinal de Jonas' (Ev.). Ele anuncia a sua ressurreição ao terceiro dia» (CIC, 994).  A sua ressurreição é a promessa da nossa própria ressurreição no fim dos tempos.

Mas o sinal de Jonas é também uma lembrança da conversão dos habitantes de Nínive, que fizeram caso do pedido de Deus. Através da palavra de Deus, que lemos ou vemos comentada, o Senhor espera de nós uma pequena conversão, que nos leve porventura a libertar-nos de alguma pequena escravidão, ficando mais livre para amar a Deus e ao próximo: «Se Cristo nos libertou foi para sermos realmente livres» (Leit.).

 

3ª Feira, 14-X: Quem são os 'puros do coração'?

Gal 5, 1-6 / Lc 11 37-41

Limpais o exterior do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e malvadez.

Devemos procurar que o nosso interior esteja sempre bem limpo (Ev.), porque «do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições» (Mt 15, 19). Sigamos o conselho do Apóstolo: «Permanecei firmes, e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da servidão» (Leit.)

«'Os puros de coração' são os que puseram a inteligência e a vontade de acordo com as exigências da santidade de Deus, principalmente em três domínios: a caridade, a castidade ou rectidão sexual, o amor da verdade e a ortodoxia da fé. Existe um nexo entre a pureza do coração, do corpo e da fé» (CIC, 2518).

 

4ª Feira, 15-X: Os frutos do espírito Santo.

Gal 5, 18-25 / Lc 11, 42-46

O fruto do Espírito consiste em caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e continência.

A vinda do Espírito Santo à nossa alma produz frutos abundantes e da melhor qualidade: «Os frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: 'caridade, alegria...'( Leit.)» (CIC, 1832).

É graças ao Espírito Santo que podemos dar bons frutos, porque Ele nos enxerta na verdadeira Vide, Cristo (CIC, 736). Assim podemos fazer as nossas acções com justiça e amor de Deus, que é o mais importante, sem deixar de viver os pequenos pormenores, que aperfeiçoam as obras (Leit.).

 

5ª Feira. 16-X: A presença de Nª Senhora antes da criação do mundo.

Ef 1, 1-10 / Lc 11, 47-54

Foi assim que, n'Ele, nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos, na caridade, santos e irrepreensíveis na sua presença.

Esta mesma afirmação (Leit.) pode ser aplicada a Nª Senhora (CIC, 492). Na Ave-Maria repetimos-lhe: Avé, cheia de graça, o Senhor é convosco: «Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar é a 'morada de Deus com os homens'- Cheia de graça. Ela dá-se toda Àquele que n'Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo» (CIC, 2676).

«De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística, ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus» (IvE, 54).

 

6ª Feira, 17-X: Os cuidados de Deus e os nossos cuidados.

Ef 1, 11-14 / Lc 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um deles está esquecido diante de Deus.

»Deus ama a e cuida de todas as suas criaturas e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: 'Valeis mais do que muitos passarinhos' (Ev.)» (CIC, 342). Jesus ensina-nos a ter uma abandono filial à Providência do Pai celestial, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos, que orienta todas as coisas que nos acontecem para nosso bem.

Se assim cuida de nós, também nós devemos cuidar de tudo o que se refere a Deus, concretamente, o que se refere à Palavra de Deus: «vós também ouvistes a Palavra da verdade, a Boa Nova da vossa salvação» (Leit.).

 

Sábado, 18-X: S. Lucas: O  seu contributo.

2 Tim 4, 9-17 / Lc 10, 1-9

Designou o Senhor setenta e dois discípulos e mandou-os em missão, dois a dois, à sua frente.

«Os Doze e os outros discípulos (Ev.) participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também da sua sorte. Com todos estes actos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja» (CIC, 765).

S. Lucas participou na missão de Cristo, transmitindo-nos, com a sua palavra e os seus escritos, os ensinamentos de Jesus (no Evangelho), e a vida da primitiva cristandade (nos Actos dos Apóstolos). Acompanhou S. Paulo e esteve a seu lado na prisão em Roma (Leit.). A ele devemos um melhor conhecimento da vida de infância de Jesus, de algumas parábolas (o filho pródigo, o bom samaritano...) e da vida  de Nossa Senhora.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial