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MISSÕES CUMPRIDAS

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Foi numa mesa redonda, na celebração dos «500 Anos de Evangelização e Encontro de Culturas», tão bem organizada por Mons. Alves Cachadinha. Tomou a palavra D. André Muaca, então Cardeal Arcebispo emérito de Luanda, ladeado por vários outros Bispos angolanos. De baixa estatura, amável, discreto e sorridente, começou assim, com surpreendente energia: - «Em primeiro lugar, ninguém nos diga que nos obrigaram a ser católicos! Ninguém nos obrigou a ser católicos! Fomos nós que o quisemos!»

De imediato, a sala ficou em suspenso. E ele explicou: Portugal não estava interessado em África, mas na Índia; para a Índia enviava os seus melhores recursos, inclusive missionários. E os angolanos exigiram mais e melhor; e, se recorreram aos monarcas portugueses, foi porque sabiam da sua influência na Santa Sé; e tiveram de insistir, porque continuavam a receber o que não servia… «Fomos nós que quisemos ser católicos!»

E logo a seguir: - «E perguntarão os senhores: porque há ainda em Angola bispos europeus? Eu explico». E explicou: após a independência, quando a Santa Sé recomendou que todos os bispos de Angola fossem africanos, «nós batemos o pé, e dissemos que não!» Mas a Santa Sé insistiu, «e nós batemos o pé e dissemos que não! E dissemos que não, porque o governo é comunista e tem de saber que a Igreja é universal!»

Apetecia dar palmas, mas estávamos ainda mais interessados em ouvi-lo. As perguntas que lançava eram claras como a água e as respostas também. Uma bênção de Deus.

- «Então a Igreja está implantada em Angola? Sim e não!». Estava implantada em muitas dioceses, com clero autóctone e até missionário, e nalgumas ainda não. Nomeou umas e outras, falou com números rigorosos dos seus Seminários, e concluiu com o principal problema: edificar e ampliar os existentes, porque as vocações não paravam de crescer.

 

Todos os povos são países de missão até neles radicar e frutificar a Igreja, e as Igrejas locais se converterem elas próprias em Igrejas missionárias. As missões não se fazem para permanecerem, mas para se cumprirem. E como custa cumpri-las em tantas nações ainda! Benditos missionários, sempre dispostos a avançar por terreno bravio, quantas vezes sem verem – aqui na terra - o fruto do que semearam!

 

 

 

 


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