aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ROMA

 

JESUÍTAS VÃO TER

NOVO RESPONSÁVEL MUNDIAL

 

O Geral dos Jesuítas, padre Adolfo Nicolás, eleito em 2008, anunciou a sua decisão de renunciar ao cargo e convocar uma Congregação Geral até ao fim de 2016.

 

O anúncio foi feito numa carta enviada a toda a Companhia de Jesus em 20 de Maio passado, na qual o padre geral, de 78 anos, afirma ter amadurecido a sua convicção pessoal de dar os passos necessários para apresentar a renúncia, contando com a aprovação do Papa Francisco.

O Superior geral dos jesuítas é eleito para um mandato vitalício, mas pode resignar, como aconteceu com o predecessor do padre Adolfo Nicolás, o holandês Peter Hans Kolvenbach.

Em princípios de Junho, em Lisboa, o padre Nicolás explicou: “Os anos vão pesando e, depois dos 80, já não há nenhuma garantia de que, sobretudo a mente, funcione de uma maneira dinâmica e criativa. É preciso abrir espaço a uma renovação, à entrada de pessoas mais jovens, mais ágeis, com meios mais modernos, que possam responder aos desafios, que também vão mudando”.

 

 

EUROPA

 

DESAFIO DA REUNIFICAÇÃO

LESTE E OCIDENTE

 

As eleições europeias coincidiram com o 25.º aniversário da queda dos regimes comunistas na Europa Central e de Leste (1989), um processo que foi decisivo para o reforço do projecto comunitário no Velho Continente.

 

Para o presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), Cardeal Reinhard Marx, “o desafio de aprofundar a comunhão entre o Leste e o Ocidente continua a ser actual na União Europeia”, como demonstram as recentes tensões na Rússia e na Ucrânia.

O cardeal destaca o papel que “as Igrejas de todas as confissões” devem continuar a desempenhar neste esforço de reunificação e na consolidação de uma comunidade dos povos.

A dissolução da maior parte dos regimes para além da chamada “Cortina de Ferro” em 1989 – a União Soviética só caiu em 1991 – possibilitou 15 anos mais tarde, em 2004, a entrada de 10 novos países na Comunidade Europeia.

Além de Chipre e Malta, passaram a fazer parte da UE três antigas repúblicas soviéticas (Estónia, Letónia e Lituânia), quatro antigos países-satélite da URSS (Polónia, República Checa, Hungria e Eslováquia), e uma antiga república jugoslava (Eslovénia), num total de 75 milhões de pessoas.

O presidente da COMECE sublinha que “esses países tiveram de lutar para ganhar a liberdade de se tornarem membros da comunidade política dos povos europeus”.

O cardeal Reinhard Marx invoca a memória do Papa João Paulo II (1920 – 2005), recentemente canonizado, que “falava de dois pulmões na Europa, o Leste e o Ocidente”.

“A Europa oriental e ocidental são, portanto, duas partes diferentes que não são idênticas e que têm as suas características próprias, mas fazem parte integrante do mesmo órgão vital e dependem uma da outra”, salienta o líder dos bispos europeus.

 

 

ITÁLIA

 

RELIGIOSA ITALIANA VENCE

PROGRAMA DE TALENTOS NA TV

 

A religiosa Cristina Scuccia, de 25 anos, venceu no passado dia 5 de Junho a versão transalpina do “The Voice”, concurso de talentos transmitido pela televisão italiana.

 

Antes de cantar pela última vez, naquela que foi a música final da 2.ª edição do programa, a irmã Cristina convidou o auditório a rezar o Pai-nosso.

Apresentando-se sempre com hábito religioso, e acompanhada por religiosas da comunidade e familiares, Cristina Scuccia, irmã ursulina da Sagrada Família, tinha-se estreado no programa de 19 de Março passado, com a música No one, originalmente cantada por Alicia Keys.

O vídeo com esta versão, durante a prova cega feita pelos jurados, tem já mais de 50 milhões de visualizações.

Questionada pelos jornalistas antes da final, a irmã Cristina referiu-se à sua participação no concurso: “Foi uma experiência belíssima, que me deixou uma grande riqueza, quer humana, quer artística, por ter encontrado os outros concorrentes e o mentor”, o rapper ‘J-Ax’.

Em 2003 vencera o “Good News Festival”, concurso musical de inspiração cristã que nasceu no contexto da Pastoral Juvenil do Vicariato de Roma.

Nesse mesmo ano, em entrevista à Televisão da Conferência Episcopal Italiana, falou do seu sonho de ser cantora, após se ter afastado da Igreja na adolescência.

A jovem descobriu a sua vocação religiosa em 2008, ao participar num musical “A coragem de amar”, em que interpretava o papel da fundadora das Ursulinas da Sagrada Família, a madre Rosa Rocuzzo, quando se celebrava o centenário da fundação da congregação, um dos ramos da família espiritual de Santa Ângela Merici.

Em 2010 decidiu entrar na congregação e fazer o noviciado no Brasil, onde usou o talento musical para superar a barreira linguística.

 

 

ITÁLIA

 

RECONSTITUIÇÃO DO ROSTO

DE SANTO ANTÓNIO

 

O Museu de Antropologia de Pádua apresentou no passado dia 10 de Junho uma reconstituição do rosto de Santo António, falecido em 1231 nessa cidade italiana, com recurso às mais recentes tecnologias de modelação tridimensional.

 

O resultado da investigação que envolveu ainda o Arc-team Archaeology, o Centro de Estudos Antonianos e duas instituições brasileiras (o Centro de Tecnologia da Informação “Renato Archer” e o Laboratório de Antropologia e Odontologia Forense da Universidade de São Paulo), esteve exposto, entre os dias 12 e 22 desse mês, no Museu de Devoção Popular, junto à basílica do santo português.

Santo António, cujo nome de baptismo é Fernando, nasceu em Lisboa no final do século XII e ali foi recebido entre os Cónegos Regulares de S. Agostinho; pouco depois da sua ordenação sacerdotal, ingressou na Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), da qual foi o primeiro professor de Teologia.

A cara apresentada foge à tradicional imagem magra e esguia com que o santo é representado e aproxima-se do fresco que o retrata numa passagem do presbitério da basílica de Pádua.

O padre Luciano Bertazzo, director do Centro di Studi Antoniani, explica que a forma de retratar Santo António “variou segundo as várias sensibilidades até se fixar na iconografia do jovem frade”, uma expressão “capaz de suscitar sentimentos de proximidade e confiança, exaltando um modelo de imagem na qual a busca do verdadeiro rosto é relativa, face ao rosto desejado pela própria imaginação simbólica e existencial”.

Os peritos recorreram à ajuda do padre Bertazzo para a reconstituição histórica de alguns detalhes, como a tonsura.

“A reconstrução aconteceu graças à utilização das mais sofisticadas técnicas de antropologia forense, as mesmas que se vêem nas mais modernas séries televisivas, que conseguem reconstruir uma fisionomia particular a partir de poucos elementos”, refere o jornal católico italiano Avvenire.

 

 

MOÇAMBIQUE

 

MISSIONÁRIO DEHONIANO

PREMIADO PELA ONU

 

O sacerdote dehoniano italiano Aldo Marchesini, cirurgião e missionário em Moçambique, foi distinguido pelas Nações Unidas com o World Population Award, destinado a premiar o trabalho por melhores condições de saúde das populações.

 

“Viver com os mais pobres é uma experiência extraordinária, porque pouco a pouco se compreende, como dizia Jesus, que os sábios e inteligentes não conseguem perceber os segredos do mundo, abertos, pelo contrário, aos pequenos e pobres”, refere o religioso dehoniano.

A entrega do prémio decorreu no passado dia 12 de Junho, em Nova Iorque.

A ONU destaca o trabalho do missionário na área da obstetrícia, sem nunca ter deixado Moçambique durante a guerra civil, na qual foi raptado e preso várias vezes.

O padre Aldo Marchesini trabalha em Moçambique há mais de 40 anos, onde se tem dedicado ao tema da população e à assistência médica aos doentes nos hospitais.

A província portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) recorda que o sacerdote é seropositivo, tendo sido infectado com o vírus da SIDA ao operar uma mulher seropositiva que estava a dar à luz.

“O facto de ser seropositivo não o afasta das missões: em vez de ficar em Itália a cuidar da sua saúde, preferiu regressar a Moçambique e, junto dos colegas, enfermeiros e doentes, mostrar que é possível combater esta terrível doença que mata milhares de pessoas em Moçambique e no mundo inteiro”, destacam os religiosos portugueses.

Além do padre Aldo Marchesini, o World Population Award distinguiu uma ONG norte-americana, a “Johns Hopkins Programme for International Education in Gynaecology and Obstetrics”, especializada em saúde materna.

 

ÍNDIA VAI TER DOIS NOVOS SANTOS

 

O Papa Francisco presidiu no passado dia 12 de Junho a um consistório de cardeais para a canonização de seis novos santos da Igreja Católica, entre os quais se incluem dois religiosos da Índia, ambos de Kerala, do rito siro-malabar.

 

O padre Ciríaco Elias Chavara (1805-1871), fundador da Congregação dos Carmelitas da Beata Virgem Maria Imaculada, que defendeu heroicamente a fidelidade da Igreja de Kerala a Roma numa época de tensão cismática, e a irmã Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus (Rosa Eluvathingal, 1877-1952), mística da Congregação das Religiosas da Madre do Carmelo, vão ser canonizados pelo Santo Padre no Vaticano a 23 de Novembro, solenidade litúrgica de Cristo-Rei.

O Papa vai ainda declarar como santos quatro beatos italianos.

Nos primeiros séculos do cristianismo, o reconhecimento da santidade acontecia em âmbito local, a partir da fama popular do santo e com a aprovação dos bispos.

Ao longo do tempo, e sobretudo no Ocidente, começou a ser solicitada a intervenção do Papa a fim de conferir um maior grau de autoridade às canonizações: a primeira intervenção papal deste tipo foi de João XV em 993, que declarou santo o bispo Udalrico de Augusta, que tinha morrido vinte anos antes.

As canonizações tornaram-se exclusividade papal por decisão de Gregório IX em 1234, e no decorrer do século XVI começou a distinguir-se entre “beatificação”, isto é, o reconhecimento da santidade de uma pessoa com culto em âmbito local, e “canonização”, o reconhecimento da santidade com a prática do culto universal, para toda a Igreja Católica.

 

 

NIGÉRIA

 

REACÇÃO DE CRISTÃOS

AO GRUPO TERRORISTA

 

Os contantes ataques armados dos rebeldes islâmicos do “Boko Haram” no Norte da Nigéria, maioritariamente cristão, estão a levar as populações locais a apostarem na formação de “grupos de autodefesa”.

 

A Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS), organismo ligado à Santa Sé, dá conta do “enorme sentimento de revolta” que começa a marcar as comunidades locais diante da escalada de violência e de morte que percorre a região e “perante a ineficácia das autoridades e das forças armadas”.

A indignação das pessoas chegou a tal ponto que estão “a surgir grupos de autodefesa que reclamam armas do Governo para se poderem proteger melhor”, salienta a AIS.

O “Boko Haram”, cujo nome na língua local significa “a educação não islâmica é pecado”, está empenhado em implementar um Estado islâmico no Norte da Nigéria.

Para isso tem lançado sucessivos ataques contra organismos oficiais e também sobre os cristãos e todas as minorias religiosas radicadas no Norte, destruindo habitações, escolas e locais de culto.

A AIS estima que as acções terroristas levadas a cabo pelo grupo islâmico já provocaram milhares de vítimas e estão a afectar pelo menos três milhões de pessoas, muitas delas obrigadas a deixar as suas casas e a viverem como refugiadas.

Actualmente com cerca de 170 milhões de habitantes, a Nigéria é o país mais populoso do continente africano, mas também um dos mais divididos, palco de constantes tensões políticas, socioeconómicas, religiosas e territoriais.

 

 

PAQUISTÃO

 

CONSELHO NACIONAL

PARA OS DIREITOS DAS MINORIAS

 

O Supremo Tribunal do país ordenou ao Governo que institua o “Conselho nacional para os direitos das minorias”, revelou no passado dia 25 de Junho a Agência Fides, do Vaticano.

 

O novo Conselho será um órgão estatal independente que “deve agir como observatório, monitorizando a situação das minorias étnicas e religiosas e os casos de violência e discriminação”.

A decisão responde a um processo iniciado após o atentado numa igreja cristã de Peshawar, em Setembro de 2013, onde 81 cristãos foram mortos e muitos feridos.

A sentença de 32 páginas critica os “discursos de ódio propagados nas redes sociais” e “os abusos perpetrados contra crianças, por causa de sua fé”.

O Tribunal lamenta que “as disposições constitucionais sobre a tutela dos direitos das minorias não tenham sido respeitadas no Paquistão” e ordena ao Governo que constitua uma força especial para proteger os locais de culto das minorias religiosas.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

SUPREMO TRIBUNAL DECIDE

A FAVOR DA LIBERDADE RELIGIOSA

 

A Conferência Episcopal saudou a decisão do Supremo Tribunal do país que, no passado dia 30 de Junho, reconheceu o direito de duas empresas privadas recusarem o pagamento de contraceptivos nos seguros de saúde dos seus funcionários.

 

Num comunicado intitulado “Um grande dia para a liberdade religiosa de negócios familiares”, os bispos católicos afirmam que “a justiça prevaleceu”.

Duas empresas processaram o Governo, que queria obrigá-las a financiar contraceptivos, esterilizações e pílulas abortivas para os seus funcionários como parte dos seus seguros de saúde.

A “Hobby Lobby” e a “Conestoga Wood” invocavam objecção de consciência para não aceitar essa imposição e a Igreja Católica tinha o mesmo entendimento sobre este tema.

Segundo o Supremo Tribunal, o mandato do Departamento de Saúde e Serviços Humanos viola a liberdade religiosa dos empregadores, por não respeitar as suas convicções a respeito da vida humana.

“Saudamos a decisão do Supremo Tribunal, que reconhece que os americanos podem continuar a seguir a sua fé quando dirigem um negócio de família”, pode ler-se no comunicado da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América.

Os bispos esperam que os casos levantados por instituições católicas, como as Irmãzinhas dos Pobres, tenham desfechos semelhantes.

 

 

IRAQUE

 

PATRIARCA CALDEU

PREOCUPADO COM O ÊXODO

 

O patriarca caldeu da Igreja Católica, Mons. Louis Sako Rafael I, revelou preocupação pela extinção da vida cristã no Iraque, em entrevista à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), a seguir ao Sínodo anual.

 

“Para ser honesto, os bispos neste momento não sabem o que fazer. O futuro (dos cristãos) pode estar no Curdistão, afinal muitos cristãos já vivem lá, mas também há muitos que vivem em Bagdad e alguns em Bassorá, no Sul xiita. Temos de esperar para ver como a situação se desenvolve”, explicou o patriarca.

O chefe da Igreja Católica Caldeia disse que não há esperança num Estado do Iraque único: “Talvez uma unidade simbólica e o nome do Iraque vá continuar a existir, mas haverá três zonas independentes, com os seus próprios orçamentos e exércitos.”

Para o patriarca, o actual conflito dos jihadistas do ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), não é a hora mais sombria só para os cristãos, mas para todos, e revela que de Mossul e arredores fugiram “muito mais muçulmanos”.

“O ISIS pretende fundar um Estado islâmico com poços de petróleo a fim de islamizar o mundo”, alerta o prelado sobre os objectivos dos jihadistas depois da criação de um Califado que une territórios entre a Síria e o Iraque.

“Se a vida cristã no Iraque chegar ao fim, haverá um hiato na nossa história. A nossa identidade está ameaçada”, assinala.

O Sínodo anual da Igreja Caldeia, realizou-se Ankawa, a poucos quilómetros de Erbil, no Curdistão iraquiano, de 24 a 27 de Junho, onde foi designada uma comissão de cinco bispos das áreas afectadas com a missão de garantirem o apoio inicial para os refugiados.

O patriarca católico caldeu revelou que os cônsules americano e francês também estiveram presentes para os ajudar a desenvolver um plano de ajuda.

Segundo Mons. Louis Sako Rafael I, “a tragédia é que as famílias estão divididas”, porque muitos cristãos iraquianos já estão no Ocidente; “as crianças perguntam constantemente aos seus pais por que é que eles ficaram e não foram com elas”.

“Não se pode travar este movimento, é impossível”, acrescenta o patriarca, que considera que os mais velhos poderão regressar “quando a situação estabilizar”, mas a população mais nova vai “ficar fora do país”.

“No espaço de dez anos restarão talvez 50 mil cristãos; antes de 2003 eram cerca de 1,2 milhões”, contabiliza.

 

 

BRASIL

 

BISPO PORTUGUÊS

DECLARADO VENERÁVEL

 

O Papa aprovou no passado dia 9 de Julho a publicação do decreto que reconhece as “virtudes heróicas” de D. António Ferreira Viçoso (1787-1875), bispo de Mariana, nascido em Peniche (Portugal), que recebe assim o título de Venerável.

 

Esta é uma fase do processo que antecede a proclamação de um fiel católico como beato, penúltima etapa para a declaração da santidade.

D. António Ferreira Viçoso foi bispo de Mariana entre 1844 e 1875 e é recordado no Brasil pelo seu humanismo, a luta contra a escravatura e as preocupações com a educação e o meio ambiente.

António Ferreira Viçoso, religioso lazarista, nasceu em Portugal a 13 de Maio de 1787 e foi ordenado sacerdote em 1818, sendo professor em Évora antes de embarcar para o Brasil, aos 32 anos.

Nomeado bispo de Mariana, em 1843, promoveu uma reforma do clero e apostou em obras de caridade e educação, entre elas o primeiro colégio feminino de Minas Gerais; antes, em 1840, escreveu, o texto “A escravatura ofendida e defendida”.

 


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