FAMÍLIA

CONSTITUIR FAMÍLIA…

 

 

Sónia Neves

Agência Ecclesia

 

 

Lembro-me de, pouco tempo depois de casar, um colega e amigo jornalista me ter feito uma questão sobre o futuro da família. Na altura respondi afirmativamente (e hoje daria a mesma resposta) invocando a base da minha educação e do que sou hoje como cidadã do mundo. Afinal a família está na base do nosso nascimento e crescimento. Respondi que também queria uma família, minha, entenda-se!

E a família volta a estar no centro dos assuntos com o sínodo convocado pelo Papa Francisco, onde é tema de reflexão e estudo.

Muitos afirmam que a família está em crise, faltam apoios, incentivos à natalidade, fazem-se contratos desumanos, onde se pede às mulheres a promessa de que não vão ter filhos, e a família é atirada para segundo, terceiro, ou outro qualquer plano. O sonho de “constituir família”, como se dizia, desvanece-se...

Acredito que seja difícil mas problemas sempre houve! Talvez “noutros tempos” fossem outros: a dificuldade financeira para matar a fome, o espaço em casa para ter tantos filhos ou a forma como os entreter com os poucos brinquedos que havia. No entanto havia disponibilidade, tempo e Amor para a família.

E hoje? É necessário que os casais ganhem gosto por terem uma família, para “constituir uma família”, lidarem e amarem. Há que haver condições reais de apoio na família alargada, na sociedade, na Igreja e no Estado. Um dia ouvi um testemunho de um pai de 5 filhos que dizia, em jeito de graça, que preferiu ter na vida cinco filhos em vez de ter uma televisão melhor ou uma casa de férias. Pode parecer uma comparação corriqueira mas que se entenda como Amor, aquele que dá valor à Vida.

Neste tempo que proporciona e chama por férias para muitos é ocasião para unir e reunir; há mais tempo para diversão, descobertas, brincadeira e conversa. As férias são sempre mais tarde recordadas por todos como tempos de saudade, porque se viviam horas de aprendizagem, confiança, cumplicidade e alegria… Isso é ser família!

Tento às vezes imaginar como seriam as férias da Sagrada Família… Se, naquele tempo, houvesse a noção de férias, tempo livre, passeio ou lazer, que teriam feito? Momentos a três ou em pequena comunidade onde o diálogo decerto ocuparia muito tempo…

As famílias precisam de apoio e de quem as apoie. São muitos os movimentos eclesiais que abordam e acompanham casais de namorados, preparam os casais para o matrimónio, mas, e depois? Quando uma família se aproxima da Igreja, de uma paróquia, que respostas tem?

Fazem falta grupos de acompanhamento das famílias, que promovam a formação, que as ajudem a serem melhores e a superar problemas do quotidiano, para que, depois na altura do batismo e das catequeses das crianças já estejam integradas. As paróquias são lugares onde se devem sentir acolhidas e, salvo raras e belas exceções, as que conheço não têm um serviço de atendimento às famílias, uma escola de pais ou simplesmente uma orientação espiritual que pudesse simplesmente valorizar o estatuto família.

As famílias precisam de se sentir comunidade, crescer na fé e constituir uma família maior. Afinal sentem a alegria do evangelho de uma outra forma e são os grandes potenciais de evangelização das futuras gerações…

 


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