DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

PEREGRINAÇÃO À TERRA SANTA

 

 

De 24 a 26 de Maio passado, o Papa Francisco realizou uma peregrinação à Terra Santa, para comemorar o 50.º aniversário do encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca de Constantinopla Atenágoras.

Damos a seguir o comentário que o próprio Santo Padre fez na audiência geral da quarta-feira, na Praça de São Pedro, em 28 de Maio seguinte.

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 

Como sabeis, nos dias passados realizei uma peregrinação à Terra Santa. Foi um grande dom para a Igreja, e por isto dou graças a Deus. Ele guiou-me naquela Terra abençoada, que viu a presença histórica de Jesus e onde se verificaram acontecimentos fundamentais para a religião hebreia, o Cristianismo e o Islão. Desejo renovar o meu cordial reconhecimento a Sua Beatitude o Patriarca Fouad Twal, aos Bispos dos vários Ritos, aos Sacerdotes e aos Franciscanos da Custódia da Terra Santa. Estes Franciscanos são muito bons! O seu trabalho, aquilo que fazem, é muito belo! O meu pensamento agradecido vai também às Autoridades jordanas, israelitas e palestinas, que me receberam com muita cortesia, diria antes com amizade, assim como a todos aqueles que cooperaram para a realização da visita.

1. A finalidade principal desta peregrinação foi comemorar o cinquentenário do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras. Tinha sido a primeira vez em que um Sucessor de Pedro visitava a Terra Santa: Paulo VI inaugurava assim, durante o Concílio Vaticano II, as viagens fora da Itália dos Papas na época contemporânea. Aquele gesto profético do Bispo de Roma e do Patriarca de Constantinopla colocou um marco miliário no caminho sofrido mas promissor da unidade entre todos os cristãos que, a partir de então, deu passos relevantes. Por isso, o meu encontro com Sua Santidade Bartolomeu, amado Irmão em Cristo, representou o momento culminante da visita. Juntos orámos junto do Sepulcro de Jesus e, connosco, encontravam-se o Patriarca Greco-Ortodoxo de Jerusalém Teófilo III e o Patriarca Arménio Apostólico Nourhan, além de Arcebispos e Bispos de diversas Igrejas e Comunidades, Autoridades civis e muitos fiéis. Naquele lugar onde ressoou o anúncio da Ressurreição, sentimos toda a amargura e o sofrimento das divisões que ainda existem entre os discípulos de Cristo; e, verdadeiramente, isto faz muito mal, mal ao coração. Ainda estamos divididos; nesse lugar onde ressoou precisamente o anúncio da Ressurreição, onde Jesus nos deu a vida, ainda estamos um pouco divididos. Mas sobretudo, naquela celebração repleta de recíproca fraternidade, de estima e de afecto, ouvimos com força a voz do Bom Pastor Ressuscitado, que quer fazer de todas as suas ovelhas um único rebanho; sentimos o desejo de curar as feridas ainda abertas e continuar com tenacidade o caminho rumo à plena comunhão. Mais uma vez, como fizeram os Papas precedentes, eu peço perdão pelo que fizemos para favorecer esta divisão, e peço ao Espírito Santo que nos ajude a sarar as feridas que fizemos aos outros irmãos. Todos somos irmãos em Cristo e com o Patriarca Bartolomeu somos amigos, irmãos, e compartilhámos a vontade de caminhar juntos, de fazer tudo aquilo que possamos fazer de hoje em diante: rezar juntos, trabalhar juntos pelo rebanho de Deus, procurar a paz, preservar a criação, tantas coisas que temos em comum. E, como irmãos, devemos ir para a frente.

2. Outra finalidade desta peregrinação foi encorajar naquela região o caminho para a paz, que é ao mesmo tempo dádiva de Deus e empenho dos homens. Fi-lo na Jordânia, na Palestina, em Israel. E fi-lo sempre como peregrino, em nome de Deus e do homem, levando no coração uma grande compaixão pelos filhos daquela Terra que, desde há muito tempo, convivem com a guerra e têm o direito de conhecer finalmente dias de paz!

Por isso, exortei os fiéis cristãos a deixarem-se «ungir» com o coração aberto e dócil pelo Espírito Santo, para serem cada vez mais capazes de cumprir gestos de humildade, de fraternidade e de reconciliação. O Espírito permite que na vida quotidiana assumamos estas atitudes com pessoas de várias culturas e religiões, tornando-nos assim «artífices» da paz. A paz constrói-se artesanalmente! Não existem indústrias de paz, não! Ela edifica-se no dia-a-dia, de modo artesanal, e também com o coração aberto, para que venha o dom de Deus. Foi por isso que exortei os fiéis cristãos a deixarem-se «ungir».

Na Jordânia agradeci às Autoridades e ao povo o empenho no acolhimento de numerosos refugiados provenientes das zonas de guerra, um empenho humanitário que merece e requer o apoio constante da parte da Comunidade internacional. Fiquei impressionado com a generosidade do povo jordano em receber os refugiados, tantas pessoas que fogem da guerra naquela zona. Que o Senhor abençoe este povo hospitaleiro, que o encha de bênçãos! Quanto a nós, devemos rezar para que o Senhor abençoe esta hospitalidade e pedir a todas as instituições internacionais que ajudem este povo no trabalho de acolhimento que leva a cabo. Durante a peregrinação, também noutros lugares encorajei as Autoridades interessadas em prosseguir os esforços para diminuir as tensões na área do Médio Oriente, sobretudo na martirizada Síria, bem como em continuar na procura de uma solução equitativa para o conflito israelo-palestino. Por isso convidei o Presidente de Israel e o Presidente da Palestina, ambos homens de paz e artífices da paz, para virem ao Vaticano rezar juntos comigo pela paz. E, por favor, peço-vos que não nos deixeis sós: rezai, rezai muito para que o Senhor nos conceda a paz, nos conceda a paz naquela Terra abençoada! Conto com as vossas orações. Rezai com força neste tempo, rezai muito para que chegue a paz!

3. Esta peregrinação à Terra Santa foi também a ocasião para confirmar na fé as comunidades cristãs, que sofrem muito, e manifestar a gratidão de toda a Igreja pela presença dos cristãos naquela zona e em todo o Médio Oriente. Estes nossos irmãos são corajosas testemunhas de esperança e caridade, «sal e luz» naquela Terra. Com a sua vida de fé e de oração, e com a apreciada actividade educativa e assistencial, eles trabalham a favor da reconciliação e do perdão, contribuindo para o bem comum da sociedade.

Com esta peregrinação, que foi uma autêntica graça do Senhor, quis levar uma palavra de esperança, mas, por minha vez, também eu a recebi! Recebi-a de irmãos e irmãs que esperam «contra toda a esperança» (Rom 4, 18), através de muitos sofrimentos, como aqueles de quantos fugiram do próprio país por causa dos conflitos; como aqueles de quantos, em várias partes do mundo, são discriminados e desprezados por causa da sua fé em Cristo. Continuemos a estar próximos deles! Oremos por eles e pela paz na Terra Santa e em todo o Médio Oriente! A oração de toda a Igreja sustente também o caminho para a plena unidade entre os cristãos, para que o mundo creia no amor de Deus que, em Jesus Cristo, veio habitar no meio de nós.

E agora convido todos vós a rezar juntos, a orar juntos a Nossa Senhora, Rainha da paz, Rainha da unidade entre os cristãos, Mãe de todos os cristãos: que Ela nos conceda a paz a todo o mundo, e que nos acompanhe nesta vereda de unidade. [Ave Maria...].

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial