Santos Anjos da Nossa Guarda

2 de Outubro de 2014

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Dan 3, 58

Antífona de entrada: Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A protecção de Deus é uma constante na vida do Homem. Atento aos desafios de cada dia e de cada circunstância própria da existência humana, a bondade de Deus atribui um cuidado especial para que o Homem reconheça a Sua protecção a partir de todos os meios, mesmo quando essa protecção recorre à missão dos celestiais seres que são conhecidos como Anjos da Guarda. Hoje, para lembrar a missão desses protectores de cada um de nós, a Igreja propõe que os celebremos e honremos com a nossa gratidão e o nosso amor.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa admirável providência enviais os Anjos para nos guardarem, ouvi as nossas súplicas e fazei que sejamos sempre defendidos pela sua protecção e gozemos eternamente da sua companhia.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Anjo da Guarda não é uma figura incógnita ou diluída em contos mitológicos, mas a certeza da proximidade de Deus, que se faz próximo, que está presente, que proteja e que conduz. Impelido por esta acção de Deus, o Anjo da Guarda é a certeza do Amor com que Deus abre o caminho na vida de cada um de nós!

 

Êxodo 23, 20-23

 

20Eis o que diz o Senhor: «Vou enviar um Anjo à tua frente, para que te proteja no caminho e te conduza ao lugar que preparei para ti. 21Respeita a sua presença e escuta a sua voz não lhe desobedeças. Ele não perdoaria as vossas transgressões, porque fala em meu nome. 22Mas, se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que Eu te disser, serei inimigo dos teus inimigos e perseguirei os que te perseguirem. 23aO meu Anjo irá à tua frente».

 

Esta leitura é tirada do texto do Êxodo, da parte que se segue ao «Código da Aliança», e com que se introduzem disposições relativas à entrada na Palestina. Nestes versículos, Deus garante ao seu Povo uma protecção especial, que lhe permita entrar na posse da terra prometida. Daí a actualização que a Igreja faz deste texto, aplicando-o ao novo povo de Deus, a Igreja, que é guiada e assistida pelos Anjos da Guarda, a caminho do Céu. Lembramos que, quando no Antigo Testamento se fala do «anjo do Senhor», habitualmente designa-se a presença do próprio Deus ou uma sua directa intervenção (cf. Gn 16, 7; 22, 11.14; Ex 3, 2; 14, 19; etc.); mas, em muitas outras passagens, quando se fala de «o meu anjo», ou simplesmente de «o anjo» (cf. Ex 33, 2; Nm 20, 16), sobretudo em contraste com Deus (cf. Salm 138, 1), sem dúvida que se refere a seres espirituais distintos de Deus, os anjos. Que estes existem é uma verdade que está clara no Novo Testamento e pertence à fé da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 334-336), que professamos: «Creio em Deus… Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis»; e as coisas invisíveis «não são as galáxias, mas esses puros espíritos, que são os anjos» (Sequeri).

 

Salmo Responsorial    Sl 90 (91) 1-2. 3-4. 5-6. 10-11(R. 11)

 

Monição: Tal como falava a leitura do Livro do Êxodo que acabámos de escutar, a presença do Senhor é sempre uma constante na vida do homem. Ele é refúgio, é fidelidade, é couraça e é lugar onde o coração do Homem pode habitar, quando conduzido pela garantia dos anjos.

 

 

Refrão:        O Senhor mandará aos seus Anjos

                que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Tu que habitas sob a protecção do Altíssimo

e moras à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:

meu Deus, em Vós confio».

 

Ele te livrará do laço do caçador

e do flagelo maligno.

Cobrir-te-á com as suas penas,

debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

A sua fidelidade é escudo e couraça:

não temerás o pavor da noite, nem a seta que voa de dia

nem a epidemia que se propaga nas trevas,

nem a peste que alastra em pleno dia.

 

Nenhum mal te acontecerá,

nem a desgraça se aproximará da tua morada.

Porque Ele mandará aos seus anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 102 (103), 21

 

Monição: A inocência e demais virtudes das crianças são um sinal claro das características dos anjos. Estes mesmo anjos, que contemplam a glória de Deus, são meio fundamental para que cada cristão converta o seu coração para contemplar essa mesma Glória.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Bendizei o Senhor, todos os seus exércitos,

que estais ao seu serviço e executais a sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 18, 1-5. 10

 

1Naquele tempo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no reino dos Céus?». 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. 4Quem for humilde como esta criança esse será o maior no reino dos Céus. 5E quem acolher em meu nome uma criança como esta acolhe-Me a Mim. 10Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem continuamente o rosto de meu Pai que está nos Céus».

 

A leitura é tirada do início do chamado «discurso eclesiástico» de Jesus (Mt 18) sobre a vida na Igreja, concretamente como devem ser as relações dos cristãos entre si e como se deve exercer a autoridade; o discurso é introduzido com uma pergunta dos discípulos: «Quem é o maior no Reino dos Céus?».

10 «Os seus Anjos», isto é, os Anjos da Guarda das crianças. A contexto desta afirmação é o da importância que na Igreja se deve dar aos «pequeninos» (vv. 6.14), isto é, àqueles são mais necessitados de auxílio, quer pela sua pouca idade, quer pela pouca formação, ou recente conversão; é preciso ter um cuidado especial para não os escandalizar. O próprio Deus toma esses pequeninos ao seu cuidado, confiando-os a um Anjo protector; e esse mesmo Anjo se encarregará também de acusar diante do «Pai que está nos Céus», cujo «rosto vêem continuamente», todos aqueles que os levem a pecar. Mas não são apenas os pequeninos, são todos os seres humanos que têm o seu Anjo da Guarda (cf. Hebr 1, 14; Lc 16, 22; Catecismo da Igreja Católica, nº 336).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     A CERTEZA DOS ANJOS

Nas últimas décadas, procurando dar prioridade a alguns temas da doutrina cristã, tem havido uma certa dificuldade em encontrar tempos e espaços de esclarecimento de outros temas que, por serem esquecidos, não deixam de ser de grande interesse. Um desses temas é a existência e a acção dos anjos na vida dos homens. A maior parte dos cristãos reza e tem ouvido falar do seu anjo da guarda, embora nem sempre se compreenda bem o seu sentido e o alcance da sua acção.

Em primeiro lugar é necessário referir que, nos últimos tempos, a astrologia e o esoterismo têm defraudado e desvirtuado o papel dos anjos, bem como o sentido do seu existir. Na internet e em muitas revistas, que dão lucro aos quiosques e editoras, existem inúmeras revistas de anjos que os reduzem a pequenos deuses, a guarda-costas dos seres humanos ou a pequenos amuletos de sorte.

Todavia, é necessário compreender os anjos com sentido de justiça e verdade acerca do que eles realmente são a partir dos dados bíblicos e da reflecção teológica. A existência dos anjos é constante nos documentos da Igreja, sempre em função das afirmações bíblicas. Mas vejamos como o IV Concílio de Laterão faz uma profissão de fé nestes seres criados por Deus: «Firmemente acreditamos […] que um só é o verdadeiro Deus […] Criador de todas as coisas, das visíveis e das invisíveis, espirituais e corporais […] criou do nada uma e outra criatura, a corporal e espiritual, a angélica e a mundana, e depois a humana, como comum, composta de espírito e corpo.» (Dz. 800).

 

2.     OS ANJOS SÃO VERDADE DE FÉ.

Diz o Catecismo da Igreja Católica que a existência dos Anjos é uma verdade de Fé (CEC 328). Quer pelo testemunho da Sagrada Escritura quer pela Tradição da Igreja, a acção dos anjos faz parte da acção criadora de Deus, bem como uma constante na vida da Igreja. A própria Liturgia diariamente os refere como participantes do louvor que a Igreja, em Jesus e na unidade do Espírito, dirige ao Pai Eterno. Desta forma, a Divina Liturgia é lugar onde a Criação inteira louva o Criador e se deixa renovar pela acção salvífica de Cristo. Também muitos santos se referem à acção constante dos anjos, como é o caso de S. Basílio que diz: “Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida.

 

3.     “OS SEUS ANJOS VÊEM CONTINUAMENTE O ROSTO DE MEU PAI”

O Evangelho que acabámos de escutar narra duas dimensões do ministério dos Anjos: a proximidade e a o serviço à Glória do Senhor. Narra-nos o Evangelho que os Anjos contemplam a glória de Deus. Eles que não estão sujeitos ao Pecado Original e participam da vida celeste são, por si e pela vontade de Deus, participantes da Glória que o Homem é chamado a participar. Assim sendo, estes fiéis seres que acompanham a cada um de nós são uma espécie de “alavanca” que nos apoia para que o olhar da alma procure participar da visão beatífica de Deus. Assim sendo, ainda que tenham como missão proteger-nos, os anjos são sobretudo protecção para uma sincera fidelidade ao verdadeiro dom que a alma anseia: o dom da Fé. Por este dom e pela generosa protecção dos anjos, o olhar do coração do homem pode sentir o centro da sua caminhada naquilo que é o coração de Deus. Os desvios humanos e o seu próprio pecado impedem de ver continuamente o rosto do Pai, mas a preciosa ajuda de quem já O contempla continuamente é a chave para que o rosto do Homem procure e se deixe encontrar pelo rosto do Pai que está nos Céus.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos:

O Pai do céu enviou o Seu Filho Unigénito para nos salvar

e confiou-nos à guarda de um Anjo que nos segue dia e noite.

Animados por tantas provas de amor,

apresentemos-lhe, por Jesus, as nossas petições.

 

1.  Pelo Santo Padre, o Papa Francisco:

para que o seu Anjo o defenda

das ciladas dos seus inimigos,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos bispos do mundo inteiro,

chamados na Sagrada Eucaristia anjos das igrejas:

para que defendam, com a espada da doutrina,

o rebanho que lhes está confiado,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelas crianças de todo o mundo:

para que os adultos respeitem a sua inocência,

lembrados de que os seus Anjos vêem a face de Deus,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos os desencaminhados:

para que se deixem guiar pelos seus anjos

e reencontrem o caminho da alegria,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos jovens em perigo do corpo ou da alma:

para que se confiem ao seu Anjo da Guarda

e se libertem dos ataques de satanás,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelas benditas almas do Purgatório:

para que, por intercessão da Rainha dos Anjos,

sejam livres dos seus tormentos,

oremos, irmãos.

 

Senhor, que nos destes os Anjos da Guarda,

como pagens celestes para nos protegerem e guiarem:

ensinai-nos a segui-los com docilidade,

para que nos conduzam à felicidade eterna.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra dos santos Anjos e concedei-nos que, pela sua contínua protecção, sejamos livres dos perigos desta vida e cheguemos à felicidade eterna.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

O Evangelho falava-nos da certeza dos Anjos contemplarem a Glória de Deus. Também pela comunhão podemos olhar o próprio Deus, pela presença Sacramental do Corpo de Jesus, podemos recebê-lo e comungá-lo. Olhemos o momento da comunhão como lugar de ver a Deus e de só a Ele prestar a devida adoração.

 

Cântico da Comunhão: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: Na presença dos Anjos, eu Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Pai, que nos alimentais neste admirável sacramento de vida eterna, dirigi os nossos passos, com a assistência dos santos Anjos, no caminho da salvação e da paz.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A celebração da memória dos Santos Anjos da Guarda termina, mas com ela renova-se o convite e o compromisso a permitirmos que a nossa intimidade com este protector da nossa vida seja enriquecida com o nosso amor e gratidão. Como agradecer? Simplesmente rezar-lhe, pedir-lhe, confiar-lhe e segui-Lo. No dia de hoje permitamos que, como dizia a primeira leitura, o deixemos ir à nossa frente a abrir o caminho pelas sendas da vida dos homens e sob a vontade de Deus.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 3-X: O reconhecimento das nossas faltas.

Job 38, 1. 12-21 / Lc 10, 13-16

Disse Jesus: Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betzaida!

Lamenta-se o Senhor da falta de correspondência dos habitantes daquelas cidades. Receberam tantas graças e viram tantos milagres. Também nós recebemos muitas graças da parte do Senhor.  Ele espera de nós uma nova conversão.

Não deixemos de manifestar a Deus a nossa pena por aquilo que fizemos mal. Job arrependeu-se de ter sido precipitado nas palavras que dirigiu a Deus, depois de ter sofrido tantas tragédias: «Eu fui precipitado nas minhas palavras. Vou pôr a mão na minha boca. Falei uma vez, mas não hei-de repetir, não voltarei a fazê-lo»(Leit.).

 

Sábado, 4-X: Um melhor conhecimento de Cristo.

Job 42, 1-3. 5-6. 12-17 / Lc 10, 17-24

Jesus exultou de alegria pela acção do Espírito Santo e disse: Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra.

Dizia Job. «Só vos conhecia por ouvir  falar de vós» (Leit.). Mas nesta oração aprendemos a conhecer melhor os sentimentos de Cristo: «Os evangelistas retiveram duas orações mais explícitas de Cristo. Na primeira (Ev.), Jesus louva o Pai, reconhece-o e bendi-lo por ter escondido os mistérios do Reino aos que se julgavam sábios e os ter revelado aos pequeninos. O seu estremecimento revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao beneplácito do Pai, como um eco do 'Fiat' de sua Mãe, aquando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia» (CIC, 2603).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ricardo Cardoso

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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