Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

29 de Setembro de 2014

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Somos a Igreja de Cristo, M. Silva, NRMS 17

Sl 102, 20

Antífona de entrada: Bendizei ao Senhor todos os seus Anjos, poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Santa Igreja celebra hoje, numa única solenidade, a Festa de três Arcanjos: S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael. São poderosos executores das ordens de Deus em favor de toda a obra da Criação, da qual, como criaturas especialmente queridas, nós fazemos parte.

Deus, nosso Pai, na Sua bondade infinita, não só nos chamou à vida, mas também nos quis dar valiosíssimos companheiros, para nos defenderem nos caminhos da vida. São os Anjos, espíritos puros. A sua existência é dogma de fé. Entre eles sobressaem estes três, cuja Festa hoje celebramos. Confiemos neles e sejamos agradecidos pela assistência que nos prestam.

 

Ato Penitencial

 

Porque nem sempre temos sido fieis a Deus, nosso Pai, examinemo-nos dos nossos pecados, para pedirmos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que estabeleceis com admirável providência as funções dos Anjos e dos homens, concedei, propício, que a nossa vida seja protegida na terra por aqueles que eternamente Vos assistem e servem no Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na visão do Profeta Daniel, o número dos Anjos que servem o Senhor é incalculável – milhares de milhares, miríades de miríades. Manifestam-se em adoração constante ao Senhor.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

Ver notas de CL, atrás neste mesmo número, na Festa da Transfiguração do Senhor.

 

Salmo Responsorial    Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5 (R. 1c)

 

Monição: A nossa adoração e o nosso louvor a Deus é sempre realizado na presença dos Anjos, nossos amigos e intercessores.

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Apocalipse 12, 7-12a

7Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também, 8mas foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre. 9Foi expulso o enorme Dragão, a antiga serpente, aquele que chamam Diabo e Satanás, que seduz o universo inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos foram precipitados com ele. 10Depois ouvi no Céu uma voz poderosa que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram-no, graças ao sangue do Cordeiro e à palavra do testemunho que deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte. 12Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais».

 

7 Houve um combate. É difícil determinar a que combate concreto se refere o texto sagrado. Não parece tratar-se aqui da rebelião dos Anjos maus no momento da sua criação (cf. Mt 25, 41; 2 Pe 2, 4), como alguns pensam, uma vez que o contexto nos situa nos tempos cristãos. Assim, prefere-se ver a luta tremenda desencadeada pelo demónio contra Cristo e os fiéis (os «nossos irmãos» - v. 10), a partir sobretudo da Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus (cf. v. 5b).

«Miguel» - em hebraico Mi-kha-el - quer dizer «quem como Deus?». Era o protector do antigo povo de Deus (Dan 10, 13.21), e que aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo de Deus.

«O Dragão». É identificado no v. 9, com a «antiga serpente» que tentou os primeiros pais, por isso se chama antiga; é «aquele que chamam Diabo e Satanás». Diabo é um nome grego correspondente ao hebraico - Xatan (aramaico - xataná), que significa caluniador, acusador, adversário.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 102 (103), 21

 

Monição:Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem”, nos afirma Jesus. Eles estão totalmente ao serviço de Deus. Eis a sua missão, gradeza e glória.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Bendizei o Senhor todos os seus exércitos,

poderosos executores da sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 47-51

 

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». 48Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». 49-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». 50Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: 51«Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem».

 

Filipe não tinha guardado para si a grande alegria de ter tido a dita de encontrar o Messias anunciado pelos Profetas, mas comunicara-a a seu amigo Natanael, que se mostrou incrédulo em face da procedência humilde de Jesus, filho dum carpinteiro de Nazaré, quando o Messias devia ser descendente de David e procedente de Belém. Filipe não se desmoraliza com as razoáveis objecções do amigo e também não confia nas explicações que o seu próprio engenho poderia excogitar; opta por convidar o amigo a aproximar-se pessoalmente de Jesus: «vem e verás» (v. 46).

47 «Natanael». Nome semítico que significa «dom de Deus». Deveu ser um dos Doze Apóstolos (cf. Jo 21, 2); mas qual deles? Muito provavelmente era Bartolomeu, o qual teria dois nomes, sendo este último um nome patronímico (filho de Tolmay), como o patronímico de Simão Pedro, Baryona (filho de Jonas). Esta identificação é deduzida dos diversos catálogos dos Apóstolos que nos deixaram os Sinópticos, onde Bartolomeu sempre se segue a Filipe, aquele Apóstolo que levou Natanael a Jesus (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14).

48 «Eu vi-te, debaixo da figueira». Natanael sentiu que o olhar de Jesus penetrava os mais profundos recônditos da sua alma, pois algo de significativo devia ter passado no seu coração naquela hora e naquele local exacto a que Jesus se referia, e que só Deus podia conhecer.

49 «Tu é o Filho de Deus… Rei de Israel» - títulos messiânicos procedentes do Salmo 2. A intencionalidade do Evangelista (cf. 20, 31) evidencia-se ao apresentar, desde a primeira hora, confissões explícitas de fé em Jesus (cf. Mt 14, 33; 16, 16).

51 «Os Anjos de Deus subindo e descendo…» Trata-se duma forma muito expressiva de Jesus aparecer como Mediador entre o Céu e a terra, ficando assim os Céus abertos para a humanidade (Is 63, 19; Apoc 19, 11; Mt 3, 16 par.), numa clara alusão à escada de Jacob, pela qual subiam e desciam os Anjos na visão de Jacob (Gn 28,12). É por isso que adoptámos, na Bíblia da Difusora Bíblica, a tradução «por meio do Filho do Homem», em vez da tradução corrente «sobre o Filho do Homem», tendo em conta que aqui aparece a mesma preposição (epí) que no texto grego do sonho de Jacob, com o sentido de subir por.

 

Sugestões para a homilia

 

1. A existência dos Anjos é uma verdade de fé.

2. Os ministérios e funções atribuídas aos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.

 

 

1.  A existência dos Anjos é uma verdade de fé.

 

 Aos Anjos, puros espíritos, mensageiros da Bondade de Deus e que fazem parte do mundo invisível, são feitas mais de cem referencias, quer no Antigo como no Novo Testamento. O Catecismo da Igreja Católica refere-se aos Anjos, afirmando que a sua existência “é uma verdade de fé, confirmada por vários Concílios, pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja”. Na verdade aos Anjos, se referiram vários Concílios: Niceia, em 325; Constantinopla I, em 381; regional de Toledo, em 400; Vaticano I, em 1869-1870 e Vaticano II, em 1962-1965. Aos Anjos ainda alude também a Encíclica de Pio XII, Summi Pontificatus de 20 de Outubro de 1939 e Paulo VI faz o mesmo no credo por ele composto e promulgado, em 30 de Junho de 1968.

 No dia de hoje honramos, de um modo especial os Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.

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2. Os ministérios e funções atribuídas aos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.

 

  Todos beneficiamos da ajuda poderosa dos Anjos. Eles além de servirem a Deus, três vezes Santo, a Quem adoram, contemplam e cantam incessantemente, a alguns é-lhes atribuída uma missão especial.

Assim ao Arcanjo S. Miguel, cujo nome quer dizer “quem como Deus” é apresentado como Chefe de todos os Anjos Bons, com os quais venceu todos os maus comandados por Lúcifer, que foram derrotados e transformados em demónios. Como tal, o Arcanjo S. Miguel, proteje a Santa Igreja com todo o Povo de Deus. À sua intercessão devemos recorrer muitas vezes para vencermos as artimanhas, com que o demónio continua constantemente a querer-nos enganar.

O Arcanjo S. Gabriel, cujo nome quer dizer “força de Deus” tem a nobre missão de anunciar  e convidar Nossa Senhora a livremente aceitar colaborar no mistério da Encarnação do Verbo eterno, passando a ser verdadeiramente Mãe de Jesus, Deus e Homem. Assim o Arcanjo S. Gabriel, veio anunciar a nossa fortaleza cristã, que é Jesus Cristo.

O Arcanjo S. Rafael, cujo nome quer dizer “medicina de Deus” foi amparar o jovem Tobias livrando-o de muitos perigos. A sua missão especial é livrar-nos dos perigos que possam surgir na nossa caminhada da vida.

Com que amor e carinho a eles devemos constantemente recorrer!

 

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Confiados na infinita bondade de Deus

que deseja a salvação de todos os homens,

peçamos por intercessão dos Santos Arcanjos

 dizendo:

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

1.     Pelo Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

para que anunciem corajosamente o Reino de Jesus,

e façam brilhar diante dos homens a Sua luz,

oremos, irmãos,

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

2.     Pela santa Igreja,

para que pela intercessão de S. Miguel,

o Senhor lhe conceda a paz interna e fiel generosidade

na sua missão divina em favor dos homens,

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

3.     Por todos os que buscam generosamente

a vontade de Deus, na vocação matrimonial,

para que, por intercessão de S. Gabriel,

se entreguem fielmente nesse caminho de santidade,

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

4.     Pelos Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

para que sejam modelos e arautos

corajosos duma exigente vida cristã,

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

5.     Pelos jovens,

para que por intercessão de S. Rafael

o Senhor os proteja e eles vejam claramente o caminho

da sua própria vocação,

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

6.     Para que em todos nós aumente a fé

na existência  e valiosa intercessão dos Santos Anjos, nossos amigos,

e com eles, um dia possamos gozar a Bem-aventurança eterna,

oremos irmãos.

 

R. Senhor, escutai a nossa prece.

 

Senhor, que na vossa Bondade infinita nos confiastes à proteção dos Santos Anjos, fazei que aproveitemos sempre a sua valiosa intercessão e assim alcancemos a felicidade eterna do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Com os benditos Anjos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício de louvor e fazei que, pelo ministério dos Anjos, seja levado à presença da Vossa divina majestade e se torne para nós fonte de salvação eterna Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Anjos: p. 491

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da paz

 

 Os Santos Anjos anunciaram, em Belém a “paz aos homens de boa vontade”. Essa paz será uma realidade nas nossas vidas na medida em que verdadeiramente nos amarmos. Com esse sincero propósito, saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, verdadeiramente presente na hóstia consagrada, está sempre acompanhado por uma grande multidão de Anjos, que O adoram. Vamos recebê-lO com muita fé, amor e gratidão pedindo aos Anjos que nos ajudem no aumento desta fé e amor.

 

Cântico da Comunhão: Santos Anjos e Arcanjos, J. Parente, NCT 701

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças. Na presença dos Anjos Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, nosso Pai, que nos fortalecestes com o pão do Céu, fazei que, protegidos pelos santos Anjos, sigamos firmemente o caminho da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Se possível, mais conscientes da intercessão dos Santos Anjos e Arcanjos, vamos a eles recorrer com mais fé e assiduidade, pedindo-lhes a ajuda de que precisamos para vencer as dificuldades da vida e possamos caminhar com generosidade na santidade, para qual todos fomos criados. Com estes propósitos, ide em paz e Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

26ª SEMANA

 

3ª Feira, 30-IX: O novo sinal da dor.

Job 3, 1-3. 11-17. 20-23 / Lc 9, 51-56

Job: desapareça o dia em que eu nasci. Por que não morri eu no ventre de minha mãe, ou não expirei ao sair do seio materno?

Job lamenta-se por ter nascido e estar a padecer tantos sofrimentos (Leit.).

Os sofrimentos apresentam-se de muitas maneiras e nenhuma delas é espontaneamente querida por ninguém. Mas Jesus resolve ir até Jerusalém, para ali morrer (Ev.), porque nos queria redimir pela sua paixão e a sua morte. A partir de então, a dor passa a ter um novo sentido. Ele proclama bem-aventurados os que choram, os que sofrem nesta vida: doença, dor física ou moral, pobreza, difamação, injustiça. A fé altera o sinal da dor de  (-) menos para (+) mais.

 

4ª Feira, 1-X: Exigências para o seguimento de Cristo.

Job 9, 1-12. 14-16 / Lc 9, 57-62

Jesus respondeu-lhe: As raposas têm as suas tocas, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a sua cabeça.

«Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome, a sede e a indigência (não tem onde reclinar a cabeça: Ev)» (CIC, 544). Por isso, é exigente com todos os que desejam segui-lo, pedindo-lhes uma disponibilidade total, que não admite quaisquer desculpas (Ev.).

Poderemos nós encontrar uma razão para tais acções? «Poderia o homem ter razão contra Deus? … Ele tem feito coisas grandiosas, incompreensíveis, maravilhas que não podem calcular-se» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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