Exaltação da Santa Cruz

14 de Setembro de 2014

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A festa da Exaltação da Santa Cruz ou Cruz Gloriosa faz-nos compreender a Santíssima Trindade como um mistério de amor que nos envolve de forma tão misteriosa, tão humana e tão redentora.

Na Cruz de Cristo fica bem patente o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Fica patente que este amor envolve cada pessoa, a Igreja e a Humanidade.

Ela é proposta necessária para cada discípulo e para toda a Igreja. Ela é a assinatura da autenticidade do amor, da liberdade autêntica, de uma humanidade nova.

Cada um de nós é convidado, como Jesus Cristo, a torná-la eficaz, redentora e salvífica.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa infinita misericórdia, quisestes que o vosso Filho sofresse o suplício da cruz para salvar o género humano, concedei que, tendo conhecido na terra o mistério de Cristo, mereçamos alcançar no Céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Todo o veneno que leva à morte só pode ser vencido com o amor que brota d’Aquele que foi levantado no madeiro da cruz. Olhando para Ele aprendemos como podemos vencer.

 

Números 21, 4b-9

Naqueles dias, 5o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egipto, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. 7O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. 8Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». 9Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

 

O contexto deste relato é o da longa viagem desde a longa estância no oásis de Cadés até Moab, em que o povo se cansa com os rodeios para evitar enfrentar Edom (cf. v. 4), revolta-se e protesta contra Moisés. O que aqui se relata pode muito bem ser referido a um lugar de Arabá, a actual Timná, onde se encontrou uma serpente de bronze num antigo santuário egípcio. Às serpentes era atribuído um poder mágico

5 «Este alimento miserável». Referência bem realista ao maná, cuja idealização posterior o considera, pelo contrário, «pão dos fortes» e «pão dos anjos», pão com todas as delícias e com todos os sabores ao gosto de cada pessoa (cf. Sab 16, 20-21; Salm 78, 23-25).

6 «Serpentes venenosas», à letra, de fogo, um hebraísmo para dizer serpentes abrasadoras, cuja natureza se ignora. Há mesmo quem pense em pequenos parasitas, as filárias, que perfuram a pele, invadem e obstruem os canais linfáticos, causando a morte por filariose.

8 «Faz uma serpente de bronze…» O relato bíblico poderia fazer pensar, à primeira vista, num recurso à magia, rejeitada em toda a Sagrada Escritura, pois aqui a cura até parece pertencer à classe da homeopatia mágica: uma imagem do causador do mal teria o poder de o esconjurar! Talvez por isso o livro da Sabedoria tem o cuidado de atribuir a cura à misericórdia de Deus: «não em virtude do que via, mas graças a Ti, o Salvador de todos» (cf. Sab 16, 5-14). Também entre os gregos a serpente era o animal emblemático de Esculápio e conserva-se como símbolo das nossas farmácias. Como se pode ver no Evangelho de hoje (Jo 3, 14-15), este relato encerra um sentido típico visado por Deus: o poste é figura da Cruz, a serpente de bronze é figura de Cristo Salvador, que salva da morte eterna todos os homens feridos pela mordedura mortal do pecado, desde que, arrependidos, olhem para Jesus com fé.

 

Salmo Responsorial    Sl 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)

 

Monição: Quem ama não pode esquecer as maravilhas que a Cruz Gloriosa de Cristo derrama sobre a sua vida, a igreja e o mundo.

 

Refrão:        Não esqueçais as obras do Senhor.

 

Escuta, meu povo, a minha instrução,

presta ouvidos às palavras da minha boca.

Vou falar em forma de provérbio,

vou revelar os mistérios dos tempos antigos.

 

Quando Deus castigava os antigos, eles O procuravam,

tornavam a voltar-se para Ele

e recordavam-se de que Deus era o seu protector,

o Altíssimo o seu redentor.

 

Eles, porém, enganavam-n’O com a boca

e mentiam-Lhe com a língua

o seu coração não era sincero,

nem eram fiéis à sua aliança.

 

Mas Deus, compadecido, perdoava o pecado

e não os exterminava.

Muitas vezes reprimia a sua cólera

e não executava toda a sua ira.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A Cruz revela o amor Trinitário. Ela é um mistério de vida, amor, obediência, despojamento, serviço, beleza, fecundidade.

 

Filipenses 2, 6-11

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino e a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». O texto original foi simplificado no texto litúrgico, pois há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão: a) «Não considerou como um roubo o ser igual a Deus»; b) «Não considerou como algo a roubar (=algo cobiçado) o ser igual a Deus». No primeiro caso, considera-se o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo); no segundo, em sentido passivo (coisa cobiçada). A Vulgata, seguida pela Nova Vulgata, traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo); a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossas tradução litúrgica, considera o termo grego com sentido passivo: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón). Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22) e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje; «tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-10 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o desfecho duma história trágica com que tudo acabou. Estamos perante o sublime paradoxo da sua «exaltação»: foi «por isso» mesmo que «Deus» (não Ele próprio, mas o Pai, ho Theós com artigo) «O exaltou» de modo singularíssimo (à letra, acima de tudo o que existe, tendo na devida conta a preposição hypér na composição do verbo grego, corresponde a: Deus soberanamente O exaltou), o que se deu na glorificação da humanidade de Jesus com a sua Ressurreição e Ascensão. A esta exaltação corresponde o «nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes de todos os tempos; já não se trata simplesmente do nome usado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, Jesus, mas trata-se do mesmo nome com que o próprio Deus é designado para traduzir o nome divino «Yahwéh» – «Senhor».

11 A todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo Senhor sem artigo, como no original grego) e o seu domínio sobre toda a criação – «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente, ao traduzir: «proclame que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 56 (como hoje pensa a generalidade dos estudiosos), e, como dissemos, estes versículos já fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A linguagem da Cruz é uma linguagem de amor. O amor mais belo, mais puro, mais gratificante, incondicional, acessível, que faz ressuscitar.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo,

que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13«Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. 14Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

 

O texto é tirado do «discurso» de Jesus a Nicodemos. Não é fácil distinguir nos discursos de Jesus em S. João, quando é que o evangelista apresenta as próprias palavras de Jesus de quando apresenta a sua reflexão divinamente inspirada sobre elas. Aqui costuma-se considerar a meditação do evangelista a partir do v. 13, meditação que, do v. 16 ao 21, é o chamado kérigma joanino.

13 «Filho do Homem» tem em S. João um sentido glorioso, indicando a origem divina de Jesus, o Filho de Deus pré-existente enviado ao mundo para salvar os homens e que «subiu ao Céu», uma realidade que pertence às coisas do Céu (v. 12); nos Sinópticos conserva mais o sentido da literatura apocalíptica (cf. Dn 7, 13; 4 Esd; Henoc Etiópico), indicando o Messias, o salvador do povo que virá no fim dos tempos e também o Messias-sofredor. Mas expressão na Filho do homem nem sempre fica bem claro o título cristológico, pois por vezes poderia não passar de um mero asteísmo, uma figura de linguagem (asteísmo) para Jesus se referir discretamente à sua pessoa: este homem = eu. J. Ratzinger/Bento XVI encara com grande profundidade esta afirmação de Jesus acerca de si mesmo (Jesus de Nazaré, cap. X)

14 «Elevado», na Cruz, entenda-se. Mas S. João joga com os dois sentidos da elevação: na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é na Paixão que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13, 1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. 7, 38; 12, 23-24; 17, 1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (cf. 12, 16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21, 4-9 (1ª leitura de hoje); Sab 16, 5-15 e o Targum que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus... entregou o seu Filho Unigénito». Parece haver aqui uma alusão ao sacrifício de Isaac (cf. Gn 22, 1-12), que os Padres consideravam uma figura de Cristo, até por aquele pormenor de Isaac subir o monte Moriá com a lenha às costas, como Jesus subindo o monte Calvário carregando a Cruz.

17 «Não… para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo». Jesus contraria as ideias judaicas da época, que imaginavam o Messias como um juiz que antes de mais vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus, ou se lhe opunham.

 

Sugestões para a homilia

 

Cruz Gloriosa.

Cruz nos Cristãos.

Cristianismo na Cruz.

 

Homilia.

 

Cruz Gloriosa.

A Cruz que celebramos não é sinal de derrota, de fanatismo, de cruzada proselitista. Mas sinal do mais belo sacrifício do Filho de Deus, que projetou sobre todos rios de liberdade, de humanidade, de misericórdia, de santidade.

Cruz gloriosa que nos conquistou para um plano elevado da filiação divina, nos redimiu do pecado e da morte, nos permitiu encontrar a comunhão com Deus, nos mergulhou na gratuidade salvífica do sangue de Cristo.

Cruz gloriosa, síntese do projeto de Jesus Cristo que permitiu a maravilhosa revelação de Deus que se faz próximo, amigo, pai. E permitiu revelar o Homem a quem Deus tanto ama. Cruz que revela como somos radicalmente filhos, irmãos. Cruz que destrói os interesses mesquinhos e situações de superioridade que escravizam, que enganam, que destroem. Cruz que afirma o verdadeiro Messianismo, o genuinamente bíblico, o genuinamente feito encarnação, feito paixão, morte e ressurreição.

 

Cruz nos Cristãos.

 

“ Se alguém quiser vir após mim tome a sua cruz e siga-me”. Os erros que há sobre a Cruz de Cristo são os erros sobre Deus. Esse erro fatal afasta  o cristão da conversão, do cumprimento esmerado da vontade de Deus, da luta constante e persistente, de um verdadeiro caminho de santidade. E forja personalidades débeis, sem coragem, sem luta, sem compromisso, sem heroísmo.

A verdadeira teologia sobre a Cruz ilumina de uma forma bela a dignidade humana, o verdadeiro sucesso dos povos, o sentido do sofrimento.

A Cruz situa o cristão na sua verdadeira vocação e missão. Que está para além das simpatias, das emoções ou dos interesses. Ela mesma assinala os verdadeiros dons e ministérios. Por ela se percebe a autenticidade do servidor. Ela leva a viver com convicção profunda o que falta à paixão de Cristo, em favor do seu corpo, que é a sua igreja (cf.Col.1,24).

A Cruz conduz à sabedoria de levar no nosso corpo os sinais da morte de Cristo; a sabedoria do dar a vida, do perder a vida; do despojamento do homem velho e do revestir-se do homem novo. Incentiva à formosa ciência e sabedoria de não querer saber mais nada a não ser Cristo e Cristo crucificado (cf. 1Cor.2,2).

A Cruz permite-nos expiar os nossos pecados e os pecados do mundo. Convida-nos a uma generosa vida de mortificação e de penitência voluntária. Permite-nos amar de forma incondicional e estar sempre disponíveis para o perdão e para a partilha.

A Cruz é companheira inseparável dos santos. Todos a amaram. Todos se gloriaram dela. Todos dela ressuscitaram.

 

 

Cristianismo na Cruz.

 

A ausência da Cruz gera muitos males no mundo e na igreja. Uma inteligência sem cruz forja destruição, maldade, desumanidade.

É demasiado perigosa uma inteligência que retira a Cruz de Cristo. E sobretudo que pretende arrancá-la do coração dos cristãos. Há muitos que são inimigos da Cruz de Cristo (cf.Fl.3,18).

A não aceitação da Cruz é a chave fundamental das infidelidades, da letargia, da falta de vibração apostólica, do abandono do caminho da santidade, do desistir com facilidade, da falta de verdadeiros servidores, da falta de vocações, do empobrecimento da vida quotidiana, do embrutecer das sociedades, do egoísmo feroz, da economia sem justiça e sem partilha, do avanço do poder do mal.

Um cristianismo vivo nasce da Cruz donde brota a vida, a santidade, o dinamismo de Deus e da cooperação dos homens. A Igreja aparece assim como árvore frondosa de flores e frutos.

Sem Cruz não se pode receber o Espírito Santo. Claro! Quem quer receber o amor que é o Espírito Santo, invisível, se antes não toca e vê esse amor na Cruz, nas chagas do Senhor?

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos ao nosso Redentor,

que nos remiu pela santa Cruz,

dizendo (ou cantando), com toda a confiança:

R. Cristo ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

1.  Pela santa Igreja, nascida da árvore da Cruz,

para que siga fielmente a Cristo

e seja revestida de glória,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos

e pelos fies e catecúmenos da santa Igreja,

para que imitando Aquele que se fez servo de todos,

sejam testemunhas da Sua Cruz,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos cristãos que sofrem no corpo ou na alma,

para que sintam a presença consoladora de Cristo,

que ilumina a experiência da dor humana,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos perseguidos por causa da fé e da justiça,

para que na Cruz de Cristo encontrem a certeza

da vitória do amor e do perdão,

oremos, irmãos.

 

5.  Por todos nós e pela nossa comunidade (paroquial),

para que ponhamos toda a nossa glória

na Cruz de Cristo, o Redentor,

oremos, irmãos.

 

Pai de misericórdia,

que exaltastes o vosso Filho na sua ressurreição,

derramai sobre nós a força do Espírito Santo,

para que possamos levar todos os dias

o peso e a glória da santa Cruz.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Na hóstia sobre a patena, B. Salgado, NRMS 6 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Purificai-nos de todas as culpas, Senhor, pela oblação deste sacrifício, que no altar da cruz tirou o pecado do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O triunfo glorioso da cruz

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Na árvore da cruz estabelecestes a salvação da humanidade, para que donde viera a morte daí ressurgisse a vida e aquele que vencera na árvore do paraíso fosse vencido na árvore da cruz, por Cristo nosso Senhor.

Por Ele, numa só voz, os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes proclamam com júbilo a vossa glória. Permiti que nos associemos às suas vozes, cantando humildemente o vosso louvor:

 

Santo, Santo, Santo

 

Pode dizer-se o prefácio da paixão do Senhor I: p. 467 [600-172]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Esta relação profunda no corpo e no sangue de Jesus Cristo, no seu mistério pascal, faz nascer e fortificar a comunhão com a Trindade e com os irmãos. Leva à gratidão, ao louvor, à conversão, ao testemunho, ao dar a vida.

 

 

Cântico da Comunhão: Se não comerdes a minha carne, F. da Silva, NRMS 48

Jo 12, 32

Antífona da comunhão: Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a Mim, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor Jesus Cristo, que nos alimentais nesta mesa sagrada, fazei que o vosso povo, resgatado pela cruz redentora, seja conduzido à glória da ressurreição. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A festa de hoje exige que se abrace a vida com a força da cruz. Que se viva intensamente a fé. Que se construa na perspectiva de Deus. Que se ame com a medida de Cristo. Que se veja na lógica da Cruz de Cristo.

Nossa Senhora, Mãe doada na Cruz, cuida de todos os filhos de Deus. Ela caminha connosco e lembra-nos o que o Seu Filho nos diz: «Se alguém quer seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me».

 

Cântico final: Salvé ó Cruz, M. Faria, 20 cânticos para a missa

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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