Natividade da Virgem Santa Maria

8 de Setembro de 2014

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nasceu a Virgem Maria, F. da Silva, NCT 630

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos a celebrar uma festa que nos deve ser particularmente querida. Faz anos a nossa terna, boa e poderosa Mãe do Céu. Como filhos, não podemos ficar indiferentes. Ela tudo merece. Foi a escolhida por Deus para ser a Mãe de Jesus, nosso amantíssimo Redentor e cabeça de todo o Corpo de Cristo, do qual fazemos parte misticamente pelo Sacramento do Batismo.

Vamos celebrar com fé, alegria e profunda gratidão a Natividade de Nossa  Senhora. Queremos, com certeza, fazê-lo da forma que seja mais do agrado desta nossa tão boa e querida Mãe do Céu.

 

Ato penitencial

 

Para o podermos fazer, como pretendemos, comecemos por pedir perdão dos nossos pecados. Além de nos terem mais afastado de Jesus, são sempre também, por isso, motivo de tristeza para esta Mãe que a todos tanto ama. Neste momento escutemos o seu apelo proclamado em Fátima: “Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está tão ofendido,”

 

    ( Tempo de silêncio. Eis uma sugestão, como alternativa)

 

-Senhor Jesus, que nos chamais à emenda de vida, e nos ofereceis o perdão dos pecados,

tende  misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

- Cristo, que oferecestes a vida no altar da Cruz, para nos reconciliardes a todos com o Pai,

tente misericórdia.

 

Cristo, misericórdia!

 

-Senhor Jesus, que não quereis que o pecador se condene, mas se arrependa e viva para sempre, tende misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ao povo de Israel que vivia atormentado com tantas ameaças de guerra provocadas pelos povos vizinhos, o Profeta Miqueias anuncia-lhes, que depois destas ameaças, em Belém-Afratá, surgirá “aquele que há-de reinar sobre Israel”. Essa esperança começa a concretizar-se com o nascimento de Nossa Senhora, Mãe do Redentor tão esperado.

 

Miqueias 5, 1-4a

Eis o que diz o Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; Mt 2, 4-6; Jo 7, 42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a duma outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…», à letra: «pequena para as que estão entre as milhares (ou famílias) de Judá». S. Mateus (Mt 2, 6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de dois recursos próprios da hermenêutica judaica. Por um lado, transforma a afirmação de Miqueias numa interrogação – «porventura és pequena…? –, o que lhe permite dizer que de modo nenhum é a mais pequena; por outro lado, com a técnica deráxica chamada al-tiqrey («não leias»), lê a palavra hebraica alfey («milhares») com outras vogais, a saber, al-lufey («as principais [príncipes] de»), tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, mas só as consoantes. É assim que Mateus pode dizer, sem falsear o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais (cidades) de Judá» (Mt 2, 6).

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar a alguns comentadores numa alusão à célebre profecia da virgem que concebe de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus, a razão da escolha deste texto para a Liturgia de hoje.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Romanos 8, 28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.

 

Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Romanos: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28).

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com amor); «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos considerar adquirida (daí o emprego do aoristo proléptico), dada a nossa intima união a Cristo já glorificado.

 

Salmo Responsorial    Sl 12 (13), 6ab.6cd (R. Is 61,10)

 

Monição: Por maiores que sejam as dificuldades da vida, todas serão vencidas com a ajuda sempre amável e atenta do nosso Deus. Quem n’Ele, verdadeiramente confia, pode sempre exultar de alegria.

 

Refrão:        Exulto de alegria no Senhor.

 

Eu confiei na vossa bondade,

o meu coração alegra-se com a vossa salvação.

 

E cantarei ao Senhor

pelo bem que me fez.

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Apesar do afastamento de Deus, provocado pelo pecado, o Senhor promete aos homens um Redentor. Para concretizar tão grandiosa promessa, o mesmo Senhor escolheu Maria, Mãe do Messias tão desejado pela humanidade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia Gregoriano

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo, nosso Deus.

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 1, 1-16.18-23;     forma breve: São Mateus 1, 18-23

 [1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão, Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matã gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.]

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».

 

«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não correspon­de a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.

16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada uma daquelas pessoas da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), mas não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma acção, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».

Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afecta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora sem documentar que descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (actualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois, ou mais tarde se faltava tempo para ser fértil.

 «Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, uma vez que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias; em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»); e, assim, o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensaria é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel (se é que ele não esteve mesmo ali); poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generaliza­ção, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7, 14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até se prestava a indicar que este não nasceria de germe paterno!). Mateus, em face do papel providen­cial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa, muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) O chamarás».

 

Sugestões para a homilia

 

1. Vamos celebrar o aniversário natalício de Nossa Mãe do Céu.

2. É nosso dever escolher  “ a prenda de anos ” a  entregar a Nossa Senhora.

3. Eis a “prenda de anos” que Nossa Senhora espera, de cada um de nós.

 

 

1. Vamos celebrar o aniversário natalício de Nossa Mãe do Céu.

 

É próprio dos bons filhos celebrarem, dentro das suas possibilidades, mas sempre com muito carinho e verdadeiro amor filial, o aniversário natalício de suas mães.

Maria Santíssima é verdadeiramente nossa Mãe. Ela é Mãe de Jesus, Cabeça do Corpo Místico, do qual fazemos parte, pelo Sacramento do Batismo. No alto da Cruz, no Calvário, o mesmo Jesus proclamou esta maternidade universal de Maria, quando disse ao Apóstolo S. João “eis a tua Mãe” e a Nossa Senhora: “eis o Teu filho”.

Ao longo dos vinte  séculos de cristianismo, temos tido manifestações do grande , terno e atento amor maternal de nossa tão boa Mãe do Céu. As muitas e constantes aparições de Nossa Senhora, reconhecidas pela autoridade da Igreja, são reveladoras desses cuidados maternais.

Como celebramos em oito de Dezembro a Sua Imaculada Conceição, nove meses depois, isto é, a oito de Setembro, comemoramos o Seu Nascimento. É pois hoje o dia do Natal da Mãe de Jesus e nossa muito querida Mãe do Céu. Eis os motivos que nos levam a celebrar com entusiasmo, alegria e profundo amor filial tão querida efeméride.

 

2. É nosso  dever escolher “ a prenda de anos” a entregar a Nossa Senhora.

 

Como bons filhos, queremos que esta data seja celebrada ao gosto de tão boa Mãe. Com as  mães da terra nem sempre é fácil acertar com o que elas mais apreciam. O mesmo não se verifica com a nossa terna Mãe do Céu. Sabemos que o que Ela mais deseja é a nossa verdadeira e real felicidade. A Mãe do Céu, como a da terra, quer ver-nos felizes. Por isso a todos pede uma grande fidelidade e um sempre crescente amor a Deus, nosso Pai: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está tão ofendido!”, nos pediu, em bom português, na Sua mensagem de Fátima. Pede-nos que sempre cumpramos com diligência e dedicação a santíssima vontade de Deus. E como quer que todos se salvem, roga também que rezemos uns pelos outros, afirmando mesmo “que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. Nossa Senhora, em Fátima, como em todas as restantes aparições, vem lembrar os caminhos do Evangelho de Seu divino Filho: penitência e oração, que são caminhos certos da verdadeira libertação e consequente alegria de viver.

 

 

3. Eis a “prenda de anos” que Nossa Senhora espera de cada um de nós.

 

Para celebrarmos o aniversário de Nossa Senhora, como Ela pretende, façamos o propósito sincero de viver sempre na graça de Deus, recorrendo com assiduidade ao Sacramento da alegria, que é o da Penitência, com uma confissão bem preparada e a um sério plano de vida espiritual que contemple todos os momentos da nossa vida, o que poderá ser combinado com o respectivo Diretor espiritual, que, para assunto tão sério, todos, dentre as suas possibilidades, deverão possuir.

Nossa Senhora, na já citada mensagem de Fátima, pede-nos ainda a Consagração ao seu Imaculado Coração, a reza diária do Terço em família e a Comunhão reparadora dos Primeiros Sábados.

Feliz de quem, livre e generosamente estiver disposto a corresponder e divulgar estes pedidos tão concretos, que a nossa terna Mãe do Céu nos faz. Além de lhe estarmos a oferecer o presente de aniversário, que mais aprecia, estaremos no caminho de, com a Sua proteção, nos podermos encontrar com Ela e com todos os Santos, um dia para sempre, no reino dos Céus, contemplando os esplendores da Santíssima Trindade.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

ao celebrarmos o aniversário de Nossa Senhora

que deu ao mundo Jesus Salvador e Redentor da humanidade,

invoquemos reconhecidamente o nosso Deus,

dizendo, cheios de fé

 

R . Ouvi Senhor, a nossa oração.

 

1.Pela Santa Igreja

 para que anuncie a todos quantos a escutam

o poder intercessor de Nossa Senhora, junto de Deus,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi Senhor, a nossa oração.

 

2. Pelo povo de Israel

para que, por intercessão de Nossa Senhora

descubra em Jesus o Messias prometido,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi Senhor, a nossa oração.

 

3.Para que conscientes do que Nossa Senhora nos pede

façamos propósitos sérios de conversão

seguindo os caminhos que a Mãe do Céu nos aponta,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi Senhor, a nossa oração.

 

4.Para que, correspondendo

aos apelos maternais de Nossa Senhora,

rezemos e nos sacrifiquemos pela conversão dos pecadores,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi Senhor, a nossa oração.

 

 

5. Por todos os que já partiram para a eternidade,

para que em breve possam viver no reino dos céus,

o aniversário de Nossa Senhora,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi Senhor, a nossa oração.

 

 

Deus Pai e Senhor do Céu e da Terra

ouvi as orações do vosso povo

que celebra a festa da Natividade de Nossa Senhora

e por Sua intercessão e auxílio

enriquecei-o com  os dons da vossa graça.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Santíssima, M. Faria, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na natividade : p. 486 [644-756] ou II, p. 4 7

 

Santo: F. dos Santos, NCT 84

 

Saudação da Paz

 

“Fazei o que Meu Filho vos disser”, nos continua a pedir Nossa Senhora. E Jesus pede-nos que nos amemos como Ele nos amou e ama. Correspondendo a este tão terno pedido de Nossa Senhora, saudai-vos uns aos outros.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, é o bendito fruto do Ventre puríssimo de Nossa Senhora. Verdadeiramente o Corpo de Jesus é Carne de Maria. Vamos recebê-LO  com muito amor e também reconhecimento pela humildade e importantíssima colaboração de Sua Mãe, Maria Santíssima.

 

Cântico da Comunhão: Como é suave Senhor, M. Luis, NRMS 36

Is 7, 14; Mt 1, 21

Antífona da comunhão: A Virgem dará à luz um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.

 

Cântico de acção de graças: Exulta de alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21

 

Oração depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Querendo viver com muita fé, alegria e entusiasmo esta linda Festa de aniversário de nossa querida Mãe do Céu, correspondendo aos Seus pedidos maternais, vamos com  generosidade, pô-los em prática. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Avé Maria, farol do mar, Az. Oliveira, NRMS 73-74

 

 

Homilias Feriais

 

23ª SEMANA

 

3ª Feira, 9-IX: As transformações espirituais.

1 Cor 6, 1-11 /Lc 6, 12-19

Mas fostes purificados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus e pelo Espírito de Deus.

A vida de muitos cristãos de Corinto era moralmente má, mas foi-se transformando graças à acção do Espírito Santo (Leit.). «Curando as nossas feridas, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual, ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como filhos da luz» ( CIC, 1695).

Do mesmo modo, Jesus cura todos os que lhe apresentam. Mas também se dão igualmente muitas transformações espirituais. Para isso, precisamos aproximar-nos um pouco mais de Jesus: «toda a multidão procurava tocar-lhe» (Ev.).

 

4ª Feira, 10-IX: Felicidade fugaz e felicidade eterna.

 Cor 7, 25-31 / Lc 6, 20-26

Felizes de vós, os pobres; os que estais agora cheios de fome; os que agora chorais.

Ao falar das bem-aventuranças (Ev.), Jesus ensina-nos que uma pessoa pode viver no meio da pobreza, da dor, do abandono e, ao mesmo tempo, ser feliz já aqui na terra e, depois, na vida eterna.

S. Paulo recorda-nos que «o cenário deste mundo é passageiro» (Leit.), isto é, a felicidade aqui na terra é sempre fugaz, não dura sempre, O importante é conseguir a felicidade eterna através dos acontecimentos aqui da terra, aprendendo a ser felizes com as coisas 'más'.  Por exemplo, a paixão de Cristo salvou-nos a todos.

 

5ª Feira, 11-IX: A 'regra de ouro' da caridade.

1 Cor 8, 1-7. 11-13 / Lc 6, 27-38

Vós, porém amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem nada esperar em troca.

Tal como o Senhor nos indica, o preceito da caridade não se estende apenas àqueles que nos querem e tratam bem, mas a todos. O pedido de Jesus exige alguma heroicidade. Precisamos perdoar, aceitar os que não nos agradam; ser misericordiosos com os outros; não julgar, não condenar,  perdoar, etc.

S. Paulo diz: «A ciência cria presunção, ao passo que a caridade edifica» (Leit.) e o Senhor ensina a 'regra de ouro' da caridade: «A 'regra de ouro' é: tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho, de igual modo, vós também» (CIC, 1789).

 

6ª Feira, 12-IX: Santo Nome de Maria.

1 Cor 9, 16-19. 22-27 / Lc 6, 39-42

Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirares o argueiro que o teu irmão tem no dele.

Diz S. Paulo: «Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns por todos os meios» (Leit.). Um dos modos concretos pode ser viver a virtude da humildade, que nos torna capazes de perdoar, de compreender e de ajudar; que nos leva a descobrir primeiro os erros e defeitos que há em nós próprios e que permite compreender melhor os defeitos alheios (Ev.).

O recurso ao Santíssimo Nome de Maria leva-nos a considerar como Ela entregou a sua vida por nós, ao pé da cruz,  e a imitarmos na entrega aos outros.

 

Sábado, 13-IX: Apoio no cumprimento da vontade de Deus.

1 Cor 10, 14-22 / Lc 6, 43-49

Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática.

Se queremos construir a nossa vida sobre um fundamento sólido devemos ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática (Ev.). Mas isso exige que estejamos dispostos s cumpri-la:  nos deveres de cada dia, na aceitação das contrariedades, etc.

De igual modo, a casa edificada sobre rocha é a vida apoiada na Eucaristia: «Não é o pão que nós partimos uma comunhão como o Corpo de Cristo? (Leit.). «Pela comunhão eucarística, a Igreja é consolidada igualmente na sua unidade do corpo de Cristo» (IvE. 23).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Alves Moreno

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial