23º Domingo Comum

7 de Setembro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Salmo 118, 137.124

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, e são rectos os vossos julgamentos. Tratai o vosso servo segundo a vossa bondade.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A família onde todos se entreajudam fraternalmente é uma família que vence todas as dificuldades e vive feliz.

Todos conhecemos algumas destas famílias: são como um só corpo, sempre atentas às necessidades e dificuldades dos seus.

Pelo contrário, conhecemos outras onde as pessoas vivem numa indiferença cruel aos problemas dos outros ou até os agravam.

Deus quer que a Sua Igreja procure ser uma família solidária, na qual todos se ajudam a todos nesta caminhada para o Céu.

 

Acto penitencial

 

Reconhecemos diante do Senhor que vivemos uma indiferença cruel perante as dificuldades e problemas que se vivem dentro da nossa casa, como se fôssemos ilhas distantes umas das outras.

Peçamos perdão desta indiferença e ajuda do Senhor para sairmos desta indiferença e insensibilidade, dando as mãos aos nossos para que sejam felizes.

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a crueldade com que criticamos os defeitos e fraquezas

    daqueles que vivem connosco a aventura desta vida na terra,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a nossa indiferença sobre a salvação de todas as pessoas

    que vivem a nosso lado e têm direito à nossa ajuda fraterna,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a soberba que nos leva a receber mal a correcção fraterna,

    em vez de agradecermos este requinte de verdadeira amizade,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Ezequiel recorda que todos somos colaboradores de Deus na salvação dos irmãos, alertando-os contra os perigos de salvação que encontram.

É uma missão muitas vezes difícil de exercitar, mas torna-se um requinte de fina caridade.

 

Ezequiel 33, 7-9

7Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. 8Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. 9Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».

 

Texto tirado do início da 4ª parte de Ezequiel, que se refere à restauração de Israel. Foi escolhido em função da leitura evangélica que trata do aviso ou correcção fraterna. O profeta é a «sentinela» de Deus, que tem o dever de avisar do bem e do mal, sob pena de se vir a tornar cúmplice da maldade do povo. De algum modo, todos nós nos devemos sentir responsáveis pelos nossos irmãos, avisando-os do mal que devem evitar (cf. Lv 19, 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. Cf. 8)

 

Monição: O Salmista convida-nos a adorar e a louvar o Senhor,  porque Ele é Rei do Universo e nosso Deus.

Acolhamos este convide, respondendo à interpelação que a Palavra de Deus acaba de nos fazer.

 

Refrão:        Se hoje ouvirdes a voz do Senhor

                     não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus nosso Salvador.

Vamos à sua presença e demos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

Pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, no dia de Massa no deserto.

Onde vossos pais Me tentaram e provocaram

apesar de terem visto as minhas obras».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na sua Carta aos Romanos, S. Paulo convida todos os cristãos de Roma — e de todos os tempos e lugares — a colocar no centro da nossa existência cristã o Mandamento Novo do amor. Ao fazê-lo, saldamos uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.

 

Romanos 13, 8-10

Irmãos: 8Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei. 9De facto, os mandamentos que dizem: «Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo». 10A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei.

 

O amor ao próximo é apresentado por S. Paulo como uma dívida que nunca se pode saldar, pois, enquanto se não tiver dado a vida pelos irmãos, não se terá amado suficientemente, como Cristo nos amou (cf. Jo 13, 34). Por outro lado, a caridade é o resumo da Lei e o seu pleno cumprimento, pois quem ama verdadeiramente «não faz mal ao próximo» (v. 10).

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 5, 19

 

Monição: O Senhor Jesus associa-nos à Sua missão de reconciliar com Deus todas as pessoas de todos os tempos e lugares.

Alegremo-nos porque tão honrosa missão nos está confiada e procuremos cumpri-la com todo o zelo, fruto do amor.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3,F. da Silva, NRMS 50-51

 

Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo

e confiou-nos a palavra da reconciliação.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 18, 15-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15«Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. 16Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. 17Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. 18Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. 19Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. 20Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

 

Nesta leitura de hoje temos duas perícopes sobre temas distintos: a correcção fraterna (vv. 15-18) e a oração em comum (vv. 19-20). São tiradas do chamado discurso eclesiástico de Mateus, que aparece como mais uma agrupamento artificial do Evangelista, para nos oferecer um concentrado de instruções de Jesus referentes à vida da nova comunidade fundada por Ele, a sua Igreja (cf. Mt 16, 18), talvez (segundo pensam alguns) com o fim de propor uma espécie de regra da comunidade, à maneira da dos essénios de Qumrã (cf. 1 QS, VI, 62; VII, 25).

15-18 «Se teu irmão te ofender…» Esta tradução não facilita o sentido que sempre se viu na passagem referente à correcção fraterna, pois não se trata de meter na linha um irmão que me anda a aborrecer, ou a melindrar; o que está em causa é ajudar aquele irmão que peca (gravemente, como dá a entender o original grego: hamartêsê) e que põe em risco o bem da sua alma e o bem dos irmãos. Nesta linha estão os melhores manuscritos, como o Vaticano, o Sinaítico e outros, que têm escrito apenas «pecar», omitindo o «contra ti». No entanto, na linha da Vulgata, a Neovulgata também não segue estes manuscritos.

17 «Comunica o caso à Igreja», isto é, à sua legítima autoridade, aos chefes que a governam, pois, desde o princípio, a Igreja nunca foi uma comunidade desorganizada e acéfala, sem autoridade (cf. Act 2, 42; 4, 34-35; 15; Gal 2, 2; 1, 8-9: Act 20, 28, etc.). É evidente que, para se regulamentar desta maneira todo este procedimento na correcção, era por se encarar o caso de faltas graves e que trariam prejuízo à comunidade; no entanto o dever da correcção fraterna não se pode limitar só a este tipo de faltas. «Considera-o como um pagão ou um publicano»: certamente não por desprezo ou má vontade, mas para que esse irmão reconsidere e lhe sirva de emenda (cf. 1 Cor 5, 4-5), embora a expressão seja demasiado dura e pareça aludir mesmo uma exclusão definitiva.

18 «Tudo o que ligardes na terra…» A passagem do «tu» ao «vós» neste texto sugere que não estamos perante uma sequência originária de sentenças de Jesus, o que ajuda a dirimir a velha questão entre protestantes e católicos, a saber, se este «vós» se refere a todo a comunidade, ou apenas aos chefes. Sem entrarmos em complicadas questões de crítica histórica e literária, basta-nos ver que se trata de uma aplicação ao círculo dos Doze daquilo que é dito a Pedro, sem tirar nada do que lhe é dito por Cristo (cf. Jo 20, 21-23; Mt 16, 19; Jo 21, 15-17).

19-20 «Onde estão dois ou três reunidos em meu nome…» O texto vai mais além do encarecimento da oração em comum e em nome de Jesus, como corresponde ao contexto de um «discurso eclesiástico», que regula a vida em Igreja; com efeito, o paralelismo com uma máxima da Mixná – «onde estão dois sentados (juntos) e entre si falam as palavras da toráh, ali mora entre eles a xekhiná (Deus)» – sugere que Jesus é posto no mesmo plano de Deus, segundo uma técnica da hermenêutica rabínica (uma actualização deráxica chamada rémez, ou alusão).

 

Sugestões para a homilia

 

• Missão profética dos baptizados

Sentinelas de Deus

Guiados pela vontade de Deus

Gravidade desta obrigação

• O exercício desta missão profética

A correcção fraterna

Ordem com que a fazemos

Um serviço de amor

 

1. Missão profética do Povo de Deus

 

O profeta Ezequiel exerceu a sua missão profética em tempos difíceis. Era um sacerdote que foi chamado para profetizar durante o Exílio do povo judeu na Babilónia, tendo exercido sua atividade entre os anos 593 a 571 AC. Diz-se que fundou uma escola de profetas e que ensinava a Lei à beira do Rio Kebar que atravessa a cidade de Babilónia.

São curiosas as visões que o profeta teve sobre a glória de Deus e os sinais que aconteceram em sua própria vida demonstrando a ação de Deus são fortes e marcantes. Ezequiel perdeu a sua esposa como sinal da queda de Jerusalém.

A comunidade, no meio da qual ele vivia, acreditava que em breve tudo voltaria a ser como antes; para os seus contemporâneos, o projeto de Deus era um mero sistema que lhe dava segurança. Ezequiel, no entanto, sabe que o sistema passado estava em agonia de maneira irrecuperável, pois Jerusalém seria destruída.

 

a) Sentinelas de Deus. «Eis o que diz o Senhor: “Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel.”»

Numa organização militar, a segurança de todo o acampamento ou quartel depende da sentinela vigilante. Ele tem por  missão alertar a todos contra o inimigo.

Se a sentinela for negligente na missão que lhe foi entregue, o inimigo apanhará de surpresa a todos, sem se poderem defender. Os hebreus deviam ajudar os que estavam vacilantes na fé, acautelando-os dos perigos.

O Senhor quer fazer de cada um de nós sentinela de toda a Igreja, avisando dos perigos de salvação todos os que pertencem a esta cidade de Deus. O perigo pode estar numa companhia, num meio que se frequenta, num livro, num filme ou num programa de televisão, etc.

O aviso oportuno pode levar a pessoa avisada a uma de duas reacções:

• Há quem se zangue porque alguém incomodou a sua preguiça ou orgulho. É uma atitude louca.

• Outros preferem agradecer a ajuda recebida e aproveitá-la.

A missão de sentinela é incómoda, não só porque exige de quem a exerce uma atenção permanente, mas ainda porque é preciso descobrir o perigo — algumas vezes disfarçado — e correr o incómodo de avisar, sem perda de tempo, aquele que está em perigo.

Por isso, a primeira tentação é a de fechar os olhos, fingindo que se não vê, e deixar correr, até que as coisas se resolvam por si mesmas.

Para reconhecer a existência concreta de um perigo é preciso ter fé. Há pessoas para quem tudo está bem, porque não têm fé nem caridade.

 

b) Guiados pela vontade de Deus. «Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte

Não avisar as pessoas quando elas estão em perigo é uma crueldade e entra na lista dos pecados de omissão.

O Senhor ensina-nos um critério  para actuar nestas ocasiões:

Não se trata de defender os gostos, caprichos ou opiniões pessoais, mas de procurar a vontade de Deus a qual se manifesta nos Mandamentos. Este dever incumbe de modo especial aos pais e aos pastores de almas, tendo presente que, na Igreja, todos somos, ao mesmo tempo, pastores uns dos outros e ovelhas.

A sagrada Escritura refere-se aos cães mudos que deixam assaltar o rebanho pelo lobo devorador.

Os pais têm o dever de corrigir os filhos. Ninguém nasce perfeito e as más inclinações levam-nos facilmente para o mal, sobretudo quando há falta de experiência na vida.

Um falso respeito pela liberdade deles, que mascara a cobardia dos pais, leva a deixar crescer nos filhos os maus hábitos.

Quando queremos colher bons frutos de um campo, não só fomentamos a boa sementeira, como procuramos arrancar as ervas daninhas.

Para ajudar os filhos não é preciso armar conflitos. Num clima de amizade e confiança, apontamos os desvios e ajudamos a lutar contra eles.

Quanto mais cedo se procurar ajudar, melhor, porque os defeitos e maus hábitos ganham raízes cada vez mais fortes, aumentando a dificuldade de os eliminar à medida que o tempo passa.

 

c)  Gravidade desta obrigação. «Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte

O Senhor fala da obrigação de cumprir este dever e não o fazer é pecar por omissão.

• Quando urge este dever de corrigir os que erram, somos tentados a refugiarmo-nos numa desculpa: “Não vale a pena avisar, porque a pessoa não vai fazer caso.”

Antecipando-se a esta dificuldade, o Senhor diz-nos: «Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida

• Outra desculpa vulgar é a de esperar que o problema se resolva por si. Não procedemos assim quando se trata de uma doença, porque já sabemos que, em geral, não se cura sem medicamentos e tratamento adequado.

Prestar esta ajuda é uma obrigação grave, de tal modo que o Senhor diz que nos pedirá contas disto mesmo, porque somos culpados do descaminho dessa pessoa.

À luz desta verdade, tem pleno sentido aquilo que cantamos no salmo de meditação: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações

 

2. Como exercer esta missão profética

 

a) A correcção fraterna. «Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós

A correcção fraterna é uma das obras de misericórdia espirituais: corrigir os que erram. Ninguém é bom juiz em causa própria e nenhum de nós consegue ver bem os seus defeitos e os seus males.

E neste ponto de vista a correcção fraterna é um acto de amor, um completar-se um ao outro. penso que esta seja uma das principais funções de um cristão, ajudar o outro a crescer. Se assim não for não estamos a amar como Ele nos Amou

«A prática da correcção fraterna — que tem tradição evangélica — é uma manifestação de carinho sobrenatural e de confiança. Agradece-a quando a receberes, e não deixes de praticá-la com quem convives.» (S. Josemaria, Forja, 566).



Examinemos com diligência os sentimentos que nos levam a exercitar a correcção fraterna: trata-se duma exigência de verdadeira amizade? Ou de cedência a um impulso de ódio, inveja ou ambição?

«Devemos corrigir por amor; não com desejo de causar dano, mas com carinhosa intenção de conseguir a sua emenda. Se assim o fizermos, cumpriremos muito bem o preceito: “Se o teu irmão peca contra ti, vai corrige-o entre ti e ele só.” (Mt 18,15). Por que o corriges? Porque te dói ter sido ofendido por ele? Não o queira Deus. Se o fizeres por amor-próprio nada fazes. Se é o amor o que te move, actuas excelentemente. As mesmas palavras ensinam o amor que te deve mover, se é o teu ou o seu. “Se te ouvir, ganhaste o teu irmão” (Ibidem). Logo hás-de actuar para o ganhar a ele.» (Santo Agostinho, Sermo, 82,4).

 

b) Ordem com que a fazemos. «Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas

Em geral, muitas pessoas que se proclamam católicos praticantes procedem de modo contrario aos ensinamentos do Evangelho. Quando chegam ao conhecimento de qualquer falta ou defeito alheio ou de perigo em que a pessoa se encontra, não dizem nada ao próprio

Neste texto do Evangelho, Jesus indica-nos o itinerário duma correcção fraterna, para que Lhe seja agradável. Trata-se de uma série de tentativas para reconduzir uma pessoa ao bom caminho.

• A sós. «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão.» O modo errado como se faz  habitualmente. Nada se diz à pessoa interessada e proclama-se, com um “auto-falante” os defeitos e pecados dos outros, com uma crueldade de coração que fere.

• Solicitude pela salvação dos outros. «Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas

Fala-se muito em tolerância. A palavra “tolerância” é uma palavra profundamente cristã, que exige o respeito pelo outro, pelas suas diferenças, até pelos seus erros e falhas. No entanto, ser tolerante não significa que cada um pode fazer o mal ou o bem que quiser, sem que tal nos diga minimamente respeito; não implica recusarmo-nos a intervir quando alguém toma atitudes que atentam contra a vida, a liberdade, a dignidade, os direitos dos outros; nem quer dizer que devemos ficar indiferentes quando alguém assume comportamentos de risco, porque ele “é maior e vacinado” e nós não temos nada com isso.

Diante de uma pessoa que se obstina no erro, que destrói a sua vida e a dos outros, não devemos ficar de braços cruzados. A “tolerância” poderá ser, tantas vezes, uma desculpa que serve para disfarçar a indiferença, a demissão das responsabilidades, o comodismo.

• Clarificar situações. «Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano

A Igreja tem o direito e o dever de pronunciar palavras de denúncia e de condenação, diante de actos que afectam gravemente o bem comum, como a vida, a liberdade, a saúde, etc.

No entanto, Devemos, porém,  distinguir claramente entre a pessoa que erra e os seus actos errados. As acções erradas devem ser condenadas; os que cometeram essas acções devem ser vistos como irmãos, a quem amamos, a quem acolhemos e a quem oferecemos sempre outra oportunidade de recomeçar.

 

c) Um serviço de amor. «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei

Que sejamos como a mãe que trata uma ferida do filho: causa-lhe o mínimo de sofrimento. Mas seria uma crueldade inaceitável deixá-la sem a curar.

Uma das características destes tempos de descristianização é uma indiferença grande perante o descaminho das pessoas, mesmo quando são da mesma família. Parece que tudo está bem. Mas nós temos por missão ser luz, sal e fermento de uma nova humanidade.

As nossas comunidades cristãs, à semelhança dos primeiros cristãos de Jerusalém, deviam ser comunidades fraternas onde se notam as marcas do amor. Os que estão de fora deviam olhar para nós e dizer: “eles são diferentes, são uma mais valia para o mundo, porque amam mais do que os outros”. Quem, todavia, contempla as nossas comunidades, não descobre somente as marcas do amor, mas também as marcas da insensibilidade, do egoísmo, do confronto, do ciúme, da inveja. Os estranhos, os doentes, os necessitados, os débeis, os marginalizados não são acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor.

A Eucaristia, serviço de Amor do nosso Deus, é uma celebração do Amor de Deus por nós e convite a quem procuremos crescer no amor fraterno. É o compromisso de quem viaja em conjunto, da terra para o Céu.

A mestra do amor, por excelência, numa família, é a Mãe. Maria ensina-nos a amar as outras pessoas como a nós mesmos.

 

Fala o Santo Padre

 

«A correcção fraterna não é uma reacção à ofensa de que se foi vítima,

mas é movida pelo amor ao irmão.»

 

As Leituras bíblicas da Missa deste domingo convergem sobre o tema da caridade fraterna na comunidade dos crentes, que tem a sua nascente na comunhão da Trindade. O apóstolo Paulo afirma que toda a Lei de Deus encontra a sua plenitude no amor, de modo que, nas nossas relações com os outros, os dez mandamentos e qualquer outro preceito se resumem nisto: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (cf. Rm 13, 8-10). O texto do Evangelho, tirado do capítulo 18 de Mateus, dedicado à vida da comunidade cristã, diz-nos que o amor fraterno exige também um sentido de responsabilidade recíproca, pelo que, se o meu irmão comete uma falta contra mim, devo usar de caridade para com ele e, antes de tudo, falar-lhe pessoalmente, recordando-lhe que quanto disse ou fez não é bom. Este modo de agir chama-se correcção fraterna: ela não é uma reacção à ofensa de que se foi vítima, mas é movida pelo amor ao irmão. Santo Agostinho comenta: «Aquele que te ofendeu, ao ofender-te, causou em si mesmo uma ferida grave, e não te preocupas tu pela ferida de um teu irmão? ... Deves esquecer a ofensa que recebeste, mas não a ferida de um teu irmão» (Discursos 82, 7).

E se o irmão não me ouve? No evangelho de hoje Jesus indica uma gradualidade: primeiro, voltar a falar-lhe com outras duas ou três pessoas, para o ajudar a dar-se conta do que fez; se, mesmo assim, ele não aceita a observação, é preciso dizê-lo à comunidade; e se não ouve nem sequer a comunidade, é necessário fazer-lhe sentir o afastamento que ele mesmo causou, separando-se da comunhão da Igreja. Tudo isto indica que há uma co-responsabilidade no caminho da vida cristã: cada um, consciente dos próprios limites e defeitos, está chamado a aceitar a correcção fraterna e a ajudar os outros com este serviço especial.

Outro fruto da caridade na comunidade é a oração concorde. Jesus diz: «Se dois de entre vós se unirem, na terra, para pedir qualquer coisa, obtê-la-ão de Meu Pai que está nos céus. Pois onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 19-20). Certamente a oração pessoal é importante, aliás, indispensável, mas o Senhor garante a sua presença à comunidade que — mesmo se for muito pequena — está unida e é unânime, porque reflecte a própria realidade de Deus Uno e Trino, comunhão perfeita de amor. Orígenes dizia que «nos devemos exercitar nesta sinfonia» (Comentário ao Evangelho de Mateus 14, 1), ou seja, nesta concórdia no âmbito da comunidade cristã. Devemos exercitar-nos quer na correcção fraterna, que exige muita humildade e simplicidade de coração, quer na oração, para que se eleve a Deus de uma comunidade deveras unida em Cristo. Peçamos tudo isto por intercessão de Maria Santíssima, Mãe da Igreja, e de São Gregório Magno, Papa e Doutor, que ontem recordamos na liturgia.

 

 Papa Bento XVI, Castel Gandolfo, 4 de Setembro de 2011

 

Oração Universal

 

Sentindo a responsabilidade do Baptismo

que nos tornou filhos de Deus e irmãos de todos,

unamos a nossa oração à de Jesus Cristo,

pedindo por todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando):

 

    Fazei de nós, Senhor, uma só família!

 

1. Por todos Pastores da Igreja de Jesus Cristo,

    para que sejam verdadeiras sentinelas da fé,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor, uma só família!

 

 

2. Pelos pais de famílias da nossa comunidade,

    para que sejam, para os filhos, sinais de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor, uma só família!

 

3. Por nós que celebramos a Páscoa do Senhor,

    para que estejamos atentos a todas as pessoas,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor, uma só família!

 

4. Pelos que se vivem das culturas do campos,

    para que o Senhor lhes conceda boas colheitas,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor, uma só família!

 

5. Pelos que procuram e não encontram emprego,

    para que o Senhor os socorra na sua angústia,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor, uma só família!

 

6. Pelos que Deus já chamou à Sua Presença,

    para que O contemplem na luz eterna do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor, uma só família!

 

Senhor, que nos criastes para vivermos

como uma só família em solidariedade

neste caminhar da terra para o Céu:

ajudai-nos a viver este Vosso mandato

para merecermos alcançar na vida

as Vossas promessas de Salvação.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Palavra de Deus ilumina a nossa vida, para caminharmos decididamente até ao Céu. A força para caminhar vem-nos dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia.

Pão e Palavra são as duas ajudas indispensáveis para  chegarmos desta vida ao Céu.

O Senhor misericordioso tudo providenciou. Depois de nos ter iluminado com a Sua Palavra, prepara agora para nós a Mesa da Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: O pão e o vinho que vos trazemos, B. Salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, fonte da verdadeira devoção e da paz, fazei que esta oblação Vos glorifique dignamente e que a nossa participação nos sagrados mistérios reforce os laços da nossa unidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Saudação da Paz

 

Cada filho de Deus deve ser um construtor da verdadeira paz que só Deus nos pode conceder.

Colaboremos generosamente no acolhimento a este dom divino, acolhendo a paz em nossos corações.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Comungar é unir-se sacramentalmente a Jesus Cristo, verdadeiro deus e verdadeiro Homem. É, portanto, a maior maravilha do amor de Deus para connosco, dando-Se-nos como alimento.

Procuremos corresponder a tanta condescendência divina, comungando com a pureza, humildade e devoção de Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: Se vos amardes uns aos outros, F. da Silva, NRMS 22

Salmo 41, 2-3

Antífona da comunhão: Como suspira o veado pela corrente das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor. A minha alma tem sede do Deus vivo.

 

Ou

Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais e fortaleceis à mesa da palavra e do pão da vida, fazei que recebamos de tal modo estes dons do vosso Filho que mereçamos participar da sua vida imortal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Somos, por vocação, sentinelas vigilantes e solícitas das pessoas que vivem connosco, sempre disponíveis para as ajudar. Assim vivemos a nossa corresponsabilidade na vida cristã.

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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