22º Domingo Comum

31 de Agosto de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aproximai- vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Salmo 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para àqueles que Vos invocam.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Muitas vezes, as pessoas esperam colher não o que semearam, mas outros produtos com que sonharam.

Afastaram os crucifixos das escolas, dos edifícios públicos e dos hospitais; ensinaram à juventude, não as virtudes humanas, mas o prazer seguro, incitando-os ao vício; pregou-se a falta de respeito pela vida, incitando as pessoas ao aborto e à contracepção, prometendo os desmandos sem risco.

Estamos a colher os frutos envenenados desta sementeira de morte. Se nos tiram o crucifixo, quem nos conforta? Se o governo assume oficialmente a atitude de faltar ao respeito à vida matando crianças, por que a hão-de respeitar os bandidos que nos assaltam os bancos, as casas de comércio e as pessoas particulares?

Retomar a cruz e colocá-la no lugar a que tem direito na nossa vida é o único remédio para renovar o mundo. 

 

Acto penitencial

 

É uma tentação fácil lamentar-se de tudo o que acontece, procurando sempre nos outros os verdadeiros culpados do que está a acontecer.

O Senhor pede-nos que nos deixemos sentar no banco dos réus, pedindo humildemente perdão da culpa que temos em tudo o que está a acontecer e prometamos, com a Sua ajuda, emenda e vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para as nossas queixas irresponsáveis da situação do mundo,

    esquecendo que a mudança tem de começar pelo nosso coração,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a nossa falta de respeito pela verdade e pela vida humana,

    ao mesmo tempo que reclamamos mais segurança para nós,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a rejeição que fazemos da cruz de Cristo na nossa vida de cada,

    ao mesmo tempo que protestamos contra a falta de segurança,

    Senhor, misericórdia!

 

Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Jeremias descreve a sua experiência de “cruz”. Seduzido por Jahwéh, Jeremias colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e dos seus projectos.

Nesse “caminho”, ele teve que enfrentar os poderosos e pôr em causa a lógica do mundo; por isso, conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição… É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Jahwéh no seu coração e vivem  coerentemente com os valores de Deus.

 

 

Jeremias 20, 7-9

7Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me dominastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; 8porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!» E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. 9Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, Não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.

 

Este texto é uma parte de uma das chamadas «confissões de Jeremias», as dolorosas lamentações do Profeta numa situação tremendamente dramática, após a trágica morte do rei Josias; prisioneiro da paixão por Deus, que o leva ao cumprimento fiel da sua espinhosa missão profética, Jeremias sente a repugnância instintiva do sofrimento que este desempenho lhe causa, pois isto era o pretexto para os seus adversários o acusarem de ser ele o culpado de todas as desgraças que desabavam sobre o povo, desgraças que haviam de culminar na conquista e destruição de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 a. C. e no exílio de Babilónia. Jeremias chega ao ponto de, em dolorosos desabafos, amaldiçoar a sua vida, mas, ao mesmo tempo, mostrando uma inquebrantável confiança em Deus. Deixou-nos os mais belos textos literários que exprimem o drama da dor humana de um homem de fé: a fina e delicada sensibilidade de Jeremias como que se revolta, chega ao paroxismo e desata em doridos desabafos que se devem entender não como gritos de revolta, mas como queixumes ditados pela confiança e abandono nas mãos do Senhor. Deste texto depreende-se claramente a sobrenaturalidade da sua vocação profética: se este carisma fosse algo de imanente, não faria sentido que se queixasse a Deus de o ter seduzido – «Vós me seduziste, Senhor» (v. 7) – e de não conseguir dominar o impulso interior que o levava a profetizar: «mas havia no meu coração um fogo ardente… Procurava contê-lo, mas não podia» (v. 9). Pelas provações que teve de sofrer, o profeta celibatário, é considerado como uma figura de Cristo, casto e sofredor.

A notável obra do profeta de Anatot encontra-se muito desordenada, sem uma sequência natural, em parte ter sido mandada queimar pelo rei Joaquim; os seus oráculos, postos por escrito pelo seu secretário Baruc, foram recolhidos de modo muito disperso, como é fácil de verificar. As confissões de Jeremias encontram-se em: Jer 11, 18 – 12, 6; 15, 10-21; 17, 14-18; 18, 18-23; 20, 7-18.

 

Salmo Responsorial    Sl 62 (63), 2.3-4.5-6.8-9 (R. 2b)

 

Monição: O salmista suspira pelo encontro com Deus, que manifesta o Seu poder e bondade no Templo. Convida-nos a proclamar que só n’Ele se encontra  a salvação  e refúgio.

Façamos dele a nossa oração cheia de confiança filial.

 

 

Refrão:        A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

 

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.

A minha alma tem sede de Vós.

Por Vós suspiro,

como terra árida, sequiosa, sem água.

 

Quero contemplar-Vos no santuário,

para ver o vosso poder e a vossa glória.

A vossa graça vale mais do que a vida;

por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

 

Assim Vos bendirei toda a minha vida

e em vosso louvor levantarei as mãos.

Serei saciado com saborosos manjares,

e com vozes de júbilo Vos louvarei.

 

Porque Vos tornastes o meu refúgio,

exulto à sombra das vossas asas.

Unido a Vós estou, Senhor,

a vossa mão me serve de amparo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta aos Romanos, convida os cristãos a oferecerem toda a sua existência de cada dia ao Altíssimo. Esta oferta é o sacrifício mais agradável ao nosso Deus.

O que é que significa oferecer a Deus toda a existência? Significa, de acordo com o Apóstolo, não nos conformarmos com a lógica do mundo, aprendendo a discernir os planos de Deus e a viver em consequência com eles.

 

Romanos 12, 1-2

1Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa, viva, agradável a Deus, como culto racional. 2Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito.

 

Aqui S. Paulo começa a parte moral ou exortatória (12 – 15) da sua epístola, com a energia própria da sua autoridade de Apóstolo dos gentios. Foram precisamente estas palavras que deram ao pecador Agostinho para a sua conversão definitiva (Confissões).

1 «Vos ofereçais a vós mesmos como vítima…». Este apelo, com que S. Paulo inicia a parte moral ou parenética da epístola, está em perfeita consonância com aquele de S. Pedro (cf. 1 Pe 2, 5): pode-se ver aqui uma bela exortação a exercitarmos a alma sacerdotal vivendo o «culto racional», isto é, espiritual, de que fala; é um obséquio da mente a Deus, próprio do sacerdócio baptismal, comum a todos os fiéis. «A vós mesmos», à letra, «os vossos corpos», não no sentido de «o organismo físico do corpo humano», mas no sentido de «a própria pessoa», como neste caso e noutros se entende o termo sôma.

2 «Não vos conformeis com este mundo», isto é, o mundo em oposição aos planos de Deus, não propriamente as realidades mundanas, mas o «mundanismo», que a 1ª de João sintetiza em «concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e estilo de vida orgulhoso» (1 Jo 2, 16). Conformar-se com este mundo é amoldar-se ao estilo de vida mundana, adoptar a sua escala de valores.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: O Evangelho proclama para todos nós a esperança de uma felicidade que não tem fim, em comunhão com a Santíssima Trindade e com todos os bem-aventurados no Céu.

Aclamemos o Evangelho que nos enche de alegria com tão belas promessas.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 21-27

Naquele tempo, 21Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. 22Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!» 23Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». 24Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 25Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. 26Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? 27O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras».

 

Aqui começa o que se pode considerar a 2ª parte do ministério de Jesus, em que Ele é apresentado em Mateus a caminho de Jerusalém (Mt 16, 21 – 20, 34), que é o caminho da Cruz, uma dura realidade que Ele «começou a explicar» (v. 21), depois que estavam suficientemente seguros de que Jesus era o Messias (cf. Mt 16, 16).

23 «Vai-te daqui, Satanás». Pedro faz o mesmo papel do diabo, ao tentar desviar Jesus da sua missão, por isso ouve a mesma resposta (cf. Mt 4, 10). E ouve estas duras palavras, depois de, pouco antes, ter sido proclamado «bem-aventurado» (Mt 16. 17); então, tinha-se deixado mover pelo espírito de Deus; e agora, pelo seu próprio espírito.

24-27 Esta passagem evangélica, em termos fortemente paradoxais – um recurso semítico frequente em Jesus para chamar a atenção para um ensinamento importante e a não esquecer –, é uma daquelas que todos os cristãos deviam saber de cor, a par com as outras fórmulas do catecismo (cf. Cathechesi tradendæ). Aceitar e abraçar a cruz é fundamental para o homem alcançar a salvação: para viver é preciso morrer. O fim do homem é o próprio Deus, não é gozar dos bens deste mundo, que são puros meios. Para se chegar a Deus é preciso renegar-se a si mesmo, renunciando ao comodismo, egoísmo, apego aos bens terrenos, e «tomar a sua cruz», abraçando os sacrifícios que acarreta o dever bem cumprido. Na expressão do Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015: «O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças».

 

Sugestões para a homilia

 

•  A nossa missão no mundo

Seduzidos por Deus

Temos vocação de profetas

Fidelidade dolorosa

• Seguir Jesus Cristo

Vencer a repugnância do sofrimento

Carregar a Cruz

Confiar no Senhor

 

Jeremias nasceu na Terra Santa por volta do ano 650 A. C. E foi chamado à missão profética aos 23 anos, no reino de Judá. Exerceu o seu ministério entre pouco antes da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilónia (486 A. C.).

Viveu num período de grande instabilidade, e injustiças sociais gritantes e de infidelidade religiosa. Joaquim (609-597) e Sedecias (597-586) eram reis fracos, incapazes de governar o país naquela difícil conjuntura internacional e manter a neutralidade entre as duas grandes potências (Egipto e Babilónia).

O povo não o compreendeu nem acolheu a sua mensagem como vinda de Deus e considerava-o “profeta da desgraça”, porque o chamava à conversão pessoal. Ontem, como hoje, as pessoas não gostam de exigência que as obriga a mudar.

Jeremias foi continuamente objecto de desprezo e de irrisão e todos o maldiziam e afastavam-se, mal ele abria a boca. Era homem bom, sensível e delicado sofria terrivelmente pelo abandono e pela solidão a que a missão profética o condenava. Amava a Pária e queria ser fiel a Deus.

É neste contexto que há-de ser compreendida a sua mensagem, proclamada neste Domingo (1ª leitura).

 

1. A nossa missão no mundo

 

a) Seduzidos por Deus. «Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me dominastes e vencestes

Deus chama cada pessoa a uma vocação concreta. Ao criar-nos, escolheu para nós uma vocação — um caminho de santificação — que somos livres em aceitar ou rejeitar.

Toda a entrega da nossa vida a Deus é um acto de confiança n’Ele. Uma pessoa enamora-se de Deus e entrega-se com alegria. (Nos mosteiros de clausura — carmelos, Cartuxa, etc., não faltam vocações).

Não há calculismo nem se trata de um negócio, mas uma entrega sem condições, para toda a vida. Sabemos que não desilude ninguém, nem falta às Suas promessas.

(Também no amor humana, a entrega que fazem os dois um ao outro, no matrimónio, é uma acto de confiança nas suas palavras).

Quando dois jovens — depois de se terem preparado cuidadosamente — se casam por verdadeira vocação, ou caminham para o sacerdócio ministerial, imaginam o que o Senhor lhes vai pedir na vida?

Dar um passo na vocação é assinar ao fundo de uma folha em branco. Quando as pessoas vão para o casamento ou para qualquer outro caminho vocacional, a sonhar com mundos de felicidade (leia-se “egoísmo”) acabam desiludidas. No casamento, confiam um no outro e os dois em Deus.

 

b) Temos vocação de profetas. «E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias

Também a cada um de nós, pelo Baptismo, o Senhor dá a participação na Sua missão profética. Jesus é a Palavra do Pai, transmitindo-nos a Sua vontade; nós somos profetas de Jesus Cristo, anunciando, pela vida e pela palavra, os Seus desígnios.

Para cumprirmos esta missão, temos necessidade de procurar formação doutrinal: Sagrada Escritura, catecismo da Igreja Católica e outros meios de formação. Como poderíamos anunciar a vontade de Deus, se a não conhecêssemos?

Jeremias preparou-se cuidadosamente na escola do templo de Jerusalém para conhecer e proclamar a vontade do Senhor.

Não somos policias de costumes, mas irmãos que ajudamos os outros a caminhar ao encontro do Senhor, com uma palavra amiga, um conselho e, sobretudo, pelo testemunho de vida.

Os primeiros encarregados desta missão em relação aos filhos são os pais. Devem iniciá-los na vida cristã, pela doutrina acessível à inteligência da criança, pela oração e pelo exemplo.

(Chateaubriant, autor de O Génio do cristianismo, conta, em palavras que não esquecem mais, a exemplo que receia do seu pai, ainda quando era criança. “Quando via o meu pai, depois de um dia esgotante de trabalho, fazer oração em família, rezando o terço, pensava: ‘ Que importante deve ser Deus para que o meu pai, mesmo tão cansado, não se sinta dispensado de Lhe rezar’. E quando via que, às vezes, se deixava vencer pelo sono, pensava: ‘Como deve ser bom o nosso Deus, porque condescende com o meu pai que dormita durante a oração, por causa da fadiga!’”).

Mas todos nós incumbidos pelo Senhor de sermos luz para os outros, fermento de um mundo novo. Não somos cristãos apenas dentro da Igreja.

 

c) Fidelidade dolorosa. «Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia

 Jeremias sofre na sua missão, principalmente por dois motivos:

— Ama a sua Pátria e vê que ninguém o escuta para a afastar do perigo de destruição que a ameaça.

— Gosta de ter amigos, ser simpático, mas vê-se ridicularizado por ser sincero com todos e dizer a verdade. Repetem-lhe, como escárnio, as palavras que diz: “Terror por toda a parte!”

Sofre a tentação de deixar de falar e viver como vivem, sem preocupações, mas o Espírito de Deus exige-lhe amorosamente que continue a falar. Ela confessa que sentia dentro de si o fogo do amor de Deus que o levava a falar, queria abafá-lo, mas não conseguia.

Hoje continua a mesma tentação: cai no ridículo o casal que aceita mais do que um ou dois filhos; ridiculariza-se um casal que permanece na fidelidade por toda a vida; coloca-se uma etiqueta de beato (“escova”) naquele que trabalha com seriedade, se abstém de conversas imorais e não pactua com negócios escuros.

Somos tentados a deixar correr, sem nos preocuparmos. Parece o mais fácil e cómodo, mas não é o que Deus quer.

Como o salmista, voltamo-nos para o Senhor com toda a confiança e rezamos: «A minha alma tem sede de Vós, meu Deus

 

2. Seguir Jesus Cristo

 

a) Vencer a repugnância do sofrimento. «Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de [...] sofrer [...]; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia

O sofrimento repugna-nos naturalmente e mete-nos medo. Jesus Cristo, no Horto, quis revelar-nos a Sua fraqueza neste ponto. Também Ele pediu ao Pai que O livrasse da Paixão. Mas sobrepôs a esta repugnância a vontade do Pai e foi procurar força na oração.

Com as facilidades que a técnica nos oferece, a civilização criou uma civilização sem sacrifício: (Máquinas substituem as forças humanas, os transportes tornaram-se rápidos e seguros, as comunicações com os outros fazem-se a cada momento. Há modos agradáveis de passar o tempo: na TV, ouvindo música, etc.)

Foi Deus que mandou ao homem que dominasse a terra, pela técnica. O erro pode estar no uso das coisas, fugindo de tudo o que custa. É a nossa maior tentação.

E como queremos justificar o nosso proceder, pensamos: “Deus não exige o que custa, como um pai o não faz ao seu filho; isto custa, portanto Deus não o exige!”

Começamos assim, sem darmos por isso, a eliminar a cruz.: primeiro, todo o sacrifício; depois, mesmo os Mandamentos da Lei de Deus, porque não nos preparamos desportivamente para os cumprir (como os atletas olímpicos fizeram para ganhar medalhas).

Não faremos nada de meritório na vida, enquanto não formos exigentes connosco mesmos (e os pais com os filhos), perdendo o medo ao sacrifício.

 

b) Carregar a Cruz. «Jesus disse então aos seus discípulos: “Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. [...]»

Renunciar a si mesmo para seguir Jesus Cristo não significa abstermo-nos de tudo o que gostamos. (Os santos encontravam ocasião de renúncia, de sacrifício nas mais pequenas coisas. Escreve a Beata Alexandrina: “Por amor de Jesus e da Mãezinha, fazia sacrificiozinhos como: deixava de me ver ao espelho, chegando a tê-lo muitas vezes à mão, não falava quando me apetecia e vice-versa; deixava de dormir durante a noite para fazer companhia a Jesus. Comungava sacramentalmente poucas vezes, mas vivia unidinha a Ele o mais possível. Consentia que as moscas me mordessem, etc., etc.”

Comovente é também o exemplo dos Pastorinhos nas pequenas mortificações que se lhes ofereciam: não comer o cacho de uvas, tomar o leite que não apetecia, já doente, aguentar as perguntas cansativas dos que os visitavam, etc.)

— O primeiro passo desta renúncia é colocar a vontade de Deus acima da nossa, nas pequenas coisas d cada dia. Muitas vezes ficamos numa via meramente animal, comendo a todas as horas, quando nos apetece, satisfazendo todos os caprichos do corpo, etc. Quando, depois, vem uma tentação, não estamos preparados para a enfrentar. (É nos exercícios repetidos que o desportista se prepara para as grandes provas).

— Aceitemos a cruz da vida, sem descontos: no trabalho profissional bem feito, na dedicação aos filhos, na atenção e ajuda aos outros, na oração fiel de cada dia, etc.

 

c) Confiar no Senhor. «Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la

No Evangelho deste domingo, Jesus coloca, frente a frente, a lógica dos homens (simbolizada em Pedro e concretizada na exclusão da cruz de cada dia) e a lógica de Deus (em Jesus que nos convida a fazer tudo por amor).

A lógica dos homens aposta no poder, no domínio, na riqueza, no triunfo, no êxito; garante-nos que a vida só tem sentido se estivermos do lado dos vencedores, se tivermos dinheiro em abundância, se formos reconhecidos e incensados pelas multidões, se tivermos acesso às festas onde se reúne a alta sociedade, se tivermos lugar no conselho de administração da empresa.

A lógica de Deus aposta na entrega da vida a Deus e aos irmãos; garante-nos que a vida só faz sentido se assumirmos os valores do Reino e vivermos no amor, na partilha, no serviço, na solidariedade, na humildade, na simplicidade. Na minha vida de cada dia, estas duas perspectivas confrontam-se, a par e passo… Qual é a minha escolha? Na minha perspectiva, qual destas duas propostas apresenta um caminho de felicidade seguro e duradouro?

O Senhor põe-nos diante de uma decisão fundamental para a vida. O tempo que passamos na terra é espaço de prova, de opção e conquista de uma eternidade feliz.

No desafio que nos dirige, o Senhor é claro: «Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida

Afinal, para O amarmos e, com este Amor, ganharmos uma eternidade feliz, não é preciso fazer nada de extraordinário. Basta que sejamos fieis nas coisas pequenas de cada dia.

É morrendo por nós que Jesus Cristo nos redime. É entregando-nos a Ele numa vida fiel que seremos felizes para sempre.

Que Nossa Senhora nos guie e acompanhe neste caminho.

 

Fala o Santo Padre

 

«O cristão segue o Senhor quando aceita com amor a própria cruz,

que aos olhos do mundo parece uma derrota e uma “perda da vida”»

 

No Evangelho de hoje, Jesus explica aos seus discípulos que deverá «ir a Jerusalém e sofrer muito por parte dos anciãos e dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar» (Mt 16, 21). Tudo parece inverter-se no coração dos discípulos! Como é possível que «Cristo, o Filho de Deus vivo» (v. 16), possa sofrer até à morte? O apóstolo Pedro revolta-se, não aceita este caminho, toma a palavra e diz ao Mestre: «Deus Te livre de tal, Senhor, isso não há-de acontecer» (v. 22). É evidente a divergência entre o desígnio de amor do Pai, que chega até ao dom do Filho Unigénito na cruz para salvar a humanidade, e as expectativas, os desejos, os projectos dos discípulos. E este contraste repete-se também hoje: quando a realização da própria vida está orientada unicamente para o sucesso social, para o bem-estar físico e económico, já não se raciocina segundo Deus, mas segundo os homens (cf. v. 23). Pensar segundo o mundo significa pôr Deus de lado, não aceitar o seu projecto de amor, impedir-lhe quase de realizar o seu querer sábio. Por isso Jesus diz a Pedro uma palavra particularmente dura: «Afasta-te, Satanás! Tu és para Mim um estorvo» (Ibid.). O Senhor ensina que «o caminho dos discípulos é seguir o Crucificado [ir após Ele]. Nos três Evangelhos explica contudo este segui-l’O no sinal da cruz... como o caminho do “perder-se a si mesmo”, que é necessário para o homem e sem o qual ele não pode encontrar-se a si mesmo» (Jesus de Nazaré, 2007).

Como aos discípulos, assim também a nós Jesus faz o convite: «Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16, 24). O cristão segue o Senhor quando aceita com amor a própria cruz, que aos olhos do mundo parece uma derrota e uma «perda da vida» (cf. vv. 25-26), sabendo que não a carrega sozinho, mas com Jesus, partilhando o seu mesmo caminho de doação. Escreve o Servo de Deus Paulo VI: «Misteriosamente, o próprio Cristo, para desenraizar do coração do homem o pecado de presunção e manifestar ao Pai uma obediência total e filial, aceita... morrer na cruz» (Ex. ap. Gaudete in Domino (9 de Maio de 1975), AAS 67, [1975], 300-301). Aceitando a morte voluntariamente, Jesus carrega a cruz de todos os homens e torna-se fonte de salvação para toda a humanidade. São Cirilo de Jerusalém comenta: «A cruz vitoriosa iluminou quem estava cego pela ignorância, libertou quem estava preso pelo pecado, trouxe a toda a humanidade a redenção» (Catechesis Illuminandorum XIII, 1; de Christo crucifixo et sepulto: pg 33, 772 b).

Queridos amigos, confiemos a nossa oração à Virgem Maria e também a Santo Agostinho, do qual hoje se celebra a memória, para que cada um de nós saiba seguir o Senhor pelo caminho da cruz e se deixe transformar pela graça divina, renovando — como diz são Paulo na liturgia de hoje — o modo de pensar «a fim de conhecerdes a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é agradável e o que é perfeito» (Rm 12, 2).

 

Papa Bento XVI, Castel Gandolfo, 28 de Agosto de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Imploremos a ajuda do Senhor misericordioso,

para que nos conceda a graça da fidelidade,

nas pequenas e grandes dificuldades de cada dia.

Oremos (cantando):

 

    Ensinai-nos, Senhor, a fazer a Vossa vontade!

 

1. Pelo Santo Padre e pelos Bispos, arautos de Deus,

    para que o Senhor os ilumine na sua missão salvadora,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a fazer a Vossa vontade!

 

2. Pelos evangelizadores que lutam com dificuldades,

    para que o Senhor os encha de fortaleza na sua missão,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a fazer a Vossa vontade!

 

3. Pelos cristãos perseguidos por ódio à nossa fé,

    para que o Espírito Santo os sustente na fidelidade,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a fazer a Vossa vontade!

 

4. Pelos pais em dificuldade para educar os filhos,

    para que os ajudem com o exemplo, palavra e oração,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a fazer a Vossa vontade!

 

5. Pelos doentes tentados a se revoltar-se contra cruz,

    para que vejam nela um tesouro par eles e para os outros,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a fazer a Vossa vontade!

 

6. Pelos nosso irmãos que já partiram desta vida,

    para que o Senhor os purifique e entrem no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, a fazer a Vossa vontade!

 

Ó Deus, Pai omnipotente e misericordioso,

que nos chamastes a esta vida na terra,

para recebermos, depois como prémio,

uma eternidade feliz na comunhão celeste.

Ajudai-nos a levar com alegria a nossa cruz,

para merecermos o prémio que nos prometeis.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois de nos ter sentado à Mesa da Palavra, o Senhor quer ser agora para nós o Pão da Vida, na Santíssima Eucaristia.

Recolhamo-nos, pois, e avivemos a nossa fé, para vivermos estes momentos que actualizam o que se passou no Cenáculo e no Calvário.

 

Cântico do ofertório: Sois, Jesus, o meu Deus, M. Borda, NRMS 107

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Saudação da Paz

 

A paz é uma conquista nem sempre fácil, porque exige a renúncia aos nossos caprichos e a que abracemos a cruz que o Senhor nos entregou.

Sem vencer este medo ao sacrifício, o egoísmo não nos deixa saborear a alegria e a paz.

Com o desejo de sermos fieis ao Senhor,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Para carregarmos a cruz de cada dia e não nos deixarmos vencer pela cobardia do medo ao que exige sacrifício, precisamos que nos alimentarmos com o alimento divino da Santíssima Eucaristia.

Nunca somos dignos de um Dom tão precioso, como é o Corpo e Sangue do Senhor. Preparemo-nos, pois, com fé, amor e devoção para O recebermos.

 

 

Cântico da Comunhão: Somos todos convidados, F. da Silva, NRMS 40

Salmo 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

 

Ou

Mt 5, 9-10

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deixemos de nos queixarmos das cruzes de cada dia, até porque  a queixa não as torna mais leves.

Ajudemos os nossos irmãos a encarar a vida com o optimismo de filhos de Deus.

 

Cântico final: Eu quero viver na tua alegria, H. Faria, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

22ª SEMANA

 

2ª Feira, 1-IX: A Boa Nova de Cristo crucificado.

1 Cor 2, 1-5 / Lc 4, 16-30

Ao ouvirem estas palavras todos, na sinagoga, ficaram furiosos. Ergueram-se então e expulsaram Jesus da cidade.

Jesus apresenta-se na sinagoga de Nazaré e explica aos seus conterrâneos a sua missão. Inaugura o anúncio da Boa Nova, citando uma passagem de Isaías (Ev.). É mal recebido, não encontrando boas disposições nos seus ouvintes.

S. Paulo recorda aos Coríntios que a sua pregação da Boa Nova foi muito simples e apoiava-se em Cristo crucificado (Leit.). Para entendermos melhor os planos de Deus é necessário termos uma fé maior, que não se apoia na sabedoria humana, mas na força de Deus (Leit.).

 

3ª Feira, 2-IX: O homem natural e o homem espiritual.

1 Cor 2, 10-16 / Lc 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha um espírito de um demónio impuro.

Nas Leituras de hoje encontramos pessoas que têm tipos de espírito diferentes.

O primeiro é o que tem o espírito de um demónio (Ev.), e que representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar de Satanás e do pecado. O segundo é o homem natural (Leit.), que não aceita o que vem de Deus, o que para ele é uma loucura e, portanto, não pode entendê-lo. O terceiro é o homem espiritual (Leit.), que se deixa guiar pelo pensamento de Cristo e, a essa luz, julga todos os acontecimentos e pessoas.

 

4ª Feira, 3-IX:Aprender a ver as coisas como Deus as vê.

1 Cor 3, 1-9 / Lc 4, 38-44

Não pude falar-vos como a homens que têm o Espírito de Deus, mas como a homens puramente naturais.

S. Paulo queixa-se da falta de dimensão sobrenatural dos Coríntios, pois têm uma visão demasiadamente humana (Leit.).

O comportamento de Jesus indica-nos os meios para adquirirmos essa dimensão sobrenatural. Em primeiro lugar, a oração: «ao romper do dia, Jesus dirigiu-se a um sítio ermo» (Ev.). Depois,. o conhecimento do Evangelho: «Tenho que ir às outras cidades anunciar a Boa Nova do reino de Deus» (Ev.). Pela oração e pelo Evangelho aprendemos a ver as coisas como Deus as vê.

 

5ª Feira, 4-IX: A sabedoria humana e a sabedoria divina.

1 Cor 3, 18-23 / Lc 5, 1-11

Simão: Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, largarei as redes.

Diz S. Paulo que «a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus» (Leit.). Assim aconteceu com os pescadores no lago de Genezaré (Ev.). Passaram uma noite inteira sem nada apanhar (eles eram os especialistas humanos da pesca) mas, com a sabedoria de Deus, apanharam uma grande quantidade de peixes.

Na nossa vida cristã de pouco serve só o nosso esforço, o emprego exclusivo dos meios humanos. Precisamos contar sempre com a ajuda do Senhor, com a sua sabedoria, com os seus ensinamentos, com o seu exemplo.

 

6ª Feira,  5-IX: Como receber bem as graças e os ensinamentos do Senhor.

1 Cor 4, 1-5 / Lc 5, 33-39

Ninguém recorta um remendo de um vestido novo, para o deitar em vestido velho. E ninguém deita vinho novo em odres velhos.

Com estas comparações, Jesus quer recordar-nos que a nossa alma deve estar bem preparada e limpa para receber as graças de Deus e os ensinamentos contidos na Boa Nova. Contudo, os pecados veniais, as faltas de correspondência às inspirações do Espírito Santo, o pouco empenho na luta espiritual, contribuem para 'envelhecer' a alma.

O mesmo se poderia dizer de certos hábitos 'velhos' de criticar frequentemente os outros. Essa tarefa compete a Deus, de acordo com o que diz S. Paulo: «não façais qualquer juízo antes de tempo, enquanto o Senhor não vier» (Leit.).

 

Sábado, 6-IX: Aprender a perdoar.

1 Cor 4, 6-15 / Lc 6, 1-5

Insultados, bendizemos; perseguidos, aguentamos; difamados, dizemos palavras de consolação.

Recorda S. Paulo o modo como os primeiros cristãos viveram a caridade, quando tiveram que suportar calúnias, insultos e difamações (Leit.). Deste modo, imitaram o Senhor, que perdoa todos os pecados.

Temos que amar, em Deus e com Deus, as pessoas que não nos agradam. E olhá-las como as olhava Cristo: «Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro o olhar de amor de que ele precisa» (DeA, 18). Jesus compreendeu a atitude de David e seus companheiros, porque tiveram fome, e comeram dos pães do santuário (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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