20º Domingo Comum

17 de Agosto de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor que nos dais guarida, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 83, 10-11

Antífona de entrada: Senhor Deus, nosso protector, ponde os olhos no rosto do vosso Ungido. Um dia em vossos átrios vale mais de mil longe de Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No evangelho de hoje Jesus apresenta-nos o exemplo bonito da cananeia, que é para nós lição de fé e de oração humilde.

Vamos aprender com ela, para viver bem este encontro com o Senhor e pedir-Lhe hoje de modo particular pelos emigrantes.

 

A primeira manifestação de humildade é reconhecer os nossos pecados. Examinemo-nos com valentia e sinceridade e peçamos perdão.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías lembra que a salvação é para todos os povos e a Igreja está aberta a todos os homens.

 

 

Isaías 56, 1.6-7

1Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. 6Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, 7hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos».

 

O profeta fala-nos do convite amoroso que Deus faz a todos os homens para pertencerem ao seu Povo. Ele quer verdadeiramente a salvação de todos os povos. Este belo texto, com que se inicia o «Terceiro Isaías», fala-nos da admissão dos estrangeiros dentro da comunidade judaica, mas com a condição de que se sujeitem à observância da Lei, no referente às práticas cultuais; esses viriam a ser os prosélitos. Esta visão universalista – «a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos» – prepara a catolicidade da Igreja de Cristo, mas ainda fica muito longe dela, ao mover-se dentro do âmbito do povo antigo de Deus, balizado pelo culto e pelas práticas judaicas.

 

Salmo Responsorial    Sl 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4)

 

Monição: O salmo canta o senhorio de Deus sobre todos os povos, animando-os a todos a louvar ao Senhor.

 

 

Refrão:        Louvado sejais, Senhor,

pelos povos de toda a terra.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os vossos caminhos

e entre os povos a vossa salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu temor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus chamou os judeus e os pagãos à fé. Os pagãos acolheram com mais entusiasmo o Evangelho. Tantos povos novos dão hoje exemplo aos de antiga cristandade, que estão amortecidos na sua fé.

 

 

Romanos 11, 13-15.29-32

Irmãos: 13É a vós, os gentios, que eu falo: Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério 14a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. 15Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? 29Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. 30Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. 31Assim também eles desobedeceram agora, devido à misericórdia que alcançastes, para que, por sua vez, também eles alcancem agora misericórdia. 32Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.

 

Porque Deus só quer o bem dos seus filhos, não se deixa vencer pelas nossas misérias. Até se serve delas, por vezes, para que nos resolvamos a voltar aos caminhos do seu amor, beneficiando da sua Misericórdia. É nesta ordem de ideias que se move S. Paulo ao afirmar que a infidelidade de Israel não será definitiva.

13-14 «Os gentios». A maior parte dos cristãos de Roma, na altura da redacção da carta, isto é, pelo ano 57, seriam procedentes da gentilidade. S. Paulo diz que, com a sua missão de trazer ao Reino de Deus os gentios, espera provocar a emulação dos judeus que, ao verem os frutos do Evangelho no mundo pagão, se sentirão atraídos para dele virem a participar.

15 O Apóstolo futura os maiores bens de salvação com essa conversão dos judeus; será como um regresso à vida de muitos mortos. Hoje não se interpreta esta passagem no sentido de que a conversão dos judeus seja um sinal do fim do mundo; com efeito, «um regresso de mortos à vida» não indica a ressurreição final, mas simplesmente a vinda do povo judeu à fé e à vida em Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 4, 2

 

Monição: A fé da cananeia anima-nos a ouvir com entusiasmo a Jesus, que está aqui junto de nós, com o mesmo poder de há dois mil anos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Jesus proclamava o evangelho do reino

e curava todas as doenças entre o povo.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 15, 21-28

21Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. 22Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». 23Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». 24Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». 25Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». 26Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». 27Mas ela replicou: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». 28Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.

 

Este episódio da mulher cananeia também aparece contado em Marcos (Mc 7, 24-30), que a chama siro-fenícia e que tem o cuidado de não incluir o v. 24 de Mt – «não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel» –, que lhe constaria da tradição, mas que era demasiado duro para os seus destinatários imediatos, os cristãos de Roma, na maioria de origem gentílica. Jesus vem para todos os homens, mas estava nos seus planos pregar directamente apenas aos judeus. Caberia aos Apóstolos virem a evangelizar gentios (cf. Mt 28, 19-20).

21 «Tiro e Sidon»: cidades da costa fenícia, que hoje pertencem ao Líbano. O facto de que ficavam fora da jurisdição de Herodes Antipas, justifica que Jesus estivesse ali mais tranquilo e pudesse cuidar mais intensamente a formação dos seus discípulos.

22-27 A fé desta mulher é descrita de modo impressionante: não desiste apesar de se tornar maçadora (v. 22-23) e de se reconhecer indigna (vv. 24-26); persevera e alcança o que pede (vv. 27-28). As negativas de Jesus revelam uma dureza e desinteresse apenas aparentes, que são a ocasião de se pôr à prova a fé vibrante e humilde daquela pobre mãe aflita. Registamos o comentário do Santo Cura de Ars: «Muitas vezes o Senhor não nos concede logo o que Lhe pedimos. (…) Esse atraso não é uma recusa, mas uma prova que nos dispõe para recebermos mais abundantemente o que Lhe pedimos».

 

Sugestões para a homilia

 

Mulher é grande a tua fé

Agora alcançastes misericórdia

Casa de oração para todos os povos

 

 

Mulher é grande a tua fé

 

Esta cena do Evangelho mostra-nos a fé daquela mulher pagã, vizinha de Israel. Jesus escuta os seus pedidos e exclama admirado : - mulher, é grande a tua fé.

Hoje muitos povos do mundo, onde o cristianismo é minoria, estão a dar lições de fé aos países de antiga cristandade, com uma vida cristã mortiça. Países do terceiro mundo têm os seminários a abarrotar, enquanto os da Europa cristã estão, em muitos casos, às moscas.

Países como a China, onde os cristãos fiéis ao Papa são perseguidos, vão crescendo rapidamente em número de baptizados e vencendo heroicamente as dificuldades, enquanto em Portugal os católicos se vão desleixando mais na prática dominical.

Hoje vamos alargar os nossos horizontes ao mundo inteiro. Temos de sentir as alegrias da fé católica, aberta a todos os homens, a todas as línguas, a todas as raças.

O santo Padre Francisco anima-nos na Exort. Apost. A alegria do Evangelho.: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria…

O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem.”(1 e 2)

 Temos de sentir a responsabilidade pela salvação de todos. E a coragem de aprender com os irmãos de outros países, que não tendo as riquezas materiais nem as de tantas tradições cristãs como nós, são mais generosos e sacrificados ao viver a novidade do Evangelho.

E a fé, como na cananeia, há-de levar-nos a confiar em tudo em Jesus, aceitando sem discutir o que nos ensina através da Sua Igreja. Há-de levar-nos a rezar com insistência, alcançando para nós e para o mundo as graças que necessitamos.

À medida que vai aumentando o dinheiro pode vir a tentação de pensar que já nem precisamos de Deus ou que as comodidades nos podem alcançar a felicidade. Isto pode acontecer com os emigrantes. E pode acontecer com todos nós. É o perigo da abundância, com graves consequências para a fé. E para todas as civilizações ao longo dos séculos, pois lhes acarretou a corrupção e a destruição.

Em Fátima, há noventa e sete anos, a Virgem insistiu na oração e na mortificação, como elementos fundamentais para a renovação da nossa vida, para essa conversão contínua que leva a seguir fielmente a vontade de Deus e permite alcançar a santidade.

Essa oração atrai as graças de Deus para nós e para os outros e evita as desgraças que pairam sobre a Humanidade e que estão ligadas com os pecados dos homens.

Através da Virgem, pelo terço diário, como Ela pediu, refugiando-nos em Seu Coração Imaculado alcançamos de Deus o perdão e a paz para nós e para o mundo.

A cananeia pedia a Jesus que libertasse a sua filha do demónio. Como ela tantos pais de hoje têm de rezar com persistência que nada faça desanimar, para que os seus filhos se libertem de Satanás e a sua perseverança pelos caminhos do bem. Como fez Santa Mónica com seu filho Agostinho, que dentro de dias a Igreja vai recordar. Andou dezoito anos a rezar e a chorar por ele. E, como à cananeia, Jesus escutou-a, dando imensamente mais que o que ela pedia.

 

 

Agora alcançastes misericórdia

 

S.Paulo lembra aos pagãos os seus descaminhos antes do baptismo e como agora alcançaram misericórdia.

Lembra-nos também a nós as riquezas da nossa fé. Interessa melhorar a vida económica? Sem dúvida. Os nossos emigrantes fizeram tantos sacrifícios mourejando por outras terras. Mas não devem esquecer que o tesouro maior que têm não é o dinheiro. É a sua fé católica que dá sentido à vida, que dá alegria e força no meio das dificuldades da vida e que dá a garantia da felicidade no céu.

É esse tesouro que têm de procurar antes de mais para seus filhos, cuidando a sério a sua formação cristã. Mandando-os à catequese e ensinando-os em casa, em primeiro lugar com o seu exemplo de vida.

A fé vive-se em ir à missa cada domingo, sem nos desculparmos com trabalhos, com passeios, com distâncias. A prática dominical é fundamental para alimentar a nossa fé e a nossa vida cristã. Em muitos lugares os católicos tornaram-se mais descuidados. Tantos pais são desleixados em mandar os seus filhos à missa durante as férias de verão.

É motivo para nos examinarmos e para ajudar os que vivem a nosso lado, sobretudo da nossa família. O povo diz que vale mais a quem Deus ajuda que quem muito madruga. E tem razão.

Vivamos melhor o nosso domingo. Para muitos hoje o domingo já não é o dia do Senhor. É até, por desgraça, o dia em que se ofende mais a Deus. Vale a pena reagir e organizar-se para que seja dia de descanso e descanso junto do nosso Pai Deus. Para que seja dia de oração e formação cristã. Para que seja dia da família e para ajudar os que mais necessitam.

A nossa fé vive-se em pequenos pormenores tradicionais entre os cristãos :

um quadro da Virgem e um crucifixo, em lugar de honra em nossas casas, presidindo à nossa vida de família. Um medalha de Nossa Senhora ou uma cruz ao peito e não um chifre ou uma ferradura. Alguns com vergonha de parecer cristãos acabam por fazer figura de idiotas, porque a superstição é a pior das idiotices.

Sejamos portadores de Cristo para os que nos rodeiam, lá fora na emigração ou no turismo. Cá dentro, em nossa vida de cada dia. Que os outros, ao ver-nos, sintam a atracção para a figura amável de Jesus Cristo, porque O vêem reflectido no exemplo do nosso trabalho bem feito, em nossa bondade para com todos a começar pelos de casa, e pela nossa alegria e optimismo.

Aconteceu assim com os primeiros cristãos : ao receberem o baptismo já não iam aos espectáculos degradantes dos pagãos, levavam uma vida limpa no meio da imoralidade reinante como agora. Amavam-se uns aos outros, com um amor que assombrava os que os rodeavam, ao ponto de exclamarem, como nos conta um escritor do século II :- vede como eles se amam ! Quando eram condenados ao martírio iam a cantar para a arena, espantando os pagãos embrutecidos pela crueldade dos espectáculos.

É este exemplo que o mundo espera dos cristãos de hoje e que há-de atrair à fé tantos que continuam à procura de Cristo sem o saber.

É este exemplo que nos deixaram os santos. Também os do nosso tempo : S.Josemaria, São Pio de Pietralcina, a beata Teresa de Calcutá, ou S.João Paulo II. Em 25 anos do pontificado deste papa os católicos aumentaram no mundo mais de 38 por cento.

Os emigrantes têm uma missão fundamental neste testemunho nos países onde trabalham. E todos temos esta missão junto dos emigrantes e turistas que vêm até nós.

Contam de Gustavo Doré, famoso pintor francês, que ilustrou muitas cenas da Bíblia, que um dia fez uma viagem ao estrangeiro. Numa cidade pediram-lhe os documentos mas não os encontrou. Levaram-no então às autoridades, a quem declarou:

-Eu sou Gustavo Doré, pintor de Paris.

-Como podemos sabê-lo?

-Dêem-me cinco minutos...

Pegou num papel e, através da janela, começou a desenhar a igreja e a praça em frente. O chefe da polícia exclamou:

-Cavalheiro, não há dúvida da sua identidade.

É pelas obras que temos de mostrar que somos de Cristo e atrair a Ele os que nos rodeiam.

Os emigrantes têm uma missão fundamental neste testemunho nos países onde trabalham. E todos temos esta missão junto dos emigrantes que vêm até nós.

 João Paulo II falou repetidamente da nova evangelização da Europa, que hoje volta a cobrir-se com as trevas do paganismo, mais agressivo que no tempo dos Apóstolos.

Nos Actos dos Apóstolos S.Lucas conta-nos como o Espírito Santo guiou os passos de S.Paulo para trazer o Evangelho à Europa :

“Depois de terem atravessado a Mísia, desceram a Tróade. Durante a noite, Paulo teve uma visão: Apresentava-se diante dele, em pé, um homem da Macedónia que lhe rogava: «Passa à Macedónia e ajuda-nos». Logo que teve esta visão, procurámos partir para a Macedónia persuadidos de que Deus nos chamava a ir lá anunciar a Boa Nova. Tendo-nos, pois, feito à vela de Tróade, fomos directamente a Samotrácia e, no dia seguinte, a Neápolis; daí a Filipos, que é uma colónia romana e cidade principal daquela parte da Macedónia. Nesta cidade nos detivemos alguns dias. No sábado, saímos fora das portas, junto de um rio, onde julgávamos haver um lugar de oração.

É uma mulher, Lídia, a primeira europeia a receber a fé e a trabalhar para espalhá-la à sua volta.

Logo encontrou a perseguição, mas esta não o fez esmorecer.(Cf Act 16, 8-40 )

Temos de aprender com Paulo esta ânsia de comunicar a riqueza da nossa fé aos que nos rodeiam. Sem que nada possa desanimar-nos.

 

 

Casa de oração para todos os povos

 

A Igreja é casa de oração para todos os povos, como lembrava o profeta (1ª leit). Ela está aberta a todos as raças e culturas. Vivendo a nossa fé, mais que ninguém saberemos acolher tantos emigrantes que vêm até nós à procura de melhores condições de vida. O racismo e xenofobia não cabem no coração dum cristão que viva a sério a sua fé.

A melhor garantia do entendimento entre raças e povos não são as ideias, só porque estão na moda, pois sabemos como variam as modas.

Não foram os revolucionários franceses que descobriram as ideias de liberdade, igualdade e fraternidade. Elas vêm de Cristo e só no cristianismo encontram raízes para se desenvolverem plenamente. O grande fundamento da fraternidade não é ter a mesma natureza. É sermos filhos do mesmo Pai, que está nos céus, que nos ensina a amar os bons e os maus.

Diz o Santo Padre:: «Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no comodismo e no isolamento. De facto, os que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança da margem e se apaixonam pela missão de comunicar a vida aos demais. Quando a Igreja faz apelo ao compromisso evangelizador, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal: «Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: “A vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros”. Isto é, definitivamente, a missão» [Ex. Apost. A alegria do Evangelho, 10].

E ainda: “a Igreja sabe «envolver-se». Jesus lavou os pés aos seus discípulos. O Senhor envolve-Se e envolve os seus, pondo-Se de joelhos diante dos outros para os lavar; mas, logo a seguir, diz aos discípulos: «Sereis felizes se o puserdes em prática». Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo.” (24)

Vamos ajudar os que precisam de nós. Vamos trabalhar mais para difundir a mensagem salvadora de Cristo

Vamos rezar pelos emigrantes para que saibam defender-se da tentação do materialismo, tão espalhado no Ocidente. Para que saibam integrar-se na vida do país que os acolhe.

S. José e Nossa Senhora que foram emigrantes no Egipto, protejam e sejam os modelos para todos os que vivem fora das suas terras.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cristo mostrava-se indiferente para com a cananeia,

não para lhe negar a misericórdia mas para lhe inflamar o desejo.»

 

O trecho evangélico deste domingo inicia com a indicação da região para onde Jesus se dirigia: Tiro e Sidónia, no nordeste da Galileia, terra pagã. E é ali que Ele se encontra com uma mulher cananeia, que lhe pede para curar a filha atormentada pelo demónio (cf. Mt 15, 22). Já podemos entrever neste pedido um início do caminho da fé, que no diálogo com o Mestre divino cresce e se reforça. A mulher não tem medo de bradar a Jesus: «Tem piedade de mim, Senhor», uma expressão que se repete nos Salmos (cf. 50, 1), chama-lhe «Senhor» e «Filho de David» (cf. Mt15, 22), manifestando assim uma esperança firme de que será atendida. Qual é a atitude do Senhor diante daquele grito de dor de uma mulher pagã? Poderia parecer desconcertante o silêncio de Jesus, a ponto de suscitar a intervenção dos discípulos, mas não se trata de insensibilidade ao sofrimento daquela mulher. Santo Agostinho comenta justamente: «Cristo mostrava-se indiferente para com ela, não para lhe negar a misericórdia mas para lhe inflamar o desejo» (Sermo 77, 1: pl38, 483). A indiferença aparente de Jesus, que diz: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel» (v. 24), não desencoraja a cananeia, que insiste: «Socorre-me, Senhor» (v. 25). E mesmo quando recebe uma resposta que parece impedir toda a esperança — «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros» (v. 26) — não desiste. Nada quer tirar aos outros: na sua simplicidade e humildade basta-lhe pouco, são suficientes as migalhas, bastam-lhe somente um olhar, uma boa palavra do Filho de Deus. E Jesus admira-se por esta resposta de fé tão grande e diz-lhe: «Faça-se como desejas» (v. 28)

Queridos amigos, também nós somos chamados a crescer na fé, a abrir-nos e receber com liberdade o dom de Deus, a ter confiança e bradar a Jesus: «dá-nos fé, ajuda-nos a encontrar o caminho!». O caminho que Jesus fez realizar aos seus discípulos, à cananeia, aos homens de todos os tempos e povos e a cada um de nós. A fé abre-nos para conhecer e receber a identidade real de Jesus, a sua novidade e unicidade, a sua Palavra, como fonte de vida, a fim de viver uma relação pessoal com Ele. O conhecimento da fé cresce com o desejo de encontrar a estrada e, enfim, é um dom de Deus que se nos revela não como algo abstracto sem rosto nem nome, mas a fé corresponde a uma Pessoa, que quer entrar numa relação de amor profundo connosco e envolver toda a nossa vida. Por isso, todos os dias o nosso coração deve viver a experiência da conversão, realizar a nossa passagem de homens fechados em nós mesmos para homens abertos à acção de Deus, homens espirituais (cf. 1 Cor 2, 13-14), que se deixam interpelar pela Palavra do Senhor e abrem a própria vida ao seu Amor.

Estimados irmãos e irmãs, por isso alimentemos todos os dias a nossa fé com a escuta profunda da Palavra de Deus, com a celebração dos Sacramentos, com a oração pessoal como «grito» a Ele e com a caridade pelo próximo. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria, que amanhã contemplaremos na sua gloriosa assunção ao céu de corpo e alma, para que nos ajude a anunciar e testemunhar com a vida a alegria de ter encontrado o Senhor.

 

Papa Bento XVI, Castel Gandolfo, 14 de Agosto de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos, com a fé e a humildade da cananeia, vamos apresentar ao Senhor os nossos pedidos, para que os faça chegar ao Pai. Digamos :Atendei, Senhor, a nossa súplica.

 

1-Pela Santa Igreja de Deus, para que continue a espalhar no mundo generosamente a mensagem salvadora de Jesus, oremos irmãos.

Atendei, Senhor, a nossa súplica

 

2-Pelo Santo Padre, para que o Senhor abençoe as sua canseiras e as encha de frutos para toda a     Humanidade, oremos irmãos.

 Atendei, Senhor, a nossa súplica

 

3-Pelos bispos, sacerdotes e diáconos, para que sejam modelos e arautos do amor de Deus no mundo, oremos irmãos.

Atendei, Senhor, a nossa súplica

 

4-Pelos nossos queridos emigrantes espalhados pelos quatro cantos da terra, para que Deus abençoe os seus trabalhos e faça deles testemunhas fiéis de Cristo, oremos irmãos.

Atendei, Senhor, a nossa súplica

 

5-Pelos que procuraram trabalho entre nós, para que sejam bem acolhidos por todos e melhorem não apenas economicamente mas também nos valores mais importantes da vida, oremos irmãos.

Atendei, Senhor, a nossa súplica

 

6-Pelos jovens, para que saibam responder corajosamente aos desafios duma vida de heroísmo no seguimento de Cristo, oremos irmãos.

Atendei, Senhor, a nossa súplica

 

Senhor que nos reunistes numa só família, a Santa Igreja, para vivermos como Vossos filhos cá na terra, fazei saibamos amar-Vos cada vez mais no meio das coisas terrenas, para com elas sabermos ganhar as do céu. Por N.S.J.C. Vosso Filho, que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tudo Vos damos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o que trazemos ao vosso altar, nesta admirável permuta de dons, de modo que, oferecendo-Vos o que nos destes, mereçamos receber-Vos a Vós mesmo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Acolhamos a Jesus com a fé, a humildade e a confiança da mulher cananeia.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Salmo 129, 7

Antífona da comunhão: No Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Ou

Jo 6, 51-52

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor. Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que neste sacramento nos fizestes participar mais intimamente no mistério de Cristo, transformai-nos à sua imagem na terra para merecermos ser associados à sua glória no Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos guardar bem o que Jesus nos lembrou a cada um nesta Missa. Estimemos o tesouro da fé e saibamos dar testemunho dela em toda a parte, na estima pelos outros povos e raças, e a começar pelos que vivem a nosso lado.

 

 

Cântico final: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

 

Homilias Feriais

 

20ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-VIII: Exigências do seguimento de Deus.

Ez 24, 15-24 / Mt 19, 16-22

Ao ouvir estas palavras, o jovem retirou-se, pois tinha muitos bens.

«'Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?' (Ev.). Ao jovem que lhe faz esta pergunta, Jesus responde, primeiro, invocando a necessidade de reconhecer a Deus como 'único Bom', o Bem por excelência e a fonte de todo o bem» (CIC, 2052). O jovem retirou-se triste porque não estava disposto a reconhecer o Bem, que é Deus. Estava mais virado para os muitos bens materiais que possuía e custava-lhe muito deixá-los. Pelo contrário, Deus pediu a Ezequiel a vida de sua mulher e ele aceitou, pelo que o seu comportamento pareceu estranho (Leit.). E continuou a seguir o Senhor.

 

3ª Feira, 19-VIII: As riquezas de Deus e as riquezas humanas.

Ez 28, 1-10 / Mt 19, 23-30

Olha que nós deixámos tudo e seguimos-te. Que nos será, pois, concedido?

«A fé em Deus leva-nos a usar de tudo quanto não for Ele, na medida em que nos aproximar d'Ele, e a desprender-nos de tudo, na medida em que d'Ele nos afastar» (CIC, 226). A referência é sempre Deus.

Para quem conhece as riquezas de Cristo, nada se lhe pode comparar. Mas, por vezes, por uma questão de orgulho, queremos ser senhores do mundo: «O teu coração encheu-se de orgulho, e tu disseste: Sou um deus, Mas tu não passas de um homem, não és deus» (Leit.).

 

4ª Feira, 20-VIII: Tempo para trabalhar na vinha do Senhor.

Ez 34, 1-11 / Mt 20, 1-16

O reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.

O Senhor chama-nos para trabalharmos na sua vinha (Ev.), para cuidarmos do seu rebanho (Leit.).

Trabalhar na sua vinha significa, em primeiro lugar, cuidar das coisas que se referem a Deus, melhorar as nossas virtudes, aproveitar bem o tempo, trabalhar em obras de apostolado, etc. Mas significa também participar na construção do reino de Deus na terra, melhorar as condições do ambiente em que vivemos: no local de trabalho, na vida familiar, n o ambiente cultural e social, etc.

 

5ª feira, 21-VIII: O convite para o banquete da vida eterna.

Ez 36, 23-28 / Mt 22, 1-14

O reino dos Céus é comparável a um rei que preparou o banquete nupcial para o seu filho.

A imagem do banquete (Ev.) é considerada como símbolo do desejo de salvação e da intimidade divina. Deus há-de manifestar a sua santidade (Leit.) e deseja que todos os seus filhos participem dela. «Convida-nos para o banquete do reino (Ev.), mas exige também uma opção radical» (CIC, 546), na qual não cabem as desculpas, por muito razoáveis que sejam.

Para isso, o Senhor purificar-nos-á, dar-nos-á um coração renovado, infundirá em nós o seu Espírito (Leit.). Aproveitemos muito bem todos estes dons.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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