19º Domingo Comum

10 de Agosto de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da Vossa aliança, Az. Oliveira, NRMS 53

Salmo 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A antífona de entrada e a oração colecta da Missa deste 19º Domingo são uma petição a Deus para que não se esqueça de nós e nos defenda, fazendo crescer no nosso coração o espírito filial. Quanta mais profunda e intensa for a nossa atitude de filhos, maior será a nossa fidelidade e confiança na sua Palavra.

Com este espírito acolhamos o Senhor no interior íntimo do nosso coração e peçamos-lhe perdão pelas vezes que desconfiamos da sua presença nas dificuldades da nossa vida.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nesta leitura do Primeiro Livro dos Reis iremos verificar que Deus não se nos manifesta em factos esplendorosos, mas na simplicidade de uma brisa ligeira, como fez com o profeta Elias, isto é, na naturalidade dos acontecimentos mais banais do nosso dia.

 

1 Reis 19, 9a.11-13a

Naqueles dias, 9ao profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. 11O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. 12Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. 13aQuando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.

 

Temos aqui parte do relato da fuga do profeta Elias da perseguição do rei Acab, o 7º rei do reino do Norte, instigado pela sua mulher Jezabel, filha do rei de Tiro, que tinha jurado matá-lo, como desforra pelo extermínio dos sacerdotes do deus Baal (cf. 1 Re 18). O profeta, perseguido pela sua absoluta fidelidade ao único Deus da aliança, aparece-nos numa atitude de regresso às fontes da fé, precisamente onde a aliança mosaica tinha sido firmada, «a montanha de Deus», assim chamada, pois ali Ele se revelara (cf. Ex 19).

8 «O Horeb»: nome que na tradição deuteronómica (a que pertence este livro), bem como na tradição eloísta é dado ao «Sinai» dos escritos da tradição javista e sacerdotal.

11-12 «Uma ligeira brisa». Esta aparição divina tem certa semelhança com a que se relata em Ex 33, 21-23. Deste modo representa-se, por um lado, a imaterialidade divina, pois o Senhor não estava na «forte rajada de vento», nem no «terramoto» nem no «fogo», que não passam de sinais anunciadores da presença divina, a qual é algo que transcende estes fenómenos sensíveis tão violentos. Por outro lado, o relato pode dar a entender uma profunda lição: a vitória de Deus sobre o mal não tem de ser precipitada, de modo fulminante, repentina e espectacular, mas é preciso saber esperar a hora de Deus, da sua misericórdia; Elias terá de dominar o seu desespero e o seu zelo amargo, pois o Senhor diz-lhe: «desanda o teu caminho» (v. 15); Eliseu haveria de suceder-lhe para continuar e completar a sua obra.

13 «Elias cobriu o rosto», numa atitude de respeito e de temor, não fosse ver a Deus e morrer (cf. Gen 16, 13; Is 6, 5).

 

Salmo Responsorial    Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: Através da recitação do salmo 84 vamos descobrindo as atitudes que nos preparam para o encontro com Deus nosso Salvador: a paz e a justiça, a fidelidade e o amor, o santo cuidado de Deus.

 

Refrão:        Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor

e dai-nos a vossa salvação.

 

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis

e a quantos de coração a Ele se convertem.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo procurou por todos os meios anunciar Cristo aos seus irmãos israelitas sem o conseguir. Por isso, neste trecho, ele demonstra o quanto sofre com esta dificuldade.

 

Romanos 9, 1-5

Irmãos: 1Eu digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo: 2Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. 3Quisera eu próprio ser separado de Cristo por amor dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, 4a quem pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas, 5a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos.

 

Neste Domingo, entramos na última parte do ensino doutrinal da epístola, que temos vindo a seguir, em retalhos selectos, desde o 9º Domingo Comum. Nesta secção, que vai do capítulo 9 ao 11, S. Paulo pretende dar a explicação para um facto verdadeiramente estranho, a saber, como se explica que os judeus, que eram os primeiros destinatários da salvação messiânica, tenham ficado de fora, na sua maior parte? Isto não se pode dever a que Deus tenha falhado às suas promessas, mas deve-se a que Israel se tenha negado a crer, como aliás também os profetas já tinham anunciado (cf. cap. 9 e 10); e, de qualquer modo, a sua infidelidade não é total, nem definitiva (cf. cap. 11).

2-3 «Sinto grandes tristeza». S. Paulo desabafa deixando ver a profunda pena que sente pelo facto de os seus irmãos de raça permanecerem excluídos da salvação messiânica, chegando ao ponto de usar uma expressão que não se pode entender à letra: «Quisera eu próprio ser separado de Cristo». Anátema/maldito tem que se entender como força de expressão, que faz lembrar o dito de Moisés, «senão, risca-me do livro que escreveste» (Ex 32, 32); esta maneira de dizer significa que ele estava disposto a suportar os maiores sacrifícios para conseguir a salvação eterna dos seus irmãos de raça, os judeus. De facto, não há lugar para dúvida de que Paulo amava mais Cristo do que tudo e todos, por isso exclama: «Se alguém não ama o Senhor, seja anátema» (1 Cor 16, 22).

4 «A glória». Aqui significa a manifestação sensível da presença divina no meio do seu povo, especialmente no tabernáculo e no templo (cf. Ex 40, 34-35; 1 Re 8, 10-11).

5 «Cristo... é Deus bendito.» Temos aqui uma das mais claras afirmações da divindade de Cristo que há em todas as Escrituras. Não há dúvida de que esta doxologia se refere a Cristo, como se depreende do contexto. Em Hebr 13, 21 temos uma outra doxologia referida a Cristo; e em Tit 2, 13 temos mais uma afirmação da divindade de Cristo, semelhante em clareza.

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 129 (130), 5

 

Monição: Procuremos criar um ambiente interior propício para encontrar a Deus na sua Palavra que vamos escutar.

 

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 14, 22-33

22Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-lo na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. 23Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. 24O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. 26Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. 27Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». 28Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». 29«Vem!» disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. 30Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» 31Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» 32Logo que saíram para o barco, o vento amainou. 33Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

 

A tempestade no Lago de Genesaré, a que se referem os Evangelhos é um fenómeno muito frequente e perigoso para as embarcações ainda hoje. O lago de 13 por 21 Km tomou este nome pelo seu formato de harpa (kinnéret).

23 «Subiu a um monte, para orar a sós». Jesus não teria necessidade de se retirar para se recolher em oração, como é sublinhado pelos evangelistas (cf. Mc 1, 35; 6, 47; Lc 5, 16; 6, 12); esta insistência acentua que o ensino de Jesus não consta só das suas palavras (cf. Mt 6, 5-6), mas também do seu exemplo, pois nós bem precisamos de tempos de recolhimento para a oração.

25 «Na quarta vigília da noite». Uma referência à divisão romana da noite, adoptada pelos judeus: do pôr ao nascer do Sol havia quatro vigílias que eram mais longas no Inverno e mais curtas no Verão.

24-33 O caminhar de Jesus sobre as águas do lago de Genesaré, após a 1ª multiplicação dos pães, é relatado também por Marcos e João. Em Mateus, com razão chamado «o Evangelho eclesiástico», pode ver-se mais claramente uma alusão à vida da Igreja. Como a barca dos Apóstolos, também a Igreja se vê perseguida, «açoitada pelas ondas e pelo vento contrário», mas Jesus, que vela por ela, vem em seu socorro, com palavras de ânimo – «não tenhais medo!» – (palavras tão repetidas por João Paulo II). No relato reflecte-se a trajectória dos discípulos do Senhor ao longo dos tempos: sujeitos ao medo e à dúvida avançam, pelo caminho da súplica, até chegarem à segura confissão de fé: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus!». Só Mateus apresenta Pedro indo ao encontro de Cristo sobre o mar, evidenciando-se assim o seu importante papel na direcção da barca da Igreja.

 

Sugestões para a homilia

 

A experiência do profeta Elias

Semelhante à dos discípulos quando viram Jesus

Pois é nas dificuldades da vida que reconhecemos Deus

 

A experiência do profeta Elias

Conforme ouvimos ler na primeira leitura deste domingo, o profeta Elias apenas pôde reconhecer Deus no sussurro de uma suave brisa e não nos factos maravilhosos que lhe perpassaram pela frente: a forte rajada de vento, o terramoto ou o fogo.

De facto, neste acontecimento descobrimos um ensinamento sempre actual. Deus pode aparecer-nos não de um modo surpreendente, mas num estilo completamente diferente, isto é, no “sussurro da nossa vida corrente de cada dia”.

A experiência do profeta descreve perfeitamente a nossa vida, a nossa prática espiritual. É impossível sabermos tudo acerca de Deus. É provável que conheçamos muito bem todas as fórmulas mais correntes da nossa fé e até as recitarmos de cor, mas faltar-nos a capacidade para reconhecer a Deus nas complicações da nossa vida de todos os dias, isto é, não ter a experiência de Deus no interior do nosso coração. Pensemos um pouco: Quando queremos encontrar-nos com Deus, onde o procuramos? Será nos factos deslumbrantes, ou na naturalidade dos acontecimentos de cada dia? Fora de nós, no barulho e na agitação, ou dentro do nosso coração?

Muitas vezes não deixamos que seja Deus o grande protagonista da nossa vida, à semelhança do que aconteceu com os discípulos de Jesus, que O confundiram com um fantasma.

 

Semelhante à dos discípulos quando viram Jesus

Naquela ocasião que nos é relatada pelo Evangelho de hoje, Pedro e o grupo de discípulos que o acompanhavam no barco, durante a agitação das ondas, não reconheceram o Mestre, com quem tinham convivido tanto tempo. Ficam assustados e muito temerosos e gritam cheios de medo. Acalmam quando Jesus lhes dirige a palavra. Mesmo assim, Pedro pede que o Senhor o mande ir até Ele. Mas, confiado na sua própria experiência e sacudido pela violência do vento começa a duvidar e logo se sente a afundar. Então é que clama pela ajuda do Senhor, que lhe estende a mão, segura-o, mas com uma chamada de atenção pela sua falta de fé. Na realidade, naquele momento eles ainda não tinham descoberto a verdadeira identidade de Jesus. Somente depois da Páscoa, quando Jesus não estava fisicamente presente nos acontecimentos difíceis da vida que tiveram de enfrentar, quando Jesus já não se lhes apresentava no barco da vida, quando a comunidade cristã era agitada pelas ondas das perseguições movidas pelos pagãos, ou pelas divisões internas é que O reconhecem e sabem que Ele nunca os abandonou. Apenas mudara o modo de se lhes tornar presente.

Foi nas dificuldades da vida que reconheceram o Mestre como o Senhor e o identificaram com Deus seu Pai.

 

Pois é nas dificuldades da vida que reconhecemos Deus

Hoje em dia acontece muitas vezes o mesmo connosco. Quando apenas reduzimos Deus a preceitos ou a determinadas ocorrências é-nos impossível reconhecê-l’O. Sempre falta algo que nos impede de O reconhecer nas coisas mais simples e banais da nossa vida e somos capazes de, ao comparar com o saber adquirido, com as nossas falsas experiências anteriores, pensarmos: “não é como aprendi”. Tudo nos parece diferente e dizemos: “Este não é o meu Deus”; “Este é um fantasma”; “Este não é aquele Deus de que me falaram na catequese e que eu aprendi de cor”; “Como pode ser Deus aqui, nisto tão simples, quando me disseram que Deus só está...”

Quando, por momentos nos sentimos sós, talvez percamos de vista o Senhor e não O consigamos reconhecer no escuro, no imprevisto, na vida. Apenas a intimidade e o diálogo com Ele nos poderá ajudar a reconhecê-l’O nesses momentos difíceis ou pequenos do nosso dia-a-dia e não O confundirmos com um fantasma.

Poderemos perceber também, pela segunda leitura deste domingo, que as grandes dificuldades que Paulo teve de enfrentar na sua caminhada missionária se relacionam com tudo o que atrás reflectimos e que foi Jesus que também lhe estendeu a mão para o salvar e ajudar a prosseguir no cumprimento da sua missão.

Não tenhamos medo, pois podemos estar seguros de que nas dificuldades da vida, quando invocamos o Senhor, Ele está connosco, fortalece os nossos alicerces e convicções e nos diz: não tenhais medo, não duvideis, Eu estou sempre convosco.

 

Fala o Santo Padre

 

«O mar simboliza a vida presente; a tempestade indica todos os tipos de tribulação;

a barca representa a Igreja construída por Cristo e norteada pelos Apóstolos.»

 

No Evangelho deste domingo encontramos Jesus que, retirando-se sobre o monte, reza durante a noite inteira. Separado tanto da multidão como dos seus discípulos, o Senhor manifesta a sua intimidade com o Pai e a necessidade de rezar em solidão, ao abrigo dos tumultos do mundo. No entanto, este seu afastar-se não deve ser entendido como um desinteresse pelas pessoas, nem como um abandono dos Apóstolos. Pelo contrário — narra são Mateus — pediu que os discípulos entrassem na barca a fim de «O preceder na outra margem» (Mt 14, 22), para os encontrar de novo. Entrementes, «já a uma boa distância da margem, a barca era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário» (v. 24), e eis que «pela quarta vigília da noite, Jesus veio até eles, caminhando sobre o mar» (v. 25); os discípulos ficaram transtornados e, pensando que se tratava de um fantasma, «soltaram gritos de terror» (v. 26), pois não O reconheceram, não compreenderam que era o Senhor. Mas Jesus tranquiliza-os: «Ânimo, sou Eu. Não tenhais medo!» (v. 27). Trata-se de um episódio, do qual os Padres da Igreja hauriram uma grandiosa riqueza de significado. O mar simboliza a vida presente, a instabilidade do mundo visível; a tempestade indica todos os tipos de tribulação, de dificuldade que oprime o homem. A barca, ao contrário, representa a Igreja construída por Cristo e norteada pelos Apóstolos. Jesus deseja educar os discípulos a suportar com coragem as adversidades da vida, confiando em Deus, naquele que se revelou ao profeta Elias no monte Horeb, no «murmúrio de uma brisa ligeira» (1 Rs 19, 12). Depois, este trecho continua com o gesto do apóstolo Pedro que, tomado por um impulso de amor pelo Mestre, pediu para ir ao seu encontro, caminhando sobre as águas. «Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!”» (Mt 14, 30). Santo Agostinho, imaginando que se dirigia ao apóstolo, comenta: o Senhor «humilhou-se e pegou-te pela mão. Unicamente com as tuas forças, não consegues levantar-te. Segura na mão daquele que desce até ti» (Enarr. in Ps.95, 7: PL 36, 1233), e diz isto não apenas a Pedro, mas di-lo também a nós. Pedro caminha sobre as águas não pelas suas próprias força, mas pela graça divina, na qual crê, e quando se sente dominado pela dúvida, quando deixa de fixar o olhar em Jesus e tem medo do vento, quando não confia plenamente na palavra do Mestre, quer dizer que, interiormente, se está a afastar dele, e é então que corre o risco de afundar no mar da vida, e é assim também para nós: se olharmos unicamente para nós mesmos, tornamo-nos dependentes dos ventos e já não conseguimos atravessar as tempestades, as águas da vida. O grande pensador Romano Guardini escreve que o Senhor «está sempre próximo, dado que se encontra na raiz do nosso próprio ser. Todavia, temos que experimentar o nosso relacionamento com Deus entre os pólos da distância e da proximidade. Pela proximidade somos fortalecidos, pela distância, postos à prova» (Accettare se stessi, Brescia 1992, pág. 71).

Caros amigos, a experiência do profeta Elias, que ouviu a passagem de Deus, e a dificuldade da fé do apóstolo Pedro levam-nos a compreender que o Senhor, ainda antes que O procuremos ou invoquemos, é Ele mesmo que vem ao nosso encontro, abaixa o céu para nos estender a sua mão e nos elevar à sua altura; Ele espera unicamente que nos confiemos de maneira total a Ele, que seguremos realmente a sua mão. Invoquemos a Virgem Maria, modelo de confiança plena em Deus para que, no meio de tantas preocupações, problemas e dificuldades que agitam o mar da nossa vida, ressoe no nosso coração a palavra tranquilizadora de Jesus que nos diz, também a nós: Ânimo, sou Eu, não tenhais medo!, e aumente a nossa fé nele.

 

Papa Bento XVI, Castel Gandolfo, 7 de Agosto de 2011

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus, Pai Omnipotente,

por  intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo,

dizendo:

 

    Ouvi, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Pela santa Igreja alicerçada na fé,

para que seja fiel  à missão recebida

de anunciar a presença de Deus em todo o mundo,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros, Diáconos,

missionários, religiosos e leigos, 

para que, nas dificuldades desta vida,

acreditem na presença contínua de Jesus junto a eles,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que todos os que se sentem abalados nas suas convicções,

ou nas pequenas dúvidas quotidianas,

sintam que o Senhor sempre os acompanha,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que quando experimentamos a falta de forças,

no confronto com as vicissitudes da nossa vida

reconheçamos que o Senhor está ao nosso lado

e nos diz para nada recearmos,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que sejamos capazes de aceitar as falhas dos outros

bem como as nossas próprias falhas e inconveniências,

reconhecendo que tendo confiança no Senhor

Ele sempre nos ajudará,

oremos, irmãos.

 

6.     Para que as nossas comunidades saibam reconhecer o Senhor

na noite, no inesperado, nas pequenas ou grandes coisas da vida,

e mantenham sempre a intimidade com Ele,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, a nossa oração      

e dignai-vos atender os nossos pedidos

nas incertezas deste mundo.

Por intermédio de Jesus Cristo vosso Filho,

Nosso Senhor, que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: M. Luis, NCT nº 297

 

Monição da Comunhão

 

A força da comunhão eucarística ajudar-nos-á a sentir, na vivência quotidiana, a presença constante do Senhor nas pequenas e grandes coisas que nos vão acontecendo.

 

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

Salmo 147,12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Ou

Jo 6, 52

O pão que Eu vos darei, diz o Senhor, é a minha carne pela vida do mundo.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do Teu amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quando experimentamos menos segurança nas dificuldades da vida, nas dúvidas quotidianas, nas aflições e nas obrigações, nas falhas e incoerências com que vivemos a nossa fé, não tenhamos medo pois o Senhor está connosco e sempre nos acompanha e ajuda. Saibamos sempre procurá-l’O nas pequenas coisas que constituem o nosso dia-a-dia.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-VIII: Dar a vida por amor dos seus.

Ez 1, 2-5. 24-28 / Mt 17, 22-27

Jesus: O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. E os discípulos ficaram profundamente consternados.

Os discípulos não entendem esta afirmação de Jesus: «Pedro rejeita este anúncio e os outros também não entendem (Ev.)» (CIC 554). Mas é por amor que Jesus entrega a sua vida.

«Na sua morte na cruz, cumpre-se aquele virar-se de Deus contra si próprio, com o qual Ele se entrega para levantar o homem e salvá-lo: o amor na sua forma mais radical» (DeA). A Santa Missa é uma das maiores manifestações de amor de Deus para connosco, por ser o memorial da sua entrega.

 

3ª Feira, 12-VIII: Deus não nos deixa sós.

Ez 2, 8- 3, 4 / Mt 18, 1-5. 10. 12-14

Assim, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um único sequer destes pequeninos.

«É vontade do nosso Pai que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Ele usa de paciência, não querendo que ninguém se perca (Ev.)» (CIC, 2822).

Como não quer que ninguém se perca, nunca nos deixará sós: é o Emanuel, o Deus connosco. Permanece no Sacrário para nos acompanhar. E também nos dá o alimento da sua Palavra, que é mais doce que o mel  (S. Resp.). Foi o que aconteceu com Ezequiel, que comeu o livro em forma de rolo: «Eu comi-o, e tornou-se-me na boca tão doce como o mel» (Leit.).

 

4ª Feira, 13-VIII: Modos de presença do Senhor.

 Ez 9, 1-7; 10, 18-22 / Mt 18, 15-20

Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles.

«O Senhor está sempre presente na sua Igreja, sobretudo nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa. Está presente com a sua virtude nos Sacramentos. Está presente na sua Palavra. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta os Salmos, Ele que prometeu: 'Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles' (Ev.)» ( CIC, 1088).

Também está presente no meio dos que sofrem: «assinala com uma cruz na testa os homens que gemem e se lamentam» (Leit.).

 

5ª Feira, 14-VIII: Ver os outros com os olhos de Cristo.

Ez 12, 1-12 / Mt 18, 21- 19, 1

 Se meu irmão me ofender várias vezes, quantas deverei perdoar-lhe?

É quase inevitável que, no nosso dia, apareçam pequenos conflitos com as pessoas com quem nos relacionamos. O Senhor pede-nos que procuremos perdoar do íntimo do coração (Ev.), e que procuremos dar bom exemplo, que nos vejam (Leit.)

«O amor ao próximo consiste precisamente no facto de que amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem sequer conheço. Aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas também segundo a perspectiva de Cristo. O seu amigo é meu amigo» (DeA).

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial