Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2014

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Resplandeça sobre nós, S. Marques, NRMS 102

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na festa da Transfiguração do Senhor celebramos um acontecimento da vida terrena de Jesus, já próximo da Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Foi uma das muitas ocasiões em que aprouve ao Pai manifestar ao mundo a glória do Seu Filho Unigénito. Outras ocasiões em que a manifestou foram: no Baptismo do Jordão, quando Jesus saía das águas, nas Bodas de Caná, com a realização do milagre que converteu a água das talhas em vinho delicioso, quando a notícia da Sua missão começou a correr a Terra Santa e na instituição da Santíssima Eucaristia, durante a Última Ceia no Cenáculo.

Hoje o Senhor renova a manifestação desta glória divina na Celebração da Eucaristia em que estamos a participar.

 

Acto penitencial

 

Hoje queremos pedir especialmente perdão ao Senhor pela falta de fé com que O tratamos na Santíssima Eucaristia onde está verdadeira, real e sacramentalmente presente, para ser o nosso Alimento.

Deus aproxima-Se tanto de nós, na Sua Palavra e nos Sacramentos, que acabamos por tratá-l’O sem respeito e sem Amor, em vez de procedermos ao contrario, como seria razoável.

Peçamos-Lhe ajuda para começarmos a ser diferentes, a partir de agora.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A: Confissão e Kyrie).

 

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Daniel contempla, nas margens dos rios da Babilónia, uma visão da majestade de Deus que nos faz lembrar o acontecimento do Tabor.

Avivemos a nossa fé em Deus Pai todo poderoso, Criador e Senhor do Céu e da terra que nos há-de chamar à Sua glória.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o Antigo em dias»): é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 101[102], 25-26; Is 41, 4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26, 11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» (=10.000 vezes 10.000) é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino (a propósito, veja-se o belo e profundo comentário teológico de Bento XVI, em Jesus de Nazaré, capítulo X).

 

Salmo Responsorial    Sl 96 (97), 1-2.5-6.9 e 12 (R. 1a.9a)

 

Monição: O salmista dirige-nos um convite à alegria porque o nosso Deus é Rei e governa todas as coisas.

Este convite à alegria tem o seu ponto culminante na anunciação do Arcanjo a Nossa Senhora. Também ele A convida a alegrar-se.

 

 

Refrão:        o Senhor é rei,

                     o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do Senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro, um dos três Apóstolos presentes na Transfiguração, dá na sua carta um testemunho deste acontecimento.

Dirige-nos, depois, um convite a que reavivemos a nossa fé na divindade de Cristo.

 

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17, 1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3, 3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos: a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a ‘estrela da manhã’ (cf. Apoc 2, 28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1 Tes 5, 4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22, 16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22, 17.20).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 17, 5c

 

Monição: O testemunho dado pelo Pai, no Tabor, sobre a divindade de Cristo, deve ter assombrado o três Apóstolos que estavam ali. Na verdade, ouviu-se a voz do pai, como nas margens do Jordão: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

 

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 9, 28b-36

 

Naquele tempo, 28bJesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. 29Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. 30Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, 31que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. 35Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». 36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

 

Antes de mais, convém notar, na narrativa lucana da Transfiguração, um pormenor cronológico omitido na leitura litúrgica, mas nada despiciendo: «cerca de oito dias depois», em vez do habitual «naquele tempo», que preferiram adoptar. Com efeito, em todos os três Sinópti­cos, não é sem razão que se estabelece uma das raras ligações cronológicas entre este relato e o relato da confissão de fé de Pedro e do 1º anúncio da Paixão e Morte de Jesus. É uma ligação de grande alcance teológico: por um lado, a fé de Pedro é confirmada e ilustrada de forma singular com a glória divina que Jesus manifesta na sua Transfiguração; por outro, indica-se que a Cruz é o caminho da glória, como para Jesus, assim como para os seus discípulos (per crucem ad lucem).

28 «Subiu ao monte para orar». O monte Tabor (562 m), na Galileia, uns 10 Km a Leste de Nazaré, segundo a tradição, ou, segundo muitos hoje pensam baseados em Mt 17, 1 e Mc 9, 2 que falam de «um monte elevado», o monte Hermon, sobranceiro a Cesareia de Filipe, no maciço central da Síria (o Anti-líbano) com 2.759 metros, a região por onde Jesus então andava (cf. Mc 8, 27; 9, 1). Mas, acima das considerações topográficas, o mais interessante é fixarmo-nos com J. Ratzinger/Bento XVI no «simbolismo geral do monte: o monte como lugar da subida, não apenas da subida exterior, mas também da ascese interior; o monte como um libertar-se do peso da vida diária, como um respirar no ar puro da criação; o monte que oferece o panorama da criação em toda a sua vastidão e beleza; o monte que me dá elevação interior e me permite intuir o Criador. A estas considerações, a história acrescenta a experiência de Deus que fala e a experiência da paixão como seu ponto culminante no sacrifício de Isaac, no sacrifício do Cordeiro definitivo sacrificado no monte Calvário» (Jesus de Nazaré, p. 383-4)

S. Lucas é o único a notar que Jesus subiu ali para fazer oração; também não diz que se transfigurou, mas que «se alterou o aspecto do seu rosto…», certamente com a preocupação de que os seus primeiros leitores de ambientes greco-romanos não pensassem que se tratava de alguma metamorfose própria das religiões mistéricas. E a Transfiguração de Jesus não deixa de apontar para a nossa própria transfiguração pela graça do Espírito do Senhor, como diz S. Paulo em 2 Cor 3, 18: «todos nós…, que reflectimos como num espelho a glória do Senhor vamos sendo transformados na sua própria imagem, cada vez mais gloriosa…».

31 «Falavam da morte d’Ele». Também só o 3.° Evangelho diz o assunto da conversa de Jesus com Moisés e Elias. Falavam da «saída» de Jesus, como se expressa o original grego, que a nossa tradução interpretou como «a morte», mas que também se poderia referir à Ascensão (menos provável); de qualquer modo, o uso do termo grego êxodo pode aludir ao carácter libertador da morte de Jesus, numa alusão à libertação da escravidão do Egipto.

32-33 «Estavam a cair de sono; mas, despertando...» Este pormenor exclusivo de Lucas pressupõe que a Transfiguração se deu de noite, enquanto Jesus fazia oração, pois gostava de orar de noite (cf. Lc 6, 12; Mc 6, 46). A proposta de Pedro de construir «três tendas» (de ramos), tem na devida conta a diferente dignidade de cada um e pretende prolongar aquele êxtase feliz.

35 «Este é o meu Filho, o meu Eleito». A Transfiguração é um confirmar da fé daquele núcleo duro dos Doze, as «colunas» do Colégio Apostólico; o próprio Pai apresenta Jesus como o seu Filho. S. Lucas, em vez de «o Amado» (cf. Mt 17, 5; Mc 9, 7), diz: «o meu Eleito», que é mais uma forma (e mais clara) de O designar como o Messias (cf. Lc 23, 35; Is 42, 1). Comenta S. Tomás de Aquino: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa» (Sum. Th. 3, 45, 4, ad 2).

36 «Guardaram silêncio», por ordem de Jesus (Mc 9, 9-10) que pretende, a todo o custo, evitar a agitação popular à sua volta.

 

Sugestões para a homilia

 

• A Majestade do Altíssimo

Deus eterno

Deus omnipotente

Senhor do universo

• Jesus é o Divino Salvador

Glória da Ressurreição antecipada

O plano de Deus na Transfiguração

Nós e a Transfiguração de Jesus

 

1. A Majestade do Altíssimo

 

O profeta Daniel, no cativeiro de Babilónia, é favorecido com uma visão em que se manifesta a glória do Pai e é proclamada a glória do Filho, igualmente Deus.

Embora o Mistério da Santíssima Trindade ainda não tenha sido revelado, à luz do Novo Testamento — na plenitude da revelação — compreende-se que se refira a Ele.

Revela-Se nesta visão algo sobre a verdade de Deus. É como se o Senhor nos concedesse a graça de lançar um rápido olhar para as realidades que estão para além deste mundo sensível.

É como se Ele nos concedesse a graça de olhar, por instantes, para dentro do Céu.

 

a) Deus eterno. «Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura

Afirmamos no Credo: “Creio em Deus Pai, todo poderoso, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.”

Deus é fundamental na nossa vida. Sem Ele, a vida não em sentido. Como, porém estamos mergulhados num mundo sensível, em que só comunicamos com os que estão à nossa volta pelos sentidos, facilmente nos esquecemos de todo o mundo invisível: a Santíssima Trindade, os Anjos e os bem-aventurados do Céu.

Nesta visão do profeta Daniel é figurada a santidade de Deus, pelo esplendor das vestes brancas, e a sua eternidade, nos cabelos como pura lã.

Ele quis partilhar a Sua felicidade connosco e criou-nos com essa finalidade. Demos graças ao Deus eterno que tanto nos ama e façamos da vida uma caminhada para ir ao Seu encontro.

Começamos no tempo, mas a nossa existência nunca mais terá fim. Somos livres para escolher para nós uma eternidade feliz ou infeliz.

Alegra-nos recordar que o nosso Deus não é um Amor que morre ou esfria, mas nos leva a viver com Ele para sempre, numa alergia e felicidade que nunca se repete e, por isso, não nos satura nem nos cansa.

 

b) Deus omnipotente. «O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele

As chamas de fogo e as rodas de lume vivo, bem como o rio de fogo, simbolizam a omnipotência divina. Ao fogo nada pode resistir.

A omnipotência é outro dos atributos divinos. O poder de Deus não tem limite algum, porque tudo está submetido ao Seu império, e não há no universo forças rebeldes actuando contra Sua vontade.

À vezes, as pessoas estão convencidas disto e quando pedem ajuda ao Senhor e esta — segundo o seu modo de ver — não vem tão depressa como querem, procuram a ajuda da bruxaria, com o grave perigo de pedirem auxílio ao demónio.

Podemos ter a certeza que, em razão da nossa filiação divina recebida no Baptismo, Ele só permite que nos aconteça alguma coisa que se pode transformar num bem para nós.

Quem vive consciente da sua filiação divina não tem medo a nada. Um santo dos nossos dias costumava dizer: “Não tenho medo a nada nem a ninguém... porque sou filho de Deus.”

O pai não só dá segurança a tranquilidade ao filho contra qualquer perigo, como não faria sentido que o filho fugisse dele por medo.

Também as nossas faltas não são motivo para medo nem para tristeza. Se quisermos, Deus tem poder para as perdoar num instante.

Assim, a omnipotência divina, em vez de nos deixar assustados, enche-nos de segurança filial.

 

c) Senhor do universo. «Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído

Vivemos mergulhados nas realidades materiais deste mundo e esquecemo-nos que, para além do mundo que vemos, há uma realidade mais rica. Deus, os Seus Anjos e os bem-aventurados que já estão na Sua presença.

Nesta visão fala-se da multidão incontável dos Anjos e de duas figuras do Antigo testamento — Moisés e Elias — que já pertencem à eternidade, a este novo mundo.

Comecemos por evitar tudo o que pode resultar em falta de respeito ao Santo Nome de Deus. Não invoquemos em vão o santo Nome de Deus; tratemos tudo o que se relaciona com Ele — santos, igreja, culto — com profundo respeito.

Adoremos a majestade infinita do nosso Deus, imitando os Pastorinhos de Fátima, ensinados pelo Anjo da Guarda de Portugal.

Precisamos de estabelecer uma familiaridade crescente com este mundo invisível, lembrando-nos da presença de Deus e falando com os Anjos que nos acompanham e ajudam constantemente.

A verdade de fé que nos ensina que Deus é o Senhor único do universo enche-nos de alegria, porque Ele é o nosso Pai. Deste modo compreendemos melhor o que diz S. Paulo: «Tudo é vosso, vós sois de Cristo, e Cristo é Deus.»

 

 

2. Jesus é o Divino Salvador

 

a) Glória da Ressurreição antecipada. «e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz

Aproximava-se o tempo da Paixão de Jesus. Quando o Mestre falava nela, Pedro reagia sempre mal, porque lhe parecia que era um fracasso da missão de Jesus.

Mas o Senhor insiste em convencê-lo, e aos outros Onze, sobre esta verdade.

Para que eles não fiquem escandalizados ao contemplar Jesus na Sua Paixão e não seja abalada a sua fé em Jesus Cristo, Ele chama três do Apóstolos a testemunhar a Sua glorificação de ressuscitado no Tabor.

São os mesmos que noutras ocasiões presenciaram maravilhas: a ressurreição da filha de Jairo, que vão estar mais perto d’Ele durante as duas horas de agonia e na glória do Tabor.

O Mestre quer fazer deles testemunhas corajosas da Ressurreição gloriosa. Mas, ao mesmo tempo, deve proceder com prudência divina. Se, de facto, eles começassem a falar do que tinham visto, as multidões precipitar-se-iam para o aclamar rei e provocariam uma catástrofe, pois os romanos usariam de toda a força para reprimir a rebelião. Por isso lhes pede que guardem segredo sobre o que viram.

Na manhã do Domingo de Páscoa, os três devem ter-se recordado da glória do Tabor, quando viram Cristo ressuscitado.

 

b) O plano de Deus na Transfiguração. «Pedro disse a Jesus: “Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”»

Este mistério de fé é muito importante. Se não estivéssemos firmes na fé na Ressurreição de Jesus, a nossa vida não teria sentido. E se Cristo não ressuscitou, também nós não ressuscitamos”, exclama S. Paulo. A ser assim, é vã a nossa fé.

Talvez por isso, há na Igreja grande devoção a este mistério da vida de Jesus. 135 paróquias têm como padroeiro o Senhor da Transfiguração, sendo a maioria do rio Douro para cima.

A falta de fé na Ressurreição de Cristo e na nossa leva a atitudes erradas na vida.

• Há um endeusamento do corpo, na procura do prazer, no comodismo e em satisfazer-lhe todos os caprichos, como se depois desta vida mortal nada mais tivéssemos a esperar na vida.

• Há uma apego desordenado à vida presente, como se tivéssemos de ficar aqui para sempre. Devemos conservar esta vida enquanto O Senhor quiser, mas não encarar como uma desgraça o chamamento de cada um de nós à vida eterna, pela morte.

 

c) Nós e a Transfiguração de Jesus. «Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais».  Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus

A Transfiguração do Senhor move-nos a concretizar alguns propósitos para a vida.

Santificação na vida ordinária. Pedro fez uma proposta a Jesus: construir três tendas para Jesus, Moisés e Elias. Ele não se importa de ficar ao ar livre. Mas quando passou a visão, encontrou-se com a mesma realidade de antes. Foi preciso descer à planície, à vida de todos os dias. Aí nos chama o Senhor para que nos santifiquemos. Quando estamos metidos nas nossas preocupações e trabalhos, também estamos a amar a Deus, a fazer a Sua vontade e, portanto a santificarmo-nos, e não apenas quando estamos a rezar.

Viver na graça de Deus como caminho para a felicidade eterna. A vida da graça é a participação na vida e felicidade de Deus. Esta começa na terra e vai continuar para sempre no Céu. Como pretendemos então viver habitualmente em pecado na terra e na amizade de Deus no Céu, como prémio duma vida de pecado?

A santa Missa Transfiguração de Cristo. Em cada celebração da Eucaristia, Jesus Cristo transfigura-Se diante dos olhos da nossa vida. Nós vemo-l’O transfigurado, pela luz da fé. Sabemos que por detrás das aparências do pão e do vinho, está Ele todo inteiro, vivo e glorioso como está no Céu.

A celebração do Domingo é este encontro com Jesus Cristo no Tabor. Entramos na Igreja e ficamos fisicamente separados de todas as preocupações da vida de cada dia e aqui convivemos com Ele na glória.

Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a tirar fruto deste encontro semanal com Jesus.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Na intimidade com o Divino Salvador

que nos proporciona esta santa Missa,

apresentemos-Lhe com toda a fé e amor

as necessidades de todos os necessitados

Oremos (cantando):

 

    Senhor: Vós sois o nosso Deus e o nosso Rei!

 

1. Pelo Santo Padre, Pastor universal do rebanho de Cristo,

    para que nos leve ao encontro do Senhor Ressuscitado,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Vós sois o nosso Deus e o nosso Rei!

 

2. Por todos os pais e mães desta nossa família paroquial,

    para que se ajudem uns aos outros no caminho do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Vós sois o nosso Deus e o nosso Rei!

 

3. Pelo Encontro Mundial da Juventude que se vai realizar,

    para que o Senhor encha de alegria todos os jovens,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Vós sois o nosso Deus e o nosso Rei!

 

4. Por todos pastores das nossas comunidades eclesiais,

    para que dêem testemunho de Cristo Ressuscitado,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Vós sois o nosso Deus e o nosso Rei!

 

5. Pelas necessidades de todos os presentes na Eucaristia,

    para que o Senhor atenda prontamente as suas orações,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor: Vós sois o nosso Deus e o nosso Rei!

 

6. Pelas pessoas desta comunidade que Deus chamou a Si,

    para que contemplem, quanto antes, Cristo Ressuscitado,

    oremos, irmãos.

 

     Senhor: Vós sois o nosso Deus e o nosso Rei!

 

Senhor, que Vos manifestastes na Vossa glória

aos três Apóstolos nas alturas do monte Tabor,

em ordem a prepará-los  para a Vossa Paixão:

concedei-nos a graça de não sermos vencidos

quando as provações abalarem a nossa fé,

para nos mantermos fieis ao Vosso Amor.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor dirigiu-nos a Sua palavra na primeira parte desta Eucaristia, para fortalecer a nossa fé.

Dar-nos-á agora o Alimento divino que é o Seu Corpo, para que sejamos capazes de caminhar até ao Céu.

Servindo-Se do ministério do sacerdote, vai agora transubstanciar no Seu Corpo e Sangue, o pão e o vinho que levámos ao altar.

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados, Az. Oliveira, NRMS 17

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo mistério da transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça.

Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Saudação da Paz

 

Somos uma família peregrina que vai, através do deserto da vida, para a Terra da Promissão.

Não faz qualquer sentido que andemos divididos neste caminhar, pois todos viveremos em amizade perpétua no Céu.

Comecemos já vivê-la na terra, perdoando as ofensas recebidas e aceitando que nos perdoem as que nós cometemos.

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor não Se nos mostra no esplendor da Sua glória do Tabor, mas na humildade da Santíssima Eucaristia.

Recebamo-l’O agora com grande humildade, com um coração generoso em viver as exigências da fé. Ao Amor devemos corresponder com amor.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós Senhor está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

cf. 1 Jo 3,2

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: A terra inteira cante ao Senhor, B. Salgado, NRMS 5(II)

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Durante a Celebração da Eucaristia, contemplámos, de algum modo, pela luz da fé, a glória de Cristo Ressuscitado.

Demos testemunho durante a semana de que Cristo vive glorioso e a todos nos ama.

 

Cântico final: Glória a Jesus Cristo, Az. Oliveira, NRMS 92

 

Celebram neste dia o seu padroeiro todas as paróquias que têm como invocação o DIVINO SALVADOR.

Quando esta solenidade não ocorrer ao Domingo, proclama-se apenas uma das duas leituras aqui indicadas.

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 7-VIII: Docilidade aos ensinamentos do Papa.

Jer 31, 31-34 / Mt 16, 13-23

Dar-te-ei as chaves do reino dos céus. Tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus.

«Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: 'Dar-te-ei as chaves do reino dos céus' (Ev.). O 'poder das chaves' designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja» (CIC, 553). É uma boa oportunidade para rezarmos pelo Papa e seus colaboradores, no exercício do poder de governo da Igreja.

Mas também vai estabelecer uma nova Aliança com o seu povo: «Virão dias, nos quais concluirei com a casa de Israel, uma Aliança nova» (Leit.). E um dos frutos dessa Aliança é  o perdão dos pecados: «hei-de perdoar-lhes os pecados e não mais recordarei as sua faltas» (Leit.).

 

6ª Feira, 8-VIII: O valor das coisas aos olhos de Deus.

Naum 2, 1. 3; 3, 1-3. 6-7 / Mt 16, 24-28

Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se arruinar a própria vida?

A fé em Deus leva-nos a utilizar todas as coisas, para que d'Ele nos aproximem e a rejeitar o que d'Ele nos afastar  (Ev.).

«'Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afasta de ti. Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxima de ti. Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti' (S. Nicolau de Flüe)» (CIC, 226). Este é o pedido que devemos fazer a Deus relativamente a todos os bens materiais que usamos. Vivamos com austeridade e aceitemos, sem queixas, quando não temos o necessário.

 

Sábado, 9-VIII: Sta Teresa Benedita da Cruz: O heroísmo de cada dia.

Os 2, 16. 21-22 / Mt 25, 1-13

À meia-noite, ouviu-se um ruído: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.

Celebramos hoje a festa de uma das três padroeiras da Europa, nomeada por João Paulo II. Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com o Senhor, enchendo de azeite (graças de Deus), no dia a dia, a lâmpada da sua vida, que culminou no martírio.

A Europa precisa actualmente de um testemunho de cada um dos seus filhos. Há uma maneira desleixada, aburguesada, de percorrer os caminhos de Deus (como as virgens insensatas), e uma maneira heróica (como as  virgens prudentes), que consiste em viver com fidelidade as coisas pequenas de cada dia, realizadas com amor de Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial