18º Domingo Comum

3 de Agosto de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde à presença de Deus, M. Carneiro, NRMS 90-91

Salmo 69, 2.6

Antífona de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, Senhor, socorrei-me e salvai-me. Sois o meu libertador e o meu refúgio: não tardeis, Senhor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

É muito fácil uma pessoa queixar-se de que as coisas estão mal, e apontar com o dedo aqueles que, segundo o nosso modo de ver, são os culpados desta situação.

Mais difícil é meter o ombro, dar-se, comprometer-se, fazer o esforço possível para ajudar a resolver os problemas e, sobretudo, não os aumentar, tornando a vida pesada aos outros.

Neste 18º Domingo do tempo comum, o Senhor ensina-nos que deseja resolver todos os problemas do mundo, mas precisa da nossa ajuda.

 

Acto penitencial

 

Recordemos na presença do Senhor a nossa falta de colaboração para que todos possamos viver num mundo melhor.

Reconheçamos que também nós contribuímos, às vezes, e sem necessidade, para tornar a vida mais pesada para os outros.

Peçamos ajuda para concretizar algum propósito de emenda de vida, pois o Senhor conta connosco.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C).

 

• Porque nos deixamos cair, muitas vezes no pessimismo,

por pensamentos, palavras, obras e atitudes diante da vida,

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

• Porque nos deixamos vencer tantas vezes, pelo egoísmo,

como se não houvesse mais ninguém a viver neste mundo,

Cristo, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

• Porque nos deixamos escravizar facilmente pela preguiça,

deixando que as outras pessoas façam o que devemos fazer,

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai-Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías convida o Povo de Israel, em nome de Deus, a deixar Babilónia – terra da escravidão – e a regressar à Terra Santa, à liberdade, à nova Jerusalém da justiça, do amor e da paz. Deus espera-nos aí, para nos saciar definitivamente a fome de felicidade e nos oferecer gratuitamente a vida em abundância, a alegria sem fim.

 

Isaías 55, 1-3

1Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. 2Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Se me escutais, haveis de comer do melhor e saborear pratos deliciosos. 3Prestais-Me atenção e vinde a Mim; escutai e a vossa alma viverá. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.

 

A leitura, tirado do final do 2º Isaías, o chamado «livro da consolação» (Is 40 – 55) contém um apelo aos exilados que se mostram renitentes em regressar à pátria, apelo que tem grande actualidade para a alma indecisa e apegada a tantas solicitações que a afastam do amor de Deus: somente a quem tem «sede» de Deus e não está desapegado do «dinheiro», isto é, dos bens efémeros, (v. 1) é que pode participar no «banquete messiânico», saboreando os bens da «aliança eterna», da graça da salvação (v. 3), simbolizados no «vinho e leite» (v. 1) e no «comer do melhor e saborear pratos deliciosos» (v. 2).

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 144 (145), 8-9.15-16.17-18 (R. cf. 16)

 

Monição: O salmista canta os louvores do Senhor da Aliança pela Sua grandeza, misericórdia e reinado prudente e justo. Com a Sua Providência protege os mais fracos e alimenta todos os seres vivos e atende todos os que O invocam.

Seja este salmo também para nós uma oração confiante.

 

Refrão:        Abris, Senhor, as vossas mãos

                e saciais a nossa fome.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

O Senhor é bom para com todos

e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

 

Todos têm os olhos postos em Vós

e a seu tempo lhes dais o alimento.

Abris as vossas mãos

e todos saciais generosamente.

 

O Senhor é justo em todos os seus caminhos

e perfeito em todas as suas obras.

O Senhor está perto de quantos O invocam,

de quantos O invocam em verdade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo canta, na Carta aos fiéis de Roma, um hino ao amor de Deus por cada um de nós. É esse amor – do qual ninguém consegue afastar-nos – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.

 

 

Romanos 8, 35.37-39

Irmãos: 35Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? 37Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou. 38Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades 39nem a altura nem a profundidade nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor.

 

Neste Domingo acaba de se ler a última parte do texto do capítulo 8º de Romanos, um capítulo que constitui a parte central de todo o ensino doutrinal da epístola – um dos mais altos cumes do pensamento paulino –, desenvolvendo o tema do amor salvador de Deus antes proposto (em 5, 1-11). Neste capítulo é posto em relevo todo o alcance da nova realidade misteriosa que é o «estar em Cristo Jesus», fórmula com que se abre a secção (8, 1) e se encerra (8, 39). S. Paulo, depois de expor a realidade da nossa libertação em Cristo e da vida no Espírito (vv. 1-11), mostra como o dom do Espírito, que nos faz filhos adoptivos de Deus, é garantia de salvação universal (vv. 12-30); nos vv. 31-39, o Apóstolo irrompe num impressionante hino, um apaixonado e vibrante canto de vitória, em que volta ao tema, desenvolvendo-o em duas estrofes paralelas (vv. 31-34) e (vv. 35-39, a leitura de hoje), com uma argumentação cerrada e entusiástica: «se Deus é por nós, quem será contra nós?» (v. 31), «criatura alguma poderá separar-nos do amor-de-Deus-que-está-em-Cristo-Jesus-Senhor-Nosso». É esta realidade única e sublime – daí que a tenhamos ligado e transcrito com maiúsculas – que dá firmeza inabalável à esperança cristã, uma realidade posta em evidência com a pergunta retórica do início da 2ª estrofe deste hino (v. 35): «quem poderá separar-nos do amor de Cristo?». Não deixa de ser interessante a especificação enfática de que nem nada nem ninguém o poderá conseguir, a saber, nenhuma força terrena – «a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, ou a espada», isto é, a morte violenta (v.35) –, nem nenhuma força cósmica, por mais poderosa que seja (segundo as crenças populares da época, as mais fortes e hostis, mas Paulo não pretende especificar-lhes a natureza nem documentar a sua existência objectiva), como os «anjos, os principados, as potestades» (é mais provável tratar-se aqui de forças demoníacas ocultas: cfr Ef 6, 12), «a altura e a profundidade» (possível alusão a estrelas funestas, tanto mais maléficas, quanto mais no zénite ou na tangente da terra, ou então, segundo outros, umas potências malignas a pairar no ar, ou actuando nas profundezas da terra).

 

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: As pessoas sofrem com a fome, não apenas de pão, mas de muitas outras coisas: justiça, amor, alegria, e compreensão.

Alegremo-nos, porque o Evangelho nos anuncia que Deus quer saciar-nos plenamente.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 14, 13-21

Naquele tempo, 13quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé. 14Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. 15Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». 16Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». 17Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». 18Disse Jesus: «Trazei-mos cá». 19Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. 20Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. 21Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

 

Nesta passagem, Mateus deixa-nos ver os sentimentos mais profundos do coração de Cristo, a sua grande dor pela morte cruel e injusta de João Baptista, e a sua misericórdia para com todos os que padecem necessidade: «cheio de compaixão» pelas multidões sofredoras e famintas (vv. 13-14).

13 «Jesus retirou-se…». Nada faz supor que se trata de uma retirada estratégica ditada pelo medo, mas podemos pensar em como o Evangelista quer sublinhar a desolação e a tristeza que Jesus sente pelo assassinato de João, que Herodes Antipas tinha acabado de mandar matar (vv. 3-12).

É interessante notar que o relato da multiplicação dos pães revela, em Mateus ainda mais do que em Marcos e Lucas, afinidades notáveis com os gestos de Jesus no relato da instituição da Eucaristia: «tomou», «recitou a bênção», «partiu», «deu» (cf. Mt 26, 26). Tratava-se de gestos bem gravados na tradição apostólica e na vida das primitivas comunidades, que desde a primeira hora celebravam a Eucaristia (cf. 1 Cor 11, 23ss; Act 2, 46; 20, 7). Parece que a própria celebração da Eucaristia veio a fornecer o cliché literário para os seis relatos da multiplicação dos pães, que temos nos quatro Evangelhos, pois aparecem como uma figura da Eucaristia. Já a releitura do Evangelista insinua a dimensão eucarística do relato da multiplicação dos pães, que a tradição cristã interpretou como uma figura da Sagrada Eucaristia, o autêntico banquete messiânico servido pelo próprio Deus ao seu povo, segundos os anúncios dos profetas (cf. 1ª leitura).

 

 

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus convida-nos para a Sua mesa

Deixemos a terra da escravidão

Procuremos os caminhos de Deus.

Confiemos no Senhor

• Deus vem em nosso auxílio

As fomes do mundo de hoje

Ele precisa da nossa generosidade

Deus fará maravilhas

 

Perante a infelicidade de tantas pessoas, somos tentados a pensar que tudo está abandonado ao acaso e, portanto, somos dominados por um sentimento de insegurança.

Deus está atento às nossas carências e deseja ardentemente resolvê-las. Por que não o faz, então? Somente porque é impedido de o fazer pela passividade dos bons.

1. Deus convida-nos para a Sua mesa

Quando se aproximava a hora da libertação dos Hebreus e regresso à sua terra, depois de 70 anos de cativeiro em Babilónia, muitos deles queriam ficar por ali. Preferiam uma falsa segurança onde seria difícil conservar a fé no único Deus verdadeiro, à aventura de recomeçar a vida na sua terra.

É neste clima que o profeta Isaías anima o seu povo a regressar à Terra Santa, para reconstruir o Templo e a cidade de Jerusalém e avivar a fé no Deus do Sinai.

 

a) Deixemos a terra da escravidão. «Eis o que diz o Senhor: “Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas

Também nós somos tentados ceder às falsas seguranças de aliança com o mal. Procuramos encontrar a segurança económica aliando-nos a programas de governo que vão contra a nossa consciência. Esta é uma das mais perigosas tentações dos cristãos de hoje: a aliança com o mal menor: «Nós cedemos num ponto da moral e eles concedem-nos benefícios temporais.»

O pecado e os defeitos não combatidos são o nosso exílio e a causa dos nossos desânimos. Queremos uma santidade que não exija sacrifício.

Desanimamos de combater o que está mal na nossa vida, com a desculpa de que já não somos capazes de o fazer, de nos convertermos todos os dias. Deixamos cair os braços, inventando desculpas para a nossa preguiça.

Assim vivemos escravos dos nossos pecados e defeitos, sem esperança da libertação. Dizemos: Sou assim! São coisas do meu feitio! Já todos sabem que o meu feitio é este!”

Procuramos a compensação para o nosso desconsolo interior, tentando, de vez em quando dar nas vistas, fazer um brilharete que alimente a nossa vaidade. Apostamos no parecer e não no ser.

 

b) Procuremos os caminhos de Deus. «Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia

Deus procura-nos. Nós devemos procurá-l’O também, pela oração, pela escuta da Palavra da Deus, da emenda da nossa vida e na Santíssima Eucaristia.

Quanto mais anémica está uma pessoa, menos apetite costuma ter e não gosta de ouvir conselhos que a estimulem a tratar-se. É este o estado de espírito de muitos cristãos. Aborrecem-se das coisas de Deus. Fogem da Missa dominical, eliminaram já a oração pessoal e em família, e começam agora a sentir dificuldades cada vez maiores em viver na graça de Deus.

A facilidade do pecado arrastou muitos para uma vida indigna do cristão, como se toda a Lei de Deus deixasse de obrigar.

Não temos outro caminho para ser felizes, senão dar ao Senhor o primeiro lugar a que Ele tem direito na nossa vida.

Um homem do Cazaquistão gostava de pensar e interrogava-se muitas vezes sobre Deus e o sentido da vida. Foi dando passos, até que se converteu ao catolicismo e encontrou a alegria de viver. Assim acontece com muitas pessoas nos nossos dias.

 

c) Confiemos no Senhor. «Prestai-Me atenção e vinde a Mim; escutai e a vossa alma viverá

Fiar-se de Deus é procurar ouvir o que nos diz, acreditar e viver em conformidade com isso, e não tapar nesciamente os ouvidos e fechar os olhos.

Temos de reagir contra esta fadiga de cristianismo envelhecido. Estamos habituados a usar o nome de cristãos para o que nos convém, mas deixamos Deus de lado, quando segui-l’O exige sacrifício.

Temos muitas provas da amizade do Senhor para connosco. Tem-nos concedido benefícios que a maior parte das pessoas do mundo não recebeu: uma boa família, a alegria de sermos cristãos, os mimos da Palavra de Deus e dos Sacramentos que encontramos na Igreja, etc.

Por que hesitamos tanto em viver generosamente a nossa vocação cristã? Somente porque nos deixamos escravizar pela cobardia e pela preguiça e temos medo ao sacrifício.

Deus nunca desilude os que procuram amá-l’O com sinceridade.

2. Deus vem em nosso auxílio

As multidões seguiam Jesus com entusiasmo. Até se esqueciam de levar que comer. Agora encontram-se numa situação difícil: estão longe de algum lugar onde possam comprar pão e a noite aproxima-se.

Por falta de fé, – não se lembram de que têm com eles o Senhor omnipotente – os Apóstolos deixam-se tentar por uma solução preguiçosa e irresponsável: “Manda embora esta gente!”.

 

a) As fomes do mundo de hoje. «Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”.»

Talvez não precisemos de sair de casa ou do nosso ambiente de trabalho para encontrar muitas pessoas com graves carências.

Estamos habituados a reparar só na fome corporal e noutras dificuldades temporais que as pessoas apresentam, mas não damos atenção a outras espécies de fome que atormentam muitas pessoas.

Há fome de doutrina: A ignorância religiosa, mesmo entre os que se dizem católicos, é hoje um verdadeiro flagelo. Esta ignorância leva muitas pessoas a comungar indignamente, a apropriar-se dos bens alheios, a viver desonestamente e a atear conflitos em famílias inteiras.

Fome da graça de Deus. Muitas pessoas vivem habitualmente em pecado mortal, como se isto fosse a coisa mais natural de mundo.

Fome de paz, de alegria, de optimismo, como consequência do abandono do amor de Deus.

Nem sempre os que nos aparecem como ricos o são de verdade na alma. Muitos, pela sua vida, são clamorosamente indigentes, a pedir a nossa ajuda.

 

b) Ele precisa da nossa generosidade. «Disseram-Lhe eles: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”. Disse Jesus: “Trazei-mos cá”.»

Quando Jesus mandou aos Apóstolos que fossem eles e dar de comer àquela multidão faminta, devem ter ficado desorientados.

Jesus aponta a solução: façamos da nossa parte tudo o que é possível – mesmo que seja pouco – e, a partir daí, Deus solucionará os problemas.

• Pediu aos serventes que enchessem as talhas de água em cana da Galileia e Jesus transformou a água no melhor vinho.

• Pediu que o jovem se desprendesse dos cinco pães e dois peixes e, com eles, o Mestre saciou cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

• Para que o paralítico voltasse para casa cheio de saúde, foi necessário que alguns amigos levassem o seu catre até à casa onde Se encontrava Jesus.

Também nas coisas materiais assim acontece: os pais chamam novos seres humanos à vida, de mãos dadas com Deus; o lavrador lança a semente à terra, como se estivesse a proceder a um desperdício, e o Senhor multiplica por muitos grãos aqueles que o homem lançou á terra.

O que Ele quer de nós, afinal, é que façamos tudo e só o que podemos fazer. Ele toma a responsabilidade de realizar tudo o mais.

 

c) Deus fará maravilhas. «Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos

Muitas vezes queixamo-nos da força do mal e dos poucos meios que temos. Afinal, temos as mesmas armas com que os primeiros cristãos transformaram o mundo: o trabalho feito com seriedade, a caridade fraterna, a Palavra de Deus, a oração e o jejum.

A vitória está prometida: «Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!»

 

Em cada Celebração da Eucaristia, o Senhor multiplica maravilhosamente pelo ministério dos Seus sacerdotes, não os pães e os peixes, mas o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu, para que O possamos receber.

Antes desta maravilha, terna acessível para todos nós o perdão dos pecados, pela Sacramento da Reconciliação Penitência, e acolhe as nossas confidências na oração.

Imitemos a generosidade de Nossa Senhor que se pôs inteira e incondicionalmente à disposição do Senhor, tornando possível a Redenção do mundo.

Com a sua ajuda materna, teremos um mundo melhor.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«O milagre consiste na partilha fraterna de poucos pães que,

confiados ao poder de Deus, chegam a sobejar.»

 

O Evangelho deste domingo descreve o milagre da multiplicação dos pães, que Jesus realiza para uma multidão de pessoas que O seguiram com a intenção de O ouvir e ser curados de várias enfermidades (cf. Mt 14, 14). Ao cair da noite, os discípulos sugerem a Jesus que mande embora a multidão, para que possa ir alimentar-se. Mas o Senhor tem outra coisa em mente: «Dai-lhe vós mesmos de comer» (Mt 14, 16). Eles, no entanto, só têm «cinco pães e dois peixes». Então, Jesus realiza um gesto que faz pensar no sacramento da Eucaristia: «Elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo» (Mt 14, 19). O milagre consiste na partilha fraterna de poucos pães que, confiados ao poder de Deus, não só são suficientes para todos, mas chegam a sobejar, a ponto de encher doze cestos. O Senhor pede aos discípulos que distribuam o pão à multidão; deste modo, orienta-os e prepara-os para a futura missão apostólica: com efeito, deverão levar a todos a alimentação da Palavra de vida e do Sacramento.

Neste sinal prodigioso entrelaçam-se a encarnação de Deus e a obra da redenção. Com efeito, Jesus «desce» da barca para ir ao encontro dos homens (cf. Mt 14, 14). São Máximo, o Confessor, afirma que a Palavra de Deus «se dignou, por amor a nós, fazer-se presente na carne, derivada de nós e em conformidade connosco, excepto no pecado, expondo-nos ao ensinamento com palavras e exemplos que nos são convenientes» (Ambiguum 33: pg 91, 1285 c). O Senhor oferece-nos aqui um exemplo eloquente da sua compaixão pelas pessoas. […] Cristo está atento às necessidades materiais, mas deseja dar ulteriormente, porque o homem tem sempre «fome de algo mais, precisa de algo mais» (Jesus de Nazaré, 2007). No pão de Cristo está presente o amor de Deus; no encontro com Ele, «nós alimentamo-nos, por assim dizer, do próprio Deus vivo, e comemos verdadeiramente o “pão do céu”» (Ibidem).

Caros amigos, «na Eucaristia, Jesus faz de nós testemunhas da compaixão de Deus por cada irmão e irmã; nasce assim, à volta do mistério eucarístico, o serviço da caridade para com o próximo» (Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, 88). É quanto nos testemunha também Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, cuja memória a Igreja celebra hoje. Com efeito, Inácio quis viver «procurando Deus em tudo, amando-O em todas as criaturas» (cf.Constituições da Companhia de Jesus, III, 1, 26). Confiemos a nossa oração à Virgem Maria, a fim de que Ela abra o nosso coração à compaixão pelo próximo e à partilha fraterna.

 

Papa Bento XVI, Castel Gandolfo, 31 de Julho de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Embora conheça perfeitamente os nossos problemas,

o Senhor deseja que lhos apresentemos com fé e amor,

para que, de algum modo, contribuamos para eles.

Renovemos a nossa confiança no Senhor do Universo

e apresentemos-Lhe, por Jesus Cristo Seu Filho Unigénito,

as necessidades da Igreja, do mundo e de todos nós.

Oremos (cantando):

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

1. Para que o Santo Padre, na sua doação generosa,

encontre a alegria de ver o mundo transformar-se,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

2. Para que o famintos do Amor do nosso Deus

sejam saciados pela misericórdia do Senhor,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

3. Para que os que se entregam ao voluntariado

encontrem alegria e paz na sua generosidade,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

4. Para que se sentem fartos dos bens de Deus

reconheçam a sua indigência e se convertam,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

5. Para que os militantes das obras de Apostolado

sejam confortados nas dificuldades que encontram,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

5. Para que os pais e mães de família se alegrem sempre

na correspondências dos filhos à sua generosidade,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

6. Para que os nossos irmãos em purificação

entrem quanto antes na glória do Paraíso,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

Senhor, que nos mandais pedir com filial confiança,

todas as bênçãos de que temos necessidade urgente,

olhai benignamente para nós que em Vós esperamos,

dando-nos o que não sabemos ou não ousamos pedir.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Agradeçamos humildemente ao Senhor o privilégio de termos escutado a Sua Palavra, e peçamos-Lhe nos ensine e ajude a participar no grande acontecimento na Transubstanciação, isto é, da conversão de todo o pão e todo o vinho que está sobre o altar o Seu Corpo e Sangue, renovando o Mistério Pascal de Jesus Cristo.

 

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons que Vos oferecemos como sacrifício espiritual, e fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS14

 

Saudação da Paz

 

Chama-nos o Senhor na vida presente a sermos construtores da verdadeira paz entre as famílias e as pessoas.

Para que o sejamos, temos de viver em paz com Deus, connosco mesmos e com os outros.

Manifestando, pelo gesto litúrgico, este desejo,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

 

Monição da Comunhão

 

Pelo ministério dos sacerdotes, Jesus Cristo multiplica prodigiosamente a Sua presença no mundo, para que O possamos adorar e receber condignamente.

Examinemo-nos com todo o cuidado, para verificarmos se estamos nas condições que nos ensina a Igreja para O receber.

Aproximemo-nos com fé, amor e devoção do Senhor que ficou para ser nosso Alimento.  

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede, J. dos Santos, NRMS 102

Sab l6,20

Antífona da comunhão: Saciastes o vosso povo com o pão dos Anjos, destes-nos, Senhor, o pão do Céu.

 

Ou

Jo 6,35

Eu sou o pão da vida, diz o Senhor. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem crê em Mim nunca mais terá sede.

 

Cântico de acção de graças: Nosso Pai que está no céu, A. Cartagena, NRMS 107

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos renovais com o pão do Céu, protegei-nos sempre com o vosso auxílio, fortalecei-nos todos os dias da nossa vida e tornai-nos dignos da redenção eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor quer precisar da nossa ajuda para transformar o mundo em que vivemos num lugar de paz e alegria no qual nos preparamos para a Vida que não tem fim.

Ajudemos generosamente a que as pessoas se aproximem de Deus na sua vida, para que tenhamos um mundo melhor.

 

Cântico final: A vida só tem sentido, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

18ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-VIII: Contar sempre com Deus.

Jer 28, 1-17 / Mt 14, 13-21

Pegou nos cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou a bênção.

Este milagre é uma manifestação da misericórdia de Jesus para com aqueles que o seguiam, é uma figura da superabundância do pão eucarístico (CIC, 1335).

Ensina-nos a contar sempre com Deus para a resolução dos problemas mais complicados. Pela nossa parte, faremos aquilo que pudermos (os cinco pães e os dois peixes), e Ele fará o resto. O profeta Jeremias teve de enfrentar o profeta Ananias, que o humilhou. No entanto, Deus estava do seu lado, e conseguiu ultrapassar um grande obstáculo, porque confiou sempre na ajuda de Deus (Leit.).

 

3ª Feira, 5-VIII: Dedicação da Basílica de Sta. Mª Maior.

Jer 30, 1-2. 12-15. 18-22 / Mt 14, 22-36

Mas Pedro, ao notar a ventania, teve medo e, começando a afundar-se, lançou um grito: Salva-me, Senhor.

Pedro começou a afundar-se porque reparou mais nas dificuldades que o rodeavam ( a ventania) e esqueceu-se de se apoiar em Deus. Por isso, Jesus chama-lhe a atenção: «Homem de pouca fé, por que duvidaste?» (Ev.).

Celebramos hoje a Dedicação da Basílica de Sta Mª Maior, a igreja mais antiga do Ocidente dedicada a Nª Senhora, logo a seguir ao Concílio de Éfeso. Ela nos ajudará a vencer as dificuldades: «Não afastes os olhos do resplendor desta estrela (Estrela da Manhã), se não queres ser destruído pela tempestade» (S. Bernardo).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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