A  abrir

A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA AOS CÉUS

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Pedindo desculpa desde já pelo tom pessoal com que abro esta breve consideração, confesso que gosto imenso de recordar a proclamação dogmática da Assunção de Nossa Senhora aos Céus em corpo e alma, em 1950, por todos os motivos, e, além disso, porque contribuí pessoalmente para essa definição solene. É assim, desta forma escandalosa, que costumo dizer, explicando, além disso, o porquê da minha audaz afirmação: porque o Santo Padre Pio XII me consultou previamente, e que o fez - porque sou infalível! Quero dizer com isto, simplesmente, que assinei – lá por 1947, se não erro – um inquérito promovido pela Santa Sé para confirmação de que o Povo de Deus, na sua generalidade, mantém a fé nesse privilégio extraordinário da Bem-aventurada Mãe de Deus.

Bastariam os inúmeros testemunhos históricos da devoção litúrgica e popular a Nossa Senhora da Assunção, mais a certeza de que nunca se veneraram relíquias do seu bendito corpo, mais tantos documentos da Tradição, mais os argumentos teológicos de conveniência. Mas o Santo Padre não quis dispensar este outro «argumento», que, por si só, já seria suficiente: o «sensus fidei» do Povo de Deus, a infalibilidade dos fiéis «in credendo». E, com isso, deu a milhões de fiéis uma enorme alegria, que ainda sentimos, de que ainda nos «orgulhamos», e que renovamos com fervor todos os anos. Foi como enviar à Nossa Mãe Santíssima uma carta de amor, de gratidão, de parabéns, sabendo que Ela do Céu olhava para cada um de nós e apreciava a nossa letra com mais carinho ainda do que a minha mãe guardava tudo o que lhe escrevi desde os oito anos. E como não havia eu de assinar, se, desde muito menino, tinha sempre diante de mim o Monte da Assunção, com o seu grande Santuário, onde Ela, tão bonita, de manto azul, braços abertos, subia ao céu estrelado?

É tão humana a nossa fé! Nem podia deixar de o ser, centrada como está na Incarnação do Verbo. Razão tinha aquele que primeiro formulou o raciocínio: se Jesus não pudesse levá-La em corpo e alma para junto de Si, não seria Deus; se podia e não queria, então não seria Filho! Sendo Ele verdadeiro Homem, e Ela verdadeiramente sua Mãe, como podiam separar-se?

É tão humana a nossa fé! Razão tinha também S. Josemaria quando nos dizia que para sermos «divinos» temos de ser muito «humanos»; ou que, só sendo muito humanos, seremos sobrenaturais. Não se cansa o Santo Padre de nos insistir nesta verdade e necessidade. A Assunção de Nossa Senhora é mais uma garantia de que, se Deus «não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou por nós todos, como não nos dará com Ele todas as coisas?» (Rom 8, 32).

Este ano celebraremos (assim o esperamos e pedimos ao Céu) a grande festa da Assunção na Coreia do Sul, unidos espiritualmente ao Santo Padre no estádio de Daegeon. Que mais deseja uma mãe do que os seus filhos se queiram bem e vê-los reunidos, com ela, no mesmo amor ao pai?

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial