FAMÍLIA

O SACRAMENTO DO MATRIMÓNIO

 

Papa Francisco

 

 

Em vista do próximo Sínodo dos Bispos, programado para 5 a 19 de Outubro deste ano sobre «Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização», dedicado às questões urgentes que afectam a família cristã, oferecemos aos nossos leitores o discurso do Santo Padre na audiência geral da quarta-feira (2-IV-2014), no ciclo sobre os Sacramentos.

Como se vê, ressalta o aspecto pastoral do sacramento.

 

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os Sacramentos, falando do Matrimónio. Este Sacramento leva-nos ao cerne do desígnio de Deus, que é um desígnio de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. No início do livro do Génesis, o primeiro livro da Bíblia, coroando a narração sobre a criação, diz-se: «Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou, varão e mulher os criou... Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão uma só carne» (Gen 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal matrimonial: o homem e a mulher; não só o homem, não só a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco está representada naquela aliança entre o homem e a mulher. Isto é muito belo! Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. Na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

 

1. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimónio, Deus, por assim dizer, «reflecte-se» neles, imprime neles as suas feições e o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente este o mistério do Matrimónio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz «uma só carne», tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimónio! É precisamente este o mistério do matrimónio: o amor de Deus que se reflecte no casal que decide viverem juntos. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam – diz a Bíblia – uma só carne.

 

2. Na Carta aos Efésios, São Paulo frisa que nos esposos cristãos se reflecte um grande mistério: a relação instaurada por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cf. Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o Matrimónio corresponde a uma vocação específica e deve ser considerado uma consagração (cf. Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Com efeito, em virtude do Sacramento, os esposos são investidos de uma verdadeira e própria missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e ordinárias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço.

É deveras um desígnio maravilhoso o que é inerente ao sacramento do Matrimónio! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois esposos... O importante é manter viva a relação com Deus, que está na base do vínculo conjugal. E o verdadeiro vínculo é sempre com o Senhor. Quando a família reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa e a esposa reza pelo esposo, aquele vínculo torna-se forte; um reza pelo outro. É verdade que na vida matrimonial há muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro não é suficiente, que os filhos têm problemas. Muitas dificuldades! E muitas vezes o marido e a mulher ficam um pouco nervosos e brigam entre si. Discutem, é assim, sempre se discute no matrimónio, e às vezes até voam pratos! Mas não devemos entristecermo-nos por isso, pois a condição humana é mesmo assim. E o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e por isso eu aconselho sempre aos esposos: não deixeis que termine o dia em que discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã começa de novo! Esta é a vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grande, é belo! É realmente muito bela a vida matrimonial, e devemos defendê-la sempre, defender os filhos.

 

3. Outras vezes tenho dito nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial. São três palavras que se devem dizer sempre, três palavras que deve haver na casa: por favor, obrigado, desculpa. Três palavras mágicas. Por favor: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Por favor, o que te parece isto? Por favor, permito-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza de agradecer! E como todos nós falhamos, outra palavra que é um pouco difícil de dizer, mas é necessário dizê-la: desculpa. Por favor, obrigado e desculpa. Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, fazendo as pazes sempre antes que termine o dia, o matrimónio irá para a frente. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos abençoe e orai por mim!

 

 


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