Nossa Senhora do Rosário de Fátima

13 de Maio de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Desde toda a eternidade, M. Carneiro, NRMS 18

cf. Hebr 4, 16

Antífona de entrada: Vamos confiantes ao trono da graça e alcançaremos misericórdia do Senhor. Aleluia.

 

Diz–se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Pela mão de Maria, hoje invocada no mundo inteiro como Nossa Senhora de Fátima, sigamos até à Cruz de Jesus, onde a Humanidade é redimida. E, ouvintes da Palavra, aprendamos a conversão do coração para testemunharmos a santidade no dia a dia.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe, concedei–nos que, seguindo os seus ensinamentos e com espírito de verdadeira penitência e oração, trabalhemos generosamente pela salvação do mundo e pela dilatação do reino de Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Aquela que disse «Sou do Céu» anima a Humanidade a caminhar na esperança dos «novos céus e nova terra».

 

Apocalipse 21,1–5a

Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido, e o mar já não existia. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo. Do trono ouvi uma voz forte que dizia: «Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; nunca mais haverá morte, nem luto, nem gemidos, nem dor, porque o mundo antigo desapareceu». Disse então Aquele que estava sentado no trono: «Vou renovar todas as coisas».

 

1 «Um novo Céu e uma nova Terra». Designação de todo o Universo novo, isto é, renovado (isto significa o adjectivo grego original). Esta renovação visa, sem dúvida, o aspecto moral: renovação que indica, primariamente, a supressão do pecado. Não parece estar excluída também uma renovação física, sobretudo tendo em conta o que se diz em 2 Pe 3, 10-13 e Rom 8, 19-22. A expressão é tirada de Is 65, 17; 66, 22. O que se passará com o Universo no fim dos tempos, em concreto, continua sendo um mistério (cfr. Gaudium et Spes, n.º 139). De qualquer modo, a renovação de que se fala é de ordem sobrenatural e misteriosa e não aquela que é fruto dum simples processo evolutivo natural.

2 «A nova Jerusalém»: uma imagem da Igreja, a Esposa do Cordeiro (vv. 9-10): a noiva adornada para o Seu esposo. Também S. Paulo chama a Igreja «a Jerusalém lá do alto, que é nossa Mãe» (Gal 4, 26). Também é frequente, na Tradição cristã, inclusive na Liturgia, como sucede no dia 13 de Maio, acomodar esta simbologia a Nossa Senhora, a Esposa do Espírito Santo, Mãe e modelo da Igreja.

 

Salmo responsorial     Jdt 13, 18 bc. 19–20a. 20 cd (23 bc–24a. 25 abc)

 

Monição: Na honra tributada a Maria é toda a Humanidade que é exaltada

 

Refrão:        Tu és a honra do nosso povo.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra;

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

Não poupaste a vida

perante a humilhação da nossa raça,

mas evitaste a nossa ruína,

caminhando com rectidão na presença do nosso Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho      

 

Monição: Aprendamos de Maria a estar junto dos Crucificados de hoje

 

Aleluia

 

Cântico: F da Silva, 73-74

 

Bendita sejais, ó Virgem Maria,

que acreditastes na palavra do Senhor.

 

 

 

Evangelho

 

São João, 19, 25–27

Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

 

25-27. Repare-se na solenidade deste relato: é uma cena central entre as cinco relatadas por João no Calvário; a Virgem Maria é mencionada 6 vezes em 3 versículos, e há o recurso a uma fórmula solene de revelação («ao ver… disse… eis…» ). Isto deixa ver que não se trata dum simples gesto de piedade filial de Jesus para com a sua Mãe a fim de não a deixar ao desamparo, mas que o Evangelista lhe atribui um significado simbólico profundo; com efeito, chegada a hora de Jesus, é a hora de Ela assumir (cf. Jo 2, 4) o seu papel de nova Eva (cf. Gn 3, 15) na obra redentora. A designação de «Mulher» assume, na boca do Redentor, o novo Adão, o sentido da missão co-redentora de Maria: não é chamada Mãe, mas sim Mulher, como nova Eva, Mãe da nova humanidade, por alusão à «mulher» da profecia messiânica de Gn 3, 15. Por outro lado, Ela é a mulher que simboliza a Igreja (cf. Apoc 12, 1-18), a mãe dos discípulos de Jesus representados no discípulo amado, que «a acolheu como coisa própria». A tradução mais corrente deste inciso (seguida pela tradução litúrgica) é: «recebeu-a em sua casa», mas esta forma de tradução empobrece de modo notável o rico sentido originário da expressão grega «élabon eis tà idía», uma expressão usada mais quatro vezes em S. João, mas nunca neste sentido; com efeito, a expressão tà idía – «as coisas próprias» – significa muito mais do que a própria casa, indica tudo o que é próprio da pessoa, a sua intimidade.

É também de notar que S. João, ao contrário dos restantes Evangelistas, nunca se refere a Nossa Senhora com o nome de Maria; sempre a designa como a Mãe (de Jesus), um indício de ser tratada realmente como mãe; com efeito, ninguém jamais nomeia a própria mãe com o nome dela: para o filho a mãe é simplesmente a mãe!

 

Sugestões para a homilia

 

Precisamos de Mãe

Levar a Jesus a humanidade de hoje

Propostas

Precisamos de Mãe

Basta olhar à nossa volta. Basta ter o cuidado de parar, acolher e ouvir: as angústias e dores de uma humanidade ferida, cada vez mais ferida.

Basta ler os jornais: o consumo de anti-depressivos aumenta assustadoramente e os nossos adolescentes «brincam» com as fontes da vida pondo em risco o próprio futuro da sociedade. E faltam políticas responsáveis que eduquem para o sentido da responsabilidade.

Carências afectivas sobretudo na infância e adolescência porque pai e mãe estão ausentes revelam-se desastrosas no futuro. Todos precisamos de um colo.

Na ordem da expressão da fé católica, Maria, a mãe de Deus e Mãe da Humanidade, tem-se afirmado como o colo do refúgio de todos, mesmo dos afastados e até ditos ateus. Basta olhar, experimentar, observar o que se passa em Fátima, tornada altar do mundo. Ali acorre gente vinda dos diversos quadrantes do mundo e mesmo das mais diversos expressões da fé. Maria a todos acolhe.

Ligada à piedade popular não faltam manifestações de religiosidade por esse mundo fora. Seja onde a devoção a Nossa Senhora de Fátima chegou e deu novo vigor à expressão da fé dos católicos, seja em quase todas as comunidades onde existem portugueses emigrados: Fátima faz parte da sua «alma», como faz parte da «alma» nacional, como as exéquias da Irmã Lúcia tão bem evidenciaram.

Levar a Jesus a humanidade de hoje

Maria «arrasta» para Jesus. Foi e é sempre essa a Sua missão. Olhemos para Fátima, olhemos para tantos santuários espalhados pelo mundo, reconheçamos que, sem Maria, a expressão da fé católica perde uma parte substancial e corre o risco de se tornar demasiado racional, seca e distante.  E desta «secura» espiritual que reconhecemos nos nossos tempos facilmente se aproveitam as seitas que exploram uma afectividade faminta e não trabalhada.

Perante tudo isto, que Cristo apresentamos nós hoje? Se Maria nos traz as multidões, que «alimento» fornecemos nós?

Silenciosa, vemo-l'A ao pé da cruz. Os pintores registam o acontecimento situando-A de pé. Como, aliás, convinha a Quem tão heroicamente assumia por inteiro as dores da Humanidade: «Mulher, eis o Teu Filho».

Urge recuperar a dimensão da Cruz na acção pastoral de hoje. Sem os gongorismos de outrora ou  os sentimentalismos piegas que não iam além de umas lágrimas superficiais. A Cruz onde Cristo salva a humanidade; a Cruz de onde surge a redenção hoje celebrada e actualizada nos Sacramentos da Igreja. Ir ao essencial passará certamente por uma nova ousadia na apresentação do Cristo Crucificado, diante do Qual estão de pé tantos homens e mulheres que, à semelhança de Maria e de João, se comprometem na construção de um mundo melhor, com horizontes de eternidade como proposta libertadora para os «feridos da vida» que a sociedade materialista e consumista tanto alimenta.

Propostas

Viver Jesus Cristo passa por esta coragem de estar, como Maria, junto da Cruz dos crucificados de hoje. Atentos às novas feridas que emergem numa sociedade doente e à procura de novas referências mostrando-se cansada daquelas que, ao longo dos séculos, lhe foram propostas.

Celebrar Nossa Senhora de Fátima implica uma proposta de conversão permanente, que passa pela penitência diária, apresentada certamente em novos moldes. Implica ir ao essencial da Mensagem que Nossa Senhora deixou, interpretando-a na fidelidade ao que Lúcia escreveu e comungando a leitura que dela faz a Igreja, na atenção constante aos homens e mulheres do nosso tempo.

Olhar para Nossa Senhora de Fátima leva a descobri-l’A como a mulher da contemplação, do silêncio de ouro que fala mais alto que as palavras. E a retirá-l’A do lugar distante e ideal em que tantos  A colocam para A trazermos para junto de nós, onde Ela quer estar como Mãe a dar-nos a mão e nos aproximar de Seu Filho.

Ver o essencial do que aconteceu em Fátima é descobrir nos pastorinhos o amor à Eucaristia e parar diante deste Mistério de Amor, como Lúcia que não só viu e falou com Nossa Senhora, como fez da sua vida uma contemplação permanente de Jesus Eucaristia.

Como Maria junto à Cruz ou os pastorinhos na contemplação do «Jesus escondido», aprendamos nós a parar diante do Santíssimo Sacramento.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e, por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

imploremos o dom da paz  e do progresso de todos os povos, dizendo

 

Interceda por nós a Virgem cheia de graça

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus:

para que saiba encontrar na Cruz de Jesus

a novidade e a coragem de estar junto dos crucificados de hoje,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações:

para que, aprendendo da sabedoria da Cruz,

ponham sempre em primeiro lugar o bem comum

e exerçam o seu mandato como um serviço a todos,

particularmente aos mais necessitados,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os movimentos cristãos que, espalhados pelo mundo inteiro,

procuram viver e espalhar a Mensagem de Fátima,

para que aprendam dos pastorinhos a verdadeira devoção a Nossa Senhora,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos nós aqui presentes,

comprometidos desde o Baptismo a viver como filhos de Deus,

para que aprendamos de Maria a contemplar o mistério do sofrimento humano

e, deste modo, saibamos estar junto dos nossos irmãos doentes,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai, fazei-nos encontrar em Jesus Cristo

a fonte da água viva onde a nossa sede de justiça e santidade

se possa saciar em plenitude.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Por este sacrifício de reconciliação e de louvor que Vos oferecemos na festa da Virgem Santa Maria, perdoai benignamente, Senhor, os nossos pecados e orientai os nossos corações no caminho da santidade e da paz. Por Nosso Senhor.

 

PREFÁCIO

 

Maria, imagem e mãe da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar–Vos graças, sempre e em toda a parte, e exaltar a vossa infinita bondade ao celebrarmos a festa da Virgem Santa Maria.

Recebendo o vosso Verbo em seu Coração Imaculado, ela mereceu concebê-1'O em seu seio virginal e, dando à luz o Criador do universo, preparou o nascimento da Igreja. Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina e recebeu todos os homens como seus filhos, pela morte de Cristo gerados para a vida eterna. Enquanto esperava, com os Apóstolos, a vinda do Espírito Santo, associando–se às preces dos discípulos, tornou–se modelo admirável da Igreja em oração. Elevada à glória do Céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra, protegendo misericordiosamente os seus passos a caminho da pátria celeste, enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

No nosso coração está o mesmo Senhor que os pastorinhos adoraram. Procuremos contemplá-l’O com a mesma «sabedoria» e inteligência do mistério que marcou a vida daquelas inocentes criancinhas, particularmente a Lúcia que tanto aprendeu neste diálogo divino/humano que caracterizou a sua vida de carmelita.

 

Cântico da Comunhão: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

cf. Judite 13, 24–25

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, que deu tanta glória ao vosso nome: todas as gerações cantarão os vossos louvores.

 

Ou:

Jo 19, 26–27

Suspenso na cruz, Jesus disse a sua Mãe: Eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua Mãe.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, 17

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que o sacramento que recebemos conduza à vida eterna aqueles que proclamam a Virgem Santa Maria Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«Ficarás no mundo...», disse um dia Nossa Senhora a Lúcia. Hoje estamos nós no mundo marcados pela Senhora da Mensagem. A nossa missão é a mesma de Lúcia: testemunhar o amor de Deus através da nossa conversão e estilo de vida cristã.

 

Cântico final: Nossa Senhora de Fátima, onde irás, B. Salgado, NRMS 2 (II)

 

 

Homilia Ferial

 

Sábado, 14-V: S. Matias: O memorial da morte e ressurreição de Cristo.

Act. 1, 15-17. 20-26 / Jo. 15, 9-17

Receba outro o seu cargo... É, pois, necessário que um deles se torne connosco testemunha da sua ressurreição.

S. Pedro põe como condição para a substituição de Judas que o candidato tenha sido testemunha da ressurreição de Cristo (cf. Leit.).

Quando participamos na celebração eucarística somos igualmente testemunhas da ressurreição de Cristo: «Celebrando a Eucaristia, a Igreja celebra a memória de Cristo, do que Ele fez e disse, da sua encarnação, morte, ressurreição e ascensão ao céu» (AE, 23). E só depois podemos dar um bom testemunho de Jesus: «ser testemunha de Cristo é ser ‘testemunha da sua ressurreição’ (Leit. do dia), é ter comido e bebido com Ele depois da sua ressurreição» (CIC, 995).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Abílio Cardoso

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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