16º Domingo Comum

20 de Julho de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Salmo 53, 6.8

Antífona de entrada: Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida. De todo o coração Vos oferecerei sacrifícios, cantando a glória do vosso nome.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Irmãos e irmãs. Estamos a celebrar o Dia do Senhor. Alegremo-nos e exultemos em seu nome. A Eucaristia é o centro da celebração do Domingo cristão, dia por excelência do encontro, do repouso e da festa, de todos os filhos de Deus. Depois da parábola do Semeador, seguem-se outras. Hoje, com particular relevo, para a do trigo e do joio. Mas o melhor mesmo é ouvi-la. Uma vez reunidos em nome de Cristo, repousemos nele o nosso olhar e encontremos nele a nossa força. Cantemos com arte e com alma!

 

Dois semeadores: O Espírito de Deus e o Maligno. Duas sementes: o trigo e o joio. Mas um campo apenas. O mundo interior de cada homem. Nele convivem inseparavelmente o bem e o mal, o positivo e o negativo! Para penetrar neste campo de grandeza e miséria, só o Espírito de Deus pode vir em nosso auxílio. Ele nos convence quanto ao pecado. Ele nos faz esperar na misericórdia. Invoquemo-la, pois.

 

Acto Penitencial:

 

Senhor, pelas vezes em que nos julgamos trigo sem joio,

tende piedade de nós.

 

Cristo, pelas vezes em que julgamos os outros, joio sem trigo,

tende piedade de nós.

 

Senhor, pelas vezes em que perdemos a paciência connosco e com os outros,

tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Sede propício, Senhor, aos vossos servos e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem na fiel observância dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro da Sabedoria apresenta-nos hoje um Deus que, apesar da sua força e omnipotência, é indulgente e misericordioso para com os homens – mesmo quando eles praticam o mal e convida-os a terem um coração tão misericordioso e tão indulgente como o coração de Deus.

 

Sabedoria 12, 13.16-19

13Não há Deus, além de Vós, que tenha cuidado de todas as coisas; a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente. 16O vosso poder é o princípio da justiça e o vosso domínio soberano torna-Vos indulgente para com todos. 17Mostrais a vossa força aos que não acreditam na vossa omnipotência e confundis a audácia daqueles que a conhecem. 18Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência, porque sempre podeis usar da força quando quiserdes. 19Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano e aos vossos filhos destes a esperança feliz de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.

 

A leitura, extraída da terceira e última parte do livro da Sabedoria (Sab 10 –19), em que se descreve a presença da Sabedoria na história do povo de Israel, deixa ver como Deus, que é justo, mostra tanto a sua justiça punindo os maus (aqui trata-se dos egípcios – cap. 11– e dos cananeus – cap. 12), como também mostra a sua «indulgência» (v. 18), ao inspirar, após o pecado, a contrição (v. 19).

 

Salmo Responsorial    Sl 85 (86), 5-6.9-10.15-16a (R. 5a)

 

Monição: Com o salmista, proclamemos a bondade e compaixão do nosso Deus.

 

Refrão:     Vós, Senhor, sois clemente e bondoso.

 

Vós, Senhor, sois clemente e bom,

cheio de misericórdia para quantos Vos invocam.

Senhor, escutai a minha oração,

atendei à minha súplica.

 

Todas as nações que criastes

virão adorar-Vos, glorificar o Vosso nome,

porque Vós sois grande e realizais maravilhas;

só Vós sois Deus.

 

Sois um Deus clemente e compassivo,

lento para a ira, rico em piedade.

Tende compaixão do Vosso servo,

emprestai-me, Senhor, a Vossa força.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na carta que escreve aos cristãos de Rima, Paulo sublinha, também ele, a bondade e a misericórdia de Deus. Afirma que o Espírito Santo, dom de Deus, vem em auxílio da nossa fragilidade, guiando-nos no caminho para a vida plena.

 

Romanos 8, 26-27

Irmãos: 26O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos em conformidade com Deus.

 

Os dois versículos da leitura põem em evidência o papel do Espírito Santo na alma do fiel, vindo em auxílio da nossa fraqueza: Ele sabe da nossa incapacidade para nos dirigirmos a Deus; habitando na alma justificada. Suscita e facilita gemidos inefáveis – «gemidos que se não podem descrever» –, que constituem a vida de oração das almas contemplativas. Ele conduz a alma, de modo misterioso mas eficaz, pelo caminho da perfeita identificação com «a vontade de Deus».

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 11, 25

 

Monição: No Evangelho está garantida a presença irreversível no mundo do “Reino de Deus”. Esse “Reino” não é um clube exclusivo de “bons” e de “santos”: nele todos os homens – bons e maus – encontram a possibilidade de crescer, de amadurecer as suas escolhas, de serem tocados pela graça, até ao momento final da opção definitiva.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação- 2, F da Silva, NRMS 50-51

 

Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma Longa: São Mateus 13, 24-43                Forma breve: São Mateus 13, 24-30

Naquele tempo, 24Jesus disse às multidões mais esta parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. 26Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. 27Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?' 28Ele respondeu-lhes: 'Foi um inimigo que fez isso'. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancar o joio?' 29'Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. 30Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro'».

[31Jesus disse-lhes outra parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos». 33Disse-lhes outra parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado». 34Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, 35a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: «Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo». 36Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se d'Ele e disseram-Lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo». 37Jesus respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem 38e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno 39e o inimigo que o semeou é o Demónio. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. 40Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: 41o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, 42e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. 43Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça».]

 

Continuamos hoje com a leitura do discurso das parábolas no capítulo 13 de S. Mateus. A parábola do trigo e do joio envolve tanto a denúncia da intolerância como a do relativismo; o mal e o erro existem, mas a verdade e o bem acabarão por prevalecer.

25 «Joio» era uma planta muito parecida com o trigo, com que facilmente se confunde antes de brotar a espiga. Misturado em certa quantidade, envenena o pão e produz graves náuseas e enjoos. Semear cizânia entre o trigo era um caso de vingança pessoal não rara então, um crime previsto e punido pelo Direito Romano.

29-30 A resposta do dono do campo encerra a lição da parábola: «deixai-os ambos crescer ambos até à ceifa». Deus permite o mal no mundo e dentro do campo da própria Igreja, mas há-de suprimi-lo definitivamente. Ninguém se escandalize, pois, com a existência do mal, pois com o juízo divino, depois da morte (a ceifa), os que praticaram o bem (trigo) irão para o Céu (simbolizado no celeiro) e os que praticaram o mal (joio) irão para o Inferno (simbolizado no fogo).

31-32 O «grão de mostarda» – uma pequenina semente que mal se vê – é a pregação do Evangelho e a Igreja. Um homem é Jesus; o seu campo é o mundo. A Igreja (Reino dos Céus) tem uns começos muito modestos, mas em breve se estende pelo mundo todo. A Igreja é católica, universal, destina-se a todos os homens de todas as raças, classes, culturas, de todas as latitudes e de todos os tempos. A mostarda (sinapis nigra) é um arbusto ainda hoje muito abundante na Palestina e que pode chegar a atingir 3 ou 4 metros de altura.

33 A parábola do «fermento» mostra como o Evangelho vai transformando todo o mundo – «a massa» – de modo invisível, lento mas progressivo; deixa ver como a Igreja vai convertendo à fé todos os povos. O fermento é também uma expressiva imagem do que o cristão tem de ser no mundo: sem se deixar dessorar, deve ir conquistando com o seu exemplo e com a sua palavra os que o rodeiam para Cristo, e ir imbuindo do espírito de Cristo todas as realidades humanas, a cultura e as próprias estruturas da sociedade, sem as instrumentalizar nem clericalizar.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Religião e convivência

2. A paciência de Deus

3. A tolerância perante o mal

4. Lições a tirar

5. A lei do crescimento.

 

 

1. Religião e convivência

 

Os conflitos entre os povos e comunidades de diferente tradição religiosa (cristãos, muçulmanos, hindus...) provocam periodicamente a pergunta sobre a influência das religiões na sociedade e na história: é favorável? Ou é fonte de fanatismos e discórdias?

É justo admitir que as religiões têm com frequência manifestações intolerantes: integrismo, discriminações de género, práticas de terror em nome de Deus... Segundo algumas opiniões, conflitos como os da Irlanda, da Palestina, dos Balcãs, da Índia, acentuam a ideia de que as crenças religiosas alimentam a intolerância e a recusa de tudo aquilo que é diferente. Para isso, afirmam, é melhor não ter nenhum Deus.

Contudo, não é menos evidente que no âmbito religioso abundam os compromissos e esforços noutras direcções: é o caso do diálogo com as outras religiões, em favor dos direitos humanos; é o caso do compromisso compartilhado pela justiça e pela paz. Este esforço e diálogo é o caminho para o entendimento na medida em que admite as diferenças. Assume-se a posição de que nunca podemos conhecer e possuir toda a verdade, que o homem não é o juiz supremo do homem. A última palavra pertence a Deus que «faz brilhar o sol sobre bons e maus, e envia a chuva sobre justos e injustos» (Mt 5, 45).

Trata-se, pois, de um convite a sermos pacientes e misericordiosos como Deus, que é paciente connosco.

   

2. A paciência de Deus

 

As leituras de hoje chamam a atenção para este atributo de Deus: a paciência. Logo a primeira leitura, tirada do livro da Sabedoria, fala-nos da atitude do Senhor em relação às Suas criaturas: “Vós julgais com brandura e governais com muita indulgência”. Apesar de ser Deus Todo-Poderoso, procede com brandura, pelo caminho da paciência, sabendo esperar o regresso daquele que prevaricou. Não é um Deus violento, que promete exercer vingança sobre os povos idólatras.

O salmista canta a mesma experiência, reconhecendo que o Senhor é “clemente e bom, cheio de misericórdia para quantos O invocam... clemente e compassivo, lento para a ira, rico em piedade”.

O Evangelho, por sua vez, mostra que o Deus paciente do Velho Testamento é também o da Nova Aliança. Acabamos de ouvir a parábola da boa semente e do joio, parábola da tolerância, da paciência.

Nestas parábolas Jesus dirige-se aos seus discípulos, preocupado com a necessidade de os defender da maléfica influência dos fariseus que se julgavam os «bons» em oposição aos outros que eram «maus». Ao responder que não se devia arrancar o joio antes da colheita, Jesus critica a «impaciência messiânica» dos discípulos e a nossa.

Muitas pessoas querem fazer da Igreja uma comunidade de puros e imaculados, quando ela é uma comunidade de pecadores em luta pela santidade. É preciso exercer a paciência pois a vida aparece-nos entretecida de trigo e joio.

 

3. A tolerância perante o mal

 

O dono responde: “não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo”. Muitos escandalizam-se da paciência de Deus. O mundo de hoje não compreende esta linguagem. Diz: a paciência é cobardia, a paciência é fraqueza. Não. É o contrário. Quem é paciente diante de quem o ofendeu, é mais forte que a ofensa. E este é exemplo pelo próprio Deus.

Que felicidade ser Deus tão paciente e não castigar o pecador no momento em que comete o pecado! Deus adia o castigo. Esta demora é para bem do culpado e para proveito dos outros. Que seria do mundo se Deus não fosse tão paciente? Como se transformaria o publicano Levi em São Mateus? Como se transformaria aquela mulher pecadora em Santa Maria Madalena? Como converteria o perseguidor Saulo em S. Paulo? Ou o pecador Aurélio em S. Agostinho?

Mais. Que seria de mim se Deus não fosse paciente comigo, onde estaria eu se Deus tivesse castigado imediatamente o meu primeiro pecado?

 

4. Lições a tirar

 

Deus é paciente. Também nós o devemos ser. Tudo me enerva e irrita? Mas será que já resolvi alguma dificuldade por estar impaciente e nervoso?

Só a paciência dá tranquilidade, confiança, consolação e alegria. Para isso há que lutar contra tudo o que me faz desanimar. Sejamos, pois, pacientes connosco, com a nossa vida, com os outros. Paciência connosco mesmo, sobretudo na doença. Na doença perdemos facilmente a paciência. Lembremo-nos que a impaciência ainda não curou ninguém. Paciência com o próximo, independentemente da idade, da condição social, da cor da pele, do credo religioso ou político. Paciência com todos, amigos ou inimigos.

Que tenham paciência marido e esposa, pondo de parte caprichos e mal entendidos. Que tenham paciência pais e filhos, não dando entrada à ira e ao nervosismo. Que tenham paciência os patrões com os operários e vice-versa. Que tenham paciência os que de tudo se escandalizam, os que sempre murmuram e criticam e os que fazem juízos precipitados. Que sejam pacientes e misericordiosos aqueles que querem uma igreja à sua maneira e esquecem que o Reino de Deus se constrói lentamente como o grão de mostarda.

 

5. A lei do crescimento.

 

Um grão de mostarda, pequena semente, lançada à terra; dela nasce um caule que vai crescendo, crescendo, engrossando, engrossando até se tornar uma árvore frondosa onde se abrigam as aves do céu. Um punhado de discípulos, lançados ao mundo, foi crescendo, aumentando; hoje lança os seus ramos por todos os continentes, dando abrigo e acolhimento a tanta vida sem eira nem beira. É a parábola do grão de mostarda, feita realidade em crescimento através de dois mil anos de existência a que chamamos Igreja. Faz bem pensar naquele «grão» lançado à terra que morre e ressuscita (Cristo); faz bem pensar naqueles doze «grãos» lançados à terra (apóstolos), donde nasceu a árvore frondosa que somos hoje; faz bem pensar em tantas instituições de solidariedade social onde são acolhidos tantos desprotegidos, abandonados e marginalizados. Faz bem pensar que o Reino de Deus, apesar de tanto joio, vai crescendo e abrigando tanto pária da sociedade actual. Sim, no meio de tanto pessimismo, faz bem pensar na realidade da parábola do grão de mostarda.

Procuremos, a partir de hoje, imitar a grandeza da paciência de Deus. Peçamo-la ao Espírito Santo, Ele que «vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rom 8, 26-27).

 

Credo

 

P. Credes em Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra?

R. Sim, Creio.

 

P. Credes em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e está à direita do Pai?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna?

R. Sim, creio!

 

P. Esta é a nossa fé, esta é a fé da Igreja que nos gloriamos de professar em Jesus Cristo, Nosso Senhor!

R. Ámen.

 

Fala o Santo Padre

 

«Reino dos céus significa senhorio de Deus,

e isto quer dizer que a sua vontade deve ser assumida como o critério-guia da nossa existência.»

Estimados irmãos e irmãs!

As parábolas evangélicas são breves narrações que Jesus utiliza para anunciar os mistérios do Reino dos céus. Utilizando imagens e situações da vida quotidiana, o Senhor «deseja indicar-nos o verdadeiro fundamento de todas as coisas. Ele mostra-nos... o Deus que age, que entra na nossa vida e quer guiar-nos pela mão» (Jesus de Nazaré, 2007). Com este tipo de discursos, o Mestre divino convida a reconhecer antes de tudo a primazia de Deus Pai: onde Ele não está, nada pode ser bom. Trata-se de uma prioridade decisiva para tudo. Reino dos céus significa, precisamente, senhorio de Deus, e isto quer dizer que a sua vontade deve ser assumida como o critério-guia da nossa existência.

O tema contido no Evangelho deste domingo é precisamente o Reino dos céus. O «céu» não deve ser entendido unicamente no sentido da altura que nos ultrapassa, porque tal espaço infinito possui também a forma da interioridade do homem. Jesus compara o Reino dos céus com um campo de trigo, para nos levar a compreender que dentro de nós foi semeado algo de pequeno e escondido que, no entanto, possui uma força vital insuprimível. Não obstante todos os obstáculos, a semente desenvolver-se-á e o fruto amadurecerá. Este fruto só será bom, se o terreno da vida for cultivado em conformidade com a vontade divina. Por isso, na parábola do trigo bom e do joio (cf. Mt 13, 24-30), Jesus admoesta-nos que, depois da sementeira realizada pelo dono, «enquanto todos dormiam», interveio «o seu inimigo», que semeou a erva daninha. Isto significa que devemos estar prontos para conservar a graça recebida desde o dia do Baptismo, continuando a alimentar a fé no Senhor, a qual impede que o mal ganhe raízes. Santo Agostinho, comentando esta parábola, observa que «muitos, primeiro são joio e depois tornam-se trigo bom», e acrescenta: «Se eles, quando são malvados, não fossem tolerados com paciência, não chegariam à mudança louvável» (Quaest. septend. in Ev. sec. Matth., 12, 4: pl 35, 1371).

Queridos amigos, o Livro da Sabedoria — do qual foi tirada a primeira Leitura de hoje — põe em evidência esta dimensão do Ser divino, dizendo: «Não há fora de Vós um Deus que se ocupa de tudo... Porque a vossa força é o fundamento da vossa justiça e o facto de serdes Senhor de todos torna-vos indulgente para com todos» (Sb 12, 13.16); e o Salmo 85 confirma-o: «Porque Vós sois clemente e bom, Senhor, cheio de misericórdia para com aqueles que vos invocam» (v. 5). Portanto, se somos filhos de um Pai tão grande e bom, procuremos assemelhar-nos a Ele! Esta era a finalidade que Jesus se propunha com a sua pregação; com efeito, a quantos O ouviam, Ele dizia: «Sede perfeitos, como o vosso Pai que está nos céus é perfeito» (Mt 5, 48). Dirijamo-nos com confiança a Maria, que ontem pudemos invocar com o título de Santíssima Virgem do Monte Carmelo, a fim de que nos ajude a seguir fielmente Jesus e, deste modo a viver como verdadeiros filhos de Deus.

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 17 de Julho de 2011

 

Oração Universal

 

Ao nosso Deus que cuida de todas as coisas

e é indulgente para com todos,

confiamos as preces do seu Povo, dizendo:

 

Ouvi-nos, Senhor!

 

1.  Pela Igreja:

para que semeie, com abundância e confiança,

a Palavra da tolerância, da paciência e do amor,

no agitado campo do nosso mundo.

Oremos irmãos.

 

2.  Pela Paz no mundo:

para que o sangue das vítimas do terrorismo,

se torne semente de um mundo novo, 

onde habite a justiça e a paz, para sempre.

Oremos irmãos.

 

3.  Pelos que trabalham, de modo escondido, no campo do nosso mundo,

para que se tornem fermento de paz e de esperança.

Oremos irmãos.

 

4.  Por todos nós aqui presentes,

para que saibamos ser tolerantes, compreensivos e pacientes,

reconhecendo o pecado que há em nós.

Oremos irmãos.

 

Voltai para nós os Vossos olhos,

ó Deus clemente e compassivo,

e atendei a Voz da nossa súplica.

Por nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao teu altar, F. da Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que levastes à plenitude os sacrifícios da Antiga Lei no único sacrifício de Cristo, aceitai e santificai esta oblação dos vossos fiéis, como outrora abençoastes a oblação de Abel; e fazei que os dons oferecidos em vossa honra por cada um de nós sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Cristo crucificado é o grão de trigo, que morre, para dar fruto e ser pão de vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Vinde comer do meu Pão, C. Silva, 98

cf. Salmo 110, 4-5

Antífona da comunhão: O Senhor misericordioso e compassivo instituiu o memorial das suas maravilhas, deu sustento àqueles que O temem.

 

Ou

Ap 3, 20

Eu estou à porta e chamo, diz o Senhor. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O bom grão semeado no nosso campo era promessa de uma boa ceifa. Mas eis que o joio veio poluir a seara. Que tipo de compromissos aceitamos na nossa vida? Deus é paciente! Mas se temos ouvidos, é urgente escutar o seu apelo à conversão. É urgente escolher o nosso campo: o do Senhor ou o do Maligno. Não há alternativa!

Mas não tenhais medo da vossa fragilidade. Não tenhais medo do que neste campo floresce. Deus é maior do que nós! Bom Domingo!

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

16ª SEMANA

 

2ª Feira, 21-VII: Sacrifícios do agrado de Deus.

Miq 6, 1-4. 6-8 / Mt 12, 38-42

Agradarão ao Senhor milhares de cabritos, dezenas de milhares de torrentes de azeite?

Qual o sacrifício que mais pode agradar ao Senhor, pergunta o profeta. «Todas as suas actividades (dos leigos), orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres de corpo e do espírito, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida, se pacientemente suportadas, tudo se transforma em 'sacrifício espiritual', agradável a Deus por Jesus Cristo» (CIC, 901).

Jesus recorda a boa resposta dos habitantes de Nínive, ao pedido de Jonas (Ev.). Converteram-se, fizeram penitência e abandonaram o mal que estavam a fazer.

 

3ª Feira, 22-VII: S. Maria Madalena: Amor e perseverança na procura de Jesus.

Cant 3, 1-4 /  Jo 20, 1. 11-18 (pp.)

No primeiro dia da semana, Maria de Magdala foi de manhãzinha, ainda escuro, ao túmulo do Senhor.

«Maria Madalena, e as santas mulheres que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus, foram as primeiras pessoas a encontrar-se com o Ressuscitado (Ev.)» (CIC, 641). E  tornou-se também numa das primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo.

Procuremos ir ao encontro do Senhor no nosso dia. Haverá momentos em que será mais difícil, mas Ele está sempre à nossa espera. Imitemos Maria Madalena no amor com que o procurou. «A contemplação procura aquele que o meu coração ama' (Leit.), que é Jesus, e n'Ele o Pai. Ele é procurado, porque desejá-lo é sempre o princípio do amor» (CIC, 2709).

 

4ª Feira, 23-VII: S Brígida: Para uma Europa renovada.

Gal 2, 19-20 / Jo 15, 1-8

Quando alguém permanece em mim e eu nele, esse é que dá muito fruto porque, sem mim, nada podeis fazer.

Recorramos à protecção de Santa Brígida, Padroeira da Europa, para que todos nos aproximemos mais de Deus. Lembremo-nos que «Jesus conheceu-nos e amou-nos, a todos e a cada um, durante a sua vida, a sua agonia e a sua paixão, entregando-se por cada um de nós (Leit.)» (CIC, 478).

Ajudaremos a recristianização da Europa se estivermos muito unidos a Jesus: «Jesus fala de uma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que o seguem (Ev.)» (CIC, 787). A comunhão eucarística é um excelente meio para alcançarmos esta comunhão íntima.

 

5ª Feira, 24-VII: Como entrar no reino de Deus.

Jer 2, 1-3. 7-8. 12-13 / Mt 13, 10-17

Endureceram os ouvidos e fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos e ouvir com os ouvidos.

Jesus convida a entrar no seu reino por meio das parábolas (Ev.), um elemento muito característico dos seus ensinamentos. Para isso, precisamos abrir bem os olhos da fé: «felizes os olhos porque vêem» (Ev.); e também os ouvidos, para acolhermos bem a palavra de Deus.

Deus queixa-se que o seu povo cometeu dois pecados: abandonou-o a Ele, que é fonte de água viva, e foi abrir cisternas, com fendas, que não conservam a água (Leit.).  Se nos afastamos de Deus, ou não prestamos atenção aos seus ensinamentos, estamos a andar por caminhos alheios ao reino de Deus.

 

6ª feira, 25-VII: S. Tiago: Preparação para servir o Senhor.

2 Cor 4, 7-15 / Mt 20, 20-28

Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos!

Recebemos do Senhor uma vida nova, através dos sacramentos:«Ora, esta vida, trazemo-la em 'vasos de barro' (Leit.). A vida nova dos filhos de Deus pode ser enfraquecida, e até perdida, pelo pecado» (CIC, 1420). Por isso, o Senhor nos pergunta se podemos beber o seu cálice.

S. Tiago respondeu afirmativamente e, de facto, foi o primeiro dos Apóstolos a dar a vida pelo Evangelho (Oração). Para cumprirmos a nossa missão de servir e dar a vida pelos outros (Ev.), precisamos apoiar-nos muito na fortaleza de Deus.

 

Sábado, 26-VII: S. Joaquim e S. Ana: A herança que deles nasceu.

Sir 44, 1. 10-15 (aprop.) / Mt 13, 16-17 (aprop.)

Celebremos os louvores dos homens ilustres, dos nossos antepassados através das gerações.

Hoje é dia para louvarmos as ilustres pessoas (Leit.) dos pais de Nossa Senhora: Joaquim e Ana. Foram eles que trouxeram ao mundo a futura Mãe de Deus (Oração).

De algum modo, chegaram aos mistérios do reino de Deus, através do que viram e ouviram da sua filha Maria: «Felizes os olhos porque vêem, e os ouvidos porque ouvem» (Ev.). Peçamos-lhe que nos ensinem a 'ver' Nossa Senhora como eles a viram, e a 'ouvi-la' como eles a ouviram, para a podermos imitar melhor, porque Ela ouviu a palavra de Deus e a  levou à  prática.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Nuno Westwood

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial