15º Domingo Comum

13 de Julho de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, cantai hinos, F. da Silva, NRMS 106

cf. Salmo 16, 15

Antífona de entrada: Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Temos dificuldades em nos ouvirmos uns aos outros e em ouvir Deus. Vivemos numa civilização de ruído e de agitação que nos impede de nos concentrarmos, pensar na vida, ouvir Deus e escutar os problemas dos nossos irmãos. A TV, a rádio, o telemóvel e outros inventos, enchem de ruído a nossa vida.

Encontramos ainda outra dificuldade: vivemos mergulhados na civilização audio-visual e estamos só inclinados a prestar atenção ao conhecimento veiculado pela imagem.

Se acrescentarmos que passamos a vida a correr, com o tempo esgotado, teremos um quadro do tempo em que vivemos.

Estas e outras são as dificuldades para acolher devidamente a Palavra de Deus. A Liturgia da Palavra de Deus do 15º Domingo comum chama a nossa atenção para a importância que ela tem na nossa vida.

 

Acto penitencial

 

Vivemos continuamente distraídos dos problemas fundamentais da nossa vida e esquecemos a necessidade de procurarmos conhecer a vontade de Deus por meio da Sua Palavra.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor da vida superficial em que temos vivido.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Porque nos deixamos dominar pelo que vemos e ouvimos,

    renunciando a julgar por nós próprios o valor das coisas,

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Porque não temos feito render os talentos que recebemos

    de sabermos ler e de termos acesso à Sagrada Escritura,

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Porque não nos preocupamos com a formação doutrinal

    e a daqueles que estão confiados aos nossos cuidados,

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías garante-nos, em nome de Deus, que a Sua Palavra é verdadeiramente fecunda e criadora de vida. Enche-nos de esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e dá-nos força para intervir na construção de um mundo melhor. Ela é sempre eficaz e produz sempre um bom efeito, embora não actue, muitas vezes, de acordo com os nossos interesses e critérios.

 

Isaías 55, 10-11

Eis o que diz o Senhor: 10«Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, 11assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».

 

Esta leitura, tirada do final do Segundo Isaías, foi escolhida em função do Evangelho de hoje (Mt 13, 1-23). Deus acaba de anunciar, através do profeta, todos os bens que tem preparados para os repatriados no seu regresso do exílio de Babilónia. A «palavra que sai da minha boca» (v. 11) é o anúncio do Profeta, como personificado; esta palavra não é uma mera palavra de ânimo, mas é dotada de eficácia e terá pleno cumprimento; para quem é o Todo-Poderoso, o dizer equivale ao fazer: Deus disse e tudo foi feito, como se lê no 1º capítulo do Génesis.

 

Salmo Responsorial    Sl 64 (65), 10abcd.10e-11.12-13.14 (R. Lc 8, 8)

 

Monição: O salmo que a Liturgia coloca em nossos lábios, como resposta à interpelação que fez o Senhor pelo profeta Isaías, convida-nos a entoar um hino de louvor ao Altíssimo pela magnificência com que nos concede os Seus dons.

 

Refrão:     A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

 

Visitastes a terra e a regastes,

enchendo-a de fertilidade.

As fontes do céu transbordam em água

e fazeis brotar o trigo.

 

Assim preparais a terra;

regais os seus sulcos e aplanais as leivas,

Vós a inundais de chuva

e abençoais as sementes.

 

Coroastes o ano com os vossos benefícios,

por onde passastes brotou a abundância.

Vicejam as pastagens do deserto

e os outeiros vestem-se de festa.

 

Os prados cobrem-se de rebanhos

e os vales enchem-se de trigo.

Tudo canta e grita de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Carta aos Romanos, S. Paulo fala-nos da solidariedade entre o homem e o resto da criação. A Palavra de Deus oferece-nos os critérios para que o homem possa viver “segundo o Espírito” e para que ele possa construir o “novo céu e a nova terra” com que todos sonhamos.

 

Romanos 8, 18-23

Irmãos: 18Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não tem comparação com a glória que se há-de manifestar em nós. 19Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. 20Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade d'Aquele que as submeteu, com a esperança de que as mesmas criaturas 21sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 22Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. 23E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.

 

Temos vindo nestes domingos a respigar alguns dos mais expressivos textos da epístola aos Romanos. Este é um dos textos de difícil interpretação, sobre a qual não há pleno acordo entre os exegetas.

19 «As criaturas esperam ansiosamente...» S. Paulo, lançando mão duma empolgante prosopopeia, associa o conjunto das criaturas irracionais à esperança e anelos do homem redimido por Cristo.

20 «Elas estão sujeitas à vã situação do mundo» (à letra, «à vaidade»). Esta situação vã do mundo é a obra da criação sujeita à destruição, podendo ver-se aqui uma alusão a Gn 3, 17, o rompimento da harmonia da criação como consequência do pecado do homem. Esta situação da criação deve-se «a quem a sujeitou», mas o original grego não explicita o sujeito (a tradução litúrgica traduziu por Deus); podemos pensar ou no mau uso que os homens fazem das criaturas, que o homem tem o poder de dominar (cf. Gn 1, 28-29), ou então em que Deus, após o pecado, dispôs a natureza de forma esta punir o homem pecador, a quem ela naturalmente devia servir (cf. Gn 3, 17-19). Em ambos os casos, temos a harmonia inicial da criação transtornada, devido ao pecado.

21 «As mesmas criaturas seriam também libertadas da corrupção que escraviza» (à letra, da escravidão da corrupção). A que libertação se refere o texto sagrado não se pode saber com certeza. Designará a glorificação dos corpos depois da ressurreição, a qual redundará em glória para toda a natureza irracional, uma vez que o homem «mikrokósmos», é uma síntese de todo o Universo? Ou aludirá a uma restauração física de todo o Universo, coisa que não parece estar na perspectiva paulina, mas que se poderia deduzir de Apoc 21, 1 e 2 Pe 3, 13, entendendo à letra estes textos simbólicos, pertencentes ao género apocalíptico? Pode tratar-se simplesmente da referência à libertação da maldição que o pecado trouxe às criaturas (cf. Gn 3, 17-19], sem se explicitar mais. Seja como for, podemos fazer uma leitura espiritual deste misterioso texto do modo seguinte: na medida em que os filhos de Deus santificarem o mundo, isto é, todas as realidades terrenas, ordenando-as segundo o espírito do Evangelho, nessa medida estão a libertá-las da escravidão do pecado, pois deixam de ser objecto do mau uso que delas faz o homem pecador; e, desta maneira, também elas participam da salvação: «para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus» (no original grego não há verbo nenhum), isto é, participam da «gloriosa liberdade dos filhos de Deus», à letra, «da liberdade da glória dos filhos de Deus», uma glória que liberta, em paralelismo com a «corrupção que escraviza», de que se fala no v. 21.

22-23 «Toda a criatura tem gemido e tem sofrido as dores da maternidade» O Apóstolo usa uma arrojada prosopopeia para apresentar toda a criação a suspirar juntamente com os cristãos, que já são filhos de Deus (v. 15), mas que esperam a plenitude desta filiação na vida eterna (cf. 1 Cor 13, 12; 1 Jo 3, 2).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 6, 64b.69b

 

Monição: Que seria de nós, sem a luz e a força que nos dá a Palavra de Deus, ao longo da nossa vida?

Aclamemos O Evangelho que leva até ao íntimo do nosso coração esta Palavra divina, cantando Aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo.

Quem O encontra viverá eternamente.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 13, 1-23                   Forma breve: São Mateus 13, 1-9

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. 2Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. 3Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. 4Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. 5Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram porque a terra era pouco profunda; 6mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. 7Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. 8Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. 9Quem tem ouvidos, oiça».

[10Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». 11Jesus respondeu-lhes: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. 12Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. 13É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. 14Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: 'Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas não vereis. 15Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure'. 16Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! 17Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. 18Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador: 19Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. 20Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento, 21mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. 22Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. 23E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».]

 

O texto do Evangelho corresponde ao início do chamado discurso das parábolas, onde em São Mateus Jesus apresenta a natureza do Reino de Deus: «Falou-lhes de muitas coisas em parábolas». Como de costume, este evangelista deve ter agrupado aqui, neste capítulo 13, sete parábolas, com toda a probabilidade contadas por Jesus em diferentes ocasiões. Parábola é uma comparação prolongada; isto significa o próprio termo grego (parabolê). Distingue-se da fábula, pois é verosímil; é uma narração viva e atraente, tirada das coisas da natureza e da vida diária. Também é diferente da alegoria, pois esta está toda carregada de simbolismo e todos os seus elementos encerram algum significado especial, ao passo que a parábola, de mais simples interpretação, vai direita a uma ideia central que se quer inculcar, sem que os seus elementos secundários tenham, em geral, qualquer significado especial, sendo meros elementos de adorno. Em S. João, que não recorre a parábolas, temos a célebre alegoria da videira (Jo 15). Também há parábolas com elementos alegóricos, podendo mesmo este simbolismo ser captado apenas a partir da vida da Igreja (por ex., em Mt 25, 5, na parábola das 10 virgens, a demora do esposo passa a simbolizar a demora da parusía. A parábola do semeador, que hoje temos, também nos aparece misturada de alegoria, pois não se limita a expor uma ideia central: a eficácia extraordinária e sobrenatural da sementeira divina, da acção de Deus no mundo, na Igreja e nas almas (100, 60, 30 por um). Nesta parábola cada um dos terrenos tem um significado simbólico particular, significado que é atribuído por Cristo na explicação posterior. Mas, ao fim e ao cabo, a parábola do semeador encerra uma exortação implícita a converter-se em boa terra para receber a Palavra de Deus e a confiar na sua eficácia.

10-13 «Porque lhes falas em parábolas?» Jesus, segundo os costumes orientais, não explicava imediatamente uma parábola e deixava que ela ficasse a bailar no espírito dos ouvintes como uma espécie de enigma (o maxal hebraico correspondia tanto à comparação, como a uma máxima, sentença sábia, alegoria, ou mesmo a um enigma ou adivinha). Assim despertava Jesus o interesse dos ouvintes: as almas rectas e amantes da verdade podiam depois procurar aprofundar o ensinamento; as pessoas superficiais, materialistas e desinteressadas da verdade, deixavam que tudo se lhes escapasse, por isso diz Jesus que «a eles não lhes é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus» (v. 11). «Àquele que tem dar-se-á...», aos que têm boas disposições, estas são-lhe aumentadas com as luzes da pregação de Jesus; ao passo que aos mal dispostos pelo mau uso da sua liberdade, até as luzes que tinham (particularmente as recebidas com a revelação do Antigo Testamento) acabam por perdê-las. A citação da «profecia de Isaías» contém um anúncio do endurecimento dos ouvintes da pregação profética, que é entendida como consequência e castigo da resistência à graça. Deus não quer este endurecimento do coração, mas permite-o, porque quer respeitar a liberdade humana; mas o homem tem a grave responsabilidade de ser fiel a Deus e de fazer frutificar os dons recebidos; «não fossem ver…, ouvir…, entender… e converter-se… e Eu os curasse» (v. 15) é uma linguagem para nós demasiado dura, por dar a entender que é Deus quem endurece o coração do pecador, mas, na linguagem bíblica, é frequente não distinguir o que Deus permite daquilo que Deus faz, atribuindo frequentemente a Deus, a Causa Primeira, aquilo que é fruto das causas segundas. «Se lhes falo em parábola, é porque vêem sem ver...» Em Mateus o ensino em parábolas aparece como um acto de condescendência de Jesus, como uma forma de tornar acessíveis os ensinamentos de Jesus sobre os elevados mistérios do Reino, mas que ficam incompreensíveis para as almas fechadas à luz da verdade.

 

Sugestões para a homilia

 

• Eficácia da Palavra de Deus

O valor da Palavra de Deus

Eficácia da Palavra de Deus

Deus nunca falta

A divina sementeira

A iniciativa divina.

A qualidade dos terrenos.

Os frutos.

 

 

1. Eficácia da Palavra de Deus

 

a) O valor da Palavra de Deus. A Palavra humana foi-nos dada como uma ponte através da qual os corações das pessoas comunicam entre si os sentimentos, os desejos e aspirações.

O Senhor comunica-nos a Sua Palavra e acolhe-nos na oração, em dialogo com Ele, para fomentar esta comunhão com Ele. Ao abrir-nos o Seu Coração, convida-nos a entrar n’Ele, a participar da Sua felicidade.

Ela é uma ponte para irmos ao Seu encontro e fortalecermos constantemente a intimidade com Ele. A Palavra de Deus é como a lenha para a fogueira: Se ela falta, a fogueira — a oração, o crescimento no amor de Deus – definha e apaga-se.

É a Luz que ilumina o nosso caminho. Sem luz não se pode caminhar, evitando os perigos, nem saborear a beleza das coisas.

Desperta e orienta os nossos desejos de santidade, apontado virtudes e precavendo-nos contra os defeitos. Quem nada sabe, nada deseja. Quem não ouve a Palavra de Deus chega a convencer-se de que é um santo e não precisa de mudar em nada.

 

b) Eficácia da Palavra de Deus. «Eis o que diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, [...]»

Isaías fala-nos de um “diálogo” entre a terra e o Céu: de lá vem a chuva e a neve; a terra acolhe-a e corresponde com frutos variados: pastos para o gado, cereais e frutos.

A Palavra de Deus não se limita a ensinar-nos o que havemos de fazer para chegar ao Céu. Dá-nos uma graça especial para o conseguirmos.

Deus empenha a Sua Palavra na garantia desta eficácia, enchendo-nos de confiança. Sabemos, por experiência, que depois de termos acolhido a Palavra de Deus numa homilia ou em qualquer outro meio de formação doutrinal, sentimos desejos de melhorar a nossa vida de relação com Deus e lutamos por isso com maior entusiasmo.

Quando escutamos a Palavra de Deus, sentimo-nos confiantes, optimistas, com o coração a transbordar de esperança; sentimos que o caminho que Deus nos indica é, efectivamente, um caminho de felicidade e de vida plena… “Que bom é estarmos aqui” – dizemos…

 

c) Deus nunca falta. «[...]”a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão”»

Se a Palavra de Deus não cumpre a promessa que o Senhor nos faz pelo profeta Isaías, a culpa não está do Seu lado, mas do nosso. É o mesmo Senhor que chama a nossa atenção para isso no Evangelho: nas Parábolas sobre a semente — é sempre a mesma, mas os terrenos em que ela cai, não; nas advertências ao público a quem se dirige, etc.

Quando voltamos à nossa vida do dia a dia e reencontramos a monotonia, os problemas, o desencanto; constatamos que os maus, os corruptos, os violentos, parecem triunfar sempre e nunca são castigados pelo seu egoísmo e prepotência, enquanto que os bons, os justos, os humildes, os pacíficos são continuamente vencidos, magoados, humilhados… Então perguntamos: poderei confiar nas promessas de Deus? Não estarei a ser enganado?

A Palavra de Deus que hoje nos é proposta responde a estas dúvidas. Ela garante-nos: a Palavra de Deus não falha nunca; ela indica sempre caminhos de vida plena, de vida verdadeira, de liberdade, de felicidade, de paz sem fim.

 

2. A divina sementeira

 

Na Parábola do semeador, Jesus põe em destaque a diversidade dos terrenos que vai condicionar a fecundidade da semente.

É das poucas Parábolas das quais Jesus Cristo explicou o sentido, dando uma interpretação autêntica.

 

a) A iniciativa divina. «“Saiu o semeador a semear.» O Semeador é Jesus Cristo e realiza esta sementeira divina na Sua Igreja, com particular riqueza na Celebração da Eucaristia, especialmente na dominical.

A assembleia que participa apresenta uma diversidade grande de terrenos: pessoas de diversas idades, estados e cultura religiosa.

Mas, sobretudo, o que está em jogo é o acolhimento que as pessoas fazem à divina sementeira.

Jesus Cristo semeia o Pão da Palavra. São proclamados três textos da Sagrada Escritura e cantado um salmo. Para melhor ser acolhida a Palavra, a Igreja recomenda vivamente que o sacerdote faça homilia, na qual explique às pessoas presentes a Palavra de Deus.

Semeia também o Pão da Santíssima Eucaristia para aqueles que tiveram o cuidado de se preparem para O receber.

Fá-lo com generosa prodigalidade, de tal modo que não há razão para invejarmos os que viveram no Seu tempo.

 

b) A qualidade dos terrenos. «Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho [...]. Outras caíram em sítios pedregosos, [...]. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto [...].»

 

O próprio Jesus explica o significado dos terrenos diversos.

 

• «Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho

Antes desta explicação, podemos perguntar se chegamos a ouvir a Palavra de Deus ou, pelo contrario, estamos distraídos, de tal modo que não ouvimos nada do que se disse. Também é muito importante o ministério do leitor, para proclamar bem a Palavra de Deus.

 

• «Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo

Se toda a vida da semana vai ser passada longe de Deus, na murmuração, num trabalho bem feito, sem a oração pessoal e em família, então o nosso coração é esse terreno pedregoso.

É preciso retirar do coração os pedregulhos da preguiça, da falta de caridade, da vaidade, etc., para que a semente possa frutificar.

 

• «Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto

Temos muitos problemas a resolver durante a semana. Mas não nos podemos deixar absorver tanto por eles, que nos falte tempo para rezar e para parar uns momentos para perguntarmos a nós próprios, como S. Paulo às portas de Damasco: “Senhor, que quereis que eu faça?

 

• «E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto, produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um”.»

 

c) Os frutos. A primeira pergunta que temos necessidade de fazer a nós próprios será: que espécie de terreno tenho sido para a semente da Palavra e da Eucaristia que o Senhor tem lançado generosamente no meu coração? Que propósitos pessoais formo de emenda de vida? Que intimidade mantenho com o Senhor depois de comungar?

Possivelmente, muitas vezes comungamos e não chegamos a tomar consciência de que o fizemos.

O fruto que o Senhor espera de nós é a conversão pessoal diária. Se a Palavra de Deus não nos inquieta, é mau sinal, porque não somos tão bons que não precisemos de mudar algo na nossa vida.

Depois, seremos portadores da semente do Evangelho junto das outras pessoas que vamos encontrar durante a semana.

O Evangelho de S. Lucas diz-nos por duas vezes que Maria meditava as palavras e os factos e guardava tudo no seu Coração.

Quando uma mulher elogia publicamente a Mãe de Jesus, Ele diz: «Antes bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática

 

Fala o Santo Padre

 

«A verdadeira “Parábola” de Deus é o próprio Jesus que, no sinal da humanidade,

esconde e ao mesmo tempo revela a divindade.»

Prezados irmãos e irmãs

[…] No Evangelho deste Domingo (cf. Mt 13, 1-23), Jesus dirige-se à multidão com a célebre parábola do semeador. Trata-se de uma página de certo modo «autobiográfica», porque reflecte a própria experiência de Jesus, da sua pregação: Ele identifica-se com o semeador, que difunde a boa semente da Palavra de Deus, e dá-se conta dos vários efeitos que ela alcança, segundo o tipo de acolhimento reservado ao anúncio. Há quem ouve superficialmente a Palavra, mas não a acolhe; há outros que a recebem no momento, mas não têm constância e perdem tudo; há depois aqueles que são dominados pelas preocupações e seduções do mundo; e há enfim quantos ouvem de modo receptivo, como o terreno bom: aqui a Palavra produz fruto em abundância.

Mas este Evangelho insiste também sobre o «método» da pregação de Jesus, ou seja, precisamente sobre o uso das parábolas. «Por que lhes falas mediante parábolas?» — perguntam os discípulos (Mt 13, 10). E Jesus responde, apresentando uma distinção entre eles e a multidão: aos discípulos, isto é àqueles que já se decidiram a segui-lo, Ele pode falar do Reino de Deus abertamente, mas aos demais, ao contrário, deve anunciá-lo com parábolas, precisamente para estimular a decisão, a conversão do coração; com efeito, pela sua própria natureza as parábolas exigem um esforço de interpretação, interpelam a inteligência mas também a liberdade. São João Crisóstomo explica: «Jesus pronunciou estas palavras com a intenção de atrair a Si os seus ouvintes e de os estimular, assegurando que, se O procurarem, Ele curá-los-á» (Comentário ao Evangelho de Mateus, 45, 1-2). No fundo, a verdadeira «Parábola» de Deus é o próprio Jesus, a sua Pessoa que, no sinal da humanidade, esconde e ao mesmo tempo revela a divindade. Deste modo, Deus não nos obriga a crer nele, mas atrai-nos a Si com a verdade e a bondade do seu Filho encarnado: Com efeito, o amor respeita sempre a liberdade. […]

 Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 10 de Julho de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Os ensinamentos de Jesus despertaram em nós

desejos de sermos o bom terreno do Evangelho

no qual a semente da Palavra produza muito fruto.

Peçamos, por Ele, ao Eterno Pai as melhores bênçãos,

para respondermos generosamente ao Seu convite.

Oremos (cantando):

 

    Ajudai-nos, Senhor, a produzir bom fruto!

 

1. Pelas famílias cristãs, primeiras escolas da fé,

    para que ajudem os filhos a ouvir a voz de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a produzir bom fruto!

 

2. Pelo Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

    para que não se cansem de semear a Boa Nova,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a produzir bom fruto!

 

3. Pelos missionários que sacrificam a Sua vida,

    para que sejam correspondidos no seu esforço,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a produzir bom fruto!

 

    4. Pelos catequistas, educadores da fé das crianças,

    para que edifiquem pela palavra e pelo exemplo,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a produzir bom fruto!

 

5. Pelos que fecham os ouvidos à mensagem de Jesus,

    para que o Espírito Santo mova os seus corações,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a produzir bom fruto!

 

6. Pelos que se purificam das suas manchas na terra,

    para que, pela mediação de Maria, gozem do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a produzir bom fruto!

 

Senhor, que nos ofereceis, com divina generosidade,

o Pão da Palavra e o Pão da Santíssima Eucaristia:

tornai-nos dignos de o recebermos generosamente,

para alcançarmos as Vossas divinas promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor preparou para todos nós duas mesas nesta Celebração da Santa Missa: a da Palavra e a da Santíssima Eucaristia.

Servidos na Mesa da Palavra, pelas leituras proclamadas e pela homilia, preparemo-nos agora para acolher o Corpo e Sangue de Jesus que Ele vai tornar presente, pelo ministério do sacerdote, a partir do pão e vinho que oferecemos.

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, cantai, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Nosso Senhor.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

O Senhor tem desígnios de paz e misericórdia para connosco, mas põe como condição que generosamente ofereçamos a paz e a misericórdia aos irmãos.

Manifestando este desejo,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Para a Mesa da Palavra fomos todos convidados; na Mesa da Eucaristia — na sagrada Comunhão — só deve participar quem tiver a veste nupcial, isto é, acredite na Presença Real do Senhor e esteja na graça de Deus.

Examine-se cada um cuidadosamente, antes de se aproximar da Mesa Eucarística e procure comungar com fé, amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: A semente é a Palavra de Deus, C. Silva, NCT 256

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Ou

Jo 6, 57

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor conta connosco para um acolhimento mais generoso à semente da Palavra de Deus e para, depois a levarmos ao coração dos nossos irmãos, nas diversas encruzilhadas da vida.

Façamos o propósito de cumprir este mandato do Senhor com generosidade.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor, Cantai, M. Simões, NCT 243

 

 

Homilias Feriais

 

15ª SEMANA

 

2ª Feira, 14-VII: O seguimento de Cristo e a conversão.

Is 1, 10-17  Mt 10, 34- 11, 1

Quem não toma a sua cruz, para me seguir, não é digno de mim.

Como o próprio Jesus afirma, devemos convencer-nos de que o mais importante para um cristão é o seguimento de Jesus. Isto consegue-se através de uma conversão interior, pois não basta qualquer sacrifício: «de que me servem os vossos inúmeros sacrifícios?» (Leit).

«A conversão interior realiza-se...pela revisão de vida, o exame de consciência, a direcção espiritual, a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição por amor da justiça. Tomar a sua cruz todos os dias e seguir Jesus (Ev.) é o caminho mais seguro de penitência» (CIC, 1435).

 

3ª Feira, 15-VII: Graças de Deus e conversão.

Is 7, 1-9 / Mt 11, 20-24

Começou Jesus a censurar duramente as cidades em que tinha realizado a maioria dos seus milagres, por não terem feito penitência.

Os habitantes destas cidades (Ev.) não corresponderam às graças recebidas de Deus. Embora Jesus não tenha vindo julgar, mas salvar, é, no entanto, possível recusar as graças nesta vida, endurecendo o homem o seu coração.

«O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: 'convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos'. Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo»(CIC, 1432).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 

 


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