S. Pedro e S. Paulo

Missa da Vigília

28 de Junho de 2014

 

Solenidade

 

 

Esta Missa celebra-se na tarde do dia 28 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Fez-vos Cristo luz do mundo, F. da Silva, NRMS 36

 

Antífona de entrada: Pedro, apóstolo, e Paulo, doutor das gentes, ensinaram-nos a vossa lei, Senhor.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos nesta eucaristia festiva a Vigília de S. Pedro e S. Paulo.

Pedro, discípulo de Jesus, escolhido por ele como o primeiro Papa e Paulo, de grande perseguidor dos cristãos, torna-se o primeiro missionário a levar a Igreja ao mundo conhecido de então.

Cientes das nossas omissões como anunciadores da Palavra num mundo cada vez mais afastado de Deus, peçamos perdão ao Senhor e, por intercessão destes dois Apóstolos, imploremos o auxílio necessário para estimularmos em nós o espírito missionário.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé, concedei-nos, por sua intercessão, o auxílio necessário para chegarmos à salvação eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Pedro e João personificam a Igreja, através da qual Jesus continua presente e actuante no mundo. A cura do coxo de nascença, é o símbolo da situação do povo fraco e dependente que é incapaz de se libertar, levantar e caminhar pelo dinheiro, mas somente em nome de Jesus.

 

Actos dos Apóstolos 3, 1-10

Naqueles dias, 1Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde. 2Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam. 3Ao ver Pedro e João, que iam a entrar no templo, pediu-lhes esmola. 4Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele e disse-lhe: «Olha para nós». 5O coxo olhava atentamente para Pedro e João, esperando receber deles alguma coisa. 6Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». 7E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, 8levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar depois entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. 9Toda a gente o viu caminhar e louvar a Deus 10e, sabendo que era aquele que costumava estar sentado, a mendigar, à Porta Formosa do templo, ficaram cheios de admiração e assombro pelo que lhe tinha acontecido.

 

Temos aqui o relato da cura do coxo de nascença, o primeiro milagre realizado por Pedro, com que se inicia mais uma unidade literária de Actos (Act 3, 1 – 5, 42) que refere a primeira actividade apostólica em Jerusalém, após o Pentecostes.

1 «Para a oração das 3 horas de tarde» (hora nona), a hora em que começavam no Templo as cerimónias do sacrifício vespertino que se prolongavam até ao cair da tarde; então se oferecia um cordeiro em sacrifício, como também de manhã, segundo Ex 12, 6.

2 «Porta Formosa», porta assim chamada pelos seus ricos adornos, que dava do átrio dos gentios para o átrio das mulheres, em frente do pórtico de Salomão (v. 11), que rodeava a zona do templo do lado Leste.

6 «Em nome de Jesus…» Os prodígios operados pelos Apóstolos não eram feitos em nome próprio, como Jesus fazia, revelando a sua divindade ao não precisar dum poder alheio para os realizar, como é o caso de Pedro.

 

Salmo Responsorial    Sl 18 A (19 A) 2-3.4-5 (R. 5a)

 

Monição: O homem, com palavras compreensivas, humaniza a ordem e a beleza do universo silencioso que louva o Criador, traduzindo-o num contínuo hino de louvor a Deus.

 

Refrão:     A sua mensagem ressoou por toda a terra.

 

Os céus proclamam a glória de Deus

e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

O dia transmite ao outro esta mensagem

e a noite a dá a conhecer à outra noite.

 

Não são palavras nem linguagem

cujo sentido se não perceba.

O seu eco ressoou por toda a terra

e a sua notícia até aos confins do mundo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus, morto e ressuscitado, aparece a Paulo, terrível perseguidor dos cristãos. Esta experiência directa com Jesus Cristo transformou-o profundamente. E de perseguidor, tornou-se Apóstolo, como ele próprio testemunha na sua carta aos Gálatas.

 

Gálatas 1, 11-20

11Eu vos declaro, irmãos: O Evangelho anunciado por mim não é de inspiração humana, 12porque não o recebi ou aprendi de nenhum homem, mas por uma revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar do meu proceder outrora no judaísmo e como perseguia terrivelmente a Igreja de Deus e procurava destruí-la. 14Fazia mais progressos no judaísmo do que muitos dos meus compatriotas da mesma idade, por ser extremamente zeloso das tradições dos meus pais. 15Mas quando Aquele que me destinou desde o seio materno e me chamou pela sua graça, 16Se dignou revelar em mim o seu Filho para que eu O anunciasse aos gentios, decididamente não consultei a carne e o sangue, 17nem subi a Jerusalém para ir ter com os que foram Apóstolos antes de mim mas retirei-me para a Arábia e depois voltei novamente a Damasco. 18Três anos mais tarde, subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias. 19Não vi mais nenhum dos Apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor. 20– O que vos escrevo, diante de Deus o afirmo: não estou a mentir.

 

S. Paulo escreve aos cristãos da Galácia, mais provavelmente da Galácia do Norte, na Turquia actual. Eram cristãos na maior parte convertidos de tribos pagãs originárias da Gália, que estavam a ser perturbados por pregadores de tendência judaizante, que os intimidavam dizendo-lhes que, para se salvarem, não bastava o Baptismo e a fé cristã, mas que necessitavam de ser circuncidados. Para imporem a sua teoria, tentavam desacreditar a pessoa de S. Paulo, afirmando que ele não era um verdadeiro Apóstolo, pois não tinha recebido a sua missão directamente de Jesus. Nesta carta o Apóstolo começa por declarar e explicitar como foi o próprio Senhor que lhe revelou o Evangelho – os principais mistérios – que ele pregava. Sendo assim, logo após a conversão, não teve necessidade de vir imediatamente a Jerusalém para ouvir os Apóstolos, retirou-se para a Arábia (o reino nabateu, a sul de Damasco) e só ao fim de três anos é que foi estar com os Apóstolos. Pergunta-se, então, que fez S. Paulo durante esses três anos? Uns pensam que foram anos de pregação, outros que teria sido um tempo de retiro espiritual, em que ele assenta ideias, confrontando a revelação que teve com os dados do Antigo Testamento e da fé dos primeiros cristãos.

19 «Só vi Tiago». A forma de falar não significa necessariamente que este irmão do Senhor fosse um dos 12 Apóstolos. Para que tenha sentido a frase, basta que se trate duma figura proeminente da igreja jerosolimitana; para isto seria suficiente o simples título de «irmão (parente) do Senhor» e a participação da missão apostólica. Por isso, hoje, muitos exegetas entendem que este Tiago é distinto do apóstolo, «filho de Alfeu.», o «São Tiago Menor. Não se pode tratar de Tiago, irmão de João, pois, segundo o testemunho de Flávio José, foi martirizado por volta do ano 42 (cf. Act 12, 2).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 21, 17b

 

Monição: Que o Senhor nos ajude a amarmos Cristo como Pedro, a fim de que também possamos dizer: Senhor, vós que sabeis tudo, bem sabeis que eu Vos amo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Senhor, que sabeis tudo, bem sabeis que Vos amo.

 

 

Evangelho

 

São João 21, 15-19

Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, 15depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

 

15-17 É fácil de ver na tripla confissão de amor de Pedro uma reparação da sua tripla negação (18, 17.25-27). Na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual (amas-Me? – agapâs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade (sou teu amigo – filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por se lembrar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo (cordeiros e ovelhas) o cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4. Recorde-se, a propósito, o que diz o Concílio Vaticano II, LG, 22: «O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o Pontífice Romano, sucessor de Pedro, entendido como sua cabeça, permanecendo inteiro o poder do seu primado sobre todos, quer pastores, quer fiéis. Pois o Romano Pontífice, em virtude do seu cargo de Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, nela tem pleno, supremo e universal poder, que pode sempre exercer livremente».

18-19 «Estenderás as mãos... Segue-Me». Pedro havia de seguir a Cristo até ao ponto de vir a morrer crucificado em Roma, na perseguição de Nero (64-68), segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I. Também se diz que, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo.

21-22. Jesus não satisfaz curiosidades inúteis, mas apela à fidelidade: «segue-me». Tendo em conta que Pedro já morrera havia uns 40 anos, não deixa de impressionar a ligação tão íntima entre o discípulo amado e Pedro, aparecendo este sempre numa posição de superioridade (cf. Jo 13, 24; 18, 15-16; 20, 1-8; 21, 1-12.15.20-23); há quem veja nisto um apelo a um critério a seguir nas relações entre as comunidades joaninas da Ásia Menor e a Igreja de Roma.

 

Sugestões para a homilia

 

·         A falta de coragem de Pedro e a posterior afirmação do seu amor

·         O caminho seguido por Paulo e a nossa vocação

 

A falta de coragem de Pedro e a posterior afirmação do seu amor

Pedro, por falta de coragem, negara três vezes Jesus no momento em que este era julgado no Sinédrio.

Ao ouvirmos ler o Evangelho desta vigília, apercebemo-nos que o Senhor recebe dele as três afirmações de incontestável amor, com as quais repara a tríplice negação e recebe de Jesus a confirmação do cargo de Pastor Supremo da Sua Igreja.

O grande erro de Pedro, que o levou a negar Jesus naquele momento, foi tê-l’O seguido de longe, o que lhe retirou a coragem de se declarar seu discípulo.

O tremendo erro de muitos de nós, os cristãos de hoje, torna-se igual ao de Pedro naquele momento do julgamento do Senhor: é seguirmos Jesus de longe, com receio de nos comprometermos. Quando não temos a coragem de nos afirmarmos e comportarmos como cristãos, neste pervertido mundo em que vivemos, renegamos o Mestre, a nossa fé e o baptismo que recebemos.

Resta-nos um caminho: o arrependimento, a humildade e a coragem para conhecer e seguir melhor a Jesus, a fim de coerentemente e sem receio ou respeitos humanos, cumprirmos a vocação para que fomos chamados: sermos verdadeiras testemunhas de evangelização.

 

O caminho seguido por Paulo e a nossa vocação

 

S. Paulo que inicialmente perseguira Jesus na pessoa dos primeiros cristãos, ao encontrar-se directamente com Cristo ressuscitado modifica radicalmente a sua atitude: de perseguidor convicto e violento, torna-se Apóstolo seguro e cheio de autoridade pela graça recebida.

No momento do nosso baptismo foi-nos transmitida em semente essa mesma graça que temos obrigação de fazer crescer e valorizar. Como estamos nós a corresponder-lhe? O que temos feito para anunciar a Boa Nova recebida? Não será altura de repensarmos a nossa actuação como cristãos? Que conduta poderemos e deveremos ter, de hoje em diante, para testemunhar a nossa fé?

Reflictamos no exemplo destes dois Apóstolos e reconsideremos a nossa actuação futura.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos:

    Com toda a fé e entusiasmo,

    rezemos a Deus nosso Pai, pedindo:

   

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

1.     Oremos pela Santa Igreja Católica

que tem como coluna fundamental, Pedro,

para que seja fiel à missão recebida.

 

2.  Oremos pelo Santo Padre, pelos nossos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que testemunhem com coerência, por palavras e obras,

o espírito cristão a toda a humanidade.

 

3.     Oremos pelos catequistas, missionários,

e todas as pessoas empenhadas na difusão da Boa Nova,

para que sejam ouvidas com o mesmo entusiasmo

com que as pessoas escutavam S. Pedro e S. Paulo.

 

4.     Oremos por todas as pessoas que se encontram angustiadas,

em situação de privação ou falta de esperança,

para que o Senhor, por intermédio de S. Pedro e S. Paulo

não as deixe cair no desânimo.

 

5.     Oremos a Deus, nosso Pai,

para que nos ajude a interpretar os sinais dos tempos,     

a fim de testemunharmos a Cristo,

luz que espalha a claridade dos verdadeiros valores.

 

6.     Oremos ainda ao Senhor

pedindo  o dom do discernimento e da concórdia,     

a fim levarmos a paz a todos com quem convivemos.

 

Ouvi, Senhor, a nossa oração      

e dignai-vos atender os nossos pedidos,

confirmando-nos na fé manifestada por S. Pedro e S. Paulo.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo,

vosso Filho, que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos com alegria, Senhor, a festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo, apresentamos as nossas ofertas ao vosso altar e, reconhecendo a pobreza dos nossos méritos, esperamos da vossa bondade a alegria da salvação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

O Corpo de Jesus Cristo que vamos receber une-nos a todos aqueles nossos irmãos que, com a fé de S. Pedro e S. Paulo, anunciam a Boa Nova em qualquer lugar do mundo. Que através desta comunhão todos nós sintamos a força para prosseguir com redobrado ânimo a nossa caminhada para a construção do mundo novo anunciado por Jesus.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que Me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Jo 21, 15.17

Antífona da comunhão: Jesus disse a Pedro: Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes? Pedro respondeu: Senhor, Vós sabeis tudo; bem sabeis que eu Vos amo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que iluminastes os vossos fiéis com os ensinamentos dos Apóstolos, fortalecei-nos sempre com estes sacramentos celestes. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que o exemplo dos Apóstolos Pedro e Paulo, nos consciencialize da missão de anunciar e viver a esperança e a verdade de Jesus Cristo comunicada, tão empenhadamente, por estes dois Apóstolos.

 

Cântico final: O Senhor enviou os seu Apóstolos, F. da Silva, NRMS 66

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   António E. Portela

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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