Solenidade da Santíssima Trindade

15 de Junho de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aleluia! Glória a Deus, Az. Oliveira, NRMS 107

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao propor-nos esta solenidade, na Celebração de hoje, a Liturgia da Igreja não nos convida a decifrar e explicar o mistério da Santíssima Trindade, porque só o compreenderemos no Céu, mas a contemplar Deus, não como um ser isolado, incomunicável, mas como família, vivendo em comunhão da Verdade e do Amor.

Mas alegramo-nos com a certeza que nos dá a fé de que Deus revelou-nos tudo e só o que nos é necessário para a salvação eterna.

Agora que recomeçamos o Tempo comum que nos vai conduzir até às portas do Advento, o Senhor deseja animar-nos a caminhar, recordando-nos a meta para onde nos dirigimos e o prémio que nos espera: viver para sempre nesta comunhão divina, participando na felicidade do mesmo Deus e de todos os santos.

Agora, sim. Depois desta vida terrena, tornar-se-á realidade o que nos promete: «Sereis como deuses!»

 

Acto penitencial

 

Peçamos ao Senhor que tenha, mais uma vez, paciência com as nossas fraquezas e nos purifique de todas as manchas e pecados, como preparação para celebrarmos este grande mistério da nossa fé.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: temo-nos descuidado muitas vezes

    de alimentar a nossa vida da graça santificante

    que recebemos, um dia, na fonte do Baptismo.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Deixamo-nos dominar pela preguiça

    quando se trata de aprofundar as verdades de fé

    que recebemos como dom na fonte baptismal.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor: Deixamo-nos vencer pelo egoísmo,

    procurando exclusivamente os nossos interesses

    e fechando o coração às dores dos nossos irmãos.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés encontra-se com o Senhor no Sinai, levando duas tábuas de pedra em substituição das que desfizera em bocados, por causa da idolatria do Povo de Deus.

O Senhor manifesta-Se-lhe como o Deus da comunhão e da aliança, apostado em estabelecer laços familiares com o homem, e define-Se como o Deus clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia.

 

Êxodo 34, 4b-6.8-9

4bNaqueles dias, Moisés levantou-se muito cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as tábuas de pedra. 5O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés e proclamou o nome do Senhor. 6O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». 8Moisés caiu de joelhos e prostrou-se em adoração. 9Depois disse: encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança.

 

No texto temos a descrição de mais uma teofania, em que Deus se manifesta. Mas, desta vez, não é com a tremenda grandiosidade que faz ressaltar a sua transcendência, como em Ex 19, 16-20. Ele revela-se aqui como um Deus próximo e íntimo: «um Deus clemente e compassivo… cheio de misericórdia e fidelidade». No entanto, a revelação mosaica, que se centra na Unicidade divina, fica bem longe da revelação de Cristo acerca da Trindade, isto é, acerca do mistério da própria vida de Deus, pois põe em evidência, dum modo maravilhoso e absolutamente impensável, estes atributos divinos: a misericórdia e a fidelidade. Com efeito, a revelação da vida íntima de Deus em três Pessoas é-nos feita num contexto de salvação do homem afundado no pecado, por um amor sem limites e inteiramente gratuito: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3, 16).

4b «As duas tábuas de pedra». Estas haviam de substituir as primeiras, quebradas por Moisés num acesso de indignação que teve, ao verificar a idolatria em que o povo caíra (Ex 32, 19).

 

Salmo Responsorial    Dan 3, 52.53.54.55.56 (R. 52b)

 

Monição: Para a exteriorização dos sentimentos que despertou em nós a Palavra de Deus, a Liturgia convida-nos a entoar este magnífico hino do profeta Daniel, constituído por uma série de louvores dirigidos directamente ao Senhor do universo.

 

Refrão:     Digno é o Senhor

                de louvor e de glória para sempre.

 

Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:

digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito o vosso nome glorioso e santo:

digno de louvor e de glória para sempre.

 

Bendito sejais no templo santo da vossa glória:

digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no trono da vossa realeza:

digno de louvor e de glória para sempre.

 

Bendito sejais, Vós que sondais os abismos

e estais sentado sobre os Querubins:

digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no firmamento do céu:

digno de louvor e de glória para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda Carta aos fiéis de Corinto, S. Paulo exprime – por meio da fórmula usada agora na liturgia «a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco» – a maravilha de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende acolher todas as pessoas nesta felicidade do amor.

 

2 Coríntios 13, 11-13

Irmãos: 11Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. 12Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. 13A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

 

A leitura corresponde às palavras com que S. Paulo termina a 2.ª Epístola aos Coríntios: uma recomendação final (v. 11) e saudações (vv. 12-13). A despedida é feita através de uma fórmula trinitária muito rica, usada por nós como saudação inicial da celebração eucarística. As três Pessoas divinas estão postas em pé de igualdade. Como em tantos outros casos, «Deus» (com artigo, em grego) designa concretamente a Pessoa do Pai, e não apenas a divindade, ou a única natureza divina, comum às três Pessoas divinas (estas não são três indivíduos, como quando falamos de pessoas humanas, mas três hipóstases, ou sujeitos de atribuição, três «eu»).

12 «Todos os santos vos saúdam». Refere-se aos cristãos da Macedónia, onde a carta foi escrita (cf. 2 Cor 2, 13; 7, 5; 8, 1; 9, 2.4), talvez mesmo em Filipos, provavelmente antes do Pentecostes do ano 57.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 3, 16-18

 

Monição: Toda a nossa vida se deve concretizar numa glorificação permanente à Santíssima Trindade, procurando fazer a vontade de Deus em todos os momentos da vida.

Procuremos exprimir este desejo, aclamando o Evangelho que vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 16-18

16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18Quem não acredita n'Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus.

 

Enquadramento do texto: a leitura é extraída do capítulo 3º de São João, que aparece fundamentalmente como um dos grandes discursos de Jesus, redigido bem à maneira joanina – um discurso temático introduzido por um dialogo em que sobressai o mal-entendido do interlocutor (Nicodemos) –, apenas interrompido com mais um testemunho de João Baptista, mas que se enquadra bem no tema do Baptismo cristão, em aparente conflito com o de João (vv. 22-30). O diálogo inicial dá lugar à mensagem de Jesus; mas de facto é praticamente impossível destrinçar aquilo que o evangelista põe na boca de Jesus daquilo que é uma reflexão sua sobre as palavras do Senhor. Costuma-se considerar que, a partir do v. 13, temos uma meditação divinamente inspirada sobre as palavras de Jesus, feita pelo próprio evangelista, que do v. 16 ao 21 tomam a forma do chamado kérigma joanino em toda a sua força e esplendor. Também os versículos 31-36 deste capítulo só na aparência é que são do Baptista; na realidade são o mesmo kérigma joanino.

16 «Deus amou tanto... que entregou o seu Filho Unigénito». Esta consideração procede do enlevo, do encanto e deslumbramento de quem contempla o rosto de Cristo e o inefável amor de Deus pelas suas criaturas; o mistério da Trindade revela-se-nos num admirável mistério de amor, o da Incarnação e da Redenção! Parece haver na expressão joanina uma alusão ao sacrifício de Isaac (Gn 22, 2-12), que os Padres consideram uma figura do sacrifício de Cristo.

17-18 «Não para condenar o mundo, mas para que mundo seja salvo por Ele». O judaísmo dos tempos de Jesus concebia o Messias como um juiz que, antes de mais, vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do reino de Deus ou se lhe opunham. Jesus insiste no amor de Deus ao mundo e no envio do Filho para que este venha a ser salvo e não condenado: o Filho é o Salvador do Mundo (Jo 4, 42). Se é verdade que há quem se condene, isto sucede porque esse se coloca numa situação de condenação ao rejeitar o único que o podia salvar: «porque não acreditou no Nome (na Pessoa) do Filho Unigénito de Deus» (v. 18). «Já está condenado», visto que o amor de Deus revelado em Jesus é de tal ordem que o ser humano não se pode alhear; a pessoa é colocada perante um tremendo dilema, inevitável e urgente, tendo de assumir toda a responsabilidade que envolve a sua opção; daí que em S. João o juízo de condenação costuma aparecer como algo actual (cf. vv. 36; e 5,24; 12,31).

Breve excurso teológico: O mistério da Santíssima Trindade não é um quebra-cabeças, uma abstracção ou trigonometria divina reservada a sábios especulativos. Como já referi em nota à 1.ª leitura, o mistério da vida íntima de Deus – a Santíssima Trindade – é-nos revelado num contexto salvífico: o Pai que envia o Filho para salvar o mundo; o Filho que nos envia do Pai o Espírito que nos santifica; e é por isso que o mistério da Trindade está no centro da vida cristã, que é uma ascensão progressiva e contínua ao Pai, unidos ao Filho e guiados pelo Espírito Santo. Por outro lado, a revelação deste mistério – segundo o explicita o dogma e a Teologia – permite-nos falar com objectividade acerca da Trindade «ad intra», isto é, acerca do que ela é em si mesma, na sua mesma essência. O Filho procede do Pai, por eterna geração intelectual – gerado, não criado –; Ele é a Sabedoria, o Verbo (cf. Jo 1, 1-3: a palavra que tudo exprime) do Pai, o resplendor da sua glória, a reprodução da sua essência (cf. Hebr 1, 3). O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, como o amor do querer divino, por isso a Liturgia O chama «Fogo, Amor, Unção espiritual». As três Pessoas são iguais – uma mesma e única divindade –, e distintas: o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo, o Espírito Santo não é o Pai, mas apenas se distinguem no que a Teologia classificou de «relações opostas de origem», relações estas que derivam de o Filho proceder do Pai e o Espírito Santo do Pai e do Filho (ou pelo Filho). Em tudo o mais não há a mínima distinção, a tal ponto que tudo o que Deus faz fora do circuito interno de vida eterna é comum às Pessoas divinas, embora nós possamos apropriar de alguma das Pessoas em particular uma determinada acção ou atributo divino: para o Pai, a omnipotência e a criação; para o Filho, a sabedoria e todas as obras da sabedoria divina; para o Espírito Santo, o amor, a santificação do homem, a inspiração da Escritura, etc.

O transcendente mistério da Santíssima Trindade não é algo que afasta o crente de Deus – tão incompreensível Ele é –, mas, pelo contrário, é um mistério fascinante, que exerce nas almas enamoradas de Deus uma espécie de santa vertigem, uma antecipação do Céu: a atracção do abismo da grandeza e misericórdia divinas. Se Deus é quem é – o Ser infinito – tem que ser sumamente amável, ainda que incompreensível. No dogma da Santíssima Trindade não há contradição, pois não é como se disséssemos 1+1+1=3, uma vez que as Pessoas divinas não se somam umas às outras (são a mesma e única substância divina), mas compenetram-se numa mesma torrente de vida eterna, num mesmo abismo de sabedoria e amor, como se disséssemos 1x1x1=1. Mas a verdade é que se avança mais no conhecimento deste mistério pela via mística, do que pelo discurso teológico: assim sucedeu mesmo com pessoas analfabetas, como sucedeu com os pastorinhos de Fátima.

 

Sugestões para a homilia

 

• Trindade: mistério oculto no Antigo Testamento

Deus manifesta-nos a Sua intimidade

O Senhor revela os Seus atributos

O Senhor desce até nós

• Deus é misericórdia

Deus quer a nossa eterna felicidade

Deus faz tudo para nos salvar

Corresponder ao Amor de Deus

 

Moisés sobe ao Monte Sinai, para se encontrar a sós com Deus. Leva consigo duas tábuas de pedra em substituição das que partira indignado e ferido pela idolatria do Povo de Deus, que adorava o bezerro de ouro.

1. Trindade: mistério oculto no Antigo Testamento 

a) Deus manifesta-nos o Seu íntimo. «O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés».

Ao longo de todo o Antigo Testamento, Deus, com a pedagogia do melhor dos pais que não explica ao filho pequeno o que ele não consegue entender, ocultou aos olhos do Povo de Deus o mistério da Santíssima Trindade: Três Pessoas distintas e um só Deus verdadeiro.

Talvez o tenha feito, para evitar que os hebreus corressem o perigo de confusão doutrinal. Viviam rodeados de povos idólatras – que adoravam vários falsos deuses – e poderia fazer-lhes confusão esta verdade. Não tinham eles caído já na tentação de adorar um bezerro de ouro, logo depois de terem feito uma aliança com Deus?

No entanto, quando lemos o Antigo Testamento com espírito de fé, encontramos indícios que, à luz do Novo Testamento, nos falam desta verdade de fé:

– Antes de formar o primeiro par humano, Deus diz: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.» Deixa-nos a convicção de que há, segundo o nosso de expressão, uma deliberação de várias pessoas.

– Os três personagens misteriosos que aparecem junto da tenda e Abraão são adorados por ele como Deus.

– A Sabedoria aparece no Livro dos Provérbios como uma pessoa: constrói uma casa, prepara um banquete e faz convites. O Novo Testamento revela-nos que a Sabedoria de Deus é o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

No entanto, guarda para o limiar dos novos tempos a revelação deste mistério. É na Anunciação que no-lo manifesta pela primeira vez.

 

b) O Senhor revela os Seus atributos. «O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: “O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade”.»

Deus faz a Aliança com o Seu Povo no Sinai, depois de o ter libertado da escravidão do Egipto, e manifesta-Se como supremo Legislador, ao confiar a Moisés as duas tábuas da Lei, com os Dez Mandamentos.

Mas neste encontro, depois de tão grave pecado de idolatria que o Povo cometera, Deus revela-nos os Seus atributos:

É clemente e compassivo. Olha-nos com ternura e comove-se diante dos nossos passos errados, reconduzindo-nos ao caminho da salvação.

Paciente e misericordioso perante as nossas fraquezas. E anima-nos a recomeçar sempre, sem qualquer sombra de desânimo ou de medo.

Está sempre disponível para nos acolher, perdoando generosamente os nossos passos errados. Nenhuma situação da vida, nenhum pecado podem justificar o ter medo de Deus.

 

c) O Senhor desce até nós. «Moisés caiu de joelhos e prostrou-se em adoração. Depois disse: “[...] digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança”.».

O nosso Deus não só Se nos revela como uma comunhão de Três Pessoas, mas vem até nós para nos elevar à Sua altura, tanto quanto isto é possível a um ser criado.

Começou por criar o universo imenso e, fazendo parte dele a terra em que habitamos. Preparou-a como um berço para receber o menino de oiro que é, aos olhos de Deus, cada um de nós. 

Infundiu no primeiro par humano a vida divina e colocou-o em tempo de prova, para que livremente escolhesse Deus.

E uma vez que os nossos primeiros pais não souberam guardar este tesouro da filiação divina, submetendo-se aos caprichos do demónio, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – o Verbo – assumiu a nossa natureza humana com todas as suas limitações, para nos reconduzir à Sua altura. 

Pagou a nossa dívida na Cruz e enviou-nos o Espírito Santo – Terceira Pessoa – para nos ajudar no trabalho delicado da nossa transformação em Cristo.

O encontro de Deus com Moisés no Sinai torna-se, pois, uma figura do que viria a acontecer na aurora dos novos tempos: Deus veio até nós para nos reconduzir aos Seus braços de Pai.

2. Deus é misericórdia

Nicodemos – um homem religiosa e socialmente importante em Israel – vai ter com Jesus de noite, não com receio de comprometer a sua situação (por respeito humano), ou por medo dos que se opunham à missão de Jesus, mas para que o Mestre possa dispor de tempo suficiente para o atender, uma vez que durante o dia estava sempre rodeado de pessoas.

 

a) Deus quer a nossa eterna felicidade. «disse Jesus a Nicodemos: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna

O interesse que temos por uma pessoa mede-se, não pelas palavras belas e lisonjeiras, mas pelo sacrifício que estamos dispostos a fazer para a ajudar a resolver as suas dificuldades.

Somos incapazes de abarcar com a nossa humilde inteligência a grandeza do Seu amor por nós. Encontrando-nos em grande necessidade, não se limitou a algumas diligências para nos consolar. Deu-Se a nós!

Assumiu com todas as limitações a nossa natureza, entregou-Se por nós no sacrifício da Cruz e ficou connosco na Santíssima Eucaristia.

Como correspondência da nossa parte pede-nos apenas amor, concretizado numa grande confiança n’Ele que nos leve a deixarmo-nos guiar, cumprindo a Sua Vontade manifestada nos Mandamentos.

 

b) Deus faz tudo para nos salvar. «Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele

Quando meditamos a história da criação no princípio da Sagrada Escritura, pensamos inevitavelmente num casal jovem que espera um filho e prepara o melhor possível o seu acolhimento.

Deparamos com o embelezamento da terra, para que o primeiro par humano encontre um ambiente no qual se sinta bem.

Este pensamento é plenamente actual. Quantos pormenores de carinho de Deus encontramos no mundo, para que nos possamos sentir bem! Como criança irresponsável, o homem vai destruindo toda esta beleza que Deus criou.

No campo moral esta solicitude de Deus continua. Jesus Cristo deu a vida por nós e fundou a Igreja onde temos todos os meios para sermos felizes nesta vida e na outra. Ele poderia perguntar-nos: “Que mais poderia ter feito por ti que o não fizesse?”

O Espírito Santo actua em nós constantemente para nos ajudar a caminhar para a felicidade eterna.

 

c) Corresponder ao Amor de Deus. «Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz

As Três Pessoas da Santíssima Trindade estão verdadeiramente ao serviço da nossa felicidade.

O mínimo que podemos fazer, como resposta, é corresponder generosamente ao Seu Amor.

A oração ensinada pelo Anjo da Guarda de Portugal aos Pastorinhos de Fátima na Loca do Cabeço compendia a nossa atitude perante o mistério da Santíssima Trindade:

• Adoração profunda. João Paulo II gostava muito de rezar na sua capela particular como os Pastorinhos na Loca, no monte, enquanto apascentavam ao rebanho e nos seus quartos em casa: inteiramente prostrado por terra.

• Exercer o nosso sacerdócio real, adorando, agradecendo, pedindo pelas pessoas e desagravando pelos pecados, especialmente pelos cometidos contra a Santíssima Eucaristia.

• Temos necessidade de fazer silêncio para ouvir o Senhor. Há um conselho que vem de um santo que veneramos nos altares e que, portanto, é pessoa autorizada nos caminhos da santidade: «Recolhe-te. Procura Deus em ti e escuta-O.» (S. Josemaria Escrivá, Caminho).

• Façamos o Sinal da Cruz com toda a devoção, oferecendo à Santíssima Trindade o nosso dia: pela cruz na fronte, os nossos pensamentos; na boca, as nossas palavras; e no coração, os nossos afectos e trabalhos.

• Lembremo-nos, muitas vezes ao dia, de que somos templos da Santíssima Trindade. Nunca estamos sós, nem temos razão para o desânimo.

• Participemos com fé, Amor e devoção na Celebração da Eucaristia, acção das Três divinas Pessoas, em união com Maria, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa de Deus Espírito Santo.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Pai e o Filho e o Espírito Santo são um só, porque são amor.»

Prezados irmãos e irmãs

[…] Hoje celebramos a festividade da Santíssima Trindade: Deus Pai e Filho e Espírito Santo, festa de Deus, do centro da nossa fé. Quando pensamos na Trindade, vem à mente sobretudo o aspecto do mistério: são Três e são Um, um só Deus em três Pessoas. Na realidade, Deus só pode ser um mistério para nós na sua grandeza, e todavia Ele revelou-se: podemos conhecê-lo no seu Filho, e assim conhecer também o Pai e o Espírito Santo. No entanto, a liturgia hodierna chama a nossa atenção não tanto para o mistério, mas para a realidade de amor que está contida neste primeiro e supremo mistério da nossa fé. O Pai e o Filho e o Espírito Santo são um só, porque são amor, e o amor é a força vivificadora absoluta, a unidade criada pelo amor é mais unidade do que uma unidade puramente física. O Pai doa tudo ao Filho; o Filho recebe tudo do Pai, com reconhecimento; e o Espírito Santo é como que o fruto deste amor recíproco do Pai e do Filho. Os textos da Santa Missa de hoje falam de Deus, e por isso falam de amor; não se detêm tanto no mistério das três Pessoas, mas no amor que constitui a sua substância e, ao mesmo tempo, a sua unidade e trindade.

O primeiro trecho que ouvimos foi tirado do Livro do Êxodo […] e é surpreendente que a revelação do amor de Deus tenha lugar depois de um gravíssimo pecado da parte do povo. O pacto de aliança é recém-estipulado no monte Sinai, e o povo já comete a falta de fidelidade. A ausência de Moisés prolonga-se e o povo diz: «Mas onde ficou este Moisés, onde está o seu Deus?», e pede a Araão que lhe construa um deus que seja visível, acessível, manobrável, ao alcance do homem, em vez deste misterioso Deus invisível, distante. Araão concorda e prepara um bezerro de ouro. Descendo do Sinai, Moisés vê o que tinha acontecido e rompe as tábuas da aliança, que já está quebrada, fragmentada, duas pedras sobre as quais estavam escritas as «Dez Palavras», o conteúdo concreto do pacto com Deus. Tudo parece perdido, a amizade imediatamente, desde o princípio, já interrompida. E no entanto, não obstante e pecado gravíssimo da parte do povo, Deus, por intercessão de Moisés, decide perdoar e convida Moisés a subir de novo ao monte para receber de novo a sua lei, os dez Mandamentos, e renovar o pacto. Então, Moisés pede a Deus que se revele, que lhe mostre a sua face. Deus não mostra o rosto, mas revela sobretudo o seu ser cheio de bondade, com as seguintes palavras: «Senhor, Senhor, Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade» (Êx 34, 6). E este é o Rosto de Deus. Esta autodefinição de Deus manifesta o seu amor misericordioso: um amor que vence o pecado, que o cobre e elimina. E podemos estar sempre seguros desta bondade que não nos deixa. Não pode haver revelação mais clara. Nós temos um Deus que renuncia a destruir o pecador e que quer manifestar o seu amor de maneira ainda mais profunda e surpreendente, precisamente diante do pecador para oferecer sempre a possibilidade da conversão e do perdão.

O Evangelho completa esta revelação, que ouvimos na primeira leitura, porque indica até que ponto Deus manifestou a sua misericórdia. O evangelista João refere esta expressão de Jesus: «Deus amou o mundo de tal modo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (3, 16). No mundo existe o mal, o egoísmo, a maldade, e Deus poderia vir para julgar este mundo, para destruir o mal, para castigar aqueles que agem nas trevas. No entanto, Ele demonstra que ama o mundo, que ama o homem, não obstante o seu pecado, e envia aquilo que tem de mais precioso: o seu Filho unigénito. E não só O envia, mas doa-O ao mundo. Jesus é o Filho de Deus que nasceu para nós, que viveu para nós, que curou os doentes, perdoou os pecados e acolheu todos. Respondendo ao amor que vem do Pai, o Filho entregou a sua própria vida por nós: na cruz, o amor misericordioso de Deus chega ao seu ápice. E é na cruz que o Filho de Deus nos obtém a participação na vida eterna, que nos é comunicada mediante o dom do Espírito Santo. Assim, no mistério da cruz, estão presentes as três Pessoas divinas: o Pai, que doa o seu Filho unigénito para a salvação do mundo; o Filho, que cumpre até ao fundo o desígnio do Pai; e o Espírito Santo — infundido por Jesus no momento da morte — que vem tornar-nos partícipes da vida divina e a transformar a nossa existência, para que seja animada pelo amor divino. […]

 Papa Bento XVI, Estádio Serravalle - República de San Marino, 19 de Junho de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Peçamos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo

que atenda as petições que Lhes dirigimos

por cada um de nós, pela Igreja e pelo mundo.

Oremos (cantando):

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

1.  Para que o Santo Padre, com o Colégio Episcopal,

leve as pessoas participar dos frutos da Redenção,

oremos, irmãos.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

2.  Para que os governantes de todas as nações

respeitem, com leis sábias, a obra da Criação,

oremos, irmãos.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

3.  Para que os militantes das obras de Apostolado

sejam testemunhas vivas do amor de Deus por nós,

oremos, irmãos.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

4.  Para que os jovens das nossas comunidades

vivam como Templos da Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

5.  Para que as famílias acolham e eduquem os filhos

como dons de Deus e participação no Seu poder,

oremos, irmãos.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

6.  Para que as pessoas que se purificam na outra vida

contemplem, quanto antes, a Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

Santíssima Trindade, que nos tornastes participantes,

desde o Baptismo, na vida divina pela graça santificante,

a qual alimentamos na terra para continuar na eternidade:

ajudai-nos a viver com generosa fidelidade nesta vida,

para que Vos possamos contemplar eternamente no Paraíso.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Adoremos profundamente o Mistério insondável da Santíssima Trindade, depois de o termos ouvido proclamar na Liturgia da Palavra.

Avivemos a nossa fé para participarmos agora na Mesa da Eucaristia. O Senhor prepara agora o Alimento divino, transubstanciando pelo ministério do sacerdote o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Aceitai Senhor a nossa alegria, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito Santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes àcerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Deus quer que tenhamos desde já na terra um vislumbre da paz e alegria que nos espera no Céu. Além da Sua graça, é necessário algum esforço de cada um de nós.

Se não somos capazes de perdoar e viver em paz uns com os outros na terra, como queremos que isto venha a acontecer connosco no Céu?

Com o desejo de vivermos no amor sem fronteiras,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Santíssima Eucaristia é o maior dom de Deus a cada um de nós, porque é o próprio Deus que Se nos entrega.

Procuremos corresponder a esta generosidade divina, comungando com uma grande pureza de consciência, fruto da nossa fé na Presença Real, e agradeçamos humildemente esta graça do Senhor.

 

Cântico da Comunhão: Pai, Filho, Espírito Santo, A. Cartageno, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 162

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: Nós Vos louvamos, ó Deus - Te Deum, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus Cristo envia-nos agora para o meio dos homens, como outrora enviou os setenta e dois discípulos a preparar a Sua passagem pelas cidades e aldeias.

Demos testemunho, pelo nosso comportamento, de que somos filhos de Deus e Templos da Santíssima Trindade.

 

Cântico final: Com a benção do Pai, J. Santos, NRMS 38

 

 

Homilias Feriais

 

11ª SEMANA

 

2ª Feira, 16-VI: O amor preferencial pelos pobres.

1 Re 21, 1-16 / Mt 5, 38-42

Dá a quem te peça e não voltes as costas a quem desejar pedir-te emprestado.

O amor preferencial pelos pobres é uma dimensão necessária do ser cristão (Ev.). «O amor da Igreja pelos pobres inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças, na pobreza de Jesus e na sua atenção pelos pobres. O amor dos pobres é mesmo um dos motivos do dever de trabalhar: para poder fazer o bem, socorrendo os necessitados. Não se estende só à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa» (CIC, 2444).

Tal não aconteceu com Jezabel: um episódio de cobiça, intriga, inveja e mentira, que acabou num autêntico homicídio (Leit.).

 

3ª Feira, 17-VI: Exercício heróico da caridade.

1 Re 21, 17-29 / Mt 5, 43-48

Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus.

Não é fácil seguir este conselho de Jesus (Ev.), sobretudo quando é preciso perdoar ou aceitar melhor aqueles que nos incomodam. Vivendo bem este amor ao próximo, ele constitui um anúncio feliz para todas as pessoas, porque torna patente o amor de Deus, que não abandona ninguém (João Paulo II).

O rei Acab arrependeu-se de todo o mal que tinha feito e Deus perdoou-lhe (Leit.). Se alguma vez maltratarmos alguém, temos sempre uma oportunidade de compensar esse mal, arrependendo-nos e pedindo desculpa.

 

4ª Feira, 18-VI: Aspectos da conversão do coração.

2 Re 2, 1. 6-14 / Mt 6, 1-6. 16-18

Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai, presente no segredo.

O Senhor pede-nos que tenhamos uma intenção recta ao vivermos as nossas práticas religiosas (Ev.). É, pois, importante que haja uma conversão do nosso interior: «Jesus insiste na conversão do coração desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão, antes de apresentar a oferta no altar, o amor dos inimigos; orar ao Pai no segredo (Ev.), perdoar do fundo do coração na oração; a pureza do coração e a busca do reino» (CIC, 2608).

Eliseu não pediu a Elias muitos bens materiais, mas o espírito que ele vivia: «Que eu possa herdar uma dupla porção do teu espírito» (Leit.).

 

5ª Feira, 19-VI: A força que vem da oração.

Sir 48, 1-15 / Mt 6, 7-15

Quando orardes não digais muitas palavras como os pagãos. Orai, pois, deste modo: Pai nosso...

O Pai nosso reúne, em poucas palavras, tudo o que podemos pedir a Deus: «Depois de nos termos posto na presença de Deus, nosso Pai, para o adorarmos, amarmos e bendizermos, o Espírito filial faz brotar dos nossos corações sete petições, que são sete bênçãos. As três primeiras, mais teologais, atraem-nos para a glória do Pai; as quatro últimas, como caminhos para Ele, expõem a nossa miséria à sua graça» (CIC, 2803).

Graças à sua oração, Elias realizou grandes prodígios. E Eliseu adquiriu grande fortaleza: «nunca tremeu diante de nenhum monarca e ninguém conseguiu dominá-lo (Leit.).

 

6ª Feira, 20-VI: O nosso coração está em Deus!

2 Re 11, 1-4. 9-18, 20 / Mt 6, 19-23

Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

O coração é, em sentido bíblico, o fundo do ser (as entranhas), em que a pessoa se decide ou não por Deus (CIC, 368). O tesouro é o próprio Deus: «O Doador é mais precioso do que o dom concedido, é o tesouro, e é n'Ele que está o Coração do Filho; o dom é dado por acréscimo» (CIC, 2604). Por isso dizemos no Prefácio: o nosso coração está em Deus.

No polo oposto está Atália, mãe do rei (Leit.), que mandou matar todos os descendentes do rei, excepto um, que conseguiram esconder. Graças a este, e ao sacerdote Jóiada, conseguiram restabelecer  a Aliança entre Deus, o rei e o povo.

 

Sábado, 21-VI: A Providência divina e a sua rejeição.

2 Cron 24, 17-25 / Mt 6, 24-34

Não vos inquieteis com o dia de amanhã, que esse dia tratará das suas inquietações.

A filiação divina conduz-nos a um a abandono na Providência. E aplica-se também ao tempo: «O tempo está nas mãos do Pai: é no presente que nós o encontramos; não ontem nem amanhã, mas hoje» (CIC, 2695). É isso que pedimos no Pai nosso: o pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Por vezes pode acontecer que, não conseguindo de Deus o que lhe pedimos, nos viremos para outro tipo de culto: aos ídolos. Essa infidelidade provoca a indignação divina e, às vezes, nem fazemos caso dos que nos falam em nome de Deus (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 

 


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