aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

BRAGA

 

JOÃO PAULO II,

EXEMPLO DE “SOFREDOR”

 

O padre Jorge Vilaça, do Departamento para a Pastoral da Saúde na Arquidiocese de Braga, escreveu a propósito do Dia Mundial do Doente (11 de Fevereiro), lembrando o exemplo de João Paulo II como “sofredor”. 

 

“O Papa João Paulo II resiste ainda na memória de várias gerações, admirado em diversos ângulos: desportista, actor, comunicador, pastor, Papa, ministro de Deus, líder e animador de massas e de fiéis; no entanto, talvez tenha ficado marginal a sua faceta mais fecunda: a de sofredor”, relata. 

O padre Jorge Vilaça recorda a carta encíclica de 11 de Fevereiro de 1984 sobre o sentido cristão do sofrimento (Salvifici doloris), onde João Paulo II define, três anos após ter sofrido um atentado na Praça de São Pedro em Roma, “o ser humano como mistério e o sofrimento como apelo à transcendência do homem, um sofrimento que suscita compaixão, respeito e intimidação”. 

“É inesquecível a última aparição pública do Papa João Paulo II: no limiar das forças físicas, foi conduzido à janela do Angelus, tentando sofregamente dizer algumas palavras à multidão que estava na Praça de São Pedro e não o conseguindo fazer”, acrescenta. 

Este “evangelho do sofrimento continua a ser escrito em silêncio em muitas casas, lares, hospitais”, escreve o padre Jorge Vilaça, lembrando que, se “o paradigma dominante apela ao tudo jovem, tudo belo, tudo saudável, tudo com sucesso, a reflexão antropológica eclesial e o acompanhamento pastoral devem distanciar-se claramente deste equívoco”.

 

 

FÁTIMA

 

ESTATÍSTICA

DO SANTUÁRIO

 

O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, divulgou dados que mostram que o domingo passou a ser o dia com maior afluência de peregrinos.

 

“Os domingos tornaram-se dias de grande ou moderada afluência de pessoas ao Santuário de Fátima, o que antes não acontecia”, revelou o padre Carlos Cabecinhas, durante um encontro de hoteleiros e responsáveis de casas religiosas que acolhem peregrinos.

O reitor do Santuário de Fátima deu a conhecer alguns dados estatísticos que revelam “um aumento do número de fiéis nas missas, em 2013”, sendo que “mais de 160 mil fiéis participaram nas missas oficiais do Santuário, num total de 3.489 milhões de pessoas, quando em 2012 esse número foi de 3.328 milhões de peregrinos”.

“Maio continua a ser a grande peregrinação, mas actualmente o 10 de Junho congrega habitualmente mais peregrinos que Outubro ou Agosto”, disse o padre Carlos Cabecinhas, acrescentando que “a afluência fica muito condicionada pelo facto de os dias 12 e 13 de Maio e Outubro ocorrerem ao fim-de-semana ou em dias laborais”.

Os números agora divulgados mostram que “houve um decréscimo de fiéis noutro tipo de celebrações oficiais, como a procissão das velas ou a recitação do terço”.

Quanto aos peregrinos estrangeiros, os números mostram que a tendência verificada nos últimos anos no Santuário se mantém, sendo que “os espanhóis continuam a ser os estrangeiros que mais visitam o Santuário em peregrinações organizadas, seguidos pelos italianos, polacos e brasileiros”.

 Os dados revelam ainda que o número de pessoas que se confessam no Santuário continua a decrescer desde 2009, registando o ano passado o valor mais baixo, pouco mais de 115 mil penitentes.

 

 

LISBOA

 

ASSISTÊNCIA RELIGIOSA

AOS DOENTES

 

O coordenador do Serviço Nacional das Capelanias Hospitalares, padre Fernando Sampaio, afirmou que há ainda algum trabalho a fazer para que “administrações e operacionais dos hospitais” percebam a importância da assistência religiosa para o tratamento dos doentes.

 

Segundo este responsável, “os profissionais de saúde nem sempre valorizam essa dimensão” e muitas vezes “não é dado a conhecer ao doente que tem direito à assistência religiosa caso o pretenda”.

O coordenador destaca “a qualidade que a assistência religiosa dá aos cuidados, porque a doença e o sofrimento têm um impacto brutal na vida das pessoas e o cuidar da pessoa é melhor quando há essa assistência que é também psíquica e social”. “A assistência espiritual e religiosa concorre para o bem-estar e harmonia de todas essas dimensões da pessoa”, sublinha.

Analisando o decreto-lei 253/2009, o padre Fernando Sampaio revela que este traz “um enquadramento novo, porque tem já presente a Lei da Liberdade Religiosa e reconhece a assistência espiritual religiosa como um direito do próprio doente e não das Igrejas”, ou seja, “as Igrejas não estão nos hospitais por direito próprio, mas é sim o doente que tem direito a ser assistido”.

“O novo regulamento que veio enquadrar a acção das capelanias proporciona, por parte do Estado e dos hospitais, uma melhor forma de organização, dá normas de organização e de abertura para que se possa exercer este bem para os próprios doentes”, acrescenta.

Nesta norma, “há duas coisas fundamentais: por um lado o direito dos doentes à assistência espiritual religiosa, que é um direito inalienável; por outro lado, o reconhecimento do bem que isso traz às pessoas que passam por perdas ou doenças”, observa o responsável.

“Nos hospitais todos os dias é dia do doente; por isso, o Dia Mundial do Doente [11 de Fevereiro] serve para chamar a atenção da comunidade para a importância da nossa atenção a quem sofre, àqueles que estão nos hospitais doentes, particularmente àqueles que estão abandonados, algo que acontece cada vez mais hoje nos hospitais, nomeadamente a idosos que ficam sozinhos nos hospitais”, conclui.

 

 

FÁTIMA

 

ORAÇÃO PELA

CANONIZAÇÃO DOS VIDENTES

 

O Santuário de Fátima assinalou a festa litúrgica dos Beatos Francisco e Jacinta Marto, que se celebra no dia 20 de Fevereiro, com “momentos de celebração e de reflexão”, num momento em que se espera pela sua canonização.

 

“Para a canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto é necessária a nossa oração: oração para que, se for essa a vontade de Deus, seja reconhecido um milagre que permita a sua canonização”, escreve o reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, no editorial da “Voz da Fátima”.

Segundo o reitor, “isto não significa que a santidade dependa de milagres; significa apenas que a Igreja exige esse sinal, porque uma das dimensões da função dos santos na vida da Igreja é a intercessão”.

“Celebremos festivamente os Beatos Francisco e Jacinta Marto, deixemo-nos estimular pelo exemplo das suas tão breves mas tão intensas vidas e não nos esqueçamos de pedir ao Senhor a sua canonização e de invocar a sua intercessão por nós”, acrescenta.

O texto passa em revista o processo iniciado oficialmente em 1952, que levou à beatificação dos dois irmãos em Fátima, a 13 de Maio de 2000, numa celebração presidida por João Paulo II.

Desde 1952 até 1979 decorreu a fase diocesana do processo de beatificação, altura em que foi entregue na Congregação dos Santos, no Vaticano, pois antes “não eram possíveis processos de canonização de crianças de tão tenra idade que não fossem mártires”. “Também nisto, os Pastorinhos fizeram história”, comenta.

Para a canonização falta o reconhecimento de um outro milagre que seja atribuído, pela Santa Sé, à intercessão dos dois beatos portugueses.

Os túmulos de Jacinta e Francisco, que morreram com 9 e 10 anos, respectivamente, e foram beatificados pelo Papa João Paulo II no ano 2000, bem como da terceira vidente, Lúcia de Jesus (1907-2005), em processo de beatificação, encontram-se na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, na Cova da Iria.

 

 

BRAGANÇA

 

BISPO REUNE-SE COM

MISERICÓRDIAS

 

O Bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, reuniu-se no passado dia 14 de Fevereiro com representantes das 14 Misericórdias da diocese para alinhavar estratégias comuns e resolver alguns problemas.

 

Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, marcou também presença, porque “é importante falar a uma só voz”.

“Existem as estruturas próprias das Misericórdias, o secretariado regional, a União das Misericórdias, os estatutos e os compromissos, mas era meu dever e minha missão congregar as pessoas que estão no terreno e estou a fazê-lo por sectores”, afirmou.

As IPSS católicas são responsáveis por 80 por cento da acção caritativa que se faz no Distrito de Bragança, que coincide em área com a Diocese Bragança-Miranda, e ao todo empregam cerca de 3500 colaboradores, ocupando, ainda, mais de 500 voluntários.

O jornal “Mensageiro de Bragança” revela que a reunião terminou com uma visita guiada por Eleutério Alves, provedor da Santa Casa de Bragança, à nova Unidade de Cuidados Continuados.

 

 

PORTO

 

NOVO BISPO,

D. ANTÓNIO FRANCISCO DOS SANTOS

 

A Diocese do Porto congratulou-se com a nomeação de D. António Francisco dos Santos como seu novo bispo, mostrando o desejo de o acolher leal e generosamente.

 

“A Diocese do Porto congratula-se com a nomeação, do Santo Padre Francisco, de D. António Francisco dos Santos, até agora bispo de Aveiro, para Bispo do Porto. Saúda-o com alegria e esperança e augura-lhe um frutuoso episcopado”, escreve na sua mensagem D. Pio Alves de Sousa, administrador apostólico diocesano.

D. António Francisco dos Santos, de 65 anos, foi nomeado no passado dia 21 de Fevereiro pelo Papa Francisco como novo bispo do Porto, sucedendo a D. Manuel Clemente, que em Julho de 2013 deixou a diocese para assumir o cargo de Patriarca de Lisboa.

D. António Francisco dos Santos é natural do Concelho de Cinfães, Diocese de Lamego, e foi ordenado sacerdote em 1972.

Licenciado em Filosofia na “École Pratique de Hautes Études Sociales”, com mestrado no Instituto Católico de Paris, obteve ainda o diploma de Sociologia Religiosa.

João Paulo II nomeou-o Bispo auxiliar de Braga, em 2004, e Bento XVI fê-lo Bispo de Aveiro em 2006.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, ocupa o cargo de vogal do Conselho Permanente e preside à Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.

D. António Francisco dos Santos vai contar como bispos auxiliares com D. Pio Alves de Sousa, actual administrador apostólico, D. António Bessa Taipa e D. João Lavrador.

A Diocese do Porto é a mais populosa da Igreja Católica em Portugal, com mais de 2 milhões de habitantes, e tem uma área de 3010 quilómetros quadrados, a qual engloba 26 concelhos, 17 dos quais pertencem ao Distrito do Porto, oito ao Distrito de Aveiro e um ao Distrito de Braga.

D. António Francisco dos Santos preside à Missa de entrada solene na diocese do Porto na tarde do domingo 6 de Abril, depois de ter tomado posse perante o Colégio de Consultores, no Paço Episcopal, no sábado anterior.

Ao novo Bispo do Porto, Celebração Litúrgica deseja frutos abundantes no seu novo ministério pastoral.

 

 

AÇORES

 

ACORDO COM GOVERNO

PARA RECONSTRUÇÃO DE IGREJAS

 

A Diocese de Angra e o governo regional dos Açores assinaram no passado dia 25 de Fevereiro um contrato no valor de 8,6 milhões de euros para a conclusão da reconstrução das igrejas afectadas pelo sismo de 1998.

 

O acordo foi assinado pelo secretário regional da Educação e Cultura, Luíz Fagundes Duarte, e o ecónomo da diocese, padre Adriano Borges, que disse “esperar que o processo formal e legal estivesse concluído a tempo de as obras se iniciarem até ao final do primeiro semestre” de 2014.

O contrato prevê que as igrejas dos Flamengos, Pedro Miguel, Salão e Ribeirinha, na ilha do Faial, possam contrair um empréstimo junto da banca, no qual o Governo Regional é responsável por 75% do capital e 100% dos juros nos primeiros dois terços do tempo do empréstimo.

De acordo com o padre Adriano Borges falta agora “encontrar a instituição financeira que vai financiar a obra para depois lançar o concurso da empreitada”.

“Vamos fazer um convite a quatro ou cinco empresas de construção civil regionais que nos dêem garantias de que a obra vai ser executada com celeridade e, assim, estaremos a contribuir para fortalecer e dinamizar a actividade da construção civil nos Açores”, frisou o responsável financeiro da Diocese de Angra.

Já o secretário regional da Educação e Cultura, Luíz Fagundes Duarte, salientou a importância “da recuperação do património religioso edificado, nos Açores”, sendo que a primeira igreja a ser intervencionada é a dos Flamengos.

As verbas visam a “construção e reabilitação das igrejas e estruturas pastorais afectadas pelo sismo de 9 de Julho de 1998, nas ilhas do Faial e do Pico”.

As quatro igrejas vão ser intervencionadas “de forma faseada”, ao ritmo de “uma igreja de dois em dois anos”, adiantou o ecónomo da Diocese de Angra, explicando que estas “são as últimas que restam por recuperar desde o sismo de 1998”.

Trata-se do terceiro acordo assinado entre ambas as partes desde o terramoto, tendo o primeiro sido acordado após o sismo, em 1999, e o segundo em 2002.

O novo contrato é justificado, pelo executivo açoriano, com o facto de alguns encargos já terem sido “integralmente suportados pelas respectivas paróquias” e com “profundas alterações dos mercados financeiros”.

O Governo Regional dos Açores concluiu que a actualização desta cooperação técnico-financeira visa assim preservar o património edificado religioso “que se reveste de elevado valor cultural, histórico e social para a Região Autónoma dos Açores”, já que se trata de “imóveis classificados como monumento regional”.

 

 

LISBOA

 

MOMENTO DE MUDANÇA

NO ENSINO PARTICULAR

 

A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) considera que a nova portaria do Ensino Particular e Cooperativo marca “um momento histórico de mudança”.

 

“A publicação desta portaria marca um momento histórico de mudança de paradigma na relação do ensino particular e cooperativo com o Estado Português, o fim dos anos da dependência burocrático-pedagógica e da regulação pelo processo e o início dos anos da autonomia e responsabilidade”, disse António José Sarmento, presidente da AEEP.

“A AEEP congratula-se com a publicação da portaria que confere ao Ensino Particular e Cooperativo as condições de flexibilidade e autonomia curricular necessárias ao desenvolvimento de projectos educativos sólidos e diferenciados”, refere.

Entre outras alterações, o novo regime do Ensino Particular e Cooperativo vai permitir às escolas gerir de forma flexível a carga horária das diferentes disciplinas curriculares (desde que cumpram em cada ciclo de estudos e relativamente a cada disciplina ou área disciplinar obrigatórias, os programas, metas e orientações curriculares), decidir o tempo lectivo a atribuir a cada disciplina ou área disciplinar, oferecer outras disciplinas ou áreas disciplinares complementares, em função do seu projecto educativo.

 

 

FÁTIMA

 

SANTUÁRIO REFLECTE

SOBRE O PECADO

 

O Santuário de Fátima promoveu no passado domingo 9 de Março uma reflexão à volta da realidade do pecado, com a teóloga Teresa Messias, inserida no ciclo de conferências intitulado “Envolvidos no amor de Deus pelo mundo”, iniciado em Janeiro.

 

O reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, destacou a pertinência de analisar esta matéria, num tempo marcado por “uma certa perda da dimensão do pecado”. Só na medida em que as pessoas olham para a sua vida “a partir do amor de Deus” é que podem “dar conta da fragilidade da sua resposta”, salienta o sacerdote.

No âmbito do 4.º ano de preparação do Centenário das Aparições de Fátima, marcado para 2017, o Santuário da Cova da Iria delineou um programa de conferências, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, para ajudar as pessoas a conhecerem os diversos conteúdos da mensagem de Fátima.

“O objectivo é fundamentalmente pedagógico, ajudar a aprofundar, elemento por elemento, a mensagem de Fátima, partindo daquele que é o tema do ano, e abordando-a desde perspectivas muito diferentes que são complementares e enriquecedoras”, explicou o padre Carlos Cabecinhas.

Depois da irmã Marta Heleno, das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, ter falado sobre a condição de Maria enquanto “Mãe” e dos professores Américo Pereira e Juan Ambrósio terem abordado, respectivamente, as questões do sofrimento humano e do sacrifício de Cristo, Teresa Messias, também docente da UCP, reflectiu sobre a dimensão do pecado

Segundo a teóloga, hoje há a tendência para fugir à noção de pecado e a substituí-la por termos como “fragilidade, simples desordem ou infracção de uma lei”, quando o significado de pecado “vai muito além disso”.

“O pecado faz parte da revelação cristã e só Deus revela o pecado”, salientou a docente, frisando ainda que se trata de uma realidade da qual ninguém consegue sair “pelas suas próprias forças”, todos precisam de “um redentor, de um salvador”.

Para aquela investigadora, esta ideia reforça a responsabilidade da mensagem cristã enquanto instrumento de transformação da sociedade.

“Não basta a boa vontade, o voluntarismo, a consciência recta, que é muito importante, há um nível de pecado onde só o amor infinito de Deus nos salva, e isto tem que ser dito”, por mais difícil que seja, conclui Teresa Messias.

O ciclo de conferências vai terminar no dia 13 de Abril, com o padre Nélio Pita, pároco de São Tomás de Aquino (Lisboa) que aborda o tema “Quereis oferecer-vos a Deus?”.

 

 

LISBOA

 

FALECIMENTO DE

D. JOSÉ POLICARPO

 

D. José Policarpo, patriarca emérito de Lisboa, faleceu no passado dia 12 de Março, aos 78 anos, na sequência de problemas cardíacos. Tinha-se encontrado mal em Fátima, onde participava no retiro do episcopado, pelo que fora trazido para um hospital de Lisboa.

 

Na manhã do dia 14 de Março, depois de presidir à celebração das Laudes na Sé, onde se encontrava em câmara ardente o corpo do falecido cardeal D. José Policarpo, o patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente elogiou o seu predecessor.

“Com a sua maneira de ser, de pensar, um misto muito bom de lucidez e de amabilidade, ele marcou muito mais do que se pensa o modo de a Igreja estar na sociedade portuguesa”, disse.

“Ele tocou-nos a todos, nos anos em que foi patriarca de Lisboa e já antes, nos anos em que era bispo auxiliar do cardeal Ribeiro, reitor da Universidade Católica, com tanta presença também nos media, com esse estilo de a Igreja estar presente com boa vontade, compromisso, sensibilidade”, declarou.

D. José da Cruz Policarpo nasceu a 26 de Fevereiro de 1936 em Alvorninha, Caldas da Rainha, território do distrito de Leiria e do Patriarcado de Lisboa.

Ordenado sacerdote em 1961, foi ordenado em 1978 Bispo auxiliar de Lisboa, arcebispo coadjutor do Patriarcado durante a doença de D. António Ribeiro e, após a sua morte, em 1998, Patriarca de Lisboa. Criado cardeal por João Paulo II em 2001, participou em dois Conclaves: no de Abril de 2005 que elegeu Bento XVI, e no de Março de 2013, que acabou com a eleição do Papa Francisco. Aceite a sua resignação por limite de idade em Maio de 2013, foi substituído por D. Manuel Clemente.

O Cardeal D. José Saraiva Martins recorda D. José Policarpo como “uma figura extraordinária, com muitas qualidades, um homem de cultura, de diálogo, muito consciente do seu dever de pastor”, ilustre professor e magnífico reitor da Universidade Católica Portuguesa. “Foi um pastor segundo o estilo do Papa Francisco: embora pudesse parecer que não, estava sempre muito perto das suas ovelhas”, refere.

O Cardeal assinala ainda a imagem “muito boa, muito positiva” que D. José Policarpo deixou no Vaticano, onde era membro da Congregação para a Educação Católica, após ter tido essas funções no Conselho Pontifício para a Cultura e no Conselho Pontifício para os Leigos.

Os dois cardeais tinham estado no último consistório extraordinário, convocado pelo Papa em Fevereiro, tendo ambos conversado sobre vários temas da Igreja, destacando a “nova época na história” aberta pelo Papa Francisco.

 

 

LISBOA

 

SEPULTURA DO

CARDEAL D. JOSÉ POLICARPO

 

O cardeal D. José Policarpo foi sepultado no passado dia 14 de Março no Panteão dos Patriarcas, no Mosteiro de São Vicente de Fora, após a Missa exequial na Sé de Lisboa e um percurso pelas ruas da capital portuguesa, num dia de luto nacional decretado pelo Governo.

 

D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, evocou na cerimónia que antecedeu a sepultura o seu predecessor, diante da urna colocada na escadaria da igreja, antes da longa salva de palma com que os presentes se despediram de D. José Policarpo.

A sala que serve de Panteão dos Patriarcas é uma criação do século XX, inserido num monumento nacional que alberga desde 1998 os serviços diocesanos.

O panteão, actualmente com 11 túmulos, é despido de azulejos, limitando-se a uma sala rectangular com um altar de pedra num dos topos, encimado por uma cruz.

O túmulo de D. Carlos da Cunha e Meneses, falecido em 1825, é o mais antigo, e o penúltimo é o do cardeal António Ribeiro, falecido em 1998.

Instituído por D. Afonso Henriques em 1147, na sequência do voto feito pelo monarca caso conseguisse conquistar Lisboa, o mosteiro dedicado ao mártir São Vicente e entregue aos cónegos regrantes de Santo Agostinho, simbolizava a refundação cristã da cidade.

No início do reinado de Filipe I foi iniciada a reforma do edifício da igreja e do mosteiro. O arquitecto português Baltazar Álvares dirigiu as obras entre 1597 e 1624, tornando o monumento uma referência na arquitectura maneirista.

Os cónegos regrantes eram membros de cabidos e colegiadas que, pelo séc. XI, faziam profissão religiosa, seguindo habitualmente a regra de Santo Agostinho e organizando-se em “congregações”.

Santo António, antes de ser franciscano, foi cónego regrante de Santo Agostinho, tendo professado em São Vicente de Fora (Lisboa) e vivido no mosteiro de Santa Cruz (Coimbra).

 

 

VISEU

 

SÍNODO DIOCESANO

 

No passado dia 15 de Março, o bispo de Viseu abriu os trabalhos da Assembleia Sinodal diocesana com apelos à “humildade e responsabilidade” de todos os participantes, face a uma iniciativa que pretende contribuir para a renovação da Igreja católica local.

 

D. Ilídio Leandro sublinhou que os próximos dois anos, período em que vai decorrer o Sínodo, vão ser os mais importantes da história da comunidade católica viseense.

Fomentar a comunhão e a corresponsabilidade entre as pessoas e renovar as estruturas pastorais, para que elas sejam capazes de responder a desafios como a crise económica, o envelhecimento das comunidades, a desertificação territorial e a escassez de vocações sacerdotais, são alguns dos principais objectivos.

Para o prelado, é essencial que esta Assembleia Sinodal contribua para a construção de uma “Igreja nova”, que retome “a beleza, a alegria e o entusiasmo das origens, ao ritmo da Palavra e do amor de Jesus Cristo, uma Igreja com as pessoas e para as pessoas”.

Aos 10 grupos sinodais, que vão ser responsáveis pela elaboração de propostas para levar a plenário no dia 29 de Março, D. Ilídio Leandro apontou a necessidade de “remar contra a maré da indiferença e da preguiça”.

O Sínodo realiza-se por convocação do bispo, depois de ouvido o Conselho Presbiteral, sendo depois as assembleias sinodais presididas pelo bispo ou por um dos seus vigários, devendo ser espelho da estreita unidade que deve existir e crescer entre todos os sinodais, reflectindo a unidade da Igreja diocesana.

A caminhada sinodal da Diocese de Viseu começou em 2010, com o objectivo de envolver leigos, religiosos e padres no estudo e apresentação de propostas para renovar a acção da Igreja católica local.

A última Assembleia Sinodal na região teve lugar em Setembro de 1748, e foi convocada por D. Júlio Francisco Oliveira.

 

 

LISBOA

 

SEMANA NACIONAL DA CARITAS

 

Lúcia Saraiva, da direcção da Cáritas Portuguesa, alertou para o aumento de pessoas que pedem bens alimentares, em Portugal, por causa da crise económica.

 

“A fome deixou de ser uma ideia que faz parte só dos países em vias de desenvolvimento e passa a ser uma fome muito presente nas nossas casas, nas nossas famílias, na Europa e em Portugal concretamente, e a Cáritas tem já há alguns anos esta preocupação, que se sente nos pedidos de ajuda nesta área, têm aumentado os pedidos para doações de bens alimentares e começa a existir alguma dificuldade em responder a todos os pedidos, o que se tem revelado muito difícil de encarar”, disse.

A vogal da direcção revelou que o slogan da Semana Nacional da Caritas, Juntos no Amor, unidos contra a fome, partiu duma ideia do Papa Francisco para que os cristãos se “empenhem mais nesta problemática”.

Lúcia Saraiva explica que todas as doações conseguidas durante esta semana, que decorreu até o domingo dia 23 de Março, vão “ajudar muitas famílias não só com bens alimentares, mas também para resolver questões financeiras de pagamento ao fisco ou de contas da casa que as pessoas não conseguem colmatar”.

 

 

LISBOA

 

FALECEU

FERNANDO RIBEIRO E CASTRO

 

O fundador e presidente da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN), Fernando Ribeiro e Castro, morreu no passado dia 20 de Março, aos 62 anos.

 

A Associação sublinha “a coragem e desassombro com que defendia princípios e convicções” o falecido responsável, elogiado ainda pela “energia inacreditável que o levou a trabalhar até ao último dia da sua vida”.

Fernando Castro dedicou-se durante vários anos à causa da natalidade e da família, estando na origem da APFN, que nasceu em 1999 com o objectivo de defender e promover os direitos das famílias que optam por ter mais de dois filhos.

A propósito de um trabalho sobre medidas de incentivo à natalidade, disse recentemente: “Para o Estado os filhos passaram a valer zero. No que diz respeito ao cálculo do IRS, por exemplo, não entra em linha de conta a dimensão da família. É completamente injusto, uma família com o mesmo rendimento, sem filhos, pagar de taxa de IRS igual como se tivesse dez filhos”, lamentou.

 

 

BRAGA

 

CONGRESSO SOBRE SÃO BENTO

 

O arcebispo de Braga acompanhou o Congresso sobre São Bento que decorreu no santuário dedicado ao Santo, em Terras de Bouro, sublinhando a “influência do cristianismo” na construção da Europa e alertando para o laicismo.

 

“Toca-nos propor a pessoa de Cristo e a sua incarnação nas pessoas humanas como elementos decisivos e fundamentais para um novo humanismo. A experiência cristã, respeitadora da liberdade humana, é capaz de interagir com religiões diferentes e culturas e visões do mundo diversificadas”, destacou D. Jorge Ortiga, na abertura dos trabalhos.

O prelado sublinhou a “influência do cristianismo na Europa, desde os primórdios dos Padres da Igreja e dos alvores do monarquismo”, que se manifestou “em inúmeras actividades humanas (arte, literatura, pintura, arquitectura, agricultura)”, com uma matriz de índole espiritual.

O Congresso que decorreu em 21 e 22 de Março passado quis assinalar os 50 anos da proclamação de São Bento, pelo Papa Paulo VI, como patrono da Europa.

D. Jorge Ortiga advertiu para a passagem de uma “concepção do homem, como criatura criada e redimida por Deus em Cristo” para “um prescindir de Deus como autonomia e libertação da transcendência”.

Nesse sentido, o arcebispo de Braga falou do humanismo cristão como “uma pequena expressão minoritária, em confronto com os numerosos e diferenciados tipos de humanismo que pretendem fugir a qualquer tipo de referência evangélica”.

Situando São Bento num contexto de crise, depois da queda do Império Romano, o prelado disse que a celebração dos 50 anos sobre a sua proclamação como padroeiro da Europa “deveria provocar uma profunda reflexão”.

“Sabemos que existe uma visão do mundo não só marcada pela laicidade mas eivada de verdadeiro laicismo. Há medo da Igreja e são muitos os que não querem aceitar uma sadia liberdade religiosa capaz de criar as condições para que cada ser humano viva a sua experiência religiosa. Isto nota-se nas leis, nas atitudes de alguns governantes, na comunicação social”, advertiu.

 

 

FUNCHAL

 

CONGRESSO SOBRE

500 ANOS DA DIOCESE

 

O presidente da comissão organizadora do Congresso sobre os 500 anos da Diocese do Funchal considera importante que os portugueses conheçam a história desta Igreja local, porque é olhando para o passado que melhor se projecta o futuro.

 

“É preciso olhar para o passado, dar atenção à memória do passado e daqueles que nos precederam para melhor ler os sinais do presente e melhor projectar o futuro; por isso, este Congresso pretende resgatar o património, torná-lo vivo no presente e alimentar com ele o futuro”, disse José Eduardo Franco.

“A Diocese do Funchal foi a primeira diocese criada que vingou no contexto da expansão ibérica. Durante um determinado período, na sua fundação em 1514, foi-lhe dada jurisdição sobre todos os territórios descobertos e a descobrir por Portugal que podiam ir desde as Américas, à África e ao Oriente, o que fez dela naquele período a maior do mundo”, explica o historiador.

O arquivo da diocese é riquíssimo e mostra a relação histórica “com diferentes povos e culturas com quem estaria relacionado, nomeadamente o Oriente, a África e outros”, o que permite aos historiadores ver “a forma como a política da Igreja associada ao Estado e tutelada na Madeira pela Ordem de Cristo estruturou o processo de expansão do Cristianismo implantando progressivamente dioceses em todo o mundo”.

No Congresso, que vai decorrer de 18 a 20 de Setembro no Funchal, vão ser abordados temas que passam assim “pela parte institucional e de implantação da diocese ao longo destes 500 anos”, mas também questões “mais ligadas à cultura, à comunicação social, à literatura, à ciência”, revela José Eduardo Franco.

A Diocese do Funchal tem muitos emigrantes “espalhados pelos mais variados locais do mundo”, por isso mantém “uma certa ligação à globalização, como na sua génese”, sublinha o presidente da comissão organizadora do Congresso.

 

 

VIANA DO CASTELO

 

BEATO

FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES

 

O bispo da Diocese de Viana do Castelo, D. Anacleto Oliveira, manifestou no passado dia 27 de Março o desejo de ver canonizado o beato Frei Bartolomeu dos Mártires.

 

A aspiração foi formulada no arranque do ano jubilar das comemorações dos 500 anos do nascimento (Maio de 1514) do «santo do povo», onde D. Anacleto Oliveira sublinhou que se “a Igreja ouvisse a voz do povo, se calhar, já o teria canonizado”.

“Aqui já é santo, aliás desde que ele morreu que lhe chamavam «santo arcebispo [de Braga]» e ao povo ninguém lhe tira isso”, acrescentou o prelado de Viana do Castelo.

As comemorações do ano jubilar dos 500 anos de nascimento do beato Frei Bartolomeu dos Mártires arrancam a 3 de Maio e prolongam-se até 18 de Julho de 2015.

Durante este período, as suas relíquias, depositadas na Igreja de São Domingos, em Viana do Castelo, vão percorrer todas as paróquias dos dez concelhos da diocese.

“O processo de canonização, na prática, está completo, entregue em Roma e não há mais nada a acrescentar”, apontou D. Anacleto Oliveira.

Dando expressão nacional àquelas comemorações, será publicada uma nota pastoral pela Conferência Episcopal Portuguesa.

O bispo de Viana do Castelo assegura que Frei Bartolomeu dos Mártires “merece ser conhecido e venerado” por todos, até mesmo declarado como “doutor da Igreja”, face aos seus escritos e ensinamentos.

Beatificado em 2001 pelo Papa João Paulo II e também lembrado pelo importante papel no Concílio de Trento, Frei Bartolomeu dos Mártires tem uma estátua de homenagem em Viana, no Largo de São Domingos.

 

 

FARO

 

ATITUDES E VALORES

NA ESCOLA DO SÉC. XXI

 

O antigo ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo, afirmou numa conferência sobre “A Escola no Século XXI” que “os comportamentos e atitudes são tão relevantes quanto os conhecimentos adquiridos”.

 

“Os comportamentos e atitudes são tão relevantes quanto os conhecimentos adquiridos, os comportamentos e as atitudes hoje competem com os conhecimentos de base”, disse o actual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian no Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, no passado dia 28 de Março.

Para Eduardo Marçal Grilo é necessário cultivar características como “iniciativa, responsabilidade, trabalho em grupo, dúvida permanente, gosto pelo conhecimento, espírito inovador, saber comunicar ou liderança” e valores como o “respeito pelos outros, respeito pela verdade, humildade, tolerância, respeito pelo pluralismo ou solidariedade”.

Aos cerca de 120 educadores presentes, o orador destacou também a importância da “cultura científica”, designadamente o “espírito de observação, de dúvida permanente, de experimentação, de registo dos resultados, de elaboração e apresentação dos relatórios”, afirmando mesmo que “a cultura científica é algo em que a escola tem uma enorme responsabilidade”.

O actual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian alertou para a importância do projecto educativo, considerando que este resulta do “conhecimento aprofundado da comunidade que serve” e que por isso “o Estado não tem que ter projectos educativos, nem projectos culturais, quem tem que ter projectos são as escolas, as sociedades, as famílias”.

Marçal Grilo dirigiu-se também aos pais que considera essenciais no processo educativo, defendendo que estes devem “ser referência pelo seu comportamento, atitude, pela forma como incentivam” os filhos e apontam caminhos criando “as condições de tranquilidade e esperança”.

“Precisamos de uma cultura de exigência”, apelou de seguida defendendo que “os pais têm que ser exigentes com os filhos”, que “os pais e os alunos têm que ser exigentes com a escola”, que “os professores têm que ser exigentes com os alunos” e que “os professores têm que ser exigentes consigo próprios e os estudantes consigo próprios”.

Para o antigo ministro da educação é necessário que os jovens “se tornem adultos responsáveis e solidários, cidadãos de parte inteira, capazes de definirem o seu próprio caminho e integrados como elementos de mudança num mundo cada vez mais complexo”, disse no fim da conferência promovida pelo Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro.

 

 

LISBOA

 

NOVA IGREJA

NO PARQUE DAS NAÇÕES

 

No passado domingo dia 30 de Março, o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, presidiu à dedicação e inauguração da igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, um templo centrado na mensagem do II Concílio Vaticano.

 

Os responsáveis não quiseram “impor figuras, nem modelos arquitectónicos”, mas “clarificar os modelos de Igreja” que pretendiam, disse o padre Paulo Franco.

Segundo o pároco da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes foi apresentado “um programa iconográfico” que está centrado numa “igreja à luz e à imagem do II Concílio do Vaticano para responder à liturgia e ao modelo celebrativo” que preconiza.

O projecto é da autoria do arquitecto José Maria Dias Coelho que, além de um complexo paroquial, se “centrou na construção de um templo, inspirado em Nossa Senhora dos Navegantes e nos Oceanos, que foi o tema da Expo 98, em cujo território nasceu a nova freguesia do Parque das Nações”.

Preparada para acolher quase 700 pessoas, a igreja apresenta “uma arquitectura circular, pensada e executada como casa e escola de comunhão”, onde “a disposição dos espaços e da assembleia, convergem para o que deve ser o seu centro: o altar, centro da acção Litúrgica da Eucaristia”.

“É impossível, neste espaço, não se sentir participante na própria liturgia” porque “quase que não há recanto para estar em silêncio”, acrescentou o padre Paulo Franco.

A arte presente no interior da igreja é da autoria do escultor Alípio Pinto e “evoca os mistérios luminosos do rosário, tendo o retábulo principal a referência à transfiguração de Cristo”.

A igreja de Nossa Senhora dos Navegantes tem uma torre, com cerca de 40 metros de altura, que tem uma evocação marítima.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial